06 agosto 2009

Rotina veranista

O tempo é feito de rotinas. Passados alguns dias de férias, também estas estabelecem uma rotina.

7:30 - Acordar
7:35 - Ir ao mercado comprar sardinhas para o almoço
8:00 - Pequeno-almoço
8:10 - Praia
11:00 - Sair da praia
11:15 - Piscina
13:00 - Sardinhada
14:00- Ócio
16:30 - Piscina/praia
18:00 - Tostas mistas + Caipirinha(s)

18:15 - Piscina
20:00 - Saladinha
21:00 - Sueca
1:00 - Caminha

No fim, vou precisar de mais uma semana para recuperar...

04 agosto 2009

Homo cetacea algarvius

Estranho país este Allgarve.

Eu adoro minha profissão. Ser o que sou foi sonho infantil concretizado. Mas existe um local no qual me sinto mal, por vezes, em ser médico. Esse lugar, que me desperta esse diminuto arrependimento, é a praia.
Nunca gostei muito de ir à praia. Muita areia, água fria, sol abrasador, constituem ingredientes de uma receita que não me agrada muito. Mas acabo por ir por não depender só de mim. Para além disso, deve ser somado o facto de a minha tez ser cândida como a neve e, após alguns minutos de exposição solar, mesmo às 7 da manhã, ficar vermelha como uma malagueta.
Mesmo assim, com todos os estes inconvenientes, vou. No entanto, gostava de ir à praia sem me preocupar com a saúde dos outros e é aí que "sofro". Tento "impingir", aos que me acompanham, as regras para uma segura utilização praieira. O problema é que não posso fazer o mesmo aos outros milhares que me avizinham.
Se pudesse escolher uma palavra, para utilizar como sinónimo de praia, escolhia "banha". Toneladas de banha é o que se vê a pavonear-se nas margens do Atlântico. Não tenho nada contra as pessoas obesas, absolutamente nada. Acho espectacular que assumam o corpo que têm e é sinal de que estão bem com eles próprios. Volto a repetir que o problema é meu. Fico com comichão quando vejo uma rapariguita de 8 anos com a barriga a tentar escapar por todas as frestas do biquini ou "maiô". Fico a calcular IMC's e anos de vida aos senhores de meia-idade que mal conseguem ver os próprios pés (já para não falar do "amigo).
Causa-me impressão pessoas claras como eu a tostarem-se na areia, sem qualquer tipo de protecção à excepção duma fé do caraças. São esses que permitem que as crianças brinquem à torreira e são esses que chegam ao meio-dia à praia.
São esses que me causam arrepios neste calor infernal. São esses que enfardam o que querem de Setembro a Maio, que em Junho entram nos ginásios e fazem dietas tibetanas para estarem IM-PE-CÁ-VEIS em Agosto. São esses que fazem as pegadas mais profundas nas areias da praia e não sabem porquê. São os que dão lucro aos homens das bolas de Berlim.

Pensei nisso a manhã toda, enquanto ouvia o MP3 na areia. Pensei que o mundo não pode ser perfeito, mas que também não necessitava de tanta imperfeição (física e...).
Às 11h saí da praia, metido nestes meus pensamentos utópicos, e vi um senhor com grandes dificuldades em estacionar o carro, mesmo à "boca" do caminho que leva os veraneantes à praia. Ainda estiva para lhe dizer que, com um pouco de esforço, poderia estacionar no areal, afinal os nadadores-salvadores nem tinham muito trabalho hoje.

01 agosto 2009

Férias 2009

Chegaram as férias.
Apareci novamente no Allgarve, sabem, é o jet 7 e tal...
Depois da A1, A13 e A2 já não HÁ mais dinheiro que pague tanta auto-estrada.
Acho a viagem aqui para baixo o máximo. É incrível o que se pode apreciar em 350 Kms de estrada lusas. O ano passado eram os GPS's que estavam na moda, este ano são mesmo os idiotas.
Eu andei sempre nos 120/130 Kms hora e, quando fui obrigado a ultrapassar outro mais lento, lá vinha um indivíduo qualquer, no seu "maquinão", a acender os faróis desde 300 metros mais atrás.
"Ó camarada, estás com pressa? Arra
ncasses mais cedo de casa que já lá estavas"
Era um "enxame" de carros nas vias, mas o mais estranho era que a via da esquerda estava sempre mais congestionada. A via da direita foi sempre o melhor lugar para circular, estava mais desimpedida.
Depois de 3 horas de condução, resolvi parar numa estação de serviço para esticar as pernas e tirar "água-do -joelho". O bar/café/restaurante estava cheio de veraneantes barulhentos e sedentos de férias, um horror! Lá vou eu à casa-de-banho fazer o serviço mas observei a distância de segurança anti-s
alpicos e anti-espiadelas-esquisitas do vizinho. Sentia os pés chapinharem numa mistura de água e urina, num calor infernal dos secadores de mãos. Ah, se as mulheres soubessem as nossas dificuldades...bendita "shy-bladder".
O barulho naquele estabelecimento era algo só semelhante ao trabalhar de um F1. Porquê as pessoas em férias são tão barulhentas? Já repararam? Na praia, para além da gordura extra-biquini, os gritos são outra coisa garantida. Gargalhadas, choro de crianças, vendedores ambulantes, motas-d'água, tudo foi feito para ser o mais turbulento possível.
Retornei ao popó e meti-me na estrada novamente. Meter-se é a palavra certa, porque entrar na estrada nessa altura é um acto destemido. Um microsegundo é o tempo que se tem para tomar balanço e se enfiar o carro, entre outros dois, e seguir no fluxo de viaturas. Lembra-me sempre as imagens do corpo humano e a corrente sanguínea. Aliás, se o Norte fosse a cabeça do país e o Sul, nomeadamente o Allgarve, fosse o pénis, Portugal em Agosto tinha uma sínco
pe, tal é o fluxo cá em baixo.
Mais um carro à frente e mais uma "desrespeitosa" ultrapassagem minha. Parece que se tem que pagar uma taxa suplementar para se usar a faixa da esquerda, vem logo outro anormal a esbracejar atrás. Embora eu vá a 140km/h e já tenha direito à multa, o fulano que vem a 200 é que tem razão.
"Ó amigo, tás nervoso? Morde a testa"
E volto à direita, um local mais sereno e civilizado.
Cheguei à portagem final da A2, e vi um batalhão de GeNeRe's a trabalhar. Estavam a ter gostosos "chats"com os muitos que me mandaram às favas, ao longo do trajecto, por estar a cumprir o código. Não consegui evitar um sorriso maquiavélico...
E foi só o primeiro dia.



"Vamos a la playa oh o-o-o-oh
Vamos a la playa oh oh
La bomba estallo
Las radiaciones tuestan
Y matizan de azul"

29 julho 2009

Ilusão

O fulano acorda de manhã e liga a televisão. Ainda meio ensonado, ouviu a notícia que lhe mudou a vida:
"Bom dia. Cristiano Ronaldo marcou o seu primeiro golo pelo Real Madrid!"
Ao ouvir aquilo, o fulano deu um salto da cama e, em pijama, saiu à rua a saltar e a gritar:
"Cristiano! Ronaldo! Cristiano! Ronaldo!"
Um velhinho, equilibrado numa bengala, ao cruzar-se com o fulano, perguntou-lhe:
"Ó meu filho, para quê tanto escabeche? O que se passa?"
"Não sabe? OCR marcou o 1º golo no RM!"
"Ai meu pacemaker! Ai Jesus! Verdade?"
E lá foram os dois, a cantar e a pular. O velho dava pulos de 2 metros, tentando acertar com a bengala nas placas de trânsito, e juntamente com o fulano cantavam:
"Cristiano! Ronaldo! Cristiano! Ronaldo!"
No passeio encontraram um paralítico que, estranhando o comportamento, indagou:
"Então, mas tá tudo doido? Que vem a ser isso logo pela manhã?"
"O CR marcou ontem o 1º golo no Madrid!"
O paralítico deu um salto da cadeira de rodas e caiu nos braços do velho. Depois saiu a correr e a saltar com os outros dois, com os quais cantava:
"Cristiano! Ronaldo! Cristiano! Ronaldo!"
Uma grávida que passava pela algazarra não se conteve em perguntar:
"Que barulheira! Mas afinal, o que se passa?"
"Minha senhora, foi o Ronaldo. Ele marcou o seu 1º golo com a camisola do RM!"
A grávida começou a ter contracções e pariu, ali mesmo, uma menina que logo trocou de sexo para que a mãe lhe pusesse o nome de Cristiano, Ronaldo ou mesmo os dois juntos. Juntaram-se todos no grupo e gritaram:
"Cristiano! Ronaldo! Cristiano! Ronaldo!"
Passaram por um desempregado, uma prostituta e um bêbado, que ao saberem da notícia transformaram-se em político, santa e jogador de futebol, respectivamente.
O PM vangloriava-se do êxito enquanto que o PR tentava vetar a lei que pretendia clonar o madeirense.
Cegos voltaram a ver, surdos voltaram a ouvir, mortos ressuscitaram, o Cláudio Ramos voltou a ser hetero, Portugal voltou a ser um país de jeito!
Ouvindo aquele barulho infernal, o estraga prazeres veio à janela e perguntou:
"Mas que car"#$% vem a ser isto! Um gajo não pode descansar?"
"Ó amigo, o CR marcou o 1º golo em Espanha!"
"E há quanto tempo foi isso?"
"Foi ontem, mais ou menos por esta hora"
"Há um dia, portanto"
"Sim, porquê?"
"Porque desde ontem não fez um catso das Caldas e já ganhou mais 25000€. "
Ao ouvirem aquilo, todos ficaram em silêncio. O mundo acabara de desmoronar.
O velho teve, imediatamente, uma paragem cardíaca; o paralítico caiu em cima do monte de corpos dos ressuscitados que, entretanto, tinham voltado a morrer; os cegos tentavam fugir do Cláudio Ramos com indicações dos surdos; a prostituta negociava com o desempregado já que o bêbado, há muito, tinha adormecido; o PM acusava a oposição pela loucura generalizada e o PR vetava um projecto de lei qualquer.
Portugal perdera a ilusão e voltou ao normal: o país tacanho que sempre fora.

28 julho 2009

Pai sofre II

Sexta-feira passada, depois de um dia de trabalho e 250 Km de buraco com um pouco de estradas, fui à consulta de obstetrícia com a minha grávida.
Como a minha senhora tem a vã esperança de que a consulta comece a horas, chegamos cerca de 15 minutos mais cedo do que era suposto.
Resultado: em vez de esperarmos 1 hora, esperamos 1h e 15 minutos...
No entanto, o intuito deste post não é falar mal do facto de ter estado à espera, este post tem, como fundamental objectivo, explicar a tormenta que é passar 1h e 15 minutos a ver os "morangos com açúcar"!
Aliás, antes de mais, gostaria de saber uma coisita (se alguém me puder ajudar): porquê raio, todas as salas de espera deste país, equipadas com uma televisão, têm, como canal de eleição, a TVI? Já estive 45 minutos, numa sala de espera dos HUC, a ouvir a voz esganiçada da apresentadora do programa da manhã daquela estação, lado-a-lado das estroinas e coloridas roupas do Goucha! E não se pode fugir; está-se ali a ouvir, sim porquê para não ver basta virar a cara, mas meter dois dedos (ou outros objectos) nos ouvidos dá mais nas vistas.
E lá estava eu, petrificado. O medo não vinha do facto de saber que a consulta iria demorar,isso eu já tinha assumido como fatal, mas sim, do tempo de espera até ter a consulta. Poderia ser meia hora, 45 minutos,...
, e isso assustava.
Mudei de cadeira para uma que estivesse a uma distância na qual a imagem ficasse mais distorcida e o som chegasse em piores condições. Tal era ridículo numa sala de 20 m2
, mas o desespero tem destas coisas.
Desisti e resolvi que tentaria ver o mínimo possível. Tentei me acalmar com o facto de que poderia me interessar com qualquer coisa que estivesse na sala de espera e, assim, o tempo passaria mais depressa. Olhei à volta e pensei comigo mesmo no que, dentro de uma sala de espera de ginecologia/obstetrícia, teria o condão de me distrair. Nada. Não existe nada num lugar desses que distraia um homem. As revistas são de gajas, os poster são de aparelhos genitais femininos (sãos e doentes), as doentes/utentes só falam de coisas de gaja ou mal de outras gajas. Mesmo as fotos de mulheres nuas das revistas são de senhoras prenhes, algo que não desperta grande interesse em mim. Eu sei que existem taras por grávidas, epá, mas não é muito a minha "cena".
Restaram-me os comerciais da televisão, mas mesmo esses estavam todos virados para a desneuronização imberbe: girl-band que não lembro o nome, 200º CD dos morangos e reclame das, infindáveis e inúmeras, novelas da TVI.
Já disse que a TV estava em altos berros? Isso é outra coisa que acontece muito em salas de espera, mas fica para outro post, qualquer dia.
Continuando...
Falei, à minha esposa, que só o meu amor por elas fazia com que ainda não tivesse atentado contra a minha própria vida. Expliquei que estava assim por perder a "virgindade" dos morangos. Ela riu-se e disse que era por uma boa causa.
Via a minha vida a andar para trás e rendi-me à triste evidência de que teria de esperar e aguentar todo aquele cenário.
Os comerciais acabaram e voltaram as cenas da novela (?) adolescente. Decidi que iria prestar atenção para tentar encontrar assuntos de interesse para escrever um texto neste blog. Imaginei que seria simples, afinal tratava-se de um alvo fácil, tantas vezes ironizado e ridicularizado, tal e coisa, coisa
e tal... mas ainda foi pior. Aquilo não tem ponta por onde se pegue. Enredo? Figurino? Eu com uma handycam e dois putos escolhidos à sorte, à porta de um liceu qualquer, faria um trabalho muito melhor e, se tremesse um pouco a câmara, até colocavam o selo "independent cinema"!
Olhem que até têm o Nicolau a fazer de avô! Depois de "corrupção", "call girl" e afins, o quê porra faz ele aqui? Mas "prontos"...
A série(?) recomeçou com um casal de miúdos, que supostamente tinham menos de 16 anos, com uma brutal caneca de jola cada um, a falar de política estrangeira, cinema francês e literatura romântica; ok, não era bem isso, mas como não ouvi o diálogo supus que talvez falassem disso. Então o quê me chamou a atenção nesta cena? Toda a cerveja que bebi na vida não enchia a caneca daquelas personagens. Como é possível combater o alcoolismo adolescente se se passa a ideia de que é "cool" beber? Parabéns aos criadores desta treta.
Siga o baile.
Na cena posterior, aconteceu um flerte entre dois mini-actores. Na minha altura, as trocas de olhares duravam cerca de 0,001 seg e só eram detectadas por outros olhos muito atentos e... interessados. Depois disso passava-se a outros estratagemas: sorrisos, gestos e, se se tivesse coragem, partia-se para uma conversa. No flerte da TV, a rapariga choca, literalmente, nariz contra nariz, com o rapaz e... nada acontece; ficam mais uns intermináveis 2 minutos da cena a olharem-se fixamente, como um cão para a montra de um talho, com a saudável companhia de um Shot, sem nada dizerem ou fazerem. Assim, se dependesse deles, a humanidade desapareceria num futuro não muito longínquo; primeiro porque nada aconteceria, segundo porque, mesmo que acontecesse, o álcool diminui a espermatogénese.
À medida que as cenas foram passando, reparei que não havia ninguém feio dentre as personagens; ninguém nem gordo demais, nem magro demais; os rapazes altos, magros e com despenteados da moda; as raparigas de 16 anos, com corpos de 23, sem pingo de gordura e bronzeadas. Mas que puta de utopia! Quero já saber onde ficam as filmagens, catso!
As cenas na praia despertaram, um pouco mais, meu interesse. Dei uma cotovela, ao de leve, para chamar a atenção da minha senhora:
"Olha ali"
"O quê?"
"Olha aquela miúda a passar por trás dos actores"
"Tá com fio-dental, e daí?"
"E a que está a passar agora?"
"Hum... também. E as outras que estão deitadas também"
"Tá na moda?"
"Acho que não"
"Então fomos invadidos por cariocas..."
Comecei a imaginar a minha filhota a ver aquilo. Pensei em desprogramar a TVI lá em casa, de investigar bons colégios de freiras e falar das vantagens, beleza e pureza do lesbianismo. Pensei também na inutilidade de tudo isto e no chavão do "o que é proibido é mais apetecido". Não facilitam nada a vida de um bom pai (gaba-te, cesto...).
Pensei que tudo iria correr bem e que teria de ter fé no futuro...
Levantei-me e fui ter com a secretária.
"Boa tarde"
"Boa tarde"
"Poderia pedir-lhe o favor de mudar a TV para a RTP2? É que está a começar "a fé dos homens". Obrigado"

22 julho 2009

6º sentido?

Tu estás aqui, mas não te vejo. Sinto-te.
À minha volta sinto tua presença. Eriças-me os pelos do corpo; ainda me assustas. Não consigo acostumar-me com a tua companhia.
Não sei o que queres, não sei o que pretendes, se me ajudas, se me assombras. Estás aqui e não te apresentas.
Por vezes ausentas-te por um tempo, mais regressas sempre à casa de partida. Há anos que é assim.
Hoje escrevo para tornar física a tua presença, para comunicar de outra forma.
Será que me ditas estas linhas? Será que faço-te esta vontade?
Tenho os pelos eriçados novamente... talvez as respostas sejam "sim".

20 julho 2009

Pai sofre

Domingo. Passado o humor tempestuoso dos últimos dias, arranquei com a minha senhora para o Fórum Coimbra. Ela tinha pensado em comprar coisas para o enxoval do bebé.
Como, futuro, pai interessado que sou, não coloquei qualquer entrave e lá fomos nós para a cidade dos estudantes. Fiz os possíveis para ignorar o facto de ser domingo à tarde e, provavelmente, toda a população do mundo e arredores preencher aquela superfície comercial.
Chegando lá, nos dirigimos à única loja que interessava no momento: pré-natal.
Antes de mais, queria dizer que desconhecia por completo o conteúdo de um enxoval de bebé. Marinheiro de primeira viagem, não fazia ideia das milhentas coisas a adquirir para receber o fruto do pecado. São roupas, lençóis, edredões (é assim que se escreve?), detergente próprio para a roupa, "canguru"(?), etc, etc...
Chegando ao dito estabelecimento, fomos observando tudo o que estava à disposição. Eu comecei a desconfiar que a máquina de etiquetagem dos fulanos só tinha 3 algarismos: 30, 70 e 105. Tudo custava 30, 70 ou 105 €, passe o exagero.
"Quanto custa isto?", perguntava eu.
"São 70€", respondia a solícita vendedora, quase uma voz robótica.
E continuamos a vasculhar.
Pedimos um catálogo. Como pode uma loja de coisas para bebés ter um catálogo com quase 200 páginas? Como é possível existir tamanha quantidade de produtos para essa faixa etária?
"Já comprou almofada? E roupinha do 1º dia? E para a maternidade, já tem roupinhas? E mala para levar para a maternidade? E isso e aquilo, já têm?"
Confesso que senti uma leve vontade de abater a moça; sempre que eu pensava ter posto no monte o último produto, lá vinha ela com uma nova pergunta.
"Então, e já tem a faixa pro pós-parto?", mas ela ainda nem teve a criança, catso!!! " Tem aqui a nossa linha de produtos para o banho, fraldas, toalhetes, chuchas, biberons, banheiras, termómetros, blá, blá, blá, yada, yada, yada, etc, etc "... deixei de ouvir, entrei em transe zen e comecei a imaginar um mundo soterrado em toalhas felpudas com ursinhos e girafas, os bebés a planarem sobre as nossas cabeças como as pombas de um jardim no verão, libertando o mesmo que as aves, na cabeça dos incautos transeuntes...
"Olha, gostas mais deste ou deste?" perguntou a minha mais-que-tudo, numa esperança vã de que eu desse a carta de alforria ao meu cromossoma X.
"Hum...", fazendo cara de pensador, "o que tu quiseres, amorzito".
À esta altura do campeonato já tinha deixado de imaginar a conta no final da aventura e tinha desistido de ir à FNAC, o meu único lugar de interesse no centro comercial.
"Já adquiriram o carrinho? E o ovo, a alcofa, a cadeirinha, ..."
A estimativa de gastos que tinha no início já havia sido pulverizada há muito e começava a ficar abatido.
Decidi abandonar, por instantes, a dupla de senhoras e fui dar uma volta pela loja. Entretive-me a ver a quantidade de coisas que existem para proteger a criança: protectores para tomadas, armários, frigorífico, sanita (!), se é para proteger tanto, mais valia não ter a miúda. Vasculhei, depois, outras secções: brinquedos, carrinhos, roupas para a grávida, lingerie para grávida, produtos de limpeza, e outras tantas coisas que ainda estou a tentar perceber para o que, em nome de Deus, servem.
Achei piada ao soutien de amamentação. Aquilo parecia a porta de um castelo medieval e quase podia ouvir o ranger do fecho e o barulho da abertura a bater, pum, libertando uma aréola rosada e... fiquei vermelho, por segundos.
"Anda cá", a doce voz do meu amor chamava, e lá fui eu, bem mandado, "olha essa roupinha, tão gira".
Pensei comigo mesmo: "se disseres "fofinha" és um homem morto".
"É gira é", e, de soslaio, espreitei o preço, "mas de repente não gostei da cor..."
Depois de escolher alguma "mudas" de roupa, fomos ver o "canguru".
"Isto é simples" disse a vendedora, "apertam esta patilha, depois tem este botão aqui, mais este fecho, dão a volta por este lado, reviram isto e depois apertam assim e (se tiverem sorte) já está!".
"E ponho o bebé onde?", chalaço.
Passadas duas horas, chegou o momento da verdade: o pagamento. As duas carregaram-me como um iaque tibetano e lá fomos nós para a caixa. Quase precisei de um GPS para me orientar.
Depositei tudo na superfície brilhante da mesa de pagamento e começaram os "bips". As senhoras da caixa, a vendedora e a minha grávida conversavam, alegremente, sobre o maravilhoso mundo da maternidade; eu suava.
Inúmeros "bips" depois, a sentença:
"São XXX,XX €", faxavor.".
"Ó mulher, acho que vai ser filha única a nossa bebé!"
"Porquê?"
"Acabaram de me cair os tintins e rolaram para baixo daquele armário..."

18 julho 2009

Espírito suídeo

Há dias em que o humor resolve meter folga. O seu lugar é ocupado por algo negro, sujo, inespecífico. Tudo, por mais belo que seja, transforma-se em alguma coisa disforme e feia. As manhãs solarengas são prenúncio de tragédia, os pássaros que cantam são só corvos, a música que se ouve é gótica e as pessoas são apenas amálgamas de carne, sangue e ossos, seres desprovidos de sentimentos ou afectos.
Nesses momentos tudo tem defeitos, todos os jogos acabam em derrotas, todas as ideias já estão ultrapassadas, todos os amigos estão longe mesmo quando estão ao nosso lado.
Vive-se numa espécie de bolha, numa tentativa infrutífera de isolamento. E quando essa bolha não faz o seu trabalho o dia torna-se ainda mais cinzento.
Ontem foi um dia destes e anteontem também.
O espírito de porco transformou-me num pessoa ranzinza, amarga, azeda, que por trás de um sorriso esconde um humor que varia mais que as cotações da bolsa de Tóquio.
Não gosto de mim nesses dias. Fico monossilábico ou aceno com a cabeça, nunca inicio conversa, faço apenas meu papel, viro figura de corpo presente. O contacto lúdico com os outros dói e aplico-me para retribuir conversa de ocasião.
Nesta alturas de revolta sem sentido, revejo os tratados de psiquiatria tentando me incluir num dos inúmeros desvios de personalidade, e isso é a das poucas coisas capazes de me divertir.
Hoje já estou melhor, já vejo algum raios de sol por entre as nuvens carregadas, mas, mesmo assim, preciso de uma purga do mundo. Fico, então, em casa a ouvir música, a escrever... de quarentena, para não recidivar.

13 julho 2009

Negas

"Notas sobem a Matemática, mas pioram significativamente a Português" Expresso

Segundo o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, estes resultados vêm provar que, afinal, o governo não facilitou as provas nacionais.
Para mim, no entanto, estes resultados vieram provar que o governo não conhece os estudantes que têm...



Edit: não pude deixar de postar esta caricatura do Henricartoon. Para ver maior aqui

12 julho 2009

Perfeição

Como há dois anos, só tenho a dizer que foi maravilhoso, extraordinário, sobrenatural, excepcional, singular, extravagante, memorável, virtuoso, notável, ímpar, único, incrível, inexplicável, inverosímil, inacreditável, raro, belo, magnífico, lindo, excelente, elevado, magnânimo, excelso, exímio, delicioso, eminente, insigne, ilustre, preclaro, ínclito, mitológico, assinalável, distinto, sublime, egrégio, monstruoso, magnificente, portentoso, nobre, original, extravagante, caprichoso, fantástico, irreal, utópico, fabuloso, sensacional, formidável, admirável, óptimo, enorme, poderoso, assombroso, estupendo, descomunal, colossal, esplêndido, deslumbrante, brilhante, sumptuoso, espectacular, regozijante, surpreendente, magistral, primoroso, exemplar, distinto, proeminente, inconfundível, inolvidável, superior, invulgar, especial, exclusivo, encantador, majestoso, arrebatador, augusto, pomposo, vasto, imponente, grandioso, faustoso...

E de novo, simplesmente perfeito!

Tal como ele prometeu, espero que regressem em breve.

09 julho 2009

Bah!!!

"Cientistas britânicos alegam ter criado esperma humano" in A Bola

Alguns comentários a esta notícia:

1- Eu não sou cientista e já faço isso há algum tempo;
2- A ver a foto do cientista da notícia, acho que esta é a única forma de fazer passar o próprio esperma;
3- Isso terá alguma coisa a ver com o nome do jornal onde fui buscar a notícia?
4- Se criarem também um óvulo, nascerá o que? Um robot?
5- Gastar dinheiro dos contribuintes neste estudo é manda-los pró car$%&#, não?

Descubram lá é a cura para a estupidez que eu vou para a fila...

08 julho 2009

Saudade

Tenho saudade. Saudade de quem ainda não conheci, de quem está, calmamente, a chegar.
E longe dela, sinto-me só, mesmo acompanhado.
Como se pode amar alguém que não se conhece? Como se sente a falta de uma pessoa da qual não se reconhece a face, a voz, o olhar...
Menina, estou longe de ti agora, mas, ao mesmo tempo, perto, numa outra dimensão. Numa dimensão para lá da carne e sangue; numa esfera maior, numa em que, irracionalmente, parece que te conheço há mil anos.
Alguns chamam a esse lugar "amor". E eu já te amo, há tempos, por mais insensato que esse amor possa parecer.
E nestas noites longas, difíceis de passar, longe de ti, eu te espero.


E estes meus amigos vão dando algum alento
...

04 julho 2009

Improficuidade

A minha relação com o slb é tão boa como aquela que existe entre Portugal-Espanha, Brasil-Argentina ou Inglaterra-França. É quase bélica. É um odiosinho de estimação. Desculpe-me a maioria benfiquista que por aqui passa os olhos.
Podem perguntar de onde este sentimento vem e respondo que vem do mesmo lugar em que nasce o ódio ao FCP: dos dirigentes. É esse o cancro.

Escrevo hoje sobre os vermelhos dado ao facto de haver eleições no clube.
Eleições. Há pouco houve um escrutínio para o parlamento europeu com cerca de 65% de abstenção. Qual foi a abstenção ontem? Quanto tempo se falou sobre eleições europeias e quanto tempo se falou de eleições do slb? O que de importante trás, para o país, o facto do Vieira ter sido reeleito? Quantos postos de trabalho cr
ia? Tira-nos da crise? Diminui a violência no país? Aumenta as pensões? Tira-nos do entorpecimento?
E escrevo também devido a um episódio ridículo que aconteceu no final.

Mas antes um à parte: eu não acompanhei as eleições, preferia emigrar, mas a insistência com que as tv's procuravam dar importância ao acontecimento fez com que , acidentalmente, desse de caras com o dito episódio.
Como dizia (escrevia), no final de tudo, resolveram levantar-se, por uma mão no peito e cantar o hino nacional. Parecia uma equiparação da instituição desportiva à importância da república; uma expropriação do hino em favor de um acto e
leitoral tão importante quanto a eleição do presidente da Associação Recreativa de A-da-Gorda.
Mas o pior não foi isso. Ao mesmo tempo que a multidão cantava, o que
sabia, do hino, os jornalistas resolveram entrevistar o Sr. Rui Costa. O hino da República de Portugal subjugado à opinião banal de um dirigente desportivo. Em determinados países (e não só os radicais e ditatoriais), isto dava prisão...
E a cereja é a afirmação do Sr. Vilarinho. Pura classe, elevação e elegância: marca de alguns, repito, alguns benfiquistas: aqui.

03 julho 2009

Abutres

Estou um pouco farto que tratem a totalidade dos indivíduos deste país como idiotas. Devem pensar que nos enganam a todos e que os portugueses só estão preocupados com as eleições no slb ou com o Ronaldo. Daí acharem que a generalidade se está a borrifar para o que acontece naquele hemiciclo da capital da república.
Ontem, após o tourear do ex-ministro com um dos bois do parlamento, todos os líderes de bancada vieram cantar vitória. Querem ser, à força toda, os responsáveis pela abrupta saída de cena do toureador.
Francisco Louçã referiu isto: "Tem que ficar claro que um ministro que não sabe estar não pode estar.". É isto mesmo, o BE é que é.
Paulo Rangel veio dizer que "o PSD foi o primeiro partido a, formalmente, através de uma interpelação, pedir que houvesse consequências políticas para além das desculpas formais que tinham que ser feitas no Parlamento a todos os deputados". Sim o PSD é que é.
Diogo Feio afirmou que "há muito tempo que pedimos a demissão de Manuel Pinho e o que hoje aqui acontece é um resultado natural...". Afinal, o CDS é que é.
Bernardino Soares referiu que "Este ministro há muito tempo que tem razões para não continuar no Governo". Esqueçam o que escrevi antes, o PCP é que é.
Mas, o melhor veio da própria bancada socialista com o porta-voz do PS a dizer que "a questão foi resolvida com eficácia. Foram pedidas as desculpas devidas e, neste momento, o que é preciso assinalar é o trabalho que o ministro Manuel Pinho fez no ministério da Economia". Parem tudo! O PS é que continua a ser.
Acho que nós, portugueses, devemos ficar orgulhosos de tanta alegria parlamentar, sim porque isto já corre o mundo! É um exemplo da saúde da democracia, da classe dos nossos políticos e da talento em arte dramática daqueles que, supostamente, nos governam.
Tudo isso por um ministro que não vale um corno, mas que no fim até mostrou dois!



Faz-me lembrar:

"Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar"

Jorge Palma

02 julho 2009

Diabruras

Já diz o povo que uma imagem vale mil palavras, mas ao ver a imagem acima só me ocorre uma: Fuuuoooooddaaaa-seee!!!

28 junho 2009

DMB

Pelo que bastou um aniversário e um desconto de 50% em cada Cd para completar toda a discografia (de estúdio) destes génios:





E dia 11/07 é logo ali...

Tks picnisson

23 junho 2009

(Des)reconstrução

Devido a problemas técnicos (leia-se: nabiçe) fui obrigado à voltar ao template antigo...

18 junho 2009

Futebolices II

Como disse?



Agora gozem com o Anderson, gozem...

Futebolices

O mundo do futebol é lindo, e não existe só o Cristiano Ronaldo, basta olhar para algumas gordas dos jornais:

"Caicedo ainda é hipótese" O jogo Esse, em princípio vai para o SCP; está-se a ver que não deve ficar muito tempo em pé no campo...

"Juninho Pernambucano assina por dois anos com o Al-Garrafa" O jogo Esse era o clube de sonho do Jardel e Vilarinho. O problema é que o jornalista é que estava com os copos, já que o clube chama-se "Al-Gharafa".

"Transferência de Cissokho para o AC Milan abortou", - Houston, we've got a problem! E qualé, qualé??? Uma perna partida, um desvio da coluna, uma perna mais curta que a outra, nova lei do aborto? Hum..."Mordida assimétrica impede Cissokho de assinar pelo Milan". Ah pois, assim não joga naqueles encontros do "até os comemos, carago!"

E essas futebolices só num site. Agora vou ao Record...

12 junho 2009

Reconstrução

Caríssimos, depois de cerca de 3 anos na mesmice, eis que consegui angariar a paciência suficiente para alterar o blog. Dêem a vossa opinião. A gerência agradece.


10 junho 2009

Poetizando o quotidiano

O jogador apodera-se da bola. Cavalga alguns metros, passa por três adversários. É possível observar o seu ar estasiado ao conduzir a redondinha. Por um segundo pára, pensa e arranca um remate daqueles em que é necessário buscar forças a todo o universo.
A bola descola, numa velocidade tal que tudo à volta turva-se. Quase se consegue ouvir seu grito de desespero enquanto viaja à velocidade da luz. Ela paira chamando a atenção de todos os presentes. Os adversários rezam para que não atinja a baliza, o jogador e seus companheiros oram para que seja tento.
Mas estão todos errados. A bola viaja directamente na minha direcção. Choca, com uma violência brutal, contra os meus queridos genitais. Naquele momento eu vi estrelas. Naquele momento era a única coisa que via.
Meu corpo estremeceu com o impacto. Todos os órgãos ficaram confusos, sem saber o que aconteceu e sem saber como proceder. O coração batia o mais forte que conseguia. O cérebro enviava mensagens erróneas por todas as vias e não obtinha respostas. Os rins sofriam com o chicote dos ureteres. Os genitais, esses, encontravam-se em coma.
Num reflexo, as mãos dirigiram-se imediatamente para o meio das minhas pernas, procuravam, ao que parece, recolher os restos mortais dos aparelhos reprodutores. Talvez fosse uma forma de compensar o facto de se terem atrasado na função de proteger aqueles instrumentos.
O resto do corpo contorcia-se no chão. Rebolava como uma mulata, epiléptica, na Sapucaí.
Num instante rodearam-me colegas e adversários , preocupados com o facto de eu já ter, ou não, originado descendência. Depois da resposta afirmativa, soltaram um suspiro e riram-se, nervosos, já que da próxima vez podiam ser eles as vítimas.
Recomposto, retorno ao meu lugar. Agora uma das mãos sempre atenta a proteger os lesionados. Quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar?

09 junho 2009

Incondicional

Como portista não poderia deixar de apoiar o sócio do FCP: Sr. Luís Filipe Vieira.

Pela luta pelo 3º lugar;
Pela compra de super-estrelas da 3ª idade;
Pelo aumento de cadeiras vazias no Estádio da Luz;
Pelo jejum de títulos no futebol;
Pelas chalaças semanais;
Pelos inúmeros treinadores;
Pelas lágrimas dos benfiquistas;
Pela sucessão de gafes (ou gaffe?) e tiros nos pés:
Vieira! Vieira!
O Benfica com Vieira
Continua sem eira nem Beira!

08 junho 2009

Abstenham-se de reclamar

"Portugal volta a registar taxa de abstenção superior à média da UE" Público

Mais um dia de eleições, mais um dia de abstenção.
60 e tal % de pessoas que resolveram ficar em casa ou partir de férias e não votar; salvo raras excepções, a maioria preferiu ignorar este dever cívico. Compreendo que alguns estejam longe dos locais onde votam, estejam doentes, entre outras coisas, mas 60% de abstenção? Num país em que existe uma TVI onde todos têm um problema dramático, ou um "nós por cá", que melhor momento para se queixar do que o momento do voto?
Num país em que uma grande parte da populaça não faz um cara"#$ (a não ser nas Caldas), em que 10% estão, oficialmente, desempregados, porquê não vot
ar? "A e tal, porque esses gajos são uns parasitas, uns ladrões e são feios", e com o subsídio de desemprego, enfiam a famelga toda no Mercedes 190D e partem para a praia mais próxima.
Será que os que se abstém hoje são os mesmos que amanhã reclamam porquê não têm segurança, acção social, educação, saúde, trabalho, agricultura, etc, etc? São esses que reclamam sem parar do estado do país? Se não conseguem dobrar um boletim de voto em quatro partes, depois de assinalar um cruz num quadrado qualquer, para que nos servem? São os inúteis, os imprestáveis, os improdutivos, os desnecessários e frívolos.


Dar uma opinião. Parece paradoxal o facto de o português típico ter opinião para tudo, por mais estapafúrdia que seja, mas na hora de dar uma opinião séria, através do voto, prefira ficar à esplanada de uma estrebaria qualquer a comer tremoços e sandes rançosas de presunto.

02 junho 2009

Segredo

Tens um segredo para mim, bebé,
O que é, o que é?
Vais mostrar-me quem és?
No quarto escuro, agarro-me à minha fé,
Seguro-me, a custo, em pé,
Serás Maria ou José?

Não te iludas, bebé,
Não me fazes surpresa. Porquê?
Sei bem quem és,

Sempre soube…

01 junho 2009

Euro cópias

Todos nós sabíamos que as campanhas eleitorais eram sempre períodos de graça, mas nestas europeias os partidos exageraram...



Já não chegavam as campanhas do PNR e do PPM?

27 maio 2009

противный


Санта правосудия

Tradução

Quem qué dinhêrooooo?

Antes de mais, que fique bem claro:eu, Catsone, juro, solenemente, por tudo o quanto é mais sagrado, que não vejo este programa!
A sua estridente apresentadora até com o "mute" ligado se faz ouvir! É terrível.
Mas a verdade é que este programa quer que eu o veja. Sim, já é a segunda vez que o "apanho" com coisas estranhas. Até parece provocação...
Vejam lá se adivinham qual é a palavra:


22 maio 2009

Como num quadro de Dali

O esquizofrénico era o único que acreditava nas doenças todas da neurótica e apaixonara-se pela sua amiga que mais ninguém via. A distímica chateava o depressivo com seus inúmeros "ais", e este ameaçava suicidar-se caso aquela não o deixasse em paz. O impulsivo estimulava o depressivo à acção. O psicopata afiava a faca que tencionava emprestar ao depressivo. O antisocial tentava puxar o tapete ao psicopata. Na sala de espera, o ansioso colapsara por não aguentar o suspense da montra final do "preço certo". O maníaco verborreava coisas sem nexo ao autista. Noutro canto, o demenciado e o oligrofénico tentavam contar até 10 sem se perder. O bipolar chorava e ria a intervalos de 10 segundos. O obsessivo fechava e abria a porta vezes sem conta enquanto o paranóico desconfiava que este acto era para o apanhar quando tentasse sair do quarto. A anorética comia uma azeitona. A bulímica vomitava uma azeitona. O stressado saltava no sofá cada vez que o obsessivo batia com a porta. O maníaco ria desalmadamente. O toxicodependente curtia uma trip enquanto o alcoólico dormia aconchegado aos seus elefantes cor-de-rosa. O esquizofrénico estava feliz por não ser o único a ver os elefantes. O hiperactivo corria pelo tecto. O fóbico escondia-se atrás do sofá. O Munchausen sorria. O narcolépico dormia sobre a mesa do refeitório. O tarado estava de olho na neurótica. O psiquiatra, único verdadeiro louco aos olhos destes homens e mulheres, vagueava pelo corredor, introspectivo, procurando alguma ordem no caos, mantendo a sanidade mental presa por um fio, muito próximo de se juntar a eles.

20 maio 2009

Mau para a piroca!

Hoje de manhã liguei o rádio do carro e... "Aqui prá voceis!!!".
Apanhei um susto. Quase atropelei um camião que vinha em sentido contrário.
"Blá, blá, blá, prá fazer tur na Óropa, blá, blá, blá, na cabeça só piroca."
Que mer#$ é esta? Que porcaria de letra é esta? Na cabeça só piroca? Mas será que ainda estão a falar da professora de história?
"Acabaram de ouvir Buraka Som Sistema feat Deize Tigrona - Aqui prá vocês?"
Deize Tigrona? Margarida Tigre Grande? Quem é esta deusa? Ah, Ah, Ah... Deize Tigrona, como é que é possível?

Ela diz que não sabe falar "ingleis", só "portugueis". Será que sabe? E quanto tempo precisou, a Deize, para escrever este conjunto de... versos?
Continuo a imaginar a moça com centenas/milhares de pirocas a saltitarem na cabeça.
E dizem que esta música (?) vai projectar, definitivamente, os buraka no cenário da música internacional. Eu sei bem para onde os projectava...

19 maio 2009

Deseducação sexual


Não pude deixar de publicar esta imagem do site Henricartoon.
Nunca tive uma lição de história igual àquela... e tive professoras que, na altura, davam uma bela orgia romana.
Já não bastavam os morangos e os rebeldes para deseducar sexualmente os miúdos...

14 maio 2009

E insistem...

Há cerca de pouco mais de um mês, escrevi sobre as tentativas, infrutíferas, da Zon em vender mais serviços à minha pessoa. Pois bem, voltaram a ligar.
Isso começa a ser estranhamente divertido:
"Trim-Trim"
Número desconhecido.
"- Estou."
"- Boa noite. Meu nome é fulano e fala da Zon/Tv Cabo. Estou a falar com o Sr. Catsone?"
"- Sim e não quero!"
"- Errr, ok, boa noite."
E é só esperar até ao próximo mês.

12 maio 2009

Interracial

Gosto de mergulhar o branco no preto...Fazer o quê?
Manias



11 maio 2009

Pelos caminhos de Portugal

Depois de uma viagem por qualquer estrada nacional, o capô do automóvel vira um campo de batalha entomológica. Cadáveres de insectos jazem na superfície metálica. Isso é o que se espera ao fim de cada jornada, e o número de bichos estatelados é proporcional à velocidade da viatura.
N'outro dia, quando vinha, entediado, pela via-sacra-rodoviária diária, reparei no veículo pesado que me seguia e ri-me a bandeiras despregadas:

Parece que, em Espanha, os insectos são um pouco maiores...

Um pouco de humor automobilístico, para contrabalançar os achaques de alguns condutores.

10 maio 2009

Déjà Vu 4!

Mais uma vez, começa a ser um trabalho árduo, mas sabe sempre bem o esforço:
E no ano passado teve o condão de ser premonitório...


Mais uma vez a magia
De ser o maior, ser o primeiro.
A competência, a categoria,
De um campeão verdadeiro

Meu Porto, meu Super Dragão,
Tu não és grande, és imenso.
E o amor por ti é tão intenso

Que quase explode o coração.

E os outros choram em Lisboa
O soluço de tristeza ecoa
De Cascais à Madragoa

Porque não têm a tua chama,

Que a eles queima e a nós inflama,
E que só conhece quem te ama.

2006/2007
2007/2008
Pró ano há mais? Nós, portistas, esperamos que sim.


09 maio 2009

O mundo ao contrário

Renato Russo escreveu numa das suas canções: "os assassinos estão livres, nós não estamos.". Lembrei-me deste verso ontem ao ver as notícias.
Hoje em dia prestam-se homenagens a bandidos. Se um jovem rouba, causa distúrbios, é perseguido por um polícia com boa pontaria que o acerta e o mata, esse jovem tem que, inevitavelmente, ser elevado a mártir. Seus amigos têm o direito de prestar homenagem de forma desordeira e violenta.
Está tudo às avessas neste pais.
Outro dia, enquanto acompanhava as consultas de um psiquiatra, ouvi a fras
e: "actualmente, vivemos na época dos medíocres!".
Fiquei a matutar um pouco nesta frase e, embora com medo de fazer parte da mediocridade instalada, cheguei à conclusão que essa frase é assertiva. Olhando para o panorama nacional não há ninguém que se destaque.
Esperem lá, lembrei-me, mesmo agora, do Cristiano Ronaldo...
Fora o madeirense, não há ninguém que seja referência e, talvez por isso, temos que nos virar para os marginais. Afinal, eles estão por toda a parte: nas escolas, nas ruas, nas estradas, nas igrejas, no parlamento...
Como dizia o presidente da câmara de Setúbal (para continuar a falar de medíocres) aqui, os desacatos na Bela Vista não passaram de uma reacção emocional d
e jovens em sofrimento.
Vou ter também atitudes destas; vou jogar pedras à polícia, disparar contra esquadras, pôr bombas em ministérios e palácios governamentais. Tudo isso porque eu também estou a ter uma reacção emocional; uma reacção à, lenta e dolorosa, morte do meu querido país.

08 maio 2009

Tá lento

Todo o final do mês a Vodafone envia-me uma conta. Nessa conta estipula um preço a pagar pelo serviço que presta: internet a 2 megas/seg.
Este facto acima é garantido, eles vão cobrar pelo serviço. Mas cobram por um serviço que não prestam. Na melhor das hipóteses, navego a cerca de 1 mega/seg, mas hoje navegava à estonteante velocidade virtual de 238kpbs/seg. Navegar? Isso não é navegar, no máximo será a velocidade equivalente à de uma traineira carregada!

238 é uma velocidade espectacular se for na A1, com o subaru da GNR atrás de nós. Na net, "andar" a 238 ks, actualmente, é regredir cerca de 10 anos, é ser ultrapassado por caracóis, lesmas, tartarugas e bebés a gatinhar; é ser-se lento, muito lennnttttoooo.
Lembro-me do tempo em que usava um modem do tamanho de uma caixa de sapatos. Aqueles revolucionários aparelhos que faziam um gajo navegar a 56kpb. Era um espectáculo, um gajo só tinha que esperar meio minuto para que toda a página do Google aparecesse. Foi uma revolução.
Hoje tive esse déjà-vu
. Caí na asneira de insistir em abrir o meu mail e tive que tomar um ansiolítico para não destruir o ecrã.
À Vodafone, meu obrigado, dessa forma vou ter que me mexer, finalmente, para trocar de servidor.

04 maio 2009

Mr Green

Respeitei o vermelho do semáforo e parei.
Enquanto esperava pela ordem de marcha, olhei no retrovisor e observei o comportamento da condutora da retaguarda.
A senhora, praí com 40 anos, bem apresentável, vasculhava arduamente a venta direita à procura de um gorila.
Se isso, só por si é asqueroso, o que veio a seguir perseguiu-me durante algumas horas.
Após ter catado o burrié que jazia na narícula, a senhora examinou o símio mucoso que se encontrava no indicador direito e, sem demoras, degustou-o... e examinou novamente o dedito para averiguar da existência de alguma excreção remanescente.
Depois de observar toda a cena confesso que o verde do semáforo ganhou um novo sentido!


Também já somos!

Parabéns para nós! Conseguimos! Já fazemos parte das estatísticas da "nova" gripe.
Foi uma tarefa árdua, mas conseguimos um, neste caso uma, infectado. Parabéns para ela...
A imprensa já quase perdia a esperança, mas nós portugueses não desiludimos, como sempre.
Faça-se, portanto, mais 1 mês de primeiras páginas e aberturas de telejornais! Faça-se mais publicidade à roche!

24 abril 2009

Exma Ovelha Ranhosa

"É impossível agradar a gregos e troianos", já dizia a minha querida avózinha.
Eu nunca acreditei, considerei sempre a hipótese de agradar o mongo e o intelectual, o snob e o bronco... pura ilusão.
Existem poucas coisas impossíveis neste mundo: coçar o ouvido com o cotovelo, morder a testa, agradar a todos, entre outras. As primeiras duas sou capaz de acreditar, que no meio de 6.000.000.000 de indivíduos neste mundo, alguém consiga realizar.
Observo todos os dias a inexequibilidade do "agradanço" geral. Podemos ser os melhores no que fazemos mas há sempre aquele "sim, está quase perfeito" ou o "está lindo, mas..." e ainda o "hum, podia ser melhor.".
O gajo bateu o record dos 100 metros e alguém dispara "mas ele pode melhorar" e com, um pouco de sorte, acrescenta "muito".
O génio encontrou a cura para o cancro e os críticos dizem "mas é muito caro" ou " e então o Parkinson?" ou "mas o meu problema é micótico.".
Como se não bastasse a crítica alheia, existe os que, mesmo agradando o máximo de pessoas possível, não se conseguem agradar a si próprios. É um tipo de auto-sabotagem; o gajo dos 100 metros diz que estava contra o vento, o génio da cura do cancro reclama da falta de empenho na procura pela cura do pé-de-atleta, e por aí vai.
Escrevo sobre este tema após participar na organização de um evento. Um gajo faz tudo para agradar, tão tonto, na esperança de que tudo seja perfeito (mais uma coisa a acrescentar à lista de impossibilidades). No fim depara-se com o inevitável: o falhanço. Não foi a maioria, mas presta-se atenção àquela ovelha ranhosa que não gostou disto ou daquilo. Penso comigo mesmo "deixa lá, foi só um gajo" mas, ao mesmo tempo, respondo em auto-diálogo-interior "gostava de saber quem foi o FDP!".
Enfim, consola-me uma outra frase da minha querida avózinha: "Nem Jesus agradou a todos".
Verdade.

It's alive!

Amigos, folgo em anunciar que o meu querido companheiro de luta encontra-se já recuperado e pronto para reiniciar o trabalho.
Mas apresenta algumas sequelas, perdeu alguma informação e funcionalidades que, com alguma informatofisioterapia, recuperará em curto espaço de tempo.
Obrigado a todos os que rezaram por ele, está muito sensibilizado.

PS: Doações para a conta CGD NIB 123456789101112136630.

23 abril 2009

UCI

Notícia, de rodapé, de um jornal suspeito qualquer:
" Deu entrada, ontem, na Unidade de Cuidados Intensivos, um computador portátil, de seu nome HP. Vinha com sinais de profundos mal-tratos, escoriações e cicatrizes, completamente desorientado e amnésico. Encontra-se, neste momento, ligado à outras máquinas, numa tentativa desesperada de se agarrar a este mundo. Seu dono, e principal suspeito dos crimes, não foi interrogado pelos funcionários da instituição, apenas "largou" a vítima nas urgências e fugiu. Os técnicos informáticos referem que, apesar de haver esperança, o estado do paciente é considerado muito grave."

Todos juntos, rezai pelo meu amigo HP.

12 abril 2009

Sicko


Ontem, para diminuir um pouco o "astral", dado que tenho uma personalidade algo masoquista, assisti este filme.
Trata-se de um documentário do cineasta Michael Moore sobre o sistema de saúde americano. Michael Moore
é um dos homens mais controversos de sociedade americana. Seus filmes tentam apresentar à comunidade as incríveis, e por vezes inacreditáveis, disparidades existentes nos EUA. Foi assim com Fahrenheit 9/11 e Bowling for Columbine.
Já tinha uma noção do que o filme pretendia mostrar, mas, a realidade, é que não estava preparado para o que viria.
Vale a pena ver, principalmente neste momento de ataques entre as diferentes classes que integram nosso sistema de saúde. Vale também para quando estamos profundamente desapontados com o nosso trabalho, para quando nos acusam de não o fazer bem, de não nos preocuparmos com o nosso doente.
Comparemos a nossa saúde com aquela que existe no país da "melhor" investigação e prática médicas.
Mas entristece, profundamente. Ver pessoas que trabalharam a vida inteira e que, no fim, não têm direito a envelhecer condignamente.
Fica um sentimento de pena...

10 abril 2009

Priceless

Tomar pequeno-almoço ao meio-dia...

08 abril 2009

Germanices

"Qimonda alemã tirou 150 milhões da fábrica portuguesa" DN

Parece que me enganei quando, em post anterior, alterei o logo da qimonda.
Afinal o logo certo era este:


Lobo em pele de Cordeiro

Há cerca de meia hora atrás, falou na Sic Notícias o homem do momento: João Cordeiro, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF).
O homem falou, falou e no fim o que me ficou na cabeça foram as mentiras e acusações.
Por causa deste indivíduo, duas (ou talvez três) classes de profissionais de saúde, ao contrário de remarem para o mesmo lado, trocam acusações infrutíferas e levianas.
Desiludam-se aqueles que acreditam que este fulano quer o melhor para o doente. Por baixo da pele de Cordeiro existe um animal que procura o lucro, tão simples quanto isso.
Para levar a sua avante, o sujeito procura chamar atenção àquela classe de mercenários, crápulas e corruptos representada pelos médicos. Os médicos, causadores de todos os problemas do SNS. Os médicos que ao olhar para a face do seu doente imagina um cifrão gravado na fronte. Os médicos, verdadeiros cancros da sociedade. Os médicos, que são os responsáveis pela prescrição; esperem aí, se calhar até são necessários para as farmácias, hum...
De todos os factos que o homem cuspiu em directo, guardei dois em especial:

"- Se a Srª jornalista fizer uma investigação, pesquisando nas 5 maiores agências de viagens, vai perceber quais são os 20 maiores clientes das mesmas.
- Está a fazer uma acusação?
- Não, mas pesquise."
Se isto não for uma acusação, então o que será? Parece-me que esta pessoa teve uma formação com o, grande, Octávio Machado, que dizia tudo em informação encriptada. Gostaria realmente que se fizesse esta pesquisa, talvez desmistificasse algumas ideias pré-concebidas existentes neste, pequeno, país.

"- A indústria farmacêutica está muito calada, pois tem o seu porta-voz a falar por ela.
- E quem é esse porta-voz?
- Está-se mesmo a ver: é o Bastonário da Ordem dos Médicos."
Numa certa altura da entrevista o Cordeiro disse não responder à calúnias. Isto, então, merecerá resposta pelo Bastonário da Ordem dos Médicos?

Penso que a ANF representa a quase totalidade das farmácias, mas será que representa a totalidade dos farmacêuticos? Quando este lobo refere como caluniosas, as palavras do sindicato dos farmacêuticos, terá ele o apoio desta classe? Será que os interesses obscuros da ANF justificam toda esta azáfama?
Só andamos na superfície, as profundezas são mais escuras e regem-se por uma ordem na qual o doente é apenas um número...

Hipócrates deve estar a dar voltas...


07 abril 2009

ORGULHO, CARAGO!

Qual é a equipa, qual é ela, que chega ao teatro dos sonhos e diminui o maior clube do mundo à sua insignificância? Qual é? Qual é?

Só o maior do universo!!!

03 abril 2009

A TV cabo e o HSV

Sinto uma vibração no bolso das calças. Penso em quem será que me estará a importunar no meio de uma reunião de serviço.
Muito discretamente, tiro o telemóvel do bolso e atendo o número não identificado:
"Estou?"
"Seria possível falar com o Sr. Catsone?"
"Nesse momento não!"
E desligo a chamada ao percebendo que se trata de um call-center qualquer para surpreender-me com uma grandiosa oferta, provavelmente, da TV Cabo.
Bando de chatos. Compreendo que é o trabalho dos fulanos, mas importuna!
10 minutos volvidos, a mesma sensação vibratória e o mesmo número não identificado. Rejeito a chamada. Mais 10 minutos, nova chamada e nova rejeição. Outros tantos minutos e mais uma tentativa infrutífera de contactar com o incauto cliente. Desistem... mas não por muito tempo.
Uma pequena analogia: o herpes simplex (que não é nenhuma criação, simplex, do governo Sócrates) é um vírus cujo único hospedeiro é o homem. Depois de infectado, o indivíduo alberga o vírus durante toda a sua vida. Este é o famigerado microorganismo que dá aquelas, bonitas, lesões labiais, tão vistosas e desejáveis. O que chateia no vírus é que ele estará sempre lá, latente, mas de vez em quando acorda e diz olá sob a forma de reluzentes vesículas cutâneas.
O Call-center da TV cabo é assim: um belo dia assina-se um contracto e se é "infectado" pelo serviço TV cabo. Tudo fica bem durante um ou dois meses e é, então, que se recebe a primeira chamada. É-se simpático qb e tudo parece resolvido... mas não. Alguns dias depois, nova chamada e as coisas começam a azedar. Isso para dizer que, como o HSV, também o call-center da TV cabo fica latente e ataca de vez em quando.
Voltando ao episódio. Acaba a reunião e eu já nem lembrava das chamadas insistentes. "Pego" no carro e vou para casa. No meio do trajecto o que acontece? Hã, o quê? Pois é, ligam-me novamente, dessa vez uma senhora:
"Estou?"
"Estou sim."
"É o Sr. Catsone?"
"Sim."
"Aqui é da ZON/TV cabo (tcharam!!!). Queríamos melhorar o seu serviço ZON/TV cabo e..."
"Desculpe, mas não estou interessado."
"Sim, mas é que..."
"Peço desculpa por ser você a ouvir, mas estou um pouco agastado com as vossas 3 chamadas telefónicas mensais. Conto com o pagamento e com as vossas chamadas e, que me lembre, só contratei o serviço de televisão e não o apoio ao cliente. Gostaria de dizer que se for importunado mais uma vez, cancelo o serviço. Quando quiser alguma coisa vossa, sou eu que telefono, ok?" (Quem é que manda aqui, hã!)
"OK, vou assentar aqui o seu comentário. Tenha um bom dia."
Tu-tu-tu-tu...
No fim fiquei sem saber se a porcaria da promoção, que eles estavam a fazer, era alguma coisa de jeito...

01 abril 2009

Frascos e comprimidos

Temos novos D. Sebastiões em Portugal. Um grupo que luta pelo bem-estar dos pobres doentes deste país. Sem interesses, sem segundas intenções, apenas, e tão somente, a saúde dos indivíduos.
Essa classe é composta pelos senhores doutores farmacêuticos.
Eu entrego o meu diploma da faculdade de medicina. Para que o quero, se qualquer senhor farmacêutico passa por cima do que eu decido, no fim de uma consulta com um utente? Os meus 6 anos na faculdade e os intermináveis anos de internato, afinal, não servem para nada: os farmacêuticos é que sabem.
E vêm para a televisão, com duas caixas de medicamentos, para revelar, "incrédulos", o escândalo das diferenças de preço entre duas substâncias, supostamente, idênticas.
"Olhe, por esta embalagem o doente paga 10€ e por esta, apenas 5,50€" diz a farmacêutica orgulhosa.
O que de melhor há, para se chamar a atenção, do que enxovalhar a classe corporativista dos médicos? Esses malandros que só querem prescrever a marca que lhe dá canetinhas e post-it's!!!
"Vamos, mas é, ajudar o povo a não ser roubado por essa cambada de doutores e "seus" laboratórios!"
Tudo pelo povo! Tudo pelo utente, pelo reformado e pelo doente crónico, que tem tudo comparticipado mas que não atinge objectivos nem respeita alterações do estilo de vida.
Mas, esperem um minuto...alguém já viu uma farmácia na banca rota? Hum... estranho.

Uma teoria, da conspiração, para essa "bondade" da farmácia da esquina:
"Num belo dia, um representante do laboratório de genéricos X, duma marca menos comercializada, visita a farmácia da esquina. Vem, o senhor, apresentar uma proposta para ajudar a farmácia a ajudar o utente. Oferece então 10 embalagens de Furosemida genérica pelo preço, maravilhoso, de 5. O farmacêutico, pensando no utente, aceita. No dia seguinte o médico, numa consulta, receita ao Sr. Manuel a furosemida de marca e tranca a receita, para fazer valer a sua famigerada prescrição. O Sr. Manuel vai a farmácia da esquina e é aconselhado a comprar a furosemida genérica porque é mais barata. O Sr. Manuel agradece o interesse do Sr ajudante de farmacêutico e vai para casa com o medicamento. No outro dia, o Sr. Manuel dá entrada no serviço de urgências do hospital distrital, com um edema agudo do pulmão"
Isto é uma situação caricata e serve para explicar várias coisas:
1º Nem todos os genéricos são iguais às substâncias originais. O caso da furosemida é um dos exemplos clássicos. Ninguém sabe porquê, mas a furosemida genérica não tem, nem de perto, nem de longe, a mesma eficácia que a original;
2º Os excipientes dos medicamentos variam em alguns genéricos, o que faz com que o comportamento da molécula seja diferente. O excipiente não é só farinha, ele influencia a farmacodinâmica e farmacocinéitca sobremaneira;
3º De boas intenções está o inferno cheio, já dizia a minha avó. Aqueles que criticam a promiscuidade dos médicos, em relação a pretensas prendas dos laboratórios, tentem conhecer o lado das farmácias. É um novo mundo de bons negócios; ou as pessoas acham que tudo isto é realmente pelo bem-estar do doente?
4º Acho engraçado aqueles, que têm um enorme lucro em todos os medicamentos (de marca ou genéricos), venham agora "rebelar-se" contra os que, justamente, permitem que o seu negócio prospere;
5º A prescrição do médico é soberana! Se bem ou mal intencionada, isso são outros quinhentos. Não posso admitir que outra pessoa possa alterar, aquilo que acho melhor para o meu utente, apenas porque acha que pode. Isso, nem entre colegas é ético, quanto mais pessoas que não tem a formação adequada (e responsabilidade) para tal;
6º Eu prescrevo genéricos sempre que posso, mas mesmo esses têm diferenças de preços. Será que também será alvo de trocas? Existe troca mesmo entre genéricos do mesmo preço, mas isso já não interessa que se saiba, não é?
E poderiam ser muitas mais razões, mas o post já é um dos maiores que publiquei.

Ao senhor
João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), que refutou os comentários do Bastonário da Ordem dos médicos com a seguinte frase "onde estava o Bastonário quando se ouviu que os utentes não compravam todos os medicamentos prescritos", digo-lhe o seguinte: serão este os argumentos que vai utilizar? Será com esta ligeireza que vai combater a "mercenária" classe médica? Será que são os médicos que impõem um preço às substâncias? Está preocupado, com o facto de o doente não comprar todos os medicamentos, por pensar na saúde do mesmo ou na diminuição da vendas?
Sugiro que compre uma embalagem de "pronto" para dar lustro a essa tremenda cara-de-pau! (e já agora uma lâmina de barbear).