29 dezembro 2012

Prevenções

"Ministério da Saúde pede aos portugueses para recorrerem menos aos serviços" in Público

Em resposta ao Demian, sobre o que achava sobre os comentários do (infelizmente) meu colega, secretário de estado da saúde, Dr. (des)Leal da Costa, transcrevo para aqui uma opinião de um outro médico com a qual concordo em absoluto.

"Há aqui uma enorme confusão. A prevenção não é chave para aliviar a despesa do SNS. A prevenção é a chave para ganhos em saúde, para vivermos mais anos com saúde ou, dito de outra forma, com menos doença. Acontece que quanto maior for a esperança de vida maior será o número de doentes crónicos a controlar e tratar (cancro, doenças cerebro e cardiovasculares, respiratórias crónicas, diabetes, osteoarticulares, Alzeihmer, ...) e, como tal, maior a despesa. Se morrêssemos entre os 40 e os 50 anos, isso sim, seria uma enorme poupança. O desenvolvimento civilizacional e a felicidade dos povos tem um preço que os estados e os governos devem ser capazes de equacionar e determinar o seu financiamento segundo os princípios da universalidade e equidade. Passa em grande medida pela medicina preventiva. Mas também pelos melhores e mais diferenciados tratamentos que a ciência vai disponibilizando a cada dia. O que o Sec de Estado poderia ter dito é que, no SNS, caro são as más práticas, a má organização dos serviços e as "bolsas de emprego" à margem das carreiras, dos concursos e das competências. As doenças do envelhecimento existirão sempre, podem modificar-se mas, no seu conjunto, aumentarão sempre à medida que as sociedades forem envelhecendo (mais carga de doença e menos população activa contribuinte). Resumindo, a declaração, que até poderá ter um fundo bem intencionado, é preocupantemente superficial, principalmente vindo dum governante. Mas como já se tornou hábito ver grande parte dos nossos governantes a pensarem apenas no horizonte temporal dos seus ciclos políticos, ... a gente, embora não aceite, percebe !"

Acrescento apenas que, para prevenção primordial, os portugueses deveriam ser poupados a políticos/políticas ingnóbeis que só lhes encurtam a vida e lhes provocam doenças várias...

26 dezembro 2012

Concessionar



Baseando-se no Desgoverno de Portugal,
Também concessionou o seu serviço, o Pai Natal.

Entregou a empreitada à um empresa privada,
Mas como era de se esperar, tal como por cá,
Tudo acabou numa tremenda trapalhada.

Para poupar no orçamento,
E como qualquer bom patrão
Também era, o Pai Natal, muito casmurro:
Lá trocou as tradicionais renas
Por um estranho grupo de burros!

Tal como as renas, todos o burros tinham nomes:
O primeiro, de nariz vermelho, chamava-se Coelho;
Do seu lado, fazendo par, estava o sonolento Gaspar;
Na segunda fila, mas não se importa, vinha o de nome “Portas”;
O quarto (o preferido de Noel), era o querido, brilhante e genial Miguel;
O quinto animal era o Aníbal;
A completar a 3ª fila, sempre com cara de azedo, vinha o burro do Macedo;
O sétimo burro, já bem velho mas pouco otário, era o burro Mário;
E ao seu lado, a sonhar ser o primeiro no futuro, vinha o burro José Seguro.

Escusado será dizer que não houve Natal:
O Coelho não soube guiar o grupo;
O Gaspar cortou-lhe nas prendas a entregar;
O Portas fez birrinha;
O Relvas quis fazer de Pai Natal;
O Aníbal engasgou-se com um pedaço de bolo rei;
O Macedo adoeceu;
O Mário finalmente falou com São Pedro;
O Seguro correu para o lado oposto.

No próximo ano o Pai Natal trocará essa cambada de burros por huskys siberianos…

Mesmo atrasados, meus desejos de boas festas a todos os camaradas que por aqui passam.

 

17 dezembro 2012

Charada

Então, vamos lá ver se advinham esta:

Um determinado banco de um determinado país de África Ocidental que fala português e é um rico produtor de diamantes de sangue, generais da treta e corrupção, compra um banco português nacionalizado, também ele exemplo da arte corruptiva, por uma bagatela/pechincha num verdadeiro negócio da china (mas sem chineses envolvido [?]) para aquele primeiro banco e extraordinariamente lesivo para o Estado.
Nessa negociata está incluído o despedimento selvático de (pelo menos) 100 "colaboradores". Sendo essa decisão da exclusiva responsabilidade da nova administração privada, quem pagará essas rescisões? Quem será, quem será? 
















Tu, grande palerma... e eu também, grande idiota!

12 dezembro 2012

"Profissionais de saúde: PM pede mais eficiência com os mesmos meios" - in TSF

O PM tem razão. A culpa da "ineficiência" do sector público da saúde é nossa: os profissionais de saúde.
Assim, com o intuito de educar os seus funcionários despesistas, o ministério da saúde (ou será da doença?) começou a actuar.
Dessa forma, no meu Centro de Saúde começamos a poupar no papel para limpar as mãos, nos antinflamatórios, nas benzodiazepinas, no aquecimento, entre outras coisas mais. 
Bem, não será bem poupar, será mais "não usar". Não usar porque não há.
E não há apenas no meu local de trabalho. Existem outros locais de prestação de cuidados públicos de saúde onde o que falta são luvas esterelizadas para intervenções cirúrgicas, betadine, H2O2, fio de sutura, e outros produtos que não servem lá para grande coisa.
Sr. PM, nós nos SNS já começamos a poupar há muito no gasto diário. Não temos carros para fazer domicílios e nem motoristas, daí não se gasta em gasóleo. Não temos médicos nem enfermeiros que cheguem, assim poupa-se em salários. Não temos acessores/administrativos daí poupar-se em cunhas. Não temos cartões partidários e então não temos jobs, mas temos honra.

Sr. PM poupe palavras para nos poupar a nós de tanta estupidez e incompetência!


 

08 dezembro 2012

Pai Sofre XXX - Maldito plural

A ver televisão:
"Olha, aqueles "cãos" estão a brincar"
"Pois estão. Mas, olha, não são "cãos": são "cães""
"Ah, sim, os cães!"

Passado um bocado
"Os cãos gostam de brincar, pai"
"Não são os "cãos", linda. Quem são, lembras-te?"
"São os cã... os cã... são os cachorrinhos!"

04 dezembro 2012

Pai Sofre XXIX - Criança num palheiro

Hoje fui incumbido pela minha patroa de levantar a mais velha ao infantário, jardim de infância, escolinha ou lá que seja. Obviamente que disse que sim, primeiro porque é algo que me dá prazer em fazer, segundo porque poderia haver represálias caso me recusasse...

Gosto de ir buscar a moça à escola. Nem me importo com as filas de trânsito ou a falta de lugar para estacionar, coisinhas que, no meu dia-a-dia normal, tiram-me realmente do sério.
Gosto porque quero vê-la a inteirar-se do mundo, aquele longe de casa e do abrigo dos pais, o mundo de verdade, embora em miniatura e despreocupado... mas por vezes cruel.
"Cruel?", perguntarão vocês. Sim, cruel. As crianças são criaturas maquiavélicas. Não têm culpa mas está-lhe nos genes. É coisa primitiva e animalesca. Tudo normal, portanto.
Nesta altura da vida, esses projectos de gente começam a encontrar o seu papel na matilha e conhece-se quem, no futuro, terá mais propensão para ser "alfa".

Das vezes em que fui buscar a moçoila postei-me a observá-la ao longe, a "estudar" o seu comportamento. Tal como eu, parece-me que a rapariga não é muito de "meter conversa". Fica na sua a observar. Deu-me a impressão de, ela própria, estar a estudar o ambiente e ver, do seu jeito, quem poderá vir a interessar ter como amigo/companhia. Esperta a fulana, também ela a mostrar eu lado maquiavélico.
Nesses perídos de observação, já a vi ser ostracizada pelas mais velhas numa clara tentativa de intimidação. Ela não fez frente mas, pareceu-me, lançar um olhar tipo "ok, venceste esta batalha mas... prepara-te". Até a mim meteu medo.

No entanto, como dizia no princípio, hoje fui buscá-la mais uma vez. Como ía com alguma pressa, culpa de um dia cheio no trabalho, fui imediatamente à sua procura.
Chegando ao estabelecimento, deparei-me com um cenário caótico. Invadiu-me uma sensação tipo Gulliver, rodeado de dezenas de seres pequenos em algazarra total, que corriam em anarquia completa pelo pátio coberto do estabelecimento.
Eu disse "dezenas"? Bem, se calhar, pequei por defeito, deviam ser mais.

Pus-me à procura do meu exemplar no meio de tanta pimpolhagem. Só aí, depois de tantas vezes lá ter ido, é que percebi que não é fácil encontrar uma crinaça no meio de tantas outras semelhantes. É mais difícil que encontrar o tal do Wally! Não há pontos de referência: são (quase) todos do mesmo tamanho e configuração! Haja capacidade de observação!
Resolvi pedir ajuda a uma contínua:
"OLÁ, BOA TARDE!" - já num tom de voz considerável.
"BOA TARDE!" - respondeu-me a senhora enquanto se debatia para não ser arrastada por 3 ou 4 imitações de gnomos.
"POR ACASO VIU A MINHA MOÇA? JÁ ESTIVE AI A VER SE A ENCONTRAVA MAS NÃO TENHO OS OLHOS TREINADOS!"
"ESPERE LÁ UM BOCADINHO" - e deixou-se ir com a manada.

Passados alguns segundos, em meio à gritaria insana, ouço:
"PAAAAIIIIIII" - enquanto estala um beijo e espreme-me num gostoso abraço.
"Onde estavas?" - perguntei eu.
"Ali, naquele banco" - repondeu-me com uma expressão de "és mesmo totó e cegueta".

Ela não tem razão em achar-me cegueta... agora, "totó"... coisas de pai enamorado.

02 dezembro 2012

Já há algum tempo que "peço" a algum temerário português que pegue numa arma e dê o primeiro tiro, mas...



... confesso que não estava à espera desta.

18 novembro 2012

Cenas de um casório #4

Premissa: desde pequeno que, ao beber um iogurte líquido, entretenho-me com a garrafa a tentar lamber as últimas gotas.


Eu com a garrafa do iogurte.
Ela: "epá, para de lamber isso! Não vês que já não há iogurte?"
Eu:  "Lamber? Não. Não estou a lamber, estou a treinar"

14 novembro 2012

Trocadalhos do Carrilho

A Jonet não come bifes, o Passos Coelho; 
Eu não sou tonto mas o Jos'é Seguro; 
Eu chego sempre atrasado, o Miguel e o Paulo Macedo; 
A Cabelereira alisa cabelos, a Assunção Cristas; 
Um carro só liberta CO2, o Mota Soares; 
Quando estou parado bebo tinto mas Aguiar-Branco; 
Eu colecciono selos e o Carlos Moedas; 
O José Cid come fava, o Nuno Crato; 
Fogem o diabo e a Paula da Cruz; 
Os fantasmas atravessam paredes, o Paulo Portas; 
O primeiro ministro come alfaces, o Miguel Relvas; 

Os portugueses riem-se dos palhaços do circo, o Governo de Portugal.

Os corajosos

"Passos Coelho assinala coragem de quem trabalha e quer trabalhar" - in TSF

Ora, "coragem", deixa-me lá ver aqui no priberam:

coragem | s. f.

coragem
(francês courage)

s. f.

1. Firmeza de ânimo ante o perigo, os reveses, os sofrimentos.

2. [Figurado]  Constância, perseverança (com que se prossegue no que é difícil de conseguir).


coragem |ò|
(corar + -agem)

s. f.

Acto ou efeito de corar. = CORA


Não sou muito bom a reagir a elogios. É-me mais fácil reagir à crítica. Parece que estóu mais preparado para um reparo negativo, tenho um discurso já encadeado e, para além de tudo, é mais comum ser confrontado com uma bela e raivosa crítica.
No entanto, apesar de não responder tão bem ao elogio, costumo aceitá-lo de bom grado. Apesar de tudo, é sempre bom ouvir algo de agradável que tenha a ver com a nossa actuação. É lisonjeiro e sabe bem, para variar.

Hoje, sem saber e sem querer, recebi um elogio. Disseram-me que era/sou corajoso, vejam bem. Sou corajoso porque não fiz greve. É verdade! Disse-me o primeiro ministro deste país. Para ele, quem foi trabalhar ou quem, desempregado, tinha enorme gosto de ir trabalhar, é alguém que merece esse rótulo.

Não aceito o elogio. Não sei se será a primeira vez que o faço mas, sem dúvida, não é comum. Não aceito este elogio.
Não posso aceitar um elogio destes vindo de quem vem. Não posso aceitar vindo deste incompetente, que é a cara de um governo tecnocrata e de ideias ultra-mega-super-ri -liberais! Quem é ele para elogiar trabalhadores se é o primeiro a dizimá-los? Como posso aceitar vindo de um dos culpados pela realização da própria greve?

Coragem, sr. ministro? Parece-me que não está a ver bem a coisa! Não é coragem, não, é "Necessidade"! Para si até pode ser que não, mas para mim e para outros comuns mortais , um dia de salário fazem diferença, até porque, em casa de muito boa gente (incluindo a minha) só existe mesmo isso: um salário! Mas existem contas, filhos, desemprego, encargos, impostos...

Coragem, sr. ministro? Nesse mundinho autista que criou coragem é "trabalhar"? Sabe quantos corajosos estão hoje parados? Quantos estão a procura de se tornarem corajosos? E, veja lá o quão irínica é a coisa, sabe quem é que os impede de ser corajosos? Pois é, o sr mesmo! 
O sr. ministro e a sua quadrilha de fato e gravata são os responsáveis por, em Portugal, não haver mais corajosos! 
Junte-se à Jonet e adicione também aos "corajosos" aqueles que, hoje (e ontem e há dois dias...), também evitaram de comer!
  Bem, mas esperem lá... hum, talvez não me estivesse a elogiar. "Coragem" também pode ter a ver com o verbo "corar". Talvez tenha mais a ver comigo, realmente, pois gostaria de estar a ser menos corajoso e estar à frente de um piquete... mas não posso, sr ministro, hoje não pude ter dessa coragem.



E o que dizer deste senhor?

"Cavaco: Em dia de greve geral "eu estou aqui a trabalhar" - in Negócios Online

Este senhor acredita que o seu trabalho "melhora a economia" do país e "aumenta o emprego", o que demonstra que já por lá anda alguma demência vascular ou outra que tal...
 
Este homem é um dos corajosos do Passos. Ele que subsiste de forma heróica às agruras de um rendimento mensal ainda inferior ao de um fiél monge franciscano. Tenham pena deste reformado trabalhador.

Mas apesar de insano, senil e extraordinariamente chato, o nosso presidente mostra-se pelo menos coerente: como poderia ele aderir a algo que surge por sua própria culpa? Não se esqueceu, certamente, de que tem a sua quota nesta empresa insolvente que se chama Portugal, não é veradade? Aliás, terá sido um dos pioneiros da devassa económica nacional, talvez a cadeira que leccionava nas salas d'aula da faculdade a colegas de Catroga ou Gaspar, entre outros charlatães. 

Nem vou por aqui, sr Cavaco, a definição de "trabalho", ok?  

A estes grandes dedico esta singela melodia: 





Puta que os pariu a todos!

05 novembro 2012

Cenas de um casório #3

Gastando todo o meu inglês:

"Can i touch your ass?"
"Nop"
"Can i squeeze your boobs?"
"Na"
"Can i lick your kitty?"
"No way"
...
"Can i kiss your lips?"
"Course!"
...


"You know? I was close to give up..."

04 novembro 2012

Pai Sofre XXVIII - Os olhos da mão



Quando era miúdo, e quando mexia em algo que não devia, era frequente ouvir: “ei, não mexas nisso! Tens os olhos nas mãos, por acaso?”. Quando pequeno não era reguila ou maroto, mas reconheço que era um mexilhão. Assim, ouvi aquela frase milhares de vezes ao longo da minha infância.
Apesar de tudo, sempre achei piada àquela expressão. Realmente, quando bem aplicada, tem a sua graça.

Isso para dizer que “quem sai aos seus…”.
O meu mais novo tem os olhos nas mãos. Gosta de apalpar tudo o que o rodeia. Gosta de sentir a consistência, a resistência, a textura da matéria à sua volta. Gosta de pesquisar as coisas que estão ao seu alcance com uma visão que não necessita de globos, órbitas ou lentes. Não se contenta em ver com os olhos da cara e quer experimentar os outros sentidos, nomeadamente o tacto e, esporadicamente, o paladar.
Assim, dessa forma, é difícil ficar indiferente ao perigo que correm as coisas que ficam à mão de semear. Meus discos, os DVDS, os bibelôs vários, álbuns de fotos até “tremem” à sua passagem e à eventual possibilidade de pararem nas suas manápulas. Algumas delas já jazem num aterro sanitário qualquer depois de um encontro imediato do terceiro grau.

Desde que o rapaz obteve a liberdade dada pelo andar que tudo em casa ficou à sua mercê. Na casa-de-banho foi o papel higiênico que ganhou outra utilidade: decoração; e os produtos de higiene servem para limpar também materiais inorgânicos. No corredor, os livros da estante começaram também a conhecer outras disposições. Nos quartos, os brinquedos raramente permanecem no sítio por muito tempo. Todas as fotografias emolduradas expostas são para por para baixo (vergonha dos modelos?).
No entanto, o pior acontece quando a curiosidade impele o moço a abrir as portas dos armários da sala e da cozinha. As garrafas do bar e da cozinha deixaram de estar deitadas e já foram de encontro ao chão algumas vezes (salve o tapete que amortece a queda!). Alguns pratos já pariram “pratinhos”, bem como alguns copos. Os talheres já serviram como baquetas contra a escada de alumínio, numa estranha batucada. Os produtos de limpeza, dado aos brilhantes e coloridos autocolantes, passaram a ser inimigos do bem-estar.
Extensões com interruptores iluminados são para ligar e desligar e todas as máquinas que tenham botões são para apertar.

Com isto, as idas àquelas casas de lembranças, faianças e cristais estão fora de cogitação (não que eu me importe muito com este “inconveniente”).

Com toda essa curiosidade e necessidade em pesquisar tudo com as pontas dos dedos, começo a ficar preocupado quando o rapaz for para a escola…

 Imagem daqui

03 novembro 2012

Um novo holocausto

Leiam estas notícias com atenção:  

"Na Grécia já há 600 mil pessoas abandonadas pelo sistema de saúde" 

"Os médicos Robin Hood da Grécia"

A palavra holocausto tem origem grega e relaciona-se com sacrifícios feitos em honra de diversas divindades.
Hipócrates, também ele grego, é considerado o pai da medicina.

É estranha esta relação entre "holocausto", "medicina" e "Grécia". Estas notícias, que aqui publico, demonstram realmente haver novos sacrifícios em nome de uma divindade moderna: a tróika.
Em nome da tróika, nestes últimos anos, muitos "europeus" morreram e muitos outros, milhares mesmos, estão condenados.
Essa nova divindade parece ter cada vez mais seguidores dentro dos governos deste e doutros continentes. Na procura de milagres que supram desejos obscuros, vão-se juntando e atirando às piras económicas povos inteiros. Ardem direitos, sonhos e vidas.
Que tróika é essa? Que poderes tem? Quem está por trás dessa entidade mágica? Para quem faz ela milagres?
A idolatria por este deus é como uma doença contagiosa.

É extremamente preocupante a rapidez e facilidade desse contágio. Em Portugal, o SNS está prestes a entrar neste mesmo jogo doentio e, como dizem os brasileiros, a coisa vai começar a ficar grega! 
Um exemplo é essa "refundação" da Pátria, proposta pelo criminoso PM, onde se pondera a privatização também dos Centros de Saúde, panteão mais puro e sagrado do SNS, primeira porta a bater quando se necessita de cuidados de saúde.

Depois da "racionalização" (ou será "racionamento") dos medicamentos oncológicos, propostos por uma comissão qualquer com pouca ética; depois do aumento astronómico e indecente das taxas "moderadoras" (entre aspas porque é um conceito ridículo e enganoso: essas taxas nada moderam!); depois da queda da comparticipação dos medicamentos e da selvajeria das trocas de substâncias nos balcões das boticas; vêm ai grandes mudanças no SNS... para pior, muito pior. Vai ser iniciada a "matança" dos utentes dos ficheiros dos Médicos de Família; vão ser entregues, às mãos de grupos económicos bem conhecidos, mais e mais instituições públicas de saúde; entre outras medidas que, insidiosamente, vão corroer o único serviço público que (ainda) funciona com qualidade.

É difícil, para quem está do lado de cá da barricada, ficar indiferente às cada vez maiores dificuldades dos doentes. É-nos difícil lidar com as alterações quase diárias na atribuição de isenções, ou nos critérios de transporte, ou na comparticipação de medicamentos. Isso sem contar com o verdadeiro big brother a que se está sujeito no desempenho da actividade.

O que interessa é que se deve, em nome da santa tróika, gastar o menos possível. Independe de guidelines ou linhas orientadoras interenacionais, isso nada importa. O que realmente importa, e o que este governo quer, é que os médicos curem com água, que os enfemeiros tratem com guardanapos, que os administrativos trabalhem com penas e que os auxiliares limpem com trapos e cuspo. 

Não quero ser carrasco neste novo holocausto proposto por uma espécie de nova Hécate. Não quero ser co-responsável pela morte de utentes ao cumprir normas rígidas desprovidas da maior arte da Medicina: o "bom senso". Talvez fugindo dessa responsabilidade se vejam partir, para paragens mais recionais e civilizadas, inúmeros médicos e enfermeiros, depauperando, assim, este luso rectângulo.
Resta-nos pensar em fazermos nós alguns sacrifícios. Sacrifiquemos políticos, banqueiros, especuladores. Sacrifiquemos essa corja em nome de Ares e Hades
Um holocausto de burgueses!