13 junho 2011

Fernando, a Pessoa

Há 123 anos nascia um dos maiores poetas da língua portuguesa: Fernando Pessoa. Com ele, nasceram também várias outras Pessoas que o Fernando foi desvendando na sua obra intemporal.
Tal é a sua importância para as 2letras" que a Google resolveu homenageá-lo, no seu motor de busca, com esta imagem:

Sua poesia perdura e impulsiona milhares a escrever; é possível, nas viagens pela blogosfera, ver excertos das suas obras a "adornar" templates vários.


Quem me dera escrever "coisas" como esta:


O Infante


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!



E que deu origem a "isto":


Ou "isto":

05 junho 2011

4




Em resposta ao desafio "os problemas resolvem-se à chapada" da Fábrica de Letras.








4

A professora já não suportava mais. Aquela era a pior turma que alguma vez tivera a seu cargo. Nos seus longos anos de experiência nunca vira nada assim e a sua já pouca paciência esgotava-se a cada dia.
Eles gritavam, eles brigavam, mandavam papeis, borrachas e bocas uns aos outros.
Já tinha sido insultada, humilhada e desrespeitada de todas as formas e feitios por aqueles pequenos estafermos. Já não os suportava e, vindo de alguém que os devia "adoptar" como aprendizes, isso era terrível e inaceitável.

Por causa daqueles alunos iniciara uma incursão no mundo da piscofármacologia. Sentia-se nervosa só de pensar em pisar a sala de aula; as sextas-feiras eram de alívio e os domingos à tarde de terror.
Decidira acabar com este sofrimento. Não merecia essa cruz. Ia rebelar-se!

Chegou à sala naquela segunda-feira de manhã e viu o que via todos os dias: algazarra. Uns gritavam, outros corriam, mais um em cima da sua secretária e uma que escrevia no quadro enquanto o colega a usava como alvo para as suas bolas de papel. Nem notaram a sua entrada.


Escostou-se, invisível, à um canto, encheu-se de coragem e...
- CALEM-SE! TODOS SENTADOS! - a plenos pulmões, vindo do mais fundo, do mais recôndido e escondido canto escuro do seu espírito.

A sala de aula congelou-se. Todos ficaram imóveis como se alguém parasse o tempo. Espantados, viram no semblante da, outrora paciente professora, algo nunca antes observado. Algo estranho, novo e assustador. Um frio lhes correu espinha acima.

- SENTADOS, JÁ DISSE! NÃO VOLTO A REPETIR!

A pequena trupe então sentou-se. Expectantes, aguardavam o que dali viria.

A professora viu-se num impasse. Agora não poderia voltar atrás. Iniciou uma viagem sem retorno; uma batalha onde não poderia ceder um milímetro. Pensava no que fazer já que alguns insistiam em desafiá-la; riam-se baixinho, nervosos mas provocadores.
Decidiu-se por dar-lhes uma lição que jamais esqueceriam. Lição essa que pagaria com juros tudo o que lhe haviam feito passar até então. Ficariam "quites". Correria riscos, mas agora encontrava-se no ponto de não retorno.

Escreveu "2+2= " no quadro negro. Olhou para a turma e chamou: Pedro.

Não era aleatória a escolha pelo Pedrinho. O Pedrinho era o maestro daquela sinfonia dos infernos. Era o general, o padrinho, o pastor daquele rebanho de pequenas "Maria-vai-com-as-outras".

O Pedrinho era filho único. Gostava de toda a atenção que lhe pudessem dispensar. Gostava de ser o centro do universo e tudo fazia para que o considerassem assim.
Não era um rapaz brilhante, muito pelo contrário, e por isso mesmo chumbara alguns anos. Dessa forma era o maioral da turma, o mais velho, o mais alto e forte... e aproveitava-se disso. Não havia orelha na turma que já não tivesse sido aquecida pela mão do Pedrinho, nem rabo que não tivesse a marca de uma das suas sapatilhas.
Era um arruaceiro, um desordeiro e um candidato a futuro delinquente.
O Pedrinho era o alvo (e o exemplo) perfeito para a lição das lições.

- Pedro, anda cá ao quadro e resolve esta conta.
O menino levantou-se e desfilou desdém entre o corredor de carteiras. Sorriu para os outros, confiante, com a arrogância de quem já conta com a vitória antes do jogo acabar.
A professora entregou um pedaço de giz ao rapaz e insistiu no pedido.
- "Stôra", não vou resolver - diz matreiro.
- Ai não? Porquê? - pergunta a professora.
- Porque não sei.
- Não sabes? Como não? Claro que sabes.
- Ó "stôra", não sei nem quero saber! - e vira as costas à educadora.
Foi então que sentiu a mão quente e húmida da professora a agarrar-lhe o braço.
- Não te mandei sentar. Tu hoje sais daqui a saber matemática, meu amigo. Olha aqui, que número é esse?
- Não sei, nem quero saber, já disse e...
- É UM "2"! - e conta "1" e "2" enquanto desfere dois valentes estalos nas bochechas rosadas do rufia.

O Pedro estremece. Não estava à espera nem sabia de onde vinha aquela mão cheia de dedos.
A assistir a cena, a turma toda em suspensão, aturdida, boquiaberta, a beliscar-se...

- AGORA CONTA COMIGO: 3 E 4! - mais dois tabefes na cara do puto - ENTÃO QUANTOS SÃO 2+2, HÃ? DIZ LÁ, RAPAZ, DIZ!!!
- São 4, "stôra", 4!!! - lutando para não chorar à frente dos colegas (luta inglória).
- Vês? Vês como sabes? - diz calma e ternamente a professora - meus parabéns, Pedro. Pronto, agora vai, meu rapaz, vai-te lá sentar.

A professora lutava para esconder o tremor das mãos e a ansiedade que lhe inundava a alma.

- Alguém mais tem dúvidas? -perguntou à turma com um sorriso doce nos lábios - algum de vocês quer fazer alguma pergunta? Sabem todos quantos são 2+2?
- SIM, Sra"stôra", são 4 ! - responderam em uníssono.
- Muito bem! Então assim sendo, abram os vossos livros na página 26 e ...

Desde então, nunca se vira naquela escola turma tão trabalhadora, organizada e orgulhosa da sua mestra e, ainda na semana passada, ficou-se a saber que o Pedro acabara a licenciatura em Engenharia com distinção.
Já diriam os sábios populares: "nada como um bom estímulo".

31 maio 2011

Banda sonora

Minha banda sonora nos próximos tempos...

27 maio 2011

2 pesos

Ainda há pouco tempo, em Coimbra, e após o PCP ter pintado as escadas monumentais com "propaganda" política (o que, para mm, caracteriza um acto de vandalismo puro), um grupo de estudantes manifestou-se durante o comício do Sr. Jerónimo de Sousa. Embora alguns ânimos se tivessem exaltado, a manifestação decorreu sem problemas e não houve, salvo alguns militantes mais "antigos", da parte do PCP, qualquer comentário; nem houve agressões ou detenções por parte da polícia (nem sei se, por ventura, haveria algum polícia nas imediações).

Ontem foi a vez do mesmo acontecer num comício da sua santidade o Engº Sócrates. Um grupo manifestava-se contra o pagamento de portagens na A22. O que terá acontecido para que houvessem desacatos e uma detenção? Tiros, facadas, arremesso de tomates? Não, o que houve foi: "Decorriam os discursos no largo da Pontinha, local do comício, quando os agentes começaram a identificar pessoas que empunhavam cartazes e que assobiavam."
Perguntado sobre o sucedido o secretário, do mui democrático partido socialista, proferiu uma frase carregada de paradoxos: "“Acho absolutamente lamentável o que aconteceu. Enfim, é gente a quem a
democracia deu direitos, mas que não sabem usá-los”, afirmou, em resposta à SIC.
Fui então ver o que quer dizer democracia:
Democracia | s. f.

democracia
(grego demokratía, -as, governo do povo)
s. f.
1. Governo em que o povo exerce a soberania, directa! ou indirectamente!.
2. Partido democrático.
3. O povo (em oposição a aristocracia).

Parece que utilizar cartazes e assobiar é antidemocrático. Nunca vi, por exemplo, um adepto com os cartazes do "dá-me a camisola" ou "Mãe, estou aqui!" e que assobiam serem manietados e presos. Nunca vi um trolha a ser identificado por mandas um bom "fiu, fiu" a uma moçoila na rua (embora considere um acto de assédio).
Parece-me que manifestar-se contra as ideias do PS é, por si só, um acto antidemocrático e merecedor de reprimenda ao bom estilo ditatorial.

"Vários dirigentes socialistas sublinharam ainda que a manifestação era ilegal." in Publico
O que legaliza uma manifestação? Existe um impresso, um requerimento ou um selo qualquer para que se possa ir manifestar livremente? A democracia exige que se faça um pré-aviso de manifestação? Quem são estes dirigentes que ilegalizaram o direito à expressão?

Daí, meus caros amigos, tenham cuidado com o X no dia 5. Tenho receio que votar em qualquer outro grupo partidário seja antidemocrático e dê direito a uma bela sessão de
spanking...

Crise



"If only I could roll Soundgarden, Pearl Jam, and Alice In Chains into a joint....Id finally be in peace"

Anónimo

26 maio 2011

Pai sofre XVIII: Homem das Caldas


Antes de mais uma pergunta:
O que faz um homem das Caldas da Rainha depois de um dia de trabalho?

Novamente no cubículo escuro das ecografias, lá estava eu e a minha senhora. Era a 2ª, aquela a que chamam morfológica. Porquê? Porque se vêm os perímetros, o estômago, os rins, blá, blá,blá...
Embora tanto me fizesse ser menino ou menina, confesso que estava curioso para saber o sexo e que, confesso também, devido a já termos uma princesinha no nosso reino, havia agora espaço para um sapito.
"Boa tarde", disse o obstetra. "Vamos lá ver se está tudo bem".
Dado ter passado algum tempo numa maternidade estou +/- familiarizado com o branco e preto das ecografias obstétricas e ia identificando o que a sonda tentava mostrar.
"Ora, aqui está o coração", dizia o médico, "e aqui estão os rins"...
Parecia um piloto de aviação a "checar" os instrumentos.
"O perímetro abdominal, o bi-parietal, o yada, yada, yadal..."
"Ó amigo, já agora, mostra lá o que existe entre as pernas" pensava eu.
"Olhem aqui o fémur, o úmero, os dedos...", listava o homem.
"Pila, pila, pila..." desejava (sem trocadílhos, ok?) eu.
E um "glimpse".
Pensei: êlá, será que... esperaí...
Olhei para a minha grávida e sorri. Avistei um jogo de bilhar em miniatura, a saladinha de tomates e pepino, os kiwis e a bananinha, e um sem fim de trocadilhos patetas que só compreende quem passa pela coisa. Apeteceu-me dizer: "Máquecara##$".
"Bem, têm aqui um belo rapaz. Vêem, este é o escroto e este é o pênis".
Só pensava (dizer era capaz de ser constrangedor): "fiz uma pila, fiz uma pila, fiz uma pila!". E diga-se de passagem o que se via era uma bela duma pilinha, guardada por dois
cojones de respeito! Para um gajo com experiência em fazer vaginas, aquele falo estava muito bem feito. Pronto, chega de auto-elogios.
Vai voltar a estar equilibrado cá por casa: dois homens e duas meninas; não quer dizer que saia a ganhar nas discussões...



Resposta à pergunta inicial do post.
Como este será, em princípio, o último que faço, direi o mesmo que um homem das Caldas depois de um grande dia de trabalho: "não faço mais nenhum cara#$%!!!"

24 maio 2011

Tudo doido?


Mas será possível que 1/3 da população do país não consegue ver para além da cegueira socratiana? Este gajo é o verdadeiro flautista de Hamelin... mas encanta burros!
Pec que os pariu a todos!

Shame, shame

Shame, shame

Lascívia me percorre o ser
Ao ver o corpo que me ofereces.
Toco-o como a um ídolo
E reconheço o seu odor.
Regozijo-me no seu esplendor
Percorrendo-o centímetro por centímetro,
perdendo-me aqui e ali.
Dou voltas, ando em círculos,
Para que o prazer que me propões
Seja infinito.
E caio ao chão, fatigado,
Mas em êxtase.
Venero o quanto te dás
E sacio-me mais uma vez em ti.
E o desejo perpetua-se…


22 maio 2011

Renascimento



Como têm tido a oportunidade de constatar, este espaço tem sido um pouco negligenciado, culpa da vida que nos impede, por vezes, de fazer o que gostamos.

Posto isto, venho hoje quebrar o enguiço criativo devido à paixão ao FCP.
Há cerca de um ano escrevi este texto. Nele descrevia o meu desalento pela época desastrosa protagonizada pelos mesmos jogadores que este ano fizeram a melhor temporada de sempre.
É incrível como se mudam as coisas em apenas 1 ano. É inacreditável o que acontece quando pegamos em 3 pessoas e as trocamos por outras 3 diferentes. No caso do FCP, bastou trocar um treinador principal (sem contar a equipa técnica), um defesa central e um médio centro e puff, criou-se uma das melhores equipes de sempre. Obviamente que esta última ideia é uma caricatura mas olha-se para o banco e vê-se um portista ferrenho no comando, o que faz uma diferença do caraças.
No entanto, o que mais me apraz neste sucesso talvez não sejam os títulos. O que mais me agrada é ver pessoas que se orgulham da camisa que vestem, que dão o litro, que não desistem, que não utilizam a violência dos antecessores, que não se saciam com apenas uma vitória, que não dão desculpas e que cantam com a massa...


Terminei aquele texto com a seguinte frase: "Que se encontre cura para as nossas maleitas e que possamos enfrentar os demais com a força de outrora". Encontramos a cura para algumas; outras lá continuam a morar e os títulos permitem que se tornem "transparentes" aos olhares dos incautos... o tempo há-de eliminá-las para aclarar cada vez mais as nossas vitórias.


Hoje, um título mais ricos, os portistas voltam a festejar. Este ano parece haver mais "S. Joões" (qual é o plural de João?) e os "suspiros" são por outros motivos.



Saudação De(s)portista!

14 maio 2011

Zunido

Para o desafio "Mãe" da Fábrica de Letras:


Zunido

Quando ele abriu os olhos não sabia onde estava; e naquela escuridão, apenas interrompida por clarões semelhantes a relâmpagos, ouvia um terrível estardalhaço incompreensível.
Estava deitado. Olhava para um céu negro nocturno de onde espiava uma lua minguante e envergonhada.

Tentou levantar-se para tentar compreender onde estava e o que se passava. Viu então muitos vestidos de igual e armados. Uns gritavam palavras de ordem e acenavam, outros apenas gritavam enquanto alguns caíam e não mais levantavam.
Deu-lhe então um click: “estou em combate!”

Tinha treinado para aquilo. Tinham-no tornado insensível, destemido, frio e impiedoso. Tinha sido dos melhores da sua turma; nenhum atirava como ele, nem tinha sua força ou destreza. Era um lutador terrível e todos o temiam.
E ali estava ele: o produto do que lhe ensinaram e do treino que o preparara para a guerra... mas aquilo era tão mais real.

Ao olhar para a frente da batalha pôde ver o corredor de fogo que iluminava a noite uns quilómetros mais à frente. De lá conseguia ouvir os gritos de horror e a colecção de últimos suspiros que ia crescendo à grande velocidade.

A custo, e também graças a empurrões vários do seu superior, foi avançando pelo terreno tornado irregular pela carne humana deixada para trás. Ouvia o zunido do enxame de balas que passavam ora ali e acolá; rezou pela primeira vez em anos…

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ foi o que ouviu antes de sentir uma força brutal, que o enviou ao chão uns bons metros atrás, seguida de uma dor lancinante que começou no peito e logo passou-lhe à alma.
Sentiu um gosto estranho na boca que o lembrou do tempo de pequenino quando lambia as feridas depois dos jogos de futebol.
Ouviu os pedidos do médico do pelotão enquanto sentia as mãos de um companheiro a segurar a sua e a pedir para se aguentar.

Já pouco se podia fazer e daquele jovem tornado Homem duro, rude, frio e temido, só ouviram mais uma pequena frase; uma pequena frase que dava sentido a tudo naquele momento:
“Eu quero a minha Mãe”

27 abril 2011

Mecanimais Vs Meganimais

(Atenção: se o leitor não tiver filhos com idades compreendidas entre os 0 e os 5 anos é provável que o 2º sentido deste texto lhe escape.)

Se os senhores do FMI não conseguirem resolver a nossa situação então há que recorrer aos Mecanimais!





(Para melhor compreensão, prestar atenção à última frase do genérico[aos 40'])

13 abril 2011

Aike

Para o desafio "Ternura" da "Fábrica de Letras":



Aike


Era uma tarde copiosamente infernal de Agosto e sentia o vento quente a queimar-lhe a cara enquanto caminhava à beira mar. Acompanhavam-no, no passeio “molha-pés”, inúmeros idosos, aparentemente imunes ao melanoma, torrados, suados, enrugados mas sorridentes.
Tentava abstrair-se do cenário escondendo-se por trás de uns óculos espelhados e um boné dos Bulls. Distraía-se ao som da “Alive” que ouvia no Walkman® escondido num dos bolsos dos calções.
Era tímido mas gostava destes andares à margem marítima para “micar” as garinas. Andava à caça mas tinha pouco da arte da rapina.

Sentou-se. Começava a sentir os efeitos da resistência daquele solo e do brasido solar.
Concertou o rabo na areia enquanto virava a k7 para o lado B: “Jeremy”…

Viu-a sentada um pouco mais à frente. Ela era uma rapariga de tez alva, silhueta esbelta adornada por longos cabelos pretos e lisos.
Engoliu em seco: era uma oportunidade. Porque não arriscar? O que tinha a perder?
Levantou-se a custo e deixou-se ir, lutando com a irregularidade do chão e das pernas.

“Olá. Tudo bem?”
Ela ficou espantada a olhar para ele. Seus pequenos olhos negros pareciam dois enormes pontos de interrogação, uma cena parecida com os desenhos animados feitos no seu país.
“No entendo” respondeu em meio a risinhos escondidos por trás da mão.
“Speak english?” falou ele no seu inglês macarrónico.
“Yea”
Ele sorriu. Parece que o risco valera a pena.

Falaram durante muito tempo. Falavam sobre as diferenças culturais, sobre a gastronomia, sobre anime (que ele adorava), sobre música, sobre futebol…

Ele estava impressionado com a figura da moça: exótica, simpática e simples. Ela estava encantada com a maneira de estar dele e com seu sorriso.
Olhavam-se como se olha a ídolos.

“Say something in japanese” pediu o rapaz.
“あなたが面白いです” disse ela.
“What it means?”
“Say something in portuguese first” exigiu ela.
“Ok. Ai que ternura” disse ele.
“OMG. Are you a psychic or something?!” ficou incrédula.
“What? Why?”
“How do you know my name?”
“I don’t know your name.”
“You already said”
“No, I didn't. I don't know your name. You didn’t tell me. But now i'm curious, what is your name?”

Fez suspense: “My name is Aike. Aike Tenura”.

Aquele verão de 1994 foi o melhor de sempre.


03 abril 2011

Dando continuação à uma tradição que começou aqui e continuou aqui e aqui, vou puxar do meu sangue azul e tentar passar um pouco da alegria para um punhado de palavras.


E aconteceu de novo.
Fomos maiores, mais fortes;
Fomos novamente especiais.
O Dragão cuspiu seu fogo;
Ele que veio do Norte
Para vergar os seus rivais.

Esqueçam lá as águias,
Esqueçam os leões e outros animais.
Nesta Selva de redondas contendas
Reinam outros mitos.
Separem já as águas!
Esqueçam os campeões virtuais!
O maior é o animal da lenda,
O nosso amor, por ele, é infinito.

Obrigado, Futebol Clube do Porto!!!



28 março 2011

Prata

Governo e Assembleia da República só não são as instituições mais desorganizadas do país porque ainda existe o Sporting!

23 março 2011

as do crocodilo

Fui apenas eu ou mais alguém lacrimejou ao ver a bancada do PS, de pé, a aplaudir, o discurso do Francisco Assis?

21 março 2011

O pão nosso de cada dia

Falem o que quiserem, argumentem como entenderem, mas, com a verdade vos digo: não existe especialidade médica mais difícil que a Medicina Geral e Familiar.
Vou dar como exemplo uma anedota, da qual gosto muito (e talvez muitos já conheçam), que reflecte o meu dia-a-dia no Centro de Saúde:

"Jesus Cristo, ao ver no que o mundo se tornara, resolve encarnar novamente. Pondera muito o local e a profissão que desta feita escolheria e, depois de estudar minuciosamente todas as alternativas, decide-se por voltar à terra sob a forma de Médico de Família em Portugal.
Escolhe, para início da nova empreitada, um Centro de Saúde com algumas condições, num distrito qualquer do território nacional, indo tomar, como seu, um ficheiro de utentes há muito sem clínico atribuído.

Jesus chama, então, o seu primeiro utente: o Sr. Manuel, um utente paralítico, sequelas de um acidente de viação.
Jesus cumprimenta o doente e, ao vê-lo naquele estado, coloca a palma da sua mão na testa do homem e diz:
"Levanta-te e anda!"
O Sr. Manuel levantou-se, agradeceu e caminhou porta fora.

À saída, um seu amigo, Sr. Joaquim, pergunta-lhe:
"Atão, Manel, como é o médico novo?"
"Ópa, sempre a mesma merda, nem a tensão o gajo me mediu, vê lá!"



E é isso, é difícil... mas, por enquanto, continua a dar um gozo do caraças!

14 março 2011

PECados

Com a palavra Sua Santidade, o Papa Bento XVI, no seu último discurso dominical, dirigindo-se ao governo português, nomeadamente a Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças:





Papa Bento XVI: "Irmãos, um caloroso abraço aos irmãos portugueses. Faço um apelo ao Ministro das Finanças daquele país: por favor, irmão Teixeira, não PEC mais; está difícil interceder por si junto do Senhor..."

12 março 2011

Coragem

Acabei de comer um "cachorro da night": ainda estou vivo e sem sinais da Salmonella.
(há que respeitar o período de incubação...)

10 março 2011

O verdadeiro Dr.

Pelo que tenho visto, no lugar onde trabalho, talvez não precisem, realmente, de um médico: basta ir ao Dr. da farmácia.

08 março 2011

♀ = + Cones?



Ela: olha, dá-me essa almofada bege.
Eu entrego-lhe uma almofada dentre milhares d'outras.
Ela: não é essa! Não vês que essa é amarela?
Eu: amarela? a sério?
Ela: dá-me essa do lado?
Eu: esta branca?
Ela: branca não, bege!
Eu: ... ok, dou-te esta branca-amarelada.

De certeza que as mulheres tem mais cones que os homens (eu falei cones!)...