28 fevereiro 2013

Milagres?

Bento XVI deixa de ser Papa e torna-se "um simples peregrino"  in Público

Explicai-me, Deus, como alguém que mal anda pode andar praí a peregrinar?

06 fevereiro 2013

Viagens

Dizem que as viagens no tempo não existem. Talvez seja verdade mas dependerá do ponto de vista. Não existem viagens no tempo em termos físicos mas é impossível evitar que o espírito viaje...

As arrumações na casa nova tiveram o condão de me reapresentar à missivas há muito esquecidas numa gaveta qualquer. Cartas de amigos, de amigas algo coloridas e outras descoloridas, de colegas de escola e outros personagens. Pessoas que "abandonei" no regresso à lusa terra. Pessoas das quais perdi contacto e me indago, por vezes, em como estarão hoje. 

Entreti-me a lê-las por um bocado. Sacudi-lhes a poeira do tempo e li-lhes a data: algures de 1992, em algum tempo de 1993, meados de 1994 e 1995. Enquanto as lia olhei para as costas das mãos: já não estão tão lisas como outrora...

As palavras contavam-me as novidades daquele tempo, revelavam sentimentos guardados, confessavam saudades acumuladas, sucessos alcançados e formulavam desejos de felicidades na minha nova aventura portuguesa. Perguntavam de forma sincera se gostava de cá estar, sobre a minha adaptação; algumas perguntavam-me sobre aventuras outras.

Enquanto as lia não pude deixar de sorrir umas quantas vezes e suspirar umas tantas mais. Talvez, se não estiver enganado e não me falhe a memória, podia jurar que me saltou uma ou duas lágrimas pelo caminho da leitura.
Nessa tão diferente viagem pude ver-me novamente em inícios dos 90, puto imberbe e descordenado, dominado por hormonas e inexperiente. Pude rever clássicos do Paulistão e do campeonato brasileiro. Vi-me a pular o único e último carnaval numa matiné estranha rodeado de amigos. Voltei a ter 17 novamente. 
Numa delas encontrei 3 autógrados de jogadores do São Paulo F.C. enviados por um dos mais inveterados corinthianos que conheço e, ao mesmo tempo, um dos meus melhores amigos de sempre.

Arrumei-as com cuidado de volta na caixa que as conservava. Ficarão ali a hibernar. Talvez não mais volte a lê-las, talvez as revisite quando sentir necessidade de viajar para aquela altura... ou vontade de me sentir com 17 novamente.