O pequeno e matreiro canídeo puxou-lhe pela mão e cantou-lhe doces notas etílicas na regouga, enfeitiçando-o.
Ele, não resistindo-lhe aos encantos, deixou-se ir.
Subiram o monte em direcção ao covil da pequena raposa quase sem tocar o chão, tal era a leveza porporcionada pela hipnose do etilo.
Chegaram a toca da raposinha no cimo do monte, confortavelmente encondida entre verdes parras e formosas vides, e por lá ficaram.
Comemoraram durante horas a comunhão entre os dois. Dançaram cada vez mais rápido e pularam cada vez mais alto. Ele cantou cada vez mais desafinado e cambaleou cada vez mais embriagado. Após algum tempo de júbilo consumo, aterrou violentamente no chão, vencido pela vertigem alcoolémica e pelo peso saboroso do sumo arroxeado oferecido pela anfitriã.
Por fim, perdeu de vez todos os sentidos.
A raposinha vencera o fraco humano. Do cimo do seu monte ouviu-se uma espécie de uivo de triunfo estranhamente familiar... talvez, quem sabe, por se repetir com alguma frequência.










