31 dezembro 2011

E se os Maias estiverem certos?

Se os Maias estiverem certos:
- Ficaremos sem saber quem será o próximo campeão mundial de futebol;
- Não iremos receber subsídios de férias ou natal (espera lá, não é preciso previsões maias para esta...);
- Faremos a vontade aos socialistas e não pagaremos as nossas
dívidas;
- Se o fim do mundo acabar com fogo, o Gaspar procurará aumentar o imposto sobre os produtos pretolíferos;
- Se acabar numa quinta-feira, o pessoal do Estado aproveitará para fazer ponte;
- O PCP dirá que acaba porquê é do interesse do grande Capital;
- O PS dirá que já tinha tentado acabar com o mundo antes no governo Sócas mas tinha sido boicotado pela oposição e que, acabar justo agora, é pu
ra demagogia;
- O CDS não aceitará porque os Maias são pagãos e que viviam à custa do RSI da época, daí terem sido aniquilados pelos espanhóis;
- O Bloco apoiará porque assim acabam as off-shore;
- O PNR irá dizer que os estrangeiros querem ocupar os lugares dos portugueses no processo de acabar com o mundo;
- A SONAE irá vender bilhetes com descontos de 50% em cartão continente enquanto a FNAC cobrará 1€ pela venda dos mesmos;
- Não teremos os aumentos dos impostos e do preço dos bens essenciais previstos para 2013;
- Poderemos prometer que pagamos tudo dentro de um ano;
- A IURD inflacionará o preço dos terrenos no céu;
- O Governo irá tentar vender suas acções de "acabar com o mundo" a investidores chineses, indianos ou azeris;
- em 2013, onde quer que estejamos, estreará um filme, realizado por Roland Emmerich, com o título: "Eu não vos disse?";

- No entanto, se "acabar com o mundo" for entregue à responsabilidade exclusiva de Portugal, com a nossa burocracia, desenrascanso, cunha, compadrio, tachos, recursos, etc, etc, de certeza que o mundo aguenta-se mais, pelos m
enos, 2359 anos...



Que 2012 vos traga, sobretudo, oportunidades; oportunidades para
ganhar dinheiro, para viver bem, para terem filhos (se o quiserem e se fizerem por isso), para dar o salto, para apanhar os touros pelos cornos e, principalmente, oportunidades para se ser feliz (que é o que interessa).

Grande abraço e, pelo menos hoje, não se estraguem...



20 dezembro 2011

Com a palavra, o povão...

Outro dia ouvi um iluminado qualquer dizer que "quem quiser ver o estado no qual esta democracia se encontra, deve ir às caixas de comentários das notícias dos jornais online".
Ora, concordo plenamente.
E hoje, ao ler uma notícia sobre saúde no Diário de Notícias, encontrei esta pérola aplicada ao governo:

"manuel
20.12.2011/22:14
Este governo É igual a uma camisa de vÉnus a camisa de vénus permite inflação, impede produção, destrói a próxima geração, protege um bando de car@lhos e ainda transmite um sentimento de segurança... enquanto na verdade, alguém está f@dendo alguém!!!"

Viva a sabedoria popular!

18 dezembro 2011

Vai tu!

"Passos Coelho sugere a emigração a professores desempregados" in Público

Parece que, para alguns, Portugal deixou de ser para os portugueses. Parece que Portugal deixou de poder proporcionar a "felicidade" aos seus filhos. Os nossos governantes apregoam a incompetência do país em assegurar um futuro honesto e confortável a quem nele vive. Confirma-se o buraco no casco da lusa nau e o governo aconselha que se a abandone antes que seja tarde, sob pena de todos terminarem na fila da sopa ou debaixo de uma milionária ponte de uma auto-estrada/SCUT qualquer.

Entristece-me essas perspectivas, principalmente porque já pensei (penso ainda) em me tornar num desses ratos. No entanto, pensei por iniciativa própria, não precisei de um iluminado a dizer que para mim não há hipótese...

Porque não se vão embora eles? Acharia de bom grado que se fossem de uma vez. Passos, Seguros, Jardins, Soares, Cavacos e todos os outros incompetentes que agora clamam pela evasão dos excedentários. Eles que se ponham a andar, tomem essa iniciativa e dêem o exemplo. Vão de low cost para poupar.
Como complemento deste post deixo esta lúdica proposta de "pesquisa de opinião":


14 dezembro 2011

Os 15 segundos de infâmia


Hoje, ao ver o noticiário, vi uma cena que me deixou algo mais perturbado do que já normalmente sou.
Vi uma senhora, com uma pequena menina ao colo, chateada com o nosso (pouco) querido PM.
Com a criança ao colo a senhora gritava impropérios ao digníssimo. Chamou-o cabrão, filho da puta entre outros adjectivos pouco abonatórios.
Com a criança nos seus braços avançou em direcção à polícia que entretanto montara cerco. Escudou-se na menina e foi de encontro ao "muro" então formado. Foi, como é óbvio, afastada com muito pouco carinho.
Então ouviu-se:
"Como é possível, a empurrar uma mãe com uma criança ao colo!"

Tem razão, a pobre mãe: como foi possível tal acontecer? Como foi possível uma mãe usar, de forma tão baixa, uma pobre criança? Como foi possível usá-la como escudo, como arma de arremesso e, por fim, como desculpa para uma uma indignação ignóbil?


Pergunto-me pelo futuro daquela menina. Como pode alguém, em tão tenra idade, absorver tanto ódio e crescer de forma "normal"? Não julgo os motivos que levaram aquela mãe àquele acto mas será que existe desespero, pobreza e revolta que justifique fazer com que uma criatura inocente fique perante um risco desses?



A pobreza material é penosa, mas a pobreza moral é danosa...

10 dezembro 2011

Conversinhas

Os únicos diálogos eloquentes, educativos, responsáveis e transcendentais que tenho tido ultimamente são com o meu filho de 4 meses... sabichão, o gajo!

08 dezembro 2011

Brinquedos de %$#&§



Com duas crianças em casa, o Canal Panda é, obviamente, o que tem mais tempo de antena. Canal virado para a malta mais nova, farta-se de ganhar dinheiro nesta altura do ano com os comerciais de brinquedos. Tudo normal, afinal, do jeito que as coisas estão, todos têm de fazer pela vida.
Assim, hoje, feriado, enquanto a minha menina aguardava pelo próximo boneco animado, fiquei a acompanhar as novas tendências do mercado.
Foi então que percebi que a nova tendência é o nojento, o estranho e, principalmente, o grotesco. Só assim é possível encontrar explicação para estes produtos:
Neste 1º exemplar, um puto, com tendências megalómanas, cria os seus próprios monstros e depois, insatisfeito, aperta-os com as mãos até que o cérebro estoire ou os olhos expludam das órbitas enquanto deita uma gosma verde por tudo o que seja buraco.



Nesta 2ª coisa, o objectivo passa por arrancar o maior número possível de macacos do nariz do boneco e até que lhe salte o pequeno encéfalo (algo maior do que o daqueles que criaram esta treta)! Ganha aquele que mantenha o almoço no estômago.

E para terminar, o melhor (ou pior?):







Para este não encontrei objectivo. Não sei quem ganha, se é o que apanha mais cagalhões (desculpem, mas só me lembro desta palavra para isto), ou o que fica menos borrado, ou o que mantenha os pais casados depois de um deles ter a infeliz ideia de escolher esta porcaria para presente de natal.

E isso são só três exemplos...

Saudades do pião e da bola de berlinde!

05 dezembro 2011

Esmola - repost

Em época de Natal e aproveitando o tema deste mês da "Fábrica de Letras", faço um re-post de um texto de Dezembro de 2008:



Esmola


Sexta-feira caminhava pela cidade, preocupado em comprar uma prenda de aniversário para a minha "mais-que-tudo". Apressado e olhando para todas as montras, queimava meus (poucos e cansados) neurónios na tentativa de imaginar algo que fosse "simpleszinho mas bonitinho".
Nessa confusão, passei pelos correios e, mesmo ao lado da porta, como um guardião, um senhor de idade e com a mão estendida segurava uma boina virada para o céu. Não dizia nada mas pedia uma esmola.
Passei por ele como um Ferrari passa por um carocha na A1, mas a minha consciência (que carinhosamente chamo de Ofélia), essa senhora da vida que mora na minha mente e não paga renda, picou e moeu a minha cabeça, chamando-me nomes por não ter dado atenção àquela pobre alma.
Defendi-me dizendo que não era o único e que outras pessoas passaram por ele sobranceiras, ignorando-o imperialmente; ela simplesmente mandou-me pró car"#$.
Não sei se existirá "conciêncicídeo", de qualquer forma tal acto teria que passar, inevitavelmente, por um suicídio, o que não me agradou muito naquele momento.
Decidi que se comprasse alguma coisa, em qualquer loja, passaria de propósito à frente do senhor e deitaria, na sua boina, uma quantia qualquer de dinheiro.
Dito e feito, após adquirir algo que fizesse a minha senhora esquecer o erro que cometera há alguns anos, passei pelo homem e "amandei" para a sua protecção capilar duas moedas de 0,20€ que tinha a mais na carteira. As moedas aterraram no chapéu e não bateram em mais nenhuma; as pessoas estavam tão imbuídas de espírito natalício que, na rua, só viam pais-natais, duendes e corninhos de renas.
O homem instantaneamente sorriu um sorriso vazio e disse: "Muito obrigado e um feliz natal!"
Aquilo desconcertou-me e, apesar de ser algo que eu já esperaria que o homem dissesse, foi dito de uma forma incrivelmente verdadeira e agradecida. Algo que, se calhar, não faço todos os dias.
Fez-me muito bem e concluí que, afinal, aquela esmola não foi para ele: foi para mim.


11 novembro 2011

Trocadilhos da bola

Sobre o Portugal X Bósnia de hoje:

- Portugal não jogou uma bósnia;
- Paulo Bento pensou em convocar o Madjer para jogar no areal de Zenica;
- Cristiano Ronaldo jogou mal porque costuma "comer a relva" e isso hoje era algo indisponível ;
- Postiga saiu no 2º tempo depois de se lesionar contra um adversário que estava na apanha da batata;
- Parece que os jogadores aqueceram ao som de "Le Freak" dos Chic, com direito a laser's e coreografias eróticas com as mãos;
- A federação de futebol da Bósnia leiloou a relva ao final do jogo: angariou 3, 52 €;
- Pepe levou um amarelo depois de chamar "filhadaputic" a um adversário;
- Moutinho quase marcava, pena a bola ter desviado numa cenoura;


Terça-feira há mais...



01 novembro 2011

Azul de vergonha

O que me chateia não é a derrota. O que me chateia não é o facto de perder para uma equipa sem tradições no mundo do futebol europeu. O que me chateia não é perder para uma equipa sem estrelas. O que me chateia não é ficar fora da Champions.

O que me chateia é a arrogância. É o "ôba-ôba". É a prepotência de quem ganha milhões directamente proporcional à falta de humildade e o mal perder. O que me chateia é não ter na equipa um Costa, um Santos, um Pinto, um Barros, alguém portista como eu e que representa as tradições nortenhas. Chateia-me a falta de pressão e luta características dos azuis.

Há alguns dias, um tal Sr. Víctor, que se diz treinador, numa tentativa de jogo psicológico, cuspia no microfone que a sua equipa era a mais forte. Esse mesmo Sr., que tem um plantel de alta qualidade, veio provar que a sua equipa não presta e que não passa de um amontoado de peças soltas sem sentido; veio hoje demonstrar o quão incompetente é a treinar. Mas deixou ainda mais patente a sua incompetência a planear uma época e a sua miopia táctica.

A Champions já lá vai, que a vença o outro clube português. Agora lutamos pela Liga Europa.

Jogo das bolinhas

Na RTP Informação:
"O golfe é um desporto individual, uma luta constante entre o jogador e o campo"

Tentava um entusiasta do golfe justificar a importância do "desporto" para a economia nacional e disparou tão eloquente e poética frase. Não se conforma, o pobrezito, com a intenção de taxar este tão luso "desporto" com o IVA a 23%. Receia a perda de turistas para o Allgarve, algo que deverá acontecer por culpa, única e exclusiva, desta medida disciminatória, abusiva e inconsequente, já que o subsídio de férias foi ao ar e os ricos portugueses não terão como sustentar este tão saudável e atlético "desporto". Ok que a maioria dos "atletas" não são tugas; ok que a Europa está em crise e os estranjas não têm tanta cheta como antigamente; vão ter de cortar nos "caddys" (já que está na moda cortar nos assalariados.) ou por cabras a "aparar" a relva.

Compreendo a posição dos golfista já que, esta medida, é mesmo discriminatória.
Passo a explicar:

No entanto, antes de mais, tenho que confessar a minha dificuldade em encara
r o golfe como um desporto. Não o consigo comparar com a natação, atletismo ou mesmo o futebol. É-me difícil imaginar um senhor balofo, agarrado a um saco cheio de paus, equipado com um Havana e uns sapatos brancos de gosto duvidoso e que não consegue percorrer uns metros senão montado num carrinho de supermercado com motor, como um exemplar desportista. Considero o golfe mais um jogo com um tabuleiro gigantesco e de manutenção dispendiosa, onde tanto se pode jogar como alimentar uma manada de búfalos, outros ruminantes endinheirados ou hooligans de férias.
O golfe é tanto um desporto como o são o automobilismo, o bilhar, o tiro ou o bowling.

E é por não ser um desporto que acho bem que o golfe não seja sujeito aos 23%. É um acto discriminatório relativamente a outros jogos tipicamente lusitanos. Então vejamos, a sueca, o sobe e desce, o chinquilho, o solitário das repartições públicas, a coçadela dos tintins, a cusparada à distância e a sua variante, mijada à distância, e todos os "desportos" cujo objectivo é empurrar uma bola para dentro de um buraco não deveriam também ter IVA a 23%? Podem todos ser encarados como actividades desportivas e não têm qualquer taxação! Taxá-los seria uma questão de equidade tributária entre os diferentes jogos e traria dividendos ao Estado português; corria-se apenas o risco de diminuir o consumo de minis e porções de moelas e de orelha de porco e um pequeno aumento da violência familiar...




31 outubro 2011

Pai sofre XXIV: Halloween

Passados os "Noddys", Rucas" e outros que tais, eis que a minha menina passou a gostar de outro tipo de bonecos. Não que me orgulhe muito, mas ela vê o que eu via quando, há muitos anos atrás, era também um miudito.

Na TV Cabo (já não me ligam há meses, esses malandros!) existe um canal de desenhos animados inglês que pode causar um achaque de nostalgia fulminante aos mais velhos. O canal em causa chama-se "Boomerang" e por causa dele (e dela) comecei a (re)ver "Mutley and Dastardly", "Wacky Races", "Top cat", "Tom & Jerry", "The Flintstones", "The Jetsons" e, o preferido da minha pequenita (e porque hoje é noite de Halloween):



Aliás, o visionamento do amigo Scooby é quase um ritual: começa o desenho, aquece-se o leite, uma bolacha Maria e cama; é automático!
E a moçoila até já canta em inglês, pá! Se pelo menos o Sócrates visse isso...

7.000.000.000

Foto: Público










Parece ter nascido o bebé 7.000.000.000... e estes (e outros exemplos que facilmente se podem encontrar) vêm provar que existe (mesmo) gente para tudo.
Que este Homo sapiens sapiens possa ter uma vida longa, saudável e digna.

20 outubro 2011

"O" Médico

Tem sido difícil acompanhar a blogosfera (e muito menos publicar o que quer que seja) durante a semana. "Culpa" do trabalho e da família que me preenchem o tempo.
No entanto, hoje deixo aqui um vídeo que encontrei após "zappingar" o seu filme no canal Hollywood:



É indescritível o amor pelo próximo narrado por este "velho" médico. Mostra uma alegria e um desprendimento tão grandes que, ao longo de várias passagens, me fez sentir envergonhado das reclamações diárias.
Houvesse mais gente assim...

PS: existe neste blog um link para o site do seu projecto mas, para facilitar, aos interessados: www.patchadams.org/

16 outubro 2011

The (real) biggest loser

O Estado estava gordo. Estava cansado de ouvir falar de um necessário "fitness" para emagrecer o obeso glutão, sorvedouro de fundos e impostos, em que se tornara. Viciado no doce sabor do dinheiro, dependente da gordurosa perdição da corrupção e preguiçoso nos esforços de obtenção de hábitos administrativos saudáveis, já não conseguia ser suportado pela rede que o aguentava e estava a perder interesses.

O Estado investira pouco na sua educação e saúde. Suas economias eram parcas e o desenvolvimento exíguo nas últimas 3 décadas. Seu plano de seguro social era terrível e ameaçava desaparecer. Crescera pouco para cima e muito para os lados e já não cabia no traje orçamentado anualmente. O peso era tal que as suas pernas não o sustinham e deixara de andar; movimentava-se agora com canadianas, americanas, europeias, chinesas, ou qualquer outras muletas que o pudessem manter em pé.

Já por várias vezes inscrevera-se em ginásios de reputação mundial, contratara diferentes personal trainers de várias latitudes políticas, e, mesmo assim, falhara redondamente. Apesar dos esforços dos supostos profissionais, engordara cada vez mais, ficara pançudo e doente. Estava agora com obesidade mórbida e hipertenso. Aliás, a tensão estava a aumentar de tal forma que ameaçava explodir, a qualquer momento, mesmo no seu coração do poder central. A crescente gula por tudo que estava à sua volta ameaçava os seus sistemas orgânicos e arriscava-se agora à acidentes e convulsões sociais.

Cansado das dietas "ioiô" a que se tinha submetido tantas vezes, resolvera radicalizar: decidira ir à faca. Procurara auxílio de um corporação economico-estética, de renome temível internacionalmente, para resolver os problemas. Esta impingira um sério plano cirúrgico de cortes a direito em todas as suas áreas, inclusive as nevrálgicas.
Iniciara a empreitada com uma equipa cirúrgica supostamente canhota que, no entanto, demonstrara uma incrível tendência para o "show-off", a auto-propaganda e a incompetência (por coincidência, tal como as que a antecederam). Trocou-a por uma (demasiado) destra. Oficializada a nova equipa de salvadores, o Estado começou a ser intervencionado.

Na sala de cirurgia mundial, o Estado foi manietado, anestesiado e esquartejado. Com o seu âmago exposto, seus órgãos funcionais foram cobiçados e ficaram à mercê de um mercado traficante/agiota/especulativo: órgãos funcionantes, com dividendos, foram cuidadosamente retirados; os podres lá se mantiveram, corroendo-lhe as remanescentes entranhas. Nessa cirurgia demorada ( que levará ainda décadas a terminar) grande parte da gordura foi mantida e apenas a riqueza intelectual, o sangue bom e os neurónios funcionantes foram migrados para outros Estados mais saudáveis e activos. Os cortes indiferenciados feriram os tecidos estatais retirando-lhes a sua nutrição e matando-os lentamente.

O Estado então ficou magro de nutrientes e gordo de venenos. Terminou pobre, (miserável mesmo), subdesenvolvido e cheio de sequelas físicas e psíquicas. A desnutrição intelectual levou-o à insanidade. A falta de nutrientes económicos levou-o à anemia e à fraqueza muscular/braçal, atirando-o para a inanição.
Como resultado da abdução das suas mais valias, o Estado implodiu. Caiu por colapso das infraestruturas. Seu esqueleto social ruiu perante a falta das vitaminas laborais e económicas necessárias para o manter activo.

No fim, o Estado, obeso de vícios/magro de virtudes, tornou-se moribundo. Agónico e perdido, morreu pouco-a-pouco e, fagocitado por algo maior, desapareceu...

... ficou, no entanto, num grão das suas cinzas, a lembrança de poemas de glória e de um fino à beira-mar...

15 outubro 2011

Vontade de abalar

No seguimento de mais um roubo, mais cortes finos e dementes, cresce a vontade de abalar. Enquanto não decido para onde deserto, vou sonhando com Parságada.



Vou-me Embora pra Pasárgada


Manuel Bandeira


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei


Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


Texto extraído do livro "Bandeira a Vida Inteira", Editora Alumbramento – Rio de Janeiro, 1986, pág. 90

06 outubro 2011

Yo quería ser de América Latina*

Adicionar sobrenome latino-americano: hecho;
Utilizar sotaque da América do Sul: hecho;
Adicionar "Portunhol" em idiomas: hecho;
Foto de Hugo Chavez na carteira: hecho;
Solário para bronze Barranquilha-like: programado;
Inscrição no partido de Bolívar: programado;
Curso de Marinera: en la ponderación;
Registo na página do Sendero Luminoso ou FARC:
pendiente de aprobación;
Formação adicional na Faculdade de Medicina da Universidade Anton de Kom - Suriname: programado;
Finalmente:
Nuevo contrato con el ARS: bajo negociación;








*PS: private joke.

Desabafo

Caro leitor, encare este texto apenas como um desabafo, um desalento de alguém entristecido. Não sinta pena, não tenha compaixão, não julgue; apenas leia se tiverem pachorra e encare isto como algo sem qualquer importância e que só serve para aliviar um pouco a alma de quem o escreveu.



Estou de férias. Uma semana que saio do inferno do meu trabalho, mas trago-o comigo, como um moedouro que não me permite o afastamento completo.

Desde miúdo cultivei um sonho: ser médico. Trabalhei muito ao longo do liceu, privei minha adolescência de várias “coisas da idade”; namorei tarde, saí tarde, vivi pouco daquela fase buscando o objectivo que tinha em mente. Fui muitas vezes tentado, ridicularizado, provocado por aqueles do “deixa-estar”, do “empurrar-os-anos-com a barriga”, do “tu-só-sabes-estudar": bando de chicos-espertos.
Porquê ser médico? Porque sempre tive tendência para ser otário. Sim, isso mesmo: otário. Porquê? Porque, pensava eu, poderia, assim, ajudar quem mais precisasse. Ajudar o doente, o dependente, o desesperado. Coisas que vejo, agora, terem pouca ou nenhuma importância para a sociedade em que vivemos. O interesse actual gira em torno de outros dogmas muito menos magnos.

Tinha o médico como um ídolo e um modelo que gostaria de seguir. A beleza da arte me fascinava: a preocupação para com o próximo, o segurar da mão e o mimo ao doente, o sorriso fomentador de esperança, o consolo da família. Tinha um enorme respeito pelo médico que ía, solícito, à casa do doente; adorava ver o que tinha na mala e prestava atenção à observação que fazia ao doente. Idolatrava a postura, a sabedoria, a delicadeza e a educação inerentes à profissão. Ignorava que era um trabalho igual a tantos outros e sujeito a alvíssaras.
Era isso que desejaria fazer para sempre e faria tudo o que pudesse para alcançar esse propósito.

Passados os anos de clausura (e muitas vezes solidão) veio a recompensa: Coimbra. Passei as passas do Algarve para acabar o meu curso. Estudava durante a semana, tentava ajudar os meus pais no fim-de-semana, arrisquei o meu relacionamento com a minha mais-que-tudo. Não aguentei a pressão e deprimi passado algum tempo, pensei e planeei formas de entrar em contacto directo com o Criador, foram lágrimas, suor e quase, mesmo quase, sangue. O meu percurso na faculdade não me orgulha… mas levantei, sacudi a poeira, dei a volta por cima e consegui.
Fiz o Juramento de Hipócrates e nessa altura senti-me médico por inteiro. Não foi o diploma ou o cartão da ordem que me fizeram médico, foi o meu esforço espelhado naquelas frases feitas mas com uma minha interpretação própria.

Enveredei pela parente pobre das especialidades médicas: a Medicina Geral e Familiar. Tão falada nas notícias, tão pouco compreendida por todos (inclusive muitos dos que a representam e praticam). A especialidade que "vê" a pessoa como um todo e que é a pedra basilar do sistema de saúde. Se for feita com seriedade e respeito: a mais bela forma de se fazer medicina.
Foram quase quatro anos de mais trabalho, de investigação, de aprendizagem e de mais privação pessoal e familiar. Novamente consegui e desta vez com distinção.

Hoje sou Médico de Família. Trabalho no que sempre quis e sonhei... mas quem sonha muito, por vezes, tem noites em que sonha mal.

Estando no terreno vê-se o que não se vê nas polegadas da TV. O que jornalistas, políticos, alguns médicos e utentes dizem não corresponde à inteira realidade e não pinta o quadro todo. Quem "é de fora" não tem noção (nem compreende) a dificuldade da tarefa, as pressões várias dos doentes, dos colegas, dos chefes, dos políticos e as limitações do próprio médico. Não se pense que é fácil ser-se médico e gerir todo um mundo de interesses que de medicina nem sequer chegam a ter cheiro.

Tal qual a imagem que sonhava, norteio a minha prática pela ética, honestidade, seriedade, rectidão e trabalho. Chego à conclusão que todas estas virtudes encontram-se subvalorizadas. Quem por elas se orienta é alvo a abater porque encrava o sistema instituído. Vejamos, é mais fácil mentir, aceitar, resignar-se e ir com a corrente do que insistir e lutar contra o que se considera errado. Quem muito cria raízes arrisca-se a sofres mais na hora de ser arrancado do sistema.

Cheguei à conclusão (em muito pouco tempo) de que, ao fim dos meus dias de trabalho, pouca medicina faço. Sou mais um secretário. São papéis a mais e estetoscópio a menos. São burocracias, economias, números e estatística, vontades e direitos hipertrofiados; ninguém dá valor aos deveres e responsabilizações.

Cansa muito mais ser íntegro; seria mais simples juntar-me à manada.


Depois de tantos anos de trabalho árduo em busca de um sonho, entristece-me concluir que andei atrás de uma fantasia, de um unicórnio alado. Cheguei à triste conclusão de que, mais que os doentes, é a própria medicina e seus agentes que padecem de patologia. A medicina e o sistema de saúde estão podres e os seus valores subvertidos. A figura do médico, que me apaixonou à infância, existe agora em forma residual, aqui e ali; deixou-se borrar pelos interesses instituídos, pelo sonho de riqueza, pela arrogância de um posto, pela má gestão e pelo facilitismo. Deixou-se levar pela falácia dos políticos, pelos desejos insustentáveis e impaciência dos utentes e esqueceu-se dos verdadeiros doentes. Elegeu pessoas para as representar que não têm a visão daquele que sofre no horizonte e que apenas defende os seus subscritores (e mesmo assim nem todos e nem nas situações que deveria). A Medicina está agónica e a precisar urgentemente de um Hipócrates ou Galeno.

Talvez seja eu e a minha irritante tendência ao exagero. Talvez a culpa seja minha de idealizar uma imagem que nunca correspondeu à realidade. Talvez seja apenas muito ingénuo (mea culpa). Talvez seja apenas uma fase em que esteja hiper-hidratado e necessite libertar alguma água pelos olhos sempre que termine o dia de trabalho. Talvez nada disso exista e seja apenas uma miragem da minha personalidade negativista. Talvez... quem sabe?

Neste momento, a medicina que sou obrigado a fazer deixou de ser apaixonante, divertida e, pior, deixou de fazer sentido.

Espero por dias melhores...

03 outubro 2011

Ilhas dos amores? Sois vós Açores.

Para o desafio viagens da "Fábrica de Letras":



Das (poucas, infelizmente) viagens que fiz, a que mais me surpreendeu foi a que me levou até aos Açores. Surpreendeu-me talvez porque não estava preparado para o que ía ver. Não tinha qualquer noção do que me apresentariam as diferentes ilhas e fiquei apaixonado, desejoso de voltar...
Este envergonhado projecto de poema que vos apresento surgiu-me na viagem de regresso num repente, quase sem pensar, daí poder parecer negligente ou infantil, mas é assim que o coração "escreve" quando está enamorado, certo?
O que surgiu foi, portanto, puro e verdadeiro.




(foto da minha autoria)

01 outubro 2011

Gastronomia madrugadora

Meu vizinho tem um galo que, às 4 horas da manhã, faz-me pedir por um bom arroz de cabidela...

20 setembro 2011

20 anos

Há cerca de 17 anos, ao entreter-me com uma revista "especializada" em música, lia um artigo, de um erudito qualquer, que vaticinava o fim dos Pearl Jam logo ao 2º álbum. Ironizava o sabichão que o líder da banda se tinha aburguesado, que a música do grupo não respondia à chamada grunge da origem e que estava por isso, esse trabalho, destinado ao fracasso.
O álbum em questão era o "Vs", por sinal um colossal (está na moda) sucesso. Parece-me que para profeta, o tal escritor dava um excelente mestre-d'obras...

Mais 20, sff.