27 maio 2011
26 maio 2011
Pai sofre XVIII: Homem das Caldas
Antes de mais uma pergunta:
O que faz um homem das Caldas da Rainha depois de um dia de trabalho?
Novamente no cubículo escuro das ecografias, lá estava eu e a minha senhora. Era a 2ª, aquela a que chamam morfológica. Porquê? Porque se vêm os perímetros, o estômago, os rins, blá, blá,blá...
Embora tanto me fizesse ser menino ou menina, confesso que estava curioso para saber o sexo e que, confesso também, devido a já termos uma princesinha no nosso reino, havia agora espaço para um sapito.
"Boa tarde", disse o obstetra. "Vamos lá ver se está tudo bem".
Dado ter passado algum tempo numa maternidade estou +/- familiarizado com o branco e preto das ecografias obstétricas e ia identificando o que a sonda tentava mostrar.
"Ora, aqui está o coração", dizia o médico, "e aqui estão os rins"...
Parecia um piloto de aviação a "checar" os instrumentos.
"O perímetro abdominal, o bi-parietal, o yada, yada, yadal..."
"Ó amigo, já agora, mostra lá o que existe entre as pernas" pensava eu.
"Olhem aqui o fémur, o úmero, os dedos...", listava o homem.
"Pila, pila, pila..." desejava (sem trocadílhos, ok?) eu.
E um "glimpse".
Pensei: êlá, será que... esperaí...
Olhei para a minha grávida e sorri. Avistei um jogo de bilhar em miniatura, a saladinha de tomates e pepino, os kiwis e a bananinha, e um sem fim de trocadilhos patetas que só compreende quem passa pela coisa. Apeteceu-me dizer: "Máquecara##$".
"Bem, têm aqui um belo rapaz. Vêem, este é o escroto e este é o pênis".
Só pensava (dizer era capaz de ser constrangedor): "fiz uma pila, fiz uma pila, fiz uma pila!". E diga-se de passagem o que se via era uma bela duma pilinha, guardada por dois cojones de respeito! Para um gajo com experiência em fazer vaginas, aquele falo estava muito bem feito. Pronto, chega de auto-elogios.
Vai voltar a estar equilibrado cá por casa: dois homens e duas meninas; não quer dizer que saia a ganhar nas discussões...

Resposta à pergunta inicial do post.
Como este será, em princípio, o último que faço, direi o mesmo que um homem das Caldas depois de um grande dia de trabalho: "não faço mais nenhum cara#$%!!!"
24 maio 2011
Tudo doido?
Shame, shame
Lascívia me percorre o ser
Ao ver o corpo que me ofereces.
Toco-o como a um ídolo
E reconheço o seu odor.
Regozijo-me no seu esplendor
Percorrendo-o centímetro por centímetro,
perdendo-me aqui e ali.
Dou voltas, ando em círculos,
Para que o prazer que me propões
Seja infinito.
E caio ao chão, fatigado,
Mas em êxtase.
Venero o quanto te dás
E sacio-me mais uma vez em ti.
E o desejo perpetua-se…
22 maio 2011
Renascimento
Como têm tido a oportunidade de constatar, este espaço tem sido um pouco negligenciado, culpa da vida que nos impede, por vezes, de fazer o que gostamos.
Posto isto, venho hoje quebrar o enguiço criativo devido à paixão ao FCP.
Há cerca de um ano escrevi este texto. Nele descrevia o meu desalento pela época desastrosa protagonizada pelos mesmos jogadores que este ano fizeram a melhor temporada de sempre.
É incrível como se mudam as coisas em apenas 1 ano. É inacreditável o que acontece quando pegamos em 3 pessoas e as trocamos por outras 3 diferentes. No caso do FCP, bastou trocar um treinador principal (sem contar a equipa técnica), um defesa central e um médio centro e puff, criou-se uma das melhores equipes de sempre. Obviamente que esta última ideia é uma caricatura mas olha-se para o banco e vê-se um portista ferrenho no comando, o que faz uma diferença do caraças.
No entanto, o que mais me apraz neste sucesso talvez não sejam os títulos. O que mais me agrada é ver pessoas que se orgulham da camisa que vestem, que dão o litro, que não desistem, que não utilizam a violência dos antecessores, que não se saciam com apenas uma vitória, que não dão desculpas e que cantam com a massa...

Terminei aquele texto com a seguinte frase: "Que se encontre cura para as nossas maleitas e que possamos enfrentar os demais com a força de outrora". Encontramos a cura para algumas; outras lá continuam a morar e os títulos permitem que se tornem "transparentes" aos olhares dos incautos... o tempo há-de eliminá-las para aclarar cada vez mais as nossas vitórias.
Hoje, um título mais ricos, os portistas voltam a festejar. Este ano parece haver mais "S. Joões" (qual é o plural de João?) e os "suspiros" são por outros motivos.
Saudação De(s)portista!
14 maio 2011
Zunido
Estava deitado. Olhava para um céu negro nocturno de onde espiava uma lua minguante e envergonhada.
Tentou levantar-se para tentar compreender onde estava e o que se passava. Viu então muitos vestidos de igual e armados. Uns gritavam palavras de ordem e acenavam, outros apenas gritavam enquanto alguns caíam e não mais levantavam.
Deu-lhe então um click: “estou em combate!”
Tinha treinado para aquilo. Tinham-no tornado insensível, destemido, frio e impiedoso. Tinha sido dos melhores da sua turma; nenhum atirava como ele, nem tinha sua força ou destreza. Era um lutador terrível e todos o temiam.
E ali estava ele: o produto do que lhe ensinaram e do treino que o preparara para a guerra... mas aquilo era tão mais real.
Ao olhar para a frente da batalha pôde ver o corredor de fogo que iluminava a noite uns quilómetros mais à frente. De lá conseguia ouvir os gritos de horror e a colecção de últimos suspiros que ia crescendo à grande velocidade.
A custo, e também graças a empurrões vários do seu superior, foi avançando pelo terreno tornado irregular pela carne humana deixada para trás. Ouvia o zunido do enxame de balas que passavam ora ali e acolá; rezou pela primeira vez em anos…
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ foi o que ouviu antes de sentir uma força brutal, que o enviou ao chão uns bons metros atrás, seguida de uma dor lancinante que começou no peito e logo passou-lhe à alma.
Sentiu um gosto estranho na boca que o lembrou do tempo de pequenino quando lambia as feridas depois dos jogos de futebol.
Ouviu os pedidos do médico do pelotão enquanto sentia as mãos de um companheiro a segurar a sua e a pedir para se aguentar.
Já pouco se podia fazer e daquele jovem tornado Homem duro, rude, frio e temido, só ouviram mais uma pequena frase; uma pequena frase que dava sentido a tudo naquele momento:
“Eu quero a minha Mãe”
27 abril 2011
Mecanimais Vs Meganimais
Se os senhores do FMI não conseguirem resolver a nossa situação então há que recorrer aos Mecanimais!
(Para melhor compreensão, prestar atenção à última frase do genérico[aos 40'])
13 abril 2011
Aike

Aike
Era uma tarde copiosamente infernal de Agosto e sentia o vento quente a queimar-lhe a cara enquanto caminhava à beira mar. Acompanhavam-no, no passeio “molha-pés”, inúmeros idosos, aparentemente imunes ao melanoma, torrados, suados, enrugados mas sorridentes.
Tentava abstrair-se do cenário escondendo-se por trás de uns óculos espelhados e um boné dos Bulls. Distraía-se ao som da “Alive” que ouvia no Walkman® escondido num dos bolsos dos calções.
Era tímido mas gostava destes andares à margem marítima para “micar” as garinas. Andava à caça mas tinha pouco da arte da rapina.
Sentou-se. Começava a sentir os efeitos da resistência daquele solo e do brasido solar.
Concertou o rabo na areia enquanto virava a k7 para o lado B: “Jeremy”…
Viu-a sentada um pouco mais à frente. Ela era uma rapariga de tez alva, silhueta esbelta adornada por longos cabelos pretos e lisos.
Engoliu em seco: era uma oportunidade. Porque não arriscar? O que tinha a perder?
Levantou-se a custo e deixou-se ir, lutando com a irregularidade do chão e das pernas.
“Olá. Tudo bem?”
Ela ficou espantada a olhar para ele. Seus pequenos olhos negros pareciam dois enormes pontos de interrogação, uma cena parecida com os desenhos animados feitos no seu país.
“No entendo” respondeu em meio a risinhos escondidos por trás da mão.
“Speak english?” falou ele no seu inglês macarrónico.
“Yea”
Ele sorriu. Parece que o risco valera a pena.
Falaram durante muito tempo. Falavam sobre as diferenças culturais, sobre a gastronomia, sobre anime (que ele adorava), sobre música, sobre futebol…
Ele estava impressionado com a figura da moça: exótica, simpática e simples. Ela estava encantada com a maneira de estar dele e com seu sorriso.
Olhavam-se como se olha a ídolos.
“Say something in japanese” pediu o rapaz.
“あなたが面白いです” disse ela.
“What it means?”
“Say something in portuguese first” exigiu ela.
“Ok. Ai que ternura” disse ele.
“OMG. Are you a psychic or something?!” ficou incrédula.
“What? Why?”
“How do you know my name?”
“I don’t know your name.”
“You already said”
“No, I didn't. I don't know your name. You didn’t tell me. But now i'm curious, what is your name?”
Fez suspense: “My name is Aike. Aike Tenura”.
Aquele verão de 1994 foi o melhor de sempre.
03 abril 2011
Fomos maiores, mais fortes;
Fomos novamente especiais.
O Dragão cuspiu seu fogo;
Ele que veio do Norte
Para vergar os seus rivais.
Esqueçam lá as águias,
Esqueçam os leões e outros animais.
Nesta Selva de redondas contendas
Reinam outros mitos.
Separem já as águas!
Esqueçam os campeões virtuais!
O maior é o animal da lenda,
O nosso amor, por ele, é infinito.
Obrigado, Futebol Clube do Porto!!!
28 março 2011
Prata
23 março 2011
as do crocodilo
21 março 2011
O pão nosso de cada dia
Vou dar como exemplo uma anedota, da qual gosto muito (e talvez muitos já conheçam), que reflecte o meu dia-a-dia no Centro de Saúde:
"Jesus Cristo, ao ver no que o mundo se tornara, resolve encarnar novamente. Pondera muito o local e a profissão que desta feita escolheria e, depois de estudar minuciosamente todas as alternativas, decide-se por voltar à terra sob a forma de Médico de Família em Portugal.
Escolhe, para início da nova empreitada, um Centro de Saúde com algumas condições, num distrito qualquer do território nacional, indo tomar, como seu, um ficheiro de utentes há muito sem clínico atribuído.
Jesus chama, então, o seu primeiro utente: o Sr. Manuel, um utente paralítico, sequelas de um acidente de viação.
Jesus cumprimenta o doente e, ao vê-lo naquele estado, coloca a palma da sua mão na testa do homem e diz:
"Levanta-te e anda!"
O Sr. Manuel levantou-se, agradeceu e caminhou porta fora.
À saída, um seu amigo, Sr. Joaquim, pergunta-lhe:
"Atão, Manel, como é o médico novo?"
"Ópa, sempre a mesma merda, nem a tensão o gajo me mediu, vê lá!"
E é isso, é difícil... mas, por enquanto, continua a dar um gozo do caraças!
14 março 2011
PECados

Papa Bento XVI: "Irmãos, um caloroso abraço aos irmãos portugueses. Faço um apelo ao Ministro das Finanças daquele país: por favor, irmão Teixeira, não PEC mais; está difícil interceder por si junto do Senhor..."
12 março 2011
10 março 2011
O verdadeiro Dr.
08 março 2011
♀ = + Cones?
Ela: olha, dá-me essa almofada bege.
Eu entrego-lhe uma almofada dentre milhares d'outras.
Ela: não é essa! Não vês que essa é amarela?
Eu: amarela? a sério?
Ela: dá-me essa do lado?
Eu: esta branca?
Ela: branca não, bege!
Eu: ... ok, dou-te esta branca-amarelada.
De certeza que as mulheres tem mais cones que os homens (eu falei cones!)...
Reclamar
Estive ontem a ver este filme e lembrei-me do tempo em que o espiritismo esteve mais presente na minha vida.
Naquele tempo, enquanto miúdo, uma das lições que a doutrina tentava passar era: "não reclamar".
"Não reclamar" é diferente de "não lutar pelos direitos e por uma vida melhor".
"Não reclamar" refere-se às coisas fúteis e banais, coisas que queremos, que são totalmente supérfluas, em detrimento das que já temos e que são perfeitamente úteis e suficientes. "Não reclamar" por não ter mais matéria. "Não reclamar" da família, do trabalho e, principalmente, da vida.
"Não reclamar" e tentar crescer como pessoa. Trabalhar, estudar, ajudar e ser melhor, a cada dia. Essas foram as mensagens que aprendi naqueles dias e que, infelizmente, se foram diluindo ao longo do tempo de afastamento.
Ontem enquanto via esse filme lembrei que tenho reclamado (e muito) nestes últimos tempos. Parei para pensar na minha vida e vi egoísmo, preguiça e revolta... há que trabalhar para alterar... há um longo caminho...
Sei que alguns que me visitam neste espaço são cépticos. Convido-vos a ver este filme (ou ler o livro com o mesmo nome) de mente aberta, nem que seja por diversão cinematográfica. Espero que sirva, mesmo que o encarem como ficção, para que possam pensar se estamos, ou não, no caminho certo.
Deixo uma mensagem de Chico Xavier:
A Vida te coloca onde você escolheu estar...
"Nasceste no lar que precisavas.
Vestiste o corpo físico que merecias.
Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.
Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.
Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.
Teus parentes e amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.
Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas, tudo aquilo que te rodeia a existência.
Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos, atitudes, são as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivencial.
Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta,
Busque o bem e viverás melhor."
Francisco Cândido Xavier
06 março 2011
Pai Sofre XVII: minha Alice
Minha filha caminha pela sala com uma fantasia que a mãe lhe comprou: Alice.
Alice caiu no país das maravilhas; assim caí eu ao vê-la. Fui transportado pela sua inocência, em conjunto com o fim-de-semana, para o seu país.
No país da minha filha “Alice” não existe pressão, não existe desemprego, a comida vem ter à mão, o banho vem acompanhado por carinho, é-se limpo, mimado, amado e posto a dormir ao som de um “boa noite” meloso e verdadeiro. No seu país, todos sorriem à sua passagem, riem-se às suas tentativas de articular as palavras ou da sua forma engraçada de andar. No seu país ela é o centro do universo.
Tive inveja, por segundos, ao vê-la correr sorridente pela casa, segurando qualquer brinquedo na mão, cheia de esperança e vivacidade. Inveja pela ignorância do que o mundo realmente é: pouco maravilhoso. Viver assim, no desconhecimento do que nos rodeia, deve ser muito bom. Tudo é descoberta, tudo é realmente fantástico e maravilhoso, mesmo que a aprendizagem inclua algumas quedas e outras dores esporádicas. É pena que são, exactamente estes, os anos dos quais nos esquecemos.
Gostava de mantê-la assim: escondida do mundo real. Mantê-la no seu mundo inocente onde os gatos falam e as cartas não se jogam a dinheiro. Gostava de a manter nessa utopia da infância, protegê-la dos monstros, dos mentirosos, dos políticos, dos religiosos. Gostava de a escusar da violência que abunda pelo mundo. Gostava escondê-la deste pai actual: triste, desanimado e preocupado com o seu futuro e do seu(sua) irmão(ã) que ainda está para chegar.
Até terça-feira é Carnaval. Nada se leva a mal. Vou manter-me a aproveitar do mundo maravilhoso da minha filha “Alice”, aquele farto em riso, pureza e paz. Vou beber dessa esperança doce que ela traz no abraço. Vou descansar minha cabeça no seu colo e sorver todos os seus “miminhos acelerados”. Vou comunicar no seu idioma ininteligível (para alguns). Vou ver bonecos na televisão e cantar canções tolas. Vou ser feliz. Vou ser o seu “Cheschire Cat”.
Vou "orar" para que o tempo passe devagar e que não encontre o túnel de volta ao mundo pouco maravilhoso.
Também para o desafio "violência" (mas não muita, que já estamos a ficar fartos) para a "Fábrica de Letras":

14 fevereiro 2011
Fim do fenómeno
Quem era aquele miúdo? Mais um puto arrancado aos baldios do Brasil, onde proliferam artistas da bola. A partir deste jogo passei a conhecer um dos maiores jogadores de sempre.
Pouco depois, Ronaldo foi para a Holanda e iniciou a sua carreira europeia. Mudou muito, ganhou massa muscular, ficou ainda melhor jogador. Quem gosta de futebol lembra-se perfeitamente de 2 golos "fenomenais" do tempo em que jogava pelo barça. Era uma força da natureza!
Agora acabou-se. Ficam na memória as grandiosas fintas e as alegrias de 2 mundiais dados ao Brasil.
Ronaldos podem existir muitos, uns com diminutivos ou com um "Cristiano" à frente, mas "Fenómeno" só existiu um.
Eu, que gosto muito de futebol, agradeço.
27 janeiro 2011
Deus me livre... deles!
Pé-ante-pé, em silêncio, fui ver quem seria através do "olho mágico" da porta.
Eram 2 pessoas; um casal de engravataditos com livros grossos junto ao sovaco: Testemunhas de Jeová.
Ainda pensei em não abrir a porta, mas não resisti.
- Boa tarde, disse eu.
- Boa tarde, jovem. Teria tempo para uma conversa? Disse o senhor polidamente.
- Depende do que seja.
- Gostaríamos de falar sobre Deus.
- Ah, ok. Mas, peço desculpa, não estou interessado. Obrigado e boa tarde.
Antes que fechasse a porta, a menina que o acompanhava, insatisfeita pela ovelha desgarrada, ainda teve tempo para mandar uma pequena farpa, como que numa última tentativa de vender o seu peixe:
- O Sr. não acredita em Deus? "Amandou-ma" com um sorriso semelhante ao do domador de felinos de um circo qualquer.
- Acredito em Deus sim, menina - disse eu calmamente - não acredito é em vocês... tenham uma boa tarde.
Benza Deus! Saravá meu Pai!
20 janeiro 2011
TV cabo Vs Catsone (indirectamente)
Trim-trim... trim-trim...
SQVC: Estou.
TV Cabo (TVC): Está? Estou a falar com ...?
SQVC: Sim. Quem fala?
TVC: Meu nome é fulana e represento a TVcabo. Gostaria de falar consigo sobre os nossos produtos.
SQVC: Da TVcabo? Bem...
Eu: Hã. Passa-me o telélé! Anda.
SQVC: Tá quieto. Bem, eu já sou vossa cliente, mas o contracto está em nome do meu marido.
Eu: Ó caraças, passa-me o telefone. Tenho uma boa para lhes pregar.
TVC: Peço imensa desculpa. Uma boa tarde e desculpe o incómodo.
SQVC: Não há problema. Boa tarde e um bom trabalho.
Eu: O QUÊ???? "BOA TARDE E UM BOM TRABALHO"???
Detesto gentinha educada.
19 janeiro 2011
Sacanas
Agora recebo-o via email...
Sacanas!!!
18 janeiro 2011
Impotência
Os produtos inflacionam.
Os combustíveis sobem.
As injustiças crescem
O desemprego escala.
A insatisfação vai ao ar.
A ansiedade dispara.
A tesão da malta desce, mirra, míngua, desaparece, desvanece, vai-se embora: o viagra® teve a comparticipação e está caro comó caral, ops, caraças!
Só o governo ainda tem força na verga para continuar a fornicar e, apesar da idade entradota da república, a sodomia é diária.
16 janeiro 2011
A das bananas
"Qatar: Amado diz que terá sido discutida a venda de títulos aos investidores" Expresso
"Acordos com Pequim avançam com venda de dívida pública e visita do BCP à China" Público
"Sucesso na venda de dívida não afasta recurso ao FMI" Económico
Já imagino o Sócas na feira:

Entretanto o Sr. Prof. Marcelo fez a sua papagaiada semanal a partir de Cabo Verde. Terá ido visitar o Dias?
15 janeiro 2011
Será possível?
Na primeira volta, fizemos 28 pontos e agora, dos 45 possíveis, queremos fazer 46. Será difícil, mas só há uma maneira, ganhar..." Conferência de imprensa de Paulo Sérgio, treinador do SCP, in O Jogo
Ó amigo Paulo, 46 pontos em 45 possíveis? Não, não é difícil...
Gosto da expressão do Riquelme, parece a minha quando ouvi esta frase.
11 janeiro 2011
Constatação
08 janeiro 2011
Honesty
Honesty
Ele era honesto. A sinceridade era uma das suas principais virtudes.
John vivia em Sidney e desde criança teve problemas com os outros.
Não suportava a mentira, a falsidade e o vira-casaquismo.
Na escola era o alvo dos colegas. Vivia levando nas trombas porque era incapaz de ficar calado e os mais velhos amaciavam-lhe a carne. Respondia a alguns professores desvendando-lhes a ignorância. Tinha as suas próprias opiniões e as expunha sem pruridos… e levava mais um pouco. Ao chegar à casa mais uma saraivada de miminhos acelerados perante os resultados escolares.
Os feios batiam-lhe quando dizia que eram feios. Os bonitos chegavam-lhe a roupa ao pêlo quando dizia que eram falsos. Os gordos e velhos não chegavam a bater-lhe porquê John era um óptimo corredor.
Nunca teve sucesso com as miúdas. Gostava de dizer que ficavam pirosas com certas pinturas, ridículas com algumas roupas e estúpidas com determinadas companhias. A sua cara era destino certo de algumas mãos mais revoltadas e os lábios nunca encontraram seus semelhantes.
John passou grande parte da sua vida desempregado. Tinha grande dificuldade em adaptar-se a trabalhos escravos, em lamber-botas e ficar em silêncio perante as injustiças/mentiras de patrões e sindicalistas. Era insultado pelo chefe e ostracizado pelos camaradas; os patrões ignoravam-no até o dia de o despedirem.
Nunca foi bem recebido em qualquer comunidade. A muçulmana quase o matou quando John criticou o fundamentalismo. A católica o esconjurou quando ouviu a sua opinião sobre as cruzadas, a inquisição e a oposição à camisinha. Os indianos e paquistaneses ofenderam-se sobre a dissertação relativa à Caxemira. Os portugueses voltaram-lhe as costas quando opinou sobre os bigodes, barrigas fartas e as cusparadas pró chão. Os italianos atentaram contra sua vida quando disse que preferia a massa grossa da pizza. Os australianos, os chineses, os africanos, pura e simplesmente ignoraram-no…
Mesmo ele irritava-se quando se olhava ao espelho e opinava sobre o que via. Muitas vezes sofreu por se criticar a si próprio mas, passados alguns anos, entendeu que isso o fazia crescer como indivíduo.
John nunca votou, nunca cumpriu o patriótico serviço militar, nunca teve religião, nunca foi a um jogo de futebol, nunca gostou da grotesca "arte" tauromáquica, nunca deu importância ao dinheiro: nunca foi normal.
Nunca entenderam a sua forma transparente, pura e verdadeira de estar na vida.
Um belo dia, decidiu fugir de Sidnei. Resolveu abandonar a terra cuja beleza o encantou desde pequenino. Resolveu ir para um lugar onde o sol e o mar se mantivessem seus companheiros.
Veio desembarcar num pequeno aeroporto do sul de Portugal. Instalou-se em Vila Moura e lá criou um pequeno restaurante onde a sinceridade e honestidade seriam a alma (e o slogan) do negócio.
Afinal a honestidade compensa: John ficou rico.
Nota: história fictícia mas imagem verdadeira (tirada com o meu telemóvel em Vila Moura).
Furto
Ou como dizer "sacamos mais aos totós do que esperávamos", "afinal o roubo compensou" e ainda "e não é que os gajos bem espremidos deitam bom dinheirinho?" duma forma mais polida, subtil e intelectual.

04 janeiro 2011
Belo futuro
O que se passa em casa influencia muito o desenvolvimento da criança, da sua personalidade... e do seu carácter.
Lembro-me de putos asneirentos, mal-criados e sujos; passado algum tempo, e ao ver o familiar, penso: "só podias ser tu o pai deste estafermo!"
Já há algum tempo escrevi sobre as temíveis musicas infantis e, associando à treta que escrevi logo acima, apresento este vídeo "infantil":
Num país de gente que produz pouco, que ganha pouco, em crise de identidade, a necessitar de bons exemplos, estamos a "ensinar" a fina arte da vagabundagem logo de tenra idade? Querem ver que estamos a precisar de mais políticos e líderes sindicais, não?
Está uma casa bem arrumada, está!
31 dezembro 2010
16 dezembro 2010
Pai sofre XVI: Esperanças renovadas
Chamaram-nos.
Pé-ante-pé fomos atrás daquela bata branca. Conversávamos trivialidades pois a senhora era minha conhecida da faculdade. Nós retribuíamos sorrisos ansiosos, de cortesia, já que nossa mente estava noutra.
Ela deitou-se na marquesa e olhou-me por segundos. Pôs-se o mais confortável que pôde e respirou fundo. Uma inspiração de nervosismo. Eu fiquei ali, com um olho nela e outro na máquina, com a esperança vã de compreender o preto-e-branco da tela.
A técnica pegou no aparelho e começou a fazer a pesquisa. Com os olhos fixos no ecrã, procurou o nosso tesouro.
Alguns segundos de demora e lá estava ele. Um pequeno ser mostrou-se, pela primeira vez, àqueles que, sem saber, o criaram.
"Querem ouvir?", perguntou a médica; "olhem, olhem"
Tum-tum, tum-tum, tum-tum (viva o doppler!)
"Já bate!"
Aquele já bate e o meu ia parando...
Vai começar tudo novamente e não existe adjectivo para descrever o que se sente.
Nota: aproveito este post para minha participação no desafio "... e acontecimentos" da Fábrica de Letras
27 novembro 2010
Desconectado

Quando menos se espera ficamos a perceber que a internet ocupa mais tempo do que devia nas nossas vidas. Percebi isso agora que cancelei o contrato que me unia a uma pequena e antiquada "banana" de net móvel.
Ficar sem ligação a este mundo virtual é como permanecer no limbo: não se tem informação instantânea, não se tem contacto com alguns amigos, não se chega ao "correio"....
Até ao momento continuo sem ligação (isto é apenas uma abébia wireless que apanhei pelo ar) e sinto-o como um drogado a injectar sua droga necessária.
Preciso de algum tempo de abstinência para depois voltar ao ataque... com uma ligação melhorada e mais barata!
24 novembro 2010
13 novembro 2010
Prémio

«O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.
Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web»
Fico muito lisonjeado dado vir de quem vem e agradeço o gesto.
No entanto, este prémio tem regras. Regras são coisas às quais não me adequo muito bem, mas vou (tentar) cumprir:
As regras:
- Exibir a imagem do Selo no blogue: check!
- Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prémio: check!
- Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar: todos os da barra "concorrência". Não é para despachar mas sim porque considero que "demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras." e só por isso os tenho comigo neste meu espaço.
Bom fim-de-semana a todos
11 novembro 2010
07 novembro 2010
01 novembro 2010
O que serei?
Nota: acho que dava uma boa música rap...
Sou ainda criança
E perguntaram-me:
“O que queres ser quando fores adulto?”
Pensei e disse:
“Não quero ser professor
Porque não seria respeitado.
Não quero ser médico
Porque tenho medo de advogados.
Não quero ser artista,
Aqui não existe arte
Só se vê lixo, na televisão
Na rádio, em toda a parte.
Eu decidi, não serei polícia
Porque seria mal compreendido,
Seria obrigado a multar
Em vez de prender um bandido.
Não quero ser jurista,
Teria desgosto no tribunal,
Lutaria por justiça
Mas não há justiça em Portugal,
Quem é réu faz o que quer
E amanhã é 1ª página do jornal.
Não quero ser pedreiro,
Serralheiro, pasteleiro,
Carpinteiro, carniceiro,
Carteiro ou outro “eiro”,
Pra quê? Trabalhar tanto
E não ver a cor do dinheiro?
Olho pr’os meus pais
Que trabalham o dia inteiro
Para satisfazer meus anseios
E no fim falta sempre mais.
Teria medo de ser operário
E viver no fio da navalha,
O governo joga a rede
Mas só o pequeno fica na malha.
Não quero ser bombeiro
Perder-me nas chamas dos Agostos.
Não quero ser comerciante
E viver para pagar impostos.
Não terei qualquer profissão,
Qualquer diploma ou ofício,
No país que tenho hoje
Todo o saber é um desperdício.
Não quero ser padre
Porque minha fé é verdadeira.
Não quero ser crítico
Não gosto de dizer asneiras.
Também não serei escritor
No país que esqueceu Camões e Gil Vicente,
Preferem falar inglês
Em vez de português fluente.
Não quero ser digno
Porque seria um otário,
Num país que ama o desonesto
E o conto do vigário.
Ainda não decidi o que quero ser,
Falta ainda muito tempo,
Espero que ao crescer
Não aumente meu desalento,
Ver meu país a perder
A corrida do desenvolvimento
E contentar-se em ser pequeno
Perdendo-se num sentimento
De inferioridade quase obsceno”.
Não, não sei o quero,
Não me apressem
Que sou apenas uma criança
E no futuro quero lembrar-me
Que pelo menos tive infância.
30 outubro 2010
Voltar para casa
Trabalhar longe de casa influencia as outras vertentes do meu mundo e isso reflectiu-se nos textos que escrevi aqui. Basta ver os textos sobre saudade ou sobre as viagens até ao destino de trabalho.
Ficar a semana toda longe de casa exige muito de quem, como eu, é apegado à família. Traz, no entanto, uma coisa boa: o reencontro.
Se tudo já era difícil, agravou-se ainda mais com o surgimento da minha menina. Perder alguns passos na sua evolução é algo que nem todo o dinheiro do mundo poderia pagar.
Há pouco mais de 3 meses escrevi este texto, no qual relatava a minha metamorfose de interno para especialista de Medicina Geral e Familiar. Esta passagem tinha uma dupla importância: 1º - mostrava uma evolução como profissional; 2º (e mais importante) representou a oportunidade de mudar para um local mais próximo de casa.
Depois de um concurso absurdo, protagonizado pelo Ministério da saúde e seus capangas da ARS, esta semana que passou foi a semana da decisão. Foi nesta última quarta-feira que decidi meu futuro local de trabalho.
Após uma burlesca reunião com alguns (verdadeiros e puros) funcionários públicas daquela última instituição, chegara a hora da escolha. Uma a uma as vagas foram sendo escolhidas e aproximava-se a minha vez...
Tudo isto só para dizer que, após 5 anos de distâncias, de viagens, de encontros relâmpago, de imensa saudade, estou, finalmente, voltando para casa!
Mas vou ter saudades na mesma...
27 outubro 2010
Guerra dos sexos (repost)
Ela: "- Olha, uso um eyeliner ou não?"
Eu:"?"... hum... hã... na sei! E eu, uso extremos ou vou com um 4-4-2?
Ela: "?"...
26 outubro 2010
Tv Cabo vs Catsone
TV Cabo (TVC): "Bom dia!"
Eu: "Sim?"
TVC: "Aqui fala Fulano. Represento a TVC e gostava de falar com o Sr. Catsone?"
Eu: "Gostava?"
TVC: "Sim."
Eu: "Já não gosta mais?"
TVC: "Sim, pois, ainda gosto..."
Eu: "Mas o Sr. o conhece?"
TVC: "Pessoalmente? Pessoalmente não."
Eu: "Mas gosta dele. Há coisas do catano, não é verdade?"
TVC:" Pois... bem... é com ele que tenho o prazer de estar a falar?"
Eu: "Elá, o Sr. Fulano está a ter prazer comigo?"
TVC: "Ah, ah. Bem disposto."
Eu: "Na verdade não muito. Ando com uma azia do camandro e uns arrotes azedos. Deve ser duma úrsula que trago no duodenes."
TVC: "Desculpe, mas é o Sr. Catsone quem fala?"
Eu: "Perdão, é ele sim."
TVC: "Como estava a dizer..."
Eu: "Está."
TVC: "Como?"
Eu: "O quê?"
TVC: "Não estou a entender..."
Eu: "Você disse que está a comer."
TVC: "Como?"
Eu: "Está a ver. Quero lá saber que o Sr. Fulano esteja a comer?"
TVC: "Desculpe-me, mas parece haver aí algum mal entendido."
Eu: "Onde?"
TVC: "Onde o quê?"
Eu: "Procurei pela sala e não encontrei qualquer mal-entendido."
TVC: "Queria dizer que deve haver alguma confusão."
Eu: "O que é que quer? Hoje faltou-me a mulher a dias!"
TVC: "Ó Sr. Catsone, queria dizer que esta conversa está um pouco confusa."
Eu: "Realmente, este telefonema está um pouco confuso, está. Mas a culpa é sua, não é? E o cliente tem sempre razão. Mas recomece lá a ladainha."
TVC: "Bem, vai me desculpar, mas não é ladainha..."
Eu: "Peço desculpa, se calhar fui um pouco rude. Ladainha não... lengalenga."
TVC: "Ok, Sr. Catsone, como queira. Como estava a dizer..."
Eu: "Está?"
TVC: "Estou?"
Eu: "Parece que sim, pelo menos estou a ouvi-lo."
TVC: "O Sr. Catsone está a brincar comigo?"
Eu: "Brincar consigo? Mas estou a falar para alguma linha erótica? Eu não brinco com qualquer um, compreende?"
TVC: "... desculpe. Isto não está a correr muito bem. Não se importa que liguemos mais tarde e falava com um meu colega?"
Eu: "Importo-me, sim senhor! Agora que começava a gostar de si quer empurrar-me para outro? Vocês são todos iguais!"
Tum-tum-tum-tum
23 outubro 2010
Os monstros
Ao ver aqueles dois grupos de patet - opá não sei o que se passa comigo hoje - políticos, lembrei-me de uma cena do (grande) "Monsters Inc":
O problema disto tudo é que eu confiaria muito mais numa equipa liderada por "Mike" e "Sully" do que pelos nossos monstros e dinossauros lusos...
20 outubro 2010
Vossa Excelência
Citando eu mesmo: "Político é igual em todo lado: em Portugal, no Brasil ou na Puta-que-os-pariu!"
Vossa Excelência
Titãs
Composição: P. Miklos, T. Bellotto, C.Gavin
Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Senhores! Corrupto! Ladrão!...
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...
Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Bandido! Corrupto
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!...
-"Isso não prova nada
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos
De tomar nenhuma decisão
Vamos esperar que tudo caia
No esquecimento
Aí então!
Faça-se a justiça!"
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...
-"Estamos preparando
Vossas acomodações
Excelência!"
Filha da Puta!
Bandido! Senhores!
Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!...
19 outubro 2010
O mundo de Sócrates
No seu mundo multiplicam-se as luzes e as cores e as pessoas enxugam as lágrimas.
Nesse lugar, a principal virtude é o optimismo e a principal actividade é a representação.
Enquanto fala não existe desemprego, doença, violência, injustiça, pobreza, inflação e o défice existente é o de boa disposição.
No mundo de Sócrates tudo é cor-de-rosa: os sonhos, a vida, o rosé, o 2º equipamento do SLB, o xarope para a tosse, o nariz e os processos judiciais.
No mundo de Sócrates a oposição, que contracena com ele, não tem juízo. Criticam por criticar, não são responsáveis, não têm ideias, não têm princípios. Se se importassem com o mundo de Sócrates aprovavam todos os devan… perdão, todas as suas ideias, propostas, ilusões e malabarismos.
Sendo Sócrates o actor principal procura sempre ficar por cima dos outros protagonistas.
No mundo de Sócrates acontece tudo segundo o seu guião. Todos os que são contra a actuação de Sócrates não são responsáveis e patriotas. Todos os que não comungam das suas soluções mirabolantes são ignorantes, fascistas e mal humorados. Se Sócrates aprova de certeza que é bom para o país. É um dogma a decisão de Sócrates.
No mundo de Sócrates tudo é incrível; tudo é indescritível.
Nesse mundo não há tristezas, pelo contrário, a alegria é contagiante. Sócrates transmite risos e boa disposição.
O mundo de Sócrates é o circo…

18 outubro 2010
Pai sofre XV - Canções de encantar?
Com o 1º aniversário chegaram as prendas em forma de dvd's musicais e, agora, a moça anda viciada naqueles bonecos estranhos que tentam traduzir o que as músicas querem transmitir. Qual ditadorazita, já tem o monopólio do quadrado mágico cá da casa.
Durante a minha longínqua infância ouvia meus pais e avós cantarem o "atirei o pau ao gato". Sempre achei essa uma música de mau gosto. Apesar de não gostar de gatos, não sei o que o bicho fez para que alguém lhe tentasse matar à paulada.
Hoje, os miúdos não só ouvem como vêm essa tentativa de gaticídeo: num vídeo, muito mal feito, um gato desvia-se na hora H de um toro sabe-se lá atirado por quem.
Nesse mesmo vídeo vê-se uma espécie de pulga a morder o pé a uma menina. A tal pulga é chamada maldita, provavelmente por ter consigo a Yersínia...
"Se calhar devo estar a fazer uma tempestade num copo d'água. Vamos lá passar ao seguinte"...
O seguinte é sobre um sapo que tem frio e atravessa uma ponte. A ponte treme e faz com que o sapo caia na água onde é degustado por um jacaré. Tudo isso enquanto a mulher o espera em casa, a fazer rendinha para o casamento. Isso dá um belo enredo para uma novela da TVI.
Aliás os sapos são sempre uns tristes nestas músicas, uma segunda canção com o tema "batráquios" refere a existência de um desses bichos que, para além de ser feio e malcriado, tinha a boca torta.
Um outro fala sobre um galo que cantava muito bem mas que desapareceu sem saber para onde e sem deixar rasto (virou cabidela?).
Depois surge o de um pintinho que subiu a uma pedra, caiu e levou uma palmada da Dª Galinha. O gajo cai, parte-se todo e ainda leva na tromba? Isso, em certos países, dava direito a queixa para a CPFP (Comissão de Protecção de Frangos e Pintainhos).
Mais uma e surge a história do Cravo que brigou com a Rosa, numa clara alusão à violência doméstica, um flagelo no país das musiquinhas infantis.
Ainda uma música do Avô Cantigas... e depois isto:
Que susto!!!
Comecei a ficar preocupado com o conteúdo de violência destas canções e, se tudo já era medonho, não sei explicar o que pensei ao ouvir a música com a seguinte letra:
no alto daquela serra
está um lenço
está um lenço a acenar
Está dizendo viva viva
está dizendo viva viva
morra quem
morra quem não sabe amar
Vou mas é comprar uns filmes do Chuck, Seagal, Stallone e Van Damme: parecem-me ser bem mais inofensivos...
Adenda: por falar nestas músicas, lembrei-me de uma versão da "Ó Rosa arredonda a saia" que a minha senhora quer que eu evite de cantar perto da nossa moça. Essa versão reza assim:
Ó Rosa não sejas chata
Ó Rosa arredonda a saia
Que a gente quer ver-te a rata"
13 outubro 2010
Lenda
Para o desafio "O cheiro da chuva" da Fábrica de Letras:

Há muito que não chovia no sertão. Nem uma pinga d'água despejada por São Pedro nos últimos 15 anos.
Naquelas bandas poucos insistiam em cavar terras que há muito deixaram de fazer nascer o que quer que fosse.
O rio sem nome, que cortava a cidade, era um fóssil que deixara de alimentar poços, hortas e expectativas.
A única água do lugar provinha das gotas de suor das gentes que teimavam em cultivar a única coisa verde que ainda existia: a esperança.
Diziam ser maldição adquirida durante as últimas chuvas. Naquela altura chuvadas abundantes quase apagaram a pequena cidade do mapa. Muitos pediram pelo fim da calamidade: oraram, fizeram promessas, imploraram aos céus para que as águas cessassem e elas cessaram… para sempre.
Francisco apareceu nessa enchente. Vinha embrulhado, em tecidos toscos e rasgados, dentro de uma caixa de madeira usada para transportar frutas. Ninguém nunca soube de onde viera o menino e muitos imputavam nele parte das culpas.
Foi adoptado por um casal jovem, ainda sem filhos. Deram-lhe guarida quando todos o queriam devolver às águas do agónico rio da cidade. Resolveram criá-lo, na esperança de que Francisco pudesse ser a cura em vez da doença.
Francisco carregara o fardo de maldito ao longo da infância. Se vissem nuvens carregadas ao longe e as mesmas desaparecessem, Francisco já sabia o que lhe aconteceria e corria para a casa de barro dos pais.
As outras crianças ostracizavam-no. Desejou, por muitas vezes, desaparecer tão misteriosamente como aparecera.
Então, numa copiosa tarde soalheira de Dezembro, uma família retirante chegou à cidade. A família Silva era composta pelo casal e seus 6 filhos. Caminhavam há semanas pelas terras secas do sertão e procuravam descansar por uns tempos no lugarejo. Diziam estar de passagem e que a estadia seria breve.
Nessa trupe nómada morava Etelvina, uma menina de olhos e cabelos negros, pele queimada do sol, que conquistou o triste coração de Francisco.
Os dois conversavam durante horas, sentados às margens do rio seco, observando os montes que cresciam no horizonte longínquo.
Ela falava-lhe das paisagens agrestes que conhecera, do calor abrasador do dia e do paradoxal frio da noite, da fome, da sede, da solidão de uma viagem sem rumo ou destino. Falava-lhe do passado e imaginava um futuro um pouco melhor.
Francisco ouvia-a, apaixonado. Sentia uma comichão estranha que lhe percorria o físico sempre que ela lhe lançava o olhar. Sorvia-lhe cada palavra e saciava o espírito com o seu riso.
Nunca se sentira assim. Por momentos esquecera de onde estava. No seu campo visual não cabia nada que não fosse aquela menina, qual imagem de santa aos olhos do pagador de promessas.
Sentia o corpo a responder de formas estranhas: taquicardia, polipneia, visão turva, mania e uma sensação avassaladora de plenitude. Com Etelvina tudo podia, tudo conquistava, tudo era melhor, não era mais maldito.
Na flor dos seus 15 anos, Francisco sentia-se cada vez mais viciado e precisado da sua dose diária de amor...
Tal como prometido, a família levantou ferro e partiu pouco tempo depois. Foi-se embora ainda o sol era um esboço no céu limpo do sertão.
Francisco, que sonhava com Etelvina, não estava preparado para esse pesadelo.
Ao saber da partida inesperada dos Silva, também Francisco partiu. Fugiu para o isolamento em direcção aos montes, seguindo o rasto do extinto rio e deixando para trás a maldição que residia naquele lugar.
As pessoas vieram a correr. Todas gritavam, agitadas, em estado de ansiedade descontrolada. Anunciavam que o rio voltara a correr, que se fizera um milagre: o rio voltara a nascer sem sinal de pinga do céu, sem o vento e o cheiro característicos da chuva.
Declararam ser um rio de água salgada e baptizaram-no de Rio São Francisco.
Luís Fernandes Lisboa ®
09 outubro 2010
365
Nota: este post vem com mais de uma semana de atraso
Há 366 dias atrás eu não era o que sou hoje. Não era Homem por inteiro, não me conhecia na totalidade, não estava completo.
Há 366 dias pensava eu ter medos: medo da morte, medo da perda, medo de coisas banais.
Há 366 dias achava-me um ser feliz e conhecedor do amor mais puro e profundo.
Há 366 dias tinha certeza de que nada poderia ser mais valioso do que aquilo que possuía.
Há 366 dias não me entendia como indispensável e dava um valor relativo à minha vida. Há 366 dias era apenas mais um.
Há 366 dias atrás o mundo era diferente... tão imensamente diferente...
Tudo mudou há 365 dias.
Atingi a plenitude.
Entendi o que é ter medo, um medo real, imenso e desconcertante, principalmente o medo da perda.
Compreendi que a felicidade não tem limites e é passível de grandes incrementos.
Percebi que, afinal, sou importante e indispensável para a manutenção do bem-estar de alguém ainda mais importante do que eu.
Vi que tudo o que tinha não era nada comparado ao que tenho agora.
E, principalmente, conheci um amor diferente, irracional, inesgotável, inimaginável e tão profundo que não se percebe de onde vem. Um amor que nos molda o espírito e nos muda para sempre.
Há 365 dias completei-me... por agora, quem sabe, num futuro a médio prazo, me possa completar mais uma vez.

01 outubro 2010
Mezinha
Resolvia-lhe o assunto, Sr. Ministro das Finanças: uma cajadada nas têmporas e via se não dormia com os anjos... era remédio santo.







