No nosso país parece haver um culto ao carro. Típico de países atrasados, em Portugal quem tem um bom carro parece estar envolto num halo de status vindo sabe-se lá de onde ou porquê. Muitas pessoas geram opiniões sobre outrem baseadas na viatura conduzida pelo vizinho. A pessoa pode ser a maior vadia, mau carácter, desprezível, mas, se tiver um bom automóvel, já deve valer alguma coisa. Isso pode explicar o facto de os tugas comprarem todo o lixo que os alemães já não querem.
Vou ser claro: eu receio e odeio os Mercedes-Benz 190 ® e afins que encontro na estrada!Recear porquê? Porquê, na maior parte, são conduzidos ou por velhotes, que mal se podem mexer, ou por putos que querem um Mercedes® para impressionar. Odiar porquê? São feios, velhos, poluentes; odeio-os principalmente porque põem a nu uma faceta da sociedade que me chateia, aquela em que "não é preciso ser, é preciso parecer". Ficam convencidos que, comprando esses trambolhos sobre rodas, passam a pertencer a uma elite qualquer.
Um 190 na estrada é sinónimo de grandes filas e de infracções ao código. Daí que, quando vou atrás de um no IC2, dou uma distância de segurança: 1º porque representam um perigo à segurança dos outros condutores; 2º porque não quero ficar intoxicado com o fumo; 3º porquê são horríveis;
Para além disso, o facto de um fulano conduzir um Mercedes® não invalida que o mesmos deixe de ser uma besta. Já os vi cavalgados nas bermas, em segunda fila, a ultrapassar pela direita ou a pisar riscos contínuos, a esbracejar e esbravejar com tudo e com todos e por tudo e por nada. Parece que educação e civismo, na maioria dos casos, não faz parte do equipamento de série...
Mas a culpa não é da Mercedes®. A marca apenas fabrica os carros. A culpa é de uma sociedade que julga os outros pelo que têm, pelo que veste, pelo que aparenta... triste comunidade motorizada.
No entanto, há oásis nesse deserto de mediocridade. Não sei se já escrevi aqui, mas há pouco tempo ouvi um jovem colega meu proferir uma das frases mais simples e bonitas que ouvi nos últimos tempos. Dizia ele que gostava de ter 5 filhos. Falei do meu espanto, de que não é normal hoje em dia o desejo de famílias numerosas e das dificuldades económicas que as pessoas referem para criar um filho. O meu amigo, de forma muito calma e singela, respondeu: "se não puder ter um Mercedes® tenho um Renault Clio®".
Valha-nos esses que nos "enxergam" para além da nossa embalagem e nos julgam pela nossa alma.








Sua poesia perdura e impulsiona milhares a escrever; é possível, nas viagens pela blogosfera, ver excertos das suas obras a "adornar" templates vários.













