Mostrar mensagens com a etiqueta Bebé. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bebé. Mostrar todas as mensagens

11 novembro 2009

Soneto à Árvore de Louros

Minha Árvore de Louros, tu sorriste,
Cravejaste uma gota salgada na minha face,
E a minha fortaleza partiste,
Por mais que disfarçar eu tentasse.

Fazes tão pouco para me ter em tuas mãos.
Um palreio, um espirro, algo diferente
E aceleras meu ansioso coração,
Pobre músculo cardíaco condescendente.

Deixas-me de rastos com teus trejeitos,
E um sorriso teu é o acto perfeito
Para tornar maior este estranho amor.

Menina, não faças pouco de mim!
Eu sou só um pobre sonhador
Que nunca sonhou com uma paixão assim.



Inspirado por:

04 novembro 2009

Pai sofre IV... nem tanto

Quando um casal tem um bebé, muitas das prendas que as pessoas oferecem são roupitas para o infante. Daí que o pai não sofra tanto assim para comprar a vestimenta da cria. No entanto, e ao ver um site de t-shirts, deparei-me com estas preciosidades. Ainda não mandei vir nenhuma, apenas porque não consigo escolher em qual hei de investir... parecem-me todas tão adequadinhas.








Esta última é a única que está fora de questão (parece que a mamã não achou muita piada).

27 outubro 2009

Pai sofre III - De fraldado


As fraldas foram uma invenção extraordinária. Aliás, penso se dever a esta peça "íntima", grande parte da evolução da espécie e que acelerou ainda mais com o advento das "descartáveis".
As fraldas sempre estiveram presentes na minha ideia de paternidade. As famigeradas fraldas e as suas trocas estavam na lista de coisas a aprender.

Com a chegada da minha menina, lá tive eu de tomar conhecimento com estas retentoras de excrementos. Tive de aprender a fina arte da troca de fralda, o que seria fácil se ao mesmo tempo a utilizadora da mesma não esperneasse e espalhasse o conteúdo pela área circundante.
E é incrível a velocidade na qual as fraldas se acumulam. No fim do dia já encheram um saco de lixo. Enchem rapidamente todas as latas de l
ixo, das casas de banho à cozinha.
As fraldas tomam conta da casa e, violentamente, conquistam-na. Com a desculpa de estar sempre a mão, vão aparecendo aqui e ali até que, de repente, existe sempre uma fralda por perto e em todas as divisões da casa. Elas estão por toda a parte (e isso inclui também o carro!).

"Ó papa, tens de ir comprar fraldas"
"O quê?Ainda no outro dia comprei!"
"Pois, mas elas não são infinitas"

"Mas olha que, pelo número de fraldas que eu vejo por aqui, até parece que são!"
E lá vou eu comprar as benditas.
Um aparte: um gajo acha estranho que existam corredores só para iogurtes ou bolachas nos supermercados. Então passem a reparar no corredor destinado às fraldas. Elas são imensas, inúmeras, infindáveis, infinitas e ainda umas poucas mais. Elas existem por peso, por idades, mais absorventes, men
os absorventes, com bonecos, mais grossas, mais finas, mais largas, mais fofas e mais uma quantidade anormal de outras características. Existem automóveis com menos extras que algumas destas fraldas. Isso para não falar do preço. Tanto dinheiro... é para um gajo ficar com cara de mer$%, ou melhor, cara de fralda usada.
Lá cheguei ao corredor das fraldas. Tinha as coordenadas exactas, dadas pela minha superior hierárquica, e comecei a procurar: 3-6 Kg, 0-3 meses, dodot®, etapas, abas largas, confort. Na procura, encontrei dois pacotes que se
apresentavam idênticos mas cujo preço de um era metade do do outro. Fiquei com expressão de interrogação, tentando compreender o que catso diferenciava uma da outra. Decidi arriscar e... comprei a mais barata... dois pacotes delas.
Saí do supermercado aliviado e orgulhoso por ter comprado (quase) sem hesitar o pacote certo. Sentia a inveja a vir dos rostos dos outros pais que se encontravam no mesmo corredor. As suas caras cansadas e camisas s
uadas demonstravam a dificuldade da grande missão na qual se encontravam. Eu, no entanto, tinha vencido!
Cheguei a casa e despejei o pacote das fraldas. Sentei no sofá para recuperar do esforço e foi então que ouvi a tão temida frase: "Ó pá, não eram estas!".
"Como??? "
"Vê só, estas não são iguais a estas. Passa aqui a mão"

Rasp, rasp
"E então, vês?"
"Hum, pois, são mais ásperas"
"Já sabes o que tens a fazer"
Ainda tentei convencer a usar aquelas ou sermos mais ecológicos e voltarmos às fraldas de pano: "então, tu lavas as fraldas, ok?" e convenceu-me.
Fui ao super e comprei as fraldas certas.
Isso foi há uma semana, adivinhem onde fui hoje e fazer o quê?

07 outubro 2009

Escorregadio

Eu dizia não ser possível que algo me obrigasse a fazer aquela cara de "carneiro-mal-morto" que os adultos fazem ao ver um bebé.
"Ai, tão gira! Cu-cuuuoouuu!" gritinhos de felicidade.
Achava ridículo o espectáculo dado por um adulto na presença de um enfant.
"Tu vais ver quando forem os teu!" diziam revoltados perante a minha frieza.
Achava-me vacinado e imune aos "guti-gutis", "cu-cus" e "quem é linda, quem é, quem é?". Eu fazer essa figura de urso??? Nem pensar! Eu sou um fulano muito macho e nenhum projecto de gente iria me submeter a esse vexame.
Pois bem, eu, como sempre, estava errado.
Os bebés são maquiavélicos! Tenho dito; não há dúvidas. Com aquele jeitinho de quem não quer a coisa, vão nos transformando em patetas de 30 e tais. Parecem hipnotizadores que nos põem a fazer os papéis mais estapafúrdios.
E a minha menina não foge à regra. Eu que sempre fui um homem sério, recto e austero, transformei-me numa espécie de fã tonto: basta ela dar um suspiro e derreto. Quando olha para mim com os olhos bem abertos, põem-me a seus pés. Danada a moça, já sabe o que fazer com um gajo!

O chão cá de casa está húmido e escorregadio.
Não sei porquê...

30 setembro 2009

Filha

Quando chegaste fizeste alarde. Mostraste, a todos que pudessem ouvir, que vinhas aí. Mostraste a tua pujança, o teu poderio e a tua vontade de viver.
Eu, por trás de uma máscara, sorria feito bobo, numa mescla de felicidade e admiração.
Levaram-te de mim por um segundo mas segui-te. Queria ver-te mais de perto, olhar nos teus olhos, sentir o teu cheiro. Eu queria tocar-te pela primeira vez.
Tu, chateada, gritavas. Venceras a primeira etapa da tua vida mas insistiam em te manter submissa à vontade de outros. Eu mantive-me bobo, perdido em contemplação.
Acalmaste-te e puseram-te nos meus braços. Peguei em ti, como quem pega no mais precioso e frágil cristal e apresentei-te à tua mãe. Foi a primeira vez que estivemos os três juntos...
Levaram-te novamente sob a desculpa de "protocolos" e eu, relutante, entreguei-te. Foste embora a reclamar.
Quando voltaste, já não choravas. Procuraste o que para ti era fundamental naquele momento e fiquei a observar-te enquanto comias. Saciaste as tuas necessidades e ficaste a contemplar o mundo à tua volta.
Teu olhar parou na minha face e fitaste os meus olhos. Deixei minha imaginação fluir e reconheci em ti um pouco de mim. Descobri um pouco dos meus irmãos, dos meus pais e dos meus avós no teu rosto. Vi, também, a tua mãe na tua face. Peguei na tua mão e meu coração, coitado, depois de horas de sofrimento, finalmente sossegou.
Voltaste a chorar e, pela primeira vez, choramos juntos...

22 setembro 2009

Bebéporto

Hoje fui, pela 2ª vez, com a minha senhora ao CTG. Lá estive eu à espera na sala da maternidade entretido a admirar o comportamento do serviço.
Depois de algum tempo, imaginei-me num terminal de aeroporto. De vez em quando surgia uma voz que chamava por alguém e, ao mesmo tempo, lá vinha um ho
mem (claro) com cara de desespero e carregado de malas. A cena fez-me lembrar um tipo que é chamado pela última vez para o embarque. No caso da maternidade, no entanto, só existe terminal de chegadas: "Atenção, acaba de chegar a Maria, quarto 5, cama 2".
Imaginei uma empresa aérea de cegonhas a aterrar com o rebento humano no bico, umas atrás das outras a fazer o trabalho. Lembrei-me de alguns bonecos de infância com estas aves como UPS's voadoras, os papás a receber um saquito com "o produto" lá dentro e a cegonha a fazer continência pela "missão cumprida".
Sorri ao pensar naquilo, daqui há pouco tempo o tipo desesperado e atrasado para "a chegada" será moi-même... e o tempo passou
mais depressa.

18 agosto 2009

Árvore de Louros

Senti o teu toque através da pele.
Toquei-te o pé, toquei a pele das minhas mulheres.
Sorri, emocionei-me, foi a primeira vez que te senti fisicamente.
Pareceu dizeres-me que estás pronta a chegar. Um Hi 5 para dizer que está tudo bem. Um aperto de mão virtual.
Senti a tua vontade de viver, de sair e ver o mundo.
Minha árvore de louros, minha bênção, minha metamorfose. Anseio pelo teu toque verdadeiro, sem intermediários; a minha pele na tua.

Toquei-te o pé e tu tocaste-me o coração.
..

28 julho 2009

Pai sofre II

Sexta-feira passada, depois de um dia de trabalho e 250 Km de buraco com um pouco de estradas, fui à consulta de obstetrícia com a minha grávida.
Como a minha senhora tem a vã esperança de que a consulta comece a horas, chegamos cerca de 15 minutos mais cedo do que era suposto.
Resultado: em vez de esperarmos 1 hora, esperamos 1h e 15 minutos...
No entanto, o intuito deste post não é falar mal do facto de ter estado à espera, este post tem, como fundamental objectivo, explicar a tormenta que é passar 1h e 15 minutos a ver os "morangos com açúcar"!
Aliás, antes de mais, gostaria de saber uma coisita (se alguém me puder ajudar): porquê raio, todas as salas de espera deste país, equipadas com uma televisão, têm, como canal de eleição, a TVI? Já estive 45 minutos, numa sala de espera dos HUC, a ouvir a voz esganiçada da apresentadora do programa da manhã daquela estação, lado-a-lado das estroinas e coloridas roupas do Goucha! E não se pode fugir; está-se ali a ouvir, sim porquê para não ver basta virar a cara, mas meter dois dedos (ou outros objectos) nos ouvidos dá mais nas vistas.
E lá estava eu, petrificado. O medo não vinha do facto de saber que a consulta iria demorar,isso eu já tinha assumido como fatal, mas sim, do tempo de espera até ter a consulta. Poderia ser meia hora, 45 minutos,...
, e isso assustava.
Mudei de cadeira para uma que estivesse a uma distância na qual a imagem ficasse mais distorcida e o som chegasse em piores condições. Tal era ridículo numa sala de 20 m2
, mas o desespero tem destas coisas.
Desisti e resolvi que tentaria ver o mínimo possível. Tentei me acalmar com o facto de que poderia me interessar com qualquer coisa que estivesse na sala de espera e, assim, o tempo passaria mais depressa. Olhei à volta e pensei comigo mesmo no que, dentro de uma sala de espera de ginecologia/obstetrícia, teria o condão de me distrair. Nada. Não existe nada num lugar desses que distraia um homem. As revistas são de gajas, os poster são de aparelhos genitais femininos (sãos e doentes), as doentes/utentes só falam de coisas de gaja ou mal de outras gajas. Mesmo as fotos de mulheres nuas das revistas são de senhoras prenhes, algo que não desperta grande interesse em mim. Eu sei que existem taras por grávidas, epá, mas não é muito a minha "cena".
Restaram-me os comerciais da televisão, mas mesmo esses estavam todos virados para a desneuronização imberbe: girl-band que não lembro o nome, 200º CD dos morangos e reclame das, infindáveis e inúmeras, novelas da TVI.
Já disse que a TV estava em altos berros? Isso é outra coisa que acontece muito em salas de espera, mas fica para outro post, qualquer dia.
Continuando...
Falei, à minha esposa, que só o meu amor por elas fazia com que ainda não tivesse atentado contra a minha própria vida. Expliquei que estava assim por perder a "virgindade" dos morangos. Ela riu-se e disse que era por uma boa causa.
Via a minha vida a andar para trás e rendi-me à triste evidência de que teria de esperar e aguentar todo aquele cenário.
Os comerciais acabaram e voltaram as cenas da novela (?) adolescente. Decidi que iria prestar atenção para tentar encontrar assuntos de interesse para escrever um texto neste blog. Imaginei que seria simples, afinal tratava-se de um alvo fácil, tantas vezes ironizado e ridicularizado, tal e coisa, coisa
e tal... mas ainda foi pior. Aquilo não tem ponta por onde se pegue. Enredo? Figurino? Eu com uma handycam e dois putos escolhidos à sorte, à porta de um liceu qualquer, faria um trabalho muito melhor e, se tremesse um pouco a câmara, até colocavam o selo "independent cinema"!
Olhem que até têm o Nicolau a fazer de avô! Depois de "corrupção", "call girl" e afins, o quê porra faz ele aqui? Mas "prontos"...
A série(?) recomeçou com um casal de miúdos, que supostamente tinham menos de 16 anos, com uma brutal caneca de jola cada um, a falar de política estrangeira, cinema francês e literatura romântica; ok, não era bem isso, mas como não ouvi o diálogo supus que talvez falassem disso. Então o quê me chamou a atenção nesta cena? Toda a cerveja que bebi na vida não enchia a caneca daquelas personagens. Como é possível combater o alcoolismo adolescente se se passa a ideia de que é "cool" beber? Parabéns aos criadores desta treta.
Siga o baile.
Na cena posterior, aconteceu um flerte entre dois mini-actores. Na minha altura, as trocas de olhares duravam cerca de 0,001 seg e só eram detectadas por outros olhos muito atentos e... interessados. Depois disso passava-se a outros estratagemas: sorrisos, gestos e, se se tivesse coragem, partia-se para uma conversa. No flerte da TV, a rapariga choca, literalmente, nariz contra nariz, com o rapaz e... nada acontece; ficam mais uns intermináveis 2 minutos da cena a olharem-se fixamente, como um cão para a montra de um talho, com a saudável companhia de um Shot, sem nada dizerem ou fazerem. Assim, se dependesse deles, a humanidade desapareceria num futuro não muito longínquo; primeiro porque nada aconteceria, segundo porque, mesmo que acontecesse, o álcool diminui a espermatogénese.
À medida que as cenas foram passando, reparei que não havia ninguém feio dentre as personagens; ninguém nem gordo demais, nem magro demais; os rapazes altos, magros e com despenteados da moda; as raparigas de 16 anos, com corpos de 23, sem pingo de gordura e bronzeadas. Mas que puta de utopia! Quero já saber onde ficam as filmagens, catso!
As cenas na praia despertaram, um pouco mais, meu interesse. Dei uma cotovela, ao de leve, para chamar a atenção da minha senhora:
"Olha ali"
"O quê?"
"Olha aquela miúda a passar por trás dos actores"
"Tá com fio-dental, e daí?"
"E a que está a passar agora?"
"Hum... também. E as outras que estão deitadas também"
"Tá na moda?"
"Acho que não"
"Então fomos invadidos por cariocas..."
Comecei a imaginar a minha filhota a ver aquilo. Pensei em desprogramar a TVI lá em casa, de investigar bons colégios de freiras e falar das vantagens, beleza e pureza do lesbianismo. Pensei também na inutilidade de tudo isto e no chavão do "o que é proibido é mais apetecido". Não facilitam nada a vida de um bom pai (gaba-te, cesto...).
Pensei que tudo iria correr bem e que teria de ter fé no futuro...
Levantei-me e fui ter com a secretária.
"Boa tarde"
"Boa tarde"
"Poderia pedir-lhe o favor de mudar a TV para a RTP2? É que está a começar "a fé dos homens". Obrigado"

20 julho 2009

Pai sofre

Domingo. Passado o humor tempestuoso dos últimos dias, arranquei com a minha senhora para o Fórum Coimbra. Ela tinha pensado em comprar coisas para o enxoval do bebé.
Como, futuro, pai interessado que sou, não coloquei qualquer entrave e lá fomos nós para a cidade dos estudantes. Fiz os possíveis para ignorar o facto de ser domingo à tarde e, provavelmente, toda a população do mundo e arredores preencher aquela superfície comercial.
Chegando lá, nos dirigimos à única loja que interessava no momento: pré-natal.
Antes de mais, queria dizer que desconhecia por completo o conteúdo de um enxoval de bebé. Marinheiro de primeira viagem, não fazia ideia das milhentas coisas a adquirir para receber o fruto do pecado. São roupas, lençóis, edredões (é assim que se escreve?), detergente próprio para a roupa, "canguru"(?), etc, etc...
Chegando ao dito estabelecimento, fomos observando tudo o que estava à disposição. Eu comecei a desconfiar que a máquina de etiquetagem dos fulanos só tinha 3 algarismos: 30, 70 e 105. Tudo custava 30, 70 ou 105 €, passe o exagero.
"Quanto custa isto?", perguntava eu.
"São 70€", respondia a solícita vendedora, quase uma voz robótica.
E continuamos a vasculhar.
Pedimos um catálogo. Como pode uma loja de coisas para bebés ter um catálogo com quase 200 páginas? Como é possível existir tamanha quantidade de produtos para essa faixa etária?
"Já comprou almofada? E roupinha do 1º dia? E para a maternidade, já tem roupinhas? E mala para levar para a maternidade? E isso e aquilo, já têm?"
Confesso que senti uma leve vontade de abater a moça; sempre que eu pensava ter posto no monte o último produto, lá vinha ela com uma nova pergunta.
"Então, e já tem a faixa pro pós-parto?", mas ela ainda nem teve a criança, catso!!! " Tem aqui a nossa linha de produtos para o banho, fraldas, toalhetes, chuchas, biberons, banheiras, termómetros, blá, blá, blá, yada, yada, yada, etc, etc "... deixei de ouvir, entrei em transe zen e comecei a imaginar um mundo soterrado em toalhas felpudas com ursinhos e girafas, os bebés a planarem sobre as nossas cabeças como as pombas de um jardim no verão, libertando o mesmo que as aves, na cabeça dos incautos transeuntes...
"Olha, gostas mais deste ou deste?" perguntou a minha mais-que-tudo, numa esperança vã de que eu desse a carta de alforria ao meu cromossoma X.
"Hum...", fazendo cara de pensador, "o que tu quiseres, amorzito".
À esta altura do campeonato já tinha deixado de imaginar a conta no final da aventura e tinha desistido de ir à FNAC, o meu único lugar de interesse no centro comercial.
"Já adquiriram o carrinho? E o ovo, a alcofa, a cadeirinha, ..."
A estimativa de gastos que tinha no início já havia sido pulverizada há muito e começava a ficar abatido.
Decidi abandonar, por instantes, a dupla de senhoras e fui dar uma volta pela loja. Entretive-me a ver a quantidade de coisas que existem para proteger a criança: protectores para tomadas, armários, frigorífico, sanita (!), se é para proteger tanto, mais valia não ter a miúda. Vasculhei, depois, outras secções: brinquedos, carrinhos, roupas para a grávida, lingerie para grávida, produtos de limpeza, e outras tantas coisas que ainda estou a tentar perceber para o que, em nome de Deus, servem.
Achei piada ao soutien de amamentação. Aquilo parecia a porta de um castelo medieval e quase podia ouvir o ranger do fecho e o barulho da abertura a bater, pum, libertando uma aréola rosada e... fiquei vermelho, por segundos.
"Anda cá", a doce voz do meu amor chamava, e lá fui eu, bem mandado, "olha essa roupinha, tão gira".
Pensei comigo mesmo: "se disseres "fofinha" és um homem morto".
"É gira é", e, de soslaio, espreitei o preço, "mas de repente não gostei da cor..."
Depois de escolher alguma "mudas" de roupa, fomos ver o "canguru".
"Isto é simples" disse a vendedora, "apertam esta patilha, depois tem este botão aqui, mais este fecho, dão a volta por este lado, reviram isto e depois apertam assim e (se tiverem sorte) já está!".
"E ponho o bebé onde?", chalaço.
Passadas duas horas, chegou o momento da verdade: o pagamento. As duas carregaram-me como um iaque tibetano e lá fomos nós para a caixa. Quase precisei de um GPS para me orientar.
Depositei tudo na superfície brilhante da mesa de pagamento e começaram os "bips". As senhoras da caixa, a vendedora e a minha grávida conversavam, alegremente, sobre o maravilhoso mundo da maternidade; eu suava.
Inúmeros "bips" depois, a sentença:
"São XXX,XX €", faxavor.".
"Ó mulher, acho que vai ser filha única a nossa bebé!"
"Porquê?"
"Acabaram de me cair os tintins e rolaram para baixo daquele armário..."

17 março 2009

“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…”

“Tum-tum, tum-tum,tum-tum…”, 140 bpm, forte, rítmico, cheio de vontade de viver. Meu pobre e cansado coração ainda o tentou acompanhar, em parte pela adrenalina excretada em rajada pela supra-renal, em parte pelo desejo de estar, a partir de agora, sempre com ele.
“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…”, e os olhos, agora, nadam em água salgada. Uma mão, timidamente, recolhe um pouco da água ocular, para que não se perceba que um homem também chora; há que manter a compostura.
“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…” é o que os ouvidos transmitem à uma mente que já não está ali, voou no tempo e espaço, deixou o corpo para aterrar num abraço futuro, um abraço de boas vindas e amor. Há muito tempo que se esperava por este amigo e o que o ouvido ouve a mente transforma em cumprimento precoce, uma espécie de aperto de mãos auditivo: “eu já aqui estou, cheio de vontade de vos conhecer” e o sentimento é recíproco.
“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…” do ventre ecoa, tenta informar que se cresce e desenvolve e avisa: “eu estou a chegar”.
E nós aguardamos.