25 fevereiro 2010

Dizer - verbo intransitivo (re-post)

Como estou com preguiça, hoje faço um re-post de um texto já com algum tempito (07/2007), do tempo do Correia de Campos como ministro da saúde, Maria de Lurdes Rodrigues como ministra da educação e outros que tais. De um tempo no qual para ser funcionário público era necessário ter um olho na nuca... mas será que esse tempo já passou? Hum...

Gostaria de dizer algo que tenho vontade de dizer há já algum tempo. Não digo porque se disser corro um enorme risco: dizer algo que não devia ter dito.
Por trabalhar para quem trabalho, estou impedido de dizer o que quer que seja actualmente, pois tudo que disser pode ser e, inevitavelmente, será usado contra mim.
Se alguma vez vos disserem que disse algo, eu direi que não passa de uma mentira.
Eu não vou dizer que este governo não presta, nunca diria tal coisa. Eu nunca disse que este PM é intolerante, irascível e feio; se disseram que tinha dito equivalente assunto, venho dizer que se enganaram.
Eu nunca, em sã consciência, iria dizer que o Ministro da Saúde é incompetente. Só porque ele diz barbaridades não posso dizer que o homem é ignóbil, incoerente e intragável. Não é porque o homem é impopular que dá o direito de dizer o que apetece e por isso simplesmente não digo... e também não penso.
Por falar (ou dizer, ou talvez nenhuma nem outra) em pensar, digo que é raro hoje em dia. A arte de pensar é tão difícil como a hipótese de eu dizer que tal é culpa dos Ministros da Educação. Eu não disse que a culpa era dos ministros, muito menos da actual, essa senhora que eu não digo que não seja apta para a pasta. Alguma vez teria a lata ou a audácia de dirigir a palavra de forma jocosa a qualquer acto que a Exma Srª faça? Nunca diria nada que fosse verdade e se o fizesse seria obviamente uma inverdade dita por alguém que não sabe se sabe do que diz.
Eu não digo que estou revoltado, não tenho porque dizer. Também não vou dizer que está tudo bem. Talvez aceitem que diga que a culpa é da UE. Mas aí o Sr. Ministro da Agricultura talvez tivesse que dizer para sairmos dessa problemática "instituição". Não pensem que vou dizer que o Sr. é inábil, não seria rude a esse ponto.
Eu não digo nada mas vejo algumas coisas. Acharia graça se muitas delas não me afectassem, mas infelizmente não posso dizer que isso não aconteça.
Não vou dizer que estou amordaçado, calado, silenciado, discreto ou tácito, mas também não estou muito interessado em levar um processo disciplinar por dizer o que nunca disse nem tive vontade de dizer. Eu não digo porque tenho med.. ops, receio que ouçam os que não me interessa que ouçam o que eu não tenho para dizer, por isso eu não digo, nem penso... mas escrevo enquanto posso.
Ainda bem que ainda podemos ficar calados quando queremos dizer algo. É bom podermos ser(-se) controlados, para que depois não sejamos atacados pela nossa PID... consciência.

Não façam como eu, digam, expressem-se!!!
PS(não o partido): mas não digam que fui eu que disse!

7 comentários :

Rain disse...

Está genial e ao mesmo tempo deixa-me triste por não pensar em tudo aquilo que não escreveste. Já agora, que fique claro que não te conheço de lado nenhum!

Balhau disse...

Que facada do caralho...
Excelente....
hehehe

Catsone disse...

Não devia dizer, mas digo na mesma: obrigado!

Max disse...

Nunca um texto que eu tivesse lido (mas não li) me deixou com tal sensação (que n sinto) de já me ter apercebido disto num lado qualquer...
Devo estar a fazer confusão!

Catsone disse...

Max, não estás confundido, ou se calhar estás; mas não ligues para o que não digo...

Balhau disse...

Detesto gente indecisa. Já parecem os gajos do governo.. Ups eu não devia dizer, nem sequer pensar nisto... Ah mas não interessa eu não pertenço à função pública...

Gingerbread Girl disse...

Eu não digo nada a ninguém. Juro! Sou fantástica a guardar segredos.
Da minha parte, podes ficar descansado.