21 março 2011

O pão nosso de cada dia

Falem o que quiserem, argumentem como entenderem, mas, com a verdade vos digo: não existe especialidade médica mais difícil que a Medicina Geral e Familiar.
Vou dar como exemplo uma anedota, da qual gosto muito (e talvez muitos já conheçam), que reflecte o meu dia-a-dia no Centro de Saúde:

"Jesus Cristo, ao ver no que o mundo se tornara, resolve encarnar novamente. Pondera muito o local e a profissão que desta feita escolheria e, depois de estudar minuciosamente todas as alternativas, decide-se por voltar à terra sob a forma de Médico de Família em Portugal.
Escolhe, para início da nova empreitada, um Centro de Saúde com algumas condições, num distrito qualquer do território nacional, indo tomar, como seu, um ficheiro de utentes há muito sem clínico atribuído.

Jesus chama, então, o seu primeiro utente: o Sr. Manuel, um utente paralítico, sequelas de um acidente de viação.
Jesus cumprimenta o doente e, ao vê-lo naquele estado, coloca a palma da sua mão na testa do homem e diz:
"Levanta-te e anda!"
O Sr. Manuel levantou-se, agradeceu e caminhou porta fora.

À saída, um seu amigo, Sr. Joaquim, pergunta-lhe:
"Atão, Manel, como é o médico novo?"
"Ópa, sempre a mesma merda, nem a tensão o gajo me mediu, vê lá!"



E é isso, é difícil... mas, por enquanto, continua a dar um gozo do caraças!

14 março 2011

PECados

Com a palavra Sua Santidade, o Papa Bento XVI, no seu último discurso dominical, dirigindo-se ao governo português, nomeadamente a Teixeira dos Santos, Ministro das Finanças:





Papa Bento XVI: "Irmãos, um caloroso abraço aos irmãos portugueses. Faço um apelo ao Ministro das Finanças daquele país: por favor, irmão Teixeira, não PEC mais; está difícil interceder por si junto do Senhor..."

12 março 2011

Coragem

Acabei de comer um "cachorro da night": ainda estou vivo e sem sinais da Salmonella.
(há que respeitar o período de incubação...)

10 março 2011

O verdadeiro Dr.

Pelo que tenho visto, no lugar onde trabalho, talvez não precisem, realmente, de um médico: basta ir ao Dr. da farmácia.

08 março 2011

♀ = + Cones?



Ela: olha, dá-me essa almofada bege.
Eu entrego-lhe uma almofada dentre milhares d'outras.
Ela: não é essa! Não vês que essa é amarela?
Eu: amarela? a sério?
Ela: dá-me essa do lado?
Eu: esta branca?
Ela: branca não, bege!
Eu: ... ok, dou-te esta branca-amarelada.

De certeza que as mulheres tem mais cones que os homens (eu falei cones!)...


Reclamar



Estive ontem a ver este filme e lembrei-me do tempo em que o espiritismo esteve mais presente na minha vida.
Naquele tempo, enquanto miúdo, uma das lições que a doutrina tentava passar era: "não reclamar".
"Não reclamar" é diferente de "não lutar pelos direitos e por uma vida melhor".
"Não reclamar" refere-se às coisas fúteis e banais, coisas que queremos, que são totalmente supérfluas, em detrimento das que já temos e que são perfeitamente úteis e suficientes. "Não reclamar" por não ter mais matéria. "Não reclamar" da família, do trabalho e, principalmente, da vida.
"Não reclamar" e tentar crescer como pessoa. Trabalhar, estudar, ajudar e ser melhor, a cada dia. Essas foram as mensagens que aprendi naqueles dias e que, infelizmente, se foram diluindo ao longo do tempo de afastamento.

Ontem enquanto via esse filme lembrei que tenho reclamado (e muito) nestes últimos tempos. Parei para pensar na minha vida e vi egoísmo, preguiça e revolta... há que trabalhar para alterar... há um longo caminho...

Sei que alguns que me visitam neste espaço são cépticos. Convido-vos a ver este filme (ou ler o livro com o mesmo nome) de mente aberta, nem que seja por diversão cinematográfica. Espero que sirva, mesmo que o encarem como ficção, para que possam pensar se estamos, ou não, no caminho certo.

Deixo uma mensagem de Chico Xavier:


NÃO RECLAME

A Vida te coloca onde você escolheu estar...

"Nasceste no lar que precisavas.
Vestiste o corpo físico que merecias.

Moras onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com teu adiantamento.

Possuis os recursos financeiros coerentes com as tuas necessidades, nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.

Teu ambiente de trabalho é o que elegeste espontaneamente para a tua realização.

Teus parentes e amigos são as almas que atraístes, com tua própria afinidade.

Portanto, teu destino está constantemente sobre teu controle.
Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais, buscas, expulsas, modificas, tudo aquilo que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus atos, atitudes, são as fontes de atração e repulsão na tua jornada vivencial.

Não reclames nem te faças de vítima.
Antes de tudo, analisa e observa.
A mudança está em tuas mãos.
Reprograme tua meta,
Busque o bem e viverás melhor."

Francisco Cândido Xavier

06 março 2011

Pai Sofre XVII: minha Alice

É Carnaval.

Minha filha caminha pela sala com uma fantasia que a mãe lhe comprou: Alice.
Alice caiu no país das maravilhas; assim caí eu ao vê-la. Fui transportado pela sua inocência, em conjunto com o fim-de-semana, para o seu país.

No país da minha filha “Alice” não existe pressão, não existe desemprego, a comida vem ter à mão, o banho vem acompanhado por carinho, é-se limpo, mimado, amado e posto a dormir ao som de um “boa noite” meloso e verdadeiro. No seu país, todos sorriem à sua passagem, riem-se às suas tentativas de articular as palavras ou da sua forma engraçada de andar. No seu país ela é o centro do universo.

Tive inveja, por segundos, ao vê-la correr sorridente pela casa, segurando qualquer brinquedo na mão, cheia de esperança e vivacidade. Inveja pela ignorância d
o que o mundo realmente é: pouco maravilhoso. Viver assim, no desconhecimento do que nos rodeia, deve ser muito bom. Tudo é descoberta, tudo é realmente fantástico e maravilhoso, mesmo que a aprendizagem inclua algumas quedas e outras dores esporádicas. É pena que são, exactamente estes, os anos dos quais nos esquecemos.


Gostava de mantê-la assim: escondida do mundo real. Mantê-la no seu mundo inocente onde os gatos falam e as cartas não se jogam a dinheiro. Gostava de a manter nessa utopia da infância, protegê-la dos monstros, dos mentirosos, dos políticos, dos religiosos. Gostava de a escusar da violência que abunda pelo mundo. Gostava escondê-la deste pai actual: triste, desanimado e preocupado com o s
eu futuro e do seu(sua) irmão(ã) que ainda está para chegar.

Até terça-feira é Carnaval. Nada se leva a mal. Vou manter-me a aproveitar do mundo maravilhoso da minha filha “Alice”, aquele farto em riso, pureza e paz. Vou beber dessa esperança doce que ela traz no abraço. Vou descansar minha cabeça no seu colo e sorver todos os seus “miminhos acelerados”. Vou comunicar no seu idioma ininteligível (para alguns). Vou ver bonecos na televisão e cantar canções tolas. Vou ser feliz. Vou ser o seu “Cheschire Cat”.


Vou "orar" para que o tempo passe devagar e que não encontre o túnel de volta ao mundo pouco maravilhoso.


Também para o desafio "violência" (mas não muita, que já estamos a ficar fartos) para a "Fábrica de Letras":




14 fevereiro 2011

Fim do fenómeno

Acho que foi em 1993 que vi o primeiro jogo do Ronaldo. Era um puto magricela que aparecera no onze titular do Cruzeiro E.S., clube de Belo Horizonte, capital do estado brasileiro de Minas Gerais. Lembro-me que esse jogo foi com o grande Santos F.C., num dos maiores clássicos do futebol brasileiro. Resultado? Vitória dos azuis mineiros por uns estonteantes 6 X 1! 6 golos de Ronaldo!!!
Quem era aquele miúdo? Mais um puto arrancado aos baldios do Brasil, onde proliferam artistas da bola. A partir deste jogo passei a conhecer um dos maiores jogadores de sempre.
Pouco depois, Ronaldo foi para a Holanda e iniciou a sua carreira europeia. Mudou muito, ganhou massa muscular, ficou ainda melhor jogador. Quem gosta de futebol lembra-se perfeitamente de 2 golos "fenomenais" do tempo em que jogava pelo barça. Era uma força da natureza!

Agora acabou-se. Ficam na memória as grandiosas fintas e as alegrias de 2 mundiais dados ao Brasil.

Ronaldos podem existir muitos, uns com diminutivos ou com um "Cristiano" à frente, mas "Fenómeno" só existiu um.

Eu, que gosto muito de futebol, agradeço.



27 janeiro 2011

Deus me livre... deles!

Esta tarde, enquanto não fazia nada de relevante, fui interrompido pela campainha da porta.
Pé-ante-pé, em silêncio, fui ver quem seria através do "olho mágico" da porta.
Eram 2 pessoas; um casal de engravataditos com livros grossos junto ao sovaco: Testemunhas de Jeová.
Ainda pensei em não abrir a porta, mas não resisti.

- Boa tarde, disse eu.
- Boa tarde, jovem. Teria tempo para uma conversa? Disse o senhor polidamente.
- Depende do que seja.
- Gostaríamos de falar sobre Deus.
- Ah, ok. Mas, peço desculpa, não estou interessado. Obrigado e boa tarde.

Antes que fechasse a porta, a menina que o acompanhava, insatisfeita pela ovelha desgarrada, ainda teve tempo para mandar uma pequena farpa, como que numa última tentativa de vender o seu peixe:
- O Sr. não acredita em Deus? "Amandou-ma" com um sorriso semelhante ao do domador de felinos de um circo qualquer.
- Acredito em Deus sim, menina - disse eu calmamente - não acredito é em vocês... tenham uma boa tarde.


Benza Deus! Saravá meu Pai!

20 janeiro 2011

TV cabo Vs Catsone (indirectamente)

O telemóvel da senhora que vive comigo (SQVC):
Trim-trim... trim-trim...
SQVC: Estou.
TV Cabo (TVC): Está? Estou a falar com ...?
SQVC: Sim. Quem fala?
TVC: Meu nome é fulana e represento a TVcabo. Gostaria de falar consigo sobre os nossos produtos.
SQVC: Da TVcabo? Bem...
Eu: Hã. Passa-me o telélé! Anda.
SQVC: Tá quieto. Bem, eu já sou vossa cliente, mas o contracto está em nome do meu marido.
Eu: Ó caraças, passa-me o telefone. Tenho uma boa para lhes pregar.
TVC: Peço imensa desculpa. Uma boa tarde e desculpe o incómodo.
SQVC: Não há problema. Boa tarde e um bom trabalho.
Eu: O QUÊ???? "BOA TARDE E UM BOM TRABALHO"???

Detesto gentinha educada.

19 janeiro 2011

Sacanas

Antes recebia o recibo do vencimento pelo correio: num acesso de raiva, rasgava-o!
Agora recebo-o via email...

Sacanas!!!

18 janeiro 2011

Impotência

Os juros aumentam.
Os produtos inflacionam.
Os combustíveis sobem.
As injustiças crescem
O desemprego escala.
A insatisfação vai ao ar.
A ansiedade dispara.

A tesão da malta desce, mirra, míngua, desaparece, desvanece, vai-se embora: o viagra
® teve a comparticipação e está caro comó caral, ops, caraças!
Só o governo ainda tem força na verga para continuar a fornicar e, apesar da idade entradota da república, a sodomia é diária.


Imagem google

16 janeiro 2011

A das bananas

Parece o mercado municipal:

"Qatar: Amado diz que terá sido discutida a venda de títulos aos investidores" Expresso

"Acordos com Pequim avançam com venda de dívida pública e visita do BCP à China" Público

"Sucesso na venda de dívida não afasta recurso ao FMI" Económico

Já imagino o Sócas na feira:




Entretanto o Sr. Prof. Marcelo fez a sua papagaiada semanal a partir de Cabo Verde. Terá ido visitar o Dias?

Claro que é possível!

"Dos 42 pontos possíveis quero conquistar 46!"

Força Paulo!!!


15 janeiro 2011

Será possível?

"De 45 pontos possíveis quero conquistar 46!

Na primeira volta, fizemos 28 pontos e agora, dos 45 possíveis, queremos fazer 46. Será difícil, mas só há uma maneira, ganhar..." Conferência de imprensa de Paulo Sérgio, treinador do SCP, in O Jogo

Ó amigo Paulo, 46 pontos em 45 possíveis? Não, não é difícil...


Foto: google (com retoques)
Gosto da expressão do Riquelme, parece a minha quando ouvi esta frase.

11 janeiro 2011

Constatação


Existem poucos programas de humor televisivos com mais piada do que o tempo de antena do Sr. José
Manuel Coelho.



Viva o nosso Tiririca!!!

08 janeiro 2011

Honesty

Para o desafio de Janeiro da Fábrica de Letras: "Preconceito"


Honesty

Ele era honesto. A sinceridade era uma das suas principais virtudes.

John vivia em Sidney e desde criança teve problemas com os outros.

Não suportava a mentira, a falsidade e o vira-casaquismo.

Na escola era o alvo dos colegas. Vivia levando nas trombas porque era incapaz de ficar calado e os mais velhos amaciavam-lhe a carne. Respondia a alguns professores desvendando-lhes a ignorância. Tinha as suas próprias opiniões e as expunha sem pruridos… e levava mais um pouco. Ao chegar à casa mais uma saraivada de miminhos acelerados perante os resultados escolares.

Os feios batiam-lhe quando dizia que eram feios. Os bonitos chegavam-lhe a roupa ao pêlo quando dizia que eram falsos. Os gordos e velhos não chegavam a bater-lhe porquê John era um óptimo corredor.

Nunca teve sucesso com as miúdas. Gostava de dizer que ficavam pirosas com certas pinturas, ridículas com algumas roupas e estúpidas com determinadas companhias. A sua cara era destino certo de algumas mãos mais revoltadas e os lábios nunca encontraram seus semelhantes.

John passou grande parte da sua vida desempregado. Tinha grande dificuldade em adaptar-se a trabalhos escravos, em lamber-botas e ficar em silêncio perante as injustiças/mentiras de patrões e sindicalistas. Era insultado pelo chefe e ostracizado pelos camaradas; os patrões ignoravam-no até o dia de o despedirem.

Nunca foi bem recebido em qualquer comunidade. A muçulmana quase o matou quando John criticou o fundamentalismo. A católica o esconjurou quando ouviu a sua opinião sobre as cruzadas, a inquisição e a oposição à camisinha. Os indianos e paquistaneses ofenderam-se sobre a dissertação relativa à Caxemira. Os portugueses voltaram-lhe as costas quando opinou sobre os bigodes, barrigas fartas e as cusparadas pró chão. Os italianos atentaram contra sua vida quando disse que preferia a massa grossa da pizza. Os australianos, os chineses, os africanos, pura e simplesmente ignoraram-no…

Mesmo ele irritava-se quando se olhava ao espelho e opinava sobre o que via. Muitas vezes sofreu por se criticar a si próprio mas, passados alguns anos, entendeu que isso o fazia crescer como indivíduo.

John nunca votou, nunca cumpriu o patriótico serviço militar, nunca teve religião, nunca foi a um jogo de futebol, nunca gostou da grotesca "arte" tauromáquica, nunca deu importância ao dinheiro: nunca foi normal.

Nunca entenderam a sua forma transparente, pura e verdadeira de estar na vida.


Um belo dia, decidiu fugir de Sidnei. Resolveu abandonar a terra cuja beleza o encantou desde pequenino. Resolveu ir para um lugar onde o sol e o mar se mantivessem seus companheiros.

Veio desembarcar num pequeno aeroporto do sul de Portugal. Instalou-se em Vila Moura e lá criou um pequeno restaurante onde a sinceridade e honestidade seriam a alma (e o slogan) do negócio.


Afinal a honestidade compensa: John ficou rico.


Luís Fernandes Lisboa ®

Nota: história fictícia mas imagem verdadeira (tirada com o meu telemóvel em Vila Moura).

É pena

Este "blogger" ou o camandro, não tem, nem nunca teve, acções do BPN ou da SLN... mas tem pena.

Furto

Lisboa, 07 jan (Lusa) -- O primeiro-ministro afirmou hoje que em 2010 o crescimento económico português será o dobro do esperado, que a receita fiscal ficou acima do previsto e que a despesa do Estado se situou abaixo do estimado pelo Governo.

Ou como dizer "sacamos mais aos totós do que esperávamos", "afinal o roubo compensou" e ainda "e não é que os gajos bem espremidos dei
tam bom dinheirinho?" duma forma mais polida, subtil e intelectual.


04 janeiro 2011

Belo futuro

Sempre comparei as crianças a espelhos. Acho que, na ingenuidade infantil, reflectem o ambiente em que vivem. Por vezes, ao se estar perto de uma determinada criança, passado algum tempo, conseguimos imaginar como serão os pais e o ambiente familiar.
O que se passa em casa influencia muito o desenvolvimento da criança, da sua personalidade... e do seu carácter.
Lembro-me de putos asneirentos, mal-criados e sujos; passado algum tempo, e ao ver o familiar, penso: "só podias ser tu o pai deste estafermo!"

Já há algum tempo escrevi sobre as temíveis musicas infantis e, associando à treta que escrevi logo acima, apresento este vídeo "infantil":



Num país de gente que produz pouco, que ganha pouco, em crise de identidade, a necessitar de bons exemplos, estamos a "ensinar" a fina arte da vagabundagem logo de tenra idade? Querem ver que estamos a precisar de mais políticos e líderes sindicais, não?
Está uma casa bem arrumada, está!