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10 dezembro 2011
Conversinhas
Os únicos diálogos eloquentes, educativos, responsáveis e transcendentais que tenho tido ultimamente são com o meu filho de 4 meses... sabichão, o gajo!
17 setembro 2011
Pai sofre XXIII: remédio
Sexta-feira. Mais uma semana de intenso trabalho terminou.
Cheguei à casa estafado. Vinha chateado com a vida e com um trabalho que cada vez mais me desaponta. Estudar uma vida toda para fazer algo que está há milhas de distância leva a um sentimento de frustração e impotência que nunca havia experimentado. Reclamações, exigências desmesuradas e excesso de direitos atiram-me para um lugar ao qual não estou acostumado. Cansa-me muito tentar ser justo e honesto. Seria mais fácil ceder às vontades e vícios e essa insistência, em fazer o que meus pais ensinaram, estafa-me.
Liguei a televisão. Vi buracos, miséria, guerras, corrupção e o Vítor Pereira no telejornal. Nada me interessa, nada me tira o gosto amargo de 5 dias de decepções.
Começo a ficar preocupado com a gota no canto do olho, a insónia e a falta de apetites...
Ela chegou. Os olhos enormes e vivaços miraram-me, as pernas aceleraram, os braços abriram-se num grande pequeno abraço e a língua, no início da afinação, estala um grande "É o pai!" na minha triste face.
E puff!... tudo o resto deixou de ter qualquer importância.
Amor: está aqui um remédio que tenho de começar a prescrever mais vezes...
Cheguei à casa estafado. Vinha chateado com a vida e com um trabalho que cada vez mais me desaponta. Estudar uma vida toda para fazer algo que está há milhas de distância leva a um sentimento de frustração e impotência que nunca havia experimentado. Reclamações, exigências desmesuradas e excesso de direitos atiram-me para um lugar ao qual não estou acostumado. Cansa-me muito tentar ser justo e honesto. Seria mais fácil ceder às vontades e vícios e essa insistência, em fazer o que meus pais ensinaram, estafa-me.
Liguei a televisão. Vi buracos, miséria, guerras, corrupção e o Vítor Pereira no telejornal. Nada me interessa, nada me tira o gosto amargo de 5 dias de decepções.
Começo a ficar preocupado com a gota no canto do olho, a insónia e a falta de apetites...
Ela chegou. Os olhos enormes e vivaços miraram-me, as pernas aceleraram, os braços abriram-se num grande pequeno abraço e a língua, no início da afinação, estala um grande "É o pai!" na minha triste face.
E puff!... tudo o resto deixou de ter qualquer importância.
Amor: está aqui um remédio que tenho de começar a prescrever mais vezes...
28 julho 2011
Filho
Na minha prepotência dos 30 e tais, com a certeza de que tinha certeza de tudo, vieste tu, meu filho, mostrar-me que, afinal, ainda tenho muito, mesmo muito, o que aprender.
Tu que és tão pequenino e frágil, vieste mostrar-me o que enfim sou: mais pequenino do que tu.
Quem sabe tudo? Quem conhece todos os segredos do mundo? Não sou eu, ora bolas, é essa a verdade.
Tu que és puro e limpo, com esses olhos, que pouco vêem mas tanto mostram, abriste os meus e os lavaste em água salgada.
Mal te ouvi, ainda no ventre da tua mãe, vi logo as minhas imperfeições, e ao pegar em ti, pedaçinho de gente, vi o quanto eu também tenho de crescer.
Ah, pequeno, quanto tempo esperei por ti em ansiedade; quanta vontade tinha de te conhecer e ver, reflectido em ti, o fruto do amor destes teus pais apaixonados.
E assim, filho, este teu, pensava ele, sábio pai, viu-se num mundo novo; num mundo onde tu passas a ser rei depondo o velho sabichão: o que tinha a certeza de tudo ter certeza e, vê bem miúdo, que pensava que a felicidade e o amor tinham limites...
Sê bem-vindo que tenho muito a aprender contigo.
Tu que és tão pequenino e frágil, vieste mostrar-me o que enfim sou: mais pequenino do que tu.
Quem sabe tudo? Quem conhece todos os segredos do mundo? Não sou eu, ora bolas, é essa a verdade.
Tu que és puro e limpo, com esses olhos, que pouco vêem mas tanto mostram, abriste os meus e os lavaste em água salgada.
Mal te ouvi, ainda no ventre da tua mãe, vi logo as minhas imperfeições, e ao pegar em ti, pedaçinho de gente, vi o quanto eu também tenho de crescer.
Ah, pequeno, quanto tempo esperei por ti em ansiedade; quanta vontade tinha de te conhecer e ver, reflectido em ti, o fruto do amor destes teus pais apaixonados.
E assim, filho, este teu, pensava ele, sábio pai, viu-se num mundo novo; num mundo onde tu passas a ser rei depondo o velho sabichão: o que tinha a certeza de tudo ter certeza e, vê bem miúdo, que pensava que a felicidade e o amor tinham limites...
Sê bem-vindo que tenho muito a aprender contigo.
16 dezembro 2010
Pai sofre XVI: Esperanças renovadas
Estávamos há cerca de 1 hora à espera da minha colega. Esperávamos naquele serviço para termos a certeza do "se" e do "tempo".
Chamaram-nos.
Pé-ante-pé fomos atrás daquela bata branca. Conversávamos trivialidades pois a senhora era minha conhecida da faculdade. Nós retribuíamos sorrisos ansiosos, de cortesia, já que nossa mente estava noutra.
Ela deitou-se na marquesa e olhou-me por segundos. Pôs-se o mais confortável que pôde e respirou fundo. Uma inspiração de nervosismo. Eu fiquei ali, com um olho nela e outro na máquina, com a esperança vã de compreender o preto-e-branco da tela.
A técnica pegou no aparelho e começou a fazer a pesquisa. Com os olhos fixos no ecrã, procurou o nosso tesouro.
Alguns segundos de demora e lá estava ele. Um pequeno ser mostrou-se, pela primeira vez, àqueles que, sem saber, o criaram.
"Querem ouvir?", perguntou a médica; "olhem, olhem"
Tum-tum, tum-tum, tum-tum (viva o doppler!)
"Já bate!"
Aquele já bate e o meu ia parando...
Vai começar tudo novamente e não existe adjectivo para descrever o que se sente.
Nota: aproveito este post para minha participação no desafio "... e acontecimentos" da Fábrica de Letras
Chamaram-nos.
Pé-ante-pé fomos atrás daquela bata branca. Conversávamos trivialidades pois a senhora era minha conhecida da faculdade. Nós retribuíamos sorrisos ansiosos, de cortesia, já que nossa mente estava noutra.
Ela deitou-se na marquesa e olhou-me por segundos. Pôs-se o mais confortável que pôde e respirou fundo. Uma inspiração de nervosismo. Eu fiquei ali, com um olho nela e outro na máquina, com a esperança vã de compreender o preto-e-branco da tela.
A técnica pegou no aparelho e começou a fazer a pesquisa. Com os olhos fixos no ecrã, procurou o nosso tesouro.
Alguns segundos de demora e lá estava ele. Um pequeno ser mostrou-se, pela primeira vez, àqueles que, sem saber, o criaram.
"Querem ouvir?", perguntou a médica; "olhem, olhem"
Tum-tum, tum-tum, tum-tum (viva o doppler!)
"Já bate!"
Aquele já bate e o meu ia parando...
Vai começar tudo novamente e não existe adjectivo para descrever o que se sente.
Nota: aproveito este post para minha participação no desafio "... e acontecimentos" da Fábrica de Letras
09 outubro 2010
365
Nota: este post vem com mais de uma semana de atraso
Há 366 dias atrás eu não era o que sou hoje. Não era Homem por inteiro, não me conhecia na totalidade, não estava completo.
Há 366 dias pensava eu ter medos: medo da morte, medo da perda, medo de coisas banais.
Há 366 dias achava-me um ser feliz e conhecedor do amor mais puro e profundo.
Há 366 dias tinha certeza de que nada poderia ser mais valioso do que aquilo que possuía.
Há 366 dias não me entendia como indispensável e dava um valor relativo à minha vida. Há 366 dias era apenas mais um.
Há 366 dias atrás o mundo era diferente... tão imensamente diferente...
Tudo mudou há 365 dias.
Atingi a plenitude.
Entendi o que é ter medo, um medo real, imenso e desconcertante, principalmente o medo da perda.
Compreendi que a felicidade não tem limites e é passível de grandes incrementos.
Percebi que, afinal, sou importante e indispensável para a manutenção do bem-estar de alguém ainda mais importante do que eu.
Vi que tudo o que tinha não era nada comparado ao que tenho agora.
E, principalmente, conheci um amor diferente, irracional, inesgotável, inimaginável e tão profundo que não se percebe de onde vem. Um amor que nos molda o espírito e nos muda para sempre.
Há 365 dias completei-me... por agora, quem sabe, num futuro a médio prazo, me possa completar mais uma vez.

Imagem Google
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