24 abril 2009
Exma Ovelha Ranhosa
Eu nunca acreditei, considerei sempre a hipótese de agradar o mongo e o intelectual, o snob e o bronco... pura ilusão.
Existem poucas coisas impossíveis neste mundo: coçar o ouvido com o cotovelo, morder a testa, agradar a todos, entre outras. As primeiras duas sou capaz de acreditar, que no meio de 6.000.000.000 de indivíduos neste mundo, alguém consiga realizar.
Observo todos os dias a inexequibilidade do "agradanço" geral. Podemos ser os melhores no que fazemos mas há sempre aquele "sim, está quase perfeito" ou o "está lindo, mas..." e ainda o "hum, podia ser melhor.".
O gajo bateu o record dos 100 metros e alguém dispara "mas ele pode melhorar" e com, um pouco de sorte, acrescenta "muito".
O génio encontrou a cura para o cancro e os críticos dizem "mas é muito caro" ou " e então o Parkinson?" ou "mas o meu problema é micótico.".
Como se não bastasse a crítica alheia, existe os que, mesmo agradando o máximo de pessoas possível, não se conseguem agradar a si próprios. É um tipo de auto-sabotagem; o gajo dos 100 metros diz que estava contra o vento, o génio da cura do cancro reclama da falta de empenho na procura pela cura do pé-de-atleta, e por aí vai.
Escrevo sobre este tema após participar na organização de um evento. Um gajo faz tudo para agradar, tão tonto, na esperança de que tudo seja perfeito (mais uma coisa a acrescentar à lista de impossibilidades). No fim depara-se com o inevitável: o falhanço. Não foi a maioria, mas presta-se atenção àquela ovelha ranhosa que não gostou disto ou daquilo. Penso comigo mesmo "deixa lá, foi só um gajo" mas, ao mesmo tempo, respondo em auto-diálogo-interior "gostava de saber quem foi o FDP!".
Enfim, consola-me uma outra frase da minha querida avózinha: "Nem Jesus agradou a todos".
Verdade.
It's alive!
Mas apresenta algumas sequelas, perdeu alguma informação e funcionalidades que, com alguma informatofisioterapia, recuperará em curto espaço de tempo.
Obrigado a todos os que rezaram por ele, está muito sensibilizado.
PS: Doações para a conta CGD NIB 123456789101112136630.
23 abril 2009
UCI
" Deu entrada, ontem, na Unidade de Cuidados Intensivos, um computador portátil, de seu nome HP. Vinha com sinais de profundos mal-tratos, escoriações e cicatrizes, completamente desorientado e amnésico. Encontra-se, neste momento, ligado à outras máquinas, numa tentativa desesperada de se agarrar a este mundo. Seu dono, e principal suspeito dos crimes, não foi interrogado pelos funcionários da instituição, apenas "largou" a vítima nas urgências e fugiu. Os técnicos informáticos referem que, apesar de haver esperança, o estado do paciente é considerado muito grave."
Todos juntos, rezai pelo meu amigo HP.
12 abril 2009
Sicko

Ontem, para diminuir um pouco o "astral", dado que tenho uma personalidade algo masoquista, assisti este filme.
Trata-se de um documentário do cineasta Michael Moore sobre o sistema de saúde americano. Michael Moore é um dos homens mais controversos de sociedade americana. Seus filmes tentam apresentar à comunidade as incríveis, e por vezes inacreditáveis, disparidades existentes nos EUA. Foi assim com Fahrenheit 9/11 e Bowling for Columbine.
Já tinha uma noção do que o filme pretendia mostrar, mas, a realidade, é que não estava preparado para o que viria.
Vale a pena ver, principalmente neste momento de ataques entre as diferentes classes que integram nosso sistema de saúde. Vale também para quando estamos profundamente desapontados com o nosso trabalho, para quando nos acusam de não o fazer bem, de não nos preocuparmos com o nosso doente.
Comparemos a nossa saúde com aquela que existe no país da "melhor" investigação e prática médicas.
Mas entristece, profundamente. Ver pessoas que trabalharam a vida inteira e que, no fim, não têm direito a envelhecer condignamente.
Fica um sentimento de pena...
10 abril 2009
08 abril 2009
Germanices
Parece que me enganei quando, em post anterior, alterei o logo da qimonda.
Afinal o logo certo era este:
Lobo em pele de Cordeiro
O homem falou, falou e no fim o que me ficou na cabeça foram as mentiras e acusações.
Por causa deste indivíduo, duas (ou talvez três) classes de profissionais de saúde, ao contrário de remarem para o mesmo lado, trocam acusações infrutíferas e levianas.
Desiludam-se aqueles que acreditam que este fulano quer o melhor para o doente. Por baixo da pele de Cordeiro existe um animal que procura o lucro, tão simples quanto isso.
Para levar a sua avante, o sujeito procura chamar atenção àquela classe de mercenários, crápulas e corruptos representada pelos médicos. Os médicos, causadores de todos os problemas do SNS. Os médicos que ao olhar para a face do seu doente imagina um cifrão gravado na fronte. Os médicos, verdadeiros cancros da sociedade. Os médicos, que são os responsáveis pela prescrição; esperem aí, se calhar até são necessários para as farmácias, hum...
De todos os factos que o homem cuspiu em directo, guardei dois em especial:
"- Se a Srª jornalista fizer uma investigação, pesquisando nas 5 maiores agências de viagens, vai perceber quais são os 20 maiores clientes das mesmas.
- Está a fazer uma acusação?
- Não, mas pesquise."
Se isto não for uma acusação, então o que será? Parece-me que esta pessoa teve uma formação com o, grande, Octávio Machado, que dizia tudo em informação encriptada. Gostaria realmente que se fizesse esta pesquisa, talvez desmistificasse algumas ideias pré-concebidas existentes neste, pequeno, país.
"- A indústria farmacêutica está muito calada, pois tem o seu porta-voz a falar por ela.
- E quem é esse porta-voz?
- Está-se mesmo a ver: é o Bastonário da Ordem dos Médicos."
Numa certa altura da entrevista o Cordeiro disse não responder à calúnias. Isto, então, merecerá resposta pelo Bastonário da Ordem dos Médicos?
Penso que a ANF representa a quase totalidade das farmácias, mas será que representa a totalidade dos farmacêuticos? Quando este lobo refere como caluniosas, as palavras do sindicato dos farmacêuticos, terá ele o apoio desta classe? Será que os interesses obscuros da ANF justificam toda esta azáfama?
Só andamos na superfície, as profundezas são mais escuras e regem-se por uma ordem na qual o doente é apenas um número...
Hipócrates deve estar a dar voltas...
07 abril 2009
ORGULHO, CARAGO!
03 abril 2009
A TV cabo e o HSV
Muito discretamente, tiro o telemóvel do bolso e atendo o número não identificado:
"Estou?"
"Seria possível falar com o Sr. Catsone?"
"Nesse momento não!"
E desligo a chamada ao percebendo que se trata de um call-center qualquer para surpreender-me com uma grandiosa oferta, provavelmente, da TV Cabo.
Bando de chatos. Compreendo que é o trabalho dos fulanos, mas importuna!
10 minutos volvidos, a mesma sensação vibratória e o mesmo número não identificado. Rejeito a chamada. Mais 10 minutos, nova chamada e nova rejeição. Outros tantos minutos e mais uma tentativa infrutífera de contactar com o incauto cliente. Desistem... mas não por muito tempo.
Uma pequena analogia: o herpes simplex (que não é nenhuma criação, simplex, do governo Sócrates) é um vírus cujo único hospedeiro é o homem. Depois de infectado, o indivíduo alberga o vírus durante toda a sua vida. Este é o famigerado microorganismo que dá aquelas, bonitas, lesões labiais, tão vistosas e desejáveis. O que chateia no vírus é que ele estará sempre lá, latente, mas de vez em quando acorda e diz olá sob a forma de reluzentes vesículas cutâneas.
O Call-center da TV cabo é assim: um belo dia assina-se um contracto e se é "infectado" pelo serviço TV cabo. Tudo fica bem durante um ou dois meses e é, então, que se recebe a primeira chamada. É-se simpático qb e tudo parece resolvido... mas não. Alguns dias depois, nova chamada e as coisas começam a azedar. Isso para dizer que, como o HSV, também o call-center da TV cabo fica latente e ataca de vez em quando.
Voltando ao episódio. Acaba a reunião e eu já nem lembrava das chamadas insistentes. "Pego" no carro e vou para casa. No meio do trajecto o que acontece? Hã, o quê? Pois é, ligam-me novamente, dessa vez uma senhora:
"Estou?"
"Estou sim."
"É o Sr. Catsone?"
"Sim."
"Aqui é da ZON/TV cabo (tcharam!!!). Queríamos melhorar o seu serviço ZON/TV cabo e..."
"Desculpe, mas não estou interessado."
"Sim, mas é que..."
"Peço desculpa por ser você a ouvir, mas estou um pouco agastado com as vossas 3 chamadas telefónicas mensais. Conto com o pagamento e com as vossas chamadas e, que me lembre, só contratei o serviço de televisão e não o apoio ao cliente. Gostaria de dizer que se for importunado mais uma vez, cancelo o serviço. Quando quiser alguma coisa vossa, sou eu que telefono, ok?" (Quem é que manda aqui, hã!)
"OK, vou assentar aqui o seu comentário. Tenha um bom dia."
Tu-tu-tu-tu...
No fim fiquei sem saber se a porcaria da promoção, que eles estavam a fazer, era alguma coisa de jeito...
01 abril 2009
Frascos e comprimidos
Essa classe é composta pelos senhores doutores farmacêuticos.
Eu entrego o meu diploma da faculdade de medicina. Para que o quero, se qualquer senhor farmacêutico passa por cima do que eu decido, no fim de uma consulta com um utente? Os meus 6 anos na faculdade e os intermináveis anos de internato, afinal, não servem para nada: os farmacêuticos é que sabem.
E vêm para a televisão, com duas caixas de medicamentos, para revelar, "incrédulos", o escândalo das diferenças de preço entre duas substâncias, supostamente, idênticas.
"Olhe, por esta embalagem o doente paga 10€ e por esta, apenas 5,50€" diz a farmacêutica orgulhosa.
O que de melhor há, para se chamar a atenção, do que enxovalhar a classe corporativista dos médicos? Esses malandros que só querem prescrever a marca que lhe dá canetinhas e post-it's!!!
"Vamos, mas é, ajudar o povo a não ser roubado por essa cambada de doutores e "seus" laboratórios!"
Tudo pelo povo! Tudo pelo utente, pelo reformado e pelo doente crónico, que tem tudo comparticipado mas que não atinge objectivos nem respeita alterações do estilo de vida.
Mas, esperem um minuto...alguém já viu uma farmácia na banca rota? Hum... estranho.
Uma teoria, da conspiração, para essa "bondade" da farmácia da esquina:
"Num belo dia, um representante do laboratório de genéricos X, duma marca menos comercializada, visita a farmácia da esquina. Vem, o senhor, apresentar uma proposta para ajudar a farmácia a ajudar o utente. Oferece então 10 embalagens de Furosemida genérica pelo preço, maravilhoso, de 5. O farmacêutico, pensando no utente, aceita. No dia seguinte o médico, numa consulta, receita ao Sr. Manuel a furosemida de marca e tranca a receita, para fazer valer a sua famigerada prescrição. O Sr. Manuel vai a farmácia da esquina e é aconselhado a comprar a furosemida genérica porque é mais barata. O Sr. Manuel agradece o interesse do Sr ajudante de farmacêutico e vai para casa com o medicamento. No outro dia, o Sr. Manuel dá entrada no serviço de urgências do hospital distrital, com um edema agudo do pulmão"
Isto é uma situação caricata e serve para explicar várias coisas:
1º Nem todos os genéricos são iguais às substâncias originais. O caso da furosemida é um dos exemplos clássicos. Ninguém sabe porquê, mas a furosemida genérica não tem, nem de perto, nem de longe, a mesma eficácia que a original;
2º Os excipientes dos medicamentos variam em alguns genéricos, o que faz com que o comportamento da molécula seja diferente. O excipiente não é só farinha, ele influencia a farmacodinâmica e farmacocinéitca sobremaneira;
3º De boas intenções está o inferno cheio, já dizia a minha avó. Aqueles que criticam a promiscuidade dos médicos, em relação a pretensas prendas dos laboratórios, tentem conhecer o lado das farmácias. É um novo mundo de bons negócios; ou as pessoas acham que tudo isto é realmente pelo bem-estar do doente?
4º Acho engraçado aqueles, que têm um enorme lucro em todos os medicamentos (de marca ou genéricos), venham agora "rebelar-se" contra os que, justamente, permitem que o seu negócio prospere;
5º A prescrição do médico é soberana! Se bem ou mal intencionada, isso são outros quinhentos. Não posso admitir que outra pessoa possa alterar, aquilo que acho melhor para o meu utente, apenas porque acha que pode. Isso, nem entre colegas é ético, quanto mais pessoas que não tem a formação adequada (e responsabilidade) para tal;
6º Eu prescrevo genéricos sempre que posso, mas mesmo esses têm diferenças de preços. Será que também será alvo de trocas? Existe troca mesmo entre genéricos do mesmo preço, mas isso já não interessa que se saiba, não é?
E poderiam ser muitas mais razões, mas o post já é um dos maiores que publiquei.
Ao senhor João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), que refutou os comentários do Bastonário da Ordem dos médicos com a seguinte frase "onde estava o Bastonário quando se ouviu que os utentes não compravam todos os medicamentos prescritos", digo-lhe o seguinte: serão este os argumentos que vai utilizar? Será com esta ligeireza que vai combater a "mercenária" classe médica? Será que são os médicos que impõem um preço às substâncias? Está preocupado, com o facto de o doente não comprar todos os medicamentos, por pensar na saúde do mesmo ou na diminuição da vendas?
Sugiro que compre uma embalagem de "pronto" para dar lustro a essa tremenda cara-de-pau! (e já agora uma lâmina de barbear).
31 março 2009
$$
Banca: "Spread!!!"
Governo: "Santinho!"
Zé: "Mais 20%?! Dass."
28 março 2009
Terrorismo auditivo
Cristiano Ronaldo está interessado em formar uma banda pop com os jogadores brasileiros Ronaldo e Ronaldinho, quando acabarem as carreiras no futebol. A notícia é avançada pelo jornal inglês "The Sun", com declarações do internacional português do Manchester United.
"Disseram-me há uns anos que seria uma boa ideia formar uma banda com o Ronaldo e o Ronaldinho, quando formos ex-jogadores de futebol. O nome da banda seria 'The Three Rs' [Os Três Rs]. Adorei a ideia, é tão divertida. Vou falar sobre isso com eles quando me retirar, quem sabe se não conseguimos chegar ao número 1 do 'top'", afirmou.
O jornal inglês adianta que Cristiano Ronaldo gosta de ouvir "The Killers", "Bob Dylan", "Small Faces", "Kasabian" e "The Who", e que leva a família à loucura em casa quando resolve cantar as suas músicas favoritas."
Apelam-se às entidades competentes que estejam atentas a estas ameaças. O futuro, sonoro, dos nossos filhos está em perigo evidente. Toleram-se Nel's Monteiros, Romanas e afins, mas estes três mentecaptos juntos é um golpe muito duro aos meus martelos, bigornas e tímpanos!
26 março 2009
A República e os Bananas
Não se deixem enganar pelo título do post, os bananas não são os Avelinos, Isaltinos, Fátimas, Valentins, etc, etc.
23 março 2009
22 março 2009
Comoé que disse?
Repórter : "O estádio ainda está pouco repleto"
Alguém me elucide, sff.
21 março 2009
Esperm ó quê?
Aquele último ponto é essencial: a desculpa. Um gajo começa no exercício da auto-satisfação lá pelo início da segunda década de vida. Não se sabe bem como se faz, ouvem-se conversas semi-secretas nos corredores da escola e… “parece que é assim e que depois há-de acontecer alguma coisa… epá que sensação estranha…puff…????... ooooolllááááá aaaaaaahhhhhhh “ . A partir daí passa-se a inventar desculpas para passar lustro ao bastão: é porque relaxa, é porque se conhece o corpo, é porque isso ou porque aquilo, etc e coisa e tal.
Se o intuito é relaxar vou tirar o xanax e afins dos meus utentes e por tudo à masturbação:
“- Sr. Manuel, duas vezes por dia: uma ao pequeno-almoço e outra antes do jantar”
“- E se não conseguir dormir, xôtore?”
“- Se persistirem os sintomas recorra a profissionais!”
Isso tudo para dizer que o espermograma deveria ser o mais fácil exame do mundo… mas não é! Não me perguntem porquê, é apenas intuição masculina...
A um fulano é passada a tão estranha credencial. Parece um convite para o parque de diversões: "é permitido acariciar-se para fins masturbatórios sem reprimendas". No entanto, começa logo com obstáculos difíceis de contornar: abstinência de 3 dias no mínimo. Não sei se o público feminino poderá alguma vez entender isto mas, nós, os machos, quando vamos a casa de banho “órinar” temos que , hum, agarra-lo. Passados três dias sem descascar a banana, fica difícil realizar, com segurança, este acto fisiológico.
Cumprido este duro teste, lá vai o fulano ao laboratório. Reparem que tudo isto se passa num local onde o único exame que um homem pode fazer é exactamente este. O fulano entra na sala e todas as pessoas o olham já com reprovação: “vieste cá só para a punh$%&!”.
Chega-se ao balcão:
“- Olá, bom dia. Vinha para fazer um espermograma!”
“- Bom dia. Peço desculpa, não ouvi o quê disse.”
“- Vim para o espermograma”
“- Ah. Ó Maria, está aqui mais um para a análise” ao mesmo tempo que pisca o olho.
Recebe-se um copinho como compensação pelo vexame e adentra-se um portado.
Já nas entranhas do edifício o fulano dirige-se à enfermeira. Esta lhe mostra uma porta onde se lê “sala de recolha 2” e o instrui relativamente ao procedimento da colheita. O fulano sorri, nervoso; gostava de pedir um livro de instruções para aprender como se deve descabelar o palhaço, mas faz o que a enfermeira diz e entra na sala.
Um pequeno à parte: para que um jogo do 5 contra 1 acabe em vitória, satisfatória, da equipa da casa, é necessário um conjunto de factores. O primeiro é a vontade e é portanto o mais fácil: um gajo tem sempre vontade. O segundo é que deve haver algo que estimule, um bom ambiente, uma revista, um vídeo, uma senhora desnudada, entre outras coisitas, que façam o pequeno amigo não estranhar o ambiente. Terceiro: concentração, para que deixemos o quarto factor fluir, a imaginação. O quinto factor é o silêncio, para que nada intervenha contra o terceiro e quarto factores.
Quando o fulano entra na sala faltam-lhe uma série daqueles factores, sobretudo o 1º e do 2º ao 5º. Pela 1ª vez na vida sentia mais vontade de arrancar um dente do que alisar a cobra ciclope. Mas está esperançado que a sala esteja equipada com alguns estímulos, nomeadamente revistas e vídeos, já que a senhora desnudada estava, a priori, fora de questão.
A primeira coisa que vê na sala é uma poltrona de napa castanha. Olha fixamente para o objecto inspeccionando-o à procura de manchas suspeitas, e imagina a quantidade de rabos nus que já ali haviam pousado. Fecha os olhos (os três) e senta-se na poltrona. Só aí repara no resto da sala: daquela poltrona tem uma vista, privilegiada, para uma retrete! Aquela sala é, tão simplesmente, uma casa-de-banho “adaptada” a espermódromo! Epá, assim não dá. Não há tarado no mundo que consiga concentrar-se quando, à sua frente, está a porcaria de uma sanita branca, um bidé e um espelho!
Além da extraordinária decoração sanitária, a porta da sala apresenta uma fresta tão grande, entre ela e o chão, que permite a passagem dum chiuaua. Dessa forma, ouvem-se as pessoas a passarem no corredor e falarem das mais variadas coisas, desde o governo à fome em África, o que, quer se queira, quer não, provoca sempre alguma distracção.
Para complementar, existe o detalhe do fulano estar na sala 2, o que fazia com que existisse, no mínimo, mais uma. Assim, é interessante lembrar que havia, talvez, mais um homem a fazer o mesmo, ou seja, a tocar o seu órgão na tentativa de chegar à sinfonia sublime. Dois machos nunca devem tocar o pífaro a menos de um quilómetro de distância de segurança, não é lei, mas devia!
Mesmo com todas estas contrariedades, não desiste: “é por uma boa causa”, pensou.
Senta-se na poltrona, desabotoa as calças e põem o pequeno soldado em alerta. O soldado, no entanto, está KO, em estado de coma, com um Glasgow de 3: sem resposta motora, sem resposta verbal e abertura ocular ausente. Pensa em pedir a alguém que lhe fizessem respiração boca-a-boca, e sorri com a ideia. Massagens penianas feitas e o voluntário começa, lentamente, a responder, mas, mesmo assim, com grande relutância.
Depois de 20 minutos nestas “preliminares” consegue uma irrisória erecção e começa o procedimento visando a colheita. Fecha os olhos e imagina algo minimamente erótico. Tenta inventar algumas fantasias e começa a visualizar uma praia deserta, na companhia da sua senhora, e conversa vai, conversa vem, as coisas a aquecer e de repente: “Ó Izaura, IIIIIIZZZZZZZÁÁÁÁUUUUUUUURIINHAAAAAA, passa aí o balde com a lixíbia!!!!” e lá se vai a puta da erecção…
Começa tudo de novo. Mais um intervenção do INEM genital, mais um aquecimento de 30 minutos e volta à acção. Espanca o boneco até ele lhe dar uma resposta definitiva e vomitar o conteúdo, com informação genética, no copinho.
Tarefa cumprida! O Soldado estafado, mas orgulhoso, retorna ao quartel de ganga para descansar.
O fulano volta com o troféu e entrega-o à enfermeira que estampa-o com uma etiqueta e preenche um formulário com alguma informação considerada importante.
E finiu-se. Foi uma luta desigual que acabou com o herói estafado, suado mas feliz, só faltaram os créditos finais de um filme épico/erótico de série Z.
E neste fim, aquilo que deveria ser fácil e natural, sai arrancado a ferros, com vergonha e sem qualquer prazer.
Depois disso, o singelo e artesanal acto de masturbar nunca mais será o mesmo...
17 março 2009
“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…”
“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…”, e os olhos, agora, nadam em água salgada. Uma mão, timidamente, recolhe um pouco da água ocular, para que não se perceba que um homem também chora; há que manter a compostura.
“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…” é o que os ouvidos transmitem à uma mente que já não está ali, voou no tempo e espaço, deixou o corpo para aterrar num abraço futuro, um abraço de boas vindas e amor. Há muito tempo que se esperava por este amigo e o que o ouvido ouve a mente transforma em cumprimento precoce, uma espécie de aperto de mãos auditivo: “eu já aqui estou, cheio de vontade de vos conhecer” e o sentimento é recíproco.
“Tum-tum, tum-tum, tum-tum…” do ventre ecoa, tenta informar que se cresce e desenvolve e avisa: “eu estou a chegar”.
E nós aguardamos.
16 março 2009
Profissão perigo (revisitada)
Profissão perigo
Procura-se professor de português para leccionar na C+S Halípio Rada.
Requisitos:
- 3 anos de experiência nas forças de elite americanas;
- Treinamento de tácticas psicológicas da Mossad;
- Prática de Karaté, Judo, Jiu-jitsu e Capoeira (opcional);
- 11 segs aos 100metros;
- Licença de uso e porte de arma;
- Seguro de vida actualizado;
- Carro blindado;
- Licenciatura em língua portuguesa (opcional).
Oferece-se.
- Salário compatível com a actividade;
- Curso de sobrevivência à catástrofes;
- Alguma, remota e lenta, progressão na carreira;
- Tratamento dentário;
- Kit de sutura;
- Suporte psicológico para os familiares;
- Programa de protecção à testemunha;
- Eventual bandeira à meia haste;
- Uniforme de trabalho.






