O que me faz escrever este texto é o facto de existir uma cena nesse filme que tentava retractar o acto sexual durante a gravidez. Nessa cena, o futuro pai não conseguia continuar o “bem bom” porque, apesar da moça ser bem jeitosa e estar super “horny”, não deixava de pensar que podia acertar na testa ou outras partes do bebé e que o seu bacamarte não deveria ser a primeira imagem que o filho veria (aliás, um pensamento muitíssimo sensato!).
Ao ver aquela cena não pude deixar de lhe achar piada, mas ao mesmo tempo pensei: “pelo menos estás a tentar!”
Na gravidez “o amor” é um bicho estranho, realmente. Para quem não tem fetiche por grávidas é algo esquisito. Dependendo da idade gestacional é difícil e quase acrobático. Um fulano tem de ter destreza física e capacidade mental para a empreitada.
Isso se houver alguma hipótese de existir qualquer coisa desse género e é esse o tema deste texto: a seca.
Na primeira viagem pelas terras dos “9 meses” tinha um amigo que, no gozo, elogiava a massa muscular do meu braço direito. Eu perguntava-lhe “êpá, é assim tão evidente?”, ao que me respondia: “já fui pai duas vezes, não te esqueças…”
Não serão bem 9 meses de seca, há que descontar as semanas da ignorância e o tempo até à primeira ecografia: depois de ser ver aquela coisinha no ecrã um fulano olha pró material das moças de outra forma! É todo um mundo que se fecha…
E é justamente nessa altura do querer e não poder que vem à baila o tão famoso ditado do “proibido é mais apetecível” e essas merdas. Um gajo, que normalmente já quer, quer ainda mais! Parece sacanagem, querer sacanagem e não poder.
“Pode sim, caraças. Eu sei que não há problema! Vai, foca-te” e até se hasteia uma bandeira aqui, outra ali, mas não há terra para se encravar (ou até há mas está em pousio).
O tempo vai passando, a sede aumentando...
Começa-se a achar interessante toda e qualquer tipo de pele exposta. Chega-se ao verão e as saias atormentam. Vai-se à praia e é um martírio. Vê-se o fashion TV e o preço certo com certa frequência e não se sabe bem porquê. Ai, ensandece-se qualquer coisita...
Começa a ser constrangedora a “insustentável leveza do ser”.
Agora, mesmo, mesmo no finalzito, com o filhote quase a rebentar, depois de todo o sofrimento e de auto-contemplação e satisfação, da subida da direita ao poder, ouço uma frase aterradora: “já se sabe como é: no primeiro mês não há nada!”
É paradoxal um acto sexual vir a dificultar (ou impedir) a realização de outros-que-tais subsequentes. Talvez possa ser chamado de “sexo empata fodas”.



Sua poesia perdura e impulsiona milhares a escrever; é possível, nas viagens pela blogosfera, ver excertos das suas obras a "adornar" templates vários.


















