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Ó Couceiro conseguiste novamente
Transformar uma selecção
Num grupo de incompetentes
Onde reina a confusão!
Tu, clone de Mourinho,
Não percebes que não prestas,
E acreditas sozinho,
Com grande falta de modéstia,
Num futebol baseado na inércia.
Agora há solução
Vais num instante para a rua
Não adianta vires para a televisão
A dizer que a culpa não é tua
Com foi possível o meu FCP
Também cair nesse engodo,
Acostumado a vencer
Foi contratar este bobo!
Agora quero ver
Quem te vai contratar.
Tu só sabes perder
E és o único a não ver
Que não sabes treinar
Que no meu coração toma forma
Couceiro, aproveita o ensejo,
Procura logo a Reforma!!!
______________________________________________________
Couceiro, seu estouvado



Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada Fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afectação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

A Calgonit, ou sei lá qual é a marca, diz na sua publicidade televisiva que “as mulheres estão em festa”.
Porquê?
Porquê eles lançaram umas pastilhas para que ELAS possam lavar a loiça com maior facilidade.
Por isso, mulheres, ergam o copo, mais limpo do que nunca, e sirvam um bejeca aos porcos dos vossos maridos!!!








Como somos pequenos.
“Menina inglesa desaparece de resort no Allgarve, enquanto pais jantavam num restaurante”. E depois disso movimentamos milhares dos nossos melhores efectivos em busca da “Madeleine”e comunicação social em alvoroço.
Não existe nenhum mal nisso, muito pelo contrário, temos que dar o nosso melhor para reaver esta criança, porque se trata disso mesmo: uma criança.
O problema está no tão grande aparato à volta. São jornais, televisões a darem o melhor para o sensacionalismo, algo parecido com os horríveis tablóides ingleses e de que os mesmos tanto gostam. A judiciária quase a pedir desculpas aos grandes britânicos por não ter conhecido ainda o paradeiro da menina. Nós a entrevistarmos turistas para saber se têm, agora, medo de vir passar férias no nosso solarengo Allgarve: “Prefiro passar férias nas nossas belas praias de Liverpool, muito mais seguras!”
Gostava de saber o porquê deste sentimento de culpa. Fomos nós que fomos jantar fora e deixamos os filhos a dormir em casa? Temos que arranjar escolta para cada turista que nos visite?
Além disso, outra questão que fica é: imaginem que acordávamos com a notícia “menina (portuguesa) desaparece em Lagos” ou “menina angolana raptada na amadora”, quão rápido seria nossa resposta, quão eficaz seria a actuação das nossas autoridades e quanto interesse despertaria na nossa comunicação social.
Meu desejo sincero é que, não só, encontrem esta menina, como todos os outros meninos e meninas que no nosso país desaparecem diariamente, sejam eles de cidadania portuguesa, inglesa, ou outra qualquer.
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade
Depois da famigerada história dos cogumelos, eu costumava, depois de apanhar dos amigos, contar sobre uma manifestação que houve numa certa cidade e que apoiava a causa do Tchu. Ei-la:
Era uma tarde quente de verão. Ele cansado, sentado na sua cadeira de escritório, mirava pela janela entreaberta o sol que queimava tudo o que aparecesse pela frente.
No rádio a mesma canção vezes sem conta: “agora a nova de fulano”, típico single de verão.
Ele já estava farto, tinha tirado o nó da gravata e preparava-se para encestá-la no balde do lixo. Uma pasmaceira…
Sonhava com as margens de uma bela praia, uma brisa fresca e uma bebida qualquer com um chapéuzito parolo para enfeitar. Ao longe uma bela rapariga num biquíni colorido e ainda mais distante a vela de um barquinho quase a desaparecer no horizonte azul…”suspiro”
Nessa tarde gostava de estar em qualquer parte, menos ali naquele cubículo: “pseudo-escritório de mer”#!!!”, pensava.
De repente um som ao fundo da rua. Foi a janela espreitar e 9 andares mais abaixo uma manifestação gritava exaltada:
“- Queremos o Tchu! Tchu para sempre, Tchu para presidente!”
- Tchu? – pensou em voz alta.
Desceu em alta velocidade os 9 lanços de escada que o separavam da liberdade do ar livre e deparou-se com milhares de pessoas vestidas de amarelo que gritavam palavras de ordem em defesa do tal “Tchu”.
Correu para a primeira pessoa que individualizou na amálgama de gente:
- Ó amigo, quem é esse Tchu? – perguntou.
- Queres saber?
- Sim – sua curiosidade aumentava a cada segundo – quero participar nesta manifestação também.
- Primeiro: só podes participar se tiveres uma t-shirt amarela e uns calções pretos; segundo o Tchu só verás quando chegar a hora certa.
Ele, então, correu ao pronto-a-vestir mais próximo para tentar comprar uma t-shirt amarela e uns calções pretos.
Apenas na 8ª loja em que entrou conseguiu a tal indumentária, e correu para os transeuntes.
“- O Tchu é o maior! Queremos Tchu muitas vezes! O Tchu é grande!”, era ensurdecedor.
Começou a caminhar e a acompanhar os outros na gritaria, mas foi logo interrompido por um outro manifestante.
- Olhe lá, meu caro, o senhor não pode estar aqui nesta manif! – afirmou indignado.
- Mas por quê? Estou vestido a rigor, como um seu colega disse – tentou justificar.
- Então onde está a fica cor-de-laranja à volta da cabeça?
Só então reparou que cada um dos intervenientes possuía à volta da cabeça a tal fita cor-de-laranja. Achou um pouco estranho, mas as regras são para seguir.
- Então se conseguir essa fita posso participar? Perguntou.
- Claro, será bem-vindo se estiver correctamente vestido.
Ouvindo isso partiu em busca da tal fita: “mas onde raio irei comprar tal coisa?”, perguntava-se enquanto procurava uma retrosaria ou algo da mesma classe. Entrou na primeira loja do género que encontrou e, por sorte, o comerciante tinha recebido um carregamento das fitas misteriosas. Comprou duas, “não vá o diabo tecê-las!”.
“Viva o Tchu! Quem nunca experimentou que vá tomar no…”
Correu em direcção dos manifestantes como se fosse tirar o pai da forca.
Mal se tinha misturado na multidão, foi logo interpelado por outro indivíduo:
- Meu caro, não pode estar aqui connosco! Disse o senhor de forma educada.
- O que falta agora?
- Como?
- Alguns dos seus amigos falaram sobre a t-shirt, os calções e a fita. O que me falta agora para poder participar nesta manifestação?
- Esqueceram-se de dizer que devia estar a usar umas sapatilhas “All-Star” azuis.
- Você está a gozar, não?
- Acha que estou com cara de brincadeira? Perguntou em tom nervoso.
Ele saiu disparado para uma sapataria. Não entendia para quê tanta cerimónia. Será que a finalidade daquilo tudo seria a implementação de um sistema autoritário? Quem seria esse Tchu? Tudo isso não importava, ele queria participar de algo que fizesse sentido. Estava farto da mesmice do trabalho, da robótica da repetição. Comprou as “All-Star” azuis: “afinal sempre queria ter umas mesmo”.
“Queremos o Tchu! O Tchu é boa gente! Tchu para presidente!”
Entrou no meio da multidão para fazer parte do mesmo organismo vivo que exalava contestação. Dessa vez ninguém veio chateá-lo. Estava, finalmente, feliz. Não sabia porque, mas isso era o que menos interessava naquela altura.
A manifestação andou cerca de
“ - Queremos o Tchu! Tchu, Tchu, Tchu! Para sempre Tchu!”
“ - O povo unido mantém o Tchu erguido!”
Em palanques improvisados, os mais indignados gritavam as mesmas frases com megafones. Outros atiravam-se para cima dos demais, como mergulhadores
Ao longe, e sempre ao longe, a tropa de choque fitava o cortejo com ar austero. Os cães babavam-se enraivecidos, quase possuídos.
E a comitiva continuava. Como peregrinos, em uníssono, entoavam:
“- O Tchu é o salvador! O Tchu é que tem valor” e “Abaixo à repressão, o Tchu é a solução”.
Chegaram à uma grande rotunda, uma das maiores da cidade. Nas 5 pistas que circundavam a praça circular foram-se acomodando, como podiam, as milhares e milhares de pessoas. Nunca pararam de entoar seus cânticos de revolta: “Tchu, Tchu, Tchu”, agora cada vez mais alto, cada vez mais estrondoso…
No centro da Rotunda erguia-se uma grande estátua de um estadista importante da história da nação, rodeada de um lago artificial e um chafariz do qual jorrava uma água esverdeada. Era já uma obra antiga, corroída pelo tempo, já verde da poluição citadina. No topo da estátua um indivíduo enorme gritava:
“- O que vocês querem?”
“- Queremos o Tchu”- gritava a multidão acentuando a última palavra. Suas vozes unidas podiam ser ouvidas a vários quilómetros de distância.
No topo o sujeito incitava ainda mais a população. Era um homem de raça negra e que apresentava na mão direita uma tocha com o fogo mais brilhante alguma vez visto. O corpo atlético parecia uma figura esculpida no próprio ébano. Media mais de
“- Eu repito: o que vocês querem?”
“- Queremos o Tchu! - respondiam submissos.
“ – Se querem o Tchu, gritem mais alto”
“- Queremos o Tchu, queremos o Tchu!
“- Mais alto!”
“- Tchu! Tchu! Tchu!”
A histeria tomou conta das gentes:
“ –MAIS ALTO!”
“ – Tchu! Tchu! Tchu!
“- MAIS…”
“-TCHU! TCHU! TCHU”
E nisso o negro com seus dois metros de altura, num movimento ágil e rápido lança a sua tocha à água do lago e…TCCCHHhhuuuuuuuuuuuuuuuuuu!
(Obs. este Tchu tem que demorar praí uns dois segundos)



