10 junho 2010

Penitência



Vejo-vos em meados de Julho.
Portem-se.

08 junho 2010

Mundial 2010

Já publiquei isto em 2006, mas como estamos em vésperas de mundial, aqui vai novamente



Japão 2010
Esquema: 4-4-2

Gr: Takabora Naturave
Dd: Tokaido Dumakeda
De: Robaro Miasuzuki
Dc: Havara Noku Doi
Dc: Takamao Natukara
Md: Shumio Miokazako
Me: Mataro Miogato
Mc: Fujiro Kayama
Mc: Hiraopito Namata
Pl: Takarasha Nomuro
Pl: Hirao Kumata

Suplentes:
Gr: Hoji Ianamoto
Gr: Benji
Dd: Tsukasa Onamia
De: Daiki Osoko
Dc: Taaki Noai
Dc: Tsutomo Unsumo
Md: Ishibasha Ishikaga
Me: Ken Kumeo Aki
Mc: Miomazda Nonta Mazaki
Mc: Setsukai Matsuka Teuku
Pl: Ishibati Nakina Shora
Pl: Oliver Tsubasa


Treinador: Toko Kudo Endo
Preparador físico: Daikama Aken Takosono
Massagista: Eutoko Teukatso
Fisioterapeuta: Mashashi Takara

Aos meus amigos japoneses (que são bastantes) peço perdão... ou faço um Seppuku (agora sem trocadilho):

Ébrio

Minha 2ª participação para o desafio "Estava vazio..." da Fábrica de Letras... porque apeteceu-me.


Ébrio

Luzes coloridas e ruídos bizarros.
Minha mente estava oca.
Vertigens, tremores, enurese, risos incontroláveis e histéricos… eu era um estranho fora de controlo.
Parece que tentei preencher a falta estranha que fazias e tapar a incrível cratera criada pelo meteoro tu. Refugiei-me em copos de diversos tamanhos, formatos e cores, preenchidos por tudo que contivesse álcool na composição.
Bendito etanol que o meu corpo tentava desesperadamente metabolizar. Quase podia sentir as suas moléculas a dançar no mar vermelho de veias e artérias.
Mais o hálito incendiário e o vómito compulsivo de um estômago revolucionário e marxista a protestar veementemente contra a atitude incompreensível da maioria neuronal que cedera aos interesses sentimentalistas instalados: “porra de paixão vs razão…”

Agora era a gravidade terráquea, travestida de jupiteriana, que empurrava o monte de carne e ossos, embebidos em vindalho, para um chão húmido e fétido. Cambaleava, como se fosse feito de gelatina, pela pista de dança e chocava com tudo e todos que cruzavam a minha órbita errática; quando meu fraco equilíbrio foi finalmente ultrapassado, estatelei-me no solo.
No caminho da queda vi sorrisos jocosos, em duplicado pela diplopia alcoólica, e dedos apontados em reprovação; ouvia sussurros maldizentes em meio a odiosa música electrónica que insistia em martelar a bigorna.
A partir do toque no terreno não senti mais nada, ouvi dizer que perdera os sentidos e partira para um mundo novo…

Vi-me, então, a cair de um céu negro e sentia o corpo leve, como a planar. Um vento quente parecia abrandar-me a descida. Vestia um smoking já comido pelas traças e calçava umas sandálias de couro castanhas.
Estava rodeado pelos mais exóticos animais, alguns deles já extintos há muito e outros que nem era suposto poderem voar. Todos eles sorriam para mim enquanto dançavam com um copo de cidra na pata/asa e uma cigarrilha no canto da boca. Alguns ofereciam-me mais um “drink”.
No fim da descida fui depositado gentilmente, por quatro borboletas bigodudas, num leito cândido e brilhante rodeado por bips electrónicos.

Acordei.
A visão turva permitiu-me ver um cateter penetrando o meu braço esquerdo, o gráfico do ecg que corria num monitor verde e as grades prateadas às quais tinha as mão atadas. Não reconhecia o símbolo do EPE que me hospedava, mas reconhecia estar num serviço de observação hospitalar.
Sentia-me mal. Parecia ter obras no interior da cabeça realizadas por um conjunto de pedreiros e trolhas estrangeiros que martelavam sem parar os ossos cranianos. Os ouvidos teriam, talvez, uma colmeia de abelhas, tal eram os zumbidos que ouvia. A língua mais seca que o Atacama e o estômago em greve sem pré-aviso. A bexiga estava invadida por um cateter e a televisão transmitia, de perrice, um programa matinal grosseiro.
O coração, esse, estava completamente vazio.

De repente, uma mão quente na testa e a tua voz:
“Idiota!.... tive medo de te perder…”

E embriaguei-me, finalmente.


Luís Fernandes Lisboa ®

07 junho 2010

Querida Sony®

Meu HP® finou-se à coisa de um mês. Ao fim de 4 anos de dura labuta resolvi dar-lhe o merecido descanso e está agora encostado num canto do escritório, reservado para emergências.
Adquiri um Sony Vaio. Li numa revista de informática que o modelo apresentava a melhor relação custo/benefício quando comparado com outras máquinas concorrentes e, lido isto, escrito por experts, resolvi comprar um exemplar.
Fiquei espantado com o facto de estar esgotado em todos os lados; não havia na FNAC®
, Worten®, Media Markt®, Rádio Popular®, etc®, devia mesmo ser coisa boa. Procurei-o pela net e encontrei-o numas páginas obscuras de lojas online, mas prefiro gastar meu dinheiro em lugares mais fisicamente palpáveis.
Um belo dia, porém, recebo pelo correio propaganda da Staples® e ei-lo, em toda a sua glória e explendor, escarrapachado nas páginas escarlates da publicidade.
Telefonei logo à madama para ir dar um salto à loja, já que me encontrava longe, e ela lá foi...

Era filho único, o último, o sobrevivente, o derradeiro... e era meu.

Como uma criança, tirei-o da caixa e, antes de o ligar, admirei-o como um turista admira a Gioconda no Louvre. Cliquei no botão on/off que logo acendeu uma luzita e... começaram as desilusões.
O gajo "cracha" com uma frequência que considero desagradável, o Touchpad não presta, os botões fazem uns "poings" estranhos, não é tão rápido quanto pensava...

(Suspiro)

Talvez (o mais provável) seja culpa minha. Talvez tivesse uma expectativa desproporcionada ou talvez ele seja moderno demais para mim. Talvez eu seja apenas tonto... quem sabe?
Resta-me esta curta mensagem à Sony®:
"Vaio pró caraio!"


Espero que saibam traduzi-la para japonês...

02 junho 2010

O homem que tinha dinheiro

Para o desafio: "Estava vazio..." da Fábrica de Letras



"O homem que tinha dinheiro"



O homem que tinha dinheiro tinha tudo. Tinha uma bela casa, tinha bons carros, viajava, comia do bom e bebia do melhor.
Vivia à grande e, naquela semana, era “casado” com uma francesa mais jovem que ele… bem mais jovem que ele.
O homem que tinha dinheiro tinha um nome enorme e que acabava em números romanos. Tinha herança de família. Vivia do império conquistado pelos antecedentes familiares.
Desistiu de estudar e não “tirou” nenhum curso, mas era chamado de “Dr.”. Nunca foi à tropa mas no Brasil era “Capitão”. O facto de ter recheio financeiro fazia-o ser respeitado e idolatrado pelos menos afortunados. Ele era admirado mas ninguém sabia porquê.
Não era músico mas ia à opera, no entanto, nenhuma lhe arrancava lágrimas. Falava de livros que não leu e de peças que não viu, era um erudito sem nunca o ter sido.
Não cozinhava, não limpava, não sabia fazer nada, sua melhor qualidade era gastar e nisso era profissional. Não investia em nada que trouxesse retorno e o dinheiro esvaía-se, mas esse era infinito, tal como a sua ignorância. Não tinha ciúmes do seu dinheiro e compartilhava-o como os “amigos” de cada ocasião.
Não mexia uma palha. Não corria mas ia às olimpíadas; não jogava ténis mas estava em Roland Garros, na primeira fila com um borsalino branco; não pedalava, não nadava… não lutava.
À sua amante francesa, seguiu-se uma brasileira, depois uma tailandesa e uma africana (em simultâneo) e, depois, muitas outras das mais variadas formas, tamanhos, “cores e sabores”. Dizia não enjeitar nenhuma experiência e, assim, experimentava todas. Elas sempre lhe ficavam com um pouco da matéria já que o espírito não lhes tinha nada para oferecer.
Ia passando os anos assim, de mulher em mulher, de lugar em lugar, e não se agarrava à nada. Tinha muito dinheiro, mas apenas conseguia ombros para chorar ou colos onde se deitar desde que aceitassem Visa®.

O homem que tinha dinheiro ria-se muito e era feliz… ou, pelo menos, parecia.

Mas mesmo ele havia de morrer e o homem que tinha dinheiro morreu como os outros: fechou os olhos e susteve a respiração por toda a eternidade. Morreu jovem, mais cedo do que pretendia, deixando o dinheiro, seu único e verdadeiro amor, para trás. Esse entregou-se a outros que seguiram os passos do antigo “amante”.

O homem que tinha dinheiro foi deitado num caixão negro e foi morar no jazigo da família, situado num canto soturno do cemitério da sua cidade natal. Não houve homenagens, não houve salva de tiros ou boas lembranças da sua passagem, e o cortejo fúnebre estava vazio… tal e qual como fora a sua vida.

Luís Fernandes Lisboa ®

Prémios


As digníssimas Helga e Ane presentearam-me com este prémio que muito agradeço: "trata-se de um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc."
Fico lisonjeado pela atribuição de tal distinção a este humilde blog mas vou pedir desculpas por um pequeno pormenor: não costumo passar os prémios.
Não me levem a mal mas não consigo atribuir apenas a alguns blogs. Dessa forma, acho que os que tenho na lista da "concorrência" merecem o prémio também (senão não estavam na lista ;).
Mais uma vez obrigado pela distinção.

28 maio 2010

Town of sadness

Em dias como este nada faz sentido. Quando a vida se esvai, quando desaparece, pergunta-se "porquê?".
Nestes dias de sol envergonhado e vento frio, que esconde o calor de primavera, pensa-se sobre a efemeridade da vida.
Escrevi este post sobre a nossa incapacidade e pequenez perante situações irreversíveis. A irreversibilidade confirmou-se hoje, através de um daqueles telefonemas que ninguém quer ouvir.
E é como que se o tempo parasse e nos trouxesse à mente memórias há muito escondidas, imagens já amareladas do passar dos anos; imagens em Super 8, mudas mas alegres, de tempos longínquos e que não voltam mais. Lembro-me dos tempos de criança, das visitas e viagens à terra dos meus pais, das noites na tua casa, do carinho do teu abraço de amizade sincera.
A verdade é que ficam memórias boas, vivências, bons momentos, coisas que nem a morte nos pode roubar.
Graças aquilo em que acredito, penso que estás agora num lugar melhor, onde a dor e sofrimento dos últimos tempos não não mais te assolam e onde terás algum merecido conforto e descanso. Talvez esta crença traga a mim, inconscientemente, algum consolação... quem sabe.
Resta-me a certeza de que, apesar de hoje ser o teu velório, sei perfeitamente que daqui para frente serás tu a velar por todos nós.
A ti, querida tia, que muito raramente vi triste, descansa em paz e até um dia destes.




27 maio 2010

Pai sofre XI - O "assédio"

Ontem fomos dar uma volta à nova superfície comercial cá do burgo. Precisava de umas coisitas e aproveitei para espairecer.
Embarcámos os três no popó e lá fomos nós.
Enquanto a patroa foi à loja do Belmiro fui eu, com a minha pequena, dar uma volta pelos corredores do centro comercial..
Tudo ia bem até ter reparado num (deveras) interessante e misterioso fenómeno. Comecei a aperceber-me que muchachas várias achavam engraçado (e fofinho!) o facto de um gajo passear um bebé. Olham primeiro a cria, sorriem e depois fitam as fuças do empurrador de carrinho. Parecem avaliar o potencial do macho.
Conjecturei sobre o que iria na cabeça das moças: “… aquele até é fértil, quem diria…”, “…hum, não parece com o pai…”, “…deve ser adoptada…”, etc, etc.
Confesso que achei piada, afinal não é comum ser observado dessa forma tão, digamos, lasciva. Mas, passado algum tempo, começou a ser incomodativo. Senti um pouco do que os famosos sentem. Montes de olhos em cima de nós… não estou acostumado (e quem me conhece percebe porque).
Tentei disfarçar o embaraço e olhar para algumas montras mas a miúda estava tão bem disposta que passou o tempo todo a palrear e dar gritinhos... o que atraiu, ainda mais, a atenção. Parecia um chamamento para o sexo oposto: e mais sorrisos, “cuti-cutis” e olhares constrangedores.
De interessante, o fenómeno passou a ser caliginoso e antes que alguma desse o bote, acelerei o passo em busca do conforto que existe por baixo da asa da patroa; com a velocidade do carrinho, a filhota ria-se…
Encontrei a minha “chefa” na fila da caixa:
“- Tás branco…”


Ainda a arfar, pensei que poderia alugar a miúda aos meus amigos solteiros... pode ser que ainda ganhe algum cacau com este estranha manifestação.

15 maio 2010

Dinos


Parece que escapou um dos dinossauros do espectáculo: WALKING WITH DINOSAURS THE LIVE EXPERIENCE
Chama-se Máriosoaurio e foi visto a dar bitaites e autógrafos na feira do livro de Lisboa.
Um verdadeiro broncossauro...

07 maio 2010

Vontades

Apesar de estar em retiro (pouco) espiritual, não podia deixar de participar no desafio da "Fábrica de Letras. Posto um poema já velhinho aqui por casa... sem muito tempo para pensar em coisas novas (embora, muitas vezes, apeteça :( )
Aos colegas operários peço desculpas por não visitá-los com mais frequência mas, por aqui, "la cosa esta peluda"...

Em resposta ao desafio "paixão" da Fábrica:



Vontades


Hoje senti vontade de te ter ao pé de mim.

Instalou-se sem que desse conta
Um desejo de abraçar-te,
Olhar-te nos olhos
E falar-te da falta que me fazes

Hoje senti vontade de dizer-te: amo-te.
Um desejo incoerente e forte
De falar da minha paixão
E explica-la como um menino explica

À mãe o seu dia na escola.

Hoje senti vontade de ser feliz…

E compreendi porque me lembrei de ti…



Luís Fernandes Lisboa ®

02 maio 2010

08 abril 2010

Período introspectivo



Amigos, este blog ficará abandonado até ao fim de Junho.
But, fear not... I'll be back

04 abril 2010

Intelectualices

Os meus queridos amigos vão ter de me desculpar, mas vou destilar algum veneno acumulado, coisa que eu até nem gosto muito, mas que por vezes sabe bem... mesmo muito bem.

Já falei aqui, e várias vezes, sobre os opinadores. Os opinadores são aqueles animaizitos que têm opinião sobre tudo, desde a conjuntura macrossocial da sociedade da República do Laos e do Sultanato do Butão até a adstringência, quantidade em taninos, sabor frutado e odor amadeirado do vinho branco de Albergaria dos Doze.
Os opinadores enervam-me, muito... mesmo muito. Mas os que mais me enervam são aqueles opinadores intelectualóides, daqueles que usam palavras caras, de difícil definição, e que andam às voltas sobre um tema, terminando no mesmo sítio onde começaram. São os que dão as voltas de 360º, os que "falam-falam, falam-falam, e eu não os vejo a fazer nada", os cuspidores de direitos, mas que quando espremidos nem gota de sabedoria deitam... apenas a pura, cristalina, cândida e alba ignorância e estupidez das quais são constituídos.
Ok, eu também estou a ser intelectualóide e ando às voltas com este texto de treta, e também já opinei muito neste blog, dando a volta ao meu próprio estômago; então vou directo ao assunto.
Fui alertado para esta notícia publicada no "Público". Bem, fui alertado mais para os comentários à notícia do que para a própria notícia. Nem sequer li o texto informativo e comecei a ler as "opiniões" dos opinadores. Logo no primeiro comentário deparei-me com esta pérola de imbecilidade:

" joaorapace, coimbra. 03.04.2010 16:11

médicos de família é um engodo

Os médicos de família serão assim tão importantes? Pouco mais sabem do que um cidadão com alguma destreza. A maioria que eu conheço são muito fracos, aliás os médicos em geral, salvo honrosas excepções a alguns, que estão situados em Lisboa e no Porto. O resto, quando é uma operação mais delicada não sabem fazer. Esta é a realidade. Houve aí alguém a falar de enfermeiros poderem ser médicos de família? Talvez! O que faz um médico de família? Bem a minha vê a tensão e passa receitas. Quando lhe digo que estou constipado, vai ao computador, a algum programa e vê o que me há-de dar! Relatórios médicos não é com ela! Deixem-se de alarmismos. Uma pessoa mais esperta pode ser médico de família!"

Este comentário lembrou-me duas aulas do tempo da faculdade: uma de Ortopedia, na qual se falava de epitrocleíte e epicondilíte, duas situações que podem dar dor-de-cotovelo; e outra de psiquiatria, na qual se dissertava sobre frustrações, situações que, como qualquer pessoa com alguma destreza sabe, não são passíveis de tratamento.

Cheguei a algumas conclusões depois de ler este mimo de idiotice. Primeiro, o Sr. João não me parece que tenha alguma destreza, ou senão, segundo as suas próprias ideias, seria médico de família. Segundo, o Sr. João parece desconhecer por completo o que é Medicina e deve estar sentado com o rabiosque no seu escritório ou banco de táxi; devo aconselha-lo, se me permite, a tomar cuidado: a posição "sentado" pode originar problemas hemorroidários e, sabendo-se ser uma cirurgia muito delicada, pose ser necessário despachar esse seu traseiro para um país mais avançado nestas técnicas, como por exemplo... hum... o Djibuti. Terceiro, parece também não saber o que faz um Enfermeiro; tenho muitos amigos enfermeiros (alguns até vão ler isto, se tiverem pachorra), mas o meu trabalho é o meu trabalho e o deles (muitíssimo meritório) é o deles; sou contra as injecções dadas por farmacêuticos, por exemplo, e contra este tipo de comentários "especializados" feitos por mentecaptos como o Sr. João; já diz a sabedoria do povo: "cada macaco no seu galho", parece-me que o Sr. João não terá um galho disponível, mas pode ser que se contente com uma bela e saborosa banana. Quarto, "o que faz um médico de família?", poderia dissertar filosoficamente sobre este tema, mas isso seria demais para a dupla neuronal que o Sr. João alberga no projecto de encéfalo; se quiser saber, pode sempre ler um tratado de Medicina Familiar, mas ler... para si... não me parece... talvez "a bola" ou o "público" online; ainda bem que não vai assim tanto à sua médica de família, ou teriam os outros doentes que aguardar até ela voltar da baixa por danos psicológicos; ela passa receitas? Você também passou-nos uma a quem o pôde ler: como provar a ignorância em apenas 9 linhas; se ela não quiser passar-lhe um relatório, não se preocupe, pare alguém com alguma destreza no meio da rua e pode ser que tenha alguma sorte. Quinto, "uma pessoa esperta pode ser médico de família"; caríssimo, esperto são os cães... se calhar você é esperto, talvez tenha se enganado no local onde necessita de cuidados de saúde...

E assim caminham os quadrúpedes opinadores intelectualóides da sociedade lusa.
Sei que não devia desperdiçar meu tempo para isto, mas fazer o quê, sabe bem despejar neste espaço algumas "angústias"... é exactamente para isso que isto, de ter blogues, serve.
O Sr. João bem podia deixar de ir ao seu CS e deixar o lugar aqueles que não têm médico atribuído, de certeza que lhe agradeciam.
E se acha que a sua médica não sabe tratar das suas constipações, venha ter comigo, tenho a receita certa para si:
- Umas gotinhas de haloperidol;
- Uma "amarguinha";
- 2 supositórios de Paracetamol 500 mg;
- 1 injecção de água destilada.
Garanto-lhe que passaria muito tempo até pensar em voltar...

"الحُمْقُ داء ولا دواء له"
"A estupidez é uma doença para a qual não existe remédio"
Provérbio Árabe

03 abril 2010

Trocadilho

Parece que o Ratzinger está indignado e quer acusações sobre pedofilia trocadas por miúdos...

01 abril 2010

À beira

Para o desafio "Abismo" da "Fábrica de Letras"






À beira

Júlia subiu à grade daquela ponte sobre o rio Zêzere e respirou fundo. Tinha decidido saltar e não havia nada nem ninguém que a impedisse.
Olhou para o céu azul de início de primavera e fechou os olhos tentando absorver cheiros, ruídos e o calor ténue do sol. Uma brisa lânguida lambia-lhe a face.
Olhou para baixo e calculou o tempo da queda; vislumbrou o rio a correr calmamente, como que ignorando o que estava para acontecer, e bandos de pássaros a pulular entre árvores no festim do cio primaveril.

Júlia planeara isto há algum tempo mas, no entanto, faltara-lhe sempre a coragem necessária. Chamaram-na fraca muitas vezes ao longo da sua curta vida, mas agora iam todos ver do que era capaz. Já não tinha dúvidas e agora faltava pouco tempo para o concretizar.
O seu coração quase não dava conta do recado.

Ultrapassada a grade, Júlia postou-se mesmo a beirinha da imensa construção de betão, agarrada à vida por um fio, suando frio, mas decidida. Cantarolava “I believe I can fly” por entre os dentes de forma a ignorar a ansiedade que a consumia. Sentia dores lombares de tanto trabalho que dava às suprarrenais.
“Vai Ju, força, é só mais um passo”, tentando empurrar-se com a mente.
Baloiçou os braços, respirou o mais fundo possível, cerrou os olhos… saltou…

Partiu em silêncio.
Sentiu um frio no estômago e uma sensação de êxtase nunca antes vivida. Seguia naquela queda vertiginosa mas que, ao mesmo tempo, parecia-lhe em câmara lenta. Podia ver a ponte a afastar-se em direcção ao céu e o rio a aproximar-se majestoso.
Pensou… pensou muito durante aquela viagem.
Pensou no trabalho rotineiro das 9 às 5; trabalho mecânico sensaborão, arranjado por um amigo de um amigo, numa empresa tipo “João sempre-em-pé”, tipo vai-não-vai para esfumar-se. Seca, chatice, maçada.
Pensou nas relações falhadas, nos tipos com quem saiu, nos tipos para quem se entregou e nos restantes. Pensou nos flirts, nos affairs, namoriscos que experimentou e tampas que aplicou. “Os homens, esses inúteis”.
Pensou nas dívidas, nas contas mensais, nas coisas que gostava de ter e, principalmente, no dinheiro que não tinha.
Pensou na família, nos amigos… nos inimigos.
Pensou em tanta coisa e em tão pouco tempo, e nem o barulho do vento abstraiu-a dos seus pensamentos.
Mas já não tinha mais tempo para pensar. Acelerava para o fim da viagem, o rio ali tão perto. Sentia a fresquidão que emanava do curso d’água.
Abriu os braços e entregou-se de corpo e alma… o rio quase, quase…








Desacelerou. A velocidade que ganhara, dissipara-se num milésimo de segundo. Ainda tocou com os seus cabelos negros na água antes de ser puxada violentamente de volta para cima.
O elástico fizera a sua parte e, então, finalmente, Júlia gritou:
“Que se fôda tudo o resto, é tão bom estar viva!!!”
E a música que agora cantava era outra:




Luís Fernandes Lisboa ®

Foto: www.panoramio.com

31 março 2010

Dúvida

Eu não jogo "Farmville".... serei normal?

30 março 2010

Vinde a mim...

Sugestão para leitura do evangelho na próxima missa dominical: Lucas 18,15-17.

29 março 2010

Cinco

Uma pausa no trabalho para comemorar (?) os 5 anos de existência deste blog.
Desde que comecei a escrever neste espaço já me formei, me casei e fui pai.
Aqui já desabafei, critiquei, mostrei um pouco de mim mesmo e conheci pessoas deveras interessantes.
O que será que me reservam os próximos 5 anos?



Aqueles que por aqui passam e deixam um pouco de si mesmos, muito obrigado!

27 março 2010

O melhor?

Hoje, fazendo uma pausa no trabalho, vi um pouco do Top+ . Tentava ignorar a voz rouca da Isabel mas não pude deixar de ouvir: "No nº ? Recordações 2 - o melhor de Toy", ao mesmo tempo que se iniciava um vídeo manhoso do início dos 90 (tendo em conta com as fatiotas do artista).
Os "best of" são um estratagema das editoras para sacar mais uns trocos dos fãs e daqueles outros consumidores que só querem os "hits" de determinado artista. Então pergunto-me: terá o Toy tantos "hits" que não caibam apenas num "recordações" para que seja necessário um "recordações 2"?
A própria existência de tais obras faz arrepiar até o pêlo escondido no mais recôndito local do corpo.
Lembrei-me daquele programa "mui" educativo que versava sobre o dia-a-dia desse cantor romântico e romance foi a última coisa que me veio à cabeça.

E lá foi "correndo" o clip. Um must de labreguice retro. Uma música (?) cheia de azeite, tal e qual o autor... mas vende, tanto que está no top! Culpa dos ministros da educação, digo eu...

Desliguei a televisão e voltei para o trabalho com muito mais vontade.

Se aquilo era o best, nem quero imaginar o "worst"!





"Chama o António..."






NOT!!!

25 março 2010

Tempo (falta de)

Aqueles que me visitam, que fazem comentários ao que escrevo, que dignam um pouco do seu precioso tempo a ler os meus devaneios, venho dizer que estarei um pouco afastado desta vida bloguista.
Faço este pequeno aviso apenas porquê gosto de visitar os blogs, companheiros de labuta virtual, que se encontram à direita e assim "explicar" minha ausência em suas "casas".
Não tenho tido o tempo que gostaria para os visitar, nem aquele necessário para escrever e assim, escrever por escrever, não é a mesma coisa.
Dessa forma, vou aparecendo pelos vossos tascos de vez em quando e nesta taberna vou servindo "pratos" a espaços mais largos.

Mas não se livram de mim