Meu amor,
Aqui estou eu sozinha. Perdida neste mundo, abandonada por ti.
Onde estarás, meu amor? Trocaste-me por outra? Existirás noutro coração?
Não quero acreditar que ficarei só para sempre mas, quando penso que apenas tu és o meu perfect match, confesso que desespero.
Tenho aguardado no meu frio quarto pelo teu regresso e a cada passo que ouço fantasio o teu retorno. Volta para mim, meu querido. Volta para me completares finalmente. Sonho com o dia em que te voltarei a ver e, lado a lado, caminharemos juntos. Correremos em paralelo até onde pudermos, até onde aguentarmos. Iremos em direcção ao fim do mundo, em direcção a um horizonte longínquo e lá descansaremos e dormiremos juntos e, assim, acabaremos os nossos dias.
Eu não vivo sem ti, eu não existo sem ti. Sem ti não valho nada e não tenho futuro. Dependo de ti para subsistir, tal é o meu amor e a minha dedicação a ti.
Por tudo isso e muito mais, imploro-te: volta e junta-te a mim novamente. Eu não suporto esta solidão.
Com profundo amor e esperança,
O outro par de meias.
Devaneio escrito depois de mais de uma hora na tentativa de organizar dezenas de meias aos pares e após ficar com outro tanto destas "viúvas" nas mãos.
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14 fevereiro 2015
09 junho 2013
Drogas de/vidas
Vinha ela dos médicos.
Mais uma vez carregada de receitas milagrosas para mazelas e mágoas incuráveis.
Adentrou titubeante na pequena e velha botica. Cumprimentou o funcionário e apresentou-lhe a prescrição da dermatologista.
O farmacêutico sorriu e sussurrou entredentes "um manipulado? Até que enfim", numa clara alusão da necessidade pessoal de relembrar o labor num laboratório. Já ninguém praticava "pharmácia" nestes dias, vinha tudo em caixinhas coloridas.
Ela ouviu o rumorejo e respondeu num semelhante murmúrio: "manipulai-me!"
"Manipulai meu ser. Faz dele o que quiserdes. Revirai meu corpo, penetrai-o, perfurai-o, remexei-o, centrifugai-o em rotações tamanhas capazes de desfazer meus pensamentos mais sombrios. Triturai meus ingredientes e, assim, transformai-me em cura para meus próprios males.
Manipulai meu coração. Misturai os sentimentos que lá guardo em coquetel mágico de prazer. Manipulai a bomba e programai-a para estoirar como nos filmes: exactamente no momento em que me salvais e me pondes no porto seguro dos vossos carnudos braços.
Manipulai meus sofrimentos. Aquecei-os, queimai-os, fazei-os evaporar na química dos vossos preparos. Curai-me das minhas extraordinárias dores, das inventadas, das sonhadas, das queridas e companheiras, das físicas e das psíquicas. Curai-me por completo com os vossos salgados elixires místicos.
Manipulai o meu género. Manipulai-o com vigor. Manipulai-o com o rigor e precisão das ciências exactas. Não lhe tenhais perdão. Devassai-o, sugai-o, e deleiteai-vos com os seus sucos e provai que o inferno também pode ser sagrado. Usa o vosso corpo para o vasculhar meu sexo num vai e vem insaciável e pecaminoso. Fazei da minha pélvis um brinquedo e sê criança o tempo que quiserdes.
Manipulai o que quiserdes de mim. Fazei-me vossa sem pruridos ou arrependimentos.
Relembrai-me que a vida, por mais sofrida, pode, por fim, ter algum mínimo sentido."
O técnico voltou-se para ela com a nítida noção de ter ouvido algo e lhe perguntou:
"Desculpe, minha senhora, disse alguma coisa?"
"Oh, sim, sim. Era mais esta receita.", respondeu trêmula.
O farmacêutico olhou para o papel e falou consigo próprio:
"Hum, pois bem... sim... lítio".
Mais uma vez carregada de receitas milagrosas para mazelas e mágoas incuráveis.
Adentrou titubeante na pequena e velha botica. Cumprimentou o funcionário e apresentou-lhe a prescrição da dermatologista.
O farmacêutico sorriu e sussurrou entredentes "um manipulado? Até que enfim", numa clara alusão da necessidade pessoal de relembrar o labor num laboratório. Já ninguém praticava "pharmácia" nestes dias, vinha tudo em caixinhas coloridas.
Ela ouviu o rumorejo e respondeu num semelhante murmúrio: "manipulai-me!"
"Manipulai meu ser. Faz dele o que quiserdes. Revirai meu corpo, penetrai-o, perfurai-o, remexei-o, centrifugai-o em rotações tamanhas capazes de desfazer meus pensamentos mais sombrios. Triturai meus ingredientes e, assim, transformai-me em cura para meus próprios males.
Manipulai meu coração. Misturai os sentimentos que lá guardo em coquetel mágico de prazer. Manipulai a bomba e programai-a para estoirar como nos filmes: exactamente no momento em que me salvais e me pondes no porto seguro dos vossos carnudos braços.
Manipulai meus sofrimentos. Aquecei-os, queimai-os, fazei-os evaporar na química dos vossos preparos. Curai-me das minhas extraordinárias dores, das inventadas, das sonhadas, das queridas e companheiras, das físicas e das psíquicas. Curai-me por completo com os vossos salgados elixires místicos.
Manipulai o meu género. Manipulai-o com vigor. Manipulai-o com o rigor e precisão das ciências exactas. Não lhe tenhais perdão. Devassai-o, sugai-o, e deleiteai-vos com os seus sucos e provai que o inferno também pode ser sagrado. Usa o vosso corpo para o vasculhar meu sexo num vai e vem insaciável e pecaminoso. Fazei da minha pélvis um brinquedo e sê criança o tempo que quiserdes.
Manipulai o que quiserdes de mim. Fazei-me vossa sem pruridos ou arrependimentos.
Relembrai-me que a vida, por mais sofrida, pode, por fim, ter algum mínimo sentido."
O técnico voltou-se para ela com a nítida noção de ter ouvido algo e lhe perguntou:
"Desculpe, minha senhora, disse alguma coisa?"
"Oh, sim, sim. Era mais esta receita.", respondeu trêmula.
O farmacêutico olhou para o papel e falou consigo próprio:
"Hum, pois bem... sim... lítio".
17 outubro 2009
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