30 outubro 2010
Voltar para casa
Trabalhar longe de casa influencia as outras vertentes do meu mundo e isso reflectiu-se nos textos que escrevi aqui. Basta ver os textos sobre saudade ou sobre as viagens até ao destino de trabalho.
Ficar a semana toda longe de casa exige muito de quem, como eu, é apegado à família. Traz, no entanto, uma coisa boa: o reencontro.
Se tudo já era difícil, agravou-se ainda mais com o surgimento da minha menina. Perder alguns passos na sua evolução é algo que nem todo o dinheiro do mundo poderia pagar.
Há pouco mais de 3 meses escrevi este texto, no qual relatava a minha metamorfose de interno para especialista de Medicina Geral e Familiar. Esta passagem tinha uma dupla importância: 1º - mostrava uma evolução como profissional; 2º (e mais importante) representou a oportunidade de mudar para um local mais próximo de casa.
Depois de um concurso absurdo, protagonizado pelo Ministério da saúde e seus capangas da ARS, esta semana que passou foi a semana da decisão. Foi nesta última quarta-feira que decidi meu futuro local de trabalho.
Após uma burlesca reunião com alguns (verdadeiros e puros) funcionários públicas daquela última instituição, chegara a hora da escolha. Uma a uma as vagas foram sendo escolhidas e aproximava-se a minha vez...
Tudo isto só para dizer que, após 5 anos de distâncias, de viagens, de encontros relâmpago, de imensa saudade, estou, finalmente, voltando para casa!
Mas vou ter saudades na mesma...
27 outubro 2010
Guerra dos sexos (repost)
Ela: "- Olha, uso um eyeliner ou não?"
Eu:"?"... hum... hã... na sei! E eu, uso extremos ou vou com um 4-4-2?
Ela: "?"...
26 outubro 2010
Tv Cabo vs Catsone
TV Cabo (TVC): "Bom dia!"
Eu: "Sim?"
TVC: "Aqui fala Fulano. Represento a TVC e gostava de falar com o Sr. Catsone?"
Eu: "Gostava?"
TVC: "Sim."
Eu: "Já não gosta mais?"
TVC: "Sim, pois, ainda gosto..."
Eu: "Mas o Sr. o conhece?"
TVC: "Pessoalmente? Pessoalmente não."
Eu: "Mas gosta dele. Há coisas do catano, não é verdade?"
TVC:" Pois... bem... é com ele que tenho o prazer de estar a falar?"
Eu: "Elá, o Sr. Fulano está a ter prazer comigo?"
TVC: "Ah, ah. Bem disposto."
Eu: "Na verdade não muito. Ando com uma azia do camandro e uns arrotes azedos. Deve ser duma úrsula que trago no duodenes."
TVC: "Desculpe, mas é o Sr. Catsone quem fala?"
Eu: "Perdão, é ele sim."
TVC: "Como estava a dizer..."
Eu: "Está."
TVC: "Como?"
Eu: "O quê?"
TVC: "Não estou a entender..."
Eu: "Você disse que está a comer."
TVC: "Como?"
Eu: "Está a ver. Quero lá saber que o Sr. Fulano esteja a comer?"
TVC: "Desculpe-me, mas parece haver aí algum mal entendido."
Eu: "Onde?"
TVC: "Onde o quê?"
Eu: "Procurei pela sala e não encontrei qualquer mal-entendido."
TVC: "Queria dizer que deve haver alguma confusão."
Eu: "O que é que quer? Hoje faltou-me a mulher a dias!"
TVC: "Ó Sr. Catsone, queria dizer que esta conversa está um pouco confusa."
Eu: "Realmente, este telefonema está um pouco confuso, está. Mas a culpa é sua, não é? E o cliente tem sempre razão. Mas recomece lá a ladainha."
TVC: "Bem, vai me desculpar, mas não é ladainha..."
Eu: "Peço desculpa, se calhar fui um pouco rude. Ladainha não... lengalenga."
TVC: "Ok, Sr. Catsone, como queira. Como estava a dizer..."
Eu: "Está?"
TVC: "Estou?"
Eu: "Parece que sim, pelo menos estou a ouvi-lo."
TVC: "O Sr. Catsone está a brincar comigo?"
Eu: "Brincar consigo? Mas estou a falar para alguma linha erótica? Eu não brinco com qualquer um, compreende?"
TVC: "... desculpe. Isto não está a correr muito bem. Não se importa que liguemos mais tarde e falava com um meu colega?"
Eu: "Importo-me, sim senhor! Agora que começava a gostar de si quer empurrar-me para outro? Vocês são todos iguais!"
Tum-tum-tum-tum
23 outubro 2010
Os monstros
Ao ver aqueles dois grupos de patet - opá não sei o que se passa comigo hoje - políticos, lembrei-me de uma cena do (grande) "Monsters Inc":
O problema disto tudo é que eu confiaria muito mais numa equipa liderada por "Mike" e "Sully" do que pelos nossos monstros e dinossauros lusos...
20 outubro 2010
Vossa Excelência
Citando eu mesmo: "Político é igual em todo lado: em Portugal, no Brasil ou na Puta-que-os-pariu!"
Vossa Excelência
Titãs
Composição: P. Miklos, T. Bellotto, C.Gavin
Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Senhores! Corrupto! Ladrão!...
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...
Estão nas mangas
Dos Senhores Ministros
Nas capas
Dos Senhores Magistrados
Nas golas
Dos Senhores Deputados
Nos fundilhos
Dos Senhores Vereadores
Nas perucas
Dos Senhores Senadores...
Senhores! Senhores! Senhores!
Minha Senhora!
Bandido! Corrupto
Senhores! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão! Senhores!
Filha da Puta! Bandido!
Corrupto! Ladrão!...
-"Isso não prova nada
Sob pressão da opinião pública
É que não haveremos
De tomar nenhuma decisão
Vamos esperar que tudo caia
No esquecimento
Aí então!
Faça-se a justiça!"
Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer
Quadrado!...
-"Estamos preparando
Vossas acomodações
Excelência!"
Filha da Puta!
Bandido! Senhores!
Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!
Filha da Puta!
Bandido! Corrupto! Ladrão!...
19 outubro 2010
O mundo de Sócrates
No seu mundo multiplicam-se as luzes e as cores e as pessoas enxugam as lágrimas.
Nesse lugar, a principal virtude é o optimismo e a principal actividade é a representação.
Enquanto fala não existe desemprego, doença, violência, injustiça, pobreza, inflação e o défice existente é o de boa disposição.
No mundo de Sócrates tudo é cor-de-rosa: os sonhos, a vida, o rosé, o 2º equipamento do SLB, o xarope para a tosse, o nariz e os processos judiciais.
No mundo de Sócrates a oposição, que contracena com ele, não tem juízo. Criticam por criticar, não são responsáveis, não têm ideias, não têm princípios. Se se importassem com o mundo de Sócrates aprovavam todos os devan… perdão, todas as suas ideias, propostas, ilusões e malabarismos.
Sendo Sócrates o actor principal procura sempre ficar por cima dos outros protagonistas.
No mundo de Sócrates acontece tudo segundo o seu guião. Todos os que são contra a actuação de Sócrates não são responsáveis e patriotas. Todos os que não comungam das suas soluções mirabolantes são ignorantes, fascistas e mal humorados. Se Sócrates aprova de certeza que é bom para o país. É um dogma a decisão de Sócrates.
No mundo de Sócrates tudo é incrível; tudo é indescritível.
Nesse mundo não há tristezas, pelo contrário, a alegria é contagiante. Sócrates transmite risos e boa disposição.
O mundo de Sócrates é o circo…

18 outubro 2010
Pai sofre XV - Canções de encantar?
Com o 1º aniversário chegaram as prendas em forma de dvd's musicais e, agora, a moça anda viciada naqueles bonecos estranhos que tentam traduzir o que as músicas querem transmitir. Qual ditadorazita, já tem o monopólio do quadrado mágico cá da casa.
Durante a minha longínqua infância ouvia meus pais e avós cantarem o "atirei o pau ao gato". Sempre achei essa uma música de mau gosto. Apesar de não gostar de gatos, não sei o que o bicho fez para que alguém lhe tentasse matar à paulada.
Hoje, os miúdos não só ouvem como vêm essa tentativa de gaticídeo: num vídeo, muito mal feito, um gato desvia-se na hora H de um toro sabe-se lá atirado por quem.
Nesse mesmo vídeo vê-se uma espécie de pulga a morder o pé a uma menina. A tal pulga é chamada maldita, provavelmente por ter consigo a Yersínia...
"Se calhar devo estar a fazer uma tempestade num copo d'água. Vamos lá passar ao seguinte"...
O seguinte é sobre um sapo que tem frio e atravessa uma ponte. A ponte treme e faz com que o sapo caia na água onde é degustado por um jacaré. Tudo isso enquanto a mulher o espera em casa, a fazer rendinha para o casamento. Isso dá um belo enredo para uma novela da TVI.
Aliás os sapos são sempre uns tristes nestas músicas, uma segunda canção com o tema "batráquios" refere a existência de um desses bichos que, para além de ser feio e malcriado, tinha a boca torta.
Um outro fala sobre um galo que cantava muito bem mas que desapareceu sem saber para onde e sem deixar rasto (virou cabidela?).
Depois surge o de um pintinho que subiu a uma pedra, caiu e levou uma palmada da Dª Galinha. O gajo cai, parte-se todo e ainda leva na tromba? Isso, em certos países, dava direito a queixa para a CPFP (Comissão de Protecção de Frangos e Pintainhos).
Mais uma e surge a história do Cravo que brigou com a Rosa, numa clara alusão à violência doméstica, um flagelo no país das musiquinhas infantis.
Ainda uma música do Avô Cantigas... e depois isto:
Que susto!!!
Comecei a ficar preocupado com o conteúdo de violência destas canções e, se tudo já era medonho, não sei explicar o que pensei ao ouvir a música com a seguinte letra:
no alto daquela serra
está um lenço
está um lenço a acenar
Está dizendo viva viva
está dizendo viva viva
morra quem
morra quem não sabe amar
Vou mas é comprar uns filmes do Chuck, Seagal, Stallone e Van Damme: parecem-me ser bem mais inofensivos...
Adenda: por falar nestas músicas, lembrei-me de uma versão da "Ó Rosa arredonda a saia" que a minha senhora quer que eu evite de cantar perto da nossa moça. Essa versão reza assim:
Ó Rosa não sejas chata
Ó Rosa arredonda a saia
Que a gente quer ver-te a rata"
13 outubro 2010
Lenda
Para o desafio "O cheiro da chuva" da Fábrica de Letras:

Há muito que não chovia no sertão. Nem uma pinga d'água despejada por São Pedro nos últimos 15 anos.
Naquelas bandas poucos insistiam em cavar terras que há muito deixaram de fazer nascer o que quer que fosse.
O rio sem nome, que cortava a cidade, era um fóssil que deixara de alimentar poços, hortas e expectativas.
A única água do lugar provinha das gotas de suor das gentes que teimavam em cultivar a única coisa verde que ainda existia: a esperança.
Diziam ser maldição adquirida durante as últimas chuvas. Naquela altura chuvadas abundantes quase apagaram a pequena cidade do mapa. Muitos pediram pelo fim da calamidade: oraram, fizeram promessas, imploraram aos céus para que as águas cessassem e elas cessaram… para sempre.
Francisco apareceu nessa enchente. Vinha embrulhado, em tecidos toscos e rasgados, dentro de uma caixa de madeira usada para transportar frutas. Ninguém nunca soube de onde viera o menino e muitos imputavam nele parte das culpas.
Foi adoptado por um casal jovem, ainda sem filhos. Deram-lhe guarida quando todos o queriam devolver às águas do agónico rio da cidade. Resolveram criá-lo, na esperança de que Francisco pudesse ser a cura em vez da doença.
Francisco carregara o fardo de maldito ao longo da infância. Se vissem nuvens carregadas ao longe e as mesmas desaparecessem, Francisco já sabia o que lhe aconteceria e corria para a casa de barro dos pais.
As outras crianças ostracizavam-no. Desejou, por muitas vezes, desaparecer tão misteriosamente como aparecera.
Então, numa copiosa tarde soalheira de Dezembro, uma família retirante chegou à cidade. A família Silva era composta pelo casal e seus 6 filhos. Caminhavam há semanas pelas terras secas do sertão e procuravam descansar por uns tempos no lugarejo. Diziam estar de passagem e que a estadia seria breve.
Nessa trupe nómada morava Etelvina, uma menina de olhos e cabelos negros, pele queimada do sol, que conquistou o triste coração de Francisco.
Os dois conversavam durante horas, sentados às margens do rio seco, observando os montes que cresciam no horizonte longínquo.
Ela falava-lhe das paisagens agrestes que conhecera, do calor abrasador do dia e do paradoxal frio da noite, da fome, da sede, da solidão de uma viagem sem rumo ou destino. Falava-lhe do passado e imaginava um futuro um pouco melhor.
Francisco ouvia-a, apaixonado. Sentia uma comichão estranha que lhe percorria o físico sempre que ela lhe lançava o olhar. Sorvia-lhe cada palavra e saciava o espírito com o seu riso.
Nunca se sentira assim. Por momentos esquecera de onde estava. No seu campo visual não cabia nada que não fosse aquela menina, qual imagem de santa aos olhos do pagador de promessas.
Sentia o corpo a responder de formas estranhas: taquicardia, polipneia, visão turva, mania e uma sensação avassaladora de plenitude. Com Etelvina tudo podia, tudo conquistava, tudo era melhor, não era mais maldito.
Na flor dos seus 15 anos, Francisco sentia-se cada vez mais viciado e precisado da sua dose diária de amor...
Tal como prometido, a família levantou ferro e partiu pouco tempo depois. Foi-se embora ainda o sol era um esboço no céu limpo do sertão.
Francisco, que sonhava com Etelvina, não estava preparado para esse pesadelo.
Ao saber da partida inesperada dos Silva, também Francisco partiu. Fugiu para o isolamento em direcção aos montes, seguindo o rasto do extinto rio e deixando para trás a maldição que residia naquele lugar.
As pessoas vieram a correr. Todas gritavam, agitadas, em estado de ansiedade descontrolada. Anunciavam que o rio voltara a correr, que se fizera um milagre: o rio voltara a nascer sem sinal de pinga do céu, sem o vento e o cheiro característicos da chuva.
Declararam ser um rio de água salgada e baptizaram-no de Rio São Francisco.
Luís Fernandes Lisboa ®
09 outubro 2010
365
Nota: este post vem com mais de uma semana de atraso
Há 366 dias atrás eu não era o que sou hoje. Não era Homem por inteiro, não me conhecia na totalidade, não estava completo.
Há 366 dias pensava eu ter medos: medo da morte, medo da perda, medo de coisas banais.
Há 366 dias achava-me um ser feliz e conhecedor do amor mais puro e profundo.
Há 366 dias tinha certeza de que nada poderia ser mais valioso do que aquilo que possuía.
Há 366 dias não me entendia como indispensável e dava um valor relativo à minha vida. Há 366 dias era apenas mais um.
Há 366 dias atrás o mundo era diferente... tão imensamente diferente...
Tudo mudou há 365 dias.
Atingi a plenitude.
Entendi o que é ter medo, um medo real, imenso e desconcertante, principalmente o medo da perda.
Compreendi que a felicidade não tem limites e é passível de grandes incrementos.
Percebi que, afinal, sou importante e indispensável para a manutenção do bem-estar de alguém ainda mais importante do que eu.
Vi que tudo o que tinha não era nada comparado ao que tenho agora.
E, principalmente, conheci um amor diferente, irracional, inesgotável, inimaginável e tão profundo que não se percebe de onde vem. Um amor que nos molda o espírito e nos muda para sempre.
Há 365 dias completei-me... por agora, quem sabe, num futuro a médio prazo, me possa completar mais uma vez.

01 outubro 2010
Mezinha
Resolvia-lhe o assunto, Sr. Ministro das Finanças: uma cajadada nas têmporas e via se não dormia com os anjos... era remédio santo.
29 setembro 2010
Palavra do dia
sodomizar | v. tr. e intr. |
25 setembro 2010
Cada macaco no seu...
"Doentes vão poder escolher marca do fármaco que compram, diz tutela"in Público
Obviamente que não poderia deixar passar esta notícia em claro. Como é óbvio devo destacar o conteúdo e não a "manchete" em si, já que a mesma não reflecte o que a totalidade do que notícia quer transmitir (o que é perfeitamente normal).
Palavras chave de toda esta situação: "demagogia", "incompetência" e "conluio".
Vamos por partes:
1º Não sabia que tínhamos mais de um secretário de estado da saúde. Ah, ok, o outro é secretário de estado adjunto e da saúde. Está aí um bom exemplo de despesismo: 2 secretários que falam e não dizem (nem fazem) nada direito;
2º Parece que o governo quer que, no fim da consulta, na altura da prescrição, explique o porquê da MINHA escolha por uma marca de genérico em detrimento de outra mais barata. Será que se eu explicar aqui fico livre dessa palhaçada?
Não sei se as pessoas têm conhecimento mas as consultas em contexto de Medicina Geral e Familiar têm um tempo para serem executadas. Durante esse curtíssimo período tenho de falar sobre os problemas, fazer diagnóstico, planos de actuação, educação para a saúde, prognóstico, falar sobre o tempo e das vindimas e passar receituário. Raramente se cumpre o período estipulado porquê existem situações que merecem mais tempo de consulta. Não posso tratar uma gripe da mesma forma que uma depressão, certo? Alguém já parou para pensar numa consulta cujo motivo principal é a solidão? Agora querem que nós gastemos tempo a justificar o desnecessário, o supérfluo e o que não interessa.
As pessoas não gostam de esperar, mas querem que a consulta da vizinha seja o mais célere possível, e o pior que se pode ter é uma sala de espera insatisfeita...
3º Os genéricos: o que é preciso para ter uma marca de genéricos em Portugal? Bem é preciso ter um nome, por exemplo: Genéricos Catsone. Aprovada a marca, encomenda-se a um laboratório qualquer um lote de um determinado medicamento, por exemplo: Ibuprofeno. Depois propõem-se um preço ao Infarmed e se aprovado, tcharam, temos o Ibuprofeno Catsone. Isto é uma caricatura, provavelmente não será assim tão simples (ou não seríamos o país dos burocratas) mas não deverá andar longe.
Portugal é o país com mais marcas de genéricos. Vejam bem que eu disse "marcas", não disse laboratórios, e isso não é a mesma coisa. Posso confiar nesses? Nunca os vi, não sei o que me oferecem, se têm estudos. O que é mais barato nem sempre reflecte qualidade. A Renault e a Dácia são do mesmo grupo, terão a mesma qualidade?
No entanto, existem laboratórios de genéricos (verdadeiros laboratórios que produzem medicamentos) que fabricam até para empresas emblemáticas como Bayer, Pfizer ou MSD. Nesses eu confio. Aos laboratórios portugueses eu dou prioridade.
Depois há a questão dos delegados de propaganda médica. Quando recebo um delegado espero que este me mostre o seu produto. No caso dos delegados de empresas de genéricos, existe um documento/estudo que me interessa particularmente: o estudo de bioequivalência. Esse estudo vem mostrar que o medicamento genérico comporta-se exactamente da mesma forma que o produto original. Como posso confiar num genérico que não o tem? Existem laboratórios que não enviam delegados ao meu encontro, terão algo a esconder? Será para poupar em pessoal? O que oferecem esses às farmácias?
Podem dizer-me: "A e tal, o INFARMED aprovou é porquê está dentro dos parâmetros", e estará realmente?
4º Existem moléculas cujo genérico não consegue obter a mesma actividade no organismo; um exemplo: furosemida. E outros exemplos há, podem dizer o que quiserem mas nós, que trabalhamos não com a venda mas com os resultados das substâncias, temos alguma noção daqueles que melhor funcionam.
5º Como posso confiar numa marca branca de uma marca de genéricos? Sim, existem. Será que trazem a dose indicada? Deixem-me ver, a empresa que fabrica o genérico X ainda pode fazer um genérico mais barato? Hum...
6º Vamos deixar o doente escolher o seu medicamento? Quando chegar à farmácia é mesmo isso que vai acontecer?
"Olhe, tem estas marcas de clopidogrel e de flucloxacilina. Agora escolha."
"Clopidóquê? "
Infelizmente, o analfabetismo é comum em localidades rurais e já vi não uma, nem 10 vezes, idosos a tomar a mesma medicação em duplicado porquê na farmácia lhe trocaram a marca do genérico a que estava acostumado.
Será que as pessoas sabem o que é explicar a forma de tomar a medicação a um idoso de 85 anos, que não sabe ler, que ouve e vê mal, já com algum grau de demência e com 6,7, 8 ou mais substâncias diferentes? Terão todas as instâncias preparadas para, de cada vez que o senhor levantar a medicação, esperarem (com paciência) que o "cliente" escolha todas as caixas?
7º Será que essas pessoas andam no terreno? Será que sabem o que é trabalhar num local afastado da cidade, onde dominam poderes deveras obscuros? Será que pensam que os médicos, enfermeiros e outros agentes da saúde não têm mais nada para fazer?
Quem é que legislou os medicamentos genéricos de graça há 1 mês das eleições? Quem é que hoje está à rasca porquê essa lei foi um tiro no pé e agora não tem financiamento para a honrar? A culpa será também minha que tenho uma prescrição de genéricos acima dos 50%?
8º Falar numa situação dessas numa cerimónia que assinala o Dia do Farmacêutico e poucos dias depois de baixarem a margem de lucros das farmácias e a comparticipação aos cidadãos? Então, estão a brincar? Batem e depois sopram e dão miminhos?
9º Gosto da generalização que fazem quando dizem que os médicos estão de conluio com os laboratórios. É exactamente isso que penso quando aquele senhor idoso, de que falei atrás, vem à minha consulta: "deixa-me tirar a choruda pensão ao velhote! Eh, eh, eh...".
Ninguém me conhece ou sabe a forma e como trabalho, mas aquele idoso terá o melhor que posso fazer dentro das minhas capacidades, isso garanto.
Não admito que me comprem com canetinhas, livros ou participações em congressos.
Não admito que ninguém, seja ministro, secretário de estado, colega, farmacêutico ou comentador de jornais online, venha me incluir no lote dos privilegiados por laboratórios ou ponha em causa a minha honra profissional.
Não tenho culpa de ser médico e estar metido no meio dessa podridão cuja pessoa mais prejudicada é o utente/doente.
10º Eu não viajo à pala para nenhum lugar!
Há pessoas que têm a medicina que merecem...
23 setembro 2010
Pai sofre XIV - Lombalgia
Chegou uma época temida cá por casa: a tentação de andar.
Nunca pensei seriamente na liberdade que o acto de andar nos dá. Podermos nos levantar e ir para onde quisermos, pormos-nos em bicos de pé para alcançar algo ou correr representa grande parte da condição de ser humanos. Sempre me aterrorizou a hipótese de perder este poder e assusta-me tomá-lo como um dado adquirido.
Agora, imagine-se a descoberta desta habilidade multiplicada pela imensa curiosidade de quem tem quase um ano de idade? Pois...
Cada vez que chego a casa o que mais me apetece fazer é agarrar a minha menina e espetar-lhe um daqueles beijos que detestava que os adultos me dessem quando era criança. Quero espremê-la contra mim e tentar recuperar o tempo perdido ao longo da semana. No entanto, agora existe um pequeno problema: ela não está para aí virada.
A primeira coisa que ela faz quando a pego ao colo é apontar para o chão. Quer pôr-se de pé e vasculhar, à toda velocidade, todos os recantos da casa (até nos impossíveis do pai caber). Tudo seria maravilhoso se ela, por ventura, já o fizesse sozinha e não precisasse que o pai dela lhe agarrasse as mãos.
Lá vai a moça a rir-se segura pelas mãozitas por um pai curvado qual "Quasimodo" lusitano.
A situação é grave já que para ela tudo é novo, mesmo naquele corredor no qual acabamos de passar. Há sempre um detalhe, um objecto, uma sombra que merece uma investigação à polícia científica. Se encontrou um pedaço de plástico vermelho há que sentar, tentar ver se funciona, se parte contra a parede ou se sabe a algo bom e, depois de tudo testado, abandoná-lo a um canto e voltar a andar novamente, mesmo contra a vontade do pai.
Minutos passados assim e preciso urgentemente de uma massagem tailandesa. Até faço essa proposta à mãe cá de casa mas, tal como a filha no caso dos abraços, ela também não está para aí virada.
Um minuto passado horizontalmente no chão duro da sala e ouço as lamúrias de alguém que não se contenta mais em estar sentada e cujos brinquedos convencionais deixaram de fazer sentido... e o circo volta a estar montado.
Estou a precisar de uma destas:
(Diazepam 10 mg 1/2 + 1 e Paracetamol 3id + duche quente no lombo e repouso)
22 setembro 2010
Perfeição (re-post)
Perfeição
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada Fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afectação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...
Legião Urbana
18 setembro 2010
(Des)motivado
Tenho andado desmotivado.
Cena difícil de explicar sem ser pessoalmente, numa conversa com um café (ou dois, ou três, ou...) à beira.
Como é possível manter a boa disposição se se está longe de quem se gosta, quando as perspectivas futuras não são as melhores, quando se é "otário" num mundo de "chicos-espertos", ...?
Ando tão "sem saber como" que deixeis de ter vontade de escrever, de ver meus colegas da blogosfera, deixei de ter paciência para queixumes sem sentido.
Ligo a televisão e vejo gentes sorridentes a dizer que o futuro é risonho, mas o que vejo é um tragédia grega em anfiteatro ao ar livre, em dia de inverno, com o céu pronto a nos brindar com uma chuva tristonha...
Se fosse mulher diria que estava naqueles dias.
Valha-me a minha filha a gatinhar, a rir e a gritar enquanto a persigo pela sala de estar.
13 setembro 2010
Canibalismo porcino
06 setembro 2010
Respons(h)abilidade
Já escrevi neste blog, mais do que uma vez, que este governo é óptimo em fazer publicidade. Este nosso querido PM é o "garoto-propaganda" deste executivo exímio em Marketing.
Ver o discurso do senhor PM e não esboçar um sorriso é não ter um pingo de bom humor. Nesse longo monólogo de reentré política (a 2ª!) o que mais se ouviu foi a palavra responsabilidade.
responsabilidade | s. f. |
Bem, parece-me que o senhor PM não está familiarizado com a definição de "responsabilidade".
É ser-se responsável alguém que permite que o emprego chegue aos 11%, quando até se prometeu a criação de 150000 novos empregos em 4 anos?
É ser-se responsável alguém que permite, ao contrário dos outros "PIGS", que a despesa pública cresça em vez de diminuir?
É ser-se responsável permitir que 1 bilião de dívidas fiscais prescrevam?
É ser-se responsável embandeirar em arco um crescimento trimestral de 0.2% (1/5 da média europeia e 1/10 da Alemanha)?
Já não falo das responsabilidades ignoradas a outros níveis...
Lembro-me de, no ano passado, assistir a um debate entre o Engº Sócrates e o Secretário Geral do Bloco de esquerda, Francisco Louçã. Confesso que, na altura, era o debate que mais esperava e o que causava mais curiosidade.
Desilusão.
Francisco Louçã foi um cordeirinho na mão de um predador político. Sócrates é como os príncipes que são criados de pequeninos para, no futuro, ocuparem o lugar de rei. O PM foi incubado, treinado para estar no lugar que ocupa e aproveitou-se (com primazia, diga-se de passagem) de uma fraqueza existente no programa eleitoral do seu opositor de debate.
Que fraqueza era essa? Que ponto foi explorado até não mais pelo PM? O que foi tão batido que Louçã perdeu o pio? O que o deixou tão perplexo e sensibilizado?
O ponto da discórdia era a diminuição das deduções fiscais para gastos com saúde e educação. Louçã defendeu-se com a seguinte justificação: se o estado fornece bom serviços públicos de saúde e educação não há justificativa para as pessoas optarem pelo privado e,se o fazem, devem arcar com as custas. A meu ver uma boa defesa... se o estado fornecesse bons serviços de educação e saúde (o que, em alguns locais do território, não acontece, infelizmente).
Sócrates atacou, ironizou, ridicularizou, fez as cenas trágico-cómicas que está tão habituado: "como é possível? E o senhor diz-se de esquerda? Quer retirar benefícios à classe média? Como é possível".
Caía por terra a minha vã esperança de ver alguém dar uma tareia ao Engº.
Agora, passados alguns meses, o que é que aquele homem perplexo, incomodado, ferido na sua honra socialista, quer fazer?
"O PS quer que os portugueses paguem mais do seu próprio bolso pela saúde e educação. O PSD quer que se pague pelo menos o mesmo." in Jornal de Negócios
Pois é, RESPONSABILIDADE parece não ser o forte do PM.
05 setembro 2010
Monopoly Portugal

Imagem aquiEstive a jogar Monopoly.
Comecei na casa de partida e recebi dinheiro, não sei bem de onde e muito menos porquê, a fundo perdido.
Iniciei a minha participação e logo comprei algumas propriedades em Lisboa e um terreno na Faria Guimarães, no Porto, a partir de leilões das Finanças e após conversas, off-record, com colaboradores de um banco público.
Continuando o jogo, consegui acções da companhia de electricidade. Como se tratava da única companhia do género achei que seria um bom negócio. Ora, segundo informações fidedignas, as acções até iriam subir após a minha aquisição. Tornei-me accionista maioritário e aumentei o preço da energia aos jogadores que, inadvertidamente, contratavam o serviço. Mais tarde, por sorte (e contactos vários) obtive a maioria das acções da companhia das águas.
Logo a seguir, consegui angariar mais algum dinheiro da Caixa Geral de Dep... peço desculpas, Caixa da Comunidade. Disseram-me que tinha havido um erro do banco a meu favor e depositaram, na minha conta à ordem, alguns milhões sem importância. Com essa verba adquiri mais algumas propriedades na capital, no Porto e em Coimbra.
Entretanto, em algumas jogadas de mestre, lá consegui saber da privatização da companhia de comboios e assumi o controlo de todas as estações disponíveis, o que me deu um grande jeito e um enorme lucro.
Nesse momento, tornava-me o jogador que mais lucrava no jogo mas tive um pequeno contratempo: começava a chamar a atenção e, após algumas denúncias (e um pouco de azar nos "dados" apresentados) fui parar à prisão. Porém, graças a um cartão providenciado por altas instâncias, vi-me livre da cadeia sem precisar sequer de um advogado.
Posteriormente, e resolvido quele quiproquó, decidi construir casas e hotéis em todas as minhas propriedades. Graças a uns amigos na Câmara de Lisboa, do Porto e de Coimbra, consegui que todos os projectos que propus fossem aprovados sem grandes contratempos ou alaridos, e mesmo contra algumas votações em câmara de vereadores. Nada como um bom e$tímulo para $e tomem $ábias deci$ões.
Estava no topo, ninguém podia contra mim, pouco a pouco fui eliminando os adversários e o futuro de riqueza mantinha-se risonho.
Mas foi então que aconteceu o pior.
Ninguém gosta de ser passado para trás, principalmente pelo melhor amigo.
Ninguém gosta de ser enganado, extorquido e, depois de tanto trabalho, perder tudo o que amealhou com muito esforço.
Ninguém gosta de ser traído...
Tive de ajustar contas e pagar por alguns "erros" que cometi:

Mas não me dei por vencido: processei-o, fiquei com o resto dos seus bens e mantive-me altivo e confiante rumo ao monopólio Portugal.
Luís Fernandes Lisboa ®
30 agosto 2010
26 agosto 2010
"Mudasti" o caral"#!!!
O leitor fica avisado: avançar fica por sua conta e risco.
"Mudasti" é lixo, não serve para nada, é uma tentativa de passar uma mensagem subliminar: "bebe o nosso ice-tea". Porquê não aportuguesam a palavra "ice-tea"? Podia ser aisseti, não? Ah, mas lembra o refresco da concorrência, certo? Então pode ficar "chá gelado".
Alguém já viu os cromos que aparecem no comercial que visa convencer a malta a assinar a petição em prol da palavra? É cada um mais esquisito que o outro! Se calhar já usavam "mudasti" na maioria das frases que incluíssem o verbo "mudar". Se calhar também dizem treuze, ou há-des, ou camion...
Um dos personagens diz que ninguém usa as palavras manducar e cachinar nos dias que correm . No entanto, baseando-se no seu uso por aí, vamos ter de inserir o treuze, o camion, a úrsula, aiágua, entre outras e uma nova forma de conjugação verbal para aceitar o "tu mudastes", o "tu ouvistes" ou o "tu chibastes".
Vejam lá, "coirato" não está no dicionário! Defendam lá a porra do "coirato"!!!
Ó amigos da Nestlé e da Coca-Cola Company, "mudasti" não é português, pá. Português legítimo tem "cona", "foder" e "puta-que-os-pariu", ditos com a boca cheia e com orgulho em ser labajão (ops, outra que não está no dicionário)!
"Mudasti" está bom para tipos como estes:
"Mudasti"? "Mudasti" o caralho!!!
Assinem esta petição!




