Numa grande rotunda de Coimbra, desde há algum tempo, estão uns saltimbancos a distrair os automobilistas enquanto aguardam pela sinalética verde dos semáforos. Entretém o people com pinos e bolas já que são todos malabaristas.
Confesso que acho interessante esta forma de ganhar a vida. É muito melhor tê-los ali a mostrar o seu talento do que ter que aguentar vendedores fajutas de "Borda d'água", "Cais" ou os famigerados limpadores de pára-brisas. Não pedem nada, mas é óbvio que têm um objectivo com o espectáculo público: no final da "apresentação", estendem um chapéu no sentido de receber qualquer coisa dos impacientes condutores.
Eu, na minha magnânima solidariedade, resolvi "amandar" para a cobertura capilar uma moeda de 20 cêntimos.
"Só 20 cêntimos!?", perguntarão vocês, indignados com a avareza.
Pois, 20 cêntimos. Parece pouco? Também achei a princípio, mas depois fiz as contas: se em cada sinal vermelho, 10 condutores fornecerem 20 cêntimos; se em cada hora houver, no mínimo, 10 sinais encarnados; se trabalharem as 8 horas de um normal trabalhador; se estiverem ali 20 dias por mês; quanto isto dará no fim do mês, limpinho, limpinho de impostos? Pois bem, para facilitar, digo-vos eu: 3200€! Ou seja, mais do dobro que eu recebo com o meu trabalho como Médico de Família.
Ao longo do caminho fiquei a pensar que deveria ter enveredado pelo mundo do malabarismo (que de certa forma vou fazendo com o orçamento doméstico). No entanto, como são necessários talento, destreza e uma grande dose de coordenação motora, obviamente que esta hipótese foi imediatamente posta de parte. Mas como a minha madame está desempregada...
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30 julho 2013
11 junho 2013
On/off
Marido e mulher entram no gabinete. Vêm os dois para uma consulta de "rotina" acompanhados pela filha.
Ela é baixa, não chega ao metro e meio bem cheinhos por uns bons quilos a mais; ele é um pouco mais alto e mais longilíneo.
Desde o momento em que os dois abrem a porta do gabinete ouço a senhora a falar. Aliás, se não estiver a exagerar, penso já ouvi-la mesmo antes de entrar no consultório.
Começo as consultas por ela.
A senhora é daquelas pessoas que vai ao Porto para ir para Lisboa. Começa a falar em alhos e, sem se saber como e porque, altera para bugalhos. Tem um discurso verborreico incessante, rotativo, apenas com ligeiras pausas para respirar. Salta de um assunto para outro como um Cadillac de um mexicano qualquer de Los Angeles. A filha bem tenta reprimi-la mas é como se se sentasse num touro mecânico: desiste logo aos 3 segundos.
Eu deixo a simpática senhora falar, falar, falar. Não digo palavra nem faço qualquer interrogação: dou-lhe tempo de antena. Quando finalmente cede um flanco, tomo as rédeas e, passados os 15 minutos de antena (não de fama), a consulta se encerra.
Passo então para o companheiro.
Durante todo o tempo da consulta da esposa, ele nada falou. Não abriu o bico ou prestou atenção no que foi dito. Por vezes elevava os ombros e suspirava. Parecia acostumado...
Quando finalmente pergunto "e então, sr, o que o traz cá", a senhora liga-se novamente em virtuoso e veloz discurso, tentando explicar tudo por ele e voltando às suas próprias mazelas.
Deixo-a falar por mais um ou dois minutos e então olho seriamente no rosto do seu marido e pergunto com a maior naturalidade:
- Onde é que se desliga?
Escusado será dizer que, à excepção da faladora, todos os outros riram-se.
Risota passada pude, por fim, terminar as consultas.
Que nos valha o jogo de cintura.
Ela é baixa, não chega ao metro e meio bem cheinhos por uns bons quilos a mais; ele é um pouco mais alto e mais longilíneo.
Desde o momento em que os dois abrem a porta do gabinete ouço a senhora a falar. Aliás, se não estiver a exagerar, penso já ouvi-la mesmo antes de entrar no consultório.
Começo as consultas por ela.
A senhora é daquelas pessoas que vai ao Porto para ir para Lisboa. Começa a falar em alhos e, sem se saber como e porque, altera para bugalhos. Tem um discurso verborreico incessante, rotativo, apenas com ligeiras pausas para respirar. Salta de um assunto para outro como um Cadillac de um mexicano qualquer de Los Angeles. A filha bem tenta reprimi-la mas é como se se sentasse num touro mecânico: desiste logo aos 3 segundos.
Eu deixo a simpática senhora falar, falar, falar. Não digo palavra nem faço qualquer interrogação: dou-lhe tempo de antena. Quando finalmente cede um flanco, tomo as rédeas e, passados os 15 minutos de antena (não de fama), a consulta se encerra.
Passo então para o companheiro.
Durante todo o tempo da consulta da esposa, ele nada falou. Não abriu o bico ou prestou atenção no que foi dito. Por vezes elevava os ombros e suspirava. Parecia acostumado...
Quando finalmente pergunto "e então, sr, o que o traz cá", a senhora liga-se novamente em virtuoso e veloz discurso, tentando explicar tudo por ele e voltando às suas próprias mazelas.
Deixo-a falar por mais um ou dois minutos e então olho seriamente no rosto do seu marido e pergunto com a maior naturalidade:
- Onde é que se desliga?
Escusado será dizer que, à excepção da faladora, todos os outros riram-se.
Risota passada pude, por fim, terminar as consultas.
Que nos valha o jogo de cintura.
05 dezembro 2011
Esmola - repost
Em época de Natal e aproveitando o tema deste mês da "Fábrica de Letras", faço um re-post de um texto de Dezembro de 2008:

Sexta-feira caminhava pela cidade, preocupado em comprar uma prenda de aniversário para a minha "mais-que-tudo". Apressado e olhando para todas as montras, queimava meus (poucos e cansados) neurónios na tentativa de imaginar algo que fosse "simpleszinho mas bonitinho".
Nessa confusão, passei pelos correios e, mesmo ao lado da porta, como um guardião, um senhor de idade e com a mão estendida segurava uma boina virada para o céu. Não dizia nada mas pedia uma esmola.
Passei por ele como um Ferrari passa por um carocha na A1, mas a minha consciência (que carinhosamente chamo de Ofélia), essa senhora da vida que mora na minha mente e não paga renda, picou e moeu a minha cabeça, chamando-me nomes por não ter dado atenção àquela pobre alma.
Defendi-me dizendo que não era o único e que outras pessoas passaram por ele sobranceiras, ignorando-o imperialmente; ela simplesmente mandou-me pró car"#$.
Não sei se existirá "conciêncicídeo", de qualquer forma tal acto teria que passar, inevitavelmente, por um suicídio, o que não me agradou muito naquele momento.
Decidi que se comprasse alguma coisa, em qualquer loja, passaria de propósito à frente do senhor e deitaria, na sua boina, uma quantia qualquer de dinheiro.
Dito e feito, após adquirir algo que fizesse a minha senhora esquecer o erro que cometera há alguns anos, passei pelo homem e "amandei" para a sua protecção capilar duas moedas de 0,20€ que tinha a mais na carteira. As moedas aterraram no chapéu e não bateram em mais nenhuma; as pessoas estavam tão imbuídas de espírito natalício que, na rua, só viam pais-natais, duendes e corninhos de renas.
O homem instantaneamente sorriu um sorriso vazio e disse: "Muito obrigado e um feliz natal!"
Aquilo desconcertou-me e, apesar de ser algo que eu já esperaria que o homem dissesse, foi dito de uma forma incrivelmente verdadeira e agradecida. Algo que, se calhar, não faço todos os dias.
Fez-me muito bem e concluí que, afinal, aquela esmola não foi para ele: foi para mim.

Esmola
Sexta-feira caminhava pela cidade, preocupado em comprar uma prenda de aniversário para a minha "mais-que-tudo". Apressado e olhando para todas as montras, queimava meus (poucos e cansados) neurónios na tentativa de imaginar algo que fosse "simpleszinho mas bonitinho".
Nessa confusão, passei pelos correios e, mesmo ao lado da porta, como um guardião, um senhor de idade e com a mão estendida segurava uma boina virada para o céu. Não dizia nada mas pedia uma esmola.
Passei por ele como um Ferrari passa por um carocha na A1, mas a minha consciência (que carinhosamente chamo de Ofélia), essa senhora da vida que mora na minha mente e não paga renda, picou e moeu a minha cabeça, chamando-me nomes por não ter dado atenção àquela pobre alma.
Defendi-me dizendo que não era o único e que outras pessoas passaram por ele sobranceiras, ignorando-o imperialmente; ela simplesmente mandou-me pró car"#$.
Não sei se existirá "conciêncicídeo", de qualquer forma tal acto teria que passar, inevitavelmente, por um suicídio, o que não me agradou muito naquele momento.
Decidi que se comprasse alguma coisa, em qualquer loja, passaria de propósito à frente do senhor e deitaria, na sua boina, uma quantia qualquer de dinheiro.
Dito e feito, após adquirir algo que fizesse a minha senhora esquecer o erro que cometera há alguns anos, passei pelo homem e "amandei" para a sua protecção capilar duas moedas de 0,20€ que tinha a mais na carteira. As moedas aterraram no chapéu e não bateram em mais nenhuma; as pessoas estavam tão imbuídas de espírito natalício que, na rua, só viam pais-natais, duendes e corninhos de renas.
O homem instantaneamente sorriu um sorriso vazio e disse: "Muito obrigado e um feliz natal!"
Aquilo desconcertou-me e, apesar de ser algo que eu já esperaria que o homem dissesse, foi dito de uma forma incrivelmente verdadeira e agradecida. Algo que, se calhar, não faço todos os dias.
Fez-me muito bem e concluí que, afinal, aquela esmola não foi para ele: foi para mim.
27 novembro 2010
Desconectado

Quando menos se espera ficamos a perceber que a internet ocupa mais tempo do que devia nas nossas vidas. Percebi isso agora que cancelei o contrato que me unia a uma pequena e antiquada "banana" de net móvel.
Ficar sem ligação a este mundo virtual é como permanecer no limbo: não se tem informação instantânea, não se tem contacto com alguns amigos, não se chega ao "correio"....
Até ao momento continuo sem ligação (isto é apenas uma abébia wireless que apanhei pelo ar) e sinto-o como um drogado a injectar sua droga necessária.
Preciso de algum tempo de abstinência para depois voltar ao ataque... com uma ligação melhorada e mais barata!
27 outubro 2010
Guerra dos sexos (repost)
Pergunta da minha "mais-que -tudo":
Ela: "- Olha, uso um eyeliner ou não?"
Eu:"?"... hum... hã... na sei! E eu, uso extremos ou vou com um 4-4-2?
Ela: "?"...
Ela: "- Olha, uso um eyeliner ou não?"
Eu:"?"... hum... hã... na sei! E eu, uso extremos ou vou com um 4-4-2?
Ela: "?"...
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