Quem tem insónias é um paradoxo vivo: não tem sono suficiente para adormecer, nem está suficientemente vígil para permanecer acordado. É como estar num fio tentando equilibrar-se, qualquer desvio nos mantém acesos.
Eu sou o oposto do narcoléptico. Não durmo. Eu não adormeço em 5 minutos, nem caio na cama e vou-me, imediatamente, instantaneamente, para o mundo monocromático dos sonhos.
Eu estou sempre alerta e só adormeço após insistentes bocejos, programas tremendamente maçadores, algumas páginas de estudo e, por vezes, doses de determinadas substâncias.
E tudo o que passo durante a noite reflecte-se durante o dia. Se estivesse constantemente com os braços estendidos a 90º, seria um remake de um filme de terror série B.
"Ouve lá, tás c'uma cara! Dass." diz alguém para animar.
Perco-me no meio das conversas e balbucio um disparate em troca de uma pergunta qualquer.
"Estão, tás bom?" o mesmo animador.
"É".
"?".
Se alguém diz que há uma cama vaga no serviço eu grito: "é minha,carago!" e a máquina de café passa a ser a minha maior aliada.
Há quem lute pela vida, pelos ideais, por desporto, porque é um FDP e gosta de bater em todos, eu luto para dormir.
Meus lençóis estão por todo lado, desde que "todo o lado" signifique alguns metros de distância. A tentativa de adormecer parece uma dança (ou será um convulsão tónico-clónica?). Volto-me milhares de vezes: esquerda volver! E depois para a direita; sou uma espécie de cão a calcar o colchão antes de deitar.
E quando, após horas de combate, vem um pequeno período de sono não-REM, mas que agoura algo de bom, meus vizinhos acordam porque já são 7 da manhã e estão felizes por terem tido uma boa noite de sono. Perpetuam, portanto, o ciclo.
Viva o Estazolam!!!
Sim, sim, claro...







































