Por ver um anúncio da Optimus na televisão fui reavaliar o meu contrato de prestação de serviço de internet. No tal anúncio, a Optimus refere tráfego ilimitado na utilização de banda larga móvel. Sendo utilizador da Vodafone, fui ver o que a empresa me oferecia. Sem surpresa, vi que poderia ter o mesmo serviço, pelo mesmo preço e condições, oferecido pela marca do Sr. Belmiro. Pensei "já agora vou ver a TMN". No site da TMN o serviço é feito pelo mesmo preço e mesmas condições... Quando digo mesma condições, quero dizer "planos iguais"! Até dão um desconto vitalício de 5€ na mensalidade. Tendo, o cliente, 3 servidores diferentes, não seria de supor que houvesse uma maior concorrência? Não seria normal vê-los a comerem-se uns aos outros e disputarem mercado com preços mais competitivos? Eu, sendo cliente Vodafone, por que carga d'água mudaria para outra marca se não tenho vantagens nenhumas? Pelo menos fiquei satisfeito pelo facto de o meu servidor dispor de um plano igual ao que a Optimus disponibiliza aos seus clientes... foi então que vi isto:
"Política de utilização responsável" Parece que, afinal, "tráfego ilimitado" não é propriamente ilimitado, é-o mais ou menos. Este tipo de publicidade tem um nome... não consigo lembrar-me... hum... ah!!! Engonosa, é isso! A Vodafone, embora tenha um plano que inclui tráfego ilimitado reserva o direito de taxar o cliente quando achar que o mesmo anda a traficar demais. Lembra-me uma mãe que deixa comer todo o chocolate do mundo mas limita o chocolate a um bombom na despensa de casa. E até parece que a Vodafone conhece bem todos os seus clientes, pois só os vai taxar quando achar que eles estão a exceder-se, baseando-se num "nível máximo de utilização responsável"... ?... Dessa forma, acho que me enganei quando, acima, disse que não há nada que diferencie uma empresa da outra aquando da decisão de optar por um serviço de internet móvel... ou será que a Vodafone é a única a "abrir o jogo"?
PS: No entanto, apesar de considerar este tipo de acção uma sacanagem, mudei de tarifário, sempre é melhor que o meu actual. Não sou hipócrita mas os 3 G são insuficientes para mim e acabo sempre por pagar mais do que deveria; por outro lado, os 60 G de "utilização responsável" são mais que suficientes para a utilização que dou.
Há cerca de um ano estava num lugar que é Portugal sem o ser. Estive em algumas ilhas dos Açores. Na altura não tive oportunidade de fazer um post sobre esta viagem, mas hoje, quando faz 1 ano sobre a minha passagem por lá, resolvi escrever uma (a primeira!!!) série de 3 textos sobre a minha visita a este maravilhoso arquipélago. Confesso que não queira ir, mas fui; essa história de "casal" tem muito o que se lhe diga. Por não querer ir não criei grandes expectativas. Achava que nos Açores estava sempre a chover e que, paradoxalmente, a viagem seria uma seca. Tínhamos planeado visitar 3 ilhas: Faial, Pico e S. Miguel. Aterramos no Faial depois de um voo turbulento. Chovia e eu já dizia mal dos meus pecados. Contrariamente ao que eu esperava, estava calor. Alugamos um carro e fomos dar a volta à ilha. Aí começou uma viagem inesquecível. Seguimos a estrada principal, que dá a volta à ilha do Faial, em direcção ao vulcão dos capelinhos. Deixara de chover e, tal como o tempo, meu humor começou a melhorar. Chegando ao vulcão a primeira paisagem de deslumbrar:
Passeamos um pouco pelas encostas do vulcão, por agora, adormecido e continuamos a viagem. Começava a ganhar gosto pela aventura. Víamos hortênsias, vacas e encostas típicas e devorávamos tudo aquilo, sedentos de conhecer mais. Em pouco tempo demos a volta à ilha e chegamos à cidade da Horta.
Eu não fazia a mínima ideia da geografia dos Açores e foi uma grande descoberta o facto de a ilha do pico estar mesmo ali à nossa frente.
Seguimos em direcção da caldeira do Faial e aí a primeira desilusão: Não se via a ponta de um c. A névoa cobria a parte mais elevada da ilha e decidimos tentar no outro dia. Dessa forma fomos "investigar" outras partes do Faial.
Cruzamos a ilha, voltamos à Horta e fomos visitar a caldeira do inferno. Ficamos a admirar a beleza do lugar e depois demos um salto à praia da baía que se forma do outro lado desta caldeira. O tempo corre depressa por aqui e logo se fez noite. Após um jantar num restaurante à beira-mar fomos tomar um café a um dos "ex libris" da ilha: o "Peter"
E "prontos", lá se foi o primeiro dia. O seguinte estava reservado para visita à ilha vizinha: Pico. Do Faial fica a vontade de voltar nem que seja para ver o que a caldeira esconde!
No café, o pai vira-se para o filho de 4 anos de idade e diz: "Vamos embora, puto?" E o miúdo retruca, chateado: "Já? E aquelas putas, ficam aqui todas?" apontando para umas miúdas mais ou menos da sua idade que se encontravam a brincar.
Trim-Trim Trim-Trim Eu: "Estou" TVCabo (TVC): "Bom dia" Eu: "Bom Dia" TVC: "Estou a falar com o Sr. Catsone?" Eu: "Sim" TVC: "Falo em nome da TV Cabo e..." EU: "Espere lá um segundo. Quanto é que vocês me pagam por minuto nesta chamada?" TVC: "Desculpe. Pagar? Para falar consigo? É isso?" Eu: "Sim" TVC:"Bem... errr...nada" Eu: "Quer dizer que, seu eu quiser falar convosco tenho que ligar para uma linha de cliente que é paga, e vocês ligam-me todos os meses, 2 a 3 vezes, e eu tenho que ouvir sem receber nada?" TVC: "Pois, parece que sim" EU: "Então, bom dia" Tu-tu-tu-tu...
Hoje, por alguns minutos, devido ao trânsito, acompanhei lado-a-lado um camião. Estranhei o facto de, vira e mexe, ouvir o veículo buzinar. Eram buzinadelas rápidas procurando chamar a atenção de alguém. Achei um pouco esquisito, até porque não estava um trânsito praí além. Mais umas buzinadelas e então percebi o porque daquelas do alvoroço: mulheres. Com mulheres quero dizer qualquer ser humano do sexo feminino. O homem apitava a tudo que era senhora que passasse junto à estrada, desde prostitutas à freiras. Achei piada ao início, mas passadas 10 buzinadas começa a perder a graça. Quando passamos pela baixa de Coimbra foi uma loucura de silvos! O gajo apitava mais do que o Lucílio Baptista!!! Gostava de saber se o acto de buzinar exerce algum efeito numa mulher. Será que o buzinar é comparável ao chamamento dos animais para o truca-truca? O fon-fon do caminhão exercerá um efeito para as mulheres semelhante ao efeito do coaxar dos sapos para as pererecas? Ficará uma senhora húmida devido às ondas sonoras? Um gajo que buzina tem mais sex-appeal? Mas quem foi o génio que espalhou este irritante hábito? Estava um pouco farto daquilo e tentei esgueirar-me dali para fora na tentativa de fugir àquela poluição sonora. Com alguma destreza, mesclada com insensatez, lá consegui dar algum avanço ao "músico". Com o avanço consegui ver a cara do fulano e compreendi, então, qual a razão dos pó-pós... Estava na cara que se tratava de um apitador!
Prescreveu, ops, nem demos conta. Mas já ninguém contava com esse dinheiro, não é? O que é que são 2M€? Olha, nem 1 Km de carril da alta-velocidade do Sócrates!
Estão a ver, só foram 2! Tá certo que podem ser mais 6, mas estamos nós aqui para lembrar o Sr. Dr. Veiga a pagar o que deve. Tudo bem que só temos até Dezembro e temos muita burocracia. Além disso há milhões de outros contribuintes devedores, que nos merecem mais atenção.
Vêem, o que é que eu vos disse? Essas empresas pá, tss, tss. Não têm vergonha? Não pagam o que devem e cabe a nós fazer justiça para com os contribuintes, por isso lá temos que fechar as portas. É o melhor que o estado pode fazer, fecha-se esta empresa caloteira e paga-se o subsídio desemprego a todos os funcionários! É para servir de exemplo, o que é que pensam?
Estão a ver? Eu não disse? Coitado do rapaz, sempre tão honesto e trabalhador. E vocês a difama-lo! Está na cara que ele cumpre com as obrigações, percebe-se logo a transparência , este homem segrega honestidade por cada glândula do corpo. Além do mais, se calhar, o homem não tem casa(s), carro(s) ou outra coisa para penhorar, nem um iatezito para apreender. Querem ver que lhe iriam confiscar o salário, não? Para isso não é necessário fazer alguma coisa? O Sr. Veiga está pobrezito e não pode pagar. Está parecido com este:
À conversa com um amigo, falava da inexistência do conceito de culpa em alguns países asiáticos, nomeadamente na China, Coreia e Japão. Ele explicou-me que naqueles países as pessoas, ao realizarem uma determinada acção ou crime, reconheciam de antemão que podiam ser penalizadas e aceitavam as consequências dos seus actos. Daí não existir culpa e, evidentemente, culpados. Escrevo isto porque foi a primeira coisa que me veio à cabeça após o acidente na praia Maria Luísa. Em Portugal não se procuram causas, não se procuram vítimas, não se procuram resoluções para os problemas. Aqui, em primeiro lugar, procuram-se culpados. Após a queda dos rochedos na praia, as primeiras notícias que ouvi falavam da procura dos responsáveis. "Quem teria sido responsável pela queda das rochas?", passou a ser o cerne da questão. Será realmente tão importante, neste caso, a procura de responsáveis? Obviamente que existem entidades responsáveis pela pesquisa de pontos de perigo na costa, mas será exequível a permanente realização de peritagens às centenas ou milhares de Km de falésias existentes? Será possível uma resposta mais rápida do que aquela que foi dada? Será necessária mais informação aos banhistas do que aquela que figura em placas de aviso de perigo? O que mais se poderá fazer para a prevenção destes acidentes? Será que a condenação de pessoas, que não fazem mais porque não podem, é justa? Vamos culpar a natureza e Deus? Vamos culpar a falta de educação cívica das pessoas? Agora a pergunta que para mim mais sentido faz: é necessário encontrar-se culpados para os punir ou para nos sentirmos melhor? Se vamos culpar alguém, ou alguma coisa, culpemos centenas de milhares de anos de erosão natural da costa, à força da gravidade que levou as pedras ao chão, às rochas com peso a mais e, já agora, a inconsciência das pessoas que não sabem reconhecer que correm perigo ao permanecer por baixo de uma arriba malabarista. Agora, nos dias que se seguem à tragédia, é ver, diariamente, pessoas tentando explicar o sucedido, prometendo maior rigor nas vistorias, demolindo fanecos, reajustando calendários de trabalho, prometendo trinta por uma linha, como se assumissem que realmente foram responsáveis pelo sucedido. Por outro lado, vêem-se jornalistas de opinião pedindo a cabeça de fulano e sicrano numa típica tentativa de homicídio político; exigindo responsabilidades imediatas às instâncias públicas, como se tivessem esse direito. Com estas linhas não venho dizer que não se devem apurar responsabilidades, mas que esta procura dever ser feita após profunda análise de todas as contingências do caso. Penso que a sede por culpados tolda a capacidade de raciocínio das pessoas, mas infelizmente é o que alimenta uma grande parte da imprensa (é interessante a pesquisa por notícias no google com base nas palavras Maria Luísa). Às vítimas RIP e que possam servir de, dura, lição aos restantes...
E por falar em guilty, aqui vai um "guilty pleasure":
Sempre ouvi falar em ditaduras, em perseguições ideológicas, em escravidão. A ditadura portuguesa pelo regime de Oliveira Salazar foi uma das mais longas ditaduras existentes, mas existe uma ainda mais longa e que está aí para durar: a FIFA. No futebol é proibido quase tudo. São proibidos os adornos, determinadas comemorações em campo, falar mal da própria FIFA, etc, etc. O futebol é o desporto colectivo que menos evolui em termos de regras. É inacreditável a intransigência desses engravatados no que toca à alteração de regras que não se coadunam com o futebol moderno. Tudo tem que ser como a FIFA quer. A FIFA comanda um dos negócios mais lucrativos do mundo e não tem concorrência, ela põe e dispõe do jogo a seu belo prazer. Se alguém reclamar terá que arcar com as consequências. O mentor desta FIFA moderna, cheia de arrogância e poder, foi, ironicamente, um brasileiro. Um branco de olhos azuis, que nunca deve ter chutado uma bola, o Sr. João Havelange. Foi ele o responsável pela explosão publicitária do futebol e reclama para si os louros da expansão do jogo aos 4 cantos do mundo. Realmente ele tem razão. A FIFA, sobre o seu comando, tornou-se numa super-empresa, capaz de impor as mais idiotas regras para favorecer a companhia. Eles são arbitros-FIFA, competições da FIFA, boards da FIFA, mas o mais extraordinário e o mais demonstrativo da faceta comercial da organização é a personagem agente-FIFA. Por ter transformado o futebol no que é, o Sr. Jõao, que é brasileiro, não é adorado no Brasil, muito pelo contrário. E ele deixou lá semente, Joseph Blatter, e o ciclo perpetua-se.
Eu cresci num lugar onde qualquer pedaço de terra, qualquer baldio, servia para jogar futebol. Uma bola feita de trapos dava para ocupar um grupo de crianças durante horas. Um golo era um ansiolítico maravilhoso, uma droga que impelia a voltar no outro dia. Cresci a ver craques nascerem nesses campos de terra vermelha e poeirenta. Esses mesmos meninos-craques são hoje convertidos em pedaços de carne duma montra. São comprados para trabalhar; profissão: jogador de futebol. O sorriso que outrora traziam é amputado pelo desejo multimilionário de empresários, clubes, associações continentais e FIFA. Quando crianças jogavam descalços, agora não podem tirar a camisa aquando do golo, sob o risco de serem expulsos do campo. Em jovens saía-lhes o pior credo pela boca, agora não podem se manifestar contra o poder instituído ou são penalizados. Não podem se revoltar quando perante uma injustiça ou... Tudo já era demais, agora não poder também agradecer a algo em que acreditam? A FIFA é uma Cuba mundial? Isso não vai contra a maioria das constituições nacionais? Proibir a fé de cada um, onde já se viu? E a FIFA bem pode agradecer à religiosidade mundial pois é um verdadeiro MILAGRE o futebol ainda ter tantos adeptos. À FIFA fica um dos maiores clichés futebolísticos: "O futebol é uma religião", e agora?
Este país vai mal, muito mal. Um gajo observa as notícias na televisão e fica realmente preocupado. Mas a preocupação não tem relação com as notícias propriamente ditas mas sim com a forma como são transmitidas. Vide uma notícia relatada num jornal das 20:00 de um canal sensacionalista qualquer: Rodapé: "Aldeia atacada pela Gripe A!"; jornalista em simultâneo: "Para se ter uma ideia da agressividade deste vírus..." Atacada? Agressividade? Estamos a falar de algo organizado? Da máfia? De uma alcateia? Terroristas? De um filme catástrofe dos fins dos 70's? Cá em Portugal mil e poucos casos dão lugar à histeria, à verdades e desmentidos, à ministra todos os dias a dar explicações, ao presidente da ARS nos noticiários e à histórias ridículas e estapafúrdias como essa! Agora, imaginemos esta situação: "26.661 casos de gripe A en quince días" ABC.es Imaginem o caos que seria passarmos de 100 casos para cerca de 1500 por dia. E isso é o que vai acontecer em Outubro. Mas "fear not", as vacinas vêm aí... ou... talvez... hum...
Se as coisas estão más vamos então desancar na "saúde 24". Sim, porque estes são uns malvados, não atendem, não respondem, não explicam. Caríssimos, a "saúde 24" não faz milagres. Milhares de pessoas, apavoradas por causa de uma ranhoca, entopem as linhas e, mesmo que os profissionais de saúde lhes digam que não há motivos para validar o caso, adivinhem para onde vai o ranhoso? E a cereja no topo do bolo foi a própria ministra, hoje, a criticar este serviço; vénia e palmas a Dr.ª Ana.
As pessoas estão histéricas... porquê? Se ainda ninguém morreu, se os casos graves correspondem a situações de patologia concomitante, se as pessoas curadas recuperaram perfeitamente, porquê este medo exasperante? Talvez porque, apesar de toda a informação e tempo de antena da Gripe A, ninguém com credibilidade, e calma, veio dizer do que esta pandemia se trata. Ninguém disse que este vírus, apesar de ser mais "contagioso, não é mais letal que o da gripe sazonal, que as pessoas com suspeitas devem ficar em casa, que apenas correm mais riscos os que têm patologia de base, e outras coisas que tal. Expliquem lá que a gripe mata todos os anos, mas como é coisa "velha" não tem tanto interesse noticioso. Não tenho credibilidade, muito menos calma, mas posso aqui dizer que o verdadeiro ataque e a verdadeira agressividade vem de toda esta contra-informação diária, e tenho medo do "quando um em cada três portugueses estiver gripado"...salve-se quem puder. Se ao menos a nossa amiga Dr.ª Ana Jorge passasse mais tempo no seu gabinete e menos na televisão a dar aso a essa Insensatez.
Senti o teu toque através da pele. Toquei-te o pé, toquei a pele das minhas mulheres. Sorri, emocionei-me, foi a primeira vez que te senti fisicamente. Pareceu dizeres-me que estás pronta a chegar. Um Hi 5 para dizer que está tudo bem. Um aperto de mão virtual. Senti a tua vontade de viver, de sair e ver o mundo. Minha árvore de louros, minha bênção, minha metamorfose. Anseio pelo teu toque verdadeiro, sem intermediários; a minha pele na tua.
Sento-me no sofá e ouço: "Nunca vi este filme" Olho para o ecrã da televisão e vejo o genérico inicial de um filme. "Que filme é este?", já preparado para o pior. "O segundo "Bridget Jones""
Portugal foi sempre acusado de ser um país triste. As memórias lusas são de nostalgia, a música nacional é o fado. Tudo o que nos rodeia transmite saudade... Hoje a tristeza portuguesa aumentou um pouco mais. Hoje perdeu-se um coleccionador de sorrisos. E a saudade avolumou-se.
Embora esteja hospedado em Alvor, tenho ido mais frequentemente a outra praia. Não sei o nome da praia, mas ouço as pessoas falarem "praia do Mário Soares", dado que o dito tem um casa mesmo ao pé. Não vou falar da praia, vou falar do facto de o ex-presidente ter sempre, em frente à sua casa, um carro da PSP. Porquê está o carro da PSP parado em frente da casa do Mário Soares? Porquê somos nós contribuintes a pagar pela segurança da casa do Mário Soares? Porquê não pode o Mário Soares despender algum do carcanhol acumulado, como político, para a sua própria segurança? Porquê tenho que ser eu, e quem lê isto, a pagar para o homem se sentir seguro? Já não chegam os gastos feitos pelo idoso aquando do desempenho de funções como político? Já não chegam os prejuízos para o país e ainda temos que pagar pela sua segurança? Quem é que vai roubar, o que quer que seja, da casa do Sr. Mário Soares? E lá vamos nós, todas as manhãs, para a "praia do Mário Soares" e todos os dias uma nova viatura em frente à sua casa. Nem Deus quer o Mário à sua beira... e temos que atura-lo por aqui...
Eu adoro minha profissão. Ser o que sou foi sonho infantil concretizado. Mas existe um local no qual me sinto mal, por vezes, em ser médico. Esse lugar, que me desperta esse diminuto arrependimento, é a praia. Nunca gostei muito de ir à praia. Muita areia, água fria, sol abrasador, constituem ingredientes de uma receita que não me agrada muito. Mas acabo por ir por não depender só de mim. Para além disso, deve ser somado o facto de a minha tez ser cândida como a neve e, após alguns minutos de exposição solar, mesmo às 7 da manhã, ficar vermelha como uma malagueta. Mesmo assim, com todos os estes inconvenientes, vou. No entanto, gostava de ir à praia sem me preocupar com a saúde dos outros e é aí que "sofro". Tento "impingir", aos que me acompanham, as regras para uma segura utilização praieira. O problema é que não posso fazer o mesmo aos outros milhares que me avizinham. Se pudesse escolher uma palavra, para utilizar como sinónimo de praia, escolhia "banha". Toneladas de banha é o que se vê a pavonear-se nas margens do Atlântico. Não tenho nada contra as pessoas obesas, absolutamente nada. Acho espectacular que assumam o corpo que têm e é sinal de que estão bem com eles próprios. Volto a repetir que o problema é meu. Fico com comichão quando vejo uma rapariguita de 8 anos com a barriga a tentar escapar por todas as frestas do biquini ou "maiô". Fico a calcular IMC's e anos de vida aos senhores de meia-idade que mal conseguem ver os próprios pés (já para não falar do "amigo). Causa-me impressão pessoas claras como eu a tostarem-se na areia, sem qualquer tipo de protecção à excepção duma fé do caraças. São esses que permitem que as crianças brinquem à torreira e são esses que chegam ao meio-dia à praia. São esses que me causam arrepios neste calor infernal. São esses que enfardam o que querem de Setembro a Maio, que em Junho entram nos ginásios e fazem dietas tibetanas para estarem IM-PE-CÁ-VEIS em Agosto. São esses que fazem as pegadas mais profundas nas areias da praia e não sabem porquê. São os que dão lucro aos homens das bolas de Berlim.
Pensei nisso a manhã toda, enquanto ouvia o MP3 na areia. Pensei que o mundo não pode ser perfeito, mas que também não necessitava de tanta imperfeição (física e...). Às 11h saí da praia, metido nestes meus pensamentos utópicos, e vi um senhor com grandes dificuldades em estacionar o carro, mesmo à "boca" do caminho que leva os veraneantes à praia. Ainda estiva para lhe dizer que, com um pouco de esforço, poderia estacionar no areal, afinal os nadadores-salvadores nem tinham muito trabalho hoje.
Chegaram as férias. Apareci novamente no Allgarve, sabem, é o jet 7 e tal... Depois da A1, A13 e A2 já não HÁ mais dinheiro que pague tanta auto-estrada. Acho a viagem aqui para baixo o máximo. É incrível o que se pode apreciar em 350 Kms de estrada lusas. O ano passado eram os GPS's que estavam na moda, este ano são mesmo os idiotas. Eu andei sempre nos 120/130 Kms hora e, quando fui obrigado a ultrapassar outro mais lento, lá vinha um indivíduo qualquer, no seu "maquinão", a acender os faróis desde 300 metros mais atrás. "Ó camarada, estás com pressa? Arrancasses mais cedo de casa que já lá estavas" Era um "enxame" de carros nas vias, mas o mais estranho era que a via da esquerda estava sempre mais congestionada. A via da direita foi sempre o melhor lugar para circular, estava mais desimpedida. Depois de 3 horas de condução, resolvi parar numa estação de serviço para esticar as pernas e tirar "água-do -joelho". O bar/café/restaurante estava cheio de veraneantes barulhentos e sedentos de férias, um horror! Lá vou eu à casa-de-banho fazer o serviço mas observei a distância de segurança anti-salpicos e anti-espiadelas-esquisitas do vizinho. Sentia os pés chapinharem numa mistura de água e urina, num calor infernal dos secadores de mãos. Ah, se as mulheres soubessem as nossas dificuldades...bendita "shy-bladder". O barulho naquele estabelecimento era algo só semelhante ao trabalhar de um F1. Porquê as pessoas em férias são tão barulhentas? Já repararam? Na praia, para além da gordura extra-biquini, os gritos são outra coisa garantida. Gargalhadas, choro de crianças, vendedores ambulantes, motas-d'água, tudo foi feito para ser o mais turbulento possível. Retornei ao popó e meti-me na estrada novamente. Meter-se é a palavra certa, porque entrar na estrada nessa altura é um acto destemido. Um microsegundo é o tempo que se tem para tomar balanço e se enfiar o carro, entre outros dois, e seguir no fluxo de viaturas. Lembra-me sempre as imagens do corpo humano e a corrente sanguínea. Aliás, se o Norte fosse a cabeça do país e o Sul, nomeadamente o Allgarve, fosse o pénis, Portugal em Agosto tinha uma síncope, tal é o fluxo cá em baixo. Mais um carro à frente e mais uma "desrespeitosa" ultrapassagem minha. Parece que se tem que pagar uma taxa suplementar para se usar a faixa da esquerda, vem logo outro anormal a esbracejar atrás. Embora eu vá a 140km/h e já tenha direito à multa, o fulano que vem a 200 é que tem razão. "Ó amigo, tás nervoso? Morde a testa" E volto à direita, um local mais sereno e civilizado. Cheguei à portagem final da A2, e vi um batalhão de GeNeRe's a trabalhar. Estavam a ter gostosos "chats"com os muitos que me mandaram às favas, ao longo do trajecto, por estar a cumprir o código. Não consegui evitar um sorriso maquiavélico... E foi só o primeiro dia.
"Vamos a la playa oh o-o-o-oh Vamos a la playa oh oh La bomba estallo Las radiaciones tuestan Y matizan de azul"