Mais um dia de eleições, mais um dia de abstenção.
60 e tal % de pessoas que resolveram ficar em casa ou partir de férias e não votar; salvo raras excepções, a maioria preferiu ignorar este dever cívico. Compreendo que alguns estejam longe dos locais onde votam, estejam doentes, entre outras coisas, mas 60% de abstenção? Num país em que existe uma TVI onde todos têm um problema dramático, ou um "nós por cá", que melhor momento para se queixar do que o momento do voto?
Num país em que uma grande parte da populaça não faz um cara"#$ (a não ser nas Caldas), em que 10% estão, oficialmente, desempregados, porquê não votar? "A e tal, porque esses gajos são uns parasitas, uns ladrões e são feios", e com o subsídio de desemprego, enfiam a famelga toda no Mercedes 190D e partem para a praia mais próxima.
Será que os que se abstém hoje são os mesmos que amanhã reclamam porquê não têm segurança, acção social, educação, saúde, trabalho, agricultura, etc, etc? São esses que reclamam sem parar do estado do país? Se não conseguem dobrar um boletim de voto em quatro partes, depois de assinalar um cruz num quadrado qualquer, para que nos servem? São os inúteis, os imprestáveis, os improdutivos, os desnecessários e frívolos.

Dar uma opinião. Parece paradoxal o facto de o português típico ter opinião para tudo, por mais estapafúrdia que seja, mas na hora de dar uma opinião séria, através do voto, prefira ficar à esplanada de uma estrebaria qualquer a comer tremoços e sandes rançosas de presunto.

































