Hoje de manhã liguei o rádio do carro e... "Aqui prá voceis!!!".
Apanhei um susto. Quase atropelei um camião que vinha em sentido contrário.
"Blá, blá, blá, prá fazer tur na Óropa, blá, blá, blá, na cabeça só piroca."
Que mer#$ é esta? Que porcaria de letra é esta? Na cabeça só piroca? Mas será que ainda estão a falar da professora de história?
"Acabaram de ouvir Buraka Som Sistema feat Deize Tigrona - Aqui prá vocês?"
Deize Tigrona? Margarida Tigre Grande? Quem é esta deusa? Ah, Ah, Ah... Deize Tigrona, como é que é possível?
Ela diz que não sabe falar "ingleis", só "portugueis". Será que sabe? E quanto tempo precisou, a Deize, para escrever este conjunto de... versos?
Continuo a imaginar a moça com centenas/milhares de pirocas a saltitarem na cabeça.
E dizem que esta música (?) vai projectar, definitivamente, os buraka no cenário da música internacional. Eu sei bem para onde os projectava...
20 maio 2009
19 maio 2009
Deseducação sexual
Não pude deixar de publicar esta imagem do site Henricartoon.
Nunca tive uma lição de história igual àquela... e tive professoras que, na altura, davam uma bela orgia romana.
Já não bastavam os morangos e os rebeldes para deseducar sexualmente os miúdos...
14 maio 2009
E insistem...
Há cerca de pouco mais de um mês, escrevi sobre as tentativas, infrutíferas, da Zon em vender mais serviços à minha pessoa. Pois bem, voltaram a ligar.
Isso começa a ser estranhamente divertido:
"Trim-Trim"
Número desconhecido.
"- Estou."
"- Boa noite. Meu nome é fulano e fala da Zon/Tv Cabo. Estou a falar com o Sr. Catsone?"
"- Sim e não quero!"
"- Errr, ok, boa noite."
E é só esperar até ao próximo mês.
Isso começa a ser estranhamente divertido:
"Trim-Trim"
Número desconhecido.
"- Estou."
"- Boa noite. Meu nome é fulano e fala da Zon/Tv Cabo. Estou a falar com o Sr. Catsone?"
"- Sim e não quero!"
"- Errr, ok, boa noite."
E é só esperar até ao próximo mês.
12 maio 2009
11 maio 2009
Pelos caminhos de Portugal
Depois de uma viagem por qualquer estrada nacional, o capô do automóvel vira um campo de batalha entomológica. Cadáveres de insectos jazem na superfície metálica. Isso é o que se espera ao fim de cada jornada, e o número de bichos estatelados é proporcional à velocidade da viatura.
N'outro dia, quando vinha, entediado, pela via-sacra-rodoviária diária, reparei no veículo pesado que me seguia e ri-me a bandeiras despregadas:
Parece que, em Espanha, os insectos são um pouco maiores...
Um pouco de humor automobilístico, para contrabalançar os achaques de alguns condutores.
N'outro dia, quando vinha, entediado, pela via-sacra-rodoviária diária, reparei no veículo pesado que me seguia e ri-me a bandeiras despregadas:
Parece que, em Espanha, os insectos são um pouco maiores...Um pouco de humor automobilístico, para contrabalançar os achaques de alguns condutores.
10 maio 2009
Déjà Vu 4!
Mais uma vez, começa a ser um trabalho árduo, mas sabe sempre bem o esforço:
E no ano passado teve o condão de ser premonitório...
Mais uma vez a magia
De ser o maior, ser o primeiro.
A competência, a categoria,
De um campeão verdadeiro
Meu Porto, meu Super Dragão,
Tu não és grande, és imenso.
E o amor por ti é tão intenso
Que quase explode o coração.
E os outros choram em Lisboa
O soluço de tristeza ecoa
De Cascais à Madragoa
Porque não têm a tua chama,
Que a eles queima e a nós inflama,
E que só conhece quem te ama.
2006/2007
2007/2008
Pró ano há mais? Nós, portistas, esperamos que sim.

E no ano passado teve o condão de ser premonitório...
Mais uma vez a magia
De ser o maior, ser o primeiro.
A competência, a categoria,
De um campeão verdadeiro
Meu Porto, meu Super Dragão,
Tu não és grande, és imenso.
E o amor por ti é tão intenso
Que quase explode o coração.
E os outros choram em Lisboa
O soluço de tristeza ecoa
De Cascais à Madragoa
Porque não têm a tua chama,
Que a eles queima e a nós inflama,
E que só conhece quem te ama.
2006/2007
2007/2008
Pró ano há mais? Nós, portistas, esperamos que sim.
09 maio 2009
O mundo ao contrário
Renato Russo escreveu numa das suas canções: "os assassinos estão livres, nós não estamos.". Lembrei-me deste verso ontem ao ver as notícias.
Hoje em dia prestam-se homenagens a bandidos. Se um jovem rouba, causa distúrbios, é perseguido por um polícia com boa pontaria que o acerta e o mata, esse jovem tem que, inevitavelmente, ser elevado a mártir. Seus amigos têm o direito de prestar homenagem de forma desordeira e violenta.
Está tudo às avessas neste pais.
Outro dia, enquanto acompanhava as consultas de um psiquiatra, ouvi a frase: "actualmente, vivemos na época dos medíocres!".
Fiquei a matutar um pouco nesta frase e, embora com medo de fazer parte da mediocridade instalada, cheguei à conclusão que essa frase é assertiva. Olhando para o panorama nacional não há ninguém que se destaque.
Esperem lá, lembrei-me, mesmo agora, do Cristiano Ronaldo...
Fora o madeirense, não há ninguém que seja referência e, talvez por isso, temos que nos virar para os marginais. Afinal, eles estão por toda a parte: nas escolas, nas ruas, nas estradas, nas igrejas, no parlamento...
Como dizia o presidente da câmara de Setúbal (para continuar a falar de medíocres) aqui, os desacatos na Bela Vista não passaram de uma reacção emocional de jovens em sofrimento.
Vou ter também atitudes destas; vou jogar pedras à polícia, disparar contra esquadras, pôr bombas em ministérios e palácios governamentais. Tudo isso porque eu também estou a ter uma reacção emocional; uma reacção à, lenta e dolorosa, morte do meu querido país.
Hoje em dia prestam-se homenagens a bandidos. Se um jovem rouba, causa distúrbios, é perseguido por um polícia com boa pontaria que o acerta e o mata, esse jovem tem que, inevitavelmente, ser elevado a mártir. Seus amigos têm o direito de prestar homenagem de forma desordeira e violenta.
Está tudo às avessas neste pais.
Outro dia, enquanto acompanhava as consultas de um psiquiatra, ouvi a frase: "actualmente, vivemos na época dos medíocres!".
Fiquei a matutar um pouco nesta frase e, embora com medo de fazer parte da mediocridade instalada, cheguei à conclusão que essa frase é assertiva. Olhando para o panorama nacional não há ninguém que se destaque.
Esperem lá, lembrei-me, mesmo agora, do Cristiano Ronaldo...
Fora o madeirense, não há ninguém que seja referência e, talvez por isso, temos que nos virar para os marginais. Afinal, eles estão por toda a parte: nas escolas, nas ruas, nas estradas, nas igrejas, no parlamento...
Como dizia o presidente da câmara de Setúbal (para continuar a falar de medíocres) aqui, os desacatos na Bela Vista não passaram de uma reacção emocional de jovens em sofrimento.
Vou ter também atitudes destas; vou jogar pedras à polícia, disparar contra esquadras, pôr bombas em ministérios e palácios governamentais. Tudo isso porque eu também estou a ter uma reacção emocional; uma reacção à, lenta e dolorosa, morte do meu querido país.
08 maio 2009
Tá lento
Todo o final do mês a Vodafone envia-me uma conta. Nessa conta estipula um preço a pagar pelo serviço que presta: internet a 2 megas/seg.
Este facto acima é garantido, eles vão cobrar pelo serviço. Mas cobram por um serviço que não prestam. Na melhor das hipóteses, navego a cerca de 1 mega/seg, mas hoje navegava à estonteante velocidade virtual de 238kpbs/seg. Navegar? Isso não é navegar, no máximo será a velocidade equivalente à de uma traineira carregada!
238 é uma velocidade espectacular se for na A1, com o subaru da GNR atrás de nós. Na net, "andar" a 238 ks, actualmente, é regredir cerca de 10 anos, é ser ultrapassado por caracóis, lesmas, tartarugas e bebés a gatinhar; é ser-se lento, muito lennnttttoooo.
Lembro-me do tempo em que usava um modem do tamanho de uma caixa de sapatos. Aqueles revolucionários aparelhos que faziam um gajo navegar a 56kpb. Era um espectáculo, um gajo só tinha que esperar meio minuto para que toda a página do Google aparecesse. Foi uma revolução.
Hoje tive esse déjà-vu. Caí na asneira de insistir em abrir o meu mail e tive que tomar um ansiolítico para não destruir o ecrã.
À Vodafone, meu obrigado, dessa forma vou ter que me mexer, finalmente, para trocar de servidor.
Este facto acima é garantido, eles vão cobrar pelo serviço. Mas cobram por um serviço que não prestam. Na melhor das hipóteses, navego a cerca de 1 mega/seg, mas hoje navegava à estonteante velocidade virtual de 238kpbs/seg. Navegar? Isso não é navegar, no máximo será a velocidade equivalente à de uma traineira carregada!
238 é uma velocidade espectacular se for na A1, com o subaru da GNR atrás de nós. Na net, "andar" a 238 ks, actualmente, é regredir cerca de 10 anos, é ser ultrapassado por caracóis, lesmas, tartarugas e bebés a gatinhar; é ser-se lento, muito lennnttttoooo.
Lembro-me do tempo em que usava um modem do tamanho de uma caixa de sapatos. Aqueles revolucionários aparelhos que faziam um gajo navegar a 56kpb. Era um espectáculo, um gajo só tinha que esperar meio minuto para que toda a página do Google aparecesse. Foi uma revolução.
Hoje tive esse déjà-vu. Caí na asneira de insistir em abrir o meu mail e tive que tomar um ansiolítico para não destruir o ecrã.
À Vodafone, meu obrigado, dessa forma vou ter que me mexer, finalmente, para trocar de servidor.
04 maio 2009
Mr Green
Respeitei o vermelho do semáforo e parei.
Enquanto esperava pela ordem de marcha, olhei no retrovisor e observei o comportamento da condutora da retaguarda.
A senhora, praí com 40 anos, bem apresentável, vasculhava arduamente a venta direita à procura de um gorila.
Se isso, só por si é asqueroso, o que veio a seguir perseguiu-me durante algumas horas.
Após ter catado o burrié que jazia na narícula, a senhora examinou o símio mucoso que se encontrava no indicador direito e, sem demoras, degustou-o... e examinou novamente o dedito para averiguar da existência de alguma excreção remanescente.
Depois de observar toda a cena confesso que o verde do semáforo ganhou um novo sentido!
Enquanto esperava pela ordem de marcha, olhei no retrovisor e observei o comportamento da condutora da retaguarda.
A senhora, praí com 40 anos, bem apresentável, vasculhava arduamente a venta direita à procura de um gorila.
Se isso, só por si é asqueroso, o que veio a seguir perseguiu-me durante algumas horas.
Após ter catado o burrié que jazia na narícula, a senhora examinou o símio mucoso que se encontrava no indicador direito e, sem demoras, degustou-o... e examinou novamente o dedito para averiguar da existência de alguma excreção remanescente.
Depois de observar toda a cena confesso que o verde do semáforo ganhou um novo sentido!
Também já somos!
Parabéns para nós! Conseguimos! Já fazemos parte das estatísticas da "nova" gripe.
Foi uma tarefa árdua, mas conseguimos um, neste caso uma, infectado. Parabéns para ela...
A imprensa já quase perdia a esperança, mas nós portugueses não desiludimos, como sempre.
Faça-se, portanto, mais 1 mês de primeiras páginas e aberturas de telejornais! Faça-se mais publicidade à roche!
Foi uma tarefa árdua, mas conseguimos um, neste caso uma, infectado. Parabéns para ela...
A imprensa já quase perdia a esperança, mas nós portugueses não desiludimos, como sempre.
Faça-se, portanto, mais 1 mês de primeiras páginas e aberturas de telejornais! Faça-se mais publicidade à roche!
24 abril 2009
Exma Ovelha Ranhosa
"É impossível agradar a gregos e troianos", já dizia a minha querida avózinha.
Eu nunca acreditei, considerei sempre a hipótese de agradar o mongo e o intelectual, o snob e o bronco... pura ilusão.
Existem poucas coisas impossíveis neste mundo: coçar o ouvido com o cotovelo, morder a testa, agradar a todos, entre outras. As primeiras duas sou capaz de acreditar, que no meio de 6.000.000.000 de indivíduos neste mundo, alguém consiga realizar.
Observo todos os dias a inexequibilidade do "agradanço" geral. Podemos ser os melhores no que fazemos mas há sempre aquele "sim, está quase perfeito" ou o "está lindo, mas..." e ainda o "hum, podia ser melhor.".
O gajo bateu o record dos 100 metros e alguém dispara "mas ele pode melhorar" e com, um pouco de sorte, acrescenta "muito".
O génio encontrou a cura para o cancro e os críticos dizem "mas é muito caro" ou " e então o Parkinson?" ou "mas o meu problema é micótico.".
Como se não bastasse a crítica alheia, existe os que, mesmo agradando o máximo de pessoas possível, não se conseguem agradar a si próprios. É um tipo de auto-sabotagem; o gajo dos 100 metros diz que estava contra o vento, o génio da cura do cancro reclama da falta de empenho na procura pela cura do pé-de-atleta, e por aí vai.
Escrevo sobre este tema após participar na organização de um evento. Um gajo faz tudo para agradar, tão tonto, na esperança de que tudo seja perfeito (mais uma coisa a acrescentar à lista de impossibilidades). No fim depara-se com o inevitável: o falhanço. Não foi a maioria, mas presta-se atenção àquela ovelha ranhosa que não gostou disto ou daquilo. Penso comigo mesmo "deixa lá, foi só um gajo" mas, ao mesmo tempo, respondo em auto-diálogo-interior "gostava de saber quem foi o FDP!".
Enfim, consola-me uma outra frase da minha querida avózinha: "Nem Jesus agradou a todos".
Verdade.
Eu nunca acreditei, considerei sempre a hipótese de agradar o mongo e o intelectual, o snob e o bronco... pura ilusão.
Existem poucas coisas impossíveis neste mundo: coçar o ouvido com o cotovelo, morder a testa, agradar a todos, entre outras. As primeiras duas sou capaz de acreditar, que no meio de 6.000.000.000 de indivíduos neste mundo, alguém consiga realizar.
Observo todos os dias a inexequibilidade do "agradanço" geral. Podemos ser os melhores no que fazemos mas há sempre aquele "sim, está quase perfeito" ou o "está lindo, mas..." e ainda o "hum, podia ser melhor.".
O gajo bateu o record dos 100 metros e alguém dispara "mas ele pode melhorar" e com, um pouco de sorte, acrescenta "muito".
O génio encontrou a cura para o cancro e os críticos dizem "mas é muito caro" ou " e então o Parkinson?" ou "mas o meu problema é micótico.".
Como se não bastasse a crítica alheia, existe os que, mesmo agradando o máximo de pessoas possível, não se conseguem agradar a si próprios. É um tipo de auto-sabotagem; o gajo dos 100 metros diz que estava contra o vento, o génio da cura do cancro reclama da falta de empenho na procura pela cura do pé-de-atleta, e por aí vai.
Escrevo sobre este tema após participar na organização de um evento. Um gajo faz tudo para agradar, tão tonto, na esperança de que tudo seja perfeito (mais uma coisa a acrescentar à lista de impossibilidades). No fim depara-se com o inevitável: o falhanço. Não foi a maioria, mas presta-se atenção àquela ovelha ranhosa que não gostou disto ou daquilo. Penso comigo mesmo "deixa lá, foi só um gajo" mas, ao mesmo tempo, respondo em auto-diálogo-interior "gostava de saber quem foi o FDP!".
Enfim, consola-me uma outra frase da minha querida avózinha: "Nem Jesus agradou a todos".
Verdade.
It's alive!
Amigos, folgo em anunciar que o meu querido companheiro de luta encontra-se já recuperado e pronto para reiniciar o trabalho.
Mas apresenta algumas sequelas, perdeu alguma informação e funcionalidades que, com alguma informatofisioterapia, recuperará em curto espaço de tempo.
Obrigado a todos os que rezaram por ele, está muito sensibilizado.
PS: Doações para a conta CGD NIB 123456789101112136630.
Mas apresenta algumas sequelas, perdeu alguma informação e funcionalidades que, com alguma informatofisioterapia, recuperará em curto espaço de tempo.
Obrigado a todos os que rezaram por ele, está muito sensibilizado.
PS: Doações para a conta CGD NIB 123456789101112136630.
23 abril 2009
UCI
Notícia, de rodapé, de um jornal suspeito qualquer:
" Deu entrada, ontem, na Unidade de Cuidados Intensivos, um computador portátil, de seu nome HP. Vinha com sinais de profundos mal-tratos, escoriações e cicatrizes, completamente desorientado e amnésico. Encontra-se, neste momento, ligado à outras máquinas, numa tentativa desesperada de se agarrar a este mundo. Seu dono, e principal suspeito dos crimes, não foi interrogado pelos funcionários da instituição, apenas "largou" a vítima nas urgências e fugiu. Os técnicos informáticos referem que, apesar de haver esperança, o estado do paciente é considerado muito grave."
Todos juntos, rezai pelo meu amigo HP.
" Deu entrada, ontem, na Unidade de Cuidados Intensivos, um computador portátil, de seu nome HP. Vinha com sinais de profundos mal-tratos, escoriações e cicatrizes, completamente desorientado e amnésico. Encontra-se, neste momento, ligado à outras máquinas, numa tentativa desesperada de se agarrar a este mundo. Seu dono, e principal suspeito dos crimes, não foi interrogado pelos funcionários da instituição, apenas "largou" a vítima nas urgências e fugiu. Os técnicos informáticos referem que, apesar de haver esperança, o estado do paciente é considerado muito grave."
Todos juntos, rezai pelo meu amigo HP.
12 abril 2009
Sicko

Ontem, para diminuir um pouco o "astral", dado que tenho uma personalidade algo masoquista, assisti este filme.
Trata-se de um documentário do cineasta Michael Moore sobre o sistema de saúde americano. Michael Moore é um dos homens mais controversos de sociedade americana. Seus filmes tentam apresentar à comunidade as incríveis, e por vezes inacreditáveis, disparidades existentes nos EUA. Foi assim com Fahrenheit 9/11 e Bowling for Columbine.
Já tinha uma noção do que o filme pretendia mostrar, mas, a realidade, é que não estava preparado para o que viria.
Vale a pena ver, principalmente neste momento de ataques entre as diferentes classes que integram nosso sistema de saúde. Vale também para quando estamos profundamente desapontados com o nosso trabalho, para quando nos acusam de não o fazer bem, de não nos preocuparmos com o nosso doente.
Comparemos a nossa saúde com aquela que existe no país da "melhor" investigação e prática médicas.
Mas entristece, profundamente. Ver pessoas que trabalharam a vida inteira e que, no fim, não têm direito a envelhecer condignamente.
Fica um sentimento de pena...
10 abril 2009
08 abril 2009
Germanices
"Qimonda alemã tirou 150 milhões da fábrica portuguesa" DN
Parece que me enganei quando, em post anterior, alterei o logo da qimonda.
Afinal o logo certo era este:
Parece que me enganei quando, em post anterior, alterei o logo da qimonda.
Afinal o logo certo era este:
Lobo em pele de Cordeiro
Há cerca de meia hora atrás, falou na Sic Notícias o homem do momento: João Cordeiro, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF).
O homem falou, falou e no fim o que me ficou na cabeça foram as mentiras e acusações.
Por causa deste indivíduo, duas (ou talvez três) classes de profissionais de saúde, ao contrário de remarem para o mesmo lado, trocam acusações infrutíferas e levianas.
Desiludam-se aqueles que acreditam que este fulano quer o melhor para o doente. Por baixo da pele de Cordeiro existe um animal que procura o lucro, tão simples quanto isso.
Para levar a sua avante, o sujeito procura chamar atenção àquela classe de mercenários, crápulas e corruptos representada pelos médicos. Os médicos, causadores de todos os problemas do SNS. Os médicos que ao olhar para a face do seu doente imagina um cifrão gravado na fronte. Os médicos, verdadeiros cancros da sociedade. Os médicos, que são os responsáveis pela prescrição; esperem aí, se calhar até são necessários para as farmácias, hum...
De todos os factos que o homem cuspiu em directo, guardei dois em especial:
"- Se a Srª jornalista fizer uma investigação, pesquisando nas 5 maiores agências de viagens, vai perceber quais são os 20 maiores clientes das mesmas.
- Está a fazer uma acusação?
- Não, mas pesquise."
Se isto não for uma acusação, então o que será? Parece-me que esta pessoa teve uma formação com o, grande, Octávio Machado, que dizia tudo em informação encriptada. Gostaria realmente que se fizesse esta pesquisa, talvez desmistificasse algumas ideias pré-concebidas existentes neste, pequeno, país.
"- A indústria farmacêutica está muito calada, pois tem o seu porta-voz a falar por ela.
- E quem é esse porta-voz?
- Está-se mesmo a ver: é o Bastonário da Ordem dos Médicos."
Numa certa altura da entrevista o Cordeiro disse não responder à calúnias. Isto, então, merecerá resposta pelo Bastonário da Ordem dos Médicos?
Penso que a ANF representa a quase totalidade das farmácias, mas será que representa a totalidade dos farmacêuticos? Quando este lobo refere como caluniosas, as palavras do sindicato dos farmacêuticos, terá ele o apoio desta classe? Será que os interesses obscuros da ANF justificam toda esta azáfama?
Só andamos na superfície, as profundezas são mais escuras e regem-se por uma ordem na qual o doente é apenas um número...
Hipócrates deve estar a dar voltas...
O homem falou, falou e no fim o que me ficou na cabeça foram as mentiras e acusações.
Por causa deste indivíduo, duas (ou talvez três) classes de profissionais de saúde, ao contrário de remarem para o mesmo lado, trocam acusações infrutíferas e levianas.
Desiludam-se aqueles que acreditam que este fulano quer o melhor para o doente. Por baixo da pele de Cordeiro existe um animal que procura o lucro, tão simples quanto isso.
Para levar a sua avante, o sujeito procura chamar atenção àquela classe de mercenários, crápulas e corruptos representada pelos médicos. Os médicos, causadores de todos os problemas do SNS. Os médicos que ao olhar para a face do seu doente imagina um cifrão gravado na fronte. Os médicos, verdadeiros cancros da sociedade. Os médicos, que são os responsáveis pela prescrição; esperem aí, se calhar até são necessários para as farmácias, hum...
De todos os factos que o homem cuspiu em directo, guardei dois em especial:
"- Se a Srª jornalista fizer uma investigação, pesquisando nas 5 maiores agências de viagens, vai perceber quais são os 20 maiores clientes das mesmas.
- Está a fazer uma acusação?
- Não, mas pesquise."
Se isto não for uma acusação, então o que será? Parece-me que esta pessoa teve uma formação com o, grande, Octávio Machado, que dizia tudo em informação encriptada. Gostaria realmente que se fizesse esta pesquisa, talvez desmistificasse algumas ideias pré-concebidas existentes neste, pequeno, país.
"- A indústria farmacêutica está muito calada, pois tem o seu porta-voz a falar por ela.
- E quem é esse porta-voz?
- Está-se mesmo a ver: é o Bastonário da Ordem dos Médicos."
Numa certa altura da entrevista o Cordeiro disse não responder à calúnias. Isto, então, merecerá resposta pelo Bastonário da Ordem dos Médicos?
Penso que a ANF representa a quase totalidade das farmácias, mas será que representa a totalidade dos farmacêuticos? Quando este lobo refere como caluniosas, as palavras do sindicato dos farmacêuticos, terá ele o apoio desta classe? Será que os interesses obscuros da ANF justificam toda esta azáfama?
Só andamos na superfície, as profundezas são mais escuras e regem-se por uma ordem na qual o doente é apenas um número...
Hipócrates deve estar a dar voltas...
07 abril 2009
ORGULHO, CARAGO!
Qual é a equipa, qual é ela, que chega ao teatro dos sonhos e diminui o maior clube do mundo à sua insignificância? Qual é? Qual é?
03 abril 2009
A TV cabo e o HSV
Sinto uma vibração no bolso das calças. Penso em quem será que me estará a importunar no meio de uma reunião de serviço.
Muito discretamente, tiro o telemóvel do bolso e atendo o número não identificado:
"Estou?"
"Seria possível falar com o Sr. Catsone?"
"Nesse momento não!"
E desligo a chamada ao percebendo que se trata de um call-center qualquer para surpreender-me com uma grandiosa oferta, provavelmente, da TV Cabo.
Bando de chatos. Compreendo que é o trabalho dos fulanos, mas importuna!
10 minutos volvidos, a mesma sensação vibratória e o mesmo número não identificado. Rejeito a chamada. Mais 10 minutos, nova chamada e nova rejeição. Outros tantos minutos e mais uma tentativa infrutífera de contactar com o incauto cliente. Desistem... mas não por muito tempo.
Uma pequena analogia: o herpes simplex (que não é nenhuma criação, simplex, do governo Sócrates) é um vírus cujo único hospedeiro é o homem. Depois de infectado, o indivíduo alberga o vírus durante toda a sua vida. Este é o famigerado microorganismo que dá aquelas, bonitas, lesões labiais, tão vistosas e desejáveis. O que chateia no vírus é que ele estará sempre lá, latente, mas de vez em quando acorda e diz olá sob a forma de reluzentes vesículas cutâneas.
O Call-center da TV cabo é assim: um belo dia assina-se um contracto e se é "infectado" pelo serviço TV cabo. Tudo fica bem durante um ou dois meses e é, então, que se recebe a primeira chamada. É-se simpático qb e tudo parece resolvido... mas não. Alguns dias depois, nova chamada e as coisas começam a azedar. Isso para dizer que, como o HSV, também o call-center da TV cabo fica latente e ataca de vez em quando.
Voltando ao episódio. Acaba a reunião e eu já nem lembrava das chamadas insistentes. "Pego" no carro e vou para casa. No meio do trajecto o que acontece? Hã, o quê? Pois é, ligam-me novamente, dessa vez uma senhora:
"Estou?"
"Estou sim."
"É o Sr. Catsone?"
"Sim."
"Aqui é da ZON/TV cabo (tcharam!!!). Queríamos melhorar o seu serviço ZON/TV cabo e..."
"Desculpe, mas não estou interessado."
"Sim, mas é que..."
"Peço desculpa por ser você a ouvir, mas estou um pouco agastado com as vossas 3 chamadas telefónicas mensais. Conto com o pagamento e com as vossas chamadas e, que me lembre, só contratei o serviço de televisão e não o apoio ao cliente. Gostaria de dizer que se for importunado mais uma vez, cancelo o serviço. Quando quiser alguma coisa vossa, sou eu que telefono, ok?" (Quem é que manda aqui, hã!)
"OK, vou assentar aqui o seu comentário. Tenha um bom dia."
Tu-tu-tu-tu...
No fim fiquei sem saber se a porcaria da promoção, que eles estavam a fazer, era alguma coisa de jeito...
Muito discretamente, tiro o telemóvel do bolso e atendo o número não identificado:
"Estou?"
"Seria possível falar com o Sr. Catsone?"
"Nesse momento não!"
E desligo a chamada ao percebendo que se trata de um call-center qualquer para surpreender-me com uma grandiosa oferta, provavelmente, da TV Cabo.
Bando de chatos. Compreendo que é o trabalho dos fulanos, mas importuna!
10 minutos volvidos, a mesma sensação vibratória e o mesmo número não identificado. Rejeito a chamada. Mais 10 minutos, nova chamada e nova rejeição. Outros tantos minutos e mais uma tentativa infrutífera de contactar com o incauto cliente. Desistem... mas não por muito tempo.
Uma pequena analogia: o herpes simplex (que não é nenhuma criação, simplex, do governo Sócrates) é um vírus cujo único hospedeiro é o homem. Depois de infectado, o indivíduo alberga o vírus durante toda a sua vida. Este é o famigerado microorganismo que dá aquelas, bonitas, lesões labiais, tão vistosas e desejáveis. O que chateia no vírus é que ele estará sempre lá, latente, mas de vez em quando acorda e diz olá sob a forma de reluzentes vesículas cutâneas.
O Call-center da TV cabo é assim: um belo dia assina-se um contracto e se é "infectado" pelo serviço TV cabo. Tudo fica bem durante um ou dois meses e é, então, que se recebe a primeira chamada. É-se simpático qb e tudo parece resolvido... mas não. Alguns dias depois, nova chamada e as coisas começam a azedar. Isso para dizer que, como o HSV, também o call-center da TV cabo fica latente e ataca de vez em quando.
Voltando ao episódio. Acaba a reunião e eu já nem lembrava das chamadas insistentes. "Pego" no carro e vou para casa. No meio do trajecto o que acontece? Hã, o quê? Pois é, ligam-me novamente, dessa vez uma senhora:
"Estou?"
"Estou sim."
"É o Sr. Catsone?"
"Sim."
"Aqui é da ZON/TV cabo (tcharam!!!). Queríamos melhorar o seu serviço ZON/TV cabo e..."
"Desculpe, mas não estou interessado."
"Sim, mas é que..."
"Peço desculpa por ser você a ouvir, mas estou um pouco agastado com as vossas 3 chamadas telefónicas mensais. Conto com o pagamento e com as vossas chamadas e, que me lembre, só contratei o serviço de televisão e não o apoio ao cliente. Gostaria de dizer que se for importunado mais uma vez, cancelo o serviço. Quando quiser alguma coisa vossa, sou eu que telefono, ok?" (Quem é que manda aqui, hã!)
"OK, vou assentar aqui o seu comentário. Tenha um bom dia."
Tu-tu-tu-tu...
No fim fiquei sem saber se a porcaria da promoção, que eles estavam a fazer, era alguma coisa de jeito...
01 abril 2009
Frascos e comprimidos
Temos novos D. Sebastiões em Portugal. Um grupo que luta pelo bem-estar dos pobres doentes deste país. Sem interesses, sem segundas intenções, apenas, e tão somente, a saúde dos indivíduos.
Essa classe é composta pelos senhores doutores farmacêuticos.
Eu entrego o meu diploma da faculdade de medicina. Para que o quero, se qualquer senhor farmacêutico passa por cima do que eu decido, no fim de uma consulta com um utente? Os meus 6 anos na faculdade e os intermináveis anos de internato, afinal, não servem para nada: os farmacêuticos é que sabem.
E vêm para a televisão, com duas caixas de medicamentos, para revelar, "incrédulos", o escândalo das diferenças de preço entre duas substâncias, supostamente, idênticas.
"Olhe, por esta embalagem o doente paga 10€ e por esta, apenas 5,50€" diz a farmacêutica orgulhosa.
O que de melhor há, para se chamar a atenção, do que enxovalhar a classe corporativista dos médicos? Esses malandros que só querem prescrever a marca que lhe dá canetinhas e post-it's!!!
"Vamos, mas é, ajudar o povo a não ser roubado por essa cambada de doutores e "seus" laboratórios!"
Tudo pelo povo! Tudo pelo utente, pelo reformado e pelo doente crónico, que tem tudo comparticipado mas que não atinge objectivos nem respeita alterações do estilo de vida.
Mas, esperem um minuto...alguém já viu uma farmácia na banca rota? Hum... estranho.
Uma teoria, da conspiração, para essa "bondade" da farmácia da esquina:
"Num belo dia, um representante do laboratório de genéricos X, duma marca menos comercializada, visita a farmácia da esquina. Vem, o senhor, apresentar uma proposta para ajudar a farmácia a ajudar o utente. Oferece então 10 embalagens de Furosemida genérica pelo preço, maravilhoso, de 5. O farmacêutico, pensando no utente, aceita. No dia seguinte o médico, numa consulta, receita ao Sr. Manuel a furosemida de marca e tranca a receita, para fazer valer a sua famigerada prescrição. O Sr. Manuel vai a farmácia da esquina e é aconselhado a comprar a furosemida genérica porque é mais barata. O Sr. Manuel agradece o interesse do Sr ajudante de farmacêutico e vai para casa com o medicamento. No outro dia, o Sr. Manuel dá entrada no serviço de urgências do hospital distrital, com um edema agudo do pulmão"
Isto é uma situação caricata e serve para explicar várias coisas:
1º Nem todos os genéricos são iguais às substâncias originais. O caso da furosemida é um dos exemplos clássicos. Ninguém sabe porquê, mas a furosemida genérica não tem, nem de perto, nem de longe, a mesma eficácia que a original;
2º Os excipientes dos medicamentos variam em alguns genéricos, o que faz com que o comportamento da molécula seja diferente. O excipiente não é só farinha, ele influencia a farmacodinâmica e farmacocinéitca sobremaneira;
3º De boas intenções está o inferno cheio, já dizia a minha avó. Aqueles que criticam a promiscuidade dos médicos, em relação a pretensas prendas dos laboratórios, tentem conhecer o lado das farmácias. É um novo mundo de bons negócios; ou as pessoas acham que tudo isto é realmente pelo bem-estar do doente?
4º Acho engraçado aqueles, que têm um enorme lucro em todos os medicamentos (de marca ou genéricos), venham agora "rebelar-se" contra os que, justamente, permitem que o seu negócio prospere;
5º A prescrição do médico é soberana! Se bem ou mal intencionada, isso são outros quinhentos. Não posso admitir que outra pessoa possa alterar, aquilo que acho melhor para o meu utente, apenas porque acha que pode. Isso, nem entre colegas é ético, quanto mais pessoas que não tem a formação adequada (e responsabilidade) para tal;
6º Eu prescrevo genéricos sempre que posso, mas mesmo esses têm diferenças de preços. Será que também será alvo de trocas? Existe troca mesmo entre genéricos do mesmo preço, mas isso já não interessa que se saiba, não é?
E poderiam ser muitas mais razões, mas o post já é um dos maiores que publiquei.
Ao senhor João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), que refutou os comentários do Bastonário da Ordem dos médicos com a seguinte frase "onde estava o Bastonário quando se ouviu que os utentes não compravam todos os medicamentos prescritos", digo-lhe o seguinte: serão este os argumentos que vai utilizar? Será com esta ligeireza que vai combater a "mercenária" classe médica? Será que são os médicos que impõem um preço às substâncias? Está preocupado, com o facto de o doente não comprar todos os medicamentos, por pensar na saúde do mesmo ou na diminuição da vendas?
Sugiro que compre uma embalagem de "pronto" para dar lustro a essa tremenda cara-de-pau! (e já agora uma lâmina de barbear).
Essa classe é composta pelos senhores doutores farmacêuticos.
Eu entrego o meu diploma da faculdade de medicina. Para que o quero, se qualquer senhor farmacêutico passa por cima do que eu decido, no fim de uma consulta com um utente? Os meus 6 anos na faculdade e os intermináveis anos de internato, afinal, não servem para nada: os farmacêuticos é que sabem.
E vêm para a televisão, com duas caixas de medicamentos, para revelar, "incrédulos", o escândalo das diferenças de preço entre duas substâncias, supostamente, idênticas.
"Olhe, por esta embalagem o doente paga 10€ e por esta, apenas 5,50€" diz a farmacêutica orgulhosa.
O que de melhor há, para se chamar a atenção, do que enxovalhar a classe corporativista dos médicos? Esses malandros que só querem prescrever a marca que lhe dá canetinhas e post-it's!!!
"Vamos, mas é, ajudar o povo a não ser roubado por essa cambada de doutores e "seus" laboratórios!"
Tudo pelo povo! Tudo pelo utente, pelo reformado e pelo doente crónico, que tem tudo comparticipado mas que não atinge objectivos nem respeita alterações do estilo de vida.
Mas, esperem um minuto...alguém já viu uma farmácia na banca rota? Hum... estranho.
Uma teoria, da conspiração, para essa "bondade" da farmácia da esquina:
"Num belo dia, um representante do laboratório de genéricos X, duma marca menos comercializada, visita a farmácia da esquina. Vem, o senhor, apresentar uma proposta para ajudar a farmácia a ajudar o utente. Oferece então 10 embalagens de Furosemida genérica pelo preço, maravilhoso, de 5. O farmacêutico, pensando no utente, aceita. No dia seguinte o médico, numa consulta, receita ao Sr. Manuel a furosemida de marca e tranca a receita, para fazer valer a sua famigerada prescrição. O Sr. Manuel vai a farmácia da esquina e é aconselhado a comprar a furosemida genérica porque é mais barata. O Sr. Manuel agradece o interesse do Sr ajudante de farmacêutico e vai para casa com o medicamento. No outro dia, o Sr. Manuel dá entrada no serviço de urgências do hospital distrital, com um edema agudo do pulmão"
Isto é uma situação caricata e serve para explicar várias coisas:
1º Nem todos os genéricos são iguais às substâncias originais. O caso da furosemida é um dos exemplos clássicos. Ninguém sabe porquê, mas a furosemida genérica não tem, nem de perto, nem de longe, a mesma eficácia que a original;
2º Os excipientes dos medicamentos variam em alguns genéricos, o que faz com que o comportamento da molécula seja diferente. O excipiente não é só farinha, ele influencia a farmacodinâmica e farmacocinéitca sobremaneira;
3º De boas intenções está o inferno cheio, já dizia a minha avó. Aqueles que criticam a promiscuidade dos médicos, em relação a pretensas prendas dos laboratórios, tentem conhecer o lado das farmácias. É um novo mundo de bons negócios; ou as pessoas acham que tudo isto é realmente pelo bem-estar do doente?
4º Acho engraçado aqueles, que têm um enorme lucro em todos os medicamentos (de marca ou genéricos), venham agora "rebelar-se" contra os que, justamente, permitem que o seu negócio prospere;
5º A prescrição do médico é soberana! Se bem ou mal intencionada, isso são outros quinhentos. Não posso admitir que outra pessoa possa alterar, aquilo que acho melhor para o meu utente, apenas porque acha que pode. Isso, nem entre colegas é ético, quanto mais pessoas que não tem a formação adequada (e responsabilidade) para tal;
6º Eu prescrevo genéricos sempre que posso, mas mesmo esses têm diferenças de preços. Será que também será alvo de trocas? Existe troca mesmo entre genéricos do mesmo preço, mas isso já não interessa que se saiba, não é?
E poderiam ser muitas mais razões, mas o post já é um dos maiores que publiquei.
Ao senhor João Cordeiro, presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF), que refutou os comentários do Bastonário da Ordem dos médicos com a seguinte frase "onde estava o Bastonário quando se ouviu que os utentes não compravam todos os medicamentos prescritos", digo-lhe o seguinte: serão este os argumentos que vai utilizar? Será com esta ligeireza que vai combater a "mercenária" classe médica? Será que são os médicos que impõem um preço às substâncias? Está preocupado, com o facto de o doente não comprar todos os medicamentos, por pensar na saúde do mesmo ou na diminuição da vendas?
Sugiro que compre uma embalagem de "pronto" para dar lustro a essa tremenda cara-de-pau! (e já agora uma lâmina de barbear).
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