30 julho 2013

Forreta? Eeeeuuu?!

Numa grande rotunda de Coimbra, desde há algum tempo, estão uns saltimbancos a distrair os automobilistas enquanto aguardam pela sinalética verde dos semáforos. Entretém o people com pinos e bolas já que são todos malabaristas. 
Confesso que acho interessante esta forma de ganhar a vida. É muito melhor tê-los ali a mostrar o seu talento do que ter que aguentar vendedores fajutas de "Borda d'água", "Cais" ou os famigerados limpadores de pára-brisas. Não pedem nada, mas é óbvio que têm um objectivo com o espectáculo público: no final da "apresentação", estendem um chapéu no sentido de receber qualquer coisa dos impacientes condutores.
Eu, na minha magnânima solidariedade, resolvi "amandar" para a cobertura capilar uma moeda de 20 cêntimos.
"Só 20 cêntimos!?", perguntarão vocês, indignados com a avareza.
Pois, 20 cêntimos. Parece pouco? Também achei a princípio, mas depois fiz as contas: se em cada sinal vermelho, 10 condutores fornecerem 20 cêntimos; se em cada hora houver, no mínimo, 10 sinais encarnados; se trabalharem as 8 horas de um normal trabalhador; se estiverem ali 20 dias por mês; quanto isto dará no fim do mês, limpinho, limpinho de impostos? Pois bem, para facilitar, digo-vos eu: 3200€! Ou seja, mais do dobro que eu recebo com o meu trabalho como Médico de Família. 

Ao longo do caminho fiquei a pensar que deveria ter enveredado pelo mundo do malabarismo (que de certa forma vou fazendo com o orçamento doméstico). No entanto, como são necessários talento, destreza e uma grande dose de coordenação motora, obviamente que esta hipótese foi imediatamente posta de parte. Mas como a minha madame está desempregada...




17 julho 2013

Pai sofre XXXIII - Ver vídeos na internet, mas sempre com protecção que é para não apanhar vírus

O tempo de ver filmes na televisão já lá vai. Os miúdos de hoje parecem se entreter mais ao ver os seus bonecos através do computador ou telemóvel. Culpa dessas novas tecnologias que põe à mão de semear qualquer conteúdo audiovisual que se pretenda sem grandes inconvenientes ou dificuldades.
Assim, numa bela tarde, e em resposta a um pedido deste tipo vindo de um dos pimpolhos, foi o pai ligar o ordenador. Acedeu à netinha para navegar com destino ao sítio dos filmes e escolheu aquele pretendido. A criança, de olhos bem abertos e impaciente pelo início da animação, deixou-a sentada na cadeira e foi à sua vida de pai satisfeito por agradar a cria. Tudo preparado para alguns minutos de pura diversão infanto-juvenil ingénua e pura, mas…

Um à parte: quem costuma visitar estes grandes servidores de vídeos sabe que, quase sempre, antes de cada filme existe uma publicidade a qualquer coisa. São telemóveis, produtos de higiene, comida para cão, qualquer coisa se vende a quem tiver uns segundos de paciência ou muito interesse em ver o vídeo que vem a seguir.

Como ia dizendo, a criança esperava ansiosamente pelo início do boneco e eis que, ao invés de um desenho colorido e infantil, surge um comercial de uma famosa marca de quê mesmo? De quê? De rebuçados? De chocolates? De gelados? De brinquedos? Não? Então de quê, caraças... suspense...tcharam:  PRESERVATIVOS!!! E não eram uns quisquer, não, eram preservativos que diziam ser “sensação pele com pele”!!! Mas que o quê, em nome de um deus qualquer, é “sensação pele com pele”?! 

Mas quem foi o génio que plantou uma propaganda semi-erótica antes de um vídeo infantil!? Quem achou conveniente por um comercial com esfregação e pecado num canal de animação? Tudo bem que era de animação que se estava à procura mas não desse tipo, caramba! O que valeu foi a destreza do pai em dissimular a cena.
 Não quero censurar nada aos pequenos mas cada coisa a seu tempo, ok? Sei que existem miúdos precoces mas que os meus o sejam em matemática ou literatura báltica.

Já estava ciente de que a net era coisinha insegura e promíscua mas isto parece-me algo exagerado.

25 junho 2013

A trip(a)

Primeira consulta do dia, numa segunda-feira, noite mal dormida e mau humor associado.
Chamo a primeira doente: completamente tresloucada; discurso verborreico, sem nexo, a saltar de um assunto para outro como se fosse um canguru com um foguete no rabo. Deixo-a falar, falar, falar, sem não parar e escondo-me atrás de um par de mãos a sussurrar o porquê de vir para medicina.
E então:
"Sabe doutor, eu tenho muitos gases. Tenho sempre a barriga assim inchada (não é da gordura, não...). Acho que é de ter a tripa grossa", diz ela.
"Desculpe, o que disse?", pergunto eu, tentando perceber o que tinha acontecido.
"Pois, tenho a tripa grossa, sim. Disseram-me num exame que me fizeram há uns anos. Faz sentido, Dr..Quando era pequena, lembro-me de obrar ao lado do meu irmão e olhar para as nossas fezes e perguntar a ele porque o meu cocó era maior que o dele. Ele já na altura disse-me: "és tu que tens a tripa grossa!". Vê? Sempre tinha razão, o meu irmão"

Confesso que não aguentei e escangalhei-me a rir sob o olhar incrédulo da senhora.
Haja paciência, carago, um gajo não é de ferro!!!



23 junho 2013

O verdadeiro cancro

Bonifácio carregava o exame para mostrar ao médico. Batia violentamente com os pés no chão num demonstrar inequívoco de ansiedade crescente. Finalmente ouviu o seu nome a ser chamado e dirigiu-se ao consutório.
Após os cumprimentos de ocasião, o médico pediu-lhe o exame. O clínico abriu o envelope e analisou o conteúdo. Em meio a "hum"'s proferidos pelo doutor, Bonifácio aumentava a adrenalina em circulação.
Por fim, após um longo e desolador suspiro do médico, a tão estremecedora notícia:
"Senhor Bonifácio, o meu amigo tem um cancro e o que temos de fazer agora é pensar na melhor maneira de tratar e..." 
Toda a explicação, Bonifácio ouviu sem ouvir. Só estava realmente interessado numa coisa: o prognóstico.
"Bem, senhor Bonifácio, o prognóstico para estes casos é reservado. Vai depender da resposta ao tratamento convencional: quimio, radio e, quem sabe, cirurgia."

Bonifácio saiu do consultório um pouco atordoado. Não tinha dores físicas mas sentia o seu espírito agredido no estômago, caído ao chão, continuando a ser pisoteado pela cruel verdade.
Foi directamente para casa tentando arranjar um texto tipo para passar tão devastadora informação à família; já bastava o seu próprio sofrimento.


Passaram-se alguns meses e Bonifácio respondia mal aos tratamentos. Sua última tentativa seria uma nova droga que parecia ter evidenciado benefícios para a sua doença. A esperança residia na possibilidade de ser administrada o mais rapidamente possível mas restrições orçamentais obrigavam a aprovação do pedido pelo Ministério da Saúde. 

"Bonifácio, tenho más notícias para si. O hospital não vai poder providenciar a medicação. O senhor ministro rejeitou o pedido alegando não haver evidência científica suficiente para a sua utilização".
"Mas, senhor doutor, o ministro é médico?"
"Não"
"Então não percebo"
"Eu também não, senhor Bonifácio"
"Então, e agora, senhor doutor? Sei que nunca fez um prognóstico temporal mas, quanto tempo me resta?"
"Bem, sem rodeios, Bonifácio, sem esta droga... talvez 2 meses, mais coisa, menos coisa"

Bonifácio abandonou o hospital. Vagueou por algum tempo pela baixa de Lisboa e decidiu-se por caminhar um pouco mais até a avenida João Crisóstomo, nº9. Chegando lá, aguardou.

Pouco tempo depois, Bonifácio viu aproximar-se um belo carro negro. Levantou-se e esperou que o veículo se imobilizasse. 
Do carro negro, Bonifácio viu sair um senhor de facto impecavelmente engomado que concluiu ser o ministro da saúde. Abordou o senhor e perguntou-lhe em jeito de confirmação:
"Bom dia. É o senhor o excelentíssimo ministro da saúde"
"Sou sim, meu caro"
Bonifácio, ao aperceber-se da resposta positiva, retirou do bolso uma pequena Beretta calibre 22 e aplicou 5 injecções de chumbo no tórax ministerial, impelindo o alvo numa queda lenta à retaguarda, apenas amparada por metade dos seus guarda-costas, visto a outra metade estar a manietar o agressor.

O incidente chocou a pequena e anárquica república. Bonifácio foi imediatamente preso e apresentado ao juiz. Deveria ser julgado de forma célere para servir de exemplo e assim evitar alastramentos de revolta.

O julgamento de Bonifácio foi alvo da maior cobertura jornalística alguma vez vista no país. Milhares de jornalistas nacionais e estrangeiros aguardavam à porta do tribunal. Aguardavam a sentença e especulavam sobre o período de cárcere destinado ao criminoso. Alguns analistas teciam comentários sobre a terrível ironia da possível maior sentença da justiça portuguesa poder traduzir-se  num período exíguo de prisão efectiva, dado que o réu estava em fase terminal. 

Finalmente o veredito. 

Bonifácio saiu pela porta da frente do tribunal, abraçado ao advogado e à esposa, perante o olhar atónito daqueles que ali puderam estar presentes. O inocente homem entrou numa viatura e abandonou o local, ficando o seu advogado a dar explicações:
"O senhor Bonifácio sempre se declarou inocente e o juiz percebeu isso claramente após o depoimento do meu cliente"
"Mas como foi isso possível? Havia uma série de testemunhas de acusação; elas viram o seu cliente assassinar a sangue frio o ministro da saúde", perguntou incrédulo um dos jornalistas.
"Sim, claro, elas depuseram, mas de nada valeu ao Ministério Público. A nossa alegação foi muito mais forte", respondeu triunfante o advogado.
"Mas, para além da inocência, o que mais o seu cliente alegou?", questionava furioso um novo jornalista.
"Meu cliente, perante a recusa, por parte do senhor ministro da saúde, da medicação que lhe salvaria a vida, alegou obviamente legítima defesa!"




20 junho 2013

James GOLDolfini


Hoje, durante o trabalho, sinto o telemóvel a avisar-me que tinha recebido uma mensagem. Num intervalo entre consultas li "o ator que fazia os sopranos morreu: ataque cardíaco". Pensei logo no Gandolfini, já que a pessoa que escreveu a mensagem não via a série.

Gandolfini era o "boss" e por isso era reconhecido por quem não via o programa. Era ele a âncora de uma série que ia muitíssimo mais além da simples problemática da máfia. Aliás, a questão da organização era apenas um pretexto para apresentar um conjunto de outras problemáticas muito interessantes e complexas.
Um exemplo disso mesmo: um grande amigo meu, psiquiatra, dizia que pensara em escrever um trabalho sobre toda a psicopatologia existente nas diferentes personagens; psicoses, personalidades megalómanas, depressão, demência, ataques de pânico, you name it - um verdadeiro graal.
Quem nunca viu esqueça a máfia e veja por outro prisma: vai ficar espantado.


Nota: É incrível ver as manifestações de carinho e afecto que este grande actor está a ser alvo. Reconhecimento de um trabalho extraordinário e de fãs do mesmo calibre.

Até um dia, Tony.



19 junho 2013

Que nos contagie

No Brasil um aumento de cerca de 7 cêntimos nos transportes foi a gota d'água, a faísca que está a originar um incêndio social.
A revolta contra a pobreza, a violência e toda a corrupção, acumulada há décadas, insurgiu-se nas ruas.
Nós, deste lado, vamos comentando com assombro... e alguma esperança. Oxalá essa Primavera brasileira (embora lá seja Outono) contra o polvo do seu governo seja um rastilho que nos incedeie contra o nosso. 

Parabéns, Brasil!


17 junho 2013

Trocadilho

Chovia torrencialmente naquela noite de verão.

As cinco Marias vinham de retorno à casa depois da semana de estudos na capital. 
Maria Esperança era a que conduzia o carro. Mantinha-se atenta aos perigos daquela estrada molhada. Após uma semana intensa na faculdade estava ansiosa por rever a família mas não era isso que a obrigaria a acelerar. Ao seu lado, Maria Felicidade ria-se com as piadolas das companheiras do banco de trás, Maria Piedade, Maria da Saudade e Maria Preciosa, sempre a provocar o riso das companheiras da frente com os acontecimentos e desventuras semanais: as graçolas dos rapazes, as saídas nocturnas, os namoricos, a juventude... 

A amizade entre as meninas era algo mágico. Só se haviam encontrado na universidade mas parecia que se conheciam há séculos. Sentiam-se ligadas de alguma forma e havia, é certo, grande afinidade entre elas: tinham praticamente a mesma idade, partilhavam os mesmos gostos, tinham sonhos de futuro comuns e, aquilo que sempre acharam muita piada, comiungavam do mesmo nome: Maria.
Pela coincidência nominal, tratavam-se simplesmente pelo segundo nome.

Esperança, apesar da conversa animada, sorria pouco; conhecia bem o caminho que percorria mas, com tanta chuva, tinha dificuldades em identificar onde estava. 
“Esperança, estás perdida?”, brincava Preciosa, a mais galhofeira das três. 
“Não, só está difícil conduzir com tanta chuva”, respondeu a condutora. 
“Podes parar um pouco, se quiseres. Eu não tenho grande pressa”, tranquilizou Piedade. 
“Ó pá, tem piedade”, gracejou Preciosa, “eu quero chegar logo para ver o meu Diamantino. 
“Preciosa e Diamantino: o casal mais valioso”, agora era Felicidade a mandar uma graçola da qual riram-se todas. 

Esperança também rira, mas rira um riso encavacado, pouco dedicado em responder à piada. Estava preocupada; apesar de ter alguma experiência ao volante não se lembrava de ter conduzido sob condições tão adversas. 

“Estás muito quieta, Saudade. Sentes falta de alguma coisa… ou de alguém?”, mandou Preciosa enquanto piscava o olho à Felicidade que se mantinha voltada para trás. 
“Lá está tu, Preciosa. Não consegues passar sem mandar piadolas. Sim, por mim ficava por Lisboa na companhia do Augusto”, replicou Saudade, incomodada pela brincadeira da amiga. 
“E tu, Felicidade, estás a rir mas também preferias ficar por lá a namoriscar com o teu Felix. Formam o casal mais alegre da faculdade”, continua a Preciosa, a "disparar" em todas as direcções. Felicidade deu uma gargalhada muito característica dela e que combinava bem com o seu nome; ao mesmo tempo suspirou um “e vamos ter um Benjamim”.

A viagem manteve-se animada por um bom tempo... 

Então, numa curva perigosa da estrada, sob a chuva intensa que se fazia sentir e se acumulava na estrada, Esperança perdeu o controlo do carro. O veículo ziguezagueou pela via indo beijar com fulgor uma velha nogueira que morava à beira da estrada, parando instantânea e violentamente.
Em pouco tempo o silêncio apoderou-se da cena; o som do motor calou-se e os risos cessaram; apenas se ouviam as gotas da chuva sobre a chapa e o rádio do carro que insistia em funcionar e onde se ouvia uma música que as meninas sabiam de cor: “Last Kiss”. 

Todas pereceram. 
Após o embate, no automóvel, só Saudade ficou. Piedade foi atirada para longe. Preciosa perdeu a vida alguns metros à frente junto a um banco de jardim. Felicidade desapareceu pouco depois do embate. De todas, e fazendo jus ao seu nome, Esperança foi mesmo a última a morrer.

15 junho 2013

Fazer o que um político deveria fazer: ouvir o povo

Não é exagero da minha parte se vos disser que a maioria das consultas que faço diariamente têm uma grande parte do seu tempo útil gasto em críticas aos políticos em geral e a este governo em particular.
As pessoas estão descontentes e desanimadas, o que não é novidade, e para além do pulso orgânico que o médico lhes tira, também este pulso de desalento é por nós obsevado nos contactos. Também vemos o nervo das pessoas direccionado para os cargos de decisão. Também sentimos a desmoralização de quem, por ganhar pouco mais de um salário mínimo, tem agora de pagar por tudo, até para uma simples medição da tensão arterial (0.80€ num Centro de Saúde, ou seja, mais caro do que em qualquer farmácia). Observa-se a fractura existente entre um povo cada vez mais pobre e um governo cada vez mais autoritário e desinteressado pelo bem-estar dos seus concidadãos.

Infelizmente, sou um privilegiado nesta observação da lástima in loco. Infelizmente porque me rouba tempo para a medicina pura e física (no entanto, alguns estados da alma também podem vir a ser doença e, portanto, se tratam). Infelizmente apenas porque entristece e, vez por outra, desmotiva...

De todas as queixas dos doentes são estas as que me preocupam mais. Podem apresentar dores, tosse ou uma unha encravada, isso são questões físicas que ao corpo de outrem dizem respeito, mas quando começam a destilar as reclamações relacionadas com a pobreza, a exclusão, a solidão, o esquecimento a que foram atirados, demonstram que a sociedade na qual vivemos está, também ela, doente; e, dessa "doença" que me mostram, também eu sou responsável e passível de contágio.

Ontem foi mais um dia de dores e descontentamentos. Já nada me surpreende nos protestos. Existem os revoltados que esbracejam e pedem a cabeça de um ministro ou dois. Existem os resignados como o lema sempre actual do "é a vida". Existem os que vêm a luz ao fim do túnel e, portanto, saem do gabinete bem medicados. Existem os que até apoiam em parte o governo mas que acham que já se está a exagerar qualquer coisita. 
Mas ontem, apesar de já ter ouvido um pouco de tudo, uma das queixosas apresentou-me um lamento que me tocou mais profundamente. Perdera uma filha e uma neta para a França, para onde foram sob a promessa de uma vida melhor. Por essa sentença culpava o governo e os políticos. Acusava-os de serem frios e desumanos, gentinha pequena, imoral e sem alma. Não se queixava de ter sido roubada, enganada e expoliada paulatinamente dos seus direitos, apenas reinvidicava o direito de ter os seus perto de si. No fim disparou:
"- Sabe, Dr., essa gente parece não ter família nem coração. São pessoas frias, robôs. Fazer o quê, não é...", encolheu o ombro e enxugou as lágrimas mais uma vez, agradeceu a consulta e deixou o consultório.
_______________________________________________________

Os políticos são como o cometa Halley: só aparecem de tempos em tempos. Só se vislumbram em momentos de eleições. só abraçam, sorriem, interessam-se pela plebe quando dela dependem para sentar o traseiro no assento do poder. No intervalo tornam-se nos três macacos sábios... mas com pouca sapiência.
Um aviso as decisores deste país: pessoas que não têm nada a perder tornam-se extremamente perigosas. 
E estamos a ficar com poucas coisas a que nos possamos agarrar...



13 junho 2013

A doença

Portugal sentia-se mal. Sentia-se fraco, febril, com cefaleias e desvarios; sentia-se a convulsivar a qualquer momento. Queixava-se de vómitos austeros e diarreias intelectuais. Tinha ideias persecutórias nas quais seria alvo de alemães e organizações financeiras várias.
Resolveu ir a um médico cirurgião, famoso pelos seus dotes nos cortes, a ver se este lhe cortava definitivamente o mal pela raiz.

O Dr. Passos atendia em São Bento. A troco de uns bons trocos consultou Portugal.
Durante a consulta, Portugal foi contando os seus ais: "ai, que me doem as estruturas, as infra e as macro", "ai, que tenho a visão curta e não vejo o futuro", "ai, que me dói os ouvidos de tanta lamúria", "ai, que a sodomia política me fez mal às hemorróidas","ai, que me coçam as virilhas de tanto parasita"...
O Sr. Prof. Dr Passos diagnosticou, de imediato, uma neurose nesse tão estranho paciente. Considerou-o um daqueles doentes chatos que se queixam de tudo e mais alguma coisa: tudo lhe dói, até o cabelo; tudo é uma desgraça; tudo vai acabar mal; blá, blá blá. O doutorzito começava a ficar irritado com tanta queixola. "Esse Portugal é mesmo um maricas, pá; será que não vê que está tudo bem? Quem dera que os meus pacientes pudessem ver com os meus olhos", pensava o Dr.

A consulta já se prolongava no tempo quando o Dr. Passos, após profunda reflexão e uma boa dose de canastrice, resolveu dar nomes aos bois:
- Meu caro Portugal, o Sr. padece de uma espécie rara de Síndrome Metabólico Nacional. É o primeiro caso que tenho mas parece ser endémico do sul da Europa e tenho a impressão de ser bastante contagioso. Consiste, basicamente, em gorduras a mais e, consequentemente, peso a mais. O seu Estado é, portanto, obeso. A somar, o senhor tem Diabetes pública, resultado dos doces gastos dos últimos 38 anos. Sabe, as suas células viveram à grande e os seus órgãos sugaram tudo o que podiam e não podiam. Quando somos novos não pensamos no futuro e a sua democracia é um claro exemplo de uma juventude transviada... ah, e o senhor é neurótico também, já agora.
- Mas, Dr, isso está assim tão mal? O que é que se pode fazer?  
- Proponho um tratamento de choque?  
- Ok, drogas fortes...  
- Não, não, mesmo choques: electrochoques! Electroconvulsoterapia! É o melhor para essa mania de perseguição e esse fado que o senhor tem.  
- Mas, sr. Dr., pensei que a neurose era um diagnóstico secundário! E então essa gordura e a diabetes, não me podem parar o coração republicano e o cérebro democrático? O senhor não é cirurgião? Não me corta nada?  
- Bem, primeiro esses orgãos de que fala já há muito estão parados, meu caro Portugal. Além disso, há quem viva dessa gordurinha boa que tem; não lhes quer estragar a vida só porque tem a sua arruinada, não é? Quanto ao cortar, já lhe cortei as esperanças, que mais quer?    
Portugal saiu a rastejar, desmoralizado, daquele gabinete. No entanto, não satisfeito, foi procurar uma segunda opinião doutro douto senhor que consultava num palácio cor-de-rosa de Belém.
Pobre Portugal, estava mesmo perdido...

11 junho 2013

On/off

Marido e mulher entram no gabinete. Vêm os dois para uma consulta de "rotina" acompanhados pela filha.
Ela é baixa, não chega ao metro e meio bem cheinhos por uns bons quilos a mais; ele é um pouco mais alto e mais longilíneo.

Desde o momento em que os dois abrem a porta do gabinete ouço a senhora a falar. Aliás, se não estiver a exagerar, penso já ouvi-la mesmo antes de entrar no consultório.

Começo as consultas por ela. 
A senhora é daquelas pessoas que vai ao Porto para ir para Lisboa. Começa a falar em alhos e, sem se saber como e porque, altera para bugalhos. Tem um discurso verborreico incessante, rotativo, apenas com ligeiras pausas para respirar. Salta de um assunto para outro como um Cadillac de um mexicano qualquer de Los Angeles. A filha bem tenta reprimi-la mas é como se se sentasse num touro mecânico: desiste logo aos 3 segundos.

Eu deixo a simpática senhora falar, falar, falar. Não digo palavra nem faço qualquer interrogação: dou-lhe tempo de antena. Quando finalmente cede um flanco, tomo as rédeas e, passados os 15 minutos de antena (não de fama), a consulta se encerra.

Passo então para o companheiro. 
Durante todo o tempo da consulta da esposa, ele nada falou. Não abriu o bico ou prestou atenção no que foi dito. Por vezes elevava os ombros e suspirava. Parecia acostumado...
Quando finalmente pergunto "e então, sr, o que o traz cá", a senhora liga-se novamente em virtuoso e veloz discurso, tentando explicar tudo por ele e voltando às suas próprias mazelas.
Deixo-a falar por mais um ou dois minutos e então olho seriamente no rosto do seu marido e pergunto com a maior naturalidade:
- Onde é que se desliga?

Escusado será dizer que, à excepção da faladora, todos os outros riram-se.
Risota passada pude, por fim, terminar as consultas.
Que nos valha o jogo de cintura.




10 junho 2013

Pai sofre XXXII - Um milhão de quilates

A minha menina tem um amigo na escola.
Tanto ela como ele se iluminam quando se vêem. E enquanto não se encontram, parece-me, o dia não tem brincadeira, ou tem, mas sem tanto riso nem tanta graça.
A relação de amizade entre as duas crianças me enriquece. A pureza daquele amor infantil é um verdadeiro diamante. Faz-me encarar a vida de forma mais simples e perceber que, por trás de tantas nuvens, metaforica e fisicamente falando, existe realmente uma estrela para nos aquecer o espírito.

Os miúdos mais velhos perguntam a ela "onde está o teu namorado, menina?", numa jocoza brincadeira sobre os mais novos. Ela aponta para o rapaz sem saber ao certo o sentido daquela estranha palavra. Para ela é o melhor amigo, aquele com o qual tem mais afinidade, o que brinca melhor e a faz sorrir. Não há sentimento de posse ou de ciúme, apenas um desejo verdadeiro de companhia.

Confesso, no início, um pouco de ciúmes, uma verdadeira patetice e típico de um homem há muito vendido aos problemas do mundo dos adultos. Para quem já passou da primavera, a vida está carregada de preconceitos e medos irracionais e espanta-se com a naturalidade de um verdadeiro abraço desinteressado. É difícil aceitar tanta nobreza e é preciso alguma humildade para perceber que temos muito a aprender com a petizada.
Ainda faltam alguns anos até eu realmente ter de me preocupar com carcamanos atrás da minha princesa. Mas façam esforço para perdoar um pai adulto levemente enciumado e corrompido pelos males da sociedade.

Em meio a tanta "preocupação" parental consola-me esta beleza apenas proporcionada pela limpeza da alma infantil. A amizade aqui não tem cor, não tem sexo, não tem idade e, principalmente, não tem fronteiras.

Aprendêssemos alguma coisa com os pequenitos e este mundo seria um lugar melhor.


09 junho 2013

Drogas de/vidas

Vinha ela dos médicos. 
Mais uma vez carregada de receitas milagrosas para mazelas e mágoas incuráveis.
Adentrou titubeante na pequena e velha botica. Cumprimentou o funcionário e apresentou-lhe a prescrição da dermatologista.
O farmacêutico sorriu e sussurrou entredentes "um manipulado? Até que enfim", numa clara alusão da necessidade pessoal de relembrar o labor num laboratório. Já ninguém praticava "pharmácia" nestes dias, vinha tudo em caixinhas coloridas.
Ela ouviu o rumorejo e respondeu num semelhante murmúrio: "manipulai-me!"

"Manipulai meu ser. Faz dele o que quiserdes. Revirai meu corpo, penetrai-o, perfurai-o, remexei-o, centrifugai-o em rotações tamanhas capazes de desfazer meus pensamentos mais sombrios. Triturai meus ingredientes e, assim, transformai-me em cura para meus próprios males.
Manipulai meu coração. Misturai os sentimentos que lá guardo em coquetel mágico de prazer. Manipulai a bomba e programai-a para estoirar como nos filmes: exactamente no momento em que me salvais e me pondes no porto seguro dos vossos carnudos braços.
Manipulai meus sofrimentos. Aquecei-os, queimai-os, fazei-os evaporar na química dos vossos preparos. Curai-me das minhas extraordinárias dores, das inventadas, das sonhadas, das queridas e companheiras, das físicas e das psíquicas. Curai-me por completo com os vossos salgados elixires místicos.
Manipulai o meu género. Manipulai-o com vigor. Manipulai-o com o rigor e precisão das ciências exactas. Não lhe tenhais perdão. Devassai-o, sugai-o, e deleiteai-vos com os seus sucos e provai que o inferno também pode ser sagrado. Usa o vosso corpo para o vasculhar meu sexo num vai e vem insaciável e pecaminoso. Fazei da minha pélvis um brinquedo e sê criança o tempo que quiserdes. 
Manipulai o que quiserdes de mim. Fazei-me vossa sem pruridos ou arrependimentos. 
Relembrai-me que a vida, por mais sofrida, pode, por fim, ter algum mínimo sentido."

O técnico voltou-se para ela com a nítida noção de ter ouvido algo e lhe perguntou:
"Desculpe, minha senhora, disse alguma coisa?"
"Oh, sim, sim. Era mais esta receita.", respondeu trêmula.
O farmacêutico olhou para o papel e falou consigo próprio:
"Hum, pois bem... sim... lítio".

06 junho 2013

"Grousso"

“Grou” era o seu estilo.
Como a majestosa ave, também ele voou.
Levantou voo impulsionado violentamente por uma poção mágica que tomou. Líquido extraído de fruta poderosa ao paladar e olfato e que lhe deu um enérgico empurrão a coragem, lhe incrementou a força e lhe libertou a insanidade. Com os ingredientes certos da vinha, esse tal grou humano saltou do alto da sua elevada razão e, no ilimitado repique do licor, esvoaçou pelo celeste dia de verão.
Nessa encantadora viagem recarregou as baterias do seu ser e deixou-se volatizar num fumo violáceo e alcoólico que, com apenas um leve trago, seria capaz de inebriar deuses e demónios (principalmente estes últimos). Depois fez-se nuvem carregada e choveu-se por instantes, voltando a reunir-se em pingos frutados de si mesmo para prosseguir a ébria jornada.
Descansou no Alísio, deixando-se levar pela calmaria da tarde; por fim, quando o super-poder do liquor terminou, levou ao bico mais um gole da orgíaca poção... e adejou um pouco mais, migrando alegremente para o infinito.

29 março 2013

8


Foi há 8 anos atrás que uma amiga chuvosa, dona de um céu de nuvens cor-de-laranja, me apresentou à blogosfera. Mostrou-me o seu próprio estaminé e criou-me uma estranha vontade de entrar neste negócio virtual. Assim nasceu o mundo catso. Mas não se enganem: o mundo já era catso muito antes deste nascer.
Ao longo desse tempo foram muitos os que "conheci"  por aqui. Conhecer nesta dimensão informática tem outra definição. Não se toca, não se ouve, não se sente. Lê-se e imagina-se como serão os donos das imagens e das letras. De alguns conheço o rosto, culpa de algo maior que lentamente está a destruir esta forma de comunicação blogueana: o Facebook. Doutros, faço eu próprio a minha criação mental. Descansem esses, pois elas são todas lindas, gostosas e vestidas a rigor para a participação num filme erótico da Palyboy TV; eles, são homens e não ando a criar imagens de machos na minha mente, recrio-os como personagens simpsonianas - amarelos, esteriotipados e com abdómenes cervejeiros. No entanto, encaro-os todos como amigos, mesmo que virtuais, já que muitos comungam das minhas ideias e, os que não comungam, costumam debater com educação. 

É raro lembrar-me do aniversário deste espaço. Talvez o tenha feito apenas por duas ou três vezes ao longo deste período. Talvez este ano me tenha lembrado justamente porque o tasco tem sido negligenciado pela gerência nestes últimos tempos. Não porque o mundo tenha deixado de proporcionar estupidez, essa parece infidável, mas porque o Catsone (que por vezes gosta de usar a 3ª pessoa) tem tido tempo para quase tudo e a blogosfera parece fazer parte desse "quase" que está a ser esquecido.

Já muito aprendi por cá. Já muito me diverti. Já muito desabafei. Espero, mesmo que esporadicamente, manter-me por aqui a ver a bola por mais algum um tempo.



26 março 2013

Opinadeiros

Homenagem a MRS e JS:

"Era um homem tão letrado, tão imensuradamente letrado, que um dia comeu uma sopa de letras e obrou um romance com um cheirinho à Margarida Rebelo Pinto..."

14 março 2013

Exame esquisito

Da prática no Centro de Saúde 
 ...então o doente aborda-me no corredor do Centro de Saúde visivelmente transtornado. 
"Dr. precisava muito de falar consigo. Parece que tenho algo grave na próstata!", enquanto esbracejava nervosamente com um exame que tinha feito. 
Digo-lhe para aguardar e que, no intervalo entre consultas, falaria com ele.

Algum tempo depois, e para evitar conflitos com outros utentes/doentes/pacientes/clientes, chamei-o e pedi que me explicasse o que se passava. 
"Pois, xôtor, fui eu que fui a um rastreio e disseram-me que tinha a próstata em mau estado. Até lhes disse que calhava bem já que tinha este exame para mostrar ao meu MF!" 
O exame em causa era uma ecografia prostática pedida por mim mesmo e que, para um indivíduo de 60 e tais, nem estava muito má: um ligeiríssimo aumento do volume. 
"Mas ouça lá, o Sr. tem alguma queixa urinária?" 
"Não"
"Fizeram alguma análise ao sangue?" 
"Não" 
"Mas que rastreio era esse?" 
"É daquelas barracas que medem a tensão e o colesterol" 
"Mas como, em nome de um deus qq, e baseado em quê, concluíram que tinha um problema grave na próstata?" 
"Ó, xôtor, eles têm uma máquina extraordinária. Nós pomos o dedo lá dentro e a máquina mostra o nosso corpo todo!!!" 
"Desculpe. O senhor está a brincar comigo? É que para avaliar a próstata é exactamente ao contrário: constumam é enfiar o dedo (ou a máquina [eco]) em nós!" 
Tranquilizei o doente e continuei as consultas.

É difícil manter uma "poker face" nestas situações...

06 fevereiro 2013

Viagens

Dizem que as viagens no tempo não existem. Talvez seja verdade mas dependerá do ponto de vista. Não existem viagens no tempo em termos físicos mas acho bem possível que o espírito viaje...

As arrumações na casa nova tiveram o condão de me reapresentar à missivas há muito esquecidas numa gaveta qualquer. Cartas de amigos, de amigas algo coloridas e descoloridas, de colegas de escola e outros personagens. Pessoas que "abandonei" no regresso à lusa terra. Pessoas das quais perdi contacto e me indago em como estarão hoje. 

Entretive-me a ler por um bocado. Sacudi-lhes a poeira do tempo e decifrei-lhes a data: algures de 1992, em algum tempo de 1993, meados de 1994 e 1995. Enquanto as relia olhei para as costas das mãos: já não estão tão lisas como outrora...

As palavras contavam-me as novidades daquele tempo, revelavam sentimentos guardados, confessavam saudades acumuladas, sucessos alcançados e formulavam desejos de felicidades na minha nova aventura portuguesa. Perguntavam de forma sincera se gostava de cá estar, sobre a minha adaptação; algumas perguntavam-me sobre aventuras outras.

Enquanto lia não pude deixar de sorrir umas quantas vezes e suspirar umas tantas mais. Talvez, se não estiver enganado e não me falhe a memória, podia jurar que me saltou uma ou outra lágrima pelo caminho da leitura.
Nessa tão diferente viagem pude ver-me novamente no inícios dos 90, puto imberbe e descordenado, dominado pelas hormonas e pela  inexperiência. Mentalmente, pude rever clássicos do Paulistão e do campeonato brasileiro e vi-me a pular o único e último carnaval numa matiné estranha rodeado de amigos. Voltei a ter 17 anos  novamente. 
Numa delas encontrei 3 autógrafos de jogadores do São Paulo F.C. enviados por um dos mais inveterados corinthianos que conheço e, ao mesmo tempo, um dos meus melhores amigos de sempre.

Arrumei as cartas, com extremo cuidado, de volta na caixa que as conservava. Ficarão ali a hibernar. Talvez não mais volte a lê-las, talvez as revisite quando sentir necessidade de viajar para aquela altura... ou quanto tiver vontade de me sentir com 17 novamente.



26 dezembro 2012

Concessionar



Baseando-se no Desgoverno de Portugal,
Também concessionou o seu serviço, o Pai Natal.

Entregou a empreitada à um empresa privada,
Mas como era de se esperar, tal como por cá,
Tudo acabou numa tremenda trapalhada.

Para poupar no orçamento,
E como qualquer bom patrão
Também era, o Pai Natal, muito casmurro:
Lá trocou as tradicionais renas
Por um estranho grupo de burros!

Tal como as renas, todos o burros tinham nomes:
O primeiro, de nariz vermelho, chamava-se Coelho;
Do seu lado, fazendo par, estava o sonolento Gaspar;
Na segunda fila, mas não se importa, vinha o de nome “Portas”;
O quarto (o preferido de Noel), era o querido, brilhante e genial Miguel;
O quinto animal era o Aníbal;
A completar a 3ª fila, sempre com cara de azedo, vinha o burro do Macedo;
O sétimo burro, já bem velho mas pouco otário, era o burro Mário;
E ao seu lado, a sonhar ser o primeiro no futuro, vinha o burro José Seguro.

Escusado será dizer que não houve Natal:
O Coelho não soube guiar o grupo;
O Gaspar cortou-lhe nas prendas a entregar;
O Portas fez birrinha;
O Relvas quis fazer de Pai Natal;
O Aníbal engasgou-se com um pedaço de bolo rei;
O Macedo adoeceu;
O Mário finalmente falou com São Pedro;
O Seguro correu para o lado oposto.

No próximo ano o Pai Natal trocará essa cambada de burros por huskys siberianos…

Mesmo atrasados, meus desejos de boas festas a todos os camaradas que por aqui passam.

 

17 dezembro 2012

Charada

Então, vamos lá ver se advinham esta:

Um determinado banco de um determinado país de África Ocidental que fala português e é um rico produtor de diamantes de sangue, generais da treta e corrupção, compra um banco português nacionalizado, também ele exemplo da arte corruptiva, por uma bagatela/pechincha num verdadeiro negócio da china (mas sem chineses envolvido [?]) para aquele primeiro banco e extraordinariamente lesivo para o Estado.
Nessa negociata está incluído o despedimento selvático de (pelo menos) 100 "colaboradores". Sendo essa decisão da exclusiva responsabilidade da nova administração privada, quem pagará essas rescisões? Quem será, quem será? 
















Tu, grande palerma... e eu também, grande idiota!