Leiam estas notícias com atenção:
"Na Grécia já há 600 mil pessoas abandonadas pelo sistema de saúde"
"Os médicos Robin Hood da Grécia"
A palavra holocausto tem origem grega e relaciona-se com sacrifícios feitos em honra de diversas divindades.
Hipócrates, também ele grego, é considerado o pai da medicina.
É estranha esta relação entre "holocausto", "medicina" e "Grécia". Estas notícias, que aqui publico, demonstram realmente haver novos sacrifícios em nome de uma divindade moderna: a tróika.
Em nome da tróika, nestes últimos anos, muitos "europeus" morreram e muitos outros, milhares mesmos, estão condenados.
Essa nova divindade parece ter cada vez mais seguidores dentro dos governos deste e doutros continentes. Na procura de milagres que supram desejos obscuros, vão-se juntando e atirando às piras económicas povos inteiros. Ardem direitos, sonhos e vidas.
Que tróika é essa? Que poderes tem? Quem está por trás dessa entidade mágica? Para quem faz ela milagres?
A idolatria por este deus é como uma doença contagiosa.
É extremamente preocupante a rapidez e facilidade desse contágio. Em Portugal, o SNS está prestes a entrar neste mesmo jogo doentio e, como dizem os brasileiros, a coisa vai começar a ficar grega!
Um exemplo é essa "refundação" da Pátria, proposta pelo criminoso PM, onde se pondera a privatização também dos Centros de Saúde, panteão mais puro e sagrado do SNS, primeira porta a bater quando se necessita de cuidados de saúde.
Depois da "racionalização" (ou será "racionamento") dos medicamentos oncológicos, propostos por uma comissão qualquer com pouca ética; depois do aumento astronómico e indecente das taxas "moderadoras" (entre aspas porque é um conceito ridículo e enganoso: essas taxas nada moderam!); depois da queda da comparticipação dos medicamentos e da selvajeria das trocas de substâncias nos balcões das boticas; vêm ai grandes mudanças no SNS... para pior, muito pior. Vai ser iniciada a "matança" dos utentes dos ficheiros dos Médicos de Família; vão ser entregues, às mãos de grupos económicos bem conhecidos, mais e mais instituições públicas de saúde; entre outras medidas que, insidiosamente, vão corroer o único serviço público que (ainda) funciona com qualidade.
É difícil, para quem está do lado de cá da barricada, ficar indiferente às cada vez maiores dificuldades dos doentes. É-nos difícil lidar com as alterações quase diárias na atribuição de isenções, ou nos critérios de transporte, ou na comparticipação de medicamentos. Isso sem contar com o verdadeiro big brother a que se está sujeito no desempenho da actividade.
O que interessa é que se deve, em nome da santa tróika, gastar o menos possível. Independe de guidelines ou linhas orientadoras interenacionais, isso nada importa. O que realmente importa, e o que este governo quer, é que os médicos curem com água, que os enfemeiros tratem com guardanapos, que os administrativos trabalhem com penas e que os auxiliares limpem com trapos e cuspo.
Não quero ser carrasco neste novo holocausto proposto por uma espécie de nova Hécate. Não quero ser co-responsável pela morte de utentes ao cumprir normas rígidas desprovidas da maior arte da Medicina: o "bom senso". Talvez fugindo dessa responsabilidade se vejam partir, para paragens mais recionais e civilizadas, inúmeros médicos e enfermeiros, depauperando, assim, este luso rectângulo.
Resta-nos pensar em fazermos nós alguns sacrifícios. Sacrifiquemos políticos, banqueiros, especuladores. Sacrifiquemos essa corja em nome de Ares e Hades!
Um holocausto de burgueses!
03 novembro 2012
31 outubro 2012
A carta mágica
Baco entregou-lhe uma carta perfumada; tresandava à farra, à orgia e a outros odores mágicos e pecaminosos. Escreveu-lhe certo mas em linhas, que no decorrer da sua leitura, se tornavam cada vez mais tortas. As palavras escrivinhadas com espécie rara de tinta roxa, estraída à força por rudes pegadas humanas, de uvas importadas das montanhas do luso Norte.
Da missiva, ele sorveu-lhe a escrita. Gota a gota, transfundiu para o seu sangue o prazer do manuscrito. Entendeu-lhe as ideias, sentiu-lhe o delit(r)o e perdeu-se numa paixão súbita e alucinogénea. Envolveu-se na poética, dissipou-se na métrica e, finalmente, tropeçou na cadência das enebriantes palavras sagradas, caindo, desamparadamente, num mar de CH3CH2OH pecaminoso.
Ah, as missivas de Dioníso têm vindo a surgir-lhe com mais frequência e, graças ao bom deus, acrecidas de repetidos, incansáveis e deliciooossoooosss Post-Scriptum!
P.S: insisto em contrariar aqueles que acham que virei alcoólatra!
E Grave (sempre gostei mais desse nick, amigo), está aqui um do Douro que é um espectáculo.
Da missiva, ele sorveu-lhe a escrita. Gota a gota, transfundiu para o seu sangue o prazer do manuscrito. Entendeu-lhe as ideias, sentiu-lhe o delit(r)o e perdeu-se numa paixão súbita e alucinogénea. Envolveu-se na poética, dissipou-se na métrica e, finalmente, tropeçou na cadência das enebriantes palavras sagradas, caindo, desamparadamente, num mar de CH3CH2OH pecaminoso.
Ah, as missivas de Dioníso têm vindo a surgir-lhe com mais frequência e, graças ao bom deus, acrecidas de repetidos, incansáveis e deliciooossoooosss Post-Scriptum!
P.S: insisto em contrariar aqueles que acham que virei alcoólatra!
E Grave (sempre gostei mais desse nick, amigo), está aqui um do Douro que é um espectáculo.
29 outubro 2012
(Más) Intenções de voto
21 outubro 2012
Nem todos os Cortes sabem mal
Ele viu a chaminé e entreteve-se a explorar.
A violácea vinhateira deixou-a subir na sua estrutura.
Sentiu o sangue assustado fugir-lhe das extremidades e, em turbulenta velocidade, ir embater com violência contra o cerne do seu ser em etílico acidente.
Experimentou a vertigem do choque do etilo mas continuou na pecaminosa experiência.
Fumou os odores do sagrado sumo e "helicoidou-se".
Mais um copo, mais uma taça, mais um graal evaporaram-lhe o espírito.
Volátil, foi ao topo, dirigiu-se ao céu tal balão de ar ardente.
Deixou-se cair ao ritmo no qual o efeito dos (de)graus lhe passava e à medida que a hepática parafernalha lhe ia queimando o combustível.
Retornou ao terreno por pouco.
Mais um pouco do estímulo báquico e voltou a subir a chaminé: foi perguntar a Deus se escondia algo de melhor só para Si...
O Senhor disse que não mas lhe entregou mais um lanço de escadas dizendo: "cuidado com o tortuoso e frutado caminho da chaminé. Não deixais que te envenene a alma com os seus perfumes..."
A violácea vinhateira deixou-a subir na sua estrutura.
Sentiu o sangue assustado fugir-lhe das extremidades e, em turbulenta velocidade, ir embater com violência contra o cerne do seu ser em etílico acidente.
Experimentou a vertigem do choque do etilo mas continuou na pecaminosa experiência.
Fumou os odores do sagrado sumo e "helicoidou-se".
Mais um copo, mais uma taça, mais um graal evaporaram-lhe o espírito.
Volátil, foi ao topo, dirigiu-se ao céu tal balão de ar ardente.
Deixou-se cair ao ritmo no qual o efeito dos (de)graus lhe passava e à medida que a hepática parafernalha lhe ia queimando o combustível.
Retornou ao terreno por pouco.
Mais um pouco do estímulo báquico e voltou a subir a chaminé: foi perguntar a Deus se escondia algo de melhor só para Si...
O Senhor disse que não mas lhe entregou mais um lanço de escadas dizendo: "cuidado com o tortuoso e frutado caminho da chaminé. Não deixais que te envenene a alma com os seus perfumes..."
14 outubro 2012
Dedicatória
No rescaldo da palhaçada protagonizada pelo senhor deputado Carlos Zorrinho e o seu compincha Francisco Assis, fica aqui uma singela homenagem em forma de canção.
Deixo também uma sugestão: que os deputados andem uns sobre os outros para passarem todos a andar de mula!
Deixo também uma sugestão: que os deputados andem uns sobre os outros para passarem todos a andar de mula!
12 outubro 2012
A bela droga
Hoje, numa consulta:
"Dr, tenho tido problemas durante o sono. Não descanso nada porque tenho muitos sonhos!"
"Ok. Quer dizer que a senhora quer algo para que desapareçam os sonhos, certo?
"Sim, era isso que pretendia".
"'Tá certo. Olhe, sugiro-lhe "política". Pode tomar genéricos: PSD, PP, PS... vai ver que lhe tiram os sonhos todos de uma vez por todas".
"Oh, doutor, esses não que têm muitos efeitos secundários!"
Humor: o que vai valendo para manter alguma motivação...
"Dr, tenho tido problemas durante o sono. Não descanso nada porque tenho muitos sonhos!"
"Ok. Quer dizer que a senhora quer algo para que desapareçam os sonhos, certo?
"Sim, era isso que pretendia".
"'Tá certo. Olhe, sugiro-lhe "política". Pode tomar genéricos: PSD, PP, PS... vai ver que lhe tiram os sonhos todos de uma vez por todas".
"Oh, doutor, esses não que têm muitos efeitos secundários!"
Humor: o que vai valendo para manter alguma motivação...
10 outubro 2012
Pai SofreXXVII: a justiça aos olhos de uma criança de 3 anos
Nestes dias de descalabro económico-social,
vem a minha pequena falar de justiça.
Gostava ela de ficar um
pouco mais de tempo a brincar na rua, com a sua mota cor-de-rosa adereçada com
autocolantes daquela gata japonesa estranha, mas recebeu a revoltosa ordem para
voltar para casa. Ela chorou, esperneou, fez a sua birra infantil, na expectativa
de aquecer os “frios” corações dos pais, e, com os olhos rasos d’água, proferiu
uma triste reclamação: “não é justo!”.
Engraçada a justiça vista
pela óptica de uma miúda de 3 anos. Engraçada a sua forma de reclamar. Estranha
a semelhança com a vida nossa de adultos. Engraçado o mesmo resultado: a
vontade insatisfeita.
Afinal, que justiça a destes
pais? Negar mais uns minutos de prazer em brincadeiras de criança, ou negar
mais uns minutos de televisão antes da cama, ou negar mais uma bolacha antes do
almoço, ou tantas outras coisas que ela gostaria de fazer e que vão contra a
vontadinha do pai ou da mãe.
Onde foi ela arranjar essa
noção de justiça? Como terá entendido que quando se é negado algo, que se acha
ter direito, é uma situação injusta? Onde terá ela tido contacto com essa
expressão?
Se calhar a moça terá ouvido
as reclamações dos seus mais próximos. Terá escutado as comiserações paternas em
frente à televisão aquando de notícias da actualidade nebulosa na qual vivemos.
Terá, quem sabe, visto as lágrimas que por vezes caem do rosto do seu velho e
feito, ela mesma, a sua interpretação do cenário, criando a sua própria cena de reacção às contrariedades: “aquando
de uma nega: esbracejar, chorar, espernear e soltar um “não é justo”, tal como
o pai faz de vez em quando em frente à TV, rádio, computador ou ao ler um
matutino”.
Tenho um misto de orgulho e
pena pela sua resistência. Orgulho porque estou a criar alguém que não se coíbe
em mostrar a sua insatisfação perante aquilo de que não concorda. Pena porque,
por mais que reclame, por mais que grite ou esperneie, os ouvidos do poder são surdos
perante as reclamações dos seus patrícios e as suas revoltas tenderão a cair em
saco rôto.
O pai também reclama; também
ele se chateia, range os dentes… mas nada; ninguém o ouve, ninguém tem peninha
dele e os “maus” continuam a lhe tirar o que pensava ter direito.
Afinal, que justiça a deste
país? Empobrecer a malta, endividá-la, enviá-la (como mercadoria) para
exportação, enevoar o seu futuro e o da república, retirar direitos primários, levar
“o melhor povo do mundo” para muito próximo de um ataque de nervos colectivo…
Esperem lá… querem ver que eu, ao ignorar a reclamação da moça, impondo as minhas regras e ordens, represento uma espécie de governo absolutista doméstico?
Credo!!! Não, claro que não. A minha actuação
representa as pequenas vicissitudes da educação enquanto que os “outros”,
aqueles que não me ouvem, esses parecem nunca terem sido sequer educados…
Contudo, perante à cópia da
pequenita, concluo ter de ter mais
cuidado com o calão que, por vezes, acompanham as minhas birras de adulto sob
pena de, algum dia, passar por uma vergonha: as crianças costumam ser muito espontâneas…
07 outubro 2012
"Burocratidose"
Depois de mais um "enorme aumento de impostos" e do elogio, que muito nos envaidece, de sermos o "melhor povo do mundo", resolvi fazer um re-post de um texto do início de 2010.
Existe uma praga que está a destruir o país. É uma infecção, uma verminose, uma parasitose.
Portugal está infestado por uma espécie de seres desprezíveis, abjectos e asquerosos: os burocratas.Esses animais corroem as estranhas do Estado, sugando-lhe até ao tutano, nutrindo-se com o alheio, acabando com a paciência dos pobres mortais.
São caracterizados pela mediocridade, especialistas em compadrio, no lambe-botismo e no por-baixo-do-pano. Pululam em todos os cargos possíveis e imagináveis. Colonizam juntas, câmaras, assembleias, ministérios ou qualquer lugar cujo concurso dependa da vontade de outro burocrata. Tomam decisões baseadas na mais pura e cristalina ignorância e a sua inépcia não tem limites.
Mas, apesar de tudo, os burocratas reinam. Eles estão lá, à nossa frente, ocupando os lugares cimeiros e cargos de chefia; colocados nos respectivos assentos por outros da sua espécie, perpetuando o ciclo vicioso e doentio.
Eles mandam em tudo. Aparecem na televisão sorridentes. Escapam incólumes às vãs tentativas de os eliminar. E, apesar da tremenda cara-de-pau, são ágeis, elásticos e esquivos.
Fala-se nas mortes pela SIDA, Tuberculose ou Malária mas, amigos, não há doença que mate mais que os burocratas. Eles são piores que o cancro, vão minando, insidiosos, até ao ponto do não retorno, e tudo depois é paliativo.
Por causa deles se morre de fome e de sede, não se constroem hospitais, escolas ou outras benfeitorias; eles decidem-se sempre pelo supérfluo, desde que lhes dê lucro.
São eles que encravam as engrenagens...
Os burocratas estão por todo o lado; sempre estiveram e, temo não errar por muito, sempre estarão, ou talvez não... quem sabe arranjamos uma droga eficaz ou, quem sabe, já a temos mas não usamos.

Burocratidose
Existe uma praga que está a destruir o país. É uma infecção, uma verminose, uma parasitose.
Portugal está infestado por uma espécie de seres desprezíveis, abjectos e asquerosos: os burocratas.Esses animais corroem as estranhas do Estado, sugando-lhe até ao tutano, nutrindo-se com o alheio, acabando com a paciência dos pobres mortais.
São caracterizados pela mediocridade, especialistas em compadrio, no lambe-botismo e no por-baixo-do-pano. Pululam em todos os cargos possíveis e imagináveis. Colonizam juntas, câmaras, assembleias, ministérios ou qualquer lugar cujo concurso dependa da vontade de outro burocrata. Tomam decisões baseadas na mais pura e cristalina ignorância e a sua inépcia não tem limites.
Mas, apesar de tudo, os burocratas reinam. Eles estão lá, à nossa frente, ocupando os lugares cimeiros e cargos de chefia; colocados nos respectivos assentos por outros da sua espécie, perpetuando o ciclo vicioso e doentio.
Eles mandam em tudo. Aparecem na televisão sorridentes. Escapam incólumes às vãs tentativas de os eliminar. E, apesar da tremenda cara-de-pau, são ágeis, elásticos e esquivos.
Fala-se nas mortes pela SIDA, Tuberculose ou Malária mas, amigos, não há doença que mate mais que os burocratas. Eles são piores que o cancro, vão minando, insidiosos, até ao ponto do não retorno, e tudo depois é paliativo.
Por causa deles se morre de fome e de sede, não se constroem hospitais, escolas ou outras benfeitorias; eles decidem-se sempre pelo supérfluo, desde que lhes dê lucro.
São eles que encravam as engrenagens...
Os burocratas estão por todo o lado; sempre estiveram e, temo não errar por muito, sempre estarão, ou talvez não... quem sabe arranjamos uma droga eficaz ou, quem sabe, já a temos mas não usamos.

Imagens google
05 outubro 2012
A cigarra e a formiga
Em resposta ao desafio "o cair da folha" da "Fábrica de Letras":
A cigarra e a formiga
Na floresta encantada, andava feliz a cigarra a tocar o seu pífaro. O sol do verão ainda lhe
dava a energia necessária para saltar por todo o lado embalada pelo som
estridente do seu instrumento.
Um pouco cansada de tanta alegria e divertimento, a cigarra
aterrou num cogumelo, que nascera da humidade de uma chuvada estival, e ali ficou a descansar.
Enquanto recarregava as baterias ficou a observar a azáfama que
acontecia num formigueiro um pouco mais além. Via formigas a trabalhar
intensamente e, intrigada, pensou em dar um salto para conversar com uma delas.
“Olá, amiga. Tudo bem consigo?” – perguntou a cigarra.
“Olá. Desculpe, mas não tenho tempo para conversas” –
respondeu a formiga de forma ofegante.
“Êlá. Tenha calma, amiguinha, ou ainda tem um treco.
Descanse por uns segundos e fale comigo” – insistiu a cigarra.
“Já lhe disse que não posso. Vem aí o Outono e temos de
trabalhar para armazenar comida para o inverno!”.
“É por isso que trabalham tanto?”
“Claro. Porquê? Achava que era por diversão? A senhora anda
aí toda contente, veja lá se chega até ao próximo verão!”.
“Credo! Não agoure. Há muita comida. Veja a quantidade de
folhas nas árvores e plantas no chão. Vai ver que esse trabalho todo não é
necessário. Chega de estresse, cara amiga, toca a cantar e a dançar!”
E a cigarra, dum salto, desapareceu no meio da mata deixando para trás a
formiga estupefacta com tanta displicência.
O Outono chegou e passou num ápice, dando lugar a um dos Invernos mais intensos e rigorosos dos últimos tempos.
Quando a primavera chegou, as formigas voltaram a dar o ar
da sua graça e começaram a aventurar-se para fora do formigueiro. Lá fora ouviam-se os pássaros e cheiram-se os
diferentes odores das flores. Da cigarra nenhum sinal.
Chegado o verão o silêncio da cigarra mantinha-se. A formiga começou a preocupar-se e a
culpar-se da nebulosa profecia que fizera sobre o futuro da cigarra. Começou
por isso a indagar os outros insectos do bosque à procura de explicações para o
desaparecimento da cigarra.
Falou com a moscas-da-fruta que nada sabiam porque ainda
não eram nascidas no verão passado e, por isso não conheciam a cigarra.
Tentou com o escaravelho-do-estrume que disse não saber de
nada porque seu olfacto, visão e audição andavam, ultimamente, numa verdadeira bosta.
Conversou com o Louva-a-Deus que desconhecia qualquer
acontecimento mas que lhe garantiu uma oração para que a formiga encontrasse a
amiga.
Falou com um mosquito que, para além de não ter qualquer
informação útil, revelou-se uma verdadeira melga que não a largava.
Por fim, visitou a colmeia mais próxima. Lá conversou com
algumas abelhas. Elas lhe contaram o que sabiam. Tinham ouvido um “zum-zum”
qualquer sobre a história de uma malfadada cigarra que tinha sofrido um grave
acidente no Outono passado.
“O que aconteceu?” – perguntou, angustiada, a pequena
formiga.
“Bem, parece que a cigarra estava montada numa folha de uma
caducifólia em Outubro” – disse uma das abelhas – “ e, inesperadamente, terá
caído da planta juntamente com a folha e partido uma perna no embate com o chão”.
“Mas uma perna partida não é suficiente para matar uma
cigarra” – disse, intrigada, a formiga.
“Pois não. Tens toda a razão. No entanto, parece que a
cigarra ficou no chão durante algum tempo à espera do INEM, já que a ambulância
estava parada por falta de profissionais. Quando finalmente vieram buscá-la,
levaram-na para o hospital mais próximo. Chegando lá viram que as urgência
estavam fechadas pois este serviço tinha sido concentrado noutro hospital
alguns kms mais à frente. Nesse outro hospital foi confrontada com a taxa
moderadora; como a cigarra não trabalhava, não tinha dinheiro para pagar a taxa
e teve de deixar o pífaro como caução. No consultório foi observada por um
médico duma empresa de prestação de serviços. Esse médico, pouco motivado pelos
4€/hora e que mal falava português, pediu-lhe um Rx da perna que, apesar de demonstrar
uma fractura evidente, foi mal lido. A cigarra teve alta medicada apenas com um
analgésico genérico que lhe foi trocado na farmácia por um de uma marca indiana
desconhecida. Com o decorrer do tempo a
situação agravou-se e a perna da cigarra começou a ficar negra num claro sinal
de gangrena. Por fim, no decorrer do inverno, a tua amiga pereceu por
complicações devida a uma sépsis.”
“Jesus, que fim triste!” – disse a formiga, claramente
chocada com o desfecho da situação.
E, lá ao fundo, uma abelha conhecida pelo seu humor negro e em
jeito de provocação, manda uma chalaça:
“Pois é, a preguiçosa e obesa cigarra morreu ao cair da
folha!”
25 setembro 2012
A pacifista
A Anouc não se conforma!
É para ela os meus 5 minutos dedicados ao "memecreator", lol
Aceitam-se mais ideias.
É para ela os meus 5 minutos dedicados ao "memecreator", lol
Aceitam-se mais ideias.
23 setembro 2012
Culinária actual: receita anti-crise
Não sou o Jamie Oliver, não tenho o seu salário e o meu inglês é macarrónico. No entanto, com os ingredientes certos vou, por vezes, arriscando na cozinha.
Trago, por isso, uma nova receita que, neste tempo de crise, criei há alguns dias atrás.
Espero que gostem, que experimentem e que dêem o feedback do resultado.
À CAÇA:
Saia para caçar o Ma(is)cedo possível, na Assunção do dia, na Crista da manhã. Comece por procurar um gordo e suculento Coelho. Este pequeno mamífero costuma dar os seus primeiros Passos do dia nas Relvas frescas dos campos de São Bento.
Ao identificar o animal, caminhe cuidadosamente na sua direcção e, com um pesado Cavaco ou um Ferro antigo oxidado, lhe acerte um golpe Seguro nas têmporas.
Aguarde um momento até o bicho parar de estrebuchar e leve-o para a casa.
Nota: apesar da aparente violência, este é um prato ecológico, seguindo a tendência da nouvelle cuisine Verde.
O PREPARO:
Por ser uma animal selvagem, o Coelho deve ser limpo cuidadosamente. Dessa forma, coloque o corpo num balde com água a ferver para que lhe saiam os parasitas mais comuns desta espécie: piolhos, pulgas, deputados, jotinhas e secretários de estado.
Tal como qualquer roedor, também o Coelho tem a irritante tendência de deitar o dente a tudo que o rodeia. Com uma faca afiada (de preferência da marca que nos patrocina a todos - Troika), esventre o animal e retire os seus rendimentos que lhe foram roubados. Tome cuidado com a vesícula biliar: o chamado fel que retém é rica em substâncias amargas e tóxicas tal como bicarbonato de sódio, colesterol, mentiras e arrogância.
Com o animal perfeitamente preparado, retire-o do tacho em que se encontra e enfie directamente num forno qualquer dentro de uma nova Louçã. Não é necessário ser um forno industrial, aliás, nem é necessário ser num forno, pode ser numa pira ou mesmo num incêndio florestal.
O tempo de cozedura deve ser variável. Confie nos seus sentidos. Se começar a cheirar a esturro estará no ponto.
O ACOMPANHAMENTO:
Antes de servir o prato principal, deleite-se com um pires de frescos corruptos, acabadinhos de pescar no pântano da Assembleia.
O Coelho no tacho fica bem acompanhado com salada de Crato e pastéis de nata da pastelaria do Álvaro.
Para beber, pode escolher um vinho Aguiar-Branco, safra 2012, mas não exagere, Sóares desse vinho sob pena de ficar Alegre.
Para retirar o gosto Barroso do Coelho pode utilizar fatias de manga Rebelo.
É, por ser agridoce, melhor ser degustado no período de férias ou Natal.
À MESA:
Para manter a receita num ambiente rústico, construa a mesa com 2 cavaletes e duas Portas azul bebé.
Sirva o Coelho na Louçã sobre uma Cândida toalha tricotada pelas meninas das lojas da tradicional maçonaria.
Chame os seus amigos e, para mostrar gratidão pela peça de caça, faça uma prece a São Jerónimo. Sirva uma boa dose a cada um, mas cuidado: é preciso ter estômago para engolir esta Merkel.
Trago, por isso, uma nova receita que, neste tempo de crise, criei há alguns dias atrás.
Espero que gostem, que experimentem e que dêem o feedback do resultado.
Coelho no tacho
À CAÇA:
Saia para caçar o Ma(is)cedo possível, na Assunção do dia, na Crista da manhã. Comece por procurar um gordo e suculento Coelho. Este pequeno mamífero costuma dar os seus primeiros Passos do dia nas Relvas frescas dos campos de São Bento.
Ao identificar o animal, caminhe cuidadosamente na sua direcção e, com um pesado Cavaco ou um Ferro antigo oxidado, lhe acerte um golpe Seguro nas têmporas.
Aguarde um momento até o bicho parar de estrebuchar e leve-o para a casa.
Nota: apesar da aparente violência, este é um prato ecológico, seguindo a tendência da nouvelle cuisine Verde.
O PREPARO:
Por ser uma animal selvagem, o Coelho deve ser limpo cuidadosamente. Dessa forma, coloque o corpo num balde com água a ferver para que lhe saiam os parasitas mais comuns desta espécie: piolhos, pulgas, deputados, jotinhas e secretários de estado.
Tal como qualquer roedor, também o Coelho tem a irritante tendência de deitar o dente a tudo que o rodeia. Com uma faca afiada (de preferência da marca que nos patrocina a todos - Troika), esventre o animal e retire os seus rendimentos que lhe foram roubados. Tome cuidado com a vesícula biliar: o chamado fel que retém é rica em substâncias amargas e tóxicas tal como bicarbonato de sódio, colesterol, mentiras e arrogância.
Com o animal perfeitamente preparado, retire-o do tacho em que se encontra e enfie directamente num forno qualquer dentro de uma nova Louçã. Não é necessário ser um forno industrial, aliás, nem é necessário ser num forno, pode ser numa pira ou mesmo num incêndio florestal.
O tempo de cozedura deve ser variável. Confie nos seus sentidos. Se começar a cheirar a esturro estará no ponto.
O ACOMPANHAMENTO:
Antes de servir o prato principal, deleite-se com um pires de frescos corruptos, acabadinhos de pescar no pântano da Assembleia.
O Coelho no tacho fica bem acompanhado com salada de Crato e pastéis de nata da pastelaria do Álvaro.
Para beber, pode escolher um vinho Aguiar-Branco, safra 2012, mas não exagere, Sóares desse vinho sob pena de ficar Alegre.
Para retirar o gosto Barroso do Coelho pode utilizar fatias de manga Rebelo.
É, por ser agridoce, melhor ser degustado no período de férias ou Natal.
À MESA:
Para manter a receita num ambiente rústico, construa a mesa com 2 cavaletes e duas Portas azul bebé.
Sirva o Coelho na Louçã sobre uma Cândida toalha tricotada pelas meninas das lojas da tradicional maçonaria.
Chame os seus amigos e, para mostrar gratidão pela peça de caça, faça uma prece a São Jerónimo. Sirva uma boa dose a cada um, mas cuidado: é preciso ter estômago para engolir esta Merkel.
14 setembro 2012
Não, Macedo, isso foram coisas que te puseram na cabeça...
"Miguel Macedo: Situação política "raia a esquizofrenia" em alguns aspectos " in Negócios online
O Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, tal e qual qualquer bom psiquiatra, vem dizer que a situação política em portugal raia a esquizofrenia...
É... parece ser um bom diagnóstico, senão vejamos:
- Sinto-me realmente numa realidade alterada, diferente; num mundo surreal em que os intervenientes políticos falam em unicórnios orçamentais e esforços titânicos ou hercúleos, numa clara alusão à coisas fabulosas e mitológicas;
- Sinto-me deprimido, realmente, principalmente nas zonas dos bolsos das calças e das camisas, e na bolsa e na carteira;
- Sinto a tentativa de inserção de pensamentos estranhos, como por exemplo, o de que "todo este sacrifício é para o meu bem e o bem do meu país". Ouço-o vezes sem conta e, mesmo não acreditando nele, o torpor bloqueia-me as reacções;
- Roubam-me pensamentos de bem estar cada vez que se dirigem a mim na televisão; sim, porque é mesmo para mim: SÓ PARA MIM! Vejo os senhores a olharem nos meus olhos e a falarem comigo, dizendo que tenho de sofrer, sofrer mesmo muito, para que tudo passe, num delírio obsceno, incoerente e desconcertante;
- Tenho ideias de perseguição ao meu salário cada vez que vejo um ministro na televisão;
- Abordam-me pensamentos psicóticos de que, tudo isto que este "governo" faz, tem a clara intenção de destruir um povo e, consequentemente, um país inteiro e quiça o mundo e o universo;
- Tenho alucinações auditivas que me querem fazer crer que existe felicidade e esperança em trabalhar mais por menos dinheiro e menos qualidade de vida;
- Creio vivamente que vejo políticos na câmara de deputados ou na assembleia da república, interessados no bem estar do povo, o que é claramente uma alucinação visual;
- Sinto a apatia reinante nas gentes...
Mas, apesar de uma sintomatologia tão clara, resta-me uma pequena dúvida: serão alucinações olfativas o facto de, apesar de engomados, limpos e banhados em perfume caro, em carros luxuosos e vestidos com fatos de estilistas renomados, com dentes cândidos e luzidios, cada vez que me aproximo de um político, sentir sempre o mesmo cheiro intenso a estrume?
O Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, tal e qual qualquer bom psiquiatra, vem dizer que a situação política em portugal raia a esquizofrenia...
É... parece ser um bom diagnóstico, senão vejamos:
- Sinto-me realmente numa realidade alterada, diferente; num mundo surreal em que os intervenientes políticos falam em unicórnios orçamentais e esforços titânicos ou hercúleos, numa clara alusão à coisas fabulosas e mitológicas;
- Sinto-me deprimido, realmente, principalmente nas zonas dos bolsos das calças e das camisas, e na bolsa e na carteira;
- Sinto a tentativa de inserção de pensamentos estranhos, como por exemplo, o de que "todo este sacrifício é para o meu bem e o bem do meu país". Ouço-o vezes sem conta e, mesmo não acreditando nele, o torpor bloqueia-me as reacções;
- Roubam-me pensamentos de bem estar cada vez que se dirigem a mim na televisão; sim, porque é mesmo para mim: SÓ PARA MIM! Vejo os senhores a olharem nos meus olhos e a falarem comigo, dizendo que tenho de sofrer, sofrer mesmo muito, para que tudo passe, num delírio obsceno, incoerente e desconcertante;
- Tenho ideias de perseguição ao meu salário cada vez que vejo um ministro na televisão;
- Abordam-me pensamentos psicóticos de que, tudo isto que este "governo" faz, tem a clara intenção de destruir um povo e, consequentemente, um país inteiro e quiça o mundo e o universo;
- Tenho alucinações auditivas que me querem fazer crer que existe felicidade e esperança em trabalhar mais por menos dinheiro e menos qualidade de vida;
- Creio vivamente que vejo políticos na câmara de deputados ou na assembleia da república, interessados no bem estar do povo, o que é claramente uma alucinação visual;
- Sinto a apatia reinante nas gentes...
Mas, apesar de uma sintomatologia tão clara, resta-me uma pequena dúvida: serão alucinações olfativas o facto de, apesar de engomados, limpos e banhados em perfume caro, em carros luxuosos e vestidos com fatos de estilistas renomados, com dentes cândidos e luzidios, cada vez que me aproximo de um político, sentir sempre o mesmo cheiro intenso a estrume?
"- Miguel? Ó Miguel?! Não é o Seguro a voar ali no canto da sala?"
"- Cala-te, Miguel! Não vês que te faltam as gotinhas..."
09 setembro 2012
08 setembro 2012
Coragem
Portugal sempre foi um país de corajosos.
O infante a impor-se, os navegadores a atirarem-se ao desconhecido, expulsão de mouros, padeiras tresloucadas, entre muitos outros.
Sempre foi tradição nossa enfrentar perigos, desbravar fronteiras, ir onde ninguém foi, defender o que é nosso com unhas, dentes e fornos.
A nossa história tem guerras, tem conquistas, tem sangue e tem triunfos.
É óbvio que a coragem abunda nos genes lusos. Com essa carga genética temos coragem para enfrentar os problemas, dar a cara, procurar soluções no estrangeiro, sem medos ou hesitações.
Mas toda a regra tem excepções, correcto? E existem várias subjectividades na interpretação do termo "coragem". Vejo coragem em alpinistas que perdem extremidades do corpo ao tentar alcançar os pontos mais altos e assim tocar seus sonhos; vejo coragem no pescador a enfrentar intempéries em busca do sustento; há coragem no contingente luso nas missões da nato; coragem nos que querem desafiar dogmas; há coragem nos bombeiros, polícias, médicos e enfermeiros. Há coragem... mas também há fadiga.
Ouço comentadores político/económicos, após mais uma sentença à morte de outro mês de salário, que este governo tem coragem. Sorrio desconsertado! Que coragem existe em cortar salários? Que coragem está em manter cortes de pensões? Que coragem existe em proteger grandes interesses? O facto de um primeiro ministro, com um discurso pré-fabricado, dizendo aos mortos que serão novamente sacrificados à santa Tróika, em directo, sem pingo de vergonha, pode ser encarado como um acto de coragem? Que raio de gente corajosa é esta? Levar um país inteiro a miséria em nome de algo económico/mitológico é corajoso? Então e as PPP's, as Fundações, os Institutos, a GALP, EDP, os paraísos fiscais, não existe coragem para uma espetadela?
Realmente, "coragem" não terá o mesmo significado para mim. Coragem para mim será ver erguer-se, novamente, desta vez com vermelho sangue em vez de cravo, um povo cansado mas corajoso e cobrar, de uma vez por toda, esta infâmia sem fim.
Alguém que dê o mote...
Parafraseando o grande Cazuza:
"...Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para..."
O infante a impor-se, os navegadores a atirarem-se ao desconhecido, expulsão de mouros, padeiras tresloucadas, entre muitos outros.
Sempre foi tradição nossa enfrentar perigos, desbravar fronteiras, ir onde ninguém foi, defender o que é nosso com unhas, dentes e fornos.
A nossa história tem guerras, tem conquistas, tem sangue e tem triunfos.
É óbvio que a coragem abunda nos genes lusos. Com essa carga genética temos coragem para enfrentar os problemas, dar a cara, procurar soluções no estrangeiro, sem medos ou hesitações.
Mas toda a regra tem excepções, correcto? E existem várias subjectividades na interpretação do termo "coragem". Vejo coragem em alpinistas que perdem extremidades do corpo ao tentar alcançar os pontos mais altos e assim tocar seus sonhos; vejo coragem no pescador a enfrentar intempéries em busca do sustento; há coragem no contingente luso nas missões da nato; coragem nos que querem desafiar dogmas; há coragem nos bombeiros, polícias, médicos e enfermeiros. Há coragem... mas também há fadiga.
Ouço comentadores político/económicos, após mais uma sentença à morte de outro mês de salário, que este governo tem coragem. Sorrio desconsertado! Que coragem existe em cortar salários? Que coragem está em manter cortes de pensões? Que coragem existe em proteger grandes interesses? O facto de um primeiro ministro, com um discurso pré-fabricado, dizendo aos mortos que serão novamente sacrificados à santa Tróika, em directo, sem pingo de vergonha, pode ser encarado como um acto de coragem? Que raio de gente corajosa é esta? Levar um país inteiro a miséria em nome de algo económico/mitológico é corajoso? Então e as PPP's, as Fundações, os Institutos, a GALP, EDP, os paraísos fiscais, não existe coragem para uma espetadela?
Realmente, "coragem" não terá o mesmo significado para mim. Coragem para mim será ver erguer-se, novamente, desta vez com vermelho sangue em vez de cravo, um povo cansado mas corajoso e cobrar, de uma vez por toda, esta infâmia sem fim.
Alguém que dê o mote...
Parafraseando o grande Cazuza:
"...Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para..."
02 setembro 2012
01 setembro 2012
Carnegão
A todos os casais que, numa demonstração de carinho, amor e união, se entregam mutuamente aos prazeres da grotesca e asquerosa arte de espremer formações nodulares purulentas ou sebosas das mais diferentes e recônditas áreas dos seus untuosos corpos, em plena praia ou onde lhes dá mais jeito e a qualquer altura da noite ou do dia, a minha singela homenagem:
Fica também um sincero e amigável desejo: que um carnegão lhes vaze uma vista... ou duas.
Fica também um sincero e amigável desejo: que um carnegão lhes vaze uma vista... ou duas.
29 agosto 2012
O brasileiro de merda
Uma das minhas primeiras lembranças, talvez até mesmo a primeira, é de Março de 1978. Aos 3 anos de idade recordo-me de estar à janela de um McDonnell Douglas DC-10 a aterrar no aeroporto de Congonhas, mesmo no centro de São Paulo.
Em Terra de Santa Cruz passei toda a minha infância e de lá regressei, muito a contragosto, aos 18 anos.
Do Brasil trouxe as lembranças, a paixão pelo São Paulo F.C. ... e o sotaque.
Lembro-me que de 4 em 4 anos vínhamos a Portugal. Lembro-me da ansiedade da visita a terras lusas; ansiedade para rever a família, de comer uma sardinha a cavalo numa boa broa de milho e de participar nas festas da terra dos meus pais. Naquele tempo, ter sotaque brasileiro era um "must". Vinham ter connosco a falar balelas apenas para que respondêssemos com o doce sotaque da "Gabriela".
Ao longo dos tempos a magia do sotaque foi desaparecendo, culpa das novelas, culpa dos brasileiros que invadiram os restaurantes e consultórios dentários, culpa das brasileiras que ganharam a fama de destruidoras de lares (o que a minha irmã sofreu por causa do sotaque!).
E o sotaque é difícil de perder. Passados quase 20 anos do regresso, de anos em Coimbra, de lavagens compulsivas da língua, o sotaque permanece quase intacto. Não adianta enrolar a língua, ela volta para o abrasileirado.
Nunca tinha sentido qualquer problema por ter o estranho acento... até há poucos dias.
Noutro dia, numa jornada contínua de 16 horas de trabalho, após negar uma vontade a um utente cheio de direitos e de parcos deveres, fui presenteado com um sempre caloroso "brasileiro de merda"; frase dita mesmo ao lado da sua filha de 7 anos.
Fiquei a pensar naquela frase: "brasileiro de merda". Baseando-se no meu sotaque alguém quis diminuir-me ao insultar-me. Gente pobre de espírito e pequena em educação.Talvez um misto de frustração pela nega à veleidade sem sentido que tinha mais a decepção de ser eu a usar a bata branca e, por conseguinte, ter o poder da decisão.
Depois da raiva e do leve desejo homicida, a verdade é que achei piada e dei-lhe o que merecia: o meu silêncio e desprezo. Dei-lhe as minhas costas para que soubesse que o "brasileiro de merda" é que mandava e ele, coitado...
Mas confesso que tive vontade de lhe responder: "brasileiro de merda não sou não, meu senhor, mas sim: um verdadeiro português do caralho!"
Em Terra de Santa Cruz passei toda a minha infância e de lá regressei, muito a contragosto, aos 18 anos.
Do Brasil trouxe as lembranças, a paixão pelo São Paulo F.C. ... e o sotaque.
Lembro-me que de 4 em 4 anos vínhamos a Portugal. Lembro-me da ansiedade da visita a terras lusas; ansiedade para rever a família, de comer uma sardinha a cavalo numa boa broa de milho e de participar nas festas da terra dos meus pais. Naquele tempo, ter sotaque brasileiro era um "must". Vinham ter connosco a falar balelas apenas para que respondêssemos com o doce sotaque da "Gabriela".
Ao longo dos tempos a magia do sotaque foi desaparecendo, culpa das novelas, culpa dos brasileiros que invadiram os restaurantes e consultórios dentários, culpa das brasileiras que ganharam a fama de destruidoras de lares (o que a minha irmã sofreu por causa do sotaque!).
E o sotaque é difícil de perder. Passados quase 20 anos do regresso, de anos em Coimbra, de lavagens compulsivas da língua, o sotaque permanece quase intacto. Não adianta enrolar a língua, ela volta para o abrasileirado.
Nunca tinha sentido qualquer problema por ter o estranho acento... até há poucos dias.
Noutro dia, numa jornada contínua de 16 horas de trabalho, após negar uma vontade a um utente cheio de direitos e de parcos deveres, fui presenteado com um sempre caloroso "brasileiro de merda"; frase dita mesmo ao lado da sua filha de 7 anos.
Fiquei a pensar naquela frase: "brasileiro de merda". Baseando-se no meu sotaque alguém quis diminuir-me ao insultar-me. Gente pobre de espírito e pequena em educação.Talvez um misto de frustração pela nega à veleidade sem sentido que tinha mais a decepção de ser eu a usar a bata branca e, por conseguinte, ter o poder da decisão.
Depois da raiva e do leve desejo homicida, a verdade é que achei piada e dei-lhe o que merecia: o meu silêncio e desprezo. Dei-lhe as minhas costas para que soubesse que o "brasileiro de merda" é que mandava e ele, coitado...
Mas confesso que tive vontade de lhe responder: "brasileiro de merda não sou não, meu senhor, mas sim: um verdadeiro português do caralho!"
27 agosto 2012
Pai sofre XXVI: Férias em família ≠ de descanso
Quando se é solteiro ou quando, em casal, não se tem filhos, a malta vai de férias para descansar. Vai para a praia, “trabalha pró bronze”, mira as meninas em trajes (cada vez mais) pequenos, bebe uma mini na esplanada acompanhados de um pires de mariscos do Eusébio e vai tateando, aqui ou ali, peixes-aranha que calmamente adornam o fundo do mar gelado da nossa costa.
Essa malta “desgraçada” e despreocupada faz viagens de 3 horas bem andadas entre o Porto e o “Allgarve”, sem verdadeiras necessidades de parar em estações de serviço, viajam com o ar condicionado ligado no máximo e a ouvir a música que lhes apetece no volume que lhes dá na telha. Chegados ao “Marrocos lusitano”, o people abanca em casa, come qualquer coisa regada com um vinho rosé bem fresquinho e vai para o areal, sem guarda-sol, equipados com toalha e protector solar factor 12, às 3 da tarde. Levam um conjunto de entretenimento composto apenas por bola + raquetes + baralho de cartas. Ficam por lá, ora deitados, ora a jogar, ora dentro d’água, até, pelo menos, às 8 da noite, dependendo apenas da vontade e da metereologia.
Cambada de filhos da mãe!
Não é que eu seja invejoso, longe de mim, mas são uns ignorantes, esses tipos!
Ignoram que, com crianças, a viagem demora o dobro do tempo e vai se conhecendo as pitorescas decorações das casas-de-banho das autoestradas. Ignoram que se deve ter uma temperatura amena na viatura e que as escolhas musicais estão feitas antes do carro arrancar e não vão além daquele cd infantil que a cria já canta com grande à vontade, tal o número de "repeats". Ignoram que a palavra “esplanada” deixou, subitamente, de constar no dicionário e que “minis” se refere aos ditadores cá de casa. Quanto à arte de “ir à praia”, eles ignoram que se tem de acordar às 8 da matina (sim, essa hora existe, mesmo em Agosto) para apanhar o tempo mais fresquinho mas que só às 9:30 se está mesmo pronto para arrancar. Ignoram que, ao chegar à praia, se tem de descarregar tudo o que a mala pôde transportar, mais a mulher e as crianças, e depois andar à procura de lugar para estacionar a carroça, lugar esse que dista, quase sempre, entre 5 a 10 minutos do areal. Ignoram que o material de veraneio deve incluir uma mala com toalhas, fraldas (do mais pequeno), conjuntos de roupa, garrafas e biberões d’água, mais uma outra sacola que albergue moinhos, pás, baldes, figuras alusivas a moluscos ou artrópodes marinhos entre outros entretenimentos infantis e que, no seu conjunto, pesam sempre uma tonelada cada (produto do peso real pelo calor abrasador que já se faz sentir). Ignoram que as toalhas dos adultos não servem para descanso já que se passa pouco tempo lá deitado. Ignoram a vida para além do factor 12 de protecção solar e a existência da arte do “besuntar” dos pupilos até que fiquem brancos "albino-like". Ignoram que a maltinha só pode ir à água acoplados à nossa mão e sob a protecção de uma camisola e de um “sombrero” mexicano. Ignoram que parece existir uma estranha atracção entre a areia e a boca de um bebé. Ignoram que a praia deve ser o único lugar onde “filho” não traz sex appeal. Ignoram que às 11 horas da manhã são horas em que se devia sair da praia. Ignoram que pedir aos pimpolhos para que não sujem o carro com areia é uma utopia. Ignoram que apenas se pode voltar à praia às 5:30 da tarde para que tudo recomece… e tudo isso obedecendo à tirana vontade dos pequenitos.
No entanto, às 5:30 da tarde, sob um tempo mais ameno e uma maré mais baixa, quando brinco com os miúdos a fazer castelos de areia ou corro atrás da mais velha enquanto esta ri como uma desalmada na esperança vã de que não a alcance; e molho os seus pequenos pés à beira mar e os seus cabelos com um balde cheio d’água acabada de “colher”; e caminho ao lado do pequeno que cambaleia sobre a areia fresca mais a sua fralda inchada da água salgada ao mesmo tempo que aponta para uma gaivota mais atrevida que pousa mesmo a 2 metros de nós; e sento com os dois mais a mamã, com os corpos a colar, salgados e cheios de areia, a observar um pôr-do-sol vermelho do verão, lá bem longe no horizonte, com a sonoplastia da mãe natureza, qual dj, rodopiando doces ondas numa praia agora mais calma; acabo por pensar que, afinal, e apesar da tremenda canseira que tudo isso acarreta, os que vivem na ignorância não sabem o que perdem.
Essa malta “desgraçada” e despreocupada faz viagens de 3 horas bem andadas entre o Porto e o “Allgarve”, sem verdadeiras necessidades de parar em estações de serviço, viajam com o ar condicionado ligado no máximo e a ouvir a música que lhes apetece no volume que lhes dá na telha. Chegados ao “Marrocos lusitano”, o people abanca em casa, come qualquer coisa regada com um vinho rosé bem fresquinho e vai para o areal, sem guarda-sol, equipados com toalha e protector solar factor 12, às 3 da tarde. Levam um conjunto de entretenimento composto apenas por bola + raquetes + baralho de cartas. Ficam por lá, ora deitados, ora a jogar, ora dentro d’água, até, pelo menos, às 8 da noite, dependendo apenas da vontade e da metereologia.
Cambada de filhos da mãe!
Não é que eu seja invejoso, longe de mim, mas são uns ignorantes, esses tipos!
Ignoram que, com crianças, a viagem demora o dobro do tempo e vai se conhecendo as pitorescas decorações das casas-de-banho das autoestradas. Ignoram que se deve ter uma temperatura amena na viatura e que as escolhas musicais estão feitas antes do carro arrancar e não vão além daquele cd infantil que a cria já canta com grande à vontade, tal o número de "repeats". Ignoram que a palavra “esplanada” deixou, subitamente, de constar no dicionário e que “minis” se refere aos ditadores cá de casa. Quanto à arte de “ir à praia”, eles ignoram que se tem de acordar às 8 da matina (sim, essa hora existe, mesmo em Agosto) para apanhar o tempo mais fresquinho mas que só às 9:30 se está mesmo pronto para arrancar. Ignoram que, ao chegar à praia, se tem de descarregar tudo o que a mala pôde transportar, mais a mulher e as crianças, e depois andar à procura de lugar para estacionar a carroça, lugar esse que dista, quase sempre, entre 5 a 10 minutos do areal. Ignoram que o material de veraneio deve incluir uma mala com toalhas, fraldas (do mais pequeno), conjuntos de roupa, garrafas e biberões d’água, mais uma outra sacola que albergue moinhos, pás, baldes, figuras alusivas a moluscos ou artrópodes marinhos entre outros entretenimentos infantis e que, no seu conjunto, pesam sempre uma tonelada cada (produto do peso real pelo calor abrasador que já se faz sentir). Ignoram que as toalhas dos adultos não servem para descanso já que se passa pouco tempo lá deitado. Ignoram a vida para além do factor 12 de protecção solar e a existência da arte do “besuntar” dos pupilos até que fiquem brancos "albino-like". Ignoram que a maltinha só pode ir à água acoplados à nossa mão e sob a protecção de uma camisola e de um “sombrero” mexicano. Ignoram que parece existir uma estranha atracção entre a areia e a boca de um bebé. Ignoram que a praia deve ser o único lugar onde “filho” não traz sex appeal. Ignoram que às 11 horas da manhã são horas em que se devia sair da praia. Ignoram que pedir aos pimpolhos para que não sujem o carro com areia é uma utopia. Ignoram que apenas se pode voltar à praia às 5:30 da tarde para que tudo recomece… e tudo isso obedecendo à tirana vontade dos pequenitos.
No entanto, às 5:30 da tarde, sob um tempo mais ameno e uma maré mais baixa, quando brinco com os miúdos a fazer castelos de areia ou corro atrás da mais velha enquanto esta ri como uma desalmada na esperança vã de que não a alcance; e molho os seus pequenos pés à beira mar e os seus cabelos com um balde cheio d’água acabada de “colher”; e caminho ao lado do pequeno que cambaleia sobre a areia fresca mais a sua fralda inchada da água salgada ao mesmo tempo que aponta para uma gaivota mais atrevida que pousa mesmo a 2 metros de nós; e sento com os dois mais a mamã, com os corpos a colar, salgados e cheios de areia, a observar um pôr-do-sol vermelho do verão, lá bem longe no horizonte, com a sonoplastia da mãe natureza, qual dj, rodopiando doces ondas numa praia agora mais calma; acabo por pensar que, afinal, e apesar da tremenda canseira que tudo isso acarreta, os que vivem na ignorância não sabem o que perdem.
Alvor
13 agosto 2012
Um sorriso bem disposto contra a crise
Dizem que o país está em crise.
Parece-me ser verdade.
Quando observo as incontáveis fábricas e empresas da terra, quase centenárias, de construção civil, de moldes, de vidro, que se fecham atirando para a rua seus devotos funcionários, vejo a crise a chegar.
Quando ando pela parte antiga da minha capital de distrito e observo o elevado número de lojas abandonadas - lojas que conhecia desde a longínqua infância e que tratava os donos com a amizade de um cliente fiél - verifico que a crise assentou arraiais.
Quando vislumbro placas da Remax a ornamentar quase por completo a fachada de inúmeros prédios, sinto que a crise está presente tal entidade paranormal.
Quando vejo a fila de pessoas à porta do IEFP mendigando uma oportunidade, apercebo-me da força da crise. Quando se fecham as portas aos jovens com formação universitária e aos menos jovens com formação "da lide dura da vida", vislumbro-a e temo-a.
Quando vejo os números, as progressões, as estimativas e os medos dos mercados, filhos mal paridos do ventre de putas economistas com chulos agiotas e/ou especuladores, vejo a famigerada a crescer.
Em tudo isso vejo a crise mas é com prazer que, aqui e ali, vemos gente a sorrir, lutando contra a crise. A crise a eles não afecta porque sabem, ou souberam, como lidar com ela. Para estes empreendedores não existe conjuntura que lhes faça frente, que lhes meta medo, que lhes cause mossa. São imunes porque souberam ver mais longe, foram astutos e precavidos. Agora sorriem enquanto a maioria chora ou, pelos menos, resmunga/geme.
Meus parabéns a estes exemplares portugueses e um bem haja pela alegria do seu sorriso aberto e verdadeiro.
Ministerio da Defesa Nacional
Cargo: Adjunto
Nome: João Miguel Saraiva Annes – PSD
Idade:28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.183,63 €
Parece-me ser verdade.
Quando observo as incontáveis fábricas e empresas da terra, quase centenárias, de construção civil, de moldes, de vidro, que se fecham atirando para a rua seus devotos funcionários, vejo a crise a chegar.
Quando ando pela parte antiga da minha capital de distrito e observo o elevado número de lojas abandonadas - lojas que conhecia desde a longínqua infância e que tratava os donos com a amizade de um cliente fiél - verifico que a crise assentou arraiais.
Quando vislumbro placas da Remax a ornamentar quase por completo a fachada de inúmeros prédios, sinto que a crise está presente tal entidade paranormal.
Quando vejo a fila de pessoas à porta do IEFP mendigando uma oportunidade, apercebo-me da força da crise. Quando se fecham as portas aos jovens com formação universitária e aos menos jovens com formação "da lide dura da vida", vislumbro-a e temo-a.
Quando vejo os números, as progressões, as estimativas e os medos dos mercados, filhos mal paridos do ventre de putas economistas com chulos agiotas e/ou especuladores, vejo a famigerada a crescer.
Em tudo isso vejo a crise mas é com prazer que, aqui e ali, vemos gente a sorrir, lutando contra a crise. A crise a eles não afecta porque sabem, ou souberam, como lidar com ela. Para estes empreendedores não existe conjuntura que lhes faça frente, que lhes meta medo, que lhes cause mossa. São imunes porque souberam ver mais longe, foram astutos e precavidos. Agora sorriem enquanto a maioria chora ou, pelos menos, resmunga/geme.
Meus parabéns a estes exemplares portugueses e um bem haja pela alegria do seu sorriso aberto e verdadeiro.
Ministerio da Defesa Nacional
Cargo: Adjunto
Nome: João Miguel Saraiva Annes – PSD
Idade:28 anos
Vencimento Mensal Bruto: 5.183,63 €
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