30 agosto 2010

Esta semana...


Férias, 2º round

26 agosto 2010

"Mudasti" o caral"#!!!

ATENÇÃO: o texto que se segue pode, por ventura, ferir susceptibilidades. Nele podem encontrar palavras que existem no dicionário, são usadas com frequência, mas que causam elevado prurido a determinados ouvidos/olhos.
O leitor fica avisado: avançar fica por sua conta e risco.


Já não bastava este país (e o mundo) estar inundado de propaganda, publicidade, marcas, mercados e vontades. Já não bastava a língua portuguesa ser sujeita à cargas de porrada, crises e acordos ortográficos sem sentido. Já não bastava isso e agora uma empresa de bebidas quer, à força toda, incluir uma palavra no dicionário da língua de Camões?

Foto retirada daqui

"Mudasti" é uma palavra parva, estúpida, idiota e desprovida de qualquer sentido ou utilidade. Ouvir "mudasti" soa pior do que ouvir alguém dizer "então, mudastes de casa?" ou "'tás moreno, apanhastes muito sol?".
"Mudasti" é lixo, não serve para nada, é uma tentativa de passar uma mensagem subliminar: "bebe o nosso ice-tea". Porquê não aportuguesam a palavra "ice-tea"? Podia ser aisseti, não? Ah, mas lembra o refresco da concorrência, certo? Então pode ficar "chá gelado".

Alguém já viu os cromos que aparecem no comercial que visa convencer a malta a assinar a petição em prol da palavra? É cada um mais esquisito que o outro! Se calhar já usavam "mudasti" na maioria das frases que incluíssem o verbo "mudar". Se calhar também dizem treuze, ou há-des, ou camion...
Um dos personagens diz que ninguém usa as palavras manducar e cachinar nos dias que correm . No entanto, baseando-se no seu uso por aí, vamos ter de inserir o treuze, o camion, a úrsula, aiágua, entre outras e uma nova forma de conjugação verbal para aceitar o "tu mudastes", o "tu ouvistes" ou o "tu chibastes".
Vejam lá, "coirato" não está no dicionário! Defendam lá a porra do "coirato"!!!

Ó amigos da Nestlé e da Coca-Cola Company, "mudasti" não é português, pá. Português legítimo tem "cona", "foder" e "puta-que-os-pariu", ditos com a boca cheia e com orgulho em ser labajão (ops, outra que não está no dicionário)!


"Mudasti" está bom para tipos como estes:




"Mudasti"? "Mudasti" o caralho!!!

Assinem esta petição!

22 agosto 2010

Pai sofre XIII - Brinquedos, objectos vários e nódoas negras

A minha menina já vai nos (quase) 11 meses. Já senta, tenta levantar-se, pede coisas e, principalmente, explora qualquer objecto que esteja ao alcance das mãos com a energia proporcionada pela curiosidade própria de quem vê tudo pela primeira vez.

O interesse que uma criança tem, nesta fase, por um objecto é tão efémero como a semi-vida de um fotão. Num segundo está interessada numa boneca e, no segundo imediato, passa a atenção ao comando da televisão.
Quando digo "atenção e exploração" falo em "agarrar com toda a força, apertar tudo o que seja parecido com um botão e balançar o objecto na esperança que se desfaça e se possa ver o que traz por dentro". Nesse curto espaço de tempo o objecto, e quem esteja por perto, sofre as passas do Algarve: é batido, chocalhado, apalpado, enfiado em buracos, mordido e atirado o mais longe possível para logo ser pedido novamente e recomeça o processo.

No entanto, uma forma de exploração que ganha uma predilec
ção por parte da minha menina é o "bater contra a cabeça, face e afins do pai até que ele se queixe, desvie ou desmaie".
Já conheço a maioria dos brinquedos da minha filha pelo tacto, e não é o tacto superficial, é o profundo, à alta velocidade e doloroso. Se as minhas nódoas negras fossem fósseis atrairiam inúmeros arqueólogos. Não são pegadas de dinossauros mas tem um padrão semelhante e espalham-se por uma área considerável, sobretudo no cocuruto.

À medida que se aproxima a idade de gatinhar/caminhar começa a ser al
go perigoso ter objectos a menos de 1 metro do chão; é que antes de se testar se partem no chão, parece que a resistência dos mesmos tem de ser testada na testa do pai!

Com o aparecimento dos dentes as mães queixam-se das mordidelas nos mamilos. Experimentem lá levar com uma caixa de música qualquer no nari
z ou um boneco nos "países-baixos"!
E a tendência é piorar...



21 agosto 2010

E viva o touro!



Touro! Touro! Touro!

Bis, Bis! Isso sim é um espectáculo...





Deprimente!

20 agosto 2010

Tecnobol

É impressionante como o futebol também evolui e a velocidade de pensamento dos jogadores é cada vez mais célere.
Benza Deus!


(montagem com fotos do google)

19 agosto 2010

Who let the dogs out?

Sou só eu que acha que ter o Augusto Santos Silva como Ministro da Defesa representa um elevado risco de golpe de estado?

14 agosto 2010

Dead man

Para o desafio "Uma longa viagem..." da Fábrica de Letras:



Dead man

Carlos estava preso. Tinha sido encomendado à morte e aguardava agora ansioso para lhe encontrar a foice. Estava cansado de esperar e a angústia lhe apertava o coração agónico.

Levantou-se naquela manhã para espreitar o longo corredor que via da pequena janela da porta; mal conseguia ver onde terminava. Disseram-lhe que seria por ali que passaria pela última vez. Sentiu um previsível nó no estômago, mas não resistia a essa investigação diária do seu último caminho, como se perguntando se ainda estaria lá.

Pensava muito na sua sentença. No início sentiu uma revolta enorme. Sentira-se sempre inocente e vociferou contra aquela injustiça. Agora, passados alguns meses, depois de meditar e conversar com aquelas paredes brancas, reconhecia a sua culpa. Já não adiantava chorar, bater com as mãos no colchão duro ou com a cabeça nas paredes. “O que está feito, feito está”, e rendeu-se…

Estava decrépito, exausto, perdera o apetite e, ao observar-se no espelho, também o amor próprio.
Restava-lhe aguardar até que o carrasco lhe viesse buscar.

Nessa mesma manhã esperava pela visita do melhor amigo, e advogado pessoal, Dr. Dias. Ansiava por esse contacto semanal como alguém, perdido num deserto, anseia por um oásis.
“Olá Carlos. Como está?”, sussurrou-lhe ao ouvido durante um longo abraço.
“Ó Dias, uns dias mau, outros pior. Há períodos em que não me conformo mas, mesmos esses, são cada vez mais raros. Estou farto de esperar e é isso que dói! As tuas visitas lá me vão elevando um pouco a moral”
“Amigo, folgo em saber que, pelo menos para isso, posso ser útil”
“Dias, falaste com os daqui? Ainda posso ter esperanças?”
“Carlos, falei com o Dr. Vasconcelos. Não há grande esperança e, embora não possa ser preciso quanto à data, não tens muito mais tempo.”
“Porra, pá! Então que cumpram logo essa sentença!”
“Sabes que essas coisas não são assim. Existem ordens Superiores… vais ter que te aguentar”
Depois de mais alguns minutos de conversa, os amigos despediram-se:
“Ainda te volto a ver, Dias?”
“Posso não estar aqui quando te fores…”
“Deixa estar, amigo, levo-te no coração na mesma” e sorri em despedida.

Carlos acordou a meio da noite em sobressalto. À sua volta 5 pessoas lhe tentavam manietar. Quatro deles lhe seguraram os membros enquanto outro lhe injectara algo nas veias.
E sentiu tudo à roda, pouco a pouco deixou de resistir. Tinha dificuldades em respirar e mal ouvia o coração: Deixou-se ir.
Os 5 mantinham-se à sua volta, controlando seus sinais vitais, até que Carlos, finalmente, encontrou a foice.

“Estou? Posso falar com o Dr. Dias?”
“É ele mesmo. Quem fala?”
“Olá, Dr.. Aqui é o Dr. Vasconcelos. Tenho a informar que o Sr. Carlos faleceu esta noite.”
“Meu Deus, não me diga…”
“Ainda tentemos reanimá-lo. Injectamos alguns fármacos endovenosos, mas nada. Sabe como é, o Sr. Carlos estava em fase terminal, certo? Infelizmente, é o nosso dia-a-dia aqui nos Paliativos. Sinto muito. Continuação de bom dia”.

Nessa tarde, Carlos percorreu o tal corredor muitas vezes, por ele, observado.
E foi o início da sua última e mais longa viagem...

Luís Fernandes Lisboa ®

12 agosto 2010

Só tenho tempo para isto...

...postar alguns vídeos de música:









01 agosto 2010

Afinal...

Sem saber para onde ir nestas férias? Vá para Cona!



30 julho 2010

Feio é morrer


Este senhor da foto era forte e era o Feio. O Tóni, o António ou o Zé da Trincha. O Tóni foi um exemplo de força nestes últimos tempos; de força numa luta desigual. Acabou por perder a batalha mas fez frente à malvada e vendeu cara a derrota.
Tive a sorte de o ver, a ele e ao seu grande amigo JPG, no teatro José Lúcio. Nessa altura já se sabia da doença e mesmo assim o espectáculo aconteceu, num exemplo de profissionalismo e dedicação ao seu público.


No ano passado, enquanto estava de férias, morreu Solnado. Este ano, enquanto estou de férias, morreu o Feio.
Nunca mais tiro férias ou corro o risco de perder as poucas pessoas que me fazem rir.

Até sempre, Tóni!

Dieta mental

Uma amiga enviou-me o texto seguinte e eu não quis deixar passar sem o publicar neste obscuro estaminé.
Também eu apoio uma dieta mental... e estou a praticá-la:

"A Obesidade Mental - Andrew Oitke

Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que
revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito
em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade
moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos
do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e
conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos
que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de
carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e
comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e
realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e
romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se
comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta
mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e
telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance,
violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma
vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações
humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e
manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi
Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que
é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam
porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um
cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura
banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

22 julho 2010

Pai sofre XII - Babyfather



"Your daddy love come with a lifetime garantee"

Tão verdade.

21 julho 2010

Abanca

"Crédito malparado sobe, depósitos descem" in Expresso

Coitaditos dos bancos: emprestam o dinheiro e depois não lhes pagam, ninguém mais investe em poupanças e produtos bancários...
Estão mesmo em crise, probezitos! Quase falidos, mas... hum...

"Lucro do BPI aumenta 11,8% para 99,5 ME no primeiro semestre" in Lusa


Ei, esperaí!!!

20 julho 2010

Descoberta


Em resposta ao desafio "Disparou" da Fábrica de letras:

A descoberta

Pedro entrou na casa-de-banho e trancou a porta à chave.

Tinha ouvido zuns-zuns na escola. Os colegas de turma falavam entre-dentes de coisas que faziam a eles próprios. Era algo que tinham aprendido há pouco tempo e comentavam em meio à galhofada.
Pedro ainda não pertencia ao grupo. Procurou perceber o procedimento. Perguntou como quem não quer a coisa a colegas de classe, em meio a aulas mais chatas, mas todos viravam o rosto e sorriam. Pareciam tontinhos e não transmitiam a informação que queria.
Demorou cerca de 2 semanas até encontrar um colega que abrisse o jogo. Era um daqueles indivíduos menos populares, que não tinha nada a perder, e, por isso, não tinha pudor em dizer o que se passava.
Pedro tomou atenção a tudo. Achou estranho e sentiu-se incomodado com o protocolo mas decidiu ouvir até ao fim.
Foi para casa a pensar naquilo.

E lá estava ele a olhar-se no espelho: cara de pateta + angústia.
O coração a mil por hora associado a um estômago embrulhado.
Despiu-se e olhou para baixo. Viu o penduricalho ali à mão de semear e começou a executar as instruções:
"Bem, ele disse que fazendo assim...", teve uma espécie de vergonha de apanhar o pequeno amigo que há 13 anos andava ali escondido nas cuecas, "agora puxo esta pele para trás e... elá, o qué isso?!" teve a sua primeira erecção.
Continuou a manusear, fechou os olhos e pensou em "coisas" indefinidas.
Passados 39 segundos disparou...
Um êxtase nunca antes sentido invadiu-lhe o corpo. Quase caiu de costas. Tremeu dos pés ao mais alto dos cabelos arrepiados que enfeitavam o cucuruto.
Olhou-se novamente no espelho. Viu olhos castanhos esbugalhados encrustados numa face imbecilóide, misto de espanto e de algo estranho e que os outros chamavam "prazer"; depois sentiu vergonha de si próprio, num sentimento de pecado e arrependimento... que durou 2 minutos até voltar à nova investida.

10 anos depois:
Pum-Pum-Pum na porta da casa-de-banho:
"Mas qué que se passa aí?"
"Nada, mãe! Já estou a sair!"
Nunca mais parou...

Luís Fernandes Lisboa ®

12 julho 2010

Pearl Jam

Tenho que falar do concerto de Sábado, dar a minha versão das 2 horas de viagem, mas não tenho tido tempo. Deixo este vídeo como "Teaser"(não é à toa que o Eddie diz q nós somos os que melhor o acompanham nas músicas):

08 julho 2010

Hibernação II

Há cerca de 4 anos e meio publiquei neste blog um texto que tentava reproduzir a epopeia que representou o fim do meu curso.
Hoje reedito-o e publico-o novamente.
Faço-o porquê nestes últimos 3 meses senti-me como naquela altura e porquê este período foi deveras difícil, tão difícil que deixei de fazer muitas coisas de que gosto: escrever, ver (e jogar) futebol, estar com a família e, principalmente, brincar com a minha filhota (e com a mãe dela...).
Mas valeu a pena. Aliás, quanto maior é o esforço, quanto mais suor, adrenalina, calão metralhado e sujo, ideação suicida, quanto maior é o sofrimento maior e mais saborosa é a vitória. E, ainda bem que não sou diabético, porquê foi bem doce!


Hibernação

"Um dia acordas e percebes que estás noutra dimensão.
Estás num lugar sem paredes, sem tecto, sem chão. Lugar escuro, isolado e frio. À tua volta apenas o breu quebrado por uma ténue luz amarela de um candeeiro antigo.
Estás sentado à uma velha secretária e cercado por volumes vários de livros empoeirados e montes de papéis. À tua frente apenas uma folha preenchida por gatafunhos à qual a tua visão está fixa.

Não sabes se é Domingo ou Quinta-feira, se são 6 da tarde ou 2 da manhã. Não sabes o mês e não conheces o ano.
Não sabes como ali chegaste nem o que fazer, apenas sabes que tens um objectivo, algo a alcançar.

A música calou há muito e também os sons do quotidiano. Apenas ecoam palavras e frases, repetidas um sem número vezes; e mais uma vez, e outra...; pelo meio, esconjuras.
O que ouves, muito de vez em quando, são vozes que te chamam; vozes tentadoras para levar-te, mas, mesmo contra vontade, permaneces.

Teus músculos não obedecem.
Não tens fome, não tens sede.
Teu sono é ostracizado.
Durante horas a fio, ficas ali, autómato, quase inanimado.

E estás cansado, muito cansado, cada vez mais... mas continuas.
És objecto de algo maior, que te domina e manieta. Não consegues, ou não podes, ou não queres, fazer nada contra isso.

Não dizes nada que faça sentido. Como crente, rezas uma oração imperceptível ao comum dos humanos. Por vezes, no entanto, reconhecem-te preces a pedir o fim do sofrimento.

Por vezes choras desalmadamente, por vezes ris feito louco, por vezes os dois em simultâneo.
Por vezes sonhas acordado.

Os que estão à tua volta, não se podem aproximar mas chamam por ti, oram por ti, e impulsionam-te. Sentes-te mais forte. Inicias o processo que te levará à liberdade. Sabes que, finalmente, essa clausura sem sentido, essa condenação sem crime, está perto do fim.
Tudo o que antes não tinha sentido agora está tão claro! Como não viste isto antes? A tarefa era grande, penosa, mas aquilo que te desafiou agora não te é capaz de manter mais tempo enclausurado.
Acaba. Tem de acabar! O teu grito do Ipiranga, a tua tomada da Bastilha, a tua força vem ao de cima e partem-se as amarras.
Uma última prova prestada a este cenário e será o fim...

Acabou.
Tudo, esse lugar, fez para te deitar abaixo. Conjurou, conspirou, fez alianças contra ti, mas conseguiste.
O limbo perdeu."

Libertaste-te."

De Catsone, ex-interno, agora, ORGULHOSAMENTE, especialista de Medicina Geral e Familiar.

10 junho 2010

Penitência



Vejo-vos em meados de Julho.
Portem-se.

08 junho 2010

Mundial 2010

Já publiquei isto em 2006, mas como estamos em vésperas de mundial, aqui vai novamente



Japão 2010
Esquema: 4-4-2

Gr: Takabora Naturave
Dd: Tokaido Dumakeda
De: Robaro Miasuzuki
Dc: Havara Noku Doi
Dc: Takamao Natukara
Md: Shumio Miokazako
Me: Mataro Miogato
Mc: Fujiro Kayama
Mc: Hiraopito Namata
Pl: Takarasha Nomuro
Pl: Hirao Kumata

Suplentes:
Gr: Hoji Ianamoto
Gr: Benji
Dd: Tsukasa Onamia
De: Daiki Osoko
Dc: Taaki Noai
Dc: Tsutomo Unsumo
Md: Ishibasha Ishikaga
Me: Ken Kumeo Aki
Mc: Miomazda Nonta Mazaki
Mc: Setsukai Matsuka Teuku
Pl: Ishibati Nakina Shora
Pl: Oliver Tsubasa


Treinador: Toko Kudo Endo
Preparador físico: Daikama Aken Takosono
Massagista: Eutoko Teukatso
Fisioterapeuta: Mashashi Takara

Aos meus amigos japoneses (que são bastantes) peço perdão... ou faço um Seppuku (agora sem trocadilho):

Ébrio

Minha 2ª participação para o desafio "Estava vazio..." da Fábrica de Letras... porque apeteceu-me.


Ébrio

Luzes coloridas e ruídos bizarros.
Minha mente estava oca.
Vertigens, tremores, enurese, risos incontroláveis e histéricos… eu era um estranho fora de controlo.
Parece que tentei preencher a falta estranha que fazias e tapar a incrível cratera criada pelo meteoro tu. Refugiei-me em copos de diversos tamanhos, formatos e cores, preenchidos por tudo que contivesse álcool na composição.
Bendito etanol que o meu corpo tentava desesperadamente metabolizar. Quase podia sentir as suas moléculas a dançar no mar vermelho de veias e artérias.
Mais o hálito incendiário e o vómito compulsivo de um estômago revolucionário e marxista a protestar veementemente contra a atitude incompreensível da maioria neuronal que cedera aos interesses sentimentalistas instalados: “porra de paixão vs razão…”

Agora era a gravidade terráquea, travestida de jupiteriana, que empurrava o monte de carne e ossos, embebidos em vindalho, para um chão húmido e fétido. Cambaleava, como se fosse feito de gelatina, pela pista de dança e chocava com tudo e todos que cruzavam a minha órbita errática; quando meu fraco equilíbrio foi finalmente ultrapassado, estatelei-me no solo.
No caminho da queda vi sorrisos jocosos, em duplicado pela diplopia alcoólica, e dedos apontados em reprovação; ouvia sussurros maldizentes em meio a odiosa música electrónica que insistia em martelar a bigorna.
A partir do toque no terreno não senti mais nada, ouvi dizer que perdera os sentidos e partira para um mundo novo…

Vi-me, então, a cair de um céu negro e sentia o corpo leve, como a planar. Um vento quente parecia abrandar-me a descida. Vestia um smoking já comido pelas traças e calçava umas sandálias de couro castanhas.
Estava rodeado pelos mais exóticos animais, alguns deles já extintos há muito e outros que nem era suposto poderem voar. Todos eles sorriam para mim enquanto dançavam com um copo de cidra na pata/asa e uma cigarrilha no canto da boca. Alguns ofereciam-me mais um “drink”.
No fim da descida fui depositado gentilmente, por quatro borboletas bigodudas, num leito cândido e brilhante rodeado por bips electrónicos.

Acordei.
A visão turva permitiu-me ver um cateter penetrando o meu braço esquerdo, o gráfico do ecg que corria num monitor verde e as grades prateadas às quais tinha as mão atadas. Não reconhecia o símbolo do EPE que me hospedava, mas reconhecia estar num serviço de observação hospitalar.
Sentia-me mal. Parecia ter obras no interior da cabeça realizadas por um conjunto de pedreiros e trolhas estrangeiros que martelavam sem parar os ossos cranianos. Os ouvidos teriam, talvez, uma colmeia de abelhas, tal eram os zumbidos que ouvia. A língua mais seca que o Atacama e o estômago em greve sem pré-aviso. A bexiga estava invadida por um cateter e a televisão transmitia, de perrice, um programa matinal grosseiro.
O coração, esse, estava completamente vazio.

De repente, uma mão quente na testa e a tua voz:
“Idiota!.... tive medo de te perder…”

E embriaguei-me, finalmente.


Luís Fernandes Lisboa ®

07 junho 2010

Querida Sony®

Meu HP® finou-se à coisa de um mês. Ao fim de 4 anos de dura labuta resolvi dar-lhe o merecido descanso e está agora encostado num canto do escritório, reservado para emergências.
Adquiri um Sony Vaio. Li numa revista de informática que o modelo apresentava a melhor relação custo/benefício quando comparado com outras máquinas concorrentes e, lido isto, escrito por experts, resolvi comprar um exemplar.
Fiquei espantado com o facto de estar esgotado em todos os lados; não havia na FNAC®
, Worten®, Media Markt®, Rádio Popular®, etc®, devia mesmo ser coisa boa. Procurei-o pela net e encontrei-o numas páginas obscuras de lojas online, mas prefiro gastar meu dinheiro em lugares mais fisicamente palpáveis.
Um belo dia, porém, recebo pelo correio propaganda da Staples® e ei-lo, em toda a sua glória e explendor, escarrapachado nas páginas escarlates da publicidade.
Telefonei logo à madama para ir dar um salto à loja, já que me encontrava longe, e ela lá foi...

Era filho único, o último, o sobrevivente, o derradeiro... e era meu.

Como uma criança, tirei-o da caixa e, antes de o ligar, admirei-o como um turista admira a Gioconda no Louvre. Cliquei no botão on/off que logo acendeu uma luzita e... começaram as desilusões.
O gajo "cracha" com uma frequência que considero desagradável, o Touchpad não presta, os botões fazem uns "poings" estranhos, não é tão rápido quanto pensava...

(Suspiro)

Talvez (o mais provável) seja culpa minha. Talvez tivesse uma expectativa desproporcionada ou talvez ele seja moderno demais para mim. Talvez eu seja apenas tonto... quem sabe?
Resta-me esta curta mensagem à Sony®:
"Vaio pró caraio!"


Espero que saibam traduzi-la para japonês...