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04 janeiro 2015

2015

"Ano novo, vida nova", eles dizem. Mas eles não entendem que a única coisa que muda é uma página de um calendário. Ok, muda-se o calendário também, mas é apenas isso. Para além, nada mais; tudo igual. 
Servirá o 1º dia do novo ano para tomar resoluções. Será apenas um bom ponto de partida. É fácil de recordar, pelo menos mais fácil de recordar comparando-se a uma decisão tomada no dia 7 de Maio, por exemplo. A malta escolhe o 1º dia do ano para iniciar nova vida: querem emagrecer, ou parar de fumar, ou parar de beber, ou entrar numa nova relação, ou arranjar um novo emprego. O dia 2 é o primeiro em que tudo falha e, para esquecer, acende-se um cigarro na companhia de um bourbon e enquanto se belisca uma caixa de bombons que sobrou do natal.
Amanhã é a primeira segunda-feira de 2015. Representará o primeiro dia de trabalho e a volta para um sítio que cada vez mais me desagrada. Por isso, "Vida nova"? Humpf! Vida nova, para mim, seria poder esfregar uma carta de despedimento com requintes de sadismo no focinho de determinadas chefias. Isso sim, seria começar de forma espectacular. No entanto, como a vida não me permite desfrutar dessas pequenas excentricidades, fico com a carta guardada na gaveta para, quem sabe, fazer a esfregação num "7 de Maio" qualquer.

Bom ano para todos e, principalmente, àqueles que podem "entrar com o pé direito" no traseiro de imbecis.

22 setembro 2010

Perfeição (re-post)

Sempre que ando com o espírito suíno retiro este CD da estante e concentro-me na música "perfeição". Funciona como uma forma de exorcismo de problemas e mau-humor; respiro fundo e a coisa melhora... pelo menos um pouco.

Perfeição

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada Fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afectação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

Legião Urbana


18 setembro 2010

(Des)motivado

Image from Google


Tenho andado desmotivado.
Cena difícil de explicar sem ser pessoalmente, numa conversa com um café (ou dois, ou três, ou...) à beira.
Como é possível manter a boa disposição se se está longe de quem se gosta, quando as perspectivas futuras não são as melhores, quando se é "otário" num mundo de "chicos-espertos", ...?
Ando tão "sem saber como" que deixeis de ter vontade de escrever, de ver meus colegas da blogosfera, deixei de ter paciência para queixumes sem sentido.

Ligo a televisão e vejo gentes sorridentes a dizer que o futuro é risonho, mas o que vejo é um tragédia grega em anfiteatro ao ar livre, em dia de inverno, com o céu pronto a nos brindar com uma chuva tristonha...

Se fosse mulher diria que estava naqueles dias.

Valha-me a minha filha a gatinhar, a rir e a gritar enquanto a persigo pela sala de estar.

23 fevereiro 2010

O ser otário

Numa discussão acesa com um amigo cheguei à uma triste conclusão. Falava ele que muitos dos meus colegas trabalhavam no serviço nacional de saúde a ver doentes que atenderam no sector privado e que não compreendia o porquê de, aqui o vosso amigo bloguista, não fazer o mesmo. Eu, talvez ingenuamente, respondi-lhe que ainda mantinha a minha ética e que não tinha feito o curso para enriquecer à custa da desgraça alheia. Ele, "galhofadamente", disse-me: "não sejas otário, pá!"
Então, como disse antes, cheguei à uma importante conclusão, daquelas que me irá perseguir até ao fim da minha triste vida: EU SOU OTÁRIO!
Eu sou otário porque estou satisfeito com o que tenho.Sou otário porque, apesar de ambicioso, não tenho uma ganância desmedida a correr-me pelas veias.
Sou porque deixo passar uma grávida à minha frente numa fila qualquer ou porque ofereço meu lugar sentado a um idoso.
Sou otário por defender a cidadania e o civismo.
Sou otário porque pago os meus impostos e não idolatro quem não o faz. Entendo que esse não está só a roubar o estado, está é a roubar-me a mim.
Eu sou otário porque devolvo a carteira ao seu dono.Sou otário porque tento cumprir o código.
Otário porque sou honesto, íntegro e recto. Porque tenho uma consciência que me mói quando saio dos carris.
Sou otário por considerar que os fins não justificam os meios.
Sempre fui otário por não usar cábulas e não trapacear.
Sou otário mas não palerma para pensar que sou perfeito.
Sou otário por devolver a bola ao adversário.
Eu sou otário por respeitar horários previamente combinados,por dizer bom dia, por não ficar a dever e por respeitar minhas promessas.Sou otário por não ser materialista ao ponto de ter de vender a alma ao diabo para comprar um Mercedes ou uma casa de 20 assoalhadas.

Mas se tudo isso é ser otário, e se me sinto feliz e realizado por tentar ser boa pessoa, então, meus amigos, o fulano tinha toda a razão: eu sou um grande otário; sendo assim consegui tudo o que tenho, que nem é pouco...
No entanto, ele e outros como ele, que não acreditam que uma pessoa possa ser feliz com pouco, esses não são otários, mas sim uns grandessíssimos idiotas! Nunca vão experimentar o bem estar do ser otário... como eu.

11 fevereiro 2010

Burocratidose

Existe uma praga que está a destruir o país. É uma infecção, uma verminose, uma parasitose.
Portugal está infestado por uma espécie de seres desprezíveis, abjectos e asquerosos: os burocratas.Esses animais corroem as estranhas do Estado, sugando-lhe até ao tutano, nutrindo-se com o alheio, acabando com a paciência dos pobres mortais.
São caracterizados pela mediocridade, especialistas em compadrio, no lambe-botismo e no por-baixo-do-pano. Pululam em todos os cargos possíveis e imagináveis. Colonizam juntas, câmaras, assembleias, ministérios ou qualquer lugar cujo concurso dependa da vontade de outro burocrata. Tomam decisões baseadas na mais pura e cristalina ignorância e a sua inépcia não tem limites.
Mas, apesar de tudo, os burocratas reinam. Eles estão lá, à nossa frente, ocupando os lugares cimeiros e cargos de chefia; colocados nos respectivos assentos por outros da sua espécie, perpetuando o ciclo vicioso e doentio.
Eles mandam em tudo. Aparecem na televisão sorridentes. Escapam incólumes às vãs tentativas de os eliminar. E, apesar da tremenda cara-de-pau, são ágeis, elásticos e esquivos.
Fala-se nas mortes pela SIDA, Tuberculose ou Malária mas, amigos, não há doença que mate mais que os burocratas. Eles são piores que o cancro, vão minando, insidiosos, até ao ponto do não retorno, e tudo depois é paliativo.
Por causa deles se morre de fome e de sede, não se constroem hospitais, escolas ou outras benfeitorias; eles decidem-se sempre pelo supérfluo, desde que lhes dê lucro.
São eles que encravam as engrenagens...
Os burocratas estão por todo o lado; sempre estiveram e, temo não errar por muito, sempre estarão, ou talvez não... quem sabe arranjamos uma droga eficaz ou, quem sabe, já a temos mas não usamos.


Imagens google

19 setembro 2009

"#$%&!!!

Portugal está fodido!
Fodido do verbo foder até mais não.
Fodido por um povo passivo que é fodido por todos e muito mal pago.
Fodido por uma direita conservadora e retrógrada, uma esquerda extremista e revoltosa e por um centro covarde e limitado.
Fodido por milhentos mini-partidos e movimentos idiotas, que apregoam vontades incoerentes e estapafurdices.
Fodido por mentecaptos que não votam e arranjam a mesma desculpa:"...são todos iguais, e por isso...", deixando aos outros a missão de escolher quem os vai foder mais quatro anos.
Fodido por pais que abusam dos filhos.
Fodido por filhos que abandonam os velhos.
Fodido por uma juventude idiota que esqueceu a sua própria cultura e que adora uma nova "nova onda" semanal.
Fodido por "artistas que não fazem arte".
Fodido por um povo que olvidou suas raízes e folclore, e que abomina o que é nacional, idolatrando o estrangeiro.
Fodido pela superficialidade da imprensa cor-de-rosa e seus "actores" reais.
Fodido por um bando de novos ricos que dão um rim por um Mercedes ou BMW importado, que pagam renda de um T3 antigo nuns subúrbios quaisquer e compram produtos de marca branca com talões de desconto.
Fodido pela falta de memória das suas gentes.
Fodido pela pobreza de milhões de filhos da pátria.
Fodido por uma desinformação constante.
Fodido por indivíduos que ocupam a vaga de estacionamento para os deficientes físicos, estacionam na calçada e usam os faróis de nevoeiro em noites de lua cheia.
Fodido pelos que cospem para o chão.
Fodido pelos arrumadores de carros.
Fodido pela inércia e inépcia de inúmeros.
Fodido pela patetice das manhãs e tardes televisivas.
Fodido pelos subsídios.
Fodido pelos que não dão o seu lugar sentado a um idoso.
Fodido pelos eructam direitos.
Fodido pelas auto-estradas, TGV's e pontes sobre o Tejo.
Fodido pelos guetos criados pela intolerância.
Fodido por si próprio.
Fodido pelas pensões de miséria dos trabalhadores e pensões de marajá de ex-políticos e afins.
Fodido pelos sindicatos e associações empresariais.
Fodido pelos bancos.
Fodido pelas inúmeras e inúteis siglas: IRS, CGTP,TAP, BP, PS, SNS, FPF, APAF, EP, EDP, GALP, PT, PTP, IURD, PSP, ETC...
Fodido por deus, o diabo e por uma igreja corrupta à procura de avenças.
Fodido pela falta de deveres.
Fodido pelo empurrar com a barriga e o desenrascanço.
Fodido por uma justiça lenta, uma educação falida e uma saúde desorganizada.
Fodido por milhares de crianças que mal sabem ler mas que carregam um Magalhães sob o braço.
Fodido por uma falta de cultura que embaraça.
Fodido pelo politicamente correcto que amordaça pensamentos.
Fodido por jovens que não lêem, não escrevem ou não percebem português, que se perdem num mar de bens inúteis e vontades fáceis.
Fodido pelo chico-espertismo; aqui duplamente fodido.
Fodido pelo excesso de álcool.
Fodido pelo acordo ortográfico.
Fodido pelo desemprego e por gente que quer estar no desemprego.
Fodido por empresas que fecham mas dão lucro.
Fodido por intelectuais que reúnem-se à mesa a destilar venenos mas que não apresentam ideias para resolução de problemas.
Fodido pelas penas suspensas e erros processuais.
Fodido pelo facilitismo e o "deixa estar".
Fodido pelo compadrio e o "factor C".
Fodido pela hipocrisia de se usar palavras caras e ignorar um calão magnífico e que expressa exactamente o estado de espírito.
Fodido por tudo e por nada.

É a primeira vez que utilizo este tipo de linguagem neste blog mas, depois de um dia fodido, devo confessar que é uma terapia extraordinária.
Que se fodam as sensibilidades.

18 julho 2009

Espírito suídeo

Há dias em que o humor resolve meter folga. O seu lugar é ocupado por algo negro, sujo, inespecífico. Tudo, por mais belo que seja, transforma-se em alguma coisa disforme e feia. As manhãs solarengas são prenúncio de tragédia, os pássaros que cantam são só corvos, a música que se ouve é gótica e as pessoas são apenas amálgamas de carne, sangue e ossos, seres desprovidos de sentimentos ou afectos.
Nesses momentos tudo tem defeitos, todos os jogos acabam em derrotas, todas as ideias já estão ultrapassadas, todos os amigos estão longe mesmo quando estão ao nosso lado.
Vive-se numa espécie de bolha, numa tentativa infrutífera de isolamento. E quando essa bolha não faz o seu trabalho o dia torna-se ainda mais cinzento.
Ontem foi um dia destes e anteontem também.
O espírito de porco transformou-me num pessoa ranzinza, amarga, azeda, que por trás de um sorriso esconde um humor que varia mais que as cotações da bolsa de Tóquio.
Não gosto de mim nesses dias. Fico monossilábico ou aceno com a cabeça, nunca inicio conversa, faço apenas meu papel, viro figura de corpo presente. O contacto lúdico com os outros dói e aplico-me para retribuir conversa de ocasião.
Nesta alturas de revolta sem sentido, revejo os tratados de psiquiatria tentando me incluir num dos inúmeros desvios de personalidade, e isso é a das poucas coisas capazes de me divertir.
Hoje já estou melhor, já vejo algum raios de sol por entre as nuvens carregadas, mas, mesmo assim, preciso de uma purga do mundo. Fico, então, em casa a ouvir música, a escrever... de quarentena, para não recidivar.