28 maio 2010

Town of sadness

Em dias como este nada faz sentido. Quando a vida se esvai, quando desaparece, pergunta-se "porquê?".
Nestes dias de sol envergonhado e vento frio, que esconde o calor de primavera, pensa-se sobre a efemeridade da vida.
Escrevi este post sobre a nossa incapacidade e pequenez perante situações irreversíveis. A irreversibilidade confirmou-se hoje, através de um daqueles telefonemas que ninguém quer ouvir.
E é como que se o tempo parasse e nos trouxesse à mente memórias há muito escondidas, imagens já amareladas do passar dos anos; imagens em Super 8, mudas mas alegres, de tempos longínquos e que não voltam mais. Lembro-me dos tempos de criança, das visitas e viagens à terra dos meus pais, das noites na tua casa, do carinho do teu abraço de amizade sincera.
A verdade é que ficam memórias boas, vivências, bons momentos, coisas que nem a morte nos pode roubar.
Graças aquilo em que acredito, penso que estás agora num lugar melhor, onde a dor e sofrimento dos últimos tempos não não mais te assolam e onde terás algum merecido conforto e descanso. Talvez esta crença traga a mim, inconscientemente, algum consolação... quem sabe.
Resta-me a certeza de que, apesar de hoje ser o teu velório, sei perfeitamente que daqui para frente serás tu a velar por todos nós.
A ti, querida tia, que muito raramente vi triste, descansa em paz e até um dia destes.




27 maio 2010

Pai sofre XI - O "assédio"

Ontem fomos dar uma volta à nova superfície comercial cá do burgo. Precisava de umas coisitas e aproveitei para espairecer.
Embarcámos os três no popó e lá fomos nós.
Enquanto a patroa foi à loja do Belmiro fui eu, com a minha pequena, dar uma volta pelos corredores do centro comercial..
Tudo ia bem até ter reparado num (deveras) interessante e misterioso fenómeno. Comecei a aperceber-me que muchachas várias achavam engraçado (e fofinho!) o facto de um gajo passear um bebé. Olham primeiro a cria, sorriem e depois fitam as fuças do empurrador de carrinho. Parecem avaliar o potencial do macho.
Conjecturei sobre o que iria na cabeça das moças: “… aquele até é fértil, quem diria…”, “…hum, não parece com o pai…”, “…deve ser adoptada…”, etc, etc.
Confesso que achei piada, afinal não é comum ser observado dessa forma tão, digamos, lasciva. Mas, passado algum tempo, começou a ser incomodativo. Senti um pouco do que os famosos sentem. Montes de olhos em cima de nós… não estou acostumado (e quem me conhece percebe porque).
Tentei disfarçar o embaraço e olhar para algumas montras mas a miúda estava tão bem disposta que passou o tempo todo a palrear e dar gritinhos... o que atraiu, ainda mais, a atenção. Parecia um chamamento para o sexo oposto: e mais sorrisos, “cuti-cutis” e olhares constrangedores.
De interessante, o fenómeno passou a ser caliginoso e antes que alguma desse o bote, acelerei o passo em busca do conforto que existe por baixo da asa da patroa; com a velocidade do carrinho, a filhota ria-se…
Encontrei a minha “chefa” na fila da caixa:
“- Tás branco…”


Ainda a arfar, pensei que poderia alugar a miúda aos meus amigos solteiros... pode ser que ainda ganhe algum cacau com este estranha manifestação.

15 maio 2010

Dinos


Parece que escapou um dos dinossauros do espectáculo: WALKING WITH DINOSAURS THE LIVE EXPERIENCE
Chama-se Máriosoaurio e foi visto a dar bitaites e autógrafos na feira do livro de Lisboa.
Um verdadeiro broncossauro...

07 maio 2010

Vontades

Apesar de estar em retiro (pouco) espiritual, não podia deixar de participar no desafio da "Fábrica de Letras. Posto um poema já velhinho aqui por casa... sem muito tempo para pensar em coisas novas (embora, muitas vezes, apeteça :( )
Aos colegas operários peço desculpas por não visitá-los com mais frequência mas, por aqui, "la cosa esta peluda"...

Em resposta ao desafio "paixão" da Fábrica:



Vontades


Hoje senti vontade de te ter ao pé de mim.

Instalou-se sem que desse conta
Um desejo de abraçar-te,
Olhar-te nos olhos
E falar-te da falta que me fazes

Hoje senti vontade de dizer-te: amo-te.
Um desejo incoerente e forte
De falar da minha paixão
E explica-la como um menino explica

À mãe o seu dia na escola.

Hoje senti vontade de ser feliz…

E compreendi porque me lembrei de ti…



Luís Fernandes Lisboa ®

02 maio 2010

08 abril 2010

Período introspectivo



Amigos, este blog ficará abandonado até ao fim de Junho.
But, fear not... I'll be back

04 abril 2010

Intelectualices

Os meus queridos amigos vão ter de me desculpar, mas vou destilar algum veneno acumulado, coisa que eu até nem gosto muito, mas que por vezes sabe bem... mesmo muito bem.

Já falei aqui, e várias vezes, sobre os opinadores. Os opinadores são aqueles animaizitos que têm opinião sobre tudo, desde a conjuntura macrossocial da sociedade da República do Laos e do Sultanato do Butão até a adstringência, quantidade em taninos, sabor frutado e odor amadeirado do vinho branco de Albergaria dos Doze.
Os opinadores enervam-me, muito... mesmo muito. Mas os que mais me enervam são aqueles opinadores intelectualóides, daqueles que usam palavras caras, de difícil definição, e que andam às voltas sobre um tema, terminando no mesmo sítio onde começaram. São os que dão as voltas de 360º, os que "falam-falam, falam-falam, e eu não os vejo a fazer nada", os cuspidores de direitos, mas que quando espremidos nem gota de sabedoria deitam... apenas a pura, cristalina, cândida e alba ignorância e estupidez das quais são constituídos.
Ok, eu também estou a ser intelectualóide e ando às voltas com este texto de treta, e também já opinei muito neste blog, dando a volta ao meu próprio estômago; então vou directo ao assunto.
Fui alertado para esta notícia publicada no "Público". Bem, fui alertado mais para os comentários à notícia do que para a própria notícia. Nem sequer li o texto informativo e comecei a ler as "opiniões" dos opinadores. Logo no primeiro comentário deparei-me com esta pérola de imbecilidade:

" joaorapace, coimbra. 03.04.2010 16:11

médicos de família é um engodo

Os médicos de família serão assim tão importantes? Pouco mais sabem do que um cidadão com alguma destreza. A maioria que eu conheço são muito fracos, aliás os médicos em geral, salvo honrosas excepções a alguns, que estão situados em Lisboa e no Porto. O resto, quando é uma operação mais delicada não sabem fazer. Esta é a realidade. Houve aí alguém a falar de enfermeiros poderem ser médicos de família? Talvez! O que faz um médico de família? Bem a minha vê a tensão e passa receitas. Quando lhe digo que estou constipado, vai ao computador, a algum programa e vê o que me há-de dar! Relatórios médicos não é com ela! Deixem-se de alarmismos. Uma pessoa mais esperta pode ser médico de família!"

Este comentário lembrou-me duas aulas do tempo da faculdade: uma de Ortopedia, na qual se falava de epitrocleíte e epicondilíte, duas situações que podem dar dor-de-cotovelo; e outra de psiquiatria, na qual se dissertava sobre frustrações, situações que, como qualquer pessoa com alguma destreza sabe, não são passíveis de tratamento.

Cheguei a algumas conclusões depois de ler este mimo de idiotice. Primeiro, o Sr. João não me parece que tenha alguma destreza, ou senão, segundo as suas próprias ideias, seria médico de família. Segundo, o Sr. João parece desconhecer por completo o que é Medicina e deve estar sentado com o rabiosque no seu escritório ou banco de táxi; devo aconselha-lo, se me permite, a tomar cuidado: a posição "sentado" pode originar problemas hemorroidários e, sabendo-se ser uma cirurgia muito delicada, pose ser necessário despachar esse seu traseiro para um país mais avançado nestas técnicas, como por exemplo... hum... o Djibuti. Terceiro, parece também não saber o que faz um Enfermeiro; tenho muitos amigos enfermeiros (alguns até vão ler isto, se tiverem pachorra), mas o meu trabalho é o meu trabalho e o deles (muitíssimo meritório) é o deles; sou contra as injecções dadas por farmacêuticos, por exemplo, e contra este tipo de comentários "especializados" feitos por mentecaptos como o Sr. João; já diz a sabedoria do povo: "cada macaco no seu galho", parece-me que o Sr. João não terá um galho disponível, mas pode ser que se contente com uma bela e saborosa banana. Quarto, "o que faz um médico de família?", poderia dissertar filosoficamente sobre este tema, mas isso seria demais para a dupla neuronal que o Sr. João alberga no projecto de encéfalo; se quiser saber, pode sempre ler um tratado de Medicina Familiar, mas ler... para si... não me parece... talvez "a bola" ou o "público" online; ainda bem que não vai assim tanto à sua médica de família, ou teriam os outros doentes que aguardar até ela voltar da baixa por danos psicológicos; ela passa receitas? Você também passou-nos uma a quem o pôde ler: como provar a ignorância em apenas 9 linhas; se ela não quiser passar-lhe um relatório, não se preocupe, pare alguém com alguma destreza no meio da rua e pode ser que tenha alguma sorte. Quinto, "uma pessoa esperta pode ser médico de família"; caríssimo, esperto são os cães... se calhar você é esperto, talvez tenha se enganado no local onde necessita de cuidados de saúde...

E assim caminham os quadrúpedes opinadores intelectualóides da sociedade lusa.
Sei que não devia desperdiçar meu tempo para isto, mas fazer o quê, sabe bem despejar neste espaço algumas "angústias"... é exactamente para isso que isto, de ter blogues, serve.
O Sr. João bem podia deixar de ir ao seu CS e deixar o lugar aqueles que não têm médico atribuído, de certeza que lhe agradeciam.
E se acha que a sua médica não sabe tratar das suas constipações, venha ter comigo, tenho a receita certa para si:
- Umas gotinhas de haloperidol;
- Uma "amarguinha";
- 2 supositórios de Paracetamol 500 mg;
- 1 injecção de água destilada.
Garanto-lhe que passaria muito tempo até pensar em voltar...

"الحُمْقُ داء ولا دواء له"
"A estupidez é uma doença para a qual não existe remédio"
Provérbio Árabe

03 abril 2010

Trocadilho

Parece que o Ratzinger está indignado e quer acusações sobre pedofilia trocadas por miúdos...

01 abril 2010

À beira

Para o desafio "Abismo" da "Fábrica de Letras"






À beira

Júlia subiu à grade daquela ponte sobre o rio Zêzere e respirou fundo. Tinha decidido saltar e não havia nada nem ninguém que a impedisse.
Olhou para o céu azul de início de primavera e fechou os olhos tentando absorver cheiros, ruídos e o calor ténue do sol. Uma brisa lânguida lambia-lhe a face.
Olhou para baixo e calculou o tempo da queda; vislumbrou o rio a correr calmamente, como que ignorando o que estava para acontecer, e bandos de pássaros a pulular entre árvores no festim do cio primaveril.

Júlia planeara isto há algum tempo mas, no entanto, faltara-lhe sempre a coragem necessária. Chamaram-na fraca muitas vezes ao longo da sua curta vida, mas agora iam todos ver do que era capaz. Já não tinha dúvidas e agora faltava pouco tempo para o concretizar.
O seu coração quase não dava conta do recado.

Ultrapassada a grade, Júlia postou-se mesmo a beirinha da imensa construção de betão, agarrada à vida por um fio, suando frio, mas decidida. Cantarolava “I believe I can fly” por entre os dentes de forma a ignorar a ansiedade que a consumia. Sentia dores lombares de tanto trabalho que dava às suprarrenais.
“Vai Ju, força, é só mais um passo”, tentando empurrar-se com a mente.
Baloiçou os braços, respirou o mais fundo possível, cerrou os olhos… saltou…

Partiu em silêncio.
Sentiu um frio no estômago e uma sensação de êxtase nunca antes vivida. Seguia naquela queda vertiginosa mas que, ao mesmo tempo, parecia-lhe em câmara lenta. Podia ver a ponte a afastar-se em direcção ao céu e o rio a aproximar-se majestoso.
Pensou… pensou muito durante aquela viagem.
Pensou no trabalho rotineiro das 9 às 5; trabalho mecânico sensaborão, arranjado por um amigo de um amigo, numa empresa tipo “João sempre-em-pé”, tipo vai-não-vai para esfumar-se. Seca, chatice, maçada.
Pensou nas relações falhadas, nos tipos com quem saiu, nos tipos para quem se entregou e nos restantes. Pensou nos flirts, nos affairs, namoriscos que experimentou e tampas que aplicou. “Os homens, esses inúteis”.
Pensou nas dívidas, nas contas mensais, nas coisas que gostava de ter e, principalmente, no dinheiro que não tinha.
Pensou na família, nos amigos… nos inimigos.
Pensou em tanta coisa e em tão pouco tempo, e nem o barulho do vento abstraiu-a dos seus pensamentos.
Mas já não tinha mais tempo para pensar. Acelerava para o fim da viagem, o rio ali tão perto. Sentia a fresquidão que emanava do curso d’água.
Abriu os braços e entregou-se de corpo e alma… o rio quase, quase…








Desacelerou. A velocidade que ganhara, dissipara-se num milésimo de segundo. Ainda tocou com os seus cabelos negros na água antes de ser puxada violentamente de volta para cima.
O elástico fizera a sua parte e, então, finalmente, Júlia gritou:
“Que se fôda tudo o resto, é tão bom estar viva!!!”
E a música que agora cantava era outra:




Luís Fernandes Lisboa ®

Foto: www.panoramio.com

31 março 2010

Dúvida

Eu não jogo "Farmville".... serei normal?

30 março 2010

Vinde a mim...

Sugestão para leitura do evangelho na próxima missa dominical: Lucas 18,15-17.

29 março 2010

Cinco

Uma pausa no trabalho para comemorar (?) os 5 anos de existência deste blog.
Desde que comecei a escrever neste espaço já me formei, me casei e fui pai.
Aqui já desabafei, critiquei, mostrei um pouco de mim mesmo e conheci pessoas deveras interessantes.
O que será que me reservam os próximos 5 anos?



Aqueles que por aqui passam e deixam um pouco de si mesmos, muito obrigado!

27 março 2010

O melhor?

Hoje, fazendo uma pausa no trabalho, vi um pouco do Top+ . Tentava ignorar a voz rouca da Isabel mas não pude deixar de ouvir: "No nº ? Recordações 2 - o melhor de Toy", ao mesmo tempo que se iniciava um vídeo manhoso do início dos 90 (tendo em conta com as fatiotas do artista).
Os "best of" são um estratagema das editoras para sacar mais uns trocos dos fãs e daqueles outros consumidores que só querem os "hits" de determinado artista. Então pergunto-me: terá o Toy tantos "hits" que não caibam apenas num "recordações" para que seja necessário um "recordações 2"?
A própria existência de tais obras faz arrepiar até o pêlo escondido no mais recôndito local do corpo.
Lembrei-me daquele programa "mui" educativo que versava sobre o dia-a-dia desse cantor romântico e romance foi a última coisa que me veio à cabeça.

E lá foi "correndo" o clip. Um must de labreguice retro. Uma música (?) cheia de azeite, tal e qual o autor... mas vende, tanto que está no top! Culpa dos ministros da educação, digo eu...

Desliguei a televisão e voltei para o trabalho com muito mais vontade.

Se aquilo era o best, nem quero imaginar o "worst"!





"Chama o António..."






NOT!!!

25 março 2010

Tempo (falta de)

Aqueles que me visitam, que fazem comentários ao que escrevo, que dignam um pouco do seu precioso tempo a ler os meus devaneios, venho dizer que estarei um pouco afastado desta vida bloguista.
Faço este pequeno aviso apenas porquê gosto de visitar os blogs, companheiros de labuta virtual, que se encontram à direita e assim "explicar" minha ausência em suas "casas".
Não tenho tido o tempo que gostaria para os visitar, nem aquele necessário para escrever e assim, escrever por escrever, não é a mesma coisa.
Dessa forma, vou aparecendo pelos vossos tascos de vez em quando e nesta taberna vou servindo "pratos" a espaços mais largos.

Mas não se livram de mim

19 março 2010

Pai sofre X - Dia do pai


Há 400 kms de distância a nos separar e a minha prenda ideal seria um xi ao meu pobre coração...

14 março 2010

Oceans

Esta música lembra-me meus 16 anos.
Lembra-me banco de trás de um carro, com uns walkman nas mãos e uns fones que englobavam todo o pavilhão auricular.
Lembra-me descer a serra em direcção à Riviera de São Lourenço em Bertioga, São Paulo. O mar lá em baixo tão pequeno que cabia dentro da minha mão e as inúmeras cascatas da serra, mesmo ao nosso lado, chorando as águas da condensação da neblina.
Lembra-me tentar imaginar o corpo de uma mulher nos limites das montanhas enquanto inspirava o cheiro de mata atlântica (semi-)virgem.
Lembra-me domingos de verão, com céu nublado, 35ºC e humidade a 85% e amizade a 110%.
E hoje, neste dia de sol deslumbrante, e apesar dos 7ºC que estão lá fora, lembrei-me desta música e ouvi-la foi fazer novamente aqulea viagem...



Bom domingo, friends!

13 março 2010

Mónei fóde bóis

"'Money for the boys' marca debate do Orçamento" in Diário de Notícias

Ontem foi dia de debate e votação do orçamento... finalmente.
Mas não é bem isso que me faz escrever aqui hoje.
Não gosto de gente que fica em "cima do muro". Gente que não sabe dizer que sim nem não. Que não têm opinião relativamente a temas importantes e que lhes dizem respeito.
É isso que se passa com o PSD e o CDS- P(q)P.
Esses 2 partidos não sabem o que querem... ou sabem?

Nunca deixei de votar. Fui sempre exercer meu dever e votei , se bem ou mal não sei, mas fui.
Sempre fui contra a abstenção. Acho que as pessoas devem ter o direito de escolher quem os represente nas instâncias políticas.

Nas últimas eleições aqueles mesmos partidos lutaram para que as pessoas fossem votar. O Sr. Paulito, em todos os comícios, vinha relembrar o zé para que votasse. A Sra Dª Manuela lembrava a importância de uma baixa abstenção. Os dois em conjunto fizeram das tripas coração para que as pessoas percebessem que, não indo votar, estariam a ajudar o eng. Sócras. Incitaram as pessoas a defender a democracia através da opinião.
Então, depois desse aula de altruísmo, dessa prova de cidadania, dessa exemplo de liderança, o que é que eles fizeram ontem na votação do OE? O quê, o quê?
Se abstiveram!!!
Então... mas não era... ó que caraças!

Ri-me para não chorar; os defensores da participação, não participaram.
É preciso ter lata, quando se lhe pedem opinião não são carne nem são peixe!
"Eu acho que este OE é uma porcaria mas vou viabilizá-lo". E ainda têm a cara-de-pau de criticar o OE. Se não concordavam com o mesmo votassem NÃO; se o queriam viabilizar votassem SIM. Agora, absterem-se para dar a impressão que não concordam mas ao mesmo tempo aprovar um OE só para ver no que vai dar? E se a coisa correr mal ainda vêm dizer "reparem que a gente não votou sim"...
Quem querem enganar com essa atitude?
Politiquices...

Nas próximas eleições talvez me recorde disto.

12 março 2010

Contra a maré II


No seguimento do post anterior...

Houve um laboratório que, a pretexto de publicitar um medicamento para o colesterol, deu-nos um modelo de artéria. Essa artéria está dividida em quartos que demonstram a evolução da deposição do colesterol nas paredes do vaso. No 1º quarto a artéria está sãzinha da Silva e no último está ocluída por um trombo num estreitamento causado pelo colesterol.
É esse modelo que apresento aos candidatos à morte súbita. Os inúmeros Sr. Fulanos que a vêem esbugalham os olhos para aquilo, não sei se percebendo o que a "artéria" lhes tenta "dizer" ou porque o modelo é feio comó caraças.

Essa pequena introdução para quê?
Há já algum tempo, muito tempo mesmo, percebi que é difícil (ou impossível) lutar contra o poder da publicidade. É a publicidade que oferece patrocínio aos clubes de futebol e grandes festivais de música para que promovam cerveja, por exemplo.
As crianças estão sujeitas a eternos períodos de propaganda que lhes enfiam ideias comercialóides pela cabeça: são brinquedos no natal, são chocolates na páscoa, são morangos, são açúcar, etc, etc.
Imagine-se um comercial onde uma rapariga muito... hum... digamos, jeitosa, saia do mar numa praia ensolarada, tire a tampa a uma mini e se insinue a um marmanjo qualquer: será possível que, depois dessa cena, esse mesmo marmanjo esteja interessado em saber que o álcool da mini lhe é prejudicial? Bem, com uma mini apenas não há problema, dirão os senhores, mas o problema é que, para alguns XY, as minis são como as cerejas...
E é mesmo muito difícil lutar contra isso, contra essa ideia de que é cool beber-se à noite, comer de tudo e à fartazana e no fim manter-se com o corpo de uma Sónia Araújo (caraças de fetiche) ou de algum gajo bom qualquer (não conheço nenhum, as meninas que por aqui passam que dêem sugestões).

Toda essa lenga-lenga para dizer que ontem, enquanto almoçava e assistia às notícias num canal qualquer, surgiu no ecrã uma nova publicidade extraordinária.
Algum génio resolveu criar o acepipe dos anjos gordurosos e que passo, eu também, a publicitar:



Para que fique claro: eu gosto de pizza (muito), gosto de hambúrguer e gosto de bacon, mas porra, tudo isso junto na mesma dentada?! O que mais catso falta por nessas fatias que acresça o teor em castrol e trigres? Dass! Mais vale injectar manteiga directamente na veia, o entupimento da circulação sempre era mais lento!
Isso arrebenta a escala das milhares calorias! E acompanhado com quê? Coca-cola?
Imagino a cara dos miúdos ao verem isso...




PS: alguém conhece algum ingrediente que não se possa por numa pizza?

11 março 2010

Contra a maré...

, O Sr. Fulano entra no gabinete. Sente dificuldades para se sentar. Aumenta a distância que separa a cadeira da secretária para que esse espaço possa albergar, com algum conforto, o seu volumoso ventre.
O Sr. Fulano é um sujeito bonacheirão, o gordo simpático. No seu corpo alberga um tratado de patologia, ele é obesidade mórbida, hipertensão, diabetes, dislipidémia mista, gota, artroses e desgostos.
O Sr. Fulano é um senhor de vícios: álcool, tabaco, venham eles! Nas patuscadas com os “amigos” ele se sente bem…

Falo com o Sr. Fulano para o alertar dos perigos a que está exposto. Aconselho-o a mudar estilos de vida, parar com as adições, alertar para os perigos das amizades de tasca, fazer exercício físico.
Aí começam as desculpas: “porque me doem as pernas”, “também não tenho tempo nem hipóteses de caminhar”, “é difícil deixar de ir ao tasco, xótor, meus colegas chateiam-me e tenho que beber um copo… ou mais”, “não gosto da comida insonsa”, “o que são orégãos?”, “eu como pouco, não sei porque engordo” e o famigerado “prometo-lhe que vou mudar e da próxima vez já vou estar mais magro!”.
Entretanto o Sr. Fulano sai do gabinete equipado com credenciais para análises completas (comparticipadas a - quase - 100%) que irá fazer antes da próxima consulta (que não paga por ser isento) e medicação (quase totalmente gratuita, já que a maioria é genérica). Um doente que custa ao Estado uns bons milhares de € anualmente; mas isso não interessa, eu continuo a achar que a saúde deve ser, tendencialmente, gratuita.
Fiz a minha parte.

Então o dia de trabalho acaba. Entro no meu popó e vou até a padaria comprar uns pãezinhos acabados de sair do forno (a minha mais pura adição).
A padaria situa-se numa esquina e logo aí vejo a incrível mania do português em deixar o carro à frente da porta. Não importa se atrapalha o trânsito, o que interessa é estar o mais próximo possível do local onde se quer ir. É perdida uma hipótese de caminhar.
Deixo a minha viatura no parque do prédio (completamente vazio, já que os outros clientes aglomeraram os respectivos automóveis no meio da estrada à frente da padaria) e caminho 20 segundos até a porta.
Lá dentro vejo algumas das pessoas que dizem aqueles “clichés” que transcrevi antes.
Entre os espécimes está o Sr. Fulano devidamente apetrechado com uma mini e um prato de orelha de porco e moelas de frango que bóiam num molho vermelho e reluzente.
Quando me vê o Sr. Fulano sorri desconsertado. Eu não digo nada; não sou seu pai e a minha fatiota de médico deixei no centro de saúde.
Carrego a mercadoria que pedi e vou-me embora.

No caminho ponho em causa todo o meu trabalho. Para quê levantar às 7 da manhã? Para quê gastar o meu latim, a minha saliva e o meu saber? Para isto? Para quê me esforçar para garantir que os serviços de saúde sejam praticamente de graça? Para que todo esse esforço para garantir que, este candidato a um AVC ou enfarte agudo do miocárdio (EAM), possa viver mais algum tempo com qualidade de vida?
Mas a pergunta fundamental: para que me preocupar com isto? Tenho uma vida e é nela que tenho que pensar. Começo a deixar de me preocupar em salvar almas, deixo essa tarefa aos senhores padres.

Vou para casa e passo um pouco de manteiga (magra) no pão ainda a fumegar. Entre uma dentada e outra desejo que, quando o Sr. Fulano tiver o seu EAM, este seja fulminante, para que, pelo menos, não nos fique ainda mais caro.

(Tudo isto é fictício…
será?)

10 março 2010

A famigerada história dos Cogumelos (re-post)

À custa dela já perdi amigos, e os que não perdi meteram-se no álcool e nas drogas. Ela é infame, desgraçada, aterrorizante, e mais um sem número de adjectivos maléficos. Tenham medo, muito medo (e já agora, também um copo de água).

" Era uma cogumelo-normal cogumelo-manhã na cogumelo-cidade, quando o cogumelo-pai resolve dar um cogumelo-passeio com o seu cogumelo-filho. Já fazia algum tempo que os dois não cogumelo-confraternizavam e o cogumelo-pai estava cogumelo-ansioso pela cogumelo-saída.
O cogumelo-filho andava um pouco cogumelo-chateado com a cogumelo-vida, pois a sua cogumelo-namorada tinha-o cogumelo-encornado com o seu melhor (?) cogumelo-amigo: "aquele cogumelo-fdp" - cogumelo-pensava ele.
Foi de bom-cogumelo-grado que cogumelo-aceitou o cogumelo-convite do cogumelo-pai para o cogumelo-passeio. Estavam a cogumelo-pensar em cogumelo-ir até o cogumelo-estádio da cogumelo-luz para ver o cogumelo-jogo do cogumelo-benfica com a cogumelo-académica e, claro, iam cogumelo-preparados para cogumelo-"torcer" pela cogumelo-Briosa.
Cogumelo-prepararam-se a cogumelo-rigor, cada um com o seu cogumelo-cachecol e cogumelo-bandeira. O cogumelo-pai ainda cogumelo-lembrava-se dos bons-cogumelo-tempos do cogumelo-futebol, em que as cogumelo-pessoas levavam seus cogumelo-filhos aos cogumelo-estádios com cogumelo-segurança: cogumelo-suspirou…

Cogumelo-arrancaram, então.

O cogumelo-filho estava cogumelo-radiante; parecia uma cogumelo-cogumelo-criança de tão cogumelo-feliz que cogumelo-estava e nem se cogumelo-apercebeu do cogumelo-carro que vinha cogumelo-disparado pela cogumelo-estrada cogumelo-acima. Vinha o cogumelo-condutor cogumelo-embriagado aos cogumelo-Ss pela cogumelo-via cogumelo-pública e não teve cogumelo-tempo de cogumelo-travar: apanhou em cogumelo-cheio o cogumelo-filho. Apenas ficou o cogumelo-silêncio depois do seu cogumelo-grito. Parecia que o cogumelo-tempo cogumelo-parou enquanto o seu cogumelo-corpo cogumelo-esponjoso cogumelo-caía para a cogumelo-frente com o cogumelo-impacto do cogumelo-automóvel cogumelo-desgovernado.

O cogumelo-condutor não cogumelo-parou, mas alguém cogumelo-anotou a cogumelo-matrícula.

O cogumelo-pai, cogumelo-desesperado, cogumelo-correu em direcção do cogumelo-filho cogumelo-inconsciente que cogumelo-jazia no cogumelo-chão. Cogumelo-tentava cogumelo-acordar o cogumelo-filho, mas era em cogumelo-vão. O cogumelo-filho estava em cogumelo-coma.

Passados alguns cogumelo-minutos chegou o cogumelo-INEM. Tentaram cogumelo-reanimar o cogumelo-filho; usaram um cogumelo-desfribilhador e deram uns cogumelo-choques: “já tem cogumelo-pulso” – disse o cogumelo-médico- “vamos levá-lo para o cogumelo-hospital”. E foram-se embora na cogumelo-ambulância.

O cogumelo-pai estava cogumelo-transtornado, cogumelo-chorava e cogumelo-jurava de cogumelo-morte o cogumelo-condutor que cogumelo-atropelou seu cogumelo-filho.

A cogumelo-notícia cogumelo-espalhou-se como cogumelo-fogo no cogumelo-verão e todos os cogumelos-parentes cogumelo-telefonaram. Todos queriam cogumelo-saber do cogumelo-estado do cogumelo-filho. O cogumelo-pai cogumelo-explicava quão cogumelo-grave era o cogumelo-estado do cogumelo-filho e que o cogumelo-mesmo estava em cogumelo-perigo de cogumelo-vida no cogumelo-hospital. Os cogumelo-parentes queriam fazer uma cogumelo-visita ao cogumelo-filho pelo que o cogumelo-pai cogumelo-prontificou-se a cogumelo-disponibilizar o cogumelo-horário das cogumelo-visitas.

Combinaram de se cogumelo-encontrar na cogumelo-casa do cogumelo-pai para cogumelo-fazer a cogumelo-visita ao cogumelo-filho.

Entretanto, o cogumelo-filho lutava pela cogumelo-vida no cogumelo-bloco-operatório do cogumelo-hospital cogumelo-distrital da sua cogumelo-cidade. Naqueles cogumelo-tempos de cogumelo-cortes os cogumelo-cirurgiões faziam das cogumelo-tripas cogumelo-coração para cogumelo-trabalhar cogumelo-bem. O cogumelo-ministro da cogumelo-saúde, Cogumelo-Correia de Cogumelo-Campos, tinha cogumelo-cortado em cogumelo-tudo: cogumelo-médicos, cogumelo-enfermeiros e cogumelo-materiais. O cogumelo-bloco necessitava de cogumelo-obras cogumelo-urgentes mas não havia cogumelo-fundos para isso, e quem se cogumelo-lixava era o cogumelo-doente.

Os cogumelo-cirurgiões tinham cogumelo-feito de cogumelo-tudo, só restava cogumelo-rezar ao cogumelo-Deus.

Assim o cogumelo-filho foi cogumelo-internado na cogumelo-enfermaria dos cogumelo-cuidados cogumelo-intensivos.

Enquanto cogumelo-isso, a cogumelo-família inteira cogumelo-reunia-se na cogumelo-casa do cogumelo-pai. Todos cogumelo-anseavam por cogumelo-notícias sobre a cogumelo-saúde do cogumelo-filho. Cogumelo-combinaram em quais cogumelo-carros iriam para o cogumelo-hospital. Juntaram-se cogumelo-todos em 11 cogumelo-carros e seguiram para o cogumelo-hospital com a cogumelo-ajuda do cogumelo-GPS.

Chegaram ao cogumelo-hospital em cerca de 25 cogumelo-minutos. Muito cogumelo-aflitos por cogumelo saber do cogumelo-estado do cogumelo-filho. Chegaram ao cogumelo-balcão das cogumelo-informações onde uma cogumelo-muito cogumelo-simpática cogumelo-senhora cogumelo-informou em qual cogumelo-serviço estava cogumelo-internado o cogumelo-filho.

Apanharam um cogumelo-elevador, não todos cogumelo-juntos pois eram cogumelo-muitos. Chegaram ao cogumelo-serviço de cogumelo-cirurgia onde falaram com o cogumelo-médico.

- Então cogumelo-doutor, como está meu cogumelo-filho? – perguntou o cogumelo-pai.

- Encontra-se cogumelo estável. Esteve no cogumelo-bloco durante 5 cogumelo-horas, mas cogumelo-penso que o cogumelo-pior já cogumelo-passou – cogumelo-respondeu o cogumelo-médico – seu cogumelo-filho está a cogumelo-descansar no cogumelo-quarto 13. É ao cogumelo-fim do cogumelo-corredor.

- Muito cogumelo-obrigado. O cogumelo-senhor cogumelo-doutor cogumelo-salvou a cogumelo-vida do meu cogumelo-filho.

O cogumelo-pai cogumelo-chamou a cogumelo-família e se cogumelo-dirigiram para o cogumelo-tal cogumelo-quarto.

O cogumelo-pai cogumelo-bateu à cogumelo-porta e nada. Cogumelo-resolveu cogumelo-entrar. Nesse cogumelo-momento cogumelo-ficou em cogumelo-choque: seu cogumelo-filho cogumelo-encontrava-se todo cogumelo-ligado, com cogumelo-fios e cogumelo-tubos em todos os cogumelo-orifícios corporais. Cogumelo-catéteres, cogumelo-sondas, cogumelo-soros, cogumelo-etc, cogumelo-etc.

Nem cogumelo-sinal de cogumelo-reacção do cogumelo-filho à cogumelo-chegada do cogumelo-pai. O cogumelo-filho estava cogumelo-mal.

A cogumelo-família também cogumelo-entrou. Era bastante cogumelo-numerosa, mas a cogumelo-situação era tão cogumelo-desesperante que cogumelo-entraram todos de uma só cogumelo-vez.

Todos eles ficaram cogumelo-espantados com a cogumelo-cena. Cogumelo-lágrimas vieram aos cogumelo-olhos e só cogumelo-pensaram em como cogumelo-poderiam cogumelo-ajudar.

Eles cogumelo-acreditavam na cogumelo-força do cogumelo-pensamento e decidiram fazer uma cogumelo-corrente à cogumelo-volta da cogumelo-cama do cogumelo-filho. Era uma cogumelo-forma de cogumelo-reunir cogumelo-forças e cogumelo-energias cogumelo-positivas.

Assim cogumelo fizeram. Cogumelo-organizaram um cogumelo-círculo à cogumelo-volta do cogumelo-filho. E todos fizeram cogumelo-forças. Seus cogumelo-olhos cogumelo-encerraram-se, suas cogumelo-faces numa cogumelo-expressão de cogumelo-sofrimento. Eles cogumelo-gritavam ("aqui estamos cogumelo-nós!!!), cogumelo-rezavam, cogumelo grunhiam e cogumelo-rangiam os cogumelo-dentes; eles cogumelo-cantavam por cogumelo-forças. Pediam aos cogumelo-espíritos por cogumelo-ajuda. Eles cogumelo-suavam de tanta cogumelo-vontade. Eles estavam cogumelo-desesperados, cogumelo-empenhados, cogumelo-decididos…

E quando tudo cogumelo-parecia irremediavelmente cogumelo-perdido, eis que o cogumelo-filho abre levemente um cogumelo-olho. E cogumelo-todos à sua cogumelo-volta começam a cogumelo-cantar:

“ – WE ARE THE CHAMPIGNONS, MA FRIEND!!!”

PS. quem quiser a versão longa é só pedir.