05 agosto 2011

Fugir por amor...

Para o tema "Fugir" da Fábrica de Letras:



Fugir por amor

“Vamos fugir deste lugar, baby, vamos fugir”
“Não posso, sabes bem”
“Mas porquê? Pela tua família? Pelos teus amigos? Pela tua boa vida?”
“É por tudo, amor. Não posso abdicar das coisas que tenho em casa. Se for contigo tenho que me virar sozinha, certo?”
“Não sejas tonta, querida, eu trabalho para ti. E se as coisas não correrem bem, viveremos de amor!”
“És um romântico… e também um grandessíssimo pateta! Amor não enche barriga, ok? Tu és um “D. Juan” que só me quer saltar para as cuecas!!!”
“Se pelo menos usasses umas…”
“És mesmo tonto”
“Anda lá, ninguém vai sentir a tua falta. Eu sei do que falo. Já vivi em muitos lugares e ninguém quis saber. Já me fui embora inúmeras vezes e ninguém me chamou de volta.”
“Mas tu sempre foste um solitário. Talvez não percebas o valor de uma família. A minha não é assim, tá bem? Nunca me abandonaria! E eu não sou capaz de o fazer. A minha família sempre fez e faria tudo por mim."
“Mas só eu te dou amor. Só eu sei fazer o quê e como tu gostas, não é verdade, minha coisita fofa?”
“Pára lá com isso… não mexas aí… ui… OK! O que tens em mente?”
“Hoje, pela meia-noite , venho buscar-te e…”

Na manhã seguinte, a menina foi até a porta de casa e gritou pela sua cadelita. Insistiu muitas vezes naquele dia e nos seguintes sem nunca obter resposta.
A menina, a sofrer, chorou durante muito tempo até ouvir a bonita história da pequena caniche que foi seduzida por um rafeiro e que se foi embora por amor... coisas de pai para apaziguar coraçõeszitos inocentes.


04 agosto 2011

Pontaria

Hoje, durante a minha estadia nas instalações de uma superfície comercial, apareceu-me, assim de repente, uma vontade incontrolável de mictar.
É estranho como, nesses momentos de sobressalto, vamos confirmando informações que vão surgindo aqui e ali.

Passo a explicar:
Li há já algum tempo, numa revista qualquer, que a altura média da população portuguesa tem vindo a aumentar. Parece que a dos rapazes se encontra actualmente nos 174cm, ultrapassando, por exemplo, a média dos rapazes espanhóis (um aparte).

Voltando àquela ida para resolver necessidades fisiológicas.
Quando me dirigi ao sanitário mais próximo verifiquei que, mesmo estando um pouco acima daquela média de altura, necessitava de ficar em bicos dos pés para acertar no interior do urinol.
Fiquei espantado com o facto da nossa sociedade estar atenta à ciência e com a rapidez com se adapta aos novos desafios que se lhe impõem: já aumentaram a altura da porra dos urinóis?! Tem agora um gajo que se esticar todo para não roçagar os tim-tins na porcelana, caraças! E quem não alcança o alvo compra uma escada? Faz exercícios pélvicos? Resolve o problema no lavatório?

Ai, os arquitectos vanguardistas...

02 agosto 2011

Investimento

Se tivesse ganho o gigantesco jackpot do euromilhões (lembram, 182000000€?!), também eu tinha ido atrás da barganha/pechincha BPN.

E parafraseando o Bloco nesta matéria:


01 agosto 2011

Pai sofre XXII: da tróica?


Como escrevi há alguns "posts" atrás, minha mais-que-tudo tinha a ideia de que durante 1 mês pós-parto não haveria furunfunfada para ninguém e assim mais valia rezar para complementar o celibato.
No entanto, parece que lhe foi dito, por uma minha colega Obstetra/ginecologista, que, afinal, o período de aridez copuladora deverá ser não inferior a 1 mês e meio!!!
Tudo bem que ela é especialista em vaginas e eu apenas apreciador/admirador, mas 45 dias? Até o dilúvio teve menos tempo!

Num dia em que a malta reclama que os transportes aumentaram até 25%, o que vou eu dizer quando o aumento do tempo de sexo unipessoal aumentou em 50%!!!

Olhem para mim dentro de mês e meio:



Um post a roçar o gay * e carregado de estereótipos

Dentro da maternidade, passei por dois gajos das obras vestidos com coletes e que carregavam caixas de ferramentas. Eram ambos grandes e carecas.
Depois de os ver apanhei-me a cantarolar "I'm too sexy for my love...", o que me soou algo estranho.



Depois vi uma enfermeira jeitosa e fiquei mais descansado...



*sem trocadilhos, ok?

31 julho 2011

Pai sofre XXI: Na maternidade

Com a minha senhora internada, de recobro da cesariana, lá vai o papá para a maternidade.
Como a visita do pai decorre das 12:00 às 20:30, ficam mais de 8 horas para preencher. Não me interpretem mal, mas o meu pequeno "pilas", neste momento, só obedece a um plano: dorme/come/caga e não exactamente por essa ordem, sendo que a parte "dormir" é a que demora mais tempo. Dessa forma, há sempre "coisas" que vão chamando atenção.

No quarto da minha madame estão mais 3 bebés e, no meio do mesmo, incrustada na parede, jaz uma televisão. Como lá manda a puta da democracia, todos vemos o canal da maioria. Nos 2 primeiros dias a TV esteve na SIC, ou como costumo chamar "televisão doentia", e tive que levar com a Ana Marques e Cia ilimitada (Cláudio Ramos incluído!).
No entanto, hoje lá mudaram para o primeiro canal da RTP. Não é que eu estivesse a ligar muito para o que estava a dar na televisão, mas não pude deixar de ficar estúpido de facto com algumas "músicas" do Top +. Primeiro de tudo as famigeradas musiquinhas infantis, várias vezes comentadas neste blogue nos últimos 2 anos; depois uma tal de Rosinha que põem uma minhoca numa vara qualquer; por fim, e antes que eu perdesse os sentidos, um tal de Leandro com isto:



Parti-me a rir quase instantaneamente:
"Fuuoooda-se", pensei logo, "uma canção sobre a morte da mãe a passar numa maternidade? Isto só pode ser o cúmulo da ironia!!!"

O tempo assim até passa mais depressa e amanhã o meu menino vem para casa, finalmente!

29 julho 2011

Pai sofre XX: Sequelas

O meu miúdo já estava vestido e eu estava a apresentá-lo à mamã quando a obstetra sai-se com:
"Pronto, como foi cesariana, dentro de dois anos voltam pelo terceiro"
"Como?" digo eu espantado.
"Foi cesariana e..."
"Não é isso. Essa parte do "não sei quê do terceiro"

Vamos fazer uma analogia.
O "Tubarão" foi bom. O "Tubarão 2" também foi. Os outros "tubarões" eram escusados. Os dois primeiros "Back to the future" foram espectaculares, já o 3
º: nhec, foi bonzito, vá.
Ninguém disse que isto seria uma trilogia, ok! Eu não sou o George Lucas a tentar esticar ideias. Isto cá em casa não é Hollywood e a minha holy wood já não trabalha para estes resultados!
Citando o sábio povo: "um é bom, 2 é óptimo, 3 e as coisas come
çam a ficar apertadas".


28 julho 2011

Filho

Na minha prepotência dos 30 e tais, com a certeza de que tinha certeza de tudo, vieste tu, meu filho, mostrar-me que, afinal, ainda tenho muito, mesmo muito, o que aprender.
Tu que és tão pequenino e frágil, vieste mostrar-me o que enfim sou: mais pequenino do que tu.
Quem sabe tudo? Quem conhece todos os segredos do mundo? Não sou eu, ora bolas, é essa a verdade.
Tu que és puro e limpo, com esses olhos, que pouco vêem mas tanto mostram, abriste os meus e os lavaste em água salgada.
Mal te ouvi, ainda no ventre da tua mãe, vi logo as minhas imperfeições, e ao pegar em ti, pedaçinho de gente, vi o quanto eu também tenho de crescer.
Ah, pequeno, quanto tempo esperei por ti em ansiedade; quanta vontade tinha de te conhecer e ver, reflectido em ti, o fruto do amor destes teus pais apaixonados.
E assim, filho, este teu, pensava ele, sábio pai, viu-se num mundo novo; num mundo onde tu passas a ser rei depondo o velho sabichão: o que tinha a certeza de tudo ter certeza e, vê bem miúdo, que pensava que a felicidade e o amor tinham limites...

Sê bem-vindo que tenho muito a aprender contigo.


25 julho 2011

Os princípios


"No princípio criou Deus os céus e a terra" Gênesis 1

Deus estava presente naquele princípio, mas um dia criou os portugueses. Esses criaram outros princípios:
"Eu tive um princípio de AVC..."
"O meu pai tem princípio de diabetes."
"Estou com tosse, deve ser princípio de pneumonia."
"Há alguns tempos tive um princípio de depressão."
E etc, etc.
Quando falam isso digo logo que não vale a pena tratamento porque só conseguimos tratar doenças estabelecidas.

Agora percebo porque deveria conhecer melhor o Harrison...



23 julho 2011

Sangue frio

Há quem diga que um profissional de saúde deve ter sangue frio. Sangue frio para aguentar as agruras do dia-a-dia, as misérias, as doenças, a violência das imagens, do sangue e das vísceras expostas.
Eu acho que não. Na minha mui humilde opinião, um profissional de saúde deve ter sangue frio para aguentar firme e hirto quando ouve, a meio de um discurso de queixas, coisas como: "constipação nos ossos", "fumador invertebrado", "estreptocópus", "quero um electrocardiograma à coluna", entre muitas outras coisas bonitas.
Por vezes não é fácil e confesso que já me parti a rir duma tirada dessas
... um gajo não é de ferro, pá!!!


21 julho 2011

Pai sofre XIX: A gravidez ou o sertão sexual

Há alguns dias, durante um zapping, parei no canal Hollywood e fiquei a ver o filme “Um azar do caraças”. A história girava em torno de uma casal de pessoas completamente diferentes que, podres de bêbados, têm uma noite daquelas. Passado um tempo descobrem que a moça engravidou, e patati, patatá, pardais ao ninho.
O que me faz escrever este texto é o facto de existir uma cena nesse filme que tentava retractar o acto sexual durante a gravidez. Nessa cena, o futu
ro pai não conseguia continuar o “bem bom” porque, apesar da moça ser bem jeitosa e estar super “horny”, não deixava de pensar que podia acertar na testa ou outras partes do bebé e que o seu bacamarte não deveria ser a primeira imagem que o filho veria (aliás, um pensamento muitíssimo sensato!).

Ao ver aquela cena não pude deixar de lhe achar piada, mas ao mesmo tempo pensei: “pelo menos estás a tentar!”

Na gravidez “o amor” é um bicho estranho, realmente. Para quem não tem fetiche por grávidas é algo esquisito. Dependendo da idade gestacional é difí
cil e quase acrobático. Um fulano tem de ter destreza física e capacidade mental para a empreitada.
Isso se houver alguma hipótese de existir qualquer coisa desse género e é esse o tema deste texto: a seca.

Na primeira viagem pelas terras dos “9 meses” tinha um amigo que, no gozo, elogiava a massa muscular do meu braço direito. Eu perguntava-lhe “êpá, é assim tão evidente?”, ao que me respondia: “já fui pai duas vezes, não te esqueças…”
Não serão bem 9 meses de seca, há que descontar as seman
as da ignorância e o tempo até à primeira ecografia: depois de ser ver aquela coisinha no ecrã um fulano olha pró material das moças de outra forma! É todo um mundo que se fecha…

E é justamente nessa altura do querer e não poder que vem à baila o tão famoso ditado do “proibido é mais apetecível” e essas merdas. Um gajo, que normalmente já quer, quer ainda mais! Parece sacanagem, querer sacanagem e não poder.
“Pode sim, caraças. Eu sei que não há problema! Vai, foca-te” e até se hasteia uma bandeira aqui, outra ali, mas não há terra para se encravar (ou até há mas está em pousio).

O tempo vai passando, a sede aumentando...
Começa-se a achar interessante toda e qualquer tipo de pele exposta. Chega-se ao verão e as saias atormentam. Vai-se à praia e é um martírio. Vê-se o fashion TV e o preço certo com certa frequência e não se sabe bem porquê. Ai, ensandece-se qualquer coisita...
Começa a ser constrangedora a “insustentável leveza do ser”.

Agora, mesmo, mesmo no finalzito, com o filhote quase a rebentar, depois de todo o sofrimento e de auto-contemplação e satisfação, da subida da direita ao poder, ouço uma frase aterradora: “já se sabe como é: no primeiro mês não há nada!”


É paradoxal um acto sexual vir a dificultar (ou impedir) a realização de outros-que-tais subsequentes. Talvez possa ser chamado de “sexo empata fodas”.




18 julho 2011

Maus caminhos

Não sei porquê, mas a maioria dos blogs que visito frequentemente tem aquele aviso do blogger sobre conteúdos impróprios.
Parece que os mesmos surgem após alguém, mais susceptível, queixar-se ao todo poderoso virtual sobre os malandrecos autores das respectivas páginas.
Leva-me a pensar que este mundo está inundado de gente hipócrita e "queixinhas"!
Deixai-os publicitar ideias, caraças! Deixai-os mostrar pachachas, piças e o acto do amor! Deixa fluir textos ordinários, obscenos e plenos de caralhadas lusitanas!
Cambada de falsos beatos e puritanos!

Aos delatorezitos que por aí andam, virgens de ouvidos e olhos, levai ( e deixo vossa imaginação fluir...)



PS: não se espantem se amanhã também tiver aquela tartufa mensagem antes de adentrarem o meu estaminé.

17 julho 2011

A confissão

Para o desafio "Segredo" da Fábrica de Letras:


A confissão

Maria sentiu o telemóvel a vibrar no bolso apertado da calça de ganga. Estava no silêncio, não queria chamar a atenção a meio da aula. Retirou com grande discrição o aparelho e não conteve um sorriso assustado ao ler o que continha a missiva electrónica:
“Maria, estou há algum tempo para te dizer algo que só pode ser dito pessoalmente. Um segredo que não posso mais esconder. Se puderes, vem ter comigo ao nosso lugar depois das aulas. Bj. Marco”.

Marco era o melhor amigo de Maria. Era “apenas” o melhor amigo porque Maria ainda não tinha tido coragem de lhe dizer que o queria de outra maneira. Duma maneira como nunca quis ninguém. Queria-o muito para além da amizade, muito para além do abraço e do beijo fraterno na face.

Enquanto caminhava apressada para casa, conjecturou inúmeros cenários para a tão esperada revelação. “Será que esse segredo é o que eu penso?” , pensava. Imaginou o amigo de joelhos a confessar o quão difícil foi criar coragem para lhe dizer que a amava e a dificuldade de esconder tal sentimento. Imaginava “Nothingman” a tocar ao fundo e o sol a esconder-se por trás dos montes que se vêem de onde se costumam encontrar. De tanto antecipar a cena nem deu por ter chegado à sua casa.

Foi ter com a sua irmã gémea, Laura. Mostrou-lhe a mensagem como que desvendando o terceiro segredo de Fátima. Laura ficou boquiaberta, mirou Maria nos olhos e abraçou-a. Ao saltos no meio do quarto pareciam duas tontas do tempo do liceu quando bastava um olhar do menino bonito da turma para perderem as estribeiras.
Laura dizia repetidamente “o que é que eu te disse? Não te tinha dito? Eu sabia, eu sabia!”. Riram-se desalmadamente, conversaram em algazarra, de tal forma que toda aquela maluqueira chamou a atenção dos seus pais.

“O que combinaste com ele”, perguntou Laura.
“Vamos encontrar-nos na encosta”.
“Oh, man”, suspirou, “vai ser uma cena digna de um bom filme meloso”.
“Estás é com inveja” e mostrou-lhe a língua.
“Maria, quem não estaria? O homem é tão jeitoso!”.
“O que visto para esta ocasião?”.
“Vais sexy e irresistível, mana!” disse Laura enquanto corriam para o roupeiro do quarto de Maria.
Depois de uma curta procura, encontraram um vestido que concordaram adequar-se à situação.
Laura penteou a irmã, aplicou umas mistelas coloridas na sua face e ajudou-a a maquilhar-se.
Depois de algum tempo Maria pousou para si própria à frente do espelho: estava linda… ainda mais.

Como combinado, Maria foi ter com Marco à encosta que fizeram seu ponto de encontro. Naquele lugar já lhes tinham corrido litros de saliva em longas conversas e cantigas de escárnio. Foram cúmplices de vários crimes de difamação e, s
e aquele lugar pudesse falar, teriam muito com que se preocupar.
Marco já lá estava. Visivelmente nervoso, olhou para ela e soltou um “uau” prolongado e com vários pontos de exclamação.
Ela sorriu… e corou.

Depois de um curto período para se acomodarem nos devidos lugares, Marco começou a conversa libertando uma voz estranha e tremida:
“Maria, já deves imaginar porque te chamei cá”.
“Imagino” respondeu Maria prontamente.
“Não sei por onde começar. Juro não ter sido a minha intenção, mas aconteceu sem me aperceber e agora estou assim: numa encruzilhada. Sabes que eu gosto muito de ti, que és a minha melhor amiga e que não podia te esconder nada”.
“Sim, Marco. Eu compreendo…” dizia sôfrega.
“Deixa-me falar ou passa-me a coragem. Maria, vou contar-te meu segredo, vou confessar-me…”
“Diz-me, Marco”.
“Maria, estou apaixonado!”
E os olhos da moça humedeceram-se…

Maria chegou à casa lívida e visivelmente perturbada. A irmã, que a esperava “em pulgas”, ficou preocupada com o estado da moça.
“Maria, o que se passa? Porquê estás assim? Diz-me, mana, diz-me!”
Maria então chorou. Deu um abraço tão apertado à Laura que conseguia sentir o seu coração assustado.
“Sabes que eu amo-te profundamente, Laura” e, olhando-a profundamente nos olhos, completou “e o que se passou é que o Marco também…”


06 julho 2011

Férias sem net


Alguns dias passados em Santa Cruz (Torres Vedras) sem net, apenas o mar, o vento, algum sol e (o mais importante) a família, foram responsáveis pelo entupimento da minha conta de mail, pelo vazio criativo neste espaço e pela recarga das minhas baterias (que já estão a ficar viciadas e cada vez aguentam menos...)


E segunda-feira é logo ali (suspiro)...

13 junho 2011

Fernando, a Pessoa

Há 123 anos nascia um dos maiores poetas da língua portuguesa: Fernando Pessoa. Com ele, nasceram também várias outras Pessoas que o Fernando foi desvendando na sua obra intemporal.
Tal é a sua importância para as 2letras" que a Google resolveu homenageá-lo, no seu motor de busca, com esta imagem:

Sua poesia perdura e impulsiona milhares a escrever; é possível, nas viagens pela blogosfera, ver excertos das suas obras a "adornar" templates vários.


Quem me dera escrever "coisas" como esta:


O Infante


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!



E que deu origem a "isto":


Ou "isto":

05 junho 2011

4




Em resposta ao desafio "os problemas resolvem-se à chapada" da Fábrica de Letras.








4

A professora já não suportava mais. Aquela era a pior turma que alguma vez tivera a seu cargo. Nos seus longos anos de experiência nunca vira nada assim e a sua já pouca paciência esgotava-se a cada dia.
Eles gritavam, eles brigavam, mandavam papeis, borrachas e bocas uns aos outros.
Já tinha sido insultada, humilhada e desrespeitada de todas as formas e feitios por aqueles pequenos estafermos. Já não os suportava e, vindo de alguém que os devia "adoptar" como aprendizes, isso era terrível e inaceitável.

Por causa daqueles alunos iniciara uma incursão no mundo da piscofármacologia. Sentia-se nervosa só de pensar em pisar a sala de aula; as sextas-feiras eram de alívio e os domingos à tarde de terror.
Decidira acabar com este sofrimento. Não merecia essa cruz. Ia rebelar-se!

Chegou à sala naquela segunda-feira de manhã e viu o que via todos os dias: algazarra. Uns gritavam, outros corriam, mais um em cima da sua secretária e uma que escrevia no quadro enquanto o colega a usava como alvo para as suas bolas de papel. Nem notaram a sua entrada.


Escostou-se, invisível, à um canto, encheu-se de coragem e...
- CALEM-SE! TODOS SENTADOS! - a plenos pulmões, vindo do mais fundo, do mais recôndido e escondido canto escuro do seu espírito.

A sala de aula congelou-se. Todos ficaram imóveis como se alguém parasse o tempo. Espantados, viram no semblante da, outrora paciente professora, algo nunca antes observado. Algo estranho, novo e assustador. Um frio lhes correu espinha acima.

- SENTADOS, JÁ DISSE! NÃO VOLTO A REPETIR!

A pequena trupe então sentou-se. Expectantes, aguardavam o que dali viria.

A professora viu-se num impasse. Agora não poderia voltar atrás. Iniciou uma viagem sem retorno; uma batalha onde não poderia ceder um milímetro. Pensava no que fazer já que alguns insistiam em desafiá-la; riam-se baixinho, nervosos mas provocadores.
Decidiu-se por dar-lhes uma lição que jamais esqueceriam. Lição essa que pagaria com juros tudo o que lhe haviam feito passar até então. Ficariam "quites". Correria riscos, mas agora encontrava-se no ponto de não retorno.

Escreveu "2+2= " no quadro negro. Olhou para a turma e chamou: Pedro.

Não era aleatória a escolha pelo Pedrinho. O Pedrinho era o maestro daquela sinfonia dos infernos. Era o general, o padrinho, o pastor daquele rebanho de pequenas "Maria-vai-com-as-outras".

O Pedrinho era filho único. Gostava de toda a atenção que lhe pudessem dispensar. Gostava de ser o centro do universo e tudo fazia para que o considerassem assim.
Não era um rapaz brilhante, muito pelo contrário, e por isso mesmo chumbara alguns anos. Dessa forma era o maioral da turma, o mais velho, o mais alto e forte... e aproveitava-se disso. Não havia orelha na turma que já não tivesse sido aquecida pela mão do Pedrinho, nem rabo que não tivesse a marca de uma das suas sapatilhas.
Era um arruaceiro, um desordeiro e um candidato a futuro delinquente.
O Pedrinho era o alvo (e o exemplo) perfeito para a lição das lições.

- Pedro, anda cá ao quadro e resolve esta conta.
O menino levantou-se e desfilou desdém entre o corredor de carteiras. Sorriu para os outros, confiante, com a arrogância de quem já conta com a vitória antes do jogo acabar.
A professora entregou um pedaço de giz ao rapaz e insistiu no pedido.
- "Stôra", não vou resolver - diz matreiro.
- Ai não? Porquê? - pergunta a professora.
- Porque não sei.
- Não sabes? Como não? Claro que sabes.
- Ó "stôra", não sei nem quero saber! - e vira as costas à educadora.
Foi então que sentiu a mão quente e húmida da professora a agarrar-lhe o braço.
- Não te mandei sentar. Tu hoje sais daqui a saber matemática, meu amigo. Olha aqui, que número é esse?
- Não sei, nem quero saber, já disse e...
- É UM "2"! - e conta "1" e "2" enquanto desfere dois valentes estalos nas bochechas rosadas do rufia.

O Pedro estremece. Não estava à espera nem sabia de onde vinha aquela mão cheia de dedos.
A assistir a cena, a turma toda em suspensão, aturdida, boquiaberta, a beliscar-se...

- AGORA CONTA COMIGO: 3 E 4! - mais dois tabefes na cara do puto - ENTÃO QUANTOS SÃO 2+2, HÃ? DIZ LÁ, RAPAZ, DIZ!!!
- São 4, "stôra", 4!!! - lutando para não chorar à frente dos colegas (luta inglória).
- Vês? Vês como sabes? - diz calma e ternamente a professora - meus parabéns, Pedro. Pronto, agora vai, meu rapaz, vai-te lá sentar.

A professora lutava para esconder o tremor das mãos e a ansiedade que lhe inundava a alma.

- Alguém mais tem dúvidas? -perguntou à turma com um sorriso doce nos lábios - algum de vocês quer fazer alguma pergunta? Sabem todos quantos são 2+2?
- SIM, Sra"stôra", são 4 ! - responderam em uníssono.
- Muito bem! Então assim sendo, abram os vossos livros na página 26 e ...

Desde então, nunca se vira naquela escola turma tão trabalhadora, organizada e orgulhosa da sua mestra e, ainda na semana passada, ficou-se a saber que o Pedro acabara a licenciatura em Engenharia com distinção.
Já diriam os sábios populares: "nada como um bom estímulo".

31 maio 2011

Banda sonora

Minha banda sonora nos próximos tempos...

27 maio 2011

2 pesos

Ainda há pouco tempo, em Coimbra, e após o PCP ter pintado as escadas monumentais com "propaganda" política (o que, para mm, caracteriza um acto de vandalismo puro), um grupo de estudantes manifestou-se durante o comício do Sr. Jerónimo de Sousa. Embora alguns ânimos se tivessem exaltado, a manifestação decorreu sem problemas e não houve, salvo alguns militantes mais "antigos", da parte do PCP, qualquer comentário; nem houve agressões ou detenções por parte da polícia (nem sei se, por ventura, haveria algum polícia nas imediações).

Ontem foi a vez do mesmo acontecer num comício da sua santidade o Engº Sócrates. Um grupo manifestava-se contra o pagamento de portagens na A22. O que terá acontecido para que houvessem desacatos e uma detenção? Tiros, facadas, arremesso de tomates? Não, o que houve foi: "Decorriam os discursos no largo da Pontinha, local do comício, quando os agentes começaram a identificar pessoas que empunhavam cartazes e que assobiavam."
Perguntado sobre o sucedido o secretário, do mui democrático partido socialista, proferiu uma frase carregada de paradoxos: "“Acho absolutamente lamentável o que aconteceu. Enfim, é gente a quem a
democracia deu direitos, mas que não sabem usá-los”, afirmou, em resposta à SIC.
Fui então ver o que quer dizer democracia:
Democracia | s. f.

democracia
(grego demokratía, -as, governo do povo)
s. f.
1. Governo em que o povo exerce a soberania, directa! ou indirectamente!.
2. Partido democrático.
3. O povo (em oposição a aristocracia).

Parece que utilizar cartazes e assobiar é antidemocrático. Nunca vi, por exemplo, um adepto com os cartazes do "dá-me a camisola" ou "Mãe, estou aqui!" e que assobiam serem manietados e presos. Nunca vi um trolha a ser identificado por mandas um bom "fiu, fiu" a uma moçoila na rua (embora considere um acto de assédio).
Parece-me que manifestar-se contra as ideias do PS é, por si só, um acto antidemocrático e merecedor de reprimenda ao bom estilo ditatorial.

"Vários dirigentes socialistas sublinharam ainda que a manifestação era ilegal." in Publico
O que legaliza uma manifestação? Existe um impresso, um requerimento ou um selo qualquer para que se possa ir manifestar livremente? A democracia exige que se faça um pré-aviso de manifestação? Quem são estes dirigentes que ilegalizaram o direito à expressão?

Daí, meus caros amigos, tenham cuidado com o X no dia 5. Tenho receio que votar em qualquer outro grupo partidário seja antidemocrático e dê direito a uma bela sessão de
spanking...

Crise



"If only I could roll Soundgarden, Pearl Jam, and Alice In Chains into a joint....Id finally be in peace"

Anónimo

26 maio 2011

Pai sofre XVIII: Homem das Caldas


Antes de mais uma pergunta:
O que faz um homem das Caldas da Rainha depois de um dia de trabalho?

Novamente no cubículo escuro das ecografias, lá estava eu e a minha senhora. Era a 2ª, aquela a que chamam morfológica. Porquê? Porque se vêm os perímetros, o estômago, os rins, blá, blá,blá...
Embora tanto me fizesse ser menino ou menina, confesso que estava curioso para saber o sexo e que, confesso também, devido a já termos uma princesinha no nosso reino, havia agora espaço para um sapito.
"Boa tarde", disse o obstetra. "Vamos lá ver se está tudo bem".
Dado ter passado algum tempo numa maternidade estou +/- familiarizado com o branco e preto das ecografias obstétricas e ia identificando o que a sonda tentava mostrar.
"Ora, aqui está o coração", dizia o médico, "e aqui estão os rins"...
Parecia um piloto de aviação a "checar" os instrumentos.
"O perímetro abdominal, o bi-parietal, o yada, yada, yadal..."
"Ó amigo, já agora, mostra lá o que existe entre as pernas" pensava eu.
"Olhem aqui o fémur, o úmero, os dedos...", listava o homem.
"Pila, pila, pila..." desejava (sem trocadílhos, ok?) eu.
E um "glimpse".
Pensei: êlá, será que... esperaí...
Olhei para a minha grávida e sorri. Avistei um jogo de bilhar em miniatura, a saladinha de tomates e pepino, os kiwis e a bananinha, e um sem fim de trocadilhos patetas que só compreende quem passa pela coisa. Apeteceu-me dizer: "Máquecara##$".
"Bem, têm aqui um belo rapaz. Vêem, este é o escroto e este é o pênis".
Só pensava (dizer era capaz de ser constrangedor): "fiz uma pila, fiz uma pila, fiz uma pila!". E diga-se de passagem o que se via era uma bela duma pilinha, guardada por dois
cojones de respeito! Para um gajo com experiência em fazer vaginas, aquele falo estava muito bem feito. Pronto, chega de auto-elogios.
Vai voltar a estar equilibrado cá por casa: dois homens e duas meninas; não quer dizer que saia a ganhar nas discussões...



Resposta à pergunta inicial do post.
Como este será, em princípio, o último que faço, direi o mesmo que um homem das Caldas depois de um grande dia de trabalho: "não faço mais nenhum cara#$%!!!"

24 maio 2011

Tudo doido?


Mas será possível que 1/3 da população do país não consegue ver para além da cegueira socratiana? Este gajo é o verdadeiro flautista de Hamelin... mas encanta burros!
Pec que os pariu a todos!

Shame, shame

Shame, shame

Lascívia me percorre o ser
Ao ver o corpo que me ofereces.
Toco-o como a um ídolo
E reconheço o seu odor.
Regozijo-me no seu esplendor
Percorrendo-o centímetro por centímetro,
perdendo-me aqui e ali.
Dou voltas, ando em círculos,
Para que o prazer que me propões
Seja infinito.
E caio ao chão, fatigado,
Mas em êxtase.
Venero o quanto te dás
E sacio-me mais uma vez em ti.
E o desejo perpetua-se…


22 maio 2011

Renascimento



Como têm tido a oportunidade de constatar, este espaço tem sido um pouco negligenciado, culpa da vida que nos impede, por vezes, de fazer o que gostamos.

Posto isto, venho hoje quebrar o enguiço criativo devido à paixão ao FCP.
Há cerca de um ano escrevi este texto. Nele descrevia o meu desalento pela época desastrosa protagonizada pelos mesmos jogadores que este ano fizeram a melhor temporada de sempre.
É incrível como se mudam as coisas em apenas 1 ano. É inacreditável o que acontece quando pegamos em 3 pessoas e as trocamos por outras 3 diferentes. No caso do FCP, bastou trocar um treinador principal (sem contar a equipa técnica), um defesa central e um médio centro e puff, criou-se uma das melhores equipes de sempre. Obviamente que esta última ideia é uma caricatura mas olha-se para o banco e vê-se um portista ferrenho no comando, o que faz uma diferença do caraças.
No entanto, o que mais me apraz neste sucesso talvez não sejam os títulos. O que mais me agrada é ver pessoas que se orgulham da camisa que vestem, que dão o litro, que não desistem, que não utilizam a violência dos antecessores, que não se saciam com apenas uma vitória, que não dão desculpas e que cantam com a massa...


Terminei aquele texto com a seguinte frase: "Que se encontre cura para as nossas maleitas e que possamos enfrentar os demais com a força de outrora". Encontramos a cura para algumas; outras lá continuam a morar e os títulos permitem que se tornem "transparentes" aos olhares dos incautos... o tempo há-de eliminá-las para aclarar cada vez mais as nossas vitórias.


Hoje, um título mais ricos, os portistas voltam a festejar. Este ano parece haver mais "S. Joões" (qual é o plural de João?) e os "suspiros" são por outros motivos.



Saudação De(s)portista!

14 maio 2011

Zunido

Para o desafio "Mãe" da Fábrica de Letras:


Zunido

Quando ele abriu os olhos não sabia onde estava; e naquela escuridão, apenas interrompida por clarões semelhantes a relâmpagos, ouvia um terrível estardalhaço incompreensível.
Estava deitado. Olhava para um céu negro nocturno de onde espiava uma lua minguante e envergonhada.

Tentou levantar-se para tentar compreender onde estava e o que se passava. Viu então muitos vestidos de igual e armados. Uns gritavam palavras de ordem e acenavam, outros apenas gritavam enquanto alguns caíam e não mais levantavam.
Deu-lhe então um click: “estou em combate!”

Tinha treinado para aquilo. Tinham-no tornado insensível, destemido, frio e impiedoso. Tinha sido dos melhores da sua turma; nenhum atirava como ele, nem tinha sua força ou destreza. Era um lutador terrível e todos o temiam.
E ali estava ele: o produto do que lhe ensinaram e do treino que o preparara para a guerra... mas aquilo era tão mais real.

Ao olhar para a frente da batalha pôde ver o corredor de fogo que iluminava a noite uns quilómetros mais à frente. De lá conseguia ouvir os gritos de horror e a colecção de últimos suspiros que ia crescendo à grande velocidade.

A custo, e também graças a empurrões vários do seu superior, foi avançando pelo terreno tornado irregular pela carne humana deixada para trás. Ouvia o zunido do enxame de balas que passavam ora ali e acolá; rezou pela primeira vez em anos…

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ foi o que ouviu antes de sentir uma força brutal, que o enviou ao chão uns bons metros atrás, seguida de uma dor lancinante que começou no peito e logo passou-lhe à alma.
Sentiu um gosto estranho na boca que o lembrou do tempo de pequenino quando lambia as feridas depois dos jogos de futebol.
Ouviu os pedidos do médico do pelotão enquanto sentia as mãos de um companheiro a segurar a sua e a pedir para se aguentar.

Já pouco se podia fazer e daquele jovem tornado Homem duro, rude, frio e temido, só ouviram mais uma pequena frase; uma pequena frase que dava sentido a tudo naquele momento:
“Eu quero a minha Mãe”

27 abril 2011

Mecanimais Vs Meganimais

(Atenção: se o leitor não tiver filhos com idades compreendidas entre os 0 e os 5 anos é provável que o 2º sentido deste texto lhe escape.)

Se os senhores do FMI não conseguirem resolver a nossa situação então há que recorrer aos Mecanimais!





(Para melhor compreensão, prestar atenção à última frase do genérico[aos 40'])

13 abril 2011

Aike

Para o desafio "Ternura" da "Fábrica de Letras":



Aike


Era uma tarde copiosamente infernal de Agosto e sentia o vento quente a queimar-lhe a cara enquanto caminhava à beira mar. Acompanhavam-no, no passeio “molha-pés”, inúmeros idosos, aparentemente imunes ao melanoma, torrados, suados, enrugados mas sorridentes.
Tentava abstrair-se do cenário escondendo-se por trás de uns óculos espelhados e um boné dos Bulls. Distraía-se ao som da “Alive” que ouvia no Walkman® escondido num dos bolsos dos calções.
Era tímido mas gostava destes andares à margem marítima para “micar” as garinas. Andava à caça mas tinha pouco da arte da rapina.

Sentou-se. Começava a sentir os efeitos da resistência daquele solo e do brasido solar.
Concertou o rabo na areia enquanto virava a k7 para o lado B: “Jeremy”…

Viu-a sentada um pouco mais à frente. Ela era uma rapariga de tez alva, silhueta esbelta adornada por longos cabelos pretos e lisos.
Engoliu em seco: era uma oportunidade. Porque não arriscar? O que tinha a perder?
Levantou-se a custo e deixou-se ir, lutando com a irregularidade do chão e das pernas.

“Olá. Tudo bem?”
Ela ficou espantada a olhar para ele. Seus pequenos olhos negros pareciam dois enormes pontos de interrogação, uma cena parecida com os desenhos animados feitos no seu país.
“No entendo” respondeu em meio a risinhos escondidos por trás da mão.
“Speak english?” falou ele no seu inglês macarrónico.
“Yea”
Ele sorriu. Parece que o risco valera a pena.

Falaram durante muito tempo. Falavam sobre as diferenças culturais, sobre a gastronomia, sobre anime (que ele adorava), sobre música, sobre futebol…

Ele estava impressionado com a figura da moça: exótica, simpática e simples. Ela estava encantada com a maneira de estar dele e com seu sorriso.
Olhavam-se como se olha a ídolos.

“Say something in japanese” pediu o rapaz.
“あなたが面白いです” disse ela.
“What it means?”
“Say something in portuguese first” exigiu ela.
“Ok. Ai que ternura” disse ele.
“OMG. Are you a psychic or something?!” ficou incrédula.
“What? Why?”
“How do you know my name?”
“I don’t know your name.”
“You already said”
“No, I didn't. I don't know your name. You didn’t tell me. But now i'm curious, what is your name?”

Fez suspense: “My name is Aike. Aike Tenura”.

Aquele verão de 1994 foi o melhor de sempre.


03 abril 2011

Dando continuação à uma tradição que começou aqui e continuou aqui e aqui, vou puxar do meu sangue azul e tentar passar um pouco da alegria para um punhado de palavras.


E aconteceu de novo.
Fomos maiores, mais fortes;
Fomos novamente especiais.
O Dragão cuspiu seu fogo;
Ele que veio do Norte
Para vergar os seus rivais.

Esqueçam lá as águias,
Esqueçam os leões e outros animais.
Nesta Selva de redondas contendas
Reinam outros mitos.
Separem já as águas!
Esqueçam os campeões virtuais!
O maior é o animal da lenda,
O nosso amor, por ele, é infinito.

Obrigado, Futebol Clube do Porto!!!



28 março 2011

Prata

Governo e Assembleia da República só não são as instituições mais desorganizadas do país porque ainda existe o Sporting!

23 março 2011

as do crocodilo

Fui apenas eu ou mais alguém lacrimejou ao ver a bancada do PS, de pé, a aplaudir, o discurso do Francisco Assis?

21 março 2011

O pão nosso de cada dia

Falem o que quiserem, argumentem como entenderem, mas, com a verdade vos digo: não existe especialidade médica mais difícil que a Medicina Geral e Familiar.
Vou dar como exemplo uma anedota, da qual gosto muito (e talvez muitos já conheçam), que reflecte o meu dia-a-dia no Centro de Saúde:

"Jesus Cristo, ao ver no que o mundo se tornara, resolve encarnar novamente. Pondera muito o local e a profissão que desta feita escolheria e, depois de estudar minuciosamente todas as alternativas, decide-se por voltar à terra sob a forma de Médico de Família em Portugal.
Escolhe, para início da nova empreitada, um Centro de Saúde com algumas condições, num distrito qualquer do território nacional, indo tomar, como seu, um ficheiro de utentes há muito sem clínico atribuído.

Jesus chama, então, o seu primeiro utente: o Sr. Manuel, um utente paralítico, sequelas de um acidente de viação.
Jesus cumprimenta o doente e, ao vê-lo naquele estado, coloca a palma da sua mão na testa do homem e diz:
"Levanta-te e anda!"
O Sr. Manuel levantou-se, agradeceu e caminhou porta fora.

À saída, um seu amigo, Sr. Joaquim, pergunta-lhe:
"Atão, Manel, como é o médico novo?"
"Ópa, sempre a mesma merda, nem a tensão o gajo me mediu, vê lá!"



E é isso, é difícil... mas, por enquanto, continua a dar um gozo do caraças!

14 março 2011

PECados

Com a palavra Sua Santidade, o Papa Bento XVI, no seu último discurso dominical, dirigindo-se ao governo português, nomeadamente a Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças:





Papa Bento XVI: "Irmãos, um caloroso abraço aos irmãos portugueses. Faço um apelo ao Ministro das Finanças daquele país: por favor, irmão Teixeira, não PEC mais; está difícil interceder por si junto do Senhor..."

12 março 2011

Coragem

Acabei de comer um "cachorro da night": ainda estou vivo e sem sinais da Salmonella.
(há que respeitar o período de incubação...)

10 março 2011

O verdadeiro Dr.

Pelo que tenho visto, no lugar onde trabalho, talvez não precisem, realmente, de um médico: basta ir ao Dr. da farmácia.

08 março 2011

♀ = + Cones?



Ela: olha, dá-me essa almofada bege.
Eu entrego-lhe uma almofada dentre milhares d'outras.
Ela: não é essa! Não vês que essa é amarela?
Eu: amarela? a sério?
Ela: dá-me essa do lado?
Eu: esta branca?
Ela: branca não, bege!
Eu: ... ok, dou-te esta branca-amarelada.

De certeza que as mulheres tem mais cones que os homens (eu falei cones!)...


Reclamar



Estive ontem a ver este filme e lembrei-me do tempo em que o espiritismo esteve mais presente na minha vida.
Naquele tempo, enquanto miúdo, uma das lições que a doutrina tentava passar era: "não reclamar".
"Não reclamar" é diferente de "não lutar pelos direitos e por uma vida melhor".
"Não reclamar" refere-se às coisas fúteis e banais, coisas que queremos, que são totalmente supérfluas, em detrimento das que já temos e que são perfeitamente úteis e suficientes. "Não reclamar" por não ter mais matéria. "Não reclamar" da família, do trabalho e, principalmente, da vida.
"Não reclamar" e tentar crescer como pessoa. Trabalhar, estudar, ajudar e ser melhor, a cada dia. Essas foram as mensagens que aprendi naqueles dias e que, infelizmente, se foram diluindo ao longo do tempo de afastamento.

Ontem enquanto via esse filme lembrei que tenho reclamado (e muito) nestes últimos tempos. Parei para pensar na minha vida e vi egoísmo, preguiça e revolta... há que trabalhar para alterar... há um longo caminho...

Sei que alguns que me visitam neste espaço são cépticos. Convido-vos a ver este filme (ou ler o livro com o mesmo nome) de mente aberta, nem que seja por diversão cinematográfica. Espero que sirva, mesmo que o encarem como ficção, para que possam pensar se estamos, ou não, no caminho certo.

Deixo uma mensagem de Chico Xavier:


NÃO RECLAME

A Vida te coloca onde você escolheu estar...

"Nasceste no lar que precisavas.
Vestiste o corpo físico que merecias.

Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes e amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas, tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos, atitudes, são as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivencial.

Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta,
Busque o bem e viverás melhor."

Francisco Cândido Xavier

06 março 2011

Pai Sofre XVII: minha Alice

É Carnaval.

Minha filha caminha pela sala com uma fantasia que a mãe lhe comprou: Alice.
Alice caiu no país das maravilhas; assim caí eu ao vê-la. Fui transportado pela sua inocência, em conjunto com o fim-de-semana, para o seu país.

No país da minha filha “Alice” não existe pressão, não existe desemprego, a comida vem ter à mão, o banho vem acompanhado por carinho, é-se limpo, mimado, amado e posto a dormir ao som de um “boa noite” meloso e verdadeiro. No seu país, todos sorriem à sua passagem, riem-se às suas tentativas de articular as palavras ou da sua forma engraçada de andar. No seu país ela é o centro do universo.

Tive inveja, por segundos, ao vê-la correr sorridente pela casa, segurando qualquer brinquedo na mão, cheia de esperança e vivacidade. Inveja pela ignorância d
o que o mundo realmente é: pouco maravilhoso. Viver assim, no desconhecimento do que nos rodeia, deve ser muito bom. Tudo é descoberta, tudo é realmente fantástico e maravilhoso, mesmo que a aprendizagem inclua algumas quedas e outras dores esporádicas. É pena que são, exactamente estes, os anos dos quais nos esquecemos.


Gostava de mantê-la assim: escondida do mundo real. Mantê-la no seu mundo inocente onde os gatos falam e as cartas não se jogam a dinheiro. Gostava de a manter nessa utopia da infância, protegê-la dos monstros, dos mentirosos, dos políticos, dos religiosos. Gostava de a escusar da violência que abunda pelo mundo. Gostava escondê-la deste pai actual: triste, desanimado e preocupado com o s
eu futuro e do seu(sua) irmão(ã) que ainda está para chegar.

Até terça-feira é Carnaval. Nada se leva a mal. Vou manter-me a aproveitar do mundo maravilhoso da minha filha “Alice”, aquele farto em riso, pureza e paz. Vou beber dessa esperança doce que ela traz no abraço. Vou descansar minha cabeça no seu colo e sorver todos os seus “miminhos acelerados”. Vou comunicar no seu idioma ininteligível (para alguns). Vou ver bonecos na televisão e cantar canções tolas. Vou ser feliz. Vou ser o seu “Cheschire Cat”.


Vou "orar" para que o tempo passe devagar e que não encontre o túnel de volta ao mundo pouco maravilhoso.


Também para o desafio "violência" (mas não muita, que já estamos a ficar fartos) para a "Fábrica de Letras":




14 fevereiro 2011

Fim do fenómeno

Acho que foi em 1993 que vi o primeiro jogo do Ronaldo. Era um puto magricela que aparecera no onze titular do Cruzeiro E.S., clube de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais. Lembro-me que esse jogo foi com o grande Santos F.C., num dos maiores clássicos do futebol brasileiro. Resultado? Vitória dos azuis mineiros por uns estonteantes 6 X 1! 6 golos de Ronaldo!!!
Quem era aquele miúdo? Mais um puto arrancado aos baldios do Brasil, onde proliferam artistas da bola. A partir deste jogo passei a conhecer um dos maiores jogadores de sempre.
Pouco depois, Ronaldo foi para a Holanda e iniciou a sua carreira europeia. Mudou muito, ganhou massa muscular, ficou ainda melhor jogador. Quem gosta de futebol lembra-se perfeitamente de 2 golos "fenomenais" do tempo em que jogava pelo barça. Era uma força da natureza!

Agora acabou-se. Ficam na memória as grandiosas fintas e as alegrias de 2 mundiais dados ao Brasil.

Ronaldos podem existir muitos, uns com diminutivos ou com um "Cristiano" à frente, mas "Fenómeno" só existiu um.

Eu, que gosto muito de futebol, agradeço.



27 janeiro 2011

Deus me livre... deles!

Esta tarde, enquanto não fazia nada de relevante, fui interrompido pela campainha da porta.
Pé-ante-pé, em silêncio, fui ver quem seria através do "olho mágico" da porta.
Eram 2 pessoas; um casal de engravataditos com livros grossos junto ao sovaco: Testemunhas de Jeová.
Ainda pensei em não abrir a porta, mas não resisti.

- Boa tarde, disse eu.
- Boa tarde, jovem. Teria tempo para uma conversa? Disse o senhor polidamente.
- Depende do que seja.
- Gostaríamos de falar sobre Deus.
- Ah, ok. Mas, peço desculpa, não estou interessado. Obrigado e boa tarde.

Antes que fechasse a porta, a menina que o acompanhava, insatisfeita pela ovelha desgarrada, ainda teve tempo para mandar uma pequena farpa, como que numa última tentativa de vender o seu peixe:
- O Sr. não acredita em Deus? "Amandou-ma" com um sorriso semelhante ao do domador de felinos de um circo qualquer.
- Acredito em Deus sim, menina - disse eu calmamente - não acredito é em vocês... tenham uma boa tarde.


Benza Deus! Saravá meu Pai!

20 janeiro 2011

TV cabo Vs Catsone (indirectamente)

O telemóvel da senhora que vive comigo (SQVC):
Trim-trim... trim-trim...
SQVC: Estou.
TV Cabo (TVC): Está? Estou a falar com ...?
SQVC: Sim. Quem fala?
TVC: Meu nome é fulana e represento a TVcabo. Gostaria de falar consigo sobre os nossos produtos.
SQVC: Da TVcabo? Bem...
Eu: Hã. Passa-me o telélé! Anda.
SQVC: Tá quieto. Bem, eu já sou vossa cliente, mas o contracto está em nome do meu marido.
Eu: Ó caraças, passa-me o telefone. Tenho uma boa para lhes pregar.
TVC: Peço imensa desculpa. Uma boa tarde e desculpe o incómodo.
SQVC: Não há problema. Boa tarde e um bom trabalho.
Eu: O QUÊ???? "BOA TARDE E UM BOM TRABALHO"???

Detesto gentinha educada.

19 janeiro 2011

Sacanas

Antes recebia o recibo do vencimento pelo correio: num acesso de raiva, rasgava-o!
Agora recebo-o via email...

Sacanas!!!

18 janeiro 2011

Impotência

Os juros aumentam.
Os produtos inflacionam.
Os combustíveis sobem.
As injustiças crescem
O desemprego escala.
A insatisfação vai ao ar.
A ansiedade dispara.

A tesão da malta desce, mirra, míngua, desaparece, desvanece, vai-se embora: o viagra
® teve a comparticipação e está caro comó caral, ops, caraças!
Só o governo ainda tem força na verga para continuar a fornicar e, apesar da idade entradota da república, a sodomia é diária.


Imagem google

16 janeiro 2011

A das bananas

Parece o mercado municipal:

"Qatar: Amado diz que terá sido discutida a venda de títulos aos investidores" Expresso

"Acordos com Pequim avançam com venda de dívida pública e visita do BCP à China" Público

"Sucesso na venda de dívida não afasta recurso ao FMI" Económico

Já imagino o Sócas na feira:




Entretanto o Sr. Prof. Marcelo fez a sua papagaiada semanal a partir de Cabo Verde. Terá ido visitar o Dias?

Claro que é possível!

"Dos 42 pontos possíveis quero conquistar 46!"

Força Paulo!!!


15 janeiro 2011

Será possível?

"De 45 pontos possíveis quero conquistar 46!

Na primeira volta, fizemos 28 pontos e agora, dos 45 possíveis, queremos fazer 46. Será difícil, mas só há uma maneira, ganhar..." Conferência de imprensa de Paulo Sérgio, treinador do SCP, in O Jogo

Ó amigo Paulo, 46 pontos em 45 possíveis? Não, não é difícil...


Foto: google (com retoques)
Gosto da expressão do Riquelme, parece a minha quando ouvi esta frase.

11 janeiro 2011

Constatação


Existem poucos programas de humor televisivos com mais piada do que o tempo de antena do Sr. José
Manuel Coelho.



Viva o nosso Tiririca!!!

08 janeiro 2011

Honesty

Para o desafio de Janeiro da Fábrica de Letras: "Preconceito"


Honesty

Ele era honesto. A sinceridade era uma das suas principais virtudes.

John vivia em Sidney e desde criança teve problemas com os outros.

Não suportava a mentira, a falsidade e o vira-casaquismo.

Na escola era o alvo dos colegas. Vivia levando nas trombas porque era incapaz de ficar calado e os mais velhos amaciavam-lhe a carne. Respondia a alguns professores desvendando-lhes a ignorância. Tinha as suas próprias opiniões e as expunha sem pruridos… e levava mais um pouco. Ao chegar à casa mais uma saraivada de miminhos acelerados perante os resultados escolares.

Os feios batiam-lhe quando dizia que eram feios. Os bonitos chegavam-lhe a roupa ao pêlo quando dizia que eram falsos. Os gordos e velhos não chegavam a bater-lhe porquê John era um óptimo corredor.

Nunca teve sucesso com as miúdas. Gostava de dizer que ficavam pirosas com certas pinturas, ridículas com algumas roupas e estúpidas com determinadas companhias. A sua cara era destino certo de algumas mãos mais revoltadas e os lábios nunca encontraram seus semelhantes.

John passou grande parte da sua vida desempregado. Tinha grande dificuldade em adaptar-se a trabalhos escravos, em lamber-botas e ficar em silêncio perante as injustiças/mentiras de patrões e sindicalistas. Era insultado pelo chefe e ostracizado pelos camaradas; os patrões ignoravam-no até o dia de o despedirem.

Nunca foi bem recebido em qualquer comunidade. A muçulmana quase o matou quando John criticou o fundamentalismo. A católica o esconjurou quando ouviu a sua opinião sobre as cruzadas, a inquisição e a oposição à camisinha. Os indianos e paquistaneses ofenderam-se sobre a dissertação relativa à Caxemira. Os portugueses voltaram-lhe as costas quando opinou sobre os bigodes, barrigas fartas e as cusparadas pró chão. Os italianos atentaram contra sua vida quando disse que preferia a massa grossa da pizza. Os australianos, os chineses, os africanos, pura e simplesmente ignoraram-no…

Mesmo ele irritava-se quando se olhava ao espelho e opinava sobre o que via. Muitas vezes sofreu por se criticar a si próprio mas, passados alguns anos, entendeu que isso o fazia crescer como indivíduo.

John nunca votou, nunca cumpriu o patriótico serviço militar, nunca teve religião, nunca foi a um jogo de futebol, nunca gostou da grotesca "arte" tauromáquica, nunca deu importância ao dinheiro: nunca foi normal.

Nunca entenderam a sua forma transparente, pura e verdadeira de estar na vida.


Um belo dia, decidiu fugir de Sidnei. Resolveu abandonar a terra cuja beleza o encantou desde pequenino. Resolveu ir para um lugar onde o sol e o mar se mantivessem seus companheiros.

Veio desembarcar num pequeno aeroporto do sul de Portugal. Instalou-se em Vila Moura e lá criou um pequeno restaurante onde a sinceridade e honestidade seriam a alma (e o slogan) do negócio.


Afinal a honestidade compensa: John ficou rico.


Luís Fernandes Lisboa ®

Nota: história fictícia mas imagem verdadeira (tirada com o meu telemóvel em Vila Moura).

É pena

Este "blogger" ou o camandro, não tem, nem nunca teve, acções do BPN ou da SLN... mas tem pena.

Furto

Lisboa, 07 jan (Lusa) -- O primeiro-ministro afirmou hoje que em 2010 o crescimento económico português será o dobro do esperado, que a receita fiscal ficou acima do previsto e que a despesa do Estado se situou abaixo do estimado pelo Governo.

Ou como dizer "sacamos mais aos totós do que esperávamos", "afinal o roubo compensou" e ainda "e não é que os gajos bem espremidos dei
tam bom dinheirinho?" duma forma mais polida, subtil e intelectual.


04 janeiro 2011

Belo futuro

Sempre comparei as crianças a espelhos. Acho que, na ingenuidade infantil, reflectem o ambiente em que vivem. Por vezes, ao se estar perto de uma determinada criança, passado algum tempo, conseguimos imaginar como serão os pais e o ambiente familiar.
O que se passa em casa influencia muito o desenvolvimento da criança, da sua personalidade... e do seu carácter.
Lembro-me de putos asneirentos, mal-criados e sujos; passado algum tempo, e ao ver o familiar, penso: "só podias ser tu o pai deste estafermo!"

Já há algum tempo escrevi sobre as temíveis musicas infantis e, associando à treta que escrevi logo acima, apresento este vídeo "infantil":



Num país de gente que produz pouco, que ganha pouco, em crise de identidade, a necessitar de bons exemplos, estamos a "ensinar" a fina arte da vagabundagem logo de tenra idade? Querem ver que estamos a precisar de mais políticos e líderes sindicais, não?
Está uma casa bem arrumada, está!

31 dezembro 2010