01 dezembro 2009

O Natal de S. Jerónimo

O Natal não era bem-vindo em São Jerónimo de Belmonte. Ninguém gostava do Natal por aquelas bandas. Ali, o Natal era sinónimo de medo e causa de grande inquietação. Sempre que o Natal chegava coisas ruins aconteciam: roubos, mortes e um conjunto de outras desgraças.
Aquela cidade encarava o Natal como uma espécie de maldição. Uma factura a pagar por erros antigos, cometidos por pessoas sem escrúpulos, que condenaram a cidade a viver aquele suplício. As pessoas gostariam de esquecer o Natal, m
as isso era impossível.
Nas cidades vizinhas o Natal era normal e as pessoas mantinham as preocupações rotineiras do dia-a-dia, sem grandes temores. Eles conhecia
m os efeitos do Natal em S. Jerónimo; conheciam a história daquela cidade e sabiam o porquê da maldição envolvendo o Natal mas, como bons católicos que eram e como não era nada com eles, aceitavam-na.

Notava-se uma crescente ansiedade e angústia em todas as gentes à medida que aquela altura do ano se aproximava. Às vésperas da chegada do Natal já ninguém falava com ninguém, não havia sorrisos nas caras das pessoas e o comércio pouco se preocupava com as vendas. O Natal estava à porta e o povo pensava em c
omo se proteger e conjecturava sobre o que de mal poderia acontecer este ano.
A cidade encontrava-se em reboliço e o movimento era frenético nas ruas. Algumas pessoas compravam pregos e tábuas para fixarem portas e janelas, outras faziam as malas e partiam nos seus carros.
Havia uma grande debandada da população e a cidade ficava praticamente vazia. Em determinados anos a cidade ficava sem qualquer pessoa e a única coisa que se ouvia eram os ventos fortes e frios das noites de Dezembro.
A cidade preparava-se novamente para enfrentar a sua maldição.

Naquela noite não estava ninguém na rua. Raramente, via-se um carro na avenida principal a dirigir-se para fora da cidade. As luzes das ruas permitiam ver as poucas decorações de Natal preparadas pela câmara municipal.
As casas mantinham portas e janelas encerradas e as pessoas, que se mantinham corajosamente na cidade, protegiam-se do que viesse a acontecer. Os moradores conseguiam ver luzes azuis e vermelhas que penetravam nas frestas das janelas que imaginaram ser dos pirilampos das viaturas da polícia.
De repente o silêncio foi quebrado. Ouviram-se gritos, sirenes e, finalme
nte, uma saraivada de tiros. Ouviam-se vidros a partir e pessoas a correr. Vozes de comando indicavam as posições dos polícias no terreno. Ouviam-se o zunir das balas que seguiam o seu caminho. Viam-se flashs e cheirava-se o medo. O Natal chegara para cumprir com a tradição.

E fez-se silêncio novamente. Tão depressa como começou, terminou. Ouviam-se agora gritos de alegria e gargalhadas e as pessoas comemoravam.
A maldição terminara, finalmente.

Na manhã seguinte, os ardinas gritavam a principal notícia do jornal da cida
de. As pessoas beliscavam-se mutuamente numa tentativa de descobrir se tudo não seria um sonho.
No jornal podia-se ler:




Luís Fernandes Lisboa ®

(Para fazer a vossa própria "notícia" vão a este site)
Para a Fábrica de Letras:

27 novembro 2009

Orden(h)ados

"Penedos ganha 46 mil euros mensais na REN" in IOL Diário

José Penedos ganha 46.000 € mensais... Só me ocorre uma palavra: FUUOOOODDDD...

Porquê José Penedos ganha 46.000 € mensais? Quanta gente ele salva? Quantas pessoas ele ajuda? O quê ele inventa? O quê cria? O quê muda? Quem beneficia com seu trabalho? O quê catso, afinal, faz este homem para merecer 46.0
00 € por mês?
Está tudo doido? Se este fulano recebe esta dinheirama toda, porquê, em nome de um deus qualquer, foi-se deixar corromper (segundo as más línguas)? A sua vida não prestava? Vivia no tédio? Queria testar o sistema?
Como pode alguém, que está suspenso de funções numa empresa, manter o salário? Como pode uma empresa sustentar uma situação destas? Se eu for suspenso de funções na minha "empresa pública", posso manter meu salário?
Com esse dinheiro, pagaria o salário de todos os médico e enfermeiros do meu centro de saúde! Pagaria, talvez, o corpo docente de uma escola pública ou, quem sabe, os funcionários de uma sucursal da própria REN!

Se o Penedos ganha 46.000 € (de tanto repetir o valor, já tenho a tecla do 0 gasta), quanto ganharão os outros parasitas gestores de empresas públicas? Quanto ganhará o Fernando Pinto? E o António Mexia? E o Faria de Oliveira? Quanto ganharão estes trabalhadores calejados? Quanto auferirão pelo seu trabalho árduo? E será suficiente? Será justo pela grande (falta) de responsabilidade destes homens? Porquê raios mantemos estas empresas públicas? O quê ganhamos com isso?

Já nem vou falar das reformas...


E eles

26 novembro 2009

Velinhas (Re-post)

Como estou um tanto preguiçoso, hoje sai um re-post.
Fiquem bem.


Por favor, alguém me explique o que é uma vela.
Eu sempre pensei que uma vela era um pedaço de cera, com um pavio por dentro, com o intuito de iluminar e... mais nada.
Agora, o que é uma vela para uma mulher?
A vela para um ser feminino serve para, mais ou menos, tudo. Serve para enfeitar, para dar cheiro, para servir de suporte, para prenda, para receber como prenda, para segurar livros... e, de vez em quando, se faltar a luz, para iluminar.
Diálogo entre mulheres:
- 'tás a ver aquela vela (pedaço de cera verde em forma de árvore de natal)?
- Ai, é tão gira!
- Pois é, só 15 € na loja Tal!
- Oh, que pechincha!!!
Dinheiro gasto em velinhas, que ultrapasse o 1€ por um maço de 1 dúzia, é dinheiro mal gasto!

Aqui algumas regras para a utilização de velas:
1- As velas servirão para queimar, derreter e fazer uma pequena luz. Qualquer outra utilização estará reservada para casos extremamente excepcionais;
2- A utilização para fins românticos tem sido fonte de debate intenso pois, para o homem, tanto faz existir vela ou não: ele sempre estará a pensar na sua própria vela;
3- O único cheiro que a vela deverá ter é: cheiro à vela! Se a casa cheira mal, talvez o cheiro da vela não seja o maior dos seus dilemas;
4- Não deverão ter outra cor para além do branco, a não ser se for para fazer algum feitiço e aí pode-se usar uma vela vermelha ou preta;
5- A única forma que a vela terá de ter é a forma de uma vela. Formas de coração, bonequitos, barcos, bolas gigantes, pirâmides, quadrados, isto, não servem para o objectivo final de uma vela;
6- Uma utilidade alternativa será usa-las em cima de um bolo, mas sempre limitadas a 2 por aniversário(e nada daquela paneleirice de velas que nunca se apagam,sff);
7- O dinheiro dado por uma vela deverá ser quase simbólico e pagar apenas o material usado para fazer a vela, ou seja, a cera e o pavio. A forma, cheiro e a cor deverão ser gratuitos;
8- A única ocasião onde um conjunto de pessoas se poderá juntar com velas será na procissão das velas;
9- O número de velas a ter em casa deverá ser o estritamente necessário, ou seja: uma. Se se acender uma vela com outra vela, significa que existe uma vela a mais no domicílio;
10- Não se deverá elogiar a beleza de uma vela, elas não são giras nem cheiram bem: são simplesmente velas e devem ficar reduzidas a isso;
11- O único lugar onde um homem poderá aceitar ser homenageado com uma vela (branca!) será no seu funeral;
12- Um homem não deverá sorrir perante uma vela que não seja branca e não cheire a uma normal vela; se esboçar um sorriso, por menor que seja, deve-se questionar sobre a sua masculinidade;
13- O orçamento mensal, para a compra de velas, nunca poderá ultrapassar o orçamento diário para a compra de pionés;
14- As únicas velas de que um homem poderá falar são as velas do seu carro;
15- O homem só poderá investir nas velas do seu próprio veleiro;
16- Se um amigo oferecer uma vela, que não respeite as recomendações anteriormente explicadas, deverá tornar-se ex-amigo e o destino da vela ficará ao critério de cada um.

As velas são realmente um flagelo e é um dever, de todo o homem, lutar contra esta exploração. A tropa é voluntária, mas a luta contra a idade da cera não!!!
Esta era da cera colorida tem de acabar!
Chega de cheirinhos a canela! Chega de bocados de cera sob a forma de figuras geométricas não cilíndricas!
Viva a electricidade! Viva a lâmpada económica!

Uni-vos!!!

25 novembro 2009

Pai sofre VII - A frase


Mamã: "Olha, já fizeste a frase?"
Eu: "Que frase?"
Mamã: "Ainda no outro dia te disse. Tens que pensar numa frase para termos descontos nos produtos da Dodot
®."
Eu: "Hum... ok, que tal essa: Quem não compra Dodot é um idiot!"
Mamã:"Tem que levar "bebé" no meio!"
Eu: "Tá bem: Quem não compra Dodot é um idiot e leva com o bebé no meio!"
Mamã: "Desisto..."

24 novembro 2009

Interior


Abriste-me as portas do teu mundo

E mostraste-me do que és feita.
Eu que vagueava, vagabundo,
Fui incapaz de fazer-te uma desfeita.
Penetrei no teu ser, com delicadeza,
Pé-ante-pé, calcando o terreno,
Fui-me embebedando com tua beleza
E deixei de ser alguém pequeno.
Cresci dentro de ti, no teu amor,
Deixei de estar perdido em solidão;
Conheci em pleno o teu esplendor,
E fiquei aí dentro, para sempre,
No teu coração.

23 novembro 2009

Pai sofre VI... wounder bra

Nos tempos de namoro existia uma prenda que, devido à educação machista encapuzada que tive, tinha alguma dificuldade em comprar: lingerie.
Por vezes, entrava nas lojas cabisbaixo e lançava um sussurro à senhora do balcão a perguntar por um conjunto "sutiã + cueca fio dental de cor preta". Parecia aqueles agentes secretos dos desenhos da pantera cor-de-rosa, só faltavam o sobretudo e o chapéu pontiagudo. Igual a isto só um pedido de camisinhas com sabores na farmácia.
Passado algum tempo, comprar lingerie deixou de ser um bicho de sete cabeças e passou a ser, vá, um bicho de cinco ou seis.


Neste último domingo, fui incumbido pela patroa de comprar os víveres cá para o burgo. Ir a um hiper nesta altura do ano é coisa de Hércules. Enfrentar as pessoas no (quase) pico de espírito natalício não é fácil, então num fim-de-semana... algorava um tempo muitíssimo bem passado.
Decidi-me, então, por acordar às 9 horas da matina; pensei que só um idiota acordaria àquela hora de um domingo para fazer compras.
Cheguei ao dito hiper. Não havia realmente ninguém, uma verdadeira calmaria. Comecei a ficar irritado por, afinal, não haver tanta idiotice na minha zona.
Fui pelos corredores afora, envergando uma lista de compras e depo
sitando os mantimentos dentro do carrinho.
Entretanto, sinto o telefone a vibrar. Quem ousaria atrapalhar a minha "diversão" dominical?
Mamã: "Olha, há algo que quero que compres e que não está na lista"
Eu: "Ai sim, o que é?"
Mamã: "Sutiã de amamentação. Traz 2"
Eu: "Importas-te de repetir? Parece que ouvi sutiã no meio da tua conversa"
Mamã: "Sim, 'tás certo: sutiã de amamentação: 2. Até logo"
Desliguei o telélé e fiquei a olhar para o carrinho de compras, a espe
ra que caísse a ficha. Ali no corredor das fraldas (óbvio) aquele pedido até fazia sentido.
Depois de inserir no carrinho tudo o que a lista preconizava, lá fui eu para a secção de lingerie.
Devo confessar que, antes, só encontrava duas funções para a dita peça de vestuário: sustentação mamária e erotismo. Para mim (e acho que para todos os outros XY, sem machismo) a segunda função foi sempre a mais valorizada.
Embrenhei-me no sector da roupa íntima à procura do espécimen requerido. Tinha mais ou menos ideia do que procurava mas, no meio de tantos modelos, a empreitada estava a tornar-se complicada. Os
sutiãs multiplicavam-se em cores, tamanhos e feitios e lembrei-me daquela cena do "American beauty" onde a Mena Suvari é envolvida por uma chuva de pétalas de rosa, mas numa versão com sutiãs vermelhos a "chover" de um céu negro . Sorri com o pensamento, mas lembrei-me de onde estava... podia parecer um taradinho.
Voltei à procura. Comecei a ficar lixado com o facto de parecer que a 2ª função do soutien estas realmente sobrevalorizada, afinal amamentar é muito mais importante... pelo menos nos últimos tempos.
Tive que falar com uma "assistente":
Eu: "Olá, bom dia. Poderia me dizer onde estão os
sutiãs de amamentação?"
Assistente, com cara de"olha-me este, num domingo de manhã
...": "Só temos aqueles alí", apontando para um pequeníssima arrumação num canto soturno do sector.
Achei estranho a segregação dos sutiãs de amamentação, mas aliviado pela facilitação do meu trabalho; agora seria mais fácil, pensei eu.
Cheguei à pequena arrumação. Quando a senhora disse" aqueles" pensei que encontraria vários modelos e cores diferentes... estava enganado. O "aqueles" referia-se à repetição da cor branca em muitos
sutiãs , só os tamanhos eram diferentes. Para além disso, o tal sutiã não tinha sistema nenhum para baixar a escotilha: nenhum velcro, nenhum zipper, nenhum nada. Se um sutiã, para um homem, já é difícil de abrir, um sutiã de amamentação sem um sistema de abertura fácil é o fim da macacada.
Vim-me embora sem sustentáculos.

Cheguei em casa e disse que não tinha encontrado nenhum modelo "satisfatório" e expliquei o que se tinha passado. Responderam-me dois ombros em suspensão, numa tradução de um "já sabia".

Episódio passado, minha senhora foi responder a um pedido de leite que a bebé transmitia da alcofa e preparou-se para dar de mamar. Foi então que a minha ideia de sutiã alterou-se: olhando a face de expectativa da minha filhota para ver o que saia do sutiã da mãe, agora comparo aquela peça a um Kinder surpresa (com muitíssimo mais leite que chocolate).



"Tcharammmm!!!"

Dores

Friend: "Ei, catso, qual é para ti a dor que mais dói: dor de dente ou de ouvidos?"
Eu: "A distância..."

22 novembro 2009

Energia do GOLP

"Galp arrisca perder apoio estatal de 160 milhões" DN

Porquê uma empresa que apresenta milhões em lucros trimestrais, que detém o monopólio do mercado petrolífero nacional, que congratula-se vira e mexe pela descoberta de novos jazigos petrolíferos no Brasil e que não pensa um nanosegundo antes de aumentar em 0.02€ os combustíveis a cada subida do barril de crude, necessita de ajudas do Estado português seja para o que for?

21 novembro 2009

Plano inclinado? Deixai-os ir... a rolar

Sempre achei que um dos males do país eram os "opinadores". Os opinadores são pessoas que vão para a televisão e acham-se. Acham-se capazes e lúcidos o suficiente para opinar e fazer passar as ideias mais estapafúrdias sob o manto da inteligência e intelectualidade. Eles opinam sobre tudo, desde a apanha da azeitona até aos conceitos mais recentes da física quântica.
Para mim, os opinadores mais interessantes, e cómico
s, são os opinadores político-sociais. Existem n programas que dão voz a este tipo de opinadores, desde o do Prof. Marcelo e do António Vitorino, até ao novo programa do grande Mário Crespo (reparem na ironia), denominado "Plano Inclinado".
É incrível como reúnem dois ou três individualidades que depois regurgitam este tipo de porcaria a ver se as pessoas engolem.
Escrevo isto porque, durante a minha actividade física diária do fim-de-semana (leia-se zapping), passei pelo programa do Sr. Mário. Discutia-se o problema do défice da balança comercial portuguesa. A dado momento, o Mário passa a palavra ao velho (literalmente) do Restelo que lhe faz companhia, Medina Carreira. Para o Sr. Medina Carreira, a solução para o défice da balança comercial portuguesa é, i
magine-se, diminuir o poder de compra do Zé povinho, que assim "já não pode comprar mais bacalhau, carne ou laranjas" (SIC). A sua proposta baseia-se em congelar salários e pensões durante pelo menos 3 anos e, quem sabe, a balança lá se equilibrava.
Achei isto de uma inteligência incomensurável, uma genialidade. Como é que alguém ainda não se tinha lembrado? A solução então será: foder o povo! Pensando bem, o Sr. Carreira chegou tarde com a sua ideia, já que sucessivos governos têm fornicado o povo lusitano e não é por isso que o país tem avançado.
"Se tivéssemos coragem para uma acção dessas, imaginem o barulho que seria na opinião pública e sindicatos!". Tem razão o idoso. Quando vão ao bolso das pessoas elas realmente costumam reclamar.

Parece que o Sr. Medina prefere que se congele os salários e pensões do Zé. É melhor do que aumentar e melhorar a investigação fiscal, a punição dos crimes económicos, o incentivo à produtividade e melhoria da qualidade dos nossos produtos, a publicidade além fronteiras, a melhoria da nossa imagem no exterior... nada disso poderia melhorar a nossa balança... mas talvez, quem sabe, congelar os salários do povão é capaz de safar a nobre república.
Ó Sr. Medina, eu concordo consigo em congelar algo. Para si pode ser N líquido.

20 novembro 2009

O flato

Pensamento do dia (depois de um almoço divinal):

"Os feijões não deixam ninguém incógnito!"

19 novembro 2009

Eu não sei jogar bridge!

Ninguém deveria estar longe de quem ama, tal como eu não deveria estar longe das minhas meninas...

Sentado no meu quarto escuro e frio, perdido em pensamentos amorfos, ouço alguém a bater à porta. É a saudade a convidar-me para um jogo de cartas com ela e a sua parceira, a solidão. Eu não gosto da saudade e odeio a solidão. Elas não prestam, não são boa companhia e fazem batota.
Para além do mais sei que, dentro em pouco, juntar-se-ia a nós a tristeza, essa outra put...
Não fui polido, nem educado, e retorqui:
"Deixem-me em paz! Eu não sei jogar bridge!"


17 novembro 2009

Re-post

No ano passado, num dia de azedume extremo, publiquei aqui uma tentativa de poema intitulado "Azedume". Estava numa fase de azedo intenso e escrever aquilo melhorou o meu astral.
Hoje resolvi publica-lo novamente, não porque esteja numa fase tão azeda, mas porque nos vários blogs que acompanho é esse o sentimento dominante.
Chego à conclusão que Portugal está azedo. Quem tem dois dedos de testa e alguma vergonha na cara, começa a estar farto da situação... e da oposição.
Não se vê esperança na cara da maioria das pessoas, vê-se conformismo, chega-se mesmo a ouvi-lo no "que é que se há de fazer" e no "é a vida".
No entanto, começa a fervilhar uma pequenina revolta, quase "underground". Ainda está pelos 80ºC, mas não tarda nada entra em ebulição. E os blogs de determinados autores (muitos vocês podem encontrar aqui na sidebar) expressam e fomentam essa nano-revolta.
Como não quero ficar de fora, lembrei-me do escrito no ano passado e volto a publicar (com algum update ):

Azedume

Vamos crias pontes e mais pontes,
Vamos fazer travessias marítimas alcatroadas;
Destruir escarpas, falésias e montes
Para, no lugar, pintar belas estradas.
Vamos construir quilómetros de carris
No lugar dos que já existem,
Para deixar Madrid mais feliz
Enquanto os pobres portugueses assistem.
Vamos destruir refúgios ecológicos
Para que outras aves possam voar.
Vamos fazer choques tecnológicos
Num país que mal sabe falar.
Vamos agredir-nos uns aos outros
Por algo fútil e banal.
Vamos conduzir como loucos
Para morrer a caminho do hospital.
Vamos fazer propaganda
De tudo o que não se fez.
Vamos acenar da varanda.
Vamos enganar outra vez.
Vamos contornar as normas e leis
A que os outros estão obrigados.
Vamos enriquecer e vocês
Ficam a contar os trocados.
Vamos sorrir à gente inculta
Que nos deu, novamente, o poder,
Vamos esquecer a "face oculta",
Vamos mandá-los fo"#%
Vamos fazer isso tudo
Porque a nós tudo é permitido
Basta termos algum estudo
E um padrinho num grande partido.
No fim seremos idolatrados
E carregados em ombros,
Por deixar um incrível legado:
Um país e seus escombros.

16 novembro 2009

Sonhos

Amigo:"Então, qual é a tua definição de viagem de sonho?"
Catsone: "hum... 8 horas, ininterruptas, de sono..." bocejo

15 novembro 2009

Preto e Branco


Preto chegou cansado à casa. Depois de um dia de trabalho nas obras só lhe apetecia descansar e comer o que a vontade de cozinhar deixasse. Acabou no sofá com uma mini e uma sandes de atum com ovo.
Ligou a televisão para ver o que as notícias contavam de novo. Violência, corrupção, desastres naturais, doenças, Benfica. Tudo na mesma.
Foi tomar banho.

Branco chegou à sua casa. Estava estafado depois de um dia cumprido e comprido no tribunal. Achava psicologicamente estafante a função de decidir, com base na lei e no bom senso, se alguém devia passar parte da sua vida na cadeia.
Estava faminto e foi ver o que a sua mulher-a-dias lhe deixara no forno. Sentou-se à mesa e bebeu um gole do vinho tinto alentejano que entretanto abrira.

Ambos os homens pensavam na vida.
Preto pensava nas dificuldades do dia-a-dia, na labuta dura da construção civil, nas mulheres que nunca amou e nos filhos que nunca teve. Pensava no isolamento e na pobreza. Olhava à sua volta à procura de uma solução que não passasse por mais trabalho e sofrimento. Resignou-se e enxaguou o cabelo ralo. Lavava o corpo e a alma.

Branco deglutia sofregamente uma comida fria que empurrava com mais um “trago” da mistura de Aragonês com Syrah. No processo, pensava nas decisões tomadas ao longo do dia e espantava-se por, no fim desses anos todos, ainda preocupar-se com isso. Pensava no eco que fazia naquela casa, na mulher que o esqueceu e nos fi
lhos que perdera por causa da sua obsessão pelo trabalho. Estava velho, só, perdido numa casa quase tão grande quanto a sua solidão.

Branco e preto não se conheciam, mas padeciam das mesmas doenças.

Preto voltou à sala. Sentou-se no sofá a ver um programa qualquer da TV pública. Deixou o corpo escorregar até a cabeça descansar no sofá milenar que tinha na sala. Estava cansado… há muito tempo.

Branco não se sentia bem. A refeição soube-lhe mal e sentia o estômago às voltas. Não sabia se os pensamentos tinham estragado a comida. Foi a
té a grande sala de estar e, do bar, trouxe um menino escocês de 18 anos. Juntou-lhe um amigo cubano, que ainda cheirava à coxas latinas, e ficou a mirar a lareira acesa. Mexia o gelo com o dedo enquanto tragava o tabaco. Ficou assim até adormecer, deixando cair tanto o whisky como o charuto.


Era segunda-feira de manhã e o médico legista chegava ao trabalho. As segundas eram desgracentas, já que os cadáveres “amontoavam-se” no fim-de-semana.
No entanto, aquele início de semana estava fraco em clientes e apenas dois falecidos jaziam a espera do tanatologista.

O médico legista observou as fichas dos defuntos, pegou no gravador de voz começou a descrever o indivíduo à sua frente:
“Nome: José Carlos Meireles Fonseca Preto. Idade: 52. Altura: 162 cm. Raça: Caucasiana. Nacionalidade: Condeixa-a-Nova, Portugal…”
Em seguida, ditou ao aparelho os dados do segundo corpo:
“Nome: Augusto César Sousa Branco, ou melhor, Dr. Juíz Augusto Branco. Idade:45. Altura: 178 cm. Raça: Negra. Nacionalidade: Maputo, Moçambique…”

O médico sorriu com a estranha coincidência, ligou o rádio, estalou os dedos, pegou no bisturi e confessou os segredos interiores dos dois estranhos...

Luís Fernandes Lisboa ®
Para a Fábrica de Letras





14 novembro 2009

Diabretes

No seguimento do post anterior:

"Dia Mundial da Diabetes assinalado com seminários, encontros e mensagens em campos de futebol" Lusa



13 novembro 2009

Doces do céu... e arredores.

Clicar na foto

"Pode ser que me encontrem por Alcobaça este fim-de-semana" - Catsone, o doçólatra.

Egos

"Na entrevista que Nani dá hoje ao Jornal "I" afirma " não estar muito contente" com o facto de ser suplente na Selecção Nacional e sublinha que" "não sei porque não jogo".

"Toda a gente me faz festinhas na cabeça mas depois fico no banco", diz o extremo do Manchester United, que afirma que " eu devo ser titular, sem dúvida". " RTP



Quem é realmente bom no que faz não tenta ganhar o reconhecimento no "grito"!
Um espelho, em ponto grande, para o Nani.

11 novembro 2009

Soneto à Árvore de Louros

Minha Árvore de Louros, tu sorriste,
Cravejaste uma gota salgada na minha face,
E a minha fortaleza partiste,
Por mais que disfarçar eu tentasse.

Fazes tão pouco para me ter em tuas mãos.
Um palreio, um espirro, algo diferente
E aceleras meu ansioso coração,
Pobre músculo cardíaco condescendente.

Deixas-me de rastos com teus trejeitos,
E um sorriso teu é o acto perfeito
Para tornar maior este estranho amor.

Menina, não faças pouco de mim!
Eu sou só um pobre sonhador
Que nunca sonhou com uma paixão assim.



Inspirado por:

10 novembro 2009

Pai sofre V ... Silly cone

Este post é inspirado num pedido da minha mais-que-tudo. Pediu-me ela "bicos/mamilos de silicone". Tenho que confessar que fiquei excitado por nanosegundos, passando de imediato à uma enorme indagação. A sério? Bicos de silicone? Isso existe?
Existe. Servem para controlar o fluxo de leite evitando que o bebé se engasgue e... olhem, vão mas é pesquisar!
Depois de tudo bem explicado, parti para a farmácia mais próxima.
Este estranho pedido pôs-me a pensar nas maravilhas que se podem fazer com o silicone. É um material com mil e uma utilidades. Ele é implantes mamários, material de construção, moldes, equipamento desportivo, vestuário, equipamento aeronáutico, automobilístico, etc, etc. O que porra não se pode fazer com silicone? Eu sei, muita coisa, mas é imensa a versatilidade deste borrachudo material.
Não obstante, isto de substituir o doce e macio mamilo humano por um pedaço de silicone não está com nada. Para mim é um crime. Até podem dizer que maior crime é substituir uma mama inteira por um implante, o que concordo, mas ludibriar o recém-nascido? Priva-lo do toque directo com a torneira láctea é coisinha que não se faz, ou pelo menos não se deveria fazer.
Cheguei à farmácia e fiz o pedido. A farmacêutica indagou-me sobre o quê exactamente eu queria, se discos ou mamilos de silicone. Juntei "discos" à minha lista de coisas que podem ser feitas de silicone e esclareci que queria os mamilos "faxavore". A senhora lá me mostrou vários tipos e modelos (e preços), o que me fez lembrar um pouco o post das fraldas. Decidi-me por um BBB (bom, bonito e barato) e voltei à casa de partida.
Confesso que, ao ver o adereço no seu devido local, até achei interessante. Deu-me uma ideia de como funciona a fábrica de lacticínios aqui de casa. Claro que a bebé continuou a engasgar-se na mesma, mas agora com mais estilo.
É incrível as utilidades que damos ao silicone e fiquei de voltar à farmácia quando inventarem uma coisinha dessas para aparar a baba.

PS: Este post lembrou-me uma série de comerciais famosos nas décadas de 80/90 no Brasil. São sobre uma palha-de-aço de nome "Bombril" e tinham o slogan "1001 utilidades". Fica aqui uma pequena amostra para quem não conhece:


07 novembro 2009

PME's ou "Mãos ao ar! Isto é um assalto!"

Primeiro de tudo, este post não se baseia nos "Gato Fedorento". Não tenho a intenção de plagiar nada, até porque, se fosse assim, os próprio Gato já teriam plagiado os políticos lusitanos, que concorreram nas últimas eleições legislativas e autárquicas, relativamente a uma das suas principais promessas: ajudas às PME's.

Alguns amigos meus juntaram-se para abrir uma pequena e
média empresa. Como pequenos e médios empresários que eram, arrancaram com um pequeníssimo orçamento (aqui não há médio). No princípio, ainda recorreram as instâncias governamentais para conhecerem as hipóteses de serem abrangidos por um micro subsídio ou ajuda governamental. Surpresa: não tiveram direito a nada.
Mantiveram a grande motivação e coragem em abrir o seu pequeno e médio negócio.
Alugaram o pequeno e médio espaço e foram esticando o pequeníssimo orçamento.
Mas a grande aventura desta história começa agora.
Para publicitarem a sua pequena e média empresa resolveram
contratar uma outra pequena e média empresa para que se criasse a publicidade a afixar nos vidros do pequeno é médio espaço do pequeno e médio negócio. Mas engane-se aquele que pensa que este simples acto é mesmo um acto simples. Para publicitar o pequeno e médio negócio nos vidros do seu próprio pequeno e médio espaço tiveram que ir à câmara municipal pedir uma licença para o efeito. Na CM entregaram uma GG (grande e gigantesca) lista de itens a preencher: projecto da publicidade, dimensões do espaço, fotos do espaço antes do projecto, fotos depois, etc, etc, tudo em duplicado. E isto há cerca de 3 meses atrás.
No entanto, continuaram na enorme e hercúlea tarefa de criar uma pequena e média empresa. As contas se amontoaram e o pequeníssimo orçamento em sentido contrário.Água, luz, telefone, net, televisão, computadores, móveis, bombeiros, delegado de saúd
e, licenças para funcionamento, material para trabalho e o pequeníssimo orçamento, que era macho, não se reproduziu.
Finalmente chegou a carta da CM dando resposta ao pedido de licenciamento da dita publicidade no vidro: " blá,blá,blá, pedido de licença deferido, yada, yada, yada, licença precária por um ano, blá, blá,blá, pagamento de (cerca de) 1200€...".
1200€!!!(mil e duzentos euros!!!) (one thousand and two hundred euros) (тысяча двести мл)(हजार और बीस करोड़) (萬和2.0億)
1200€ por uma licença que custa muitíssimo mais que a própria "ob
ra"! Isto é extorsão, é saque, é ROUBO! É a maior acção de parasitismo que já vi.
Digam-me o que é que esses filhos da puta (e vão desculpar-me o termo, já que as mães não devem, em princípio, ter culpa) estiveram a falar durante toda a porcaria da campanha? Encornaram nas PME's e foi vê-los cuspir promessas de ajudas aos corajosos que ainda se arriscam no próprio negócio.
"Vamos ajudar as PME's", "...linhas de crédito às PME's", "nós queremos que as PME's floresçam", "daremos facilidades às PME's para que criem empregos"...
Os meus amigos, que já estavam com as contas ligadas às máqu
inas, levaram o último golpe de quem supostamente devia zelar por aqueles que podem criar empregos. Agora estão seriamente a pensar em desistir de todo o projecto já que a palavra "infinito" não se relaciona com "orçamento" e porque as PME's também não têm vantagens ou ajudas nos bancos.
Depois de ouvir isto lembrei de uma ideia para uma PME: desinfestação da praga de sanguessugas políticas (já registei a patente, invejosos!).



04 novembro 2009

Pai sofre IV... nem tanto

Quando um casal tem um bebé, muitas das prendas que as pessoas oferecem são roupitas para o infante. Daí que o pai não sofra tanto assim para comprar a vestimenta da cria. No entanto, e ao ver um site de t-shirts, deparei-me com estas preciosidades. Ainda não mandei vir nenhuma, apenas porque não consigo escolher em qual hei de investir... parecem-me todas tão adequadinhas.








Esta última é a única que está fora de questão (parece que a mamã não achou muita piada).

03 novembro 2009

Constatação


O túnel do Grilo é a uretra de Lisboa.

02 novembro 2009

Os "Speed Gonzalez"

Existe uma infame espécie de indivíduos que me revoltam: os Speed Gonzalez tugas.

Estava eu no IC2 prestes a cortar para a terriola dos meus pais. Parei no eixo da via com o pisca ligado para a esquerda à espera de um ponto vermelho que vi a aproximar-se em grande velocidade. Em microsegundos o tal ponto transformou-se num carro vermelho que derrapava na minha direcção.
Na minha mente aquela cena pareceu durar uma eternidade. Comigo estavam os meus bens mais preciosos e se aquele outro viesse de encontro a nós ninguém resistiria ao embate. Seríamos estatística, mais uma notícia de um fatídico acidente de viação.
Felizmente o imbecil controlou a trajectória e o seu carro passou de rasante por nós. Seguia perto dos 160-180 Km/h e fez com que a minha viatura ficasse a baloiçar.
À passagem dessa besta pelo nosso carro ouço o grito assustado da minha mais-que-tudo e ela ouve, da minha parte, um belo exemplar do genuíno e puro calão português.

Porquê? A minha pergunta é essa. Porquê esse tipo de palerma faz de uma estrada obsoleta, degradada e tortuosa, a sua pista de corridas? Que gozo lhe dá pôr a vida de outras pessoas em risco por uns segundos de "adrenalina"? Quer se matar? Por mim tudo bem, até posso ajudar, não faz cá falta e não choro uma lágrima sequer; agora pôr a vida da minha família em perigo enquanto experimenta a bosta do honda civic tuninzado na via pública, isso é que não!!!

Mas, há coisas do caraças, e em terra pequena tudo se sabe. Perguntado sobre se conhecia alguém que correspondesse à descrição do carro, meu irmão responde que conhecia perfeitamente e confirma que o infeliz é mesmo um idiota.
Não sou vingativo, muito menos rancoroso, mas que o fulano vai ouvir das boas, a isso vai!

Lack of...


do excelente site: The Perry Bible Fellowship

31 outubro 2009

Dia das Bruxas

Por ser dia das bruxas o CR9 deve ter enviado uma prenda ao bruxo Pepe, não?


Bom Halloween!

TV cabo vs Catsone

9:00 pm
Trim-Trim Trim-Trim
Eu: "Estou"
TVCabo (TVC): "Boa noite"
Eu: "Boa noite"
TVC: "Estou a falar com o Sr. Catsone?"
Eu: "Sim"
TVC: "Meu nome é _________. Falo em nome da TV Cabo. Seria possível falar com o Sr. Catsone?"
EU: "Nesse momento não será possível. Está mesmo a começar a missa."
TVC: "Desculpe não queria interromper o seu culto religioso."
Eu: "Como?"
TVC:"Bem, pelo que parece é crente e foi à missa"
Eu: "Desculpe menina, mas eu sou o padre"
TVC: "..."
Eu: "Que Deus a abençoe"
Tu-tu-tu-tu...

E com este, já é o 3º telefonema este mês. Se fosse para dar dinheiro não ligavam tantas vezes!

30 outubro 2009

AIC



29 outubro 2009

Histeria

Não consigo não comentar as cenas que vi nos telejornais. Histeria, pânico, desespero.
Uma criança morreu de gripe A. Uma criança com uma cardiopatia congénita que, provavelmente, morreria desta, doutra gripe ou outra desencadeante.
Este é um facto triste. Perder uma criança desta idade é um grande prejuízo para o país. Que fique claro que esta é a personagem mais inocente de todo este enredo e é realmente triste este desperdício de vida.
Mas apesar de tudo isto, nada justifica o espectáculo apresentado na televisão.
O que faz uma madrasta discursar em frente a uma escola cheia de pais e alunos assustados?
"Crianças, crianças, façam silêncio, respeitem a minha dor". Eu respeito a dor dos que perdem, mas quem perde, o que esta senhora perdeu, não faz discursos em público. Isso sem contar a incrível coincidência da presença de jornalistas de todos os canais nacionais.
E as televisões vão aos hospitais, à casa da criança, ao "comércio dos avós" e colhem depoimentos coléricos dos que nada sabem (ou sabem de forma deturpada).
Num país como o nosso é necessário que a ministra da saúde e os responsáveis de um hospital convoquem uma conferência de imprensa para explicar o inevitável. "Porquê o povo quer saber" e porquê os média precisam de noticias para as 20.
Já escrevi sobre a gripe A (aqui) e mantenho aquelas opiniões. Até hoje a contra-informação é mais forte. É mais credível o "opionista" do jornal nacional do que o delegado de saúde.
E a histeria aumenta...
Imagine-se se a ministra tiver que vir à televisão cada vez que alguém morrer devido a gripe (A ou sazonal).
Observem esta notícia:

"Gripe matou mais de mil pessoas" TVI 07/04/2009

Epá, 1000 pessoas morreram o ano passado? Onde estava a histeria? Onde estavam as pessoas a tentar fechar estabelecimentos?
E não pesquiso noutros locais (muito mais fidedignos) porque me falta a pachorra consumida por esta desinformação obscena.


Esperança

Mais uma letra da minha banda que não foi... mas poderia ter sido:

Esperança

Os dias são todos iguais
Desde de manhã quando leio os jornais
E vou para o trabalho
Fazer de escravo até às seis da tarde.
Almoço a mesma comida de plástico
E vejo os outros com algo fantástico
Para partilhar com o amigo do lado,
Brincam, riem e fazem alarde.

As tardes são todas parecidas.
Tarefas iguais fazendo-se esquecidas.
O copo com água centenária
E o sorriso aberto sem vontade.
As noites começam todas da mesma forma,
Quando entro no carro sem saber para onde ir,
E o trânsito louco que nos transforma
Naquilo que somos de verdade.

Quando nada, mesmo nada, nos prende à vida
É preciso procurar alguém,
Um ombro, um colo, uma cara conhecida
É preciso segurá-la bem


Quando se encontra alguém que nos prende à vida
É preciso segurá-la bem
Agarrá-la, abraçá-la
Sugar o que de bom tem

E os dias deixarão de ser iguais
Deixarão de ser longos e difíceis
Se encontrar-mos alguém
Temos que segurá-la bem

28 outubro 2009

Ora, ora

"Respiração boca a boca prejudica sobrevivência do paciente" Diário Digital

Bem, sendo assim meus caros amigos, quando virem uma menina, como a da foto abaixo, deitada na praia, evitem fazer a respiração boca a boca e concentrem-se na caixa torácica...

Racismo


No rodapé do Jornal da Tarde da RTP:

"Preto acusado de falsificação e fraude fiscal"

27 outubro 2009

Pai sofre III - De fraldado


As fraldas foram uma invenção extraordinária. Aliás, penso se dever a esta peça "íntima", grande parte da evolução da espécie e que acelerou ainda mais com o advento das "descartáveis".
As fraldas sempre estiveram presentes na minha ideia de paternidade. As famigeradas fraldas e as suas trocas estavam na lista de coisas a aprender.

Com a chegada da minha menina, lá tive eu de tomar conhecimento com estas retentoras de excrementos. Tive de aprender a fina arte da troca de fralda, o que seria fácil se ao mesmo tempo a utilizadora da mesma não esperneasse e espalhasse o conteúdo pela área circundante.
E é incrível a velocidade na qual as fraldas se acumulam. No fim do dia já encheram um saco de lixo. Enchem rapidamente todas as latas de l
ixo, das casas de banho à cozinha.
As fraldas tomam conta da casa e, violentamente, conquistam-na. Com a desculpa de estar sempre a mão, vão aparecendo aqui e ali até que, de repente, existe sempre uma fralda por perto e em todas as divisões da casa. Elas estão por toda a parte (e isso inclui também o carro!).

"Ó papa, tens de ir comprar fraldas"
"O quê?Ainda no outro dia comprei!"
"Pois, mas elas não são infinitas"

"Mas olha que, pelo número de fraldas que eu vejo por aqui, até parece que são!"
E lá vou eu comprar as benditas.
Um aparte: um gajo acha estranho que existam corredores só para iogurtes ou bolachas nos supermercados. Então passem a reparar no corredor destinado às fraldas. Elas são imensas, inúmeras, infindáveis, infinitas e ainda umas poucas mais. Elas existem por peso, por idades, mais absorventes, men
os absorventes, com bonecos, mais grossas, mais finas, mais largas, mais fofas e mais uma quantidade anormal de outras características. Existem automóveis com menos extras que algumas destas fraldas. Isso para não falar do preço. Tanto dinheiro... é para um gajo ficar com cara de mer$%, ou melhor, cara de fralda usada.
Lá cheguei ao corredor das fraldas. Tinha as coordenadas exactas, dadas pela minha superior hierárquica, e comecei a procurar: 3-6 Kg, 0-3 meses, dodot®, etapas, abas largas, confort. Na procura, encontrei dois pacotes que se
apresentavam idênticos mas cujo preço de um era metade do do outro. Fiquei com expressão de interrogação, tentando compreender o que catso diferenciava uma da outra. Decidi arriscar e... comprei a mais barata... dois pacotes delas.
Saí do supermercado aliviado e orgulhoso por ter comprado (quase) sem hesitar o pacote certo. Sentia a inveja a vir dos rostos dos outros pais que se encontravam no mesmo corredor. As suas caras cansadas e camisas s
uadas demonstravam a dificuldade da grande missão na qual se encontravam. Eu, no entanto, tinha vencido!
Cheguei a casa e despejei o pacote das fraldas. Sentei no sofá para recuperar do esforço e foi então que ouvi a tão temida frase: "Ó pá, não eram estas!".
"Como??? "
"Vê só, estas não são iguais a estas. Passa aqui a mão"

Rasp, rasp
"E então, vês?"
"Hum, pois, são mais ásperas"
"Já sabes o que tens a fazer"
Ainda tentei convencer a usar aquelas ou sermos mais ecológicos e voltarmos às fraldas de pano: "então, tu lavas as fraldas, ok?" e convenceu-me.
Fui ao super e comprei as fraldas certas.
Isso foi há uma semana, adivinhem onde fui hoje e fazer o quê?

26 outubro 2009

Folha branca


Catsone®

25 outubro 2009

Como diz que disse???

"Vou ser sucinto contigo: fazes tanta falta aos "Ídolos" como um volante num frasco de pickles!"

Do excelente cantor: Pedro Boucherie Mendes

24 outubro 2009

Dissertação sobre o ego

Vasculhando em papéis e cadernos antigos, do tempo do liceu, encontrei textos que escrevi durante aulas mais desinteressantes.
Naquela altura queria escrever um conjunto de composições que falassem de mim mesmo e que, no seu conjunto, intitulei de "Dissecação de uma personalidade".
Pensava, um dia, publicar e... bah, ideias de teenagers.

Foi engraçado reler e identificar coisas que agora não correspondem à verdade. Algumas delas ainda bem, outras tenho pena.
Não modifiquei (ou corrigi) nada do texto original pelo que o publico como escrevi há cerca de 16 anos atrás (provavelmente quando necessitava de aconselhamento psicológico e de estar mais atento às aulas de português).


Dissecação de uma personalidade


Capítulo 1: Do que sou

Sou alguém normal. Sou vulgar, sou comum. Não chamo atenção de ninguém na rua. Não sou bonito; não sou feio. Sou alguém que poderia ser seu amigo ou, pelo contrário, lutaria contigo por algo mundano. Não sou inteligente, não sou demente, não sou doente, mas sofro dos mesmos males dos quais reclamas diariamente. Eu sou eu sem saber quem sou. Talvez seja simples para ti, mas sou deveras complexo para meu próprio entendimento. E nas tortuosas curvas do meu caminho, vou-me segurando ao que posso, curvado e, por vezes, derrotado, frente às vicissitudes do meu "ser", lutando
para não cair.
Sou apenas um; sou, portanto, único. Sou um grão de areia; uma faísca na história. Sou como uma bactéria numa gota d’água. Sou pequeno… como tu. Não tenho gémeo; não tenho sósia; não tenho clone.
Sou responsável em tudo que faço. E sou responsabilizado por tudo que faço. Pago pelos meus erros com elevados juros e não recebo dividendos pelas vitórias. Acostumei-me com o facto, mas foi difícil, e luto para reverte-lo.
Sou o tipo que anda pela rua e, por vezes, fala sozinho, absorvido nos seus pr
oblemas e absorto do mundo à volta. Falar sozinho não é mau, muito pelo contrário, é uma forma de nos conhecermos interiormente; quem nunca falou sozinho, em frente ao espelho perguntando-se sobre o que achariam as pessoas se saísse de casa despenteado? Quem nunca falou sozinho não se conhece verdadeiramente; é um complemento e uma ajuda ao pensar.
Sou um bom amigo dos meus amigos, mas sou problemático em fazer amigos. Sou como um artesão: faço poucos amigos, mas procuro fazê-los bem, delineio a figura, limo as arestas e o produto final é uma amizade para sempre; não me preocupo em fazer pseudo-amizades; aquelas fugazes amizades de situação, de momento, se
m ligações. Tenho muitos colegas mas poucos amigos/irmãos. Estou bem assim.
Não sou convencido. Não sou pretensioso. Não sou arrogante. Sou capaz de reconhecer em mim algumas virtudes, mas não as exagero. Não faço, do que faço, grande alarde. São acontecimentos normais. Não preciso publicitá-los; se as pessoas gostarem, virão procurar mais. E não me preocupo, pois se fizer mal, milhares virão ter comigo, já que, para muitos, o verdadeiro sentido de suas pequenas vidas é procurar ridicularizar outras.
Não sou eloquente. Ao dirigirem-se para mim, falam e eu respondo. Não tent
o conquistar quem quer que seja, com palavras caras; tento conversar. Tento entender e me fazer entender.
Não suporto gente estúpida; penso ser o que acontece com a maioria das pessoas, mas começa a tornar-se difícil encontrar quem não o seja; também já fui muito estúpido no passado e, temo sê-lo mais vezes no futuro e estou a sê-lo agora enquanto escrevo.
Não sou paciente. Expludo por qualquer coisa.
Não tenho paciência para conversa “fiada”. Não tenho qualquer problema em deixar uma conversa a m
eio se não me agradar, como também não fico com gente fútil, por pura falta de pachorra. Há determinadas coisas inevitáveis, e para essas tenho que ter paciência, mas quando a fuga é possível…
Eu sou o que sempre quis ser. Não sou melhor ou pior do que planeei quando criança. Eu sou a figura que a infância e a adolescência, quais oleiras, moldaram com paciência de anos. O resultado não poderia ser melhor…para mim. Eu sou quem não se importa, quem não liga a mínima, don't gives a fuck para o que os outros pensam. Se não
gostam de mim, que se lixe! É bom ser eu…
Não sou, nem quero ser, o melhor nem o pior. Não sou o que vai aparecer por trás do entrevistado, nem serei o próprio entrevistado; estarei em casa a ver a cena. Há milhares que se matam pelos tais 15 minutos de uma fama supérflua, sem saberem o quão ridículo esse estado pode ser. Eu posso doar os meus quinze minutos (mas só pela melhor proposta).
Não sou de esquerda, não sou de direita. Tenho opiniões próprias sobre assuntos “tabu”. Não preciso de uma linha de pensamento pré-fabricada para minhas
decisões. Tento ser eu mesmo quando pedem opinião acerca desses problemas. Não faço aparato e não impinjo a minha opinião aos outros, deixo esse papel aos políticos.


Ah, a adolescência...

21 outubro 2009

Saramargo

Depois do discurso anti-igreja-religião-bíblia do nosso José Saramago, lembrei-me de imediato desta bonita melodia dos Titãs que ouvia em 1986:



Igreja
Titãs
Composição: Nando Reis

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Não! Não!
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.
Não!
Não! Não gosto! Eu não gosto!
Não! Não gosto! Eu não gosto!

Sublime

Na minha 5ª noite seguida de insónia (e não é por culpa da minha menina), fico a ouvir estas vozes angelicais:

20 outubro 2009

Aventura


Aventura


Aventuro-me em ti e na tua longitude
Negligenciando os teus perigos e vicissitudes.
Escorrego na tua fronte e equilibro-me no teu nariz
No preciso instante em que, descontraída, sorris.
Contorno a carne dos teus lábios e apoio-me no teu queixo
Deslizo lentamente para o teu ombro sem desleixo.
Caminho pelo teu colo e perco-me nos teus recantos,
No cimo dos teus peitos miro os teus doces encantos.
Desço com cuidado pois no teu ventre mora o perigo,
Brinco e salto no teu ser e caio no teu umbigo.
Escalo teu monte de Vénus e daqui revejo a tua boca,
Tombo, negligente, e descanso no afago das tuas coxas.
Deixo-me estar, descansado, perdido nessa ilusão:
De estar tão perto de ti mas tão longe do teu coração.

Catsone®

19 outubro 2009

"Vermelho, vermelhaço, vermelhão!"


Vou responder a um desafio amavelmente feito pela Denise. Pedia ela que eu enumerasse dez pessoas e/ou situações que merecessem cartão vermelho.
Isto vai de "sopetão" e vou escrever o que vier à cabeça, mas não deve ser difícil já que complicado seria, neste momento, arranjar 10 coisas que merecessem aplausos.

Lá vai:
1- Pobreza, não só material, mas também a de espírito: eu sei que é utópico mas como é possível que, no auge dos seus conhecimentos, o Homo sapiens continue a permitir que, a metros de distância, estejam crianças a morrer crianças à fome, com frio, com doenças perfeitamente curáveis ou devido à guerra? Aliás, quando terminar este post quantas mais terão morrido?

2- Chico-espertismo: se fosse desporto olímpico já cá cantava um ourozito. O tuga é especialista no golpe, no factor C, no por-baixo-do-pano. Não é à toa que este país tem tantas rotundas, nós somos bons é a contornar as situações. O desenrascanço devia ser elevado a património nacional, não vá uma super-potência usurpá-lo para fins maléficos.

3- Críticos: a crítica é boa e faz crescer quando bem intencionada, no entanto, há muita gente dedicada à fina arte da crítica fácil e depreciativa. Existem pessoas que pensam que sabem que sabem, não sabendo que não sabem puto. E vemos estes intelectuais a destilarem venenos e espumas raivosas nos telejornais, rádios e matutinos. Estes já não iludem quem é inteligente e quem não o é também não os entende, daí a sua opinião estar sobrevalorizada. Os críticos não sabem fazer, mas criticam.

4- Desesperança...(suspiro)

5- Egoísmo: o umbigo é uma coisa maravilhosa, representa a ligação à criação e patati-patatá, mas por vezes deve-se olhar para outras direcções sob o risco de bater-se com a cabeça numa parede (ou num umbigo maior).

6- Ganância: "quem tudo quer tudo perde", infelizmente não passa de um dito popular, mas gostava de ver mais vezes acontecer dessa maneira. Se assim fosse, aqueles que vivem da especulação estariam onde estão hoje os que foram, por eles, explorados. É triste mas, provavelmente, temos alguns genes destacados para este efeito. O apetite por coisas é tão grande que não se olha a meios para se ter. O sinal em moda hoje em dia é o +.

7- Guerra: porquê lutar por uma causa que não é nossa? Porquê raio lutaria eu por problemas, desavenças e interesses de engravatadinhos e diplomatas? Os senhores da guerra que carreguem, eles, as armas e enfiem-nas nos respectivos olhos do cu. O problema da guerra é complexo e fico-me por aqui.

8- Inveja: a relva do vizinho é mais verde, o carro é mais potente, a casa é mais bonita, a família é mais perfeita, a pila é infinitamente maior. A inveja corrói e enoja; é, para mim, o pior sentimento que se pode ter. Por trás de um sorriso amarelo e um "parabéns", o invejoso esconde algo podre e cruel e isso é uma das (muitas) coisas que me assusta.

9- Política: que fique claro que gosto de política mas dava cartão vermelho a todos os políticos/partidos actuais. Não existe ninguém, neste momento, a nível nacional, que ponha os interesses dos outros a frente dos seus. Temo acreditar que nunca houve. "Ó Catsone, tão ingénuo que nós somos, hã?"; pois sou e por isso, por vezes, fico azedo.

10- Religião: fui ensinado desde pequeno que não se deve falar de 3 coisas: Política, futebol e religião; azar do caraças porque gosto de discutir as 3. A religião é a raiz de todas (ou na maioria) as discórdias, passadas e actuais. Em nome de vários deuses cometem-se (passado, presente e futuro) as maiores atrocidades e, depositando nos deuses as culpas, dorme-se de consciência tranquila.

E é isso. É triste perceber que é fácil preencher esta lista e saber que se o desafio pedisse 100, 1000 ou 1 milhão de cartões vermelhos não ficaria um único por atribuir. Mas eu já disse que não gosto de desesperança?

PS: cara Sr. professora, perdoai os erros ortográficos, de acentuação e de concordância mas, às 2 da manhã, não se pôde arranjar melhor.

17 outubro 2009

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Eu tenho uma "Yoko Ono" na minha vida...

16 outubro 2009

Humor negro

"France Télécom: 25 suicídios em 20 meses"aqui

Temos que saber o que se passa nesta empresa e aplicar na assembleia da república. Em 2 anos ia a bancada do CDS e alguns do bloco...

Prostituição política


Vem o engenheiro no seu carocha cor-de-rosa pela Av. da Liberdade acima e depara-se com uma trabalhadora nocturna. Trava imediatamente.
Eng: "Ó boa!"
Senhora: "Olá garanhão"
Eng: "Como te chamas, laranjinha?"
Senhora: "Manela"
Eng: "Adoro o teu fio-dental cor-de-laranja. Fazes coligações? Daquelas bem hardcore?"
Senhora: "Claro"
Eng: "Quanto?"
Senhora: "4 ou 5 ministérios. O das finanças é obrigatório!"
Eng: "Desculpa lá, não querias mais nada, não? Deve haver coisa melhor por aí."
O engenheiro põem o pisca para a direita e encontra novo trabalhador da vida política.
Eng: "Ó doce!Anda cá ao PM"
Trabalhador da vida política (TVP): "Ui, tão ansioso que ele está. Olá panterinha cor-de-rosa!"
Eng: "Epá, tu és uma drag queen? Deixa estar que eu agora sou mais liberal. Alinhas numa coligação para 4 anos?"
TVP: "Claro. São só 3 ministérios e eu quero o da defesa: adoro homens fardados."
Eng: "Isso é muito! E umas relações esporádicas estratégicas"
TVP: "Pobretanas. Pode ser, mas vou querer um ministro e alguns secretários de estado."
Eng: "Não pode ser. Beijo na nádega"
O engenheiro põem o pisca para a esquerda e vê ao fundo uma figura num vestido vermelho.
Eng: "Eh lá... adoro gajas de vermelho"
Gaja de vermelho (GV): "Olá meu pequeno burguês imperialista. Eu aceito teu capital, nem que seja estrangeiro, para podermos dar umas cambalhotas ideológicas."
Eng: "Mas só me calham drags hoje? Ouve lá, quanto cobras por uma tramóia política bem sacana?"
GV: "De que tipo?"
Eng: "Estava a pensar num threesome com aquela jovem beldade escarlate ali?"
GV: "E só pode ser um menage?"
Eng: "E já te podes dar por satisfeita!"
GV: "Não alinho nesse tipo de bacanais, seu porco fascista!" e vai-se embora.
Eng: "Ó amor, anda cá conversar"
A jovem beldade escarlate marcha rapidamente em direcção ao carro cor-de-rosa.
Eng: "Tu és esbelta! Olha lá, as tuas amigas são muito ambiciosas, não queres juntar-te a mim numa aliança quadrienal?"
Jovem beldade escarlate (JVE): "Depois fico com um lugar numa empresa estatal?"
Eng: "Pode-se arranjar qualquer coisita, sim"
JBE: "E um ministro ou dois?"
Eng: "Prontos, já estás a exagerar! Eu não tenho maioria, só posso dar o tal lugar na empresa, até deixo-te escolher."
JBE: "Pode ser na Mota-Engil?"
E o engenheiro acelera a fundo o seu carocha cor-de-rosa. Pensava na chateação que era ter que recorrer às prostitutas políticas quando, há pouco tempo atrás, tinha tudo o que queria.
Decidiu-se por fazer (governo) sozinho. Só se espera é que não saia a mesma porra que o último!

15 outubro 2009

...



Hoje sinto-me lipofrénico...

13 outubro 2009

Quem qué metê na Maitê?

Eu vivi no Brasil 16 dos meus 34 anos. Em S. Paulo, sendo tuga, "sofri" com as anedotas de português que os brazucas contam. Sempre tive fair-play, até porque acho ser salutar sabermos rir de nós próprios, mas confesso que, algumas vezes, senti-me ofendido.
Talvez contassem estas anedotas como forma de compensar o facto de os portugueses, no Brasil, serem pessoas de sucesso. Meu pai, que saiu daqui com uma mão à frente e outra atrás, nunca foi funcionário de ninguém e, embora não tenha ficado rico, posso dizer que saiu-se muito bem em terras de Vera Cruz. Aliás, meu pai tinha tanto fair-play que, após ouvir uma anedota de português, contava outra, ele próprio, logo a seguir. Ao ouvir a anedota que o meu pai contava, os outros engraçadinhos não achavam piada nenhuma já que não tinham atingido o objectivo primário: a ofensa.
Mas também é justo que eu diga que adoro o Brasil e suas gentes. São pessoas alegres, simpáticas e sofridas, que merecem o meu inteiro respeito. Gosto da cultura brasileira que nada mais é que uma mescla de inúmeras outras e que no fim revela um degradée extraordinário. Eles tem Niemeyer, Pitamgui, Machado de Assis, Tom Jobim, Vinícius, Fernanda Montenegro, Elis Regina, etc, etc...
Mas o Brasil também tem Maite's. Inúmeras figuras como esta pseudo-artísta. Nós vamos comendo (alguns literalmente) estas artes todas: novelas, teatro, música, cinema, entre outras. Embora façamos muitas coisas interessantes, parece que o que vem de lá é melhor, mais elaborado e profissional. Mas nós temos o fado, a revista, o Rui Veloso, a Dulce Pontes, o Vasco Santana e até a Amália. Não aceito que o que vem do Brasil é sempre melhor, para mim é apenas diferente.
Quando vi o vídeo desta pseudo-artista fui atingido pela fúria e da minha boca saiu um floreado de bonitos adjectivos (a maioria não reproduzíveis aqui). Aceito que se façam caricaturas de traços da personalidade de um povo, mas não admito que se cuspa em monumentos, que se estereotipem as pessoas e que se "caguem-a-rir" de algo que é, no mínimo, digno de lástima. A fúria foi um primeiro impulso de quem não tem sangue de barata, mas logo a seguir senti pena. Vi uma completa idiota a tentar ser engraçada e que revelou uma incomensurável ignorância em relação a Portugal (Salazar no poder 20 anos? Confundir o Tejo com o mar?). Quem conhece este programa sabe que se trata de um conjunto de 5/6 gajas mal fod#$", com intelectualices, que disparam escárnio e conversa da treta para todos os lados. Eu nem devia perder tempo com isso, mas que se lixe, eu quero!
À Maitê (se isso é nome de gente...) digo que fica muito melhor "peladona" na capa da playboy; reserve-se para isso enquanto pode já que a idade vai dando sinais e o photoshop não faz milagres dessa ordem de grandeza, além de que não vejo mais nenhum talento na sua pessoa. Não ofenda José de Alencar, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves: não tente escrever. Não ofenda também Paulo Autran, Lima Duarte, Regina Duarte: não represente. Não ofenda Renato Aragão, Chico Anísio, Bussunda: não tente ser engraçada. E guarde, também, o trabalho de repórter a quem sabe o que faz, quem respeita a cultura e a história de um povo e que não tem problemas em conter a saliva na própria boca. Se cospe em público o que será que faz em casa? Fico desiludido "because you don't swallow".
No Brasil, sendo imigrante, até aceitaria estas piadas de muito mau gosto, mas aqui, na minha "terrinha"? Isso é que era bom!

12 outubro 2009

Parabéns Gondomar!

"Não há, hoje a noite, um restaurante onde a gente pudéssemos jantar todos"
Se eu fosse gondomarense escondia minha cabeça na areia.

Já agora, parabéns também aos de Oeiras que deram maioria a um fulano condenado em tribunal e que joga piriscas de cigarro acesas para o chão.

Parabéns, de verdade, aos leirienses que finalmente tiveram o seu 25 de Abril, aos do Marco de Canaveses e de Felgueiras que deixaram de ser cegos!


10 outubro 2009

Faz-me

Visitei este sítio hoje e fiquei com cara de (mais) parvo:


Primeiro, não sabia que tinham "palavra do dia" e, segundo, a palavra deste dia era qualquer coisa, sim senhor.

E pensar que eu já sugeri este sítio a miúdos hiperactivos... já posso imaginar as perguntas dos petizes aos incautos pais.

09 outubro 2009

Nossa senhora!!!

Hoje vou fazer publicidade... bem, não é bem publicidade, é algo ao contrário.
Parece-me que o Marco Paulo está na moda. A Danone resolveu utilizar a figura do cantor para publicitar um dos seus produtos. Como o moço já tem 64 primaveras, está na hora certa de servir como exemplo aos da sua idade: o colesterol mata...lentinho.
Olha, agora é que reparei, ele já tem 64 e pró ano ele pode se retirar! Temos que o avisar que com 65 anos ele já pode desistir da sua profissão: ensurdecedor.

Mas não foi só a Danone que adoptou Marco Paulo para "menino propaganda", e foi então que vi este comercial:



Esta empresa resolveu apelar e oferecer um CD do cantor (acho que com um "single": nossa senhora) a quem for novo cliente. Na minha, ultra-modesta, opinião, acho que é má publicidade, se eu fosse surdo e procurasse um tratamento para deixar de o ser, gostaria de ouvir as ondas do mar, o chilrear dos pássaros ou a Sinfonia nº9 de Beethoven, e não o Marco Paulo.
Amigos da Minisom, para ouvir Marco Paulo mais valia não ouvir.

08 outubro 2009

Totós

Na TVI (estava a ver este filme) e no intervalo:
"O melhor filme da semana: A escola de totós. Oferecido por: BANIF - A força de acreditar"

Será que o BANIF sabia que patrocinava um filme chamado "A escola de totós"?
E quem serão os totós que vêem isto? Os clientes do BANIF?

Acho que o BANIF tem que rever o contracto de patrocínio com a TVI... ou se calhar está certo.

Por ser tempo de escrutínios

Há coisa de 5 anos atrás, num tempo em que pululavam novas bandas de garagem, eu me juntei a mais 3 tontos para fazer barulho. Não tínhamos nome, não tínhamos tenções de gravar nada, não éramos músicos, mas durante 3 ou mais horas de um sábado por mês lá nos juntávamos para um tempo bem passado.
Dos vários "originais" que ensaiávamos, havia um do qual eu gostava particularmente de cantar (sim, eu era o vocalista). Era uma rocalhada naive sobre um assunto em particular: as eleições.

Dado que no domingo temos eleições e até faço parte de uma lista para a Câmara da minha capital de distrito, aqui vai, em 1ª mão, a letra dum êxito que poderia ter sido mas não foi:


"Política

De 4 em 4 anos, eles pedem o meu voto
Juram austeridade, confiança, competência: um país novo
Digo que acredito e assim deixam-me em paz
Que ganhe este ou aquele para mim já tanto faz
É sempre a mesma história no final do seu mandato
“Eu fiz, refiz, recontrafiz, e a si sou muito grato”
Faço que acredito que o discurso é sincero

Eu voto é meu direito, mas não és tu que eu quero.


São sempre as mesmas caras com as ideias de há 10 anos
Não mudam uma vírgula, qualquer um desses fulanos
Vou votar com coerência, nas próximas eleições
Escrevo no boletim: vão embora seus cab#$"#!


Ser político hoje em dia é muito fácil, meu amigo
Basta ir à assembleia falar do governo antigo
Criticar o que foi certo, enaltecer suas besteiras
E repetir, se for eleito, os mesmos erros e asneiras
No próximo escrutínio não esqueça de votar
Dar aquele seu político a chance de mudar
Num país tão pequenino, com tantos ignorantes
Governar não é difícil, basta fazer como antes."



PS: obviamente que comentários jocosos serão imediatamente banidos... ou talvez não (pu$% da democracia)


07 outubro 2009

Escorregadio

Eu dizia não ser possível que algo me obrigasse a fazer aquela cara de "carneiro-mal-morto" que os adultos fazem ao ver um bebé.
"Ai, tão gira! Cu-cuuuoouuu!" gritinhos de felicidade.
Achava ridículo o espectáculo dado por um adulto na presença de um enfant.
"Tu vais ver quando forem os teu!" diziam revoltados perante a minha frieza.
Achava-me vacinado e imune aos "guti-gutis", "cu-cus" e "quem é linda, quem é, quem é?". Eu fazer essa figura de urso??? Nem pensar! Eu sou um fulano muito macho e nenhum projecto de gente iria me submeter a esse vexame.
Pois bem, eu, como sempre, estava errado.
Os bebés são maquiavélicos! Tenho dito; não há dúvidas. Com aquele jeitinho de quem não quer a coisa, vão nos transformando em patetas de 30 e tais. Parecem hipnotizadores que nos põem a fazer os papéis mais estapafúrdios.
E a minha menina não foge à regra. Eu que sempre fui um homem sério, recto e austero, transformei-me numa espécie de fã tonto: basta ela dar um suspiro e derreto. Quando olha para mim com os olhos bem abertos, põem-me a seus pés. Danada a moça, já sabe o que fazer com um gajo!

O chão cá de casa está húmido e escorregadio.
Não sei porquê...