12 agosto 2011

Aumentos


"Governo antecipa aumento do IVA na electricidade e gás" - in Público

Hoje à noite já se iluminará a casa com velas.
Já comprei um ratinho para montar um microgerador para o computador.


E, a partir de hoje, 2 refeições diárias contendo feijão e/ou repolho.


09 agosto 2011

Inglesada

A polícia inglesa revelou os nomes de alguns dos jovens presos nos desacatos na área metropolitana de Lomdres. Ei-los:

- Ahremessa Al-Calhau;
- Pontus Nathesta;
- Isaac Nathein Job;
- Amin Nan Ah-Kembata;
- Juan Lleno de Dolores;
- Amândio Rochas;
- Storvas Zaragatas;
- Allipio Rada;
- Aiden McCair O'Dent;
- Chang Ia Lee;
- Alan Smith.

Todos eles ingleses à excepção do último: australiano.




Post baseado neste.

08 agosto 2011

Bomba

Comprei uma pequena bomba para encher os pneus à bicicleta.



Fiquei sem desculpas...

06 agosto 2011

Estrelinha de azar

Já há algum tempo que tenho pensado em escrever sobre esta matéria e esta semana, depois de mais um quiproquó com um destes de que vou falar, resolvi finalmente dissertar sobre o tema.

No nosso país parece haver um culto ao carro. Típico de países atrasados, em Portugal quem tem um bom carro parece estar envolto num halo de status vindo sab
e-se lá de onde ou porquê. Muitas pessoas geram opiniões sobre outrem baseadas na viatura conduzida pelo vizinho. A pessoa pode ser a maior vadia, mau carácter, desprezível, mas, se tiver um bom automóvel, já deve valer alguma coisa. Isso pode explicar o facto de os tugas comprarem todo o lixo que os alemães já não querem.

Vou ser claro: eu receio e odeio os Mercedes-Benz 190 ® e afins que encontro na estrada!
Recear porquê? Porquê, na maior parte, são conduzidos ou por velhotes, que mal se podem mexer, ou por putos que querem um Mercedes® para impressionar. Odiar porquê? São feios, velhos, poluentes; odeio-os principalmente porque põem a nu uma faceta da sociedade que me chateia, aquela em que "não é preciso ser, é preciso parecer". Ficam convencidos que, comprando esses trambolhos sobre rodas, passam a pertencer a uma elite qualquer.

Um 190 na estrada é sinónimo de grandes filas e de infracções ao código. Daí que, quando vou atrás de um no IC2, dou uma distância de segurança: 1º porque representam um perigo à segurança dos outros condutores; 2º porque não quero ficar intoxicado com o fumo; 3º porquê são horríveis;
Para além disso, o facto de um fulano conduzir um Mercedes® não invalida que o mesmos deixe de ser uma besta. Já os vi cavalgados nas bermas, em segunda fila, a ultrapassar pela direita ou a pisar riscos contínuos, a esbracejar e esbravejar com tudo e com todos e por tudo e por nada. Parece que educação e civismo, na
maioria dos casos, não faz parte do equipamento de série...

Mas a culpa não é da Mercedes®. A marca apenas fabrica os carros. A culpa é de uma sociedade que julga os outros pelo que têm, pelo que veste, pelo que aparenta... triste comunidade motorizada.

No entanto, há oásis nesse deserto de mediocridade. Não sei se já escrevi aqui, mas há pouco tempo ouvi um jovem colega meu proferir uma das frases mais simples e bonitas que ouvi nos últimos tempos. Dizia ele que gostava de ter 5 filhos. Falei do meu espanto, de que não é normal hoje em dia o desejo de famílias numerosas e das dificuldades económicas que as pessoas referem para criar um filho. O meu
amigo, de forma muito calma e singela, respondeu: "se não puder ter um Mercedes® tenho um Renault Clio®".
Valha-nos esses que nos "enxergam" para além da nossa embalagem e
nos julgam pela nossa alma.


"Se não fosse o 190 não arranjava essas gajas boas (todas com mais de 18!)"

05 agosto 2011

Fugir por amor...

Para o tema "Fugir" da Fábrica de Letras:



Fugir por amor

“Vamos fugir deste lugar, baby, vamos fugir”
“Não posso, sabes bem”
“Mas porquê? Pela tua família? Pelos teus amigos? Pela tua boa vida?”
“É por tudo, amor. Não posso abdicar das coisas que tenho em casa. Se for contigo tenho que me virar sozinha, certo?”
“Não sejas tonta, querida, eu trabalho para ti. E se as coisas não correrem bem, viveremos de amor!”
“És um romântico… e também um grandessíssimo pateta! Amor não enche barriga, ok? Tu és um “D. Juan” que só me quer saltar para as cuecas!!!”
“Se pelo menos usasses umas…”
“És mesmo tonto”
“Anda lá, ninguém vai sentir a tua falta. Eu sei do que falo. Já vivi em muitos lugares e ninguém quis saber. Já me fui embora inúmeras vezes e ninguém me chamou de volta.”
“Mas tu sempre foste um solitário. Talvez não percebas o valor de uma família. A minha não é assim, tá bem? Nunca me abandonaria! E eu não sou capaz de o fazer. A minha família sempre fez e faria tudo por mim."
“Mas só eu te dou amor. Só eu sei fazer o quê e como tu gostas, não é verdade, minha coisita fofa?”
“Pára lá com isso… não mexas aí… ui… OK! O que tens em mente?”
“Hoje, pela meia-noite , venho buscar-te e…”

Na manhã seguinte, a menina foi até a porta de casa e gritou pela sua cadelita. Insistiu muitas vezes naquele dia e nos seguintes sem nunca obter resposta.
A menina, a sofrer, chorou durante muito tempo até ouvir a bonita história da pequena caniche que foi seduzida por um rafeiro e que se foi embora por amor... coisas de pai para apaziguar coraçõeszitos inocentes.


04 agosto 2011

Pontaria

Hoje, durante a minha estadia nas instalações de uma superfície comercial, apareceu-me, assim de repente, uma vontade incontrolável de mictar.
É estranho como, nesses momentos de sobressalto, vamos confirmando informações que vão surgindo aqui e ali.

Passo a explicar:
Li há já algum tempo, numa revista qualquer, que a altura média da população portuguesa tem vindo a aumentar. Parece que a dos rapazes se encontra actualmente nos 174cm, ultrapassando, por exemplo, a média dos rapazes espanhóis (um aparte).

Voltando àquela ida para resolver necessidades fisiológicas.
Quando me dirigi ao sanitário mais próximo verifiquei que, mesmo estando um pouco acima daquela média de altura, necessitava de ficar em bicos dos pés para acertar no interior do urinol.
Fiquei espantado com o facto da nossa sociedade estar atenta à ciência e com a rapidez com se adapta aos novos desafios que se lhe impõem: já aumentaram a altura da porra dos urinóis?! Tem agora um gajo que se esticar todo para não roçagar os tim-tins na porcelana, caraças! E quem não alcança o alvo compra uma escada? Faz exercícios pélvicos? Resolve o problema no lavatório?

Ai, os arquitectos vanguardistas...

02 agosto 2011

Investimento

Se tivesse ganho o gigantesco jackpot do euromilhões (lembram, 182000000€?!), também eu tinha ido atrás da barganha/pechincha BPN.

E parafraseando o Bloco nesta matéria:


01 agosto 2011

Pai sofre XXII: da tróica?


Como escrevi há alguns "posts" atrás, minha mais-que-tudo tinha a ideia de que durante 1 mês pós-parto não haveria furunfunfada para ninguém e assim mais valia rezar para complementar o celibato.
No entanto, parece que lhe foi dito, por uma minha colega Obstetra/ginecologista, que, afinal, o período de aridez copuladora deverá ser não inferior a 1 mês e meio!!!
Tudo bem que ela é especialista em vaginas e eu apenas apreciador/admirador, mas 45 dias? Até o dilúvio teve menos tempo!

Num dia em que a malta reclama que os transportes aumentaram até 25%, o que vou eu dizer quando o aumento do tempo de sexo unipessoal aumentou em 50%!!!

Olhem para mim dentro de mês e meio:



Um post a roçar o gay * e carregado de estereótipos

Dentro da maternidade, passei por dois gajos das obras vestidos com coletes e que carregavam caixas de ferramentas. Eram ambos grandes e carecas.
Depois de os ver apanhei-me a cantarolar "I'm too sexy for my love...", o que me soou algo estranho.



Depois vi uma enfermeira jeitosa e fiquei mais descansado...



*sem trocadilhos, ok?

31 julho 2011

Pai sofre XXI: Na maternidade

Com a minha senhora internada, de recobro da cesariana, lá vai o papá para a maternidade.
Como a visita do pai decorre das 12:00 às 20:30, ficam mais de 8 horas para preencher. Não me interpretem mal, mas o meu pequeno "pilas", neste momento, só obedece a um plano: dorme/come/caga e não exactamente por essa ordem, sendo que a parte "dormir" é a que demora mais tempo. Dessa forma, há sempre "coisas" que vão chamando atenção.

No quarto da minha madame estão mais 3 bebés e, no meio do mesmo, incrustada na parede, jaz uma televisão. Como lá manda a puta da democracia, todos vemos o canal da maioria. Nos 2 primeiros dias a TV esteve na SIC, ou como costumo chamar "televisão doentia", e tive que levar com a Ana Marques e Cia ilimitada (Cláudio Ramos incluído!).
No entanto, hoje lá mudaram para o primeiro canal da RTP. Não é que eu estivesse a ligar muito para o que estava a dar na televisão, mas não pude deixar de ficar estúpido de facto com algumas "músicas" do Top +. Primeiro de tudo as famigeradas musiquinhas infantis, várias vezes comentadas neste blogue nos últimos 2 anos; depois uma tal de Rosinha que põem uma minhoca numa vara qualquer; por fim, e antes que eu perdesse os sentidos, um tal de Leandro com isto:



Parti-me a rir quase instantaneamente:
"Fuuoooda-se", pensei logo, "uma canção sobre a morte da mãe a passar numa maternidade? Isto só pode ser o cúmulo da ironia!!!"

O tempo assim até passa mais depressa e amanhã o meu menino vem para casa, finalmente!

29 julho 2011

Pai sofre XX: Sequelas

O meu miúdo já estava vestido e eu estava a apresentá-lo à mamã quando a obstetra sai-se com:
"Pronto, como foi cesariana, dentro de dois anos voltam pelo terceiro"
"Como?" digo eu espantado.
"Foi cesariana e..."
"Não é isso. Essa parte do "não sei quê do terceiro"

Vamos fazer uma analogia.
O "Tubarão" foi bom. O "Tubarão 2" também foi. Os outros "tubarões" eram escusados. Os dois primeiros "Back to the future" foram espectaculares, já o 3
º: nhec, foi bonzito, vá.
Ninguém disse que isto seria uma trilogia, ok! Eu não sou o George Lucas a tentar esticar ideias. Isto cá em casa não é Hollywood e a minha holy wood já não trabalha para estes resultados!
Citando o sábio povo: "um é bom, 2 é óptimo, 3 e as coisas come
çam a ficar apertadas".


28 julho 2011

Filho

Na minha prepotência dos 30 e tais, com a certeza de que tinha certeza de tudo, vieste tu, meu filho, mostrar-me que, afinal, ainda tenho muito, mesmo muito, o que aprender.
Tu que és tão pequenino e frágil, vieste mostrar-me o que enfim sou: mais pequenino do que tu.
Quem sabe tudo? Quem conhece todos os segredos do mundo? Não sou eu, ora bolas, é essa a verdade.
Tu que és puro e limpo, com esses olhos, que pouco vêem mas tanto mostram, abriste os meus e os lavaste em água salgada.
Mal te ouvi, ainda no ventre da tua mãe, vi logo as minhas imperfeições, e ao pegar em ti, pedaçinho de gente, vi o quanto eu também tenho de crescer.
Ah, pequeno, quanto tempo esperei por ti em ansiedade; quanta vontade tinha de te conhecer e ver, reflectido em ti, o fruto do amor destes teus pais apaixonados.
E assim, filho, este teu, pensava ele, sábio pai, viu-se num mundo novo; num mundo onde tu passas a ser rei depondo o velho sabichão: o que tinha a certeza de tudo ter certeza e, vê bem miúdo, que pensava que a felicidade e o amor tinham limites...

Sê bem-vindo que tenho muito a aprender contigo.


25 julho 2011

Os princípios


"No princípio criou Deus os céus e a terra" Gênesis 1

Deus estava presente naquele princípio, mas um dia criou os portugueses. Esses criaram outros princípios:
"Eu tive um princípio de AVC..."
"O meu pai tem princípio de diabetes."
"Estou com tosse, deve ser princípio de pneumonia."
"Há alguns tempos tive um princípio de depressão."
E etc, etc.
Quando falam isso digo logo que não vale a pena tratamento porque só conseguimos tratar doenças estabelecidas.

Agora percebo porque deveria conhecer melhor o Harrison...



23 julho 2011

Sangue frio

Há quem diga que um profissional de saúde deve ter sangue frio. Sangue frio para aguentar as agruras do dia-a-dia, as misérias, as doenças, a violência das imagens, do sangue e das vísceras expostas.
Eu acho que não. Na minha mui humilde opinião, um profissional de saúde deve ter sangue frio para aguentar firme e hirto quando ouve, a meio de um discurso de queixas, coisas como: "constipação nos ossos", "fumador invertebrado", "estreptocópus", "quero um electrocardiograma à coluna", entre muitas outras coisas bonitas.
Por vezes não é fácil e confesso que já me parti a rir duma tirada dessas
... um gajo não é de ferro, pá!!!


21 julho 2011

Pai sofre XIX: A gravidez ou o sertão sexual

Há alguns dias, durante um zapping, parei no canal Hollywood e fiquei a ver o filme “Um azar do caraças”. A história girava em torno de uma casal de pessoas completamente diferentes que, podres de bêbados, têm uma noite daquelas. Passado um tempo descobrem que a moça engravidou, e patati, patatá, pardais ao ninho.
O que me faz escrever este texto é o facto de existir uma cena nesse filme que tentava retractar o acto sexual durante a gravidez. Nessa cena, o futu
ro pai não conseguia continuar o “bem bom” porque, apesar da moça ser bem jeitosa e estar super “horny”, não deixava de pensar que podia acertar na testa ou outras partes do bebé e que o seu bacamarte não deveria ser a primeira imagem que o filho veria (aliás, um pensamento muitíssimo sensato!).

Ao ver aquela cena não pude deixar de lhe achar piada, mas ao mesmo tempo pensei: “pelo menos estás a tentar!”

Na gravidez “o amor” é um bicho estranho, realmente. Para quem não tem fetiche por grávidas é algo esquisito. Dependendo da idade gestacional é difí
cil e quase acrobático. Um fulano tem de ter destreza física e capacidade mental para a empreitada.
Isso se houver alguma hipótese de existir qualquer coisa desse género e é esse o tema deste texto: a seca.

Na primeira viagem pelas terras dos “9 meses” tinha um amigo que, no gozo, elogiava a massa muscular do meu braço direito. Eu perguntava-lhe “êpá, é assim tão evidente?”, ao que me respondia: “já fui pai duas vezes, não te esqueças…”
Não serão bem 9 meses de seca, há que descontar as seman
as da ignorância e o tempo até à primeira ecografia: depois de ser ver aquela coisinha no ecrã um fulano olha pró material das moças de outra forma! É todo um mundo que se fecha…

E é justamente nessa altura do querer e não poder que vem à baila o tão famoso ditado do “proibido é mais apetecível” e essas merdas. Um gajo, que normalmente já quer, quer ainda mais! Parece sacanagem, querer sacanagem e não poder.
“Pode sim, caraças. Eu sei que não há problema! Vai, foca-te” e até se hasteia uma bandeira aqui, outra ali, mas não há terra para se encravar (ou até há mas está em pousio).

O tempo vai passando, a sede aumentando...
Começa-se a achar interessante toda e qualquer tipo de pele exposta. Chega-se ao verão e as saias atormentam. Vai-se à praia e é um martírio. Vê-se o fashion TV e o preço certo com certa frequência e não se sabe bem porquê. Ai, ensandece-se qualquer coisita...
Começa a ser constrangedora a “insustentável leveza do ser”.

Agora, mesmo, mesmo no finalzito, com o filhote quase a rebentar, depois de todo o sofrimento e de auto-contemplação e satisfação, da subida da direita ao poder, ouço uma frase aterradora: “já se sabe como é: no primeiro mês não há nada!”


É paradoxal um acto sexual vir a dificultar (ou impedir) a realização de outros-que-tais subsequentes. Talvez possa ser chamado de “sexo empata fodas”.




18 julho 2011

Maus caminhos

Não sei porquê, mas a maioria dos blogs que visito frequentemente tem aquele aviso do blogger sobre conteúdos impróprios.
Parece que os mesmos surgem após alguém, mais susceptível, queixar-se ao todo poderoso virtual sobre os malandrecos autores das respectivas páginas.
Leva-me a pensar que este mundo está inundado de gente hipócrita e "queixinhas"!
Deixai-os publicitar ideias, caraças! Deixai-os mostrar pachachas, piças e o acto do amor! Deixa fluir textos ordinários, obscenos e plenos de caralhadas lusitanas!
Cambada de falsos beatos e puritanos!

Aos delatorezitos que por aí andam, virgens de ouvidos e olhos, levai ( e deixo vossa imaginação fluir...)



PS: não se espantem se amanhã também tiver aquela tartufa mensagem antes de adentrarem o meu estaminé.

17 julho 2011

A confissão

Para o desafio "Segredo" da Fábrica de Letras:


A confissão

Maria sentiu o telemóvel a vibrar no bolso apertado da calça de ganga. Estava no silêncio, não queria chamar a atenção a meio da aula. Retirou com grande discrição o aparelho e não conteve um sorriso assustado ao ler o que continha a missiva electrónica:
“Maria, estou há algum tempo para te dizer algo que só pode ser dito pessoalmente. Um segredo que não posso mais esconder. Se puderes, vem ter comigo ao nosso lugar depois das aulas. Bj. Marco”.

Marco era o melhor amigo de Maria. Era “apenas” o melhor amigo porque Maria ainda não tinha tido coragem de lhe dizer que o queria de outra maneira. Duma maneira como nunca quis ninguém. Queria-o muito para além da amizade, muito para além do abraço e do beijo fraterno na face.

Enquanto caminhava apressada para casa, conjecturou inúmeros cenários para a tão esperada revelação. “Será que esse segredo é o que eu penso?” , pensava. Imaginou o amigo de joelhos a confessar o quão difícil foi criar coragem para lhe dizer que a amava e a dificuldade de esconder tal sentimento. Imaginava “Nothingman” a tocar ao fundo e o sol a esconder-se por trás dos montes que se vêem de onde se costumam encontrar. De tanto antecipar a cena nem deu por ter chegado à sua casa.

Foi ter com a sua irmã gémea, Laura. Mostrou-lhe a mensagem como que desvendando o terceiro segredo de Fátima. Laura ficou boquiaberta, mirou Maria nos olhos e abraçou-a. Ao saltos no meio do quarto pareciam duas tontas do tempo do liceu quando bastava um olhar do menino bonito da turma para perderem as estribeiras.
Laura dizia repetidamente “o que é que eu te disse? Não te tinha dito? Eu sabia, eu sabia!”. Riram-se desalmadamente, conversaram em algazarra, de tal forma que toda aquela maluqueira chamou a atenção dos seus pais.

“O que combinaste com ele”, perguntou Laura.
“Vamos encontrar-nos na encosta”.
“Oh, man”, suspirou, “vai ser uma cena digna de um bom filme meloso”.
“Estás é com inveja” e mostrou-lhe a língua.
“Maria, quem não estaria? O homem é tão jeitoso!”.
“O que visto para esta ocasião?”.
“Vais sexy e irresistível, mana!” disse Laura enquanto corriam para o roupeiro do quarto de Maria.
Depois de uma curta procura, encontraram um vestido que concordaram adequar-se à situação.
Laura penteou a irmã, aplicou umas mistelas coloridas na sua face e ajudou-a a maquilhar-se.
Depois de algum tempo Maria pousou para si própria à frente do espelho: estava linda… ainda mais.

Como combinado, Maria foi ter com Marco à encosta que fizeram seu ponto de encontro. Naquele lugar já lhes tinham corrido litros de saliva em longas conversas e cantigas de escárnio. Foram cúmplices de vários crimes de difamação e, s
e aquele lugar pudesse falar, teriam muito com que se preocupar.
Marco já lá estava. Visivelmente nervoso, olhou para ela e soltou um “uau” prolongado e com vários pontos de exclamação.
Ela sorriu… e corou.

Depois de um curto período para se acomodarem nos devidos lugares, Marco começou a conversa libertando uma voz estranha e tremida:
“Maria, já deves imaginar porque te chamei cá”.
“Imagino” respondeu Maria prontamente.
“Não sei por onde começar. Juro não ter sido a minha intenção, mas aconteceu sem me aperceber e agora estou assim: numa encruzilhada. Sabes que eu gosto muito de ti, que és a minha melhor amiga e que não podia te esconder nada”.
“Sim, Marco. Eu compreendo…” dizia sôfrega.
“Deixa-me falar ou passa-me a coragem. Maria, vou contar-te meu segredo, vou confessar-me…”
“Diz-me, Marco”.
“Maria, estou apaixonado!”
E os olhos da moça humedeceram-se…

Maria chegou à casa lívida e visivelmente perturbada. A irmã, que a esperava “em pulgas”, ficou preocupada com o estado da moça.
“Maria, o que se passa? Porquê estás assim? Diz-me, mana, diz-me!”
Maria então chorou. Deu um abraço tão apertado à Laura que conseguia sentir o seu coração assustado.
“Sabes que eu amo-te profundamente, Laura” e, olhando-a profundamente nos olhos, completou “e o que se passou é que o Marco também…”


06 julho 2011

Férias sem net


Alguns dias passados em Santa Cruz (Torres Vedras) sem net, apenas o mar, o vento, algum sol e (o mais importante) a família, foram responsáveis pelo entupimento da minha conta de mail, pelo vazio criativo neste espaço e pela recarga das minhas baterias (que já estão a ficar viciadas e cada vez aguentam menos...)


E segunda-feira é logo ali (suspiro)...

13 junho 2011

Fernando, a Pessoa

Há 123 anos nascia um dos maiores poetas da língua portuguesa: Fernando Pessoa. Com ele, nasceram também várias outras Pessoas que o Fernando foi desvendando na sua obra intemporal.
Tal é a sua importância para as 2letras" que a Google resolveu homenageá-lo, no seu motor de busca, com esta imagem:

Sua poesia perdura e impulsiona milhares a escrever; é possível, nas viagens pela blogosfera, ver excertos das suas obras a "adornar" templates vários.


Quem me dera escrever "coisas" como esta:


O Infante


Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!



E que deu origem a "isto":


Ou "isto":

05 junho 2011

4




Em resposta ao desafio "os problemas resolvem-se à chapada" da Fábrica de Letras.








4

A professora já não suportava mais. Aquela era a pior turma que alguma vez tivera a seu cargo. Nos seus longos anos de experiência nunca vira nada assim e a sua já pouca paciência esgotava-se a cada dia.
Eles gritavam, eles brigavam, mandavam papeis, borrachas e bocas uns aos outros.
Já tinha sido insultada, humilhada e desrespeitada de todas as formas e feitios por aqueles pequenos estafermos. Já não os suportava e, vindo de alguém que os devia "adoptar" como aprendizes, isso era terrível e inaceitável.

Por causa daqueles alunos iniciara uma incursão no mundo da piscofármacologia. Sentia-se nervosa só de pensar em pisar a sala de aula; as sextas-feiras eram de alívio e os domingos à tarde de terror.
Decidira acabar com este sofrimento. Não merecia essa cruz. Ia rebelar-se!

Chegou à sala naquela segunda-feira de manhã e viu o que via todos os dias: algazarra. Uns gritavam, outros corriam, mais um em cima da sua secretária e uma que escrevia no quadro enquanto o colega a usava como alvo para as suas bolas de papel. Nem notaram a sua entrada.


Escostou-se, invisível, à um canto, encheu-se de coragem e...
- CALEM-SE! TODOS SENTADOS! - a plenos pulmões, vindo do mais fundo, do mais recôndido e escondido canto escuro do seu espírito.

A sala de aula congelou-se. Todos ficaram imóveis como se alguém parasse o tempo. Espantados, viram no semblante da, outrora paciente professora, algo nunca antes observado. Algo estranho, novo e assustador. Um frio lhes correu espinha acima.

- SENTADOS, JÁ DISSE! NÃO VOLTO A REPETIR!

A pequena trupe então sentou-se. Expectantes, aguardavam o que dali viria.

A professora viu-se num impasse. Agora não poderia voltar atrás. Iniciou uma viagem sem retorno; uma batalha onde não poderia ceder um milímetro. Pensava no que fazer já que alguns insistiam em desafiá-la; riam-se baixinho, nervosos mas provocadores.
Decidiu-se por dar-lhes uma lição que jamais esqueceriam. Lição essa que pagaria com juros tudo o que lhe haviam feito passar até então. Ficariam "quites". Correria riscos, mas agora encontrava-se no ponto de não retorno.

Escreveu "2+2= " no quadro negro. Olhou para a turma e chamou: Pedro.

Não era aleatória a escolha pelo Pedrinho. O Pedrinho era o maestro daquela sinfonia dos infernos. Era o general, o padrinho, o pastor daquele rebanho de pequenas "Maria-vai-com-as-outras".

O Pedrinho era filho único. Gostava de toda a atenção que lhe pudessem dispensar. Gostava de ser o centro do universo e tudo fazia para que o considerassem assim.
Não era um rapaz brilhante, muito pelo contrário, e por isso mesmo chumbara alguns anos. Dessa forma era o maioral da turma, o mais velho, o mais alto e forte... e aproveitava-se disso. Não havia orelha na turma que já não tivesse sido aquecida pela mão do Pedrinho, nem rabo que não tivesse a marca de uma das suas sapatilhas.
Era um arruaceiro, um desordeiro e um candidato a futuro delinquente.
O Pedrinho era o alvo (e o exemplo) perfeito para a lição das lições.

- Pedro, anda cá ao quadro e resolve esta conta.
O menino levantou-se e desfilou desdém entre o corredor de carteiras. Sorriu para os outros, confiante, com a arrogância de quem já conta com a vitória antes do jogo acabar.
A professora entregou um pedaço de giz ao rapaz e insistiu no pedido.
- "Stôra", não vou resolver - diz matreiro.
- Ai não? Porquê? - pergunta a professora.
- Porque não sei.
- Não sabes? Como não? Claro que sabes.
- Ó "stôra", não sei nem quero saber! - e vira as costas à educadora.
Foi então que sentiu a mão quente e húmida da professora a agarrar-lhe o braço.
- Não te mandei sentar. Tu hoje sais daqui a saber matemática, meu amigo. Olha aqui, que número é esse?
- Não sei, nem quero saber, já disse e...
- É UM "2"! - e conta "1" e "2" enquanto desfere dois valentes estalos nas bochechas rosadas do rufia.

O Pedro estremece. Não estava à espera nem sabia de onde vinha aquela mão cheia de dedos.
A assistir a cena, a turma toda em suspensão, aturdida, boquiaberta, a beliscar-se...

- AGORA CONTA COMIGO: 3 E 4! - mais dois tabefes na cara do puto - ENTÃO QUANTOS SÃO 2+2, HÃ? DIZ LÁ, RAPAZ, DIZ!!!
- São 4, "stôra", 4!!! - lutando para não chorar à frente dos colegas (luta inglória).
- Vês? Vês como sabes? - diz calma e ternamente a professora - meus parabéns, Pedro. Pronto, agora vai, meu rapaz, vai-te lá sentar.

A professora lutava para esconder o tremor das mãos e a ansiedade que lhe inundava a alma.

- Alguém mais tem dúvidas? -perguntou à turma com um sorriso doce nos lábios - algum de vocês quer fazer alguma pergunta? Sabem todos quantos são 2+2?
- SIM, Sra"stôra", são 4 ! - responderam em uníssono.
- Muito bem! Então assim sendo, abram os vossos livros na página 26 e ...

Desde então, nunca se vira naquela escola turma tão trabalhadora, organizada e orgulhosa da sua mestra e, ainda na semana passada, ficou-se a saber que o Pedro acabara a licenciatura em Engenharia com distinção.
Já diriam os sábios populares: "nada como um bom estímulo".