21 outubro 2009

Saramargo

Depois do discurso anti-igreja-religião-bíblia do nosso José Saramago, lembrei-me de imediato desta bonita melodia dos Titãs que ouvia em 1986:



Igreja
Titãs
Composição: Nando Reis

Eu não gosto de padre
Eu não gosto de madre
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo
Eu não gosto de Cristo
Eu não digo amém.
Eu não monto presépio
Eu não gosto do vigário
Nem da missa das seis.
Não! Não!
Eu não gosto do terço
Eu não gosto do berço
De Jesus de Belém.
Eu não gosto do papa
Eu não creio na graça
Do milagre de Deus.
Eu não gosto da igreja
Eu não entro na igreja
Não tenho religião.
Não!
Não! Não gosto! Eu não gosto!
Não! Não gosto! Eu não gosto!

Sublime

Na minha 5ª noite seguida de insónia (e não é por culpa da minha menina), fico a ouvir estas vozes angelicais:

20 outubro 2009

Aventura


Aventura


Aventuro-me em ti e na tua longitude
Negligenciando os teus perigos e vicissitudes.
Escorrego na tua fronte e equilibro-me no teu nariz
No preciso instante em que, descontraída, sorris.
Contorno a carne dos teus lábios e apoio-me no teu queixo
Deslizo lentamente para o teu ombro sem desleixo.
Caminho pelo teu colo e perco-me nos teus recantos,
No cimo dos teus peitos miro os teus doces encantos.
Desço com cuidado pois no teu ventre mora o perigo,
Brinco e salto no teu ser e caio no teu umbigo.
Escalo teu monte de Vénus e daqui revejo a tua boca,
Tombo, negligente, e descanso no afago das tuas coxas.
Deixo-me estar, descansado, perdido nessa ilusão:
De estar tão perto de ti mas tão longe do teu coração.

Catsone®

19 outubro 2009

"Vermelho, vermelhaço, vermelhão!"


Vou responder a um desafio amavelmente feito pela Denise. Pedia ela que eu enumerasse dez pessoas e/ou situações que merecessem cartão vermelho.
Isto vai de "sopetão" e vou escrever o que vier à cabeça, mas não deve ser difícil já que complicado seria, neste momento, arranjar 10 coisas que merecessem aplausos.

Lá vai:
1- Pobreza, não só material, mas também a de espírito: eu sei que é utópico mas como é possível que, no auge dos seus conhecimentos, o Homo sapiens continue a permitir que, a metros de distância, estejam crianças a morrer crianças à fome, com frio, com doenças perfeitamente curáveis ou devido à guerra? Aliás, quando terminar este post quantas mais terão morrido?

2- Chico-espertismo: se fosse desporto olímpico já cá cantava um ourozito. O tuga é especialista no golpe, no factor C, no por-baixo-do-pano. Não é à toa que este país tem tantas rotundas, nós somos bons é a contornar as situações. O desenrascanço devia ser elevado a património nacional, não vá uma super-potência usurpá-lo para fins maléficos.

3- Críticos: a crítica é boa e faz crescer quando bem intencionada, no entanto, há muita gente dedicada à fina arte da crítica fácil e depreciativa. Existem pessoas que pensam que sabem que sabem, não sabendo que não sabem puto. E vemos estes intelectuais a destilarem venenos e espumas raivosas nos telejornais, rádios e matutinos. Estes já não iludem quem é inteligente e quem não o é também não os entende, daí a sua opinião estar sobrevalorizada. Os críticos não sabem fazer, mas criticam.

4- Desesperança...(suspiro)

5- Egoísmo: o umbigo é uma coisa maravilhosa, representa a ligação à criação e patati-patatá, mas por vezes deve-se olhar para outras direcções sob o risco de bater-se com a cabeça numa parede (ou num umbigo maior).

6- Ganância: "quem tudo quer tudo perde", infelizmente não passa de um dito popular, mas gostava de ver mais vezes acontecer dessa maneira. Se assim fosse, aqueles que vivem da especulação estariam onde estão hoje os que foram, por eles, explorados. É triste mas, provavelmente, temos alguns genes destacados para este efeito. O apetite por coisas é tão grande que não se olha a meios para se ter. O sinal em moda hoje em dia é o +.

7- Guerra: porquê lutar por uma causa que não é nossa? Porquê raio lutaria eu por problemas, desavenças e interesses de engravatadinhos e diplomatas? Os senhores da guerra que carreguem, eles, as armas e enfiem-nas nos respectivos olhos do cu. O problema da guerra é complexo e fico-me por aqui.

8- Inveja: a relva do vizinho é mais verde, o carro é mais potente, a casa é mais bonita, a família é mais perfeita, a pila é infinitamente maior. A inveja corrói e enoja; é, para mim, o pior sentimento que se pode ter. Por trás de um sorriso amarelo e um "parabéns", o invejoso esconde algo podre e cruel e isso é uma das (muitas) coisas que me assusta.

9- Política: que fique claro que gosto de política mas dava cartão vermelho a todos os políticos/partidos actuais. Não existe ninguém, neste momento, a nível nacional, que ponha os interesses dos outros a frente dos seus. Temo acreditar que nunca houve. "Ó Catsone, tão ingénuo que nós somos, hã?"; pois sou e por isso, por vezes, fico azedo.

10- Religião: fui ensinado desde pequeno que não se deve falar de 3 coisas: Política, futebol e religião; azar do caraças porque gosto de discutir as 3. A religião é a raiz de todas (ou na maioria) as discórdias, passadas e actuais. Em nome de vários deuses cometem-se (passado, presente e futuro) as maiores atrocidades e, depositando nos deuses as culpas, dorme-se de consciência tranquila.

E é isso. É triste perceber que é fácil preencher esta lista e saber que se o desafio pedisse 100, 1000 ou 1 milhão de cartões vermelhos não ficaria um único por atribuir. Mas eu já disse que não gosto de desesperança?

PS: cara Sr. professora, perdoai os erros ortográficos, de acentuação e de concordância mas, às 2 da manhã, não se pôde arranjar melhor.

17 outubro 2009

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Eu tenho uma "Yoko Ono" na minha vida...

16 outubro 2009

Humor negro

"France Télécom: 25 suicídios em 20 meses"aqui

Temos que saber o que se passa nesta empresa e aplicar na assembleia da república. Em 2 anos ia a bancada do CDS e alguns do bloco...

Prostituição política


Vem o engenheiro no seu carocha cor-de-rosa pela Av. da Liberdade acima e depara-se com uma trabalhadora nocturna. Trava imediatamente.
Eng: "Ó boa!"
Senhora: "Olá garanhão"
Eng: "Como te chamas, laranjinha?"
Senhora: "Manela"
Eng: "Adoro o teu fio-dental cor-de-laranja. Fazes coligações? Daquelas bem hardcore?"
Senhora: "Claro"
Eng: "Quanto?"
Senhora: "4 ou 5 ministérios. O das finanças é obrigatório!"
Eng: "Desculpa lá, não querias mais nada, não? Deve haver coisa melhor por aí."
O engenheiro põem o pisca para a direita e encontra novo trabalhador da vida política.
Eng: "Ó doce!Anda cá ao PM"
Trabalhador da vida política (TVP): "Ui, tão ansioso que ele está. Olá panterinha cor-de-rosa!"
Eng: "Epá, tu és uma drag queen? Deixa estar que eu agora sou mais liberal. Alinhas numa coligação para 4 anos?"
TVP: "Claro. São só 3 ministérios e eu quero o da defesa: adoro homens fardados."
Eng: "Isso é muito! E umas relações esporádicas estratégicas"
TVP: "Pobretanas. Pode ser, mas vou querer um ministro e alguns secretários de estado."
Eng: "Não pode ser. Beijo na nádega"
O engenheiro põem o pisca para a esquerda e vê ao fundo uma figura num vestido vermelho.
Eng: "Eh lá... adoro gajas de vermelho"
Gaja de vermelho (GV): "Olá meu pequeno burguês imperialista. Eu aceito teu capital, nem que seja estrangeiro, para podermos dar umas cambalhotas ideológicas."
Eng: "Mas só me calham drags hoje? Ouve lá, quanto cobras por uma tramóia política bem sacana?"
GV: "De que tipo?"
Eng: "Estava a pensar num threesome com aquela jovem beldade escarlate ali?"
GV: "E só pode ser um menage?"
Eng: "E já te podes dar por satisfeita!"
GV: "Não alinho nesse tipo de bacanais, seu porco fascista!" e vai-se embora.
Eng: "Ó amor, anda cá conversar"
A jovem beldade escarlate marcha rapidamente em direcção ao carro cor-de-rosa.
Eng: "Tu és esbelta! Olha lá, as tuas amigas são muito ambiciosas, não queres juntar-te a mim numa aliança quadrienal?"
Jovem beldade escarlate (JVE): "Depois fico com um lugar numa empresa estatal?"
Eng: "Pode-se arranjar qualquer coisita, sim"
JBE: "E um ministro ou dois?"
Eng: "Prontos, já estás a exagerar! Eu não tenho maioria, só posso dar o tal lugar na empresa, até deixo-te escolher."
JBE: "Pode ser na Mota-Engil?"
E o engenheiro acelera a fundo o seu carocha cor-de-rosa. Pensava na chateação que era ter que recorrer às prostitutas políticas quando, há pouco tempo atrás, tinha tudo o que queria.
Decidiu-se por fazer (governo) sozinho. Só se espera é que não saia a mesma porra que o último!

15 outubro 2009

...



Hoje sinto-me lipofrénico...

13 outubro 2009

Quem qué metê na Maitê?

Eu vivi no Brasil 16 dos meus 34 anos. Em S. Paulo, sendo tuga, "sofri" com as anedotas de português que os brazucas contam. Sempre tive fair-play, até porque acho ser salutar sabermos rir de nós próprios, mas confesso que, algumas vezes, senti-me ofendido.
Talvez contassem estas anedotas como forma de compensar o facto de os portugueses, no Brasil, serem pessoas de sucesso. Meu pai, que saiu daqui com uma mão à frente e outra atrás, nunca foi funcionário de ninguém e, embora não tenha ficado rico, posso dizer que saiu-se muito bem em terras de Vera Cruz. Aliás, meu pai tinha tanto fair-play que, após ouvir uma anedota de português, contava outra, ele próprio, logo a seguir. Ao ouvir a anedota que o meu pai contava, os outros engraçadinhos não achavam piada nenhuma já que não tinham atingido o objectivo primário: a ofensa.
Mas também é justo que eu diga que adoro o Brasil e suas gentes. São pessoas alegres, simpáticas e sofridas, que merecem o meu inteiro respeito. Gosto da cultura brasileira que nada mais é que uma mescla de inúmeras outras e que no fim revela um degradée extraordinário. Eles tem Niemeyer, Pitamgui, Machado de Assis, Tom Jobim, Vinícius, Fernanda Montenegro, Elis Regina, etc, etc...
Mas o Brasil também tem Maite's. Inúmeras figuras como esta pseudo-artísta. Nós vamos comendo (alguns literalmente) estas artes todas: novelas, teatro, música, cinema, entre outras. Embora façamos muitas coisas interessantes, parece que o que vem de lá é melhor, mais elaborado e profissional. Mas nós temos o fado, a revista, o Rui Veloso, a Dulce Pontes, o Vasco Santana e até a Amália. Não aceito que o que vem do Brasil é sempre melhor, para mim é apenas diferente.
Quando vi o vídeo desta pseudo-artista fui atingido pela fúria e da minha boca saiu um floreado de bonitos adjectivos (a maioria não reproduzíveis aqui). Aceito que se façam caricaturas de traços da personalidade de um povo, mas não admito que se cuspa em monumentos, que se estereotipem as pessoas e que se "caguem-a-rir" de algo que é, no mínimo, digno de lástima. A fúria foi um primeiro impulso de quem não tem sangue de barata, mas logo a seguir senti pena. Vi uma completa idiota a tentar ser engraçada e que revelou uma incomensurável ignorância em relação a Portugal (Salazar no poder 20 anos? Confundir o Tejo com o mar?). Quem conhece este programa sabe que se trata de um conjunto de 5/6 gajas mal fod#$", com intelectualices, que disparam escárnio e conversa da treta para todos os lados. Eu nem devia perder tempo com isso, mas que se lixe, eu quero!
À Maitê (se isso é nome de gente...) digo que fica muito melhor "peladona" na capa da playboy; reserve-se para isso enquanto pode já que a idade vai dando sinais e o photoshop não faz milagres dessa ordem de grandeza, além de que não vejo mais nenhum talento na sua pessoa. Não ofenda José de Alencar, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves: não tente escrever. Não ofenda também Paulo Autran, Lima Duarte, Regina Duarte: não represente. Não ofenda Renato Aragão, Chico Anísio, Bussunda: não tente ser engraçada. E guarde, também, o trabalho de repórter a quem sabe o que faz, quem respeita a cultura e a história de um povo e que não tem problemas em conter a saliva na própria boca. Se cospe em público o que será que faz em casa? Fico desiludido "because you don't swallow".
No Brasil, sendo imigrante, até aceitaria estas piadas de muito mau gosto, mas aqui, na minha "terrinha"? Isso é que era bom!

12 outubro 2009

Parabéns Gondomar!

"Não há, hoje a noite, um restaurante onde a gente pudéssemos jantar todos"
Se eu fosse gondomarense escondia minha cabeça na areia.

Já agora, parabéns também aos de Oeiras que deram maioria a um fulano condenado em tribunal e que joga piriscas de cigarro acesas para o chão.

Parabéns, de verdade, aos leirienses que finalmente tiveram o seu 25 de Abril, aos do Marco de Canaveses e de Felgueiras que deixaram de ser cegos!


10 outubro 2009

Faz-me

Visitei este sítio hoje e fiquei com cara de (mais) parvo:


Primeiro, não sabia que tinham "palavra do dia" e, segundo, a palavra deste dia era qualquer coisa, sim senhor.

E pensar que eu já sugeri este sítio a miúdos hiperactivos... já posso imaginar as perguntas dos petizes aos incautos pais.

09 outubro 2009

Nossa senhora!!!

Hoje vou fazer publicidade... bem, não é bem publicidade, é algo ao contrário.
Parece-me que o Marco Paulo está na moda. A Danone resolveu utilizar a figura do cantor para publicitar um dos seus produtos. Como o moço já tem 64 primaveras, está na hora certa de servir como exemplo aos da sua idade: o colesterol mata...lentinho.
Olha, agora é que reparei, ele já tem 64 e pró ano ele pode se retirar! Temos que o avisar que com 65 anos ele já pode desistir da sua profissão: ensurdecedor.

Mas não foi só a Danone que adoptou Marco Paulo para "menino propaganda", e foi então que vi este comercial:



Esta empresa resolveu apelar e oferecer um CD do cantor (acho que com um "single": nossa senhora) a quem for novo cliente. Na minha, ultra-modesta, opinião, acho que é má publicidade, se eu fosse surdo e procurasse um tratamento para deixar de o ser, gostaria de ouvir as ondas do mar, o chilrear dos pássaros ou a Sinfonia nº9 de Beethoven, e não o Marco Paulo.
Amigos da Minisom, para ouvir Marco Paulo mais valia não ouvir.

08 outubro 2009

Totós

Na TVI (estava a ver este filme) e no intervalo:
"O melhor filme da semana: A escola de totós. Oferecido por: BANIF - A força de acreditar"

Será que o BANIF sabia que patrocinava um filme chamado "A escola de totós"?
E quem serão os totós que vêem isto? Os clientes do BANIF?

Acho que o BANIF tem que rever o contracto de patrocínio com a TVI... ou se calhar está certo.

Por ser tempo de escrutínios

Há coisa de 5 anos atrás, num tempo em que pululavam novas bandas de garagem, eu me juntei a mais 3 tontos para fazer barulho. Não tínhamos nome, não tínhamos tenções de gravar nada, não éramos músicos, mas durante 3 ou mais horas de um sábado por mês lá nos juntávamos para um tempo bem passado.
Dos vários "originais" que ensaiávamos, havia um do qual eu gostava particularmente de cantar (sim, eu era o vocalista). Era uma rocalhada naive sobre um assunto em particular: as eleições.

Dado que no domingo temos eleições e até faço parte de uma lista para a Câmara da minha capital de distrito, aqui vai, em 1ª mão, a letra dum êxito que poderia ter sido mas não foi:


"Política

De 4 em 4 anos, eles pedem o meu voto
Juram austeridade, confiança, competência: um país novo
Digo que acredito e assim deixam-me em paz
Que ganhe este ou aquele para mim já tanto faz
É sempre a mesma história no final do seu mandato
“Eu fiz, refiz, recontrafiz, e a si sou muito grato”
Faço que acredito que o discurso é sincero

Eu voto é meu direito, mas não és tu que eu quero.


São sempre as mesmas caras com as ideias de há 10 anos
Não mudam uma vírgula, qualquer um desses fulanos
Vou votar com coerência, nas próximas eleições
Escrevo no boletim: vão embora seus cab#$"#!


Ser político hoje em dia é muito fácil, meu amigo
Basta ir à assembleia falar do governo antigo
Criticar o que foi certo, enaltecer suas besteiras
E repetir, se for eleito, os mesmos erros e asneiras
No próximo escrutínio não esqueça de votar
Dar aquele seu político a chance de mudar
Num país tão pequenino, com tantos ignorantes
Governar não é difícil, basta fazer como antes."



PS: obviamente que comentários jocosos serão imediatamente banidos... ou talvez não (pu$% da democracia)


07 outubro 2009

Escorregadio

Eu dizia não ser possível que algo me obrigasse a fazer aquela cara de "carneiro-mal-morto" que os adultos fazem ao ver um bebé.
"Ai, tão gira! Cu-cuuuoouuu!" gritinhos de felicidade.
Achava ridículo o espectáculo dado por um adulto na presença de um enfant.
"Tu vais ver quando forem os teu!" diziam revoltados perante a minha frieza.
Achava-me vacinado e imune aos "guti-gutis", "cu-cus" e "quem é linda, quem é, quem é?". Eu fazer essa figura de urso??? Nem pensar! Eu sou um fulano muito macho e nenhum projecto de gente iria me submeter a esse vexame.
Pois bem, eu, como sempre, estava errado.
Os bebés são maquiavélicos! Tenho dito; não há dúvidas. Com aquele jeitinho de quem não quer a coisa, vão nos transformando em patetas de 30 e tais. Parecem hipnotizadores que nos põem a fazer os papéis mais estapafúrdios.
E a minha menina não foge à regra. Eu que sempre fui um homem sério, recto e austero, transformei-me numa espécie de fã tonto: basta ela dar um suspiro e derreto. Quando olha para mim com os olhos bem abertos, põem-me a seus pés. Danada a moça, já sabe o que fazer com um gajo!

O chão cá de casa está húmido e escorregadio.
Não sei porquê...

30 setembro 2009

Filha

Quando chegaste fizeste alarde. Mostraste, a todos que pudessem ouvir, que vinhas aí. Mostraste a tua pujança, o teu poderio e a tua vontade de viver.
Eu, por trás de uma máscara, sorria feito bobo, numa mescla de felicidade e admiração.
Levaram-te de mim por um segundo mas segui-te. Queria ver-te mais de perto, olhar nos teus olhos, sentir o teu cheiro. Eu queria tocar-te pela primeira vez.
Tu, chateada, gritavas. Venceras a primeira etapa da tua vida mas insistiam em te manter submissa à vontade de outros. Eu mantive-me bobo, perdido em contemplação.
Acalmaste-te e puseram-te nos meus braços. Peguei em ti, como quem pega no mais precioso e frágil cristal e apresentei-te à tua mãe. Foi a primeira vez que estivemos os três juntos...
Levaram-te novamente sob a desculpa de "protocolos" e eu, relutante, entreguei-te. Foste embora a reclamar.
Quando voltaste, já não choravas. Procuraste o que para ti era fundamental naquele momento e fiquei a observar-te enquanto comias. Saciaste as tuas necessidades e ficaste a contemplar o mundo à tua volta.
Teu olhar parou na minha face e fitaste os meus olhos. Deixei minha imaginação fluir e reconheci em ti um pouco de mim. Descobri um pouco dos meus irmãos, dos meus pais e dos meus avós no teu rosto. Vi, também, a tua mãe na tua face. Peguei na tua mão e meu coração, coitado, depois de horas de sofrimento, finalmente sossegou.
Voltaste a chorar e, pela primeira vez, choramos juntos...

29 setembro 2009

Ode ao Catso

Ao ler o meu triste texto de ontem, o meu caro amigo Balhau teve daqueles rasgos poético/criativos dignos de perdurar no imaginário bloguista.
Aqueles que, por preguiça, não quiserem bisbilhotar o blog do poeta, podem ler a sua criação imediatamente abaixo:

"Para o Catso


Na arte de bem foder
O povo até mais não
Fica o colhão sempre a arder
De não ter nada, tocar à mão.

É escusado retrucar
Aqueles senhores do dinheiro.
Na verdade é sempre o mesmo
Que se fode o dia inteiro

Meu vizinho não quer saber
Minha avó já pouco escuta
Neste mundo todos querem comer
Do mesmo sítio a mesma fruta

Agora que aliviei num espirro
Aquilo que todos sentem
Devo realizar um retiro
Para entender como eles mentem

Mentem porque eu não os ouço
São o resultado da indiferença
Com este comportamento de moço
Qual será minha sentença?

Passo os dias a reclamar
Com a sociedade e a justiça.
Mas na hora de denunciar
Sou sem boca e cego de vista

Comiseração é o meu lema
Filosofia do coitadinho.
Ainda ontem virou tema
A história de um pobrezinho

Mas pobres sempre haverão
Porque há quem não queira trabalhar
Difícil é dar a mão
Aqueles que ajudas a explorar.

A sociedade é muito chique
Quando se trata de aparecer.
Com uma levis e umas nike
Fazes outros perecer.

Ah mas a vida é mesmo assim!
Dizes-me tu indiferente
Mas como queres meu caro amigo
Uma vida benevolente?

Queres que o mundo mude
Não te censuro o pedido
Mas se te peço atitude
Está logo tudo perdido!

Que dizer destes políticos
Manequins da sociedade?
Meus amigos, são os rebanhos
Da nossa mediocridade.

Não desças ao nível deles
Diz-me a voz da razão
Mas como é que a posso ouvir
Se me dói o coração

Por isso bem alto digo
De mente aberta, resoluta
Fazei da peida um figo
Seus grandes filhos da puta"

Under License of Balhau® Inc.

28 setembro 2009

39,4

39,4% que podiam não passaram cartão, estiveram nas tintas, não ligaram a mínima, cagaram pra isso, não quiseram saber, não se importaram, ignoraram, esqueceram, não foram, não apareceram.
39,4% são os que não opinam, não se comprometem, não estão nem aí, não falam, não escolhem, não fazem juízo, não servem para nada.
39,4% não tiveram a inteção, não lhes apeteceu, tinham outras coisas para fazer, estavam ocupados, doentes, de viagem, não sabem/não respondem.
39,4% com BI, Cartão de Saúde, Cartão de Eleitor, Passaporte, nacionalidade portuguesa, resolveram ficar em casa, ir à praia, jogar cartas, bater no cônjuge, ficar na esplanada ou, simplesmente, ser inúteis para o país.

Por vezes apetece-me uma ditadurazita...

Este deveria ser o novo hino deste país:


25 setembro 2009

Antídoto

Vi este Sketch outro dia na RTP e chorei...


24 setembro 2009

1991-2009

Entrei na loja um pouco ansioso. Já tinha feito a pré-compra do CD e agora bastava levanta-lo. Percorri os diferentes corredores do estabelecimento à procura do disco e, depois de uma curta diligência, lá estava ele à minha espera.
Peguei naquilo como se pega num filho, com cuidado e com carinho, e levei-o até a caixa.
Saí da loja quase aos pulinhos, há muito que esperava para ouvir meus amigos. Pensei na figura de teen urso que poderia estar (estava) a fazer.
No caminho da loja ao carro retornei por instantes a 1991. Naquele ano comprei o meu primeiro CD e, não por acaso, era dos mesmos autores. Lembrei-me
de como era na altura e de quanto aquelas 11 músicas me influenciaram.
Há 18 anos que fazem parte da minha vida. Neste período de tempo tanta coisa mudou, naquela altura eu era mesmo um teen urso, hoje sou apenas urso...
Cheguei à minha querida viatura e introduzi (com cuidado e com carinho... sempre) o disco na ranhura do auto-rádio e lá estavam eles, 18 anos depois e ainda com capacidade para me entreter e, principalmente, surpreender.
Não sei como consegui chegar em segurança à casa já que a viagem foi feita em piloto semi-automático; a partir dos primeiros acordes minha mente vagueou por lembranças e ilusões, deixando tudo à volta desfocado. Não lembro da partida, do trajecto e da chegada. Lembro-me da última música que, curiosamente, tem o nome de "the end", e foi aí que as minhas viagens terminaram.

Agora esta será a banda sonora dos próximos tempos; horas serão bem passadas, novas lembranças serão armazenadas e ficarei em modo "suspenso" por largos momentos.