11 janeiro 2011

Constatação


Existem poucos programas de humor televisivos com mais piada do que o tempo de antena do Sr. José
Manuel Coelho.



Viva o nosso Tiririca!!!

08 janeiro 2011

Honesty

Para o desafio de Janeiro da Fábrica de Letras: "Preconceito"


Honesty

Ele era honesto. A sinceridade era uma das suas principais virtudes.

John vivia em Sidney e desde criança teve problemas com os outros.

Não suportava a mentira, a falsidade e o vira-casaquismo.

Na escola era o alvo dos colegas. Vivia levando nas trombas porque era incapaz de ficar calado e os mais velhos amaciavam-lhe a carne. Respondia a alguns professores desvendando-lhes a ignorância. Tinha as suas próprias opiniões e as expunha sem pruridos… e levava mais um pouco. Ao chegar à casa mais uma saraivada de miminhos acelerados perante os resultados escolares.

Os feios batiam-lhe quando dizia que eram feios. Os bonitos chegavam-lhe a roupa ao pêlo quando dizia que eram falsos. Os gordos e velhos não chegavam a bater-lhe porquê John era um óptimo corredor.

Nunca teve sucesso com as miúdas. Gostava de dizer que ficavam pirosas com certas pinturas, ridículas com algumas roupas e estúpidas com determinadas companhias. A sua cara era destino certo de algumas mãos mais revoltadas e os lábios nunca encontraram seus semelhantes.

John passou grande parte da sua vida desempregado. Tinha grande dificuldade em adaptar-se a trabalhos escravos, em lamber-botas e ficar em silêncio perante as injustiças/mentiras de patrões e sindicalistas. Era insultado pelo chefe e ostracizado pelos camaradas; os patrões ignoravam-no até o dia de o despedirem.

Nunca foi bem recebido em qualquer comunidade. A muçulmana quase o matou quando John criticou o fundamentalismo. A católica o esconjurou quando ouviu a sua opinião sobre as cruzadas, a inquisição e a oposição à camisinha. Os indianos e paquistaneses ofenderam-se sobre a dissertação relativa à Caxemira. Os portugueses voltaram-lhe as costas quando opinou sobre os bigodes, barrigas fartas e as cusparadas pró chão. Os italianos atentaram contra sua vida quando disse que preferia a massa grossa da pizza. Os australianos, os chineses, os africanos, pura e simplesmente ignoraram-no…

Mesmo ele irritava-se quando se olhava ao espelho e opinava sobre o que via. Muitas vezes sofreu por se criticar a si próprio mas, passados alguns anos, entendeu que isso o fazia crescer como indivíduo.

John nunca votou, nunca cumpriu o patriótico serviço militar, nunca teve religião, nunca foi a um jogo de futebol, nunca gostou da grotesca "arte" tauromáquica, nunca deu importância ao dinheiro: nunca foi normal.

Nunca entenderam a sua forma transparente, pura e verdadeira de estar na vida.


Um belo dia, decidiu fugir de Sidnei. Resolveu abandonar a terra cuja beleza o encantou desde pequenino. Resolveu ir para um lugar onde o sol e o mar se mantivessem seus companheiros.

Veio desembarcar num pequeno aeroporto do sul de Portugal. Instalou-se em Vila Moura e lá criou um pequeno restaurante onde a sinceridade e honestidade seriam a alma (e o slogan) do negócio.


Afinal a honestidade compensa: John ficou rico.


Luís Fernandes Lisboa ®

Nota: história fictícia mas imagem verdadeira (tirada com o meu telemóvel em Vila Moura).

É pena

Este "blogger" ou o camandro, não tem, nem nunca teve, acções do BPN ou da SLN... mas tem pena.

Furto

Lisboa, 07 jan (Lusa) -- O primeiro-ministro afirmou hoje que em 2010 o crescimento económico português será o dobro do esperado, que a receita fiscal ficou acima do previsto e que a despesa do Estado se situou abaixo do estimado pelo Governo.

Ou como dizer "sacamos mais aos totós do que esperávamos", "afinal o roubo compensou" e ainda "e não é que os gajos bem espremidos dei
tam bom dinheirinho?" duma forma mais polida, subtil e intelectual.


04 janeiro 2011

Belo futuro

Sempre comparei as crianças a espelhos. Acho que, na ingenuidade infantil, reflectem o ambiente em que vivem. Por vezes, ao se estar perto de uma determinada criança, passado algum tempo, conseguimos imaginar como serão os pais e o ambiente familiar.
O que se passa em casa influencia muito o desenvolvimento da criança, da sua personalidade... e do seu carácter.
Lembro-me de putos asneirentos, mal-criados e sujos; passado algum tempo, e ao ver o familiar, penso: "só podias ser tu o pai deste estafermo!"

Já há algum tempo escrevi sobre as temíveis musicas infantis e, associando à treta que escrevi logo acima, apresento este vídeo "infantil":



Num país de gente que produz pouco, que ganha pouco, em crise de identidade, a necessitar de bons exemplos, estamos a "ensinar" a fina arte da vagabundagem logo de tenra idade? Querem ver que estamos a precisar de mais políticos e líderes sindicais, não?
Está uma casa bem arrumada, está!

31 dezembro 2010

16 dezembro 2010

Pai sofre XVI: Esperanças renovadas

Estávamos há cerca de 1 hora à espera da minha colega. Esperávamos naquele serviço para termos a certeza do "se" e do "tempo".
Chamaram-nos.
Pé-ante-pé fomos atrás daquela bata branca. Conversávamos trivialidades pois a senhora era minha conhecida da faculdade. Nós retribuíamos sorrisos ansiosos, de cortesia, já que nossa mente estava noutra.

Ela deitou-se na marquesa e olhou-me por segundos. Pôs-se o mais confortável que pôde e respirou fundo. Uma inspiração de nervosismo. Eu fiquei ali, com um olho nela e outro na máquina, com a esperança vã de compreender o preto-e-branco da tela.

A técnica pegou no aparelho e começou a fazer a pesquisa. Com os olhos fixos no ecrã, procurou o nosso tesouro.
Alguns segundos de demora e lá estava ele. Um pequeno ser mostrou-se, pela primeira vez, àqueles que, sem saber, o criaram.
"Querem ouvir?", perguntou a médica; "olhem, olhem"
Tum-tum, tum-tum, tum-tum (viva o doppler!)
"Já bate!"

Aquele já bate e o meu ia parando...

Vai começar tudo novamente e não existe adjectivo para descrever o que se sente.


Nota: aproveito este post para minha participação no desafio "... e acontecimentos" da Fábrica de Letras

27 novembro 2010

Desconectado


Quando menos se espera ficamos a perceber que a internet ocupa mais tempo do que devia nas nossas vidas. Percebi isso agora que cancelei o contrato que me unia a uma pequena e antiquada "banana" de net móvel.
Ficar sem ligação a este mundo virtual é como permanecer no limbo: não se tem informação instantânea, não se tem contacto com alguns amigos, não se chega ao "correio"....
Até ao momento continuo sem ligação (isto é apenas uma abébia wireless que apanhei pelo ar) e sinto-o como um drogado a injectar sua droga necessária.

Preciso de algum tempo de abstinência para depois voltar ao ataque... com uma ligação melhorada e mais barata!

24 novembro 2010

Luta



Hoje perco minha grevirgindade!!!

13 novembro 2010

Prémio

Os amigos Carlos e o João resolveram (e muito bem ) premiar este estaminé com o prémio dardos.


«O Prêmio Dardos é o reconhecimento dos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc... que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web»

Fico muito lisonjeado dado vir de quem vem e agradeço o gesto.

No entanto, este prémio tem regras. Regras são coisas às quais não me adequo muito bem, mas vou (tentar) cumprir:
As regras:

- Exibir a imagem do Selo no blogue: check!

- Revelar o link do blogue que me atribuiu o Prémio: check!

- Escolher 10, 15 ou 30 blogues para premiar: todos os da barra "concorrência". Não é para despachar mas sim porque considero que "demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras." e só por isso os tenho comigo neste meu espaço.

Bom fim-de-semana a todos

11 novembro 2010

Natureza


"Se quando dás um peidinho morre um golfinho
Atenção ó Greenpeace: hoje é dia de S. Martinho!"

07 novembro 2010

01 novembro 2010

O que serei?

O Francisco Vieira, do "Namorado da Ria", propôs, há algum tempo, um concurso literário no seu blog. Participei com um poema que escrevi há um boa mão cheia de anos atrás e que nunca tinha publicado neste estaminé.
Nota: acho que dava uma boa música rap...

O que serei?!


Sou ainda criança
E perguntaram-me:
“O que queres ser quando fores adulto?”
Pensei e disse:


“Não quero ser professor
Porque não seria respeitado.
Não quero ser médico
Porque tenho medo de advogados.
Não quero ser artista,
Aqui não existe arte
Só se vê lixo, na televisão
Na rádio, em toda a parte.


Eu decidi, não serei polícia
Porque seria mal compreendido,
Seria obrigado a multar
Em vez de prender um bandido.
Não quero ser jurista,
Teria desgosto no tribunal,
Lutaria por justiça
Mas não há justiça em Portugal,
Quem é réu faz o que quer
E amanhã é 1ª página do jornal.


Não quero ser pedreiro,
Serralheiro, pasteleiro,
Carpinteiro, carniceiro,
Carteiro ou outro “eiro”,
Pra quê? Trabalhar tanto
E não ver a cor do dinheiro?
Olho pr’os meus pais
Que trabalham o dia inteiro
Para satisfazer meus anseios
E no fim falta sempre mais.


Teria medo de ser operário
E viver no fio da navalha,
O governo joga a rede
Mas só o pequeno fica na malha.
Não quero ser bombeiro
Perder-me nas chamas dos Agostos.
Não quero ser comerciante
E viver para pagar impostos.
Não terei qualquer profissão,
Qualquer diploma ou ofício,
No país que tenho hoje
Todo o saber é um desperdício.


Não quero ser padre
Porque minha fé é verdadeira.
Não quero ser crítico
Não gosto de dizer asneiras.
Também não serei escritor
No país que esqueceu Camões e Gil Vicente,
Preferem falar inglês
Em vez de português fluente.
Não quero ser digno
Porque seria um otário,
Num país que ama o desonesto
E o conto do vigário.



Ainda não decidi o que quero ser,
Falta ainda muito tempo,
Espero que ao crescer
Não aumente meu desalento,
Ver meu país a perder
A corrida do desenvolvimento
E contentar-se em ser pequeno
Perdendo-se num sentimento
De inferioridade quase obsceno”.

Não, não sei o quero,
Não me apressem
Que sou apenas uma criança
E no futuro quero lembrar-me
Que pelo menos tive infância.


30 outubro 2010

Voltar para casa

Quem acompanha as "coisas" que escrevinho neste papel virtual conhece um pouco do meu mundo. Sabe que eu tenho uma jovem família, conhece a minha profissão e tem noção de que trabalho longe de casa.
Trabalhar longe de casa influencia as outras vertentes do meu mundo e isso reflectiu-se nos textos que escrevi aqui. Basta ver os textos sobre saudade ou sobre as viagens até ao destino de trabalho.
Ficar a semana toda longe de casa exige muito de quem, como eu, é apegado à família. Traz, no entanto, uma coisa boa: o reencontro.
Se tudo já era difícil, agravou-se ainda mais com o surgimento da minha menina. Perder alguns passos na sua evolução é algo que nem todo o dinheiro do mundo poderia pagar.

Há pouco mais de 3 meses escrevi este texto, no qual relatava a minha metamorfose de interno para especialista de Medicina Geral e Familiar. Esta passagem tinha uma dupla importância: 1º - mostrava uma evolução como profissional; 2º (e mais importante) representou a oportunidade de mudar para um local mais próximo de casa.

Depois de um concurso absurdo, protagonizado pelo Ministério da saúde e seus capangas da ARS, esta semana que passou foi a semana da decisão. Foi nesta última quarta-feira que decidi meu futuro local de trabalho.
Após uma burlesca reunião com alguns (verdadeiros e puros) funcionários públicas daquela última instituição, chegara a hora da escolha. Uma a uma as vagas foram sendo escolhidas e aproximava-se a minha vez...

Tudo isto só para dizer que, após 5 anos de distâncias, de viagens, de encontros relâmpago, de imensa saudade, estou, finalmente, voltando para casa!



Mas vou ter saudades na mesma...

27 outubro 2010

Guerra dos sexos (repost)

Pergunta da minha "mais-que -tudo":
Ela: "- Olha, uso um eyeliner ou não?"
Eu:"?"... hum... hã... na sei! E eu, uso extremos ou vou com um 4-4-2?
Ela: "?"...

26 outubro 2010

Tv Cabo vs Catsone

Andaram desaparecidos... bem, se calhar fui eu que, durante meses, rejeitei tudo que fosse número não identificado. No entanto, lá conseguiram apanhar-me desprevenido (no bom sentido, claro).

TV Cabo (TVC): "Bom dia!"
Eu: "Sim?"
TVC: "Aqui fala Fulano. Represento a TVC e gostava de falar com o Sr. Catsone?"
Eu: "Gostava?"
TVC: "Sim."
Eu: "Já não gosta mais?"
TVC: "Sim, pois, ainda gosto..."
Eu: "Mas o Sr. o conhece?"
TVC: "Pessoalmente? Pessoalmente não."
Eu: "Mas gosta dele. Há coisas do catano, não é verdade?"
TVC:" Pois... bem... é com ele que tenho o prazer de estar a falar?"
Eu: "Elá, o Sr. Fulano está a ter prazer comigo?"
TVC: "Ah, ah. Bem disposto."
Eu: "Na verdade não muito. Ando com uma azia do camandro e uns arrotes azedos. Deve ser duma úrsula que trago no duodenes."
TVC: "Desculpe, mas é o Sr. Catsone quem fala?"
Eu: "Perdão, é ele sim."
TVC: "Como estava a dizer..."
Eu: "Está."
TVC: "Como?"
Eu: "O quê?"
TVC: "Não estou a entender..."
Eu: "Você disse que está a comer."
TVC: "Como?"
Eu: "Está a ver. Quero lá saber que o Sr. Fulano esteja a comer?"
TVC: "Desculpe-me, mas parece haver aí algum mal entendido."
Eu: "Onde?"
TVC: "Onde o quê?"
Eu: "Procurei pela sala e não encontrei qualquer mal-entendido."
TVC: "Queria dizer que deve haver alguma confusão."
Eu: "O que é que quer? Hoje faltou-me a mulher a dias!"
TVC: "Ó Sr. Catsone, queria dizer que esta conversa está um pouco confusa."
Eu: "Realmente, este telefonema está um pouco confuso, está. Mas a culpa é sua, não é? E o cliente tem sempre razão. Mas recomece lá a ladainha."
TVC: "Bem, vai me desculpar, mas não é ladainha..."
Eu: "Peço desculpa, se calhar fui um pouco rude. Ladainha não... lengalenga."
TVC: "Ok, Sr. Catsone, como queira. Como estava a dizer..."
Eu: "Está?"
TVC: "Estou?"
Eu: "Parece que sim, pelo menos estou a ouvi-lo."
TVC: "O Sr. Catsone está a brincar comigo?"
Eu: "Brincar consigo? Mas estou a falar para alguma linha erótica? Eu não brinco com qualquer um, compreende?"
TVC: "... desculpe. Isto não está a correr muito bem. Não se importa que liguemos mais tarde e falava com um meu colega?"
Eu: "Importo-me, sim senhor! Agora que começava a gostar de si quer empurrar-me para outro? Vocês são todos iguais!"
Tum-tum-tum-tum

23 outubro 2010

Os monstros

A bocado, assistindo à Sic Notícias, vi a chegada das equipas do PS e PSD para o início da fantuch, peço desculpa, negociação para a viabilização do OE2011.
Ao ver aqueles dois grupos de patet - opá não sei o que se passa comigo hoje - políticos, lembrei-me de uma cena do (grande) "Monsters Inc":



O problema disto tudo é que eu confiaria muito mais numa equipa liderada por "Mike" e "Sully" do que pelos nossos monstros e dinossauros lusos...

20 outubro 2010

Vossa Excelência


Dedicado ao nosso governo e digníssima oposição, às queridas autarquias e juntas de freguesia, às competentes empresas públicas e privadas, ao idóneo futebol e ao chico-espertismo.

Citando eu mesmo: "Político é igual em todo lado: em Portugal, no Brasil ou na Puta-que-os-pariu!"



Vossa Excelência
Titãs
Composição: P. Miklos, T. Bellotto, C.Gavin

Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...

Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Senhores! Corrupto! Ladrão!...

Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...

Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...

Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Bandido! Corrupto
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!...

-"Isso não prova nada
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos
De tomar nenhuma decisão
Vamos esperar que tudo caia
No esquecimento
Aí então!
Faça-se a justiça!"

Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...

-"Estamos preparando
Vossas acomodações
Excelência!"

Filha da Puta!
Bandido! Senhores!
Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!...

19 outubro 2010

O mundo de Sócrates

No mundo de Sócrates tudo é perfeito.
No seu mundo multiplicam-se as luzes e as cores e as pessoas enxugam as lágrimas.
Nesse lugar, a principal virtude é o optimismo e a principal actividade é a representação.
Enquanto fala não existe desemprego, doença, violência, injustiça, pobreza, inflação e o défice existente é o de boa disposição.
No mundo de Sócrates tudo é cor-de-rosa: os sonhos, a vida, o rosé,
o 2º equipamento do SLB, o xarope para a tosse, o nariz e os processos judiciais.
No mundo de Sócrates a oposição, que contracena com ele, não tem juízo. Criticam por criticar, não são responsáveis, não têm ideias, não têm princípios. Se se importassem com o mundo de Sócrates aprovavam todos os devan… perdão, todas as suas ideias, propostas, ilusões e malabarismos.
Sendo Sócrates o actor principal procura sempre ficar por cima dos outros protagonistas.
No mundo de Sócrates acontece tudo segundo o seu guião. Todos os que são contra a actuação de Sócrates não são responsáveis e patriotas. Todos os que não comungam das suas soluções mirabolantes são ignorantes, fascistas e mal humorados. Se Sócrates aprova de certeza que é bom para o
país. É um dogma a decisão de Sócrates.

No mundo de Sócrates tudo é incrível; tudo é indescritível.
Nesse mundo não há tristezas, pelo contrário, a alegria é contagiante. Sócrates transmite risos e boa disposição.

O mundo de Sócrates é o circo…


Imagem aqui

18 outubro 2010

Pai sofre XV - Canções de encantar?

Durante as últimas férias, enquanto passeava os olhos pelo youtube, lembrei-me de mostrar alguns vídeos de músicas infantis à minha menina. O primeiro foi o "doidas andam as galinhas" e ela olhou para aquilo com alguma desconfiança. Pouco a pouco, com o passar dos dias, lá foi tomando o gosto e no fim já me pedia, à maneira dela, para lhe mostrar o vídeo. Foi uma espécie de "primeiro estranha-se, depois entranha-se" e, sem querer, havia "criado um monstro".
Com o 1º aniversário chegaram as prendas em forma de dvd's musicais e, agora, a moça anda viciada naqueles bonecos estranhos que tentam traduzir o que as músicas querem transmitir. Qual ditadorazita, já tem o monopólio do quadrado mágico cá da casa.

Durante a minha longínqua infância ouvia meus pais e avós cantarem o "atirei o pau ao gato". Sempre achei essa uma música de mau gosto. Apesar de não gostar de gatos, não sei o que o bicho fez para que alguém lhe tentasse matar à paulada.
Hoje, os miúdos não só ouvem como vêm essa tentativa de gaticídeo: num vídeo, muito mal feito, um gato desvia-se na hora H de um toro sabe-se lá atirado por quem.
Nesse mesmo vídeo vê-se uma espécie de pulga a morder o pé a uma menina. A tal pulga é chamada maldita, provavelmente por ter consigo a Yersínia...

"Se calhar devo estar a fazer uma tempestade num copo d'água. Vamos lá passar ao seguinte"...
O seguinte é sobre um sapo que tem frio e atravessa uma ponte. A ponte treme e faz com que o sapo caia na água onde é degustado por um jacaré. Tudo isso enquanto a mulher o espera em casa, a fazer rendinha para o casamento. Isso dá um belo enredo para uma novela da TVI.
Aliás os sapos são sempre uns tristes nestas músicas, uma segunda canção com o tema "batráquios" refere a existência de um desses bichos que, para além de ser feio e malcriado, tinha a boca torta.
Um outro fala sobre um galo que cantava muito bem mas que desapareceu sem saber para onde e sem deixar rasto (virou cabidela?).
Depois surge o de um pintinho que subiu a uma pedra, caiu e levou uma palmada da Dª Galinha. O gajo cai, parte-se todo e ainda leva na tromba? Isso, em certos países, dava direito a queixa para a CPFP (Comissão de Protecção de Frangos e Pintainhos).
Mais uma e surge a história do Cravo que brigou com a Rosa, numa clara alusão à violência doméstica, um flagelo no país das musiquinhas infantis.
Ainda uma música do Avô Cantigas... e depois isto:



Que susto!!!


Comecei a ficar preocupado com o conteúdo de violência destas canções e, se tudo já era medonho, não sei explicar o que pensei ao ouvir a música com a seguinte letra:

No alto daquela serra
no alto daquela serra
está um lenço
está um lenço a acenar

Está dizendo viva viva
está dizendo viva viva
morra quem
morra quem não sabe amar

Essa última quadra lembra-me uma ala psiquiátrica.


Vou mas é comprar uns filmes do Chuck, Seagal, Stallone e Van Damme: parecem-me ser bem mais inofensivos...


Adenda: por falar nestas músicas, lembrei-me de uma versão da "Ó Rosa arredonda a saia" que a minha senhora quer que eu evite de cantar perto da nossa moça. Essa versão reza assim:

"Ó Rosa arredonda a saia
Ó Rosa não sejas chata
Ó Rosa arredonda a saia
Que a gente quer ver-te a rata"

Essa versão já me trouxe problemas...