O humor é uma das arte mais difíceis de desenvolver. É muito difícil o consenso no humor, alguns gostam outros não. Na pintura, escultura, nas letras existem também os que gostam e os que criticam, mas na comédia as coisas são mais complexas.
O humor também é extremamente maleável, permitindo que se faça piada com praticamente tudo, desde as guerras até à igreja. No entanto, alguns temas não merecem gozação.
Durante muito tempo, apenas tivemos uns poucos bons comediantes como o Herman, a Ana Bola, a Maria Ruef, o José Pedro Gomes e mais alguns. Neste momento, "eclodem" talentos como o Markl, os Gatos, o Unas, Bruno Nogueira, etc, etc...
Como desperdiço 2 horas por dia a andar de carro, tenho hipótese de ouvir alguns programas de comédia no rádio. Um desses programas é da autoria do Bruno Nogueira.
O Bruno Nogueira é um dos melhores humoristas actuais. É acutilante, inteligente e...alto. Tem uma rubrica na TSF que já me fez rir a bandeiras despregadas. Porém, num dos seus textos, o Bruno tentou fazer humor com dos temas que mais me revoltam e entristecem: a fome em África.
Podem sempre dizer que é possível que se faça piadas de negrinhos macérrimos, que lutam por migalhas num campo enlameado do Chade ou Sudão, que fogem da guerra mas lutam para sobreviver. Sim, humor para meninos que gordos, ocidentais, se riam, enquanto mastigam Doritos®.
Não fui capaz de rir.
Confesso que não ouvi até ao fim, até poderia ter alguma crítica enfiada pelo meio, mas não encontro justificação para se brincar com algo deste género. Podemos criticar governos, mostrando-lhes quão ignorantes são, mostrando a eles uma simples/complexa imagem de um semelhante a morrer de fome.
Obviamente será muito difícil o Bruno ter acesso a esta crítica, feita num obscuro blog da internet. No entanto, se a lesse, e como já referi, o inteligente humorista perceberia onde quero chegar.
Continua o bom trabalho que fazes, mas cuidado com alguns temas.
"O Artista é um bom artista. Não havia necessidade" Diácono Remédios