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03 agosto 2015

Só me falta escolher a árvore

Caros amigos que se perdem por estas bandas.
Como sabem, ao longo dos anos tenho escrito alguns textos sobre o facto de ser pai. Este post serve para dizer que o Catso aqui resolveu juntá-los a outros e editar tudo num livro. 

Os que tiverem interesse em conhecê-lo façam o favor de enviar uma mensagem para o mail do tasco.

Abraço e boas leituras (nem que sejam de outros).





 

24 outubro 2009

Dissertação sobre o ego

Vasculhando em papéis e cadernos antigos, do tempo do liceu, encontrei textos que escrevi durante aulas mais desinteressantes.
Naquela altura queria escrever um conjunto de composições que falassem de mim mesmo e que, no seu conjunto, intitulei de "Dissecação de uma personalidade".
Pensava, um dia, publicar e... bah, ideias de teenagers.

Foi engraçado reler e identificar coisas que agora não correspondem à verdade. Algumas delas ainda bem, outras tenho pena.
Não modifiquei (ou corrigi) nada do texto original pelo que o publico como escrevi há cerca de 16 anos atrás (provavelmente quando necessitava de aconselhamento psicológico e de estar mais atento às aulas de português).


Dissecação de uma personalidade


Capítulo 1: Do que sou

Sou alguém normal. Sou vulgar, sou comum. Não chamo atenção de ninguém na rua. Não sou bonito; não sou feio. Sou alguém que poderia ser seu amigo ou, pelo contrário, lutaria contigo por algo mundano. Não sou inteligente, não sou demente, não sou doente, mas sofro dos mesmos males dos quais reclamas diariamente. Eu sou eu sem saber quem sou. Talvez seja simples para ti, mas sou deveras complexo para meu próprio entendimento. E nas tortuosas curvas do meu caminho, vou-me segurando ao que posso, curvado e, por vezes, derrotado, frente às vicissitudes do meu "ser", lutando
para não cair.
Sou apenas um; sou, portanto, único. Sou um grão de areia; uma faísca na história. Sou como uma bactéria numa gota d’água. Sou pequeno… como tu. Não tenho gémeo; não tenho sósia; não tenho clone.
Sou responsável em tudo que faço. E sou responsabilizado por tudo que faço. Pago pelos meus erros com elevados juros e não recebo dividendos pelas vitórias. Acostumei-me com o facto, mas foi difícil, e luto para reverte-lo.
Sou o tipo que anda pela rua e, por vezes, fala sozinho, absorvido nos seus pr
oblemas e absorto do mundo à volta. Falar sozinho não é mau, muito pelo contrário, é uma forma de nos conhecermos interiormente; quem nunca falou sozinho, em frente ao espelho perguntando-se sobre o que achariam as pessoas se saísse de casa despenteado? Quem nunca falou sozinho não se conhece verdadeiramente; é um complemento e uma ajuda ao pensar.
Sou um bom amigo dos meus amigos, mas sou problemático em fazer amigos. Sou como um artesão: faço poucos amigos, mas procuro fazê-los bem, delineio a figura, limo as arestas e o produto final é uma amizade para sempre; não me preocupo em fazer pseudo-amizades; aquelas fugazes amizades de situação, de momento, se
m ligações. Tenho muitos colegas mas poucos amigos/irmãos. Estou bem assim.
Não sou convencido. Não sou pretensioso. Não sou arrogante. Sou capaz de reconhecer em mim algumas virtudes, mas não as exagero. Não faço, do que faço, grande alarde. São acontecimentos normais. Não preciso publicitá-los; se as pessoas gostarem, virão procurar mais. E não me preocupo, pois se fizer mal, milhares virão ter comigo, já que, para muitos, o verdadeiro sentido de suas pequenas vidas é procurar ridicularizar outras.
Não sou eloquente. Ao dirigirem-se para mim, falam e eu respondo. Não tent
o conquistar quem quer que seja, com palavras caras; tento conversar. Tento entender e me fazer entender.
Não suporto gente estúpida; penso ser o que acontece com a maioria das pessoas, mas começa a tornar-se difícil encontrar quem não o seja; também já fui muito estúpido no passado e, temo sê-lo mais vezes no futuro e estou a sê-lo agora enquanto escrevo.
Não sou paciente. Expludo por qualquer coisa.
Não tenho paciência para conversa “fiada”. Não tenho qualquer problema em deixar uma conversa a m
eio se não me agradar, como também não fico com gente fútil, por pura falta de pachorra. Há determinadas coisas inevitáveis, e para essas tenho que ter paciência, mas quando a fuga é possível…
Eu sou o que sempre quis ser. Não sou melhor ou pior do que planeei quando criança. Eu sou a figura que a infância e a adolescência, quais oleiras, moldaram com paciência de anos. O resultado não poderia ser melhor…para mim. Eu sou quem não se importa, quem não liga a mínima, don't gives a fuck para o que os outros pensam. Se não
gostam de mim, que se lixe! É bom ser eu…
Não sou, nem quero ser, o melhor nem o pior. Não sou o que vai aparecer por trás do entrevistado, nem serei o próprio entrevistado; estarei em casa a ver a cena. Há milhares que se matam pelos tais 15 minutos de uma fama supérflua, sem saberem o quão ridículo esse estado pode ser. Eu posso doar os meus quinze minutos (mas só pela melhor proposta).
Não sou de esquerda, não sou de direita. Tenho opiniões próprias sobre assuntos “tabu”. Não preciso de uma linha de pensamento pré-fabricada para minhas
decisões. Tento ser eu mesmo quando pedem opinião acerca desses problemas. Não faço aparato e não impinjo a minha opinião aos outros, deixo esse papel aos políticos.


Ah, a adolescência...