29 outubro 2009

Histeria

Não consigo não comentar as cenas que vi nos telejornais. Histeria, pânico, desespero.
Uma criança morreu de gripe A. Uma criança com uma cardiopatia congénita que, provavelmente, morreria desta, doutra gripe ou outra desencadeante.
Este é um facto triste. Perder uma criança desta idade é um grande prejuízo para o país. Que fique claro que esta é a personagem mais inocente de todo este enredo e é realmente triste este desperdício de vida.
Mas apesar de tudo isto, nada justifica o espectáculo apresentado na televisão.
O que faz uma madrasta discursar em frente a uma escola cheia de pais e alunos assustados?
"Crianças, crianças, façam silêncio, respeitem a minha dor". Eu respeito a dor dos que perdem, mas quem perde, o que esta senhora perdeu, não faz discursos em público. Isso sem contar a incrível coincidência da presença de jornalistas de todos os canais nacionais.
E as televisões vão aos hospitais, à casa da criança, ao "comércio dos avós" e colhem depoimentos coléricos dos que nada sabem (ou sabem de forma deturpada).
Num país como o nosso é necessário que a ministra da saúde e os responsáveis de um hospital convoquem uma conferência de imprensa para explicar o inevitável. "Porquê o povo quer saber" e porquê os média precisam de noticias para as 20.
Já escrevi sobre a gripe A (aqui) e mantenho aquelas opiniões. Até hoje a contra-informação é mais forte. É mais credível o "opionista" do jornal nacional do que o delegado de saúde.
E a histeria aumenta...
Imagine-se se a ministra tiver que vir à televisão cada vez que alguém morrer devido a gripe (A ou sazonal).
Observem esta notícia:

"Gripe matou mais de mil pessoas" TVI 07/04/2009

Epá, 1000 pessoas morreram o ano passado? Onde estava a histeria? Onde estavam as pessoas a tentar fechar estabelecimentos?
E não pesquiso noutros locais (muito mais fidedignos) porque me falta a pachorra consumida por esta desinformação obscena.


5 comentários:

Francisco Vieira disse...

A mim enerva-me a forma como os media anunciam todos os dias o aumento de numeros de casos, sem referirem quantas pessoas estao ja curadas e de volta ao seu quatidiano.
Em relacao a essa senhora de hoje, tambem achei estranha a sede de protagonismo, num momento em que deveriam estar de luto.

Rain disse...

O facto da sra estar a dizer que o "filho" morreu como se estivesse a falar do vizinho do 3ºDto meteu-me um bocado de impressão é verdade.

Mas nada como o nosso belo jornalismo de desinformação. Giro giro foi o nº de infectados esperados em Portugal, de 2 milhões baixou para menos de 1 milhão. Não queria dizer, mas num país pequeno como o nosso, é um erro estupidamente grosseiro!...

Catsone disse...

Francisco, eles agora só têm acesso aos dados semanais, estas duas mortes hoje foram um mimo para ocuparem 30 min de telejornal.
Em relação à atitude da madrasta, só serviu para assustar ainda mais os pais (já que os putos tavam na expectativa de não ter aulas).

Rain, vão ser muitos os doentes mas creio (espero) que a mortalidade seja semelhante à do ano passado (talvez um ligeiro aumento em faixas etárias mais jovens)

Cirrus disse...

O mais interessante de tudo era a festa que os alunos faziam sempre que a senhora dizia para eles não entrarem... Ui! Um furo de dia inteiro!!

Gravepisser disse...

Eu já me abstenho de fazer comentários sobre a gripe, quanto mais, sobre o pseudo-jornalismo que se faz neste pseudo-país...

Grande parte da culpa pela estupidificação do povo se deve aos mass media, e enquanto assim for, não há nada que possamos fazer para inverter a situação...

Este é só mais um caso em que de 30 fazem 3000, e claro, não é de borla... Alguém lucra muito com isto... Até os cegos vêm!