20 agosto 2010

Tecnobol

É impressionante como o futebol também evolui e a velocidade de pensamento dos jogadores é cada vez mais célere.
Benza Deus!


(montagem com fotos do google)

19 agosto 2010

Who let the dogs out?

Sou só eu que acha que ter o Augusto Santos Silva como Ministro da Defesa representa um elevado risco de golpe de estado?

14 agosto 2010

Dead man

Para o desafio "Uma longa viagem..." da Fábrica de Letras:



Dead man

Carlos estava preso. Tinha sido encomendado à morte e aguardava agora ansioso para lhe encontrar a foice. Estava cansado de esperar e a angústia lhe apertava o coração agónico.

Levantou-se naquela manhã para espreitar o longo corredor que via da pequena janela da porta; mal conseguia ver onde terminava. Disseram-lhe que seria por ali que passaria pela última vez. Sentiu um previsível nó no estômago, mas não resistia a essa investigação diária do seu último caminho, como se perguntando se ainda estaria lá.

Pensava muito na sua sentença. No início sentiu uma revolta enorme. Sentira-se sempre inocente e vociferou contra aquela injustiça. Agora, passados alguns meses, depois de meditar e conversar com aquelas paredes brancas, reconhecia a sua culpa. Já não adiantava chorar, bater com as mãos no colchão duro ou com a cabeça nas paredes. “O que está feito, feito está”, e rendeu-se…

Estava decrépito, exausto, perdera o apetite e, ao observar-se no espelho, também o amor próprio.
Restava-lhe aguardar até que o carrasco lhe viesse buscar.

Nessa mesma manhã esperava pela visita do melhor amigo, e advogado pessoal, Dr. Dias. Ansiava por esse contacto semanal como alguém, perdido num deserto, anseia por um oásis.
“Olá Carlos. Como está?”, sussurrou-lhe ao ouvido durante um longo abraço.
“Ó Dias, uns dias mau, outros pior. Há períodos em que não me conformo mas, mesmos esses, são cada vez mais raros. Estou farto de esperar e é isso que dói! As tuas visitas lá me vão elevando um pouco a moral”
“Amigo, folgo em saber que, pelo menos para isso, posso ser útil”
“Dias, falaste com os daqui? Ainda posso ter esperanças?”
“Carlos, falei com o Dr. Vasconcelos. Não há grande esperança e, embora não possa ser preciso quanto à data, não tens muito mais tempo.”
“Porra, pá! Então que cumpram logo essa sentença!”
“Sabes que essas coisas não são assim. Existem ordens Superiores… vais ter que te aguentar”
Depois de mais alguns minutos de conversa, os amigos despediram-se:
“Ainda te volto a ver, Dias?”
“Posso não estar aqui quando te fores…”
“Deixa estar, amigo, levo-te no coração na mesma” e sorri em despedida.

Carlos acordou a meio da noite em sobressalto. À sua volta 5 pessoas lhe tentavam manietar. Quatro deles lhe seguraram os membros enquanto outro lhe injectara algo nas veias.
E sentiu tudo à roda, pouco a pouco deixou de resistir. Tinha dificuldades em respirar e mal ouvia o coração: Deixou-se ir.
Os 5 mantinham-se à sua volta, controlando seus sinais vitais, até que Carlos, finalmente, encontrou a foice.

“Estou? Posso falar com o Dr. Dias?”
“É ele mesmo. Quem fala?”
“Olá, Dr.. Aqui é o Dr. Vasconcelos. Tenho a informar que o Sr. Carlos faleceu esta noite.”
“Meu Deus, não me diga…”
“Ainda tentemos reanimá-lo. Injectamos alguns fármacos endovenosos, mas nada. Sabe como é, o Sr. Carlos estava em fase terminal, certo? Infelizmente, é o nosso dia-a-dia aqui nos Paliativos. Sinto muito. Continuação de bom dia”.

Nessa tarde, Carlos percorreu o tal corredor muitas vezes, por ele, observado.
E foi o início da sua última e mais longa viagem...

Luís Fernandes Lisboa ®

12 agosto 2010

Só tenho tempo para isto...

...postar alguns vídeos de música:









01 agosto 2010

Afinal...

Sem saber para onde ir nestas férias? Vá para Cona!



30 julho 2010

Feio é morrer


Este senhor da foto era forte e era o Feio. O Tóni, o António ou o Zé da Trincha. O Tóni foi um exemplo de força nestes últimos tempos; de força numa luta desigual. Acabou por perder a batalha mas fez frente à malvada e vendeu cara a derrota.
Tive a sorte de o ver, a ele e ao seu grande amigo JPG, no teatro José Lúcio. Nessa altura já se sabia da doença e mesmo assim o espectáculo aconteceu, num exemplo de profissionalismo e dedicação ao seu público.


No ano passado, enquanto estava de férias, morreu Solnado. Este ano, enquanto estou de férias, morreu o Feio.
Nunca mais tiro férias ou corro o risco de perder as poucas pessoas que me fazem rir.

Até sempre, Tóni!

Dieta mental

Uma amiga enviou-me o texto seguinte e eu não quis deixar passar sem o publicar neste obscuro estaminé.
Também eu apoio uma dieta mental... e estou a praticá-la:

"A Obesidade Mental - Andrew Oitke

Por João César das Neves - 26 de Fev 2010

O prof. Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que
revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito
em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade
moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos
do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.
Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e
conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos
que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de
carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos
tacanhos, condenações precipitadas.
Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e
comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e
realizadores de cinema.
Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e
romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola.
«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se
comerem apenas doces e chocolate.
Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta
mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e
telenovelas.
Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance,
violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma
vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os
Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de
reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações
humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e
manipular.»
O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade
fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.
«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.
Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi
Kennedy.
Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que
é que ela serve.
Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam
porquê.
Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um
cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.
«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes
realizações do espírito humano estejam em decadência.
A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura
banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.
Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da
civilização, como tantos apregoam.
É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.
O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

22 julho 2010

Pai sofre XII - Babyfather



"Your daddy love come with a lifetime garantee"

Tão verdade.

21 julho 2010

Abanca

"Crédito malparado sobe, depósitos descem" in Expresso

Coitaditos dos bancos: emprestam o dinheiro e depois não lhes pagam, ninguém mais investe em poupanças e produtos bancários...
Estão mesmo em crise, probezitos! Quase falidos, mas... hum...

"Lucro do BPI aumenta 11,8% para 99,5 ME no primeiro semestre" in Lusa


Ei, esperaí!!!

20 julho 2010

Descoberta


Em resposta ao desafio "Disparou" da Fábrica de letras:

A descoberta

Pedro entrou na casa-de-banho e trancou a porta à chave.

Tinha ouvido zuns-zuns na escola. Os colegas de turma falavam entre-dentes de coisas que faziam a eles próprios. Era algo que tinham aprendido há pouco tempo e comentavam em meio à galhofada.
Pedro ainda não pertencia ao grupo. Procurou perceber o procedimento. Perguntou como quem não quer a coisa a colegas de classe, em meio a aulas mais chatas, mas todos viravam o rosto e sorriam. Pareciam tontinhos e não transmitiam a informação que queria.
Demorou cerca de 2 semanas até encontrar um colega que abrisse o jogo. Era um daqueles indivíduos menos populares, que não tinha nada a perder, e, por isso, não tinha pudor em dizer o que se passava.
Pedro tomou atenção a tudo. Achou estranho e sentiu-se incomodado com o protocolo mas decidiu ouvir até ao fim.
Foi para casa a pensar naquilo.

E lá estava ele a olhar-se no espelho: cara de pateta + angústia.
O coração a mil por hora associado a um estômago embrulhado.
Despiu-se e olhou para baixo. Viu o penduricalho ali à mão de semear e começou a executar as instruções:
"Bem, ele disse que fazendo assim...", teve uma espécie de vergonha de apanhar o pequeno amigo que há 13 anos andava ali escondido nas cuecas, "agora puxo esta pele para trás e... elá, o qué isso?!" teve a sua primeira erecção.
Continuou a manusear, fechou os olhos e pensou em "coisas" indefinidas.
Passados 39 segundos disparou...
Um êxtase nunca antes sentido invadiu-lhe o corpo. Quase caiu de costas. Tremeu dos pés ao mais alto dos cabelos arrepiados que enfeitavam o cucuruto.
Olhou-se novamente no espelho. Viu olhos castanhos esbugalhados encrustados numa face imbecilóide, misto de espanto e de algo estranho e que os outros chamavam "prazer"; depois sentiu vergonha de si próprio, num sentimento de pecado e arrependimento... que durou 2 minutos até voltar à nova investida.

10 anos depois:
Pum-Pum-Pum na porta da casa-de-banho:
"Mas qué que se passa aí?"
"Nada, mãe! Já estou a sair!"
Nunca mais parou...

Luís Fernandes Lisboa ®

12 julho 2010

Pearl Jam

Tenho que falar do concerto de Sábado, dar a minha versão das 2 horas de viagem, mas não tenho tido tempo. Deixo este vídeo como "Teaser"(não é à toa que o Eddie diz q nós somos os que melhor o acompanham nas músicas):

08 julho 2010

Hibernação II

Há cerca de 4 anos e meio publiquei neste blog um texto que tentava reproduzir a epopeia que representou o fim do meu curso.
Hoje reedito-o e publico-o novamente.
Faço-o porquê nestes últimos 3 meses senti-me como naquela altura e porquê este período foi deveras difícil, tão difícil que deixei de fazer muitas coisas de que gosto: escrever, ver (e jogar) futebol, estar com a família e, principalmente, brincar com a minha filhota (e com a mãe dela...).
Mas valeu a pena. Aliás, quanto maior é o esforço, quanto mais suor, adrenalina, calão metralhado e sujo, ideação suicida, quanto maior é o sofrimento maior e mais saborosa é a vitória. E, ainda bem que não sou diabético, porquê foi bem doce!


Hibernação

"Um dia acordas e percebes que estás noutra dimensão.
Estás num lugar sem paredes, sem tecto, sem chão. Lugar escuro, isolado e frio. À tua volta apenas o breu quebrado por uma ténue luz amarela de um candeeiro antigo.
Estás sentado à uma velha secretária e cercado por volumes vários de livros empoeirados e montes de papéis. À tua frente apenas uma folha preenchida por gatafunhos à qual a tua visão está fixa.

Não sabes se é Domingo ou Quinta-feira, se são 6 da tarde ou 2 da manhã. Não sabes o mês e não conheces o ano.
Não sabes como ali chegaste nem o que fazer, apenas sabes que tens um objectivo, algo a alcançar.

A música calou há muito e também os sons do quotidiano. Apenas ecoam palavras e frases, repetidas um sem número vezes; e mais uma vez, e outra...; pelo meio, esconjuras.
O que ouves, muito de vez em quando, são vozes que te chamam; vozes tentadoras para levar-te, mas, mesmo contra vontade, permaneces.

Teus músculos não obedecem.
Não tens fome, não tens sede.
Teu sono é ostracizado.
Durante horas a fio, ficas ali, autómato, quase inanimado.

E estás cansado, muito cansado, cada vez mais... mas continuas.
És objecto de algo maior, que te domina e manieta. Não consegues, ou não podes, ou não queres, fazer nada contra isso.

Não dizes nada que faça sentido. Como crente, rezas uma oração imperceptível ao comum dos humanos. Por vezes, no entanto, reconhecem-te preces a pedir o fim do sofrimento.

Por vezes choras desalmadamente, por vezes ris feito louco, por vezes os dois em simultâneo.
Por vezes sonhas acordado.

Os que estão à tua volta, não se podem aproximar mas chamam por ti, oram por ti, e impulsionam-te. Sentes-te mais forte. Inicias o processo que te levará à liberdade. Sabes que, finalmente, essa clausura sem sentido, essa condenação sem crime, está perto do fim.
Tudo o que antes não tinha sentido agora está tão claro! Como não viste isto antes? A tarefa era grande, penosa, mas aquilo que te desafiou agora não te é capaz de manter mais tempo enclausurado.
Acaba. Tem de acabar! O teu grito do Ipiranga, a tua tomada da Bastilha, a tua força vem ao de cima e partem-se as amarras.
Uma última prova prestada a este cenário e será o fim...

Acabou.
Tudo, esse lugar, fez para te deitar abaixo. Conjurou, conspirou, fez alianças contra ti, mas conseguiste.
O limbo perdeu."

Libertaste-te."

De Catsone, ex-interno, agora, ORGULHOSAMENTE, especialista de Medicina Geral e Familiar.

10 junho 2010

Penitência



Vejo-vos em meados de Julho.
Portem-se.

08 junho 2010

Mundial 2010

Já publiquei isto em 2006, mas como estamos em vésperas de mundial, aqui vai novamente



Japão 2010
Esquema: 4-4-2

Gr: Takabora Naturave
Dd: Tokaido Dumakeda
De: Robaro Miasuzuki
Dc: Havara Noku Doi
Dc: Takamao Natukara
Md: Shumio Miokazako
Me: Mataro Miogato
Mc: Fujiro Kayama
Mc: Hiraopito Namata
Pl: Takarasha Nomuro
Pl: Hirao Kumata

Suplentes:
Gr: Hoji Ianamoto
Gr: Benji
Dd: Tsukasa Onamia
De: Daiki Osoko
Dc: Taaki Noai
Dc: Tsutomo Unsumo
Md: Ishibasha Ishikaga
Me: Ken Kumeo Aki
Mc: Miomazda Nonta Mazaki
Mc: Setsukai Matsuka Teuku
Pl: Ishibati Nakina Shora
Pl: Oliver Tsubasa


Treinador: Toko Kudo Endo
Preparador físico: Daikama Aken Takosono
Massagista: Eutoko Teukatso
Fisioterapeuta: Mashashi Takara

Aos meus amigos japoneses (que são bastantes) peço perdão... ou faço um Seppuku (agora sem trocadilho):

Ébrio

Minha 2ª participação para o desafio "Estava vazio..." da Fábrica de Letras... porque apeteceu-me.


Ébrio

Luzes coloridas e ruídos bizarros.
Minha mente estava oca.
Vertigens, tremores, enurese, risos incontroláveis e histéricos… eu era um estranho fora de controlo.
Parece que tentei preencher a falta estranha que fazias e tapar a incrível cratera criada pelo meteoro tu. Refugiei-me em copos de diversos tamanhos, formatos e cores, preenchidos por tudo que contivesse álcool na composição.
Bendito etanol que o meu corpo tentava desesperadamente metabolizar. Quase podia sentir as suas moléculas a dançar no mar vermelho de veias e artérias.
Mais o hálito incendiário e o vómito compulsivo de um estômago revolucionário e marxista a protestar veementemente contra a atitude incompreensível da maioria neuronal que cedera aos interesses sentimentalistas instalados: “porra de paixão vs razão…”

Agora era a gravidade terráquea, travestida de jupiteriana, que empurrava o monte de carne e ossos, embebidos em vindalho, para um chão húmido e fétido. Cambaleava, como se fosse feito de gelatina, pela pista de dança e chocava com tudo e todos que cruzavam a minha órbita errática; quando meu fraco equilíbrio foi finalmente ultrapassado, estatelei-me no solo.
No caminho da queda vi sorrisos jocosos, em duplicado pela diplopia alcoólica, e dedos apontados em reprovação; ouvia sussurros maldizentes em meio a odiosa música electrónica que insistia em martelar a bigorna.
A partir do toque no terreno não senti mais nada, ouvi dizer que perdera os sentidos e partira para um mundo novo…

Vi-me, então, a cair de um céu negro e sentia o corpo leve, como a planar. Um vento quente parecia abrandar-me a descida. Vestia um smoking já comido pelas traças e calçava umas sandálias de couro castanhas.
Estava rodeado pelos mais exóticos animais, alguns deles já extintos há muito e outros que nem era suposto poderem voar. Todos eles sorriam para mim enquanto dançavam com um copo de cidra na pata/asa e uma cigarrilha no canto da boca. Alguns ofereciam-me mais um “drink”.
No fim da descida fui depositado gentilmente, por quatro borboletas bigodudas, num leito cândido e brilhante rodeado por bips electrónicos.

Acordei.
A visão turva permitiu-me ver um cateter penetrando o meu braço esquerdo, o gráfico do ecg que corria num monitor verde e as grades prateadas às quais tinha as mão atadas. Não reconhecia o símbolo do EPE que me hospedava, mas reconhecia estar num serviço de observação hospitalar.
Sentia-me mal. Parecia ter obras no interior da cabeça realizadas por um conjunto de pedreiros e trolhas estrangeiros que martelavam sem parar os ossos cranianos. Os ouvidos teriam, talvez, uma colmeia de abelhas, tal eram os zumbidos que ouvia. A língua mais seca que o Atacama e o estômago em greve sem pré-aviso. A bexiga estava invadida por um cateter e a televisão transmitia, de perrice, um programa matinal grosseiro.
O coração, esse, estava completamente vazio.

De repente, uma mão quente na testa e a tua voz:
“Idiota!.... tive medo de te perder…”

E embriaguei-me, finalmente.


Luís Fernandes Lisboa ®

07 junho 2010

Querida Sony®

Meu HP® finou-se à coisa de um mês. Ao fim de 4 anos de dura labuta resolvi dar-lhe o merecido descanso e está agora encostado num canto do escritório, reservado para emergências.
Adquiri um Sony Vaio. Li numa revista de informática que o modelo apresentava a melhor relação custo/benefício quando comparado com outras máquinas concorrentes e, lido isto, escrito por experts, resolvi comprar um exemplar.
Fiquei espantado com o facto de estar esgotado em todos os lados; não havia na FNAC®
, Worten®, Media Markt®, Rádio Popular®, etc®, devia mesmo ser coisa boa. Procurei-o pela net e encontrei-o numas páginas obscuras de lojas online, mas prefiro gastar meu dinheiro em lugares mais fisicamente palpáveis.
Um belo dia, porém, recebo pelo correio propaganda da Staples® e ei-lo, em toda a sua glória e explendor, escarrapachado nas páginas escarlates da publicidade.
Telefonei logo à madama para ir dar um salto à loja, já que me encontrava longe, e ela lá foi...

Era filho único, o último, o sobrevivente, o derradeiro... e era meu.

Como uma criança, tirei-o da caixa e, antes de o ligar, admirei-o como um turista admira a Gioconda no Louvre. Cliquei no botão on/off que logo acendeu uma luzita e... começaram as desilusões.
O gajo "cracha" com uma frequência que considero desagradável, o Touchpad não presta, os botões fazem uns "poings" estranhos, não é tão rápido quanto pensava...

(Suspiro)

Talvez (o mais provável) seja culpa minha. Talvez tivesse uma expectativa desproporcionada ou talvez ele seja moderno demais para mim. Talvez eu seja apenas tonto... quem sabe?
Resta-me esta curta mensagem à Sony®:
"Vaio pró caraio!"


Espero que saibam traduzi-la para japonês...

02 junho 2010

O homem que tinha dinheiro

Para o desafio: "Estava vazio..." da Fábrica de Letras



"O homem que tinha dinheiro"



O homem que tinha dinheiro tinha tudo. Tinha uma bela casa, tinha bons carros, viajava, comia do bom e bebia do melhor.
Vivia à grande e, naquela semana, era “casado” com uma francesa mais jovem que ele… bem mais jovem que ele.
O homem que tinha dinheiro tinha um nome enorme e que acabava em números romanos. Tinha herança de família. Vivia do império conquistado pelos antecedentes familiares.
Desistiu de estudar e não “tirou” nenhum curso, mas era chamado de “Dr.”. Nunca foi à tropa mas no Brasil era “Capitão”. O facto de ter recheio financeiro fazia-o ser respeitado e idolatrado pelos menos afortunados. Ele era admirado mas ninguém sabia porquê.
Não era músico mas ia à opera, no entanto, nenhuma lhe arrancava lágrimas. Falava de livros que não leu e de peças que não viu, era um erudito sem nunca o ter sido.
Não cozinhava, não limpava, não sabia fazer nada, sua melhor qualidade era gastar e nisso era profissional. Não investia em nada que trouxesse retorno e o dinheiro esvaía-se, mas esse era infinito, tal como a sua ignorância. Não tinha ciúmes do seu dinheiro e compartilhava-o como os “amigos” de cada ocasião.
Não mexia uma palha. Não corria mas ia às olimpíadas; não jogava ténis mas estava em Roland Garros, na primeira fila com um borsalino branco; não pedalava, não nadava… não lutava.
À sua amante francesa, seguiu-se uma brasileira, depois uma tailandesa e uma africana (em simultâneo) e, depois, muitas outras das mais variadas formas, tamanhos, “cores e sabores”. Dizia não enjeitar nenhuma experiência e, assim, experimentava todas. Elas sempre lhe ficavam com um pouco da matéria já que o espírito não lhes tinha nada para oferecer.
Ia passando os anos assim, de mulher em mulher, de lugar em lugar, e não se agarrava à nada. Tinha muito dinheiro, mas apenas conseguia ombros para chorar ou colos onde se deitar desde que aceitassem Visa®.

O homem que tinha dinheiro ria-se muito e era feliz… ou, pelo menos, parecia.

Mas mesmo ele havia de morrer e o homem que tinha dinheiro morreu como os outros: fechou os olhos e susteve a respiração por toda a eternidade. Morreu jovem, mais cedo do que pretendia, deixando o dinheiro, seu único e verdadeiro amor, para trás. Esse entregou-se a outros que seguiram os passos do antigo “amante”.

O homem que tinha dinheiro foi deitado num caixão negro e foi morar no jazigo da família, situado num canto soturno do cemitério da sua cidade natal. Não houve homenagens, não houve salva de tiros ou boas lembranças da sua passagem, e o cortejo fúnebre estava vazio… tal e qual como fora a sua vida.

Luís Fernandes Lisboa ®

Prémios


As digníssimas Helga e Ane presentearam-me com este prémio que muito agradeço: "trata-se de um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc."
Fico lisonjeado pela atribuição de tal distinção a este humilde blog mas vou pedir desculpas por um pequeno pormenor: não costumo passar os prémios.
Não me levem a mal mas não consigo atribuir apenas a alguns blogs. Dessa forma, acho que os que tenho na lista da "concorrência" merecem o prémio também (senão não estavam na lista ;).
Mais uma vez obrigado pela distinção.

28 maio 2010

Town of sadness

Em dias como este nada faz sentido. Quando a vida se esvai, quando desaparece, pergunta-se "porquê?".
Nestes dias de sol envergonhado e vento frio, que esconde o calor de primavera, pensa-se sobre a efemeridade da vida.
Escrevi este post sobre a nossa incapacidade e pequenez perante situações irreversíveis. A irreversibilidade confirmou-se hoje, através de um daqueles telefonemas que ninguém quer ouvir.
E é como que se o tempo parasse e nos trouxesse à mente memórias há muito escondidas, imagens já amareladas do passar dos anos; imagens em Super 8, mudas mas alegres, de tempos longínquos e que não voltam mais. Lembro-me dos tempos de criança, das visitas e viagens à terra dos meus pais, das noites na tua casa, do carinho do teu abraço de amizade sincera.
A verdade é que ficam memórias boas, vivências, bons momentos, coisas que nem a morte nos pode roubar.
Graças aquilo em que acredito, penso que estás agora num lugar melhor, onde a dor e sofrimento dos últimos tempos não não mais te assolam e onde terás algum merecido conforto e descanso. Talvez esta crença traga a mim, inconscientemente, algum consolação... quem sabe.
Resta-me a certeza de que, apesar de hoje ser o teu velório, sei perfeitamente que daqui para frente serás tu a velar por todos nós.
A ti, querida tia, que muito raramente vi triste, descansa em paz e até um dia destes.




27 maio 2010

Pai sofre XI - O "assédio"

Ontem fomos dar uma volta à nova superfície comercial cá do burgo. Precisava de umas coisitas e aproveitei para espairecer.
Embarcámos os três no popó e lá fomos nós.
Enquanto a patroa foi à loja do Belmiro fui eu, com a minha pequena, dar uma volta pelos corredores do centro comercial..
Tudo ia bem até ter reparado num (deveras) interessante e misterioso fenómeno. Comecei a aperceber-me que muchachas várias achavam engraçado (e fofinho!) o facto de um gajo passear um bebé. Olham primeiro a cria, sorriem e depois fitam as fuças do empurrador de carrinho. Parecem avaliar o potencial do macho.
Conjecturei sobre o que iria na cabeça das moças: “… aquele até é fértil, quem diria…”, “…hum, não parece com o pai…”, “…deve ser adoptada…”, etc, etc.
Confesso que achei piada, afinal não é comum ser observado dessa forma tão, digamos, lasciva. Mas, passado algum tempo, começou a ser incomodativo. Senti um pouco do que os famosos sentem. Montes de olhos em cima de nós… não estou acostumado (e quem me conhece percebe porque).
Tentei disfarçar o embaraço e olhar para algumas montras mas a miúda estava tão bem disposta que passou o tempo todo a palrear e dar gritinhos... o que atraiu, ainda mais, a atenção. Parecia um chamamento para o sexo oposto: e mais sorrisos, “cuti-cutis” e olhares constrangedores.
De interessante, o fenómeno passou a ser caliginoso e antes que alguma desse o bote, acelerei o passo em busca do conforto que existe por baixo da asa da patroa; com a velocidade do carrinho, a filhota ria-se…
Encontrei a minha “chefa” na fila da caixa:
“- Tás branco…”


Ainda a arfar, pensei que poderia alugar a miúda aos meus amigos solteiros... pode ser que ainda ganhe algum cacau com este estranha manifestação.

15 maio 2010

Dinos


Parece que escapou um dos dinossauros do espectáculo: WALKING WITH DINOSAURS THE LIVE EXPERIENCE
Chama-se Máriosoaurio e foi visto a dar bitaites e autógrafos na feira do livro de Lisboa.
Um verdadeiro broncossauro...

07 maio 2010

Vontades

Apesar de estar em retiro (pouco) espiritual, não podia deixar de participar no desafio da "Fábrica de Letras. Posto um poema já velhinho aqui por casa... sem muito tempo para pensar em coisas novas (embora, muitas vezes, apeteça :( )
Aos colegas operários peço desculpas por não visitá-los com mais frequência mas, por aqui, "la cosa esta peluda"...

Em resposta ao desafio "paixão" da Fábrica:



Vontades


Hoje senti vontade de te ter ao pé de mim.

Instalou-se sem que desse conta
Um desejo de abraçar-te,
Olhar-te nos olhos
E falar-te da falta que me fazes

Hoje senti vontade de dizer-te: amo-te.
Um desejo incoerente e forte
De falar da minha paixão
E explica-la como um menino explica

À mãe o seu dia na escola.

Hoje senti vontade de ser feliz…

E compreendi porque me lembrei de ti…



Luís Fernandes Lisboa ®

02 maio 2010

08 abril 2010

Período introspectivo



Amigos, este blog ficará abandonado até ao fim de Junho.
But, fear not... I'll be back

04 abril 2010

Intelectualices

Os meus queridos amigos vão ter de me desculpar, mas vou destilar algum veneno acumulado, coisa que eu até nem gosto muito, mas que por vezes sabe bem... mesmo muito bem.

Já falei aqui, e várias vezes, sobre os opinadores. Os opinadores são aqueles animaizitos que têm opinião sobre tudo, desde a conjuntura macrossocial da sociedade da República do Laos e do Sultanato do Butão até a adstringência, quantidade em taninos, sabor frutado e odor amadeirado do vinho branco de Albergaria dos Doze.
Os opinadores enervam-me, muito... mesmo muito. Mas os que mais me enervam são aqueles opinadores intelectualóides, daqueles que usam palavras caras, de difícil definição, e que andam às voltas sobre um tema, terminando no mesmo sítio onde começaram. São os que dão as voltas de 360º, os que "falam-falam, falam-falam, e eu não os vejo a fazer nada", os cuspidores de direitos, mas que quando espremidos nem gota de sabedoria deitam... apenas a pura, cristalina, cândida e alba ignorância e estupidez das quais são constituídos.
Ok, eu também estou a ser intelectualóide e ando às voltas com este texto de treta, e também já opinei muito neste blog, dando a volta ao meu próprio estômago; então vou directo ao assunto.
Fui alertado para esta notícia publicada no "Público". Bem, fui alertado mais para os comentários à notícia do que para a própria notícia. Nem sequer li o texto informativo e comecei a ler as "opiniões" dos opinadores. Logo no primeiro comentário deparei-me com esta pérola de imbecilidade:

" joaorapace, coimbra. 03.04.2010 16:11

médicos de família é um engodo

Os médicos de família serão assim tão importantes? Pouco mais sabem do que um cidadão com alguma destreza. A maioria que eu conheço são muito fracos, aliás os médicos em geral, salvo honrosas excepções a alguns, que estão situados em Lisboa e no Porto. O resto, quando é uma operação mais delicada não sabem fazer. Esta é a realidade. Houve aí alguém a falar de enfermeiros poderem ser médicos de família? Talvez! O que faz um médico de família? Bem a minha vê a tensão e passa receitas. Quando lhe digo que estou constipado, vai ao computador, a algum programa e vê o que me há-de dar! Relatórios médicos não é com ela! Deixem-se de alarmismos. Uma pessoa mais esperta pode ser médico de família!"

Este comentário lembrou-me duas aulas do tempo da faculdade: uma de Ortopedia, na qual se falava de epitrocleíte e epicondilíte, duas situações que podem dar dor-de-cotovelo; e outra de psiquiatria, na qual se dissertava sobre frustrações, situações que, como qualquer pessoa com alguma destreza sabe, não são passíveis de tratamento.

Cheguei a algumas conclusões depois de ler este mimo de idiotice. Primeiro, o Sr. João não me parece que tenha alguma destreza, ou senão, segundo as suas próprias ideias, seria médico de família. Segundo, o Sr. João parece desconhecer por completo o que é Medicina e deve estar sentado com o rabiosque no seu escritório ou banco de táxi; devo aconselha-lo, se me permite, a tomar cuidado: a posição "sentado" pode originar problemas hemorroidários e, sabendo-se ser uma cirurgia muito delicada, pose ser necessário despachar esse seu traseiro para um país mais avançado nestas técnicas, como por exemplo... hum... o Djibuti. Terceiro, parece também não saber o que faz um Enfermeiro; tenho muitos amigos enfermeiros (alguns até vão ler isto, se tiverem pachorra), mas o meu trabalho é o meu trabalho e o deles (muitíssimo meritório) é o deles; sou contra as injecções dadas por farmacêuticos, por exemplo, e contra este tipo de comentários "especializados" feitos por mentecaptos como o Sr. João; já diz a sabedoria do povo: "cada macaco no seu galho", parece-me que o Sr. João não terá um galho disponível, mas pode ser que se contente com uma bela e saborosa banana. Quarto, "o que faz um médico de família?", poderia dissertar filosoficamente sobre este tema, mas isso seria demais para a dupla neuronal que o Sr. João alberga no projecto de encéfalo; se quiser saber, pode sempre ler um tratado de Medicina Familiar, mas ler... para si... não me parece... talvez "a bola" ou o "público" online; ainda bem que não vai assim tanto à sua médica de família, ou teriam os outros doentes que aguardar até ela voltar da baixa por danos psicológicos; ela passa receitas? Você também passou-nos uma a quem o pôde ler: como provar a ignorância em apenas 9 linhas; se ela não quiser passar-lhe um relatório, não se preocupe, pare alguém com alguma destreza no meio da rua e pode ser que tenha alguma sorte. Quinto, "uma pessoa esperta pode ser médico de família"; caríssimo, esperto são os cães... se calhar você é esperto, talvez tenha se enganado no local onde necessita de cuidados de saúde...

E assim caminham os quadrúpedes opinadores intelectualóides da sociedade lusa.
Sei que não devia desperdiçar meu tempo para isto, mas fazer o quê, sabe bem despejar neste espaço algumas "angústias"... é exactamente para isso que isto, de ter blogues, serve.
O Sr. João bem podia deixar de ir ao seu CS e deixar o lugar aqueles que não têm médico atribuído, de certeza que lhe agradeciam.
E se acha que a sua médica não sabe tratar das suas constipações, venha ter comigo, tenho a receita certa para si:
- Umas gotinhas de haloperidol;
- Uma "amarguinha";
- 2 supositórios de Paracetamol 500 mg;
- 1 injecção de água destilada.
Garanto-lhe que passaria muito tempo até pensar em voltar...

"الحُمْقُ داء ولا دواء له"
"A estupidez é uma doença para a qual não existe remédio"
Provérbio Árabe

03 abril 2010

Trocadilho

Parece que o Ratzinger está indignado e quer acusações sobre pedofilia trocadas por miúdos...

01 abril 2010

À beira

Para o desafio "Abismo" da "Fábrica de Letras"






À beira

Júlia subiu à grade daquela ponte sobre o rio Zêzere e respirou fundo. Tinha decidido saltar e não havia nada nem ninguém que a impedisse.
Olhou para o céu azul de início de primavera e fechou os olhos tentando absorver cheiros, ruídos e o calor ténue do sol. Uma brisa lânguida lambia-lhe a face.
Olhou para baixo e calculou o tempo da queda; vislumbrou o rio a correr calmamente, como que ignorando o que estava para acontecer, e bandos de pássaros a pulular entre árvores no festim do cio primaveril.

Júlia planeara isto há algum tempo mas, no entanto, faltara-lhe sempre a coragem necessária. Chamaram-na fraca muitas vezes ao longo da sua curta vida, mas agora iam todos ver do que era capaz. Já não tinha dúvidas e agora faltava pouco tempo para o concretizar.
O seu coração quase não dava conta do recado.

Ultrapassada a grade, Júlia postou-se mesmo a beirinha da imensa construção de betão, agarrada à vida por um fio, suando frio, mas decidida. Cantarolava “I believe I can fly” por entre os dentes de forma a ignorar a ansiedade que a consumia. Sentia dores lombares de tanto trabalho que dava às suprarrenais.
“Vai Ju, força, é só mais um passo”, tentando empurrar-se com a mente.
Baloiçou os braços, respirou o mais fundo possível, cerrou os olhos… saltou…

Partiu em silêncio.
Sentiu um frio no estômago e uma sensação de êxtase nunca antes vivida. Seguia naquela queda vertiginosa mas que, ao mesmo tempo, parecia-lhe em câmara lenta. Podia ver a ponte a afastar-se em direcção ao céu e o rio a aproximar-se majestoso.
Pensou… pensou muito durante aquela viagem.
Pensou no trabalho rotineiro das 9 às 5; trabalho mecânico sensaborão, arranjado por um amigo de um amigo, numa empresa tipo “João sempre-em-pé”, tipo vai-não-vai para esfumar-se. Seca, chatice, maçada.
Pensou nas relações falhadas, nos tipos com quem saiu, nos tipos para quem se entregou e nos restantes. Pensou nos flirts, nos affairs, namoriscos que experimentou e tampas que aplicou. “Os homens, esses inúteis”.
Pensou nas dívidas, nas contas mensais, nas coisas que gostava de ter e, principalmente, no dinheiro que não tinha.
Pensou na família, nos amigos… nos inimigos.
Pensou em tanta coisa e em tão pouco tempo, e nem o barulho do vento abstraiu-a dos seus pensamentos.
Mas já não tinha mais tempo para pensar. Acelerava para o fim da viagem, o rio ali tão perto. Sentia a fresquidão que emanava do curso d’água.
Abriu os braços e entregou-se de corpo e alma… o rio quase, quase…








Desacelerou. A velocidade que ganhara, dissipara-se num milésimo de segundo. Ainda tocou com os seus cabelos negros na água antes de ser puxada violentamente de volta para cima.
O elástico fizera a sua parte e, então, finalmente, Júlia gritou:
“Que se fôda tudo o resto, é tão bom estar viva!!!”
E a música que agora cantava era outra:




Luís Fernandes Lisboa ®

Foto: www.panoramio.com

31 março 2010

Dúvida

Eu não jogo "Farmville".... serei normal?

30 março 2010

Vinde a mim...

Sugestão para leitura do evangelho na próxima missa dominical: Lucas 18,15-17.

29 março 2010

Cinco

Uma pausa no trabalho para comemorar (?) os 5 anos de existência deste blog.
Desde que comecei a escrever neste espaço já me formei, me casei e fui pai.
Aqui já desabafei, critiquei, mostrei um pouco de mim mesmo e conheci pessoas deveras interessantes.
O que será que me reservam os próximos 5 anos?



Aqueles que por aqui passam e deixam um pouco de si mesmos, muito obrigado!

27 março 2010

O melhor?

Hoje, fazendo uma pausa no trabalho, vi um pouco do Top+ . Tentava ignorar a voz rouca da Isabel mas não pude deixar de ouvir: "No nº ? Recordações 2 - o melhor de Toy", ao mesmo tempo que se iniciava um vídeo manhoso do início dos 90 (tendo em conta com as fatiotas do artista).
Os "best of" são um estratagema das editoras para sacar mais uns trocos dos fãs e daqueles outros consumidores que só querem os "hits" de determinado artista. Então pergunto-me: terá o Toy tantos "hits" que não caibam apenas num "recordações" para que seja necessário um "recordações 2"?
A própria existência de tais obras faz arrepiar até o pêlo escondido no mais recôndito local do corpo.
Lembrei-me daquele programa "mui" educativo que versava sobre o dia-a-dia desse cantor romântico e romance foi a última coisa que me veio à cabeça.

E lá foi "correndo" o clip. Um must de labreguice retro. Uma música (?) cheia de azeite, tal e qual o autor... mas vende, tanto que está no top! Culpa dos ministros da educação, digo eu...

Desliguei a televisão e voltei para o trabalho com muito mais vontade.

Se aquilo era o best, nem quero imaginar o "worst"!





"Chama o António..."






NOT!!!

25 março 2010

Tempo (falta de)

Aqueles que me visitam, que fazem comentários ao que escrevo, que dignam um pouco do seu precioso tempo a ler os meus devaneios, venho dizer que estarei um pouco afastado desta vida bloguista.
Faço este pequeno aviso apenas porquê gosto de visitar os blogs, companheiros de labuta virtual, que se encontram à direita e assim "explicar" minha ausência em suas "casas".
Não tenho tido o tempo que gostaria para os visitar, nem aquele necessário para escrever e assim, escrever por escrever, não é a mesma coisa.
Dessa forma, vou aparecendo pelos vossos tascos de vez em quando e nesta taberna vou servindo "pratos" a espaços mais largos.

Mas não se livram de mim

19 março 2010

Pai sofre X - Dia do pai


Há 400 kms de distância a nos separar e a minha prenda ideal seria um xi ao meu pobre coração...

14 março 2010

Oceans

Esta música lembra-me meus 16 anos.
Lembra-me banco de trás de um carro, com uns walkman nas mãos e uns fones que englobavam todo o pavilhão auricular.
Lembra-me descer a serra em direcção à Riviera de São Lourenço em Bertioga, São Paulo. O mar lá em baixo tão pequeno que cabia dentro da minha mão e as inúmeras cascatas da serra, mesmo ao nosso lado, chorando as águas da condensação da neblina.
Lembra-me tentar imaginar o corpo de uma mulher nos limites das montanhas enquanto inspirava o cheiro de mata atlântica (semi-)virgem.
Lembra-me domingos de verão, com céu nublado, 35ºC e humidade a 85% e amizade a 110%.
E hoje, neste dia de sol deslumbrante, e apesar dos 7ºC que estão lá fora, lembrei-me desta música e ouvi-la foi fazer novamente aqulea viagem...



Bom domingo, friends!

13 março 2010

Mónei fóde bóis

"'Money for the boys' marca debate do Orçamento" in Diário de Notícias

Ontem foi dia de debate e votação do orçamento... finalmente.
Mas não é bem isso que me faz escrever aqui hoje.
Não gosto de gente que fica em "cima do muro". Gente que não sabe dizer que sim nem não. Que não têm opinião relativamente a temas importantes e que lhes dizem respeito.
É isso que se passa com o PSD e o CDS- P(q)P.
Esses 2 partidos não sabem o que querem... ou sabem?

Nunca deixei de votar. Fui sempre exercer meu dever e votei , se bem ou mal não sei, mas fui.
Sempre fui contra a abstenção. Acho que as pessoas devem ter o direito de escolher quem os represente nas instâncias políticas.

Nas últimas eleições aqueles mesmos partidos lutaram para que as pessoas fossem votar. O Sr. Paulito, em todos os comícios, vinha relembrar o zé para que votasse. A Sra Dª Manuela lembrava a importância de uma baixa abstenção. Os dois em conjunto fizeram das tripas coração para que as pessoas percebessem que, não indo votar, estariam a ajudar o eng. Sócras. Incitaram as pessoas a defender a democracia através da opinião.
Então, depois desse aula de altruísmo, dessa prova de cidadania, dessa exemplo de liderança, o que é que eles fizeram ontem na votação do OE? O quê, o quê?
Se abstiveram!!!
Então... mas não era... ó que caraças!

Ri-me para não chorar; os defensores da participação, não participaram.
É preciso ter lata, quando se lhe pedem opinião não são carne nem são peixe!
"Eu acho que este OE é uma porcaria mas vou viabilizá-lo". E ainda têm a cara-de-pau de criticar o OE. Se não concordavam com o mesmo votassem NÃO; se o queriam viabilizar votassem SIM. Agora, absterem-se para dar a impressão que não concordam mas ao mesmo tempo aprovar um OE só para ver no que vai dar? E se a coisa correr mal ainda vêm dizer "reparem que a gente não votou sim"...
Quem querem enganar com essa atitude?
Politiquices...

Nas próximas eleições talvez me recorde disto.

12 março 2010

Contra a maré II


No seguimento do post anterior...

Houve um laboratório que, a pretexto de publicitar um medicamento para o colesterol, deu-nos um modelo de artéria. Essa artéria está dividida em quartos que demonstram a evolução da deposição do colesterol nas paredes do vaso. No 1º quarto a artéria está sãzinha da Silva e no último está ocluída por um trombo num estreitamento causado pelo colesterol.
É esse modelo que apresento aos candidatos à morte súbita. Os inúmeros Sr. Fulanos que a vêem esbugalham os olhos para aquilo, não sei se percebendo o que a "artéria" lhes tenta "dizer" ou porque o modelo é feio comó caraças.

Essa pequena introdução para quê?
Há já algum tempo, muito tempo mesmo, percebi que é difícil (ou impossível) lutar contra o poder da publicidade. É a publicidade que oferece patrocínio aos clubes de futebol e grandes festivais de música para que promovam cerveja, por exemplo.
As crianças estão sujeitas a eternos períodos de propaganda que lhes enfiam ideias comercialóides pela cabeça: são brinquedos no natal, são chocolates na páscoa, são morangos, são açúcar, etc, etc.
Imagine-se um comercial onde uma rapariga muito... hum... digamos, jeitosa, saia do mar numa praia ensolarada, tire a tampa a uma mini e se insinue a um marmanjo qualquer: será possível que, depois dessa cena, esse mesmo marmanjo esteja interessado em saber que o álcool da mini lhe é prejudicial? Bem, com uma mini apenas não há problema, dirão os senhores, mas o problema é que, para alguns XY, as minis são como as cerejas...
E é mesmo muito difícil lutar contra isso, contra essa ideia de que é cool beber-se à noite, comer de tudo e à fartazana e no fim manter-se com o corpo de uma Sónia Araújo (caraças de fetiche) ou de algum gajo bom qualquer (não conheço nenhum, as meninas que por aqui passam que dêem sugestões).

Toda essa lenga-lenga para dizer que ontem, enquanto almoçava e assistia às notícias num canal qualquer, surgiu no ecrã uma nova publicidade extraordinária.
Algum génio resolveu criar o acepipe dos anjos gordurosos e que passo, eu também, a publicitar:



Para que fique claro: eu gosto de pizza (muito), gosto de hambúrguer e gosto de bacon, mas porra, tudo isso junto na mesma dentada?! O que mais catso falta por nessas fatias que acresça o teor em castrol e trigres? Dass! Mais vale injectar manteiga directamente na veia, o entupimento da circulação sempre era mais lento!
Isso arrebenta a escala das milhares calorias! E acompanhado com quê? Coca-cola?
Imagino a cara dos miúdos ao verem isso...




PS: alguém conhece algum ingrediente que não se possa por numa pizza?

11 março 2010

Contra a maré...

, O Sr. Fulano entra no gabinete. Sente dificuldades para se sentar. Aumenta a distância que separa a cadeira da secretária para que esse espaço possa albergar, com algum conforto, o seu volumoso ventre.
O Sr. Fulano é um sujeito bonacheirão, o gordo simpático. No seu corpo alberga um tratado de patologia, ele é obesidade mórbida, hipertensão, diabetes, dislipidémia mista, gota, artroses e desgostos.
O Sr. Fulano é um senhor de vícios: álcool, tabaco, venham eles! Nas patuscadas com os “amigos” ele se sente bem…

Falo com o Sr. Fulano para o alertar dos perigos a que está exposto. Aconselho-o a mudar estilos de vida, parar com as adições, alertar para os perigos das amizades de tasca, fazer exercício físico.
Aí começam as desculpas: “porque me doem as pernas”, “também não tenho tempo nem hipóteses de caminhar”, “é difícil deixar de ir ao tasco, xótor, meus colegas chateiam-me e tenho que beber um copo… ou mais”, “não gosto da comida insonsa”, “o que são orégãos?”, “eu como pouco, não sei porque engordo” e o famigerado “prometo-lhe que vou mudar e da próxima vez já vou estar mais magro!”.
Entretanto o Sr. Fulano sai do gabinete equipado com credenciais para análises completas (comparticipadas a - quase - 100%) que irá fazer antes da próxima consulta (que não paga por ser isento) e medicação (quase totalmente gratuita, já que a maioria é genérica). Um doente que custa ao Estado uns bons milhares de € anualmente; mas isso não interessa, eu continuo a achar que a saúde deve ser, tendencialmente, gratuita.
Fiz a minha parte.

Então o dia de trabalho acaba. Entro no meu popó e vou até a padaria comprar uns pãezinhos acabados de sair do forno (a minha mais pura adição).
A padaria situa-se numa esquina e logo aí vejo a incrível mania do português em deixar o carro à frente da porta. Não importa se atrapalha o trânsito, o que interessa é estar o mais próximo possível do local onde se quer ir. É perdida uma hipótese de caminhar.
Deixo a minha viatura no parque do prédio (completamente vazio, já que os outros clientes aglomeraram os respectivos automóveis no meio da estrada à frente da padaria) e caminho 20 segundos até a porta.
Lá dentro vejo algumas das pessoas que dizem aqueles “clichés” que transcrevi antes.
Entre os espécimes está o Sr. Fulano devidamente apetrechado com uma mini e um prato de orelha de porco e moelas de frango que bóiam num molho vermelho e reluzente.
Quando me vê o Sr. Fulano sorri desconsertado. Eu não digo nada; não sou seu pai e a minha fatiota de médico deixei no centro de saúde.
Carrego a mercadoria que pedi e vou-me embora.

No caminho ponho em causa todo o meu trabalho. Para quê levantar às 7 da manhã? Para quê gastar o meu latim, a minha saliva e o meu saber? Para isto? Para quê me esforçar para garantir que os serviços de saúde sejam praticamente de graça? Para que todo esse esforço para garantir que, este candidato a um AVC ou enfarte agudo do miocárdio (EAM), possa viver mais algum tempo com qualidade de vida?
Mas a pergunta fundamental: para que me preocupar com isto? Tenho uma vida e é nela que tenho que pensar. Começo a deixar de me preocupar em salvar almas, deixo essa tarefa aos senhores padres.

Vou para casa e passo um pouco de manteiga (magra) no pão ainda a fumegar. Entre uma dentada e outra desejo que, quando o Sr. Fulano tiver o seu EAM, este seja fulminante, para que, pelo menos, não nos fique ainda mais caro.

(Tudo isto é fictício…
será?)

10 março 2010

A famigerada história dos Cogumelos (re-post)

À custa dela já perdi amigos, e os que não perdi meteram-se no álcool e nas drogas. Ela é infame, desgraçada, aterrorizante, e mais um sem número de adjectivos maléficos. Tenham medo, muito medo (e já agora, também um copo de água).

" Era uma cogumelo-normal cogumelo-manhã na cogumelo-cidade, quando o cogumelo-pai resolve dar um cogumelo-passeio com o seu cogumelo-filho. Já fazia algum tempo que os dois não cogumelo-confraternizavam e o cogumelo-pai estava cogumelo-ansioso pela cogumelo-saída.
O cogumelo-filho andava um pouco cogumelo-chateado com a cogumelo-vida, pois a sua cogumelo-namorada tinha-o cogumelo-encornado com o seu melhor (?) cogumelo-amigo: "aquele cogumelo-fdp" - cogumelo-pensava ele.
Foi de bom-cogumelo-grado que cogumelo-aceitou o cogumelo-convite do cogumelo-pai para o cogumelo-passeio. Estavam a cogumelo-pensar em cogumelo-ir até o cogumelo-estádio da cogumelo-luz para ver o cogumelo-jogo do cogumelo-benfica com a cogumelo-académica e, claro, iam cogumelo-preparados para cogumelo-"torcer" pela cogumelo-Briosa.
Cogumelo-prepararam-se a cogumelo-rigor, cada um com o seu cogumelo-cachecol e cogumelo-bandeira. O cogumelo-pai ainda cogumelo-lembrava-se dos bons-cogumelo-tempos do cogumelo-futebol, em que as cogumelo-pessoas levavam seus cogumelo-filhos aos cogumelo-estádios com cogumelo-segurança: cogumelo-suspirou…

Cogumelo-arrancaram, então.

O cogumelo-filho estava cogumelo-radiante; parecia uma cogumelo-cogumelo-criança de tão cogumelo-feliz que cogumelo-estava e nem se cogumelo-apercebeu do cogumelo-carro que vinha cogumelo-disparado pela cogumelo-estrada cogumelo-acima. Vinha o cogumelo-condutor cogumelo-embriagado aos cogumelo-Ss pela cogumelo-via cogumelo-pública e não teve cogumelo-tempo de cogumelo-travar: apanhou em cogumelo-cheio o cogumelo-filho. Apenas ficou o cogumelo-silêncio depois do seu cogumelo-grito. Parecia que o cogumelo-tempo cogumelo-parou enquanto o seu cogumelo-corpo cogumelo-esponjoso cogumelo-caía para a cogumelo-frente com o cogumelo-impacto do cogumelo-automóvel cogumelo-desgovernado.

O cogumelo-condutor não cogumelo-parou, mas alguém cogumelo-anotou a cogumelo-matrícula.

O cogumelo-pai, cogumelo-desesperado, cogumelo-correu em direcção do cogumelo-filho cogumelo-inconsciente que cogumelo-jazia no cogumelo-chão. Cogumelo-tentava cogumelo-acordar o cogumelo-filho, mas era em cogumelo-vão. O cogumelo-filho estava em cogumelo-coma.

Passados alguns cogumelo-minutos chegou o cogumelo-INEM. Tentaram cogumelo-reanimar o cogumelo-filho; usaram um cogumelo-desfribilhador e deram uns cogumelo-choques: “já tem cogumelo-pulso” – disse o cogumelo-médico- “vamos levá-lo para o cogumelo-hospital”. E foram-se embora na cogumelo-ambulância.

O cogumelo-pai estava cogumelo-transtornado, cogumelo-chorava e cogumelo-jurava de cogumelo-morte o cogumelo-condutor que cogumelo-atropelou seu cogumelo-filho.

A cogumelo-notícia cogumelo-espalhou-se como cogumelo-fogo no cogumelo-verão e todos os cogumelos-parentes cogumelo-telefonaram. Todos queriam cogumelo-saber do cogumelo-estado do cogumelo-filho. O cogumelo-pai cogumelo-explicava quão cogumelo-grave era o cogumelo-estado do cogumelo-filho e que o cogumelo-mesmo estava em cogumelo-perigo de cogumelo-vida no cogumelo-hospital. Os cogumelo-parentes queriam fazer uma cogumelo-visita ao cogumelo-filho pelo que o cogumelo-pai cogumelo-prontificou-se a cogumelo-disponibilizar o cogumelo-horário das cogumelo-visitas.

Combinaram de se cogumelo-encontrar na cogumelo-casa do cogumelo-pai para cogumelo-fazer a cogumelo-visita ao cogumelo-filho.

Entretanto, o cogumelo-filho lutava pela cogumelo-vida no cogumelo-bloco-operatório do cogumelo-hospital cogumelo-distrital da sua cogumelo-cidade. Naqueles cogumelo-tempos de cogumelo-cortes os cogumelo-cirurgiões faziam das cogumelo-tripas cogumelo-coração para cogumelo-trabalhar cogumelo-bem. O cogumelo-ministro da cogumelo-saúde, Cogumelo-Correia de Cogumelo-Campos, tinha cogumelo-cortado em cogumelo-tudo: cogumelo-médicos, cogumelo-enfermeiros e cogumelo-materiais. O cogumelo-bloco necessitava de cogumelo-obras cogumelo-urgentes mas não havia cogumelo-fundos para isso, e quem se cogumelo-lixava era o cogumelo-doente.

Os cogumelo-cirurgiões tinham cogumelo-feito de cogumelo-tudo, só restava cogumelo-rezar ao cogumelo-Deus.

Assim o cogumelo-filho foi cogumelo-internado na cogumelo-enfermaria dos cogumelo-cuidados cogumelo-intensivos.

Enquanto cogumelo-isso, a cogumelo-família inteira cogumelo-reunia-se na cogumelo-casa do cogumelo-pai. Todos cogumelo-anseavam por cogumelo-notícias sobre a cogumelo-saúde do cogumelo-filho. Cogumelo-combinaram em quais cogumelo-carros iriam para o cogumelo-hospital. Juntaram-se cogumelo-todos em 11 cogumelo-carros e seguiram para o cogumelo-hospital com a cogumelo-ajuda do cogumelo-GPS.

Chegaram ao cogumelo-hospital em cerca de 25 cogumelo-minutos. Muito cogumelo-aflitos por cogumelo saber do cogumelo-estado do cogumelo-filho. Chegaram ao cogumelo-balcão das cogumelo-informações onde uma cogumelo-muito cogumelo-simpática cogumelo-senhora cogumelo-informou em qual cogumelo-serviço estava cogumelo-internado o cogumelo-filho.

Apanharam um cogumelo-elevador, não todos cogumelo-juntos pois eram cogumelo-muitos. Chegaram ao cogumelo-serviço de cogumelo-cirurgia onde falaram com o cogumelo-médico.

- Então cogumelo-doutor, como está meu cogumelo-filho? – perguntou o cogumelo-pai.

- Encontra-se cogumelo estável. Esteve no cogumelo-bloco durante 5 cogumelo-horas, mas cogumelo-penso que o cogumelo-pior já cogumelo-passou – cogumelo-respondeu o cogumelo-médico – seu cogumelo-filho está a cogumelo-descansar no cogumelo-quarto 13. É ao cogumelo-fim do cogumelo-corredor.

- Muito cogumelo-obrigado. O cogumelo-senhor cogumelo-doutor cogumelo-salvou a cogumelo-vida do meu cogumelo-filho.

O cogumelo-pai cogumelo-chamou a cogumelo-família e se cogumelo-dirigiram para o cogumelo-tal cogumelo-quarto.

O cogumelo-pai cogumelo-bateu à cogumelo-porta e nada. Cogumelo-resolveu cogumelo-entrar. Nesse cogumelo-momento cogumelo-ficou em cogumelo-choque: seu cogumelo-filho cogumelo-encontrava-se todo cogumelo-ligado, com cogumelo-fios e cogumelo-tubos em todos os cogumelo-orifícios corporais. Cogumelo-catéteres, cogumelo-sondas, cogumelo-soros, cogumelo-etc, cogumelo-etc.

Nem cogumelo-sinal de cogumelo-reacção do cogumelo-filho à cogumelo-chegada do cogumelo-pai. O cogumelo-filho estava cogumelo-mal.

A cogumelo-família também cogumelo-entrou. Era bastante cogumelo-numerosa, mas a cogumelo-situação era tão cogumelo-desesperante que cogumelo-entraram todos de uma só cogumelo-vez.

Todos eles ficaram cogumelo-espantados com a cogumelo-cena. Cogumelo-lágrimas vieram aos cogumelo-olhos e só cogumelo-pensaram em como cogumelo-poderiam cogumelo-ajudar.

Eles cogumelo-acreditavam na cogumelo-força do cogumelo-pensamento e decidiram fazer uma cogumelo-corrente à cogumelo-volta da cogumelo-cama do cogumelo-filho. Era uma cogumelo-forma de cogumelo-reunir cogumelo-forças e cogumelo-energias cogumelo-positivas.

Assim cogumelo fizeram. Cogumelo-organizaram um cogumelo-círculo à cogumelo-volta do cogumelo-filho. E todos fizeram cogumelo-forças. Seus cogumelo-olhos cogumelo-encerraram-se, suas cogumelo-faces numa cogumelo-expressão de cogumelo-sofrimento. Eles cogumelo-gritavam ("aqui estamos cogumelo-nós!!!), cogumelo-rezavam, cogumelo grunhiam e cogumelo-rangiam os cogumelo-dentes; eles cogumelo-cantavam por cogumelo-forças. Pediam aos cogumelo-espíritos por cogumelo-ajuda. Eles cogumelo-suavam de tanta cogumelo-vontade. Eles estavam cogumelo-desesperados, cogumelo-empenhados, cogumelo-decididos…

E quando tudo cogumelo-parecia irremediavelmente cogumelo-perdido, eis que o cogumelo-filho abre levemente um cogumelo-olho. E cogumelo-todos à sua cogumelo-volta começam a cogumelo-cantar:

“ – WE ARE THE CHAMPIGNONS, MA FRIEND!!!”

PS. quem quiser a versão longa é só pedir.

09 março 2010

5


Acordei bem disposto e com um pouco de ansiedade ao ouvir falar no jogo de hoje.
Arsenal X FC Porto. Bom jogo, liga dos campeões, a equipa em vantagem... vai ser difícil mas há que ter esperança.
Fui trabalhar, as consultas correram bem e novamente um disparo de adrenalina ao ouvir as notícias sobre a preparação do FCP para o jogo de hoje.
Faltava pouco.
Fiz de tudo para estar em casa antes das 19:45 e à essa hora estava já preparado para sofrer um bocado.
O FCP trazia a vantagem de ter ganho em casa mas essa, logo, em pouco tempo, desapareceu: 2 X 0 e fim do 1º tempo.
2º Tempo e o FCP começa bem mas... 3 X 0 e clique: desliguei a televisão.
Liguei o PC e pus Astor Piazzolla a tocar, nas horas tristes ou é tango ou é fado e hoje estava mais virado para as Pampas.
Fiquei depois a saber que, afinal, foram 5. Já não me lembro da última vez que o FCP teve um hi5 e, o pior, já não me lembro de termos uma equipa a jogar tão mal...

Estarei incontactável por uns tempos... a recuperar
Obrigado...

Ao Jesualdo, que inventou um Nuno André Coelho a trinco, proponho o tratamento da imagem seguinte:



08 março 2010

Adoráveis mulheres

365 dias para vocês...


"Gerânio"

Composição: Nando Reis, Marisa Monte, Jennifer Gomes


Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente

Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda

Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes

Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga

Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema

Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você

Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda

06 março 2010

Atracção fatal!

Se a bola de futebol tem íman então os meus tomates são de ferro!!!


02 março 2010

A menina que se esqueceu de falar

Em resposta ao desafio "Silêncio" da Fábrica de Letras:


A menina que se esqueceu de falar

“Silêncio!” e uma mão cheia de dedos acerta-lhe em cheio na face.

Helena nascera num dia esplendoroso de verão, um dia sem nuvens e sem brisa. Gritara desde o primeiro instante de vida e, logo aí, recebera uma palmada nas nádegas.
Ao longo dos primeiros tempos pouco estímulo teve para falar. Sua mãe nunca estava e seu pai nunca estivera. Não tinha irmãos, não tinha amigos, não tinha ninguém com quem trocasse uma palavra recém-aprendida.
Vivia no silêncio de uma casa pobre. Pobre de recheios e, mais grave, pobre de movimentos e de vida. Tinha um espelho e era aí que dialogava consigo mesma, trocando palavras toscas e enroladas que só o seu reflexo entendia.
Assim passou a primeira infância.
Nas raras oportunidades que teve para falar com a mãe, era interrompida por um “cala-te!”, “’tá quieta” ou, se a progenitora estivesse mais bem disposta ou sóbria, um “Silêncio!”, sempre acompanhados de uma palma da mão. Helena era filha de um projecto comercial. Um efeito colateral de uma transacção de negócios da sua mãe e esta não lhe empregava muito do seu tempo.
Helena foi sendo autodidata e aprendeu o que ouvia entre as paredes, por trás das portas e às janelas, tudo desvirtuado e distorcido que mesclou numa espécie de dialecto estranho.

Aos 6 anos, Helena foi para a escola. Sua forma de falar provocava risos nos colegas que passaram a ridicularizá-la. Chamavam-na retardada, sem compreender que para ser bom em algo é necessário treinar. Helena não tinha oportunidade de treinar falar com ninguém e fechava-se cada vez mais. Os seus colegas eram retardados em afecto.
“- Prgofegssora, pgosso i à c’sa de bganho?”
“- Helena, cala-te, vais ao intervalo!”
“- Sgtora, e se essa respogsta!”
“- Silêncio, menina, agora é o teu colega a responder!”

“Cala-te”, “Não digas nada”, “´tá calada”, “Shhhhiiiiiiiiiuuuuuu!”

Não tinha parceira de carteira, não tinha lugares em grupo, era um pedaço de gente rodeada de preconceito por todos os lados.
À esta altura, Helena começava a pensar que falar não era solução. Optou pelo silêncio. Estava cansada das conjugações dos verbos "calar" e "silenciar" direccionadas violentamente contra ela.
Helena calou-se e demorou muito tempo para que se ouvisse algo dela.
Passou os anos da escola com boas notas gerais penalizadas apenas pela fraca participação nas aulas. Já não levantava a mão, não perguntava, não se “engrupava”, tornou-se a eremita da turma. Preferia falar consigo mesma, interiormente, já que não se mandava calar a si mesma.

Amplificou a arte de ouvir, especializou-se em ver, deixou a habilidade de falar para os outros e nunca se arrependeu.
Quando jovem aprendeu a linguagem gestual e mandava fod#$ aqueles que não a compreendiam. Helena cresceu e tornou-se uma mulher de enorme carácter, de mais acções e de menos (nenhumas) palavras.

Foi então que, num dia de verão radioso, sem nuvens e sem brisa, conheceu um simpático jovem. Era um rapaz que também não falava. Mas, ao contrário dela, não falar para ele não era opção: estava privado pela natureza.
Compreendiam-se muito bem através da arte dos sinais e brincavam sobre o que liam nos lábios dos outros. Tornaram-se cúmplices dos mesmos crimes e nunca precisaram sonorizar nada um ao outro.

Helena estava feliz pela primeira vez na sua vida. Apetecia-lhe dizer o que lhe ía na alma. Apetecia-lhe gritar, explicar ao mundo o que o seu coração sentia . Mas há tanto tempo que nada dizia que sentia a garganta enferrujada e tinha dificuldades de iniciar o árduo processo de falar.
Olhou para o seu rapaz, que lhe sorriu, encheu-se de coragem e força e da sua boca ouviu-se pela última vez a sua voz… num caloroso, sonoro e apaixonado: “amo-te”.
E depois, para sempre, apenas o silêncio...

Luís Fernandes Lisboa ®

01 março 2010

Sem vaselina...



Espero, sinceramente, que o Jesualdo não se consiga sentar hoje!

27 fevereiro 2010

CPI

Hoje, enquanto preparava o pequeno-almoço e como é hábito cá em casa, ouvia as notícias matinais na RTP.
Falava-se da proposta do PSD sobre a criação de uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para apurar as (diversas) tentativas do governo em controlar a comunicação social, neste caso em concreto, a compra de parte da TVI pela PT.
À dada altura da peça jornalística, aparece o Sr. deputado Francisco Assis, qual paladino do governo, a dizer uma frase que me intrigou. Dizia ele:
"O PSD, com este acto, tenta por em causa o carácter do Sr. Primeiro Ministro!"
Achei realmente estranha e descabida esta afirmação, até porque, para isso, era necessário que o Sr. PM tivesse realmente algum carácter.
Continuando...
Depois de ouvir esta reportagem e depois de ouvir tudo o que se tem dito, ler tudo o que se tem escrito e ver tudo o que se tem mostrado, tomei uma decisão: este blog vai passar a conjecturar sobre este governo, nomeadamente sobre a pessoa do PM.
E aí vocês perguntam (ou, mais provavelmente, não): Porquê?Porque se a TVI e o Sol sofreram tentativas de compra por entidades semi-públicas, pode ser que, criando novos boatos sobre esquemas, o governo se interesse e queira comprar também este blogue...
...é que estou mesmo a precisar de uns cobres.


25 fevereiro 2010

Dizer - verbo intransitivo (re-post)

Como estou com preguiça, hoje faço um re-post de um texto já com algum tempito (07/2007), do tempo do Correia de Campos como ministro da saúde, Maria de Lurdes Rodrigues como ministra da educação e outros que tais. De um tempo no qual para ser funcionário público era necessário ter um olho na nuca... mas será que esse tempo já passou? Hum...

Gostaria de dizer algo que tenho vontade de dizer há já algum tempo. Não digo porque se disser corro um enorme risco: dizer algo que não devia ter dito.
Por trabalhar para quem trabalho, estou impedido de dizer o que quer que seja actualmente, pois tudo que disser pode ser e, inevitavelmente, será usado contra mim.
Se alguma vez vos disserem que disse algo, eu direi que não passa de uma mentira.
Eu não vou dizer que este governo não presta, nunca diria tal coisa. Eu nunca disse que este PM é intolerante, irascível e feio; se disseram que tinha dito equivalente assunto, venho dizer que se enganaram.
Eu nunca, em sã consciência, iria dizer que o Ministro da Saúde é incompetente. Só porque ele diz barbaridades não posso dizer que o homem é ignóbil, incoerente e intragável. Não é porque o homem é impopular que dá o direito de dizer o que apetece e por isso simplesmente não digo... e também não penso.
Por falar (ou dizer, ou talvez nenhuma nem outra) em pensar, digo que é raro hoje em dia. A arte de pensar é tão difícil como a hipótese de eu dizer que tal é culpa dos Ministros da Educação. Eu não disse que a culpa era dos ministros, muito menos da actual, essa senhora que eu não digo que não seja apta para a pasta. Alguma vez teria a lata ou a audácia de dirigir a palavra de forma jocosa a qualquer acto que a Exma Srª faça? Nunca diria nada que fosse verdade e se o fizesse seria obviamente uma inverdade dita por alguém que não sabe se sabe do que diz.
Eu não digo que estou revoltado, não tenho porque dizer. Também não vou dizer que está tudo bem. Talvez aceitem que diga que a culpa é da UE. Mas aí o Sr. Ministro da Agricultura talvez tivesse que dizer para sairmos dessa problemática "instituição". Não pensem que vou dizer que o Sr. é inábil, não seria rude a esse ponto.
Eu não digo nada mas vejo algumas coisas. Acharia graça se muitas delas não me afectassem, mas infelizmente não posso dizer que isso não aconteça.
Não vou dizer que estou amordaçado, calado, silenciado, discreto ou tácito, mas também não estou muito interessado em levar um processo disciplinar por dizer o que nunca disse nem tive vontade de dizer. Eu não digo porque tenho med.. ops, receio que ouçam os que não me interessa que ouçam o que eu não tenho para dizer, por isso eu não digo, nem penso... mas escrevo enquanto posso.
Ainda bem que ainda podemos ficar calados quando queremos dizer algo. É bom podermos ser(-se) controlados, para que depois não sejamos atacados pela nossa PID... consciência.

Não façam como eu, digam, expressem-se!!!
PS(não o partido): mas não digam que fui eu que disse!