24 outubro 2013

Sessenta

Portugal já é um país moderno. Porquê? Porque já tem adolescentes com planos de assassinatos em massa. 
Não acompanhei muito "de perto" o que se passou naquela escola de Massamá, mas nas raras vezes que perdi alguns segundos com aquilo, perdi-os com muita atenção. 
O rapaz terá ferido 3 colegas e uma funcionária com uma faca mas planeava matar 60 pessoas! Inspiração: os grandes assassinantes (assassinos+estudantes) americanos. Acho que sim, que quando iniciamos um projecto temos de ser auspiciosos e tal, mas também acho que ele deveria concentrar-se em matar um primeiro, só para ver como é que é, e depois de "ganhar mão", fazer a coisa à americana.

Não ficou claro se queria matar 60 pessoas no mesmo dia mas, de qualquer forma, 4, para começo, já é um bom número de cadáveres. A questão é que não cumpriu os seus intentos e as pessoas não morreram, graças a deus ou, se calhar, ao armamento trazido pelo esboço de homicida: facas de cozinha. Que tipo de facas de cozinha terá o rapazote utilizado? Se fosse eu usava aquelas a que chamamos "facalhão", aquelas que mal cabem nas gavetas dos armários e que nunca soube o que raio fazem numa cozinha em tempos de paz. Talvez o fascínorazinho tenha usado uma faca de sobremeza ou mesmo uma faca de peixe que, como todos sabemos, nem sequer deveriam ser chamadas  de "faca".

A verdade é que o senhor queria levar 60 directamente para as portas do paraíso. Porquê 60? Será fetiche do  moço? Se calhar foi ao calhas: "deixa-me ver, vou matar 58; não, não... já sei: 60, qué um número redondo!". Talvez tenha uma daquelas roletas de bingo e calhou-lhe uma bolinha com esse número. 
Eu apoio este tipo de empreendedorismo e aconselho este rapaz que, aquando da sua saída da choça, não desista da ideia, pois é muito bonita. No entanto, vá matar outras coisas, sei lá, tempo, por exemplo, ou, quem sabe, políticos.
Que fique bem claro que não sou a favor de assassinatos, deus me livre e guarde. Mas, ao ver o esforço que têm feito estes sucessivos grupos de gente para matar velhinhos indefesos (vide cortes nas pensões e saúde), se alguém tiver realmente de matar outro alguem, talvez matar políticos seja mais lógico e saia mais barato ao país. Ora vejamos, se o salário e a pensão de um deputado (contas por baixo) equivalerem a pensão de uns 40 reformados, o trabalho feito pelo jovem ao liquidar 60 deputados pouparia cerca de 2400 daqueles pobres pensionistas! É ou não é uma boa política? E ainda com a salvaguarda de se poder aprender muito mais coisas com apenas um reformado do que com os 60 deputados abatidos. Sem falar de que se poupariam os 60 jovens do plano original: uma riqueza incontestável para o país.
E se tudo corresse bem, podia até ser um negócio com grande valor para a exportação, principalmente para países como o Brasil ou Angola...

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